Sínodo para a Amazônia é discutido em seminário interdiocesano no Maranhão

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06 de agosto de 2019

Dioceses do Sul do Maranhão (Regional Nordeste 5: Carolina, Imperatriz, Viana, Grajaú e Balsas) e a Diocese de Tocantinópolis, do Norte do Tocantins, se reuniram para discutir o documento de trabalho do Sínodo para a Amazônia. Acolhidos pelo bispo de Carolina, Dom Francisco Lima Soares, o seminário de estudos, realizado em Estreito/MA nos dias 03 e 04, contou com a presença de leigos, bispos, padres, religiosos, membros de movimentos e conselhos sociais e representantes do governo.

Na ocasião, foram discutidas ações para antes, durante e depois da Assembleia Sinodal, a ser realizada em Roma no mês de outubro. Padre Dário Bossi, assessor da Rede Eclesial Pan-Amazônica/REPAM-Brasil, destaca o sentimento de esperança pela defesa da vida transmitida pelos participantes.

“Saímos desse encontro com muito ânimo, com a certeza de que o que foi decidido aqui vai ser multiplicado pelas mãos, corações e pensamentos das pessoas que participaram”, comemorou o assessor.  “Nós mesmos somos o Sínodo que caminha com nossas pernas, e isso, a partir de outubro, poderemos mostrá-lo em nossas comunidades cristãs”, completou.

Unidade

A Diocese de Tocantinópolis é membro do Regional Norte 3, mas  faz divisa com o Sul do Maranhão. O bispo diocesano Dom Giovane Pereira de Melo, explica que devido à proximidade, muitas problemáticas são comuns, e por isso é importante somar forças. “Dentro da metodologia da Repam a gente tem sempre buscado trabalhar como ‘bacia’, então nós estamos situados aqui na bacia do Rio Tocantins”, explicou.

Para o bispo, o seminário foi um momento propício para avançar na propagação do processo sinodal. “Queremos ser essas antenas, aqueles que vão divulgar o sínodo, sensibilizar os atores, os grupos, os movimentos sociais, as nossas pastorais, as nossas dioceses, no sentido de abraçar a problemática que o sínodo está discutindo”. Dom Giovane destaca ainda que a problemática do Sínodo não é só dos bispos da Amazônia, “é uma problemática que interessa a toda a Igreja, que interessa o mundo inteiro”.

Vozes ouvidas

Além de discutir o documento de trabalho do Sínodo, o seminário ouviu as vozes dos povos amazônicos que participaram ativamente do encontro. Heraldo Guajaja, é indígena da aldeia Sabonete do Leão, no município de Grajaú/MA. Ele conta que foi a primeira vez que participou de uma atividade promovida pela Igreja Católica e ficou admirado com a abertura dada a ele e aos demais indígenas presentes.

“Foi muito bom a gente ter tido a oportunidade de expressar o que a gente sente, o que a gente passa nas nossas aldeias. A gente teve essa oportunidade de expressar nossas ideias, nossa visão, nossa gente, nossa forma de ser, e a Igreja respeitou isso. A Igreja quer que gente venha a opinar, venha a expor as nossas ideias com a nossa própria visão, com a nossa própria forma de ser”, declarou.

Carta Aberta

Ao final do seminário foi elaborada uma carta aberta para ser lida nas paróquias e comunidades, a fim de anunciar o compromisso com o Sínodo para a Amazônia. Confira a carta na íntegra:

Nós, Membros do Comitê Interdiocesano da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), no Sul do Maranhão, Regional NE 5, das Dioceses de Balsas, Carolina, Grajaú, Imperatriz, Viana, e a Diocese convidada de Tocantinópolis (TO), participantes do SEMINÁRIO DE ESTUDOS DA REPAM, celebrado nos dias 3 e 4 de agosto, no município de Estreito, da Diocese de Carolina, juntamente com a Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular – SEDIHPOP do Maranhão, do Movimento Indígena e demais entidades sociais, temos a alegria de anunciar nosso compromisso com o SÍNODO PARA A PAN- AMAZÔNIA, convocado pelo Papa Francisco.

O Sínodo é um convite a CAMINHAR JUNTOS e ouvir o clamor dos Povos da Amazônia – nossas vozes – no cuidado da Casa Comum, no compromisso profético para o BEM VIVER.

Com renovada esperança, CONVIDAMOS VOCÊ a conhecer e fazer parte deste processo na defesa e promoção da vida e dignidade do Povo de Deus, especialmente os Povos Indígenas, Quilombolas, Extrativistas, Pescadores, Ribeirinhos, Camponeses e demais povos do campo e da cidade, frequentemente esquecidos, agredidos e sem perspectiva de um futuro seguro.

Será uma grande bênção chegarmos a uma CONVERSÃO ECOLÓGICA, de uma Igreja servidora e missionária, dispondo-nos a uma evangelização inclusiva, de respeito e valorização das diversas culturas e formas de vida.

Tudo está interligado como se fôssemos um, tudo está interligado nesta Casa Comum.

Estreito/MA, 4 de agosto de 2019.

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Cardeal Hummes lança livro sobre Sínodo para a Amazônia

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05 de mai de 2019

No sábado, 27 de abril, na Catedral da Sé, aconteceu o evento de lançamento do livro “O Sínodo para a Amazônia”, do Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo e Presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam).

Publicada pela Paulus Editora, a obra trata da temática e preparação da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos, que será realizada em outubro, no Vaticano, com o tema “Amazônia, novos caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral”.

Um dos membros da comissão preparatória do sínodo, Dom Cláudio explicou que o objetivo é divulgar o máximo possível o Sínodo e sua importância. “Com certeza, esse evento eclesial iluminará não apenas a Igreja na Amazônia com seus povos, mas toda a Igreja universal”, afirmou.

 

NOVOS CAMINHOS

“Encontrar novos caminhos para a evangelização daquela porção do povo de Deus, sobretudo dos indígenas, muitas vezes esquecidos e sem a perspectiva de um futuro sereno, também por causa da crise da floresta Amazônica, pulmão de importância fundamental para o nosso planeta.” Essa foi a finalidade principal apresentada pelo Papa Francisco ao convocar o Sínodo, em 15 de outubro de 2017, em Roma.

A assembleia sinodal contará com a participarão de representantes dos nove países que constituem a chamada Pan -Amazônia – Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela, incluindo a Guiana Francesa como território ultramar –, envolvendo sete conferências episcopais.

Desde a convocação, a Igreja na Amazônia tem realizado encontros para estudar e aprofundar a proposta do Sínodo. Foi elaborado um documento preparatório que serve como texto-base, o qual oferece uma análise de conjuntura atual da Amazônia e aponta percursos e novos caminhos para a Igreja a serviço da vida nessa região. O subsídio recolhe sugestões e propõe caminhos para uma preparação adequada da Assembleia.

 

CONTEXTO

O Cardeal Hummes ressaltou que o Sínodo para a Amazônia acontece no contexto da Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, sobre o cuidado com a casa comum. “Por isso, este Sínodo não terá um significado só para a Amazônia, mas para o mundo, mencionando outros biomas que precisam ser preservados.”

Outro estímulo apontado por Dom Cláudio para esse Sínodo foi a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 21), realizada em Paris, na França, em 2015, quando foi publicado um acordo climático assinado por mais de 190 países.

 

CAUSAS DA CRISE

Entre as causas da crise climática, o Cardeal Hummes destacou a forma como o ser humano intervém na natureza, o que o Papa chamou de “globalização do paradigma tecnocrático”, resultante do atual “modelo dominante” de desenvolvimento.

“A tecnociência deu um poder enorme à humanidade. Mas, ao ser humano moderno, falta ‘uma ética sólida, uma cultura e uma espiritualidade que lhe ponham realmente um limite e o contenham dentro de um lúcido domínio de si’”, salientou Dom Cláudio, citando a Laudato Si’.

Como caminho para enfrentar essa crise, o Papa Francisco chama a atenção para a necessidade de uma ecologia integral. A partir dessa concepção, Dom Cláudio afirmou que surge a necessidade de novos modelos de desenvolvimento, que não sejam predatórios. “O Sínodo poderá estimular para que se encontrem novos modelos”, avaliou.

 

IGREJA AMAZÔNICA

Sobre os desafios da ação evangelizadora da Igreja na Pan-Amazônia, o Cardeal recordou a preocupação do Santo Padre para que a fé seja inculturada na Amazônia, na necessidade de “uma Igreja com o rosto amazônico e indígena”.

Sobre a falta de sacerdotes, o Cardeal destacou o drama que os católicos da Amazônia vivem com a falta dos sacramentos, especialmente a Eucaristia, Reconciliação e Unção dos Enfermos, que são ministrados pelos padres e bispos.

“Esses são os sacramentos da vida cotidiana. Não podem faltar para essas comunidades. Muitas delas se reúnem para celebrar a Palavra, mas faltam os sacramentos. A Palavra me ilumina, mas são os sacramentos que dão força para pôr em prática a Palavra”, afirmou.

 

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Papa nomeia o Cardeal Hummes como relator geral do Sínodo para a Pan-Amazônia

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04 de mai de 2019

O Presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) e Arcebispo Emérito de São Paulo, Cardeal Cláudio Hummes foi nomeado pelo Papa Francisco neste sábado, 4, como relator geral do Sínodo Pan-Amazônico.

Esta Assembleia Especial acontecerá no Vaticano, entre os dias 6 a 27 de outubro, com o tema “Amazônia: novos caminho para a Igreja e por uma ecologia integral”.

Também foram nomeados como secretários especiais Dom David Martinez de Aguirre Guinea, O.P, Vigário Apostólico de Puerto Maldonado, no Peru; e o Monsenhor Michael Zcerny, S.J, Subsecretário da Seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

Gratidão

Em entrevista ao portal da CNBB, Dom Claudio disse receber a notícia com o sentimento de responsabilidade porque o Sínodo é muito importante e poderá ser histórico. “Eu agradeço ao Papa a confiança na gente, em mim, e quero dar o meu melhor para realizar este serviço”, afirmou.

A nomeação para o cargo de relator geral, para o Cardeal Hummes, não significa nenhuma distinção especial. “Os nove países temos as mesmas responsabilidades e esperanças e estamos fazendo o nosso melhor para que este sínodo seja frutuoso”, afirmou.

Dom Claudio disse estar feliz por prestar este serviço em função do grande amor à Amazônia e a todo o processo já desenvolvido desde a convocação do Sínodo pelo Papa Francisco, em 2017. Ele ressaltou o papel que a Repam vem desenvolvendo de preparação junto com os bispos de toda a Pan-Amazônia e da Secretaria-Geral dos Sínodos, órgão do Vaticano.

O Arcebispo Emérito de São Paulo referiu-se, principalmente, ao trabalho de escuta da população amazônica, de seus sonhos e temores do futuro, especialmente dos indígenas que, em sua avaliação, estão sendo ameaçados. Estas escutas vão redefinir, segundo ele, a presença da Igreja junto a estas populações ameaçadas em seus territórios.

(Com informações da CNBB e Vatican News)

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Regional Sul 1 da CNBB realiza missão na Amazônia

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12 de abril de 2019

O Presidente Episcopal para a Ação Missionária do Regional Sul 1 da CNBB, Dom José Luiz Bertanha, conclui na quarta-feira, 10, a visita ao Projeto Missionário mantido pelo Regional Sul 1 na Amazônia.

Além de Dom José Luiz, Padre João Carlos Deschamps, Secretário-Executivo do Regional Sul 1, o Diácono Marcos Domingues, Secretário Administrativo, e uma equipe de jornalistas participaram da missão.

O grupo chegou à Arquidiocese de Manaus (AM) em 22 de março. O encontro marcou as comemorações pelos 25 anos do Projeto Missionário, entre os Regionais Sul 1 e Norte 1 da CNBB, e também esteve inserido no contexto do Sínodo da Amazônia, convocado pelo Papa Francisco para o mês de outubro.

Durante os 20 dias de viagem, a Diocese de São Gabriel da Cachoeira (AM) foi uma das contempladas com a visita da equipe. Para Dom Edson Taschetto Damian, Bispo diocesano, receber a comitiva paulista representou uma oportunidade de mostrar os desafios na evangelização e no atendimento às comunidades indígenas mais pobres.

Fontes: Regional Sul 1 da CNBB e rádio 9 de Julho
 
 

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Na distante Amazônia...

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11 de março de 2019

“Uma criança, que já estava morrendo por conta de uma picada de cobra, estava com quase 42 °C de febre. O pai precisou de um dia e meio para levá-la até o posto de saúde, mas o posto não tinha o soro antiofídico porque não possuía energia elétrica para conservá-lo. O outro posto ficava a 70 quilômetros. Entramos no barco, percorremos o rio em alta velocidade e chegamos a tempo de ele tomar o soro, já era por volta da meia noite”.

Quem conta esta história é o Frei Gino Alberati, missionário capuchinho que vive no Amazonas desde 1970 e atende dezenas de comunidades no Rio Solimões, quase na fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru. Ele só pôde ajudar o menino – e tantas outras urgências – porque há 15 anos a ACN doou um barco de alumínio para o Frei Gino. “Antes, minha embarcação era bem precária. Eu sabia quando saía, mas nunca sabia quando voltaria ou se voltaria. Com este barco, além de todo o trabalho pastoral, também salvamos vidas”.

O barco é mantido com muito cuidado por ele, justamente por saber que no barco está a doação de cada benfeitor que acreditou em seu trabalho. “Os benfeitores da ACN possibilitam muitas missões acontecerem”.

Quem vive nas grandes cidades do Brasil geralmente não encontra dificuldades para participar da celebração de uma missa. Por isso mesmo, talvez seja até difícil de imaginar que, na Amazônia, muitos católicos só conseguem participar da missa uma vez por mês. Não raramente, muitas comunidades apenas recebem a visita de um sacerdote uma vez ao ano. Lá, frequentemente um sacerdote tem até 80 comunidades para visitar e, muitas delas, ficam a dias de distância de barco da igreja-matriz da Paróquia.

Desde a primeira visita da ACN ao Brasil, na década de 60, que a Amazônia esteve no coração da Fundação Pontifícia. Um dos maiores projetos da história da obra foi justo nessa região. Sabendo das dificuldades que os missionários enfrentavam para levar o Evangelho na Amazônia, em 1973 a ACN enviou para o Brasil 320 caminhões adquiridos do exército suíço. O clero local mal podia acreditar quando viu os caminhões chegando no porto de Belém do Pará, que dali partiam para as várias dioceses da Amazônia. O projeto foi crucial para impulsionar a Igreja na Amazônia brasileira. Foi a partir dele que muitas regiões receberam pela primeira vez uma visita da Igreja. O Evangelho ganhou rodas.

Após esse primeiro projeto, surgiram centenas de outras iniciativas. Uma das mais recentes foi em Tefé, no coração geográfico do Amazonas, um projeto que atendeu ao apelo do Papa Francisco no Ano da Misericórdia. Lá, os padres levavam até cem horas de barco para visitar uma única comunidade. Os barcos de madeira eram velhos, consumiam muito combustível e corriam o risco de afundar por conta dos constantes problemas mecânicos. A ACN ajudou, então, a Prelazia de Tefé com quatro novos barcos de alumínio, que usam a metade do tempo – e combustível – dos antigos barcos, por serem mais leves e terem motores mais potentes.

Os projetos da ACN são pensados para ser uma solução a longo prazo, como o barco do Frei Gino, há 15 anos funcionando para levar o Evangelho e também ajudar em urgências como a do pequeno menino. Fazer parte da ACN é estar diariamente apoiando a missão, mesmo que distante, por meio da informação, da oração e da ação. É a oportunidade de fazer algo concreto pelo irmão que mais precisa.

 

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Novos caminhos para a Igreja na Amazônia

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26 de fevereiro de 2019

“Encontrar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, sobretudo dos indígenas, muitas vezes esquecidos e sem a perspectiva de um futuro sereno, também por causa da crise da floresta Amazônica, pulmão de importância fundamental para o nosso planeta.” Essa foi a finalidade principal apresentada pelo Papa Francisco ao convocar, em 15 de outubro de 2017, uma Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, que será realizada em outubro deste ano, no Vaticano.

Com o tema “Amazônia, novos caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral”, participarão do Sínodo os bispos e representantes dos nove países que constituem a chamada Pan-Amazônia – Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela, incluindo a Guiana Francesa como território ultramar –, envolvendo sete conferências episcopais.

 

DOCUMENTO PREPARATÓRIO

Desde a sua convocação, a Igreja presente na Amazônia tem realizado encontros para estudar e aprofundar a proposta do Sínodo.

Como em todas as assembleias sinodais, foi elaborado um documento preparatório que serve como texto-base que oferece uma análise de conjuntura atual da Amazônia e aponta percursos e novos caminhos para a Igreja a serviço da vida nessa região. O subsídio recolhe sugestões e propõe caminhos para uma preparação adequada para a Assembleia.

 

METODOLOGIA

O Documento Preparatório é composto de uma introdução e três partes, que correspondem ao método “ver, discernir e agir”, que já havia sido utilizado no Sínodo sobre a família em 2014 e 2015. No fim do texto, há um questionário sobre o qual as igrejas locais trabalharão.

Na ocasião da apresentação do documento, no Vaticano, o Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, ressaltou que, mesmo que o tema seja referente a um território específico, as reflexões superam o âmbito regional e pretendem fazer uma ponte com outras realidades geográficas semelhantes, como a Bacia do Congo, o corredor biológico centro-americano, as florestas tropicais da Ásia no Pacífico e o sistema aquífero Guarani. Também, por isso, o Sínodo será realizado em Roma.

 

VER

A primeira parte traça a identidade da região e a necessidade de escuta. Os assuntos abordados são: o território; a variedade sociocultural; a identidade dos povos indígenas; a memória histórica eclesial; a justiça e os direitos dos povos, bem como a espiritualidade e sabedoria dos povos amazônicos.

 

DISCERNIR

A segunda parte convida a discernir novos caminhos a partir da fé em Jesus Cristo, à luz do Magistério e da Tradição da Igreja. O conteúdo dessa parte é marcado pelo anúncio do Evangelho na Amazônia, nas suas diversas dimensões: bíblico-teológica, social, ecológica, sacramental e eclesial-missionária.

 

AGIR

A terceira parte aponta “Novos caminhos para uma Igreja com rosto amazônico”. Nesse trecho, é o Papa Francisco quem indica o caminho para entender a expressão “rosto amazônico”

“Os novos caminhos terão uma incidência nos ministérios, na liturgia e na teologia (teologia indígena)”, destaca o texto.

QUESTÕES

O questionário apresentado no fim está dividido metodologicamente de acordo com as partes do documento para facilitar os trabalhos que serão realizados pelas comunidades e grupos que responderão às perguntas.

“Nessa escuta, podem-se conhecer os desafios, as esperanças, as propostas e reconhecer os novos caminhos que Deus pede à Igreja nesse território”, diz o Documento.

 

PASSOS SEGUINTES

Sobre a base das respostas do questionário vindas de todas as igrejas locais da Amazônia, será preparado um segundo documento denominado Instrumentum Laboris (Instrumento de Trabalho), que constituirá o texto de referência para o debate sinodal. “Este documento deverá ser publicado e enviado aos padres sinodais e aos outros participantes alguns meses antes da celebração da assembleia sinodal, isto é, por volta do mês de junho”, explicou Dom Fábio Fabene, Sub- -secretário do Sínodo dos Bispos.

Ao fim da assembleia, será elaborado um documento final com propostas que serão apresentadas ao Papa e, a partir das quais, ele poderá redigir uma exortação pós-sinodal sobre o tema.

 

Cardeal Scherer: ‘O que mais importa é que Jesus seja anunciado na Amazônia’

Durante a sessão acadêmica na qual recebeu o título de doutor honoris causa na Universidade Católica de Kaslik, no Líbano, no dia 8, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, fez um reflexão sobre o Sínodo para a Amazônia.

Dom Odilo ressaltou que a assembleia sinodal não tratará apenas de questões ambientais e antropológicas, que também interessam à missão da Igreja. “Trata-se de questões que interpelam diretamente a missão religiosa da Igreja”, disse.

 

ESCASSEZ DE MISSIONÁRIOS

O Arcebispo recordou que, ao longo dos mais de 400 anos de ação evangelizadora na região, a Amazônia sempre contou com a ajuda de missionários vindos de vários países. Inclusive, a maioria dos bispos era formada de estrangeiros até pouco tempo. “Atualmente, porém, essa situação mudou drasticamente, pois os missionários já não chegam em grande número e os recursos econômicos vindos de fora foram muito reduzidos”, apontou.

Dentre os grandes desafios para a Igreja na Amazônia, Dom Odilo apontou a formação do clero próprio, de religiosos e consagrados. “Há muita falta de sacerdotes e o povo fica desassistido por longos períodos. Ao mesmo tempo, há uma penetração proselitista agressiva nos territórios da Amazônia, que leva muitos católicos pouco formados na própria fé a aderirem a esses grupos neopentecostais”, alertou.

 

ROSTO AMAZÔNICO

“Fala-se da necessidade de desenvolver uma ‘Igreja com rosto amazônico e indígena’”, ressaltou o Cardeal.

“O que mais importa é que Jesus Cristo seja testemunhado, anunciado, celebrado e comunicado na Amazônia, e que a força do Evangelho converta as pessoas e promova a dignidade de seus habitantes, seja força de fraternidade e solidariedade na construção de novos modelos de desenvolvimento e condições de vida”, completou Dom Odilo.

 

VENEZUELA

 

Soma 458.345 km², o que representa 50% do território nacional. Tem baixa densidade populacional (cerca de 20 habitantes/km²), porém é onde habitam 24 povos nativos do total existente no País. Possui sete jurisdições eclesiásticas: quatro dioceses e três vicariatos apostólicos.

 

COLÔMBIA

A região amazônica da Colômbia compreende 477 mil km² (42% do território nacional) e é a área menos populosa do País. As jurisdições eclesiásticas no território são 14: oito vicariatos e seis dioceses.

 

EQUADOR

A área amazônica do Equador corresponde a 120 mil km² (48% do território nacional). Ali vive aproximadamente 5% da população equatoriana, cerca de 740 mil habitantes. Lá existem povos que se mantêm sem contatos com a sociedade, como os tagaeri, taromenane e oñamenane. A Igreja no território se divide em seis vicariatos apostólicos.


 

PERU

A Amazônia peruana compreende uma área de 782.880.55 km² ao leste da Cordilheira dos Andes. Um dos territórios com maior biodiversidade e endemismos do planeta, cobre duas regiões naturais: selva alta e selva baixa, ocupando mais de 60% do território peruano. Depois do Brasil, é o segundo país em território de floresta Amazônica. Abriga apenas 13% da população nacional. As jurisdições eclesiásticas no território são dez: oito vicariatos e duas dioceses.

 

GUIANA

A região amazônica da Guiana cobre quase 75% do total do território, que é de 214.970 km², e onde vivem nove povos originários reconhecidos que conservam seus próprios dialetos: akawaio, arekuna, kariña, lokono, makushi, patamona, waiwai, wapishana e warau. A única circunscrição eclesiástica no País é a Diocese de Georgetown, sufragânea da Arquidiocese de Port of Spain, no Caribe.

 

SURINAME

Ocupando cerca de 90% dos 163.820 km² do território do País, a Amazônia do Suriname conta com 459 mil habitantes. A maioria da população é descendente de escravos africanos ou é de trabalhadores indianos e javaneses levados pelos holandeses para trabalhar na agricultura. A Diocese de Paramaribo compreende todo o País.

 

GUIANA FRANCESA

O País é um departamento francês de ultramar e, por isso, faz parte da União Europeia. Ocupa uma superfície de 92.300 km², dos quais 90% são de floresta Amazônica, onde o principal meio de acesso é a via fluvial. A população é de aproximadamente 295 mil habitantes e sua maioria vive no litoral. A única diocese do País é Caiena, sufragânea da Arquidiocese de Fort-du-France, na Martinica.

 

BRASIL

A Amazônia brasileira ocupa uma superfície de 5.217.423 km², correspondente a cerca de 61% do território do País. Nesta área, vivem em torno de 23 milhões de pessoas. Lá reside 55,9% da população indígena brasileira. Uma recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) quantificou 305 etnias indígenas e ainda diversos povos isolados, sem contato com a civilização. As jurisdições eclesiásticas no território são 56: nove prelazias e 47 dioceses.

 

BOLÍVIA

A Amazônia boliviana ocupa uma área de 714 mil km² (43% do território nacional). De acordo com informações fornecidas pelas seis jurisdições eclesiais da região, a área é povoada por 1.266.379 habitantes: povos indígenas, camponeses, interculturais (colonos) e afrodescendentes. Um total de 29 povos indígenas habitam atualmente no território da Amazônia boliviana.

 

PAN-AMAZÔNIA

Com um território de mais de 7,5 milhões de km², a Pan-Amazônia envolve uma área maior que toda a Europa ocidental, compreendendo nove países, onde vivem cerca de 34 milhões de pessoas, dentre as quais, 3 milhões são indígenas de 390 etnias diversas.

A bacia amazônica representa para o planeta uma das maiores reservas de biodiversidade (30 a 50% da flora e fauna do mundo), de água doce (20% da água doce não congelada de todo o planeta), e possui mais de um terço das florestas primárias do planeta. Também a captação do carbono pela Amazônia é significativa, embora os oceanos sejam os maiores captadores de carbono.

 

QUEM PARTICIPARÁ DO SÍNODO?

Como se trata de uma assembleia especial, possui critérios específicos de participação. Sendo assim, esse Sínodo prevê a convocação de todos os bispos que têm o cuidado pastoral do território amazônico. Desse modo, participarão os bispos diocesano residenciais e ordinários e seus equivalentes, segundo o Direito de cada circunscrição eclesiástica da Região Pan-Amazônica. Ao todo, serão 102 prelados, desses, 57 brasileiros.

TAMBÉM PARTICIPARÃO:

  • Os presidentes das sete conferências episcopais presentes na Região;
  • A presidência da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam);
  • Representantes do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam);
  • Alguns chefes de dicastérios da Cúria Romana;
  • Religiosos que atuam missionariamente na Amazônia;
  • Especialistas eclesiásticos, leigos com competência na matéria do Sínodo, auditores eclesiásticos e leigos, delegados fraternos representando confissões religiosas cristãs, enviados especiais e representantes de outras religiões e organismos civis diversos.

O Papa também possui a prerrogativa de nomear outros membros como padres sinodais, entre bispos, sacerdotes e religiosos, em razão de suas competências na região geográfica e cultural em questão na assembleia.

 

‘Uma terra onde Deus levantou sua tenda’

Luis Alfredo Hormazábal Solar é missionário leigo consagrado do Chile. Ele chegou ao Estado do Amazonas há 14 anos. Já trabalhou na Arquidiocese de Manaus, na Diocese de Coari e, atualmente, colabora na Prelazia Apostólica de Borba, onde atua na administração e na visita às comunidades do interior, junto ao Rio Madeira.

Em entrevista ao O SÃO PAULO, o Missionário destacou que um dos principais desafios para a atividade evangelizadora são as distâncias. “Quem ‘manda’ no nosso trabalho é o rio. Nós dependemos das condições do clima, para podermos desenvolver o nosso trabalho. Nos tempos da seca, por exemplo, que começa entre abril e maio, os rios começam a secar e fica muito difícil alcançar algumas comunidades que ficam distantes do município. Essa é uma realidade não só da Prelazia, mas de toda a Amazônia”, relatou.

 

PELA ÉGUAS

O Missionário deu como exemplo que a distância entre Manaus e Novo Aripuanã, último município do território da Prelazia de Borba, é de dois dias e uma noite de barco. “Se quisermos ir à comunidade que fica no extremo dessa paróquia, levamos mais sete dias de navegação”, acrescentou.

Para desempenhar essa missão, as paróquias contam com barcos, item essencial para a Igreja amazônica. O custo de manutenção desses veículos é muito alto. Por essa razão, as viagens pastorais dos missionários são ocasiões em que se atendem o máximo possível de fiéis. Nessas visitas, que duram em média 15 ou 20 dias, são realizados casamentos, batismos, visitas aos doentes, catequeses, se solucionam problemas e, quando há sacerdotes, celebram-se os sacramentos da Eucaristia, Reconciliação, Unção dos Enfermos e Crisma, quando há delegação do bispo.

 

FORÇAS HUMANAS

Luis enfatizou, ainda, que essas dificuldades se agravam com a falta de missionários. “Não é todo mundo que quer vir trabalhar na Amazônia, nem todos que vindo para cá resistem às condições de isolamento, clima e até mesmo de doenças próprias da região tropical”, disse.

Para o Missionário, são muitas as expectativas sobre o Sínodo para a Amazônia. “A primeira coisa que esperamos é que, de fato, se conheça a realidade da Amazônia. Aqui não há só índio, onça e jacaré. Há, sobretudo, pessoas com uma cultura riquíssima, que lutam para manter sua tradição, seus costumes, sua natureza. Que se saiba que aqui existe um mundo do qual todos devemos cuidar. Que se conheça a Amazônia como uma terra onde Deus levantou sua tenda.” 

(Com informações da Repam e Sínodo dos Bispos)

 

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‘Este é o momento histórico para a Amazônia’

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26 de fevereiro de 2019

O Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo e Presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), foi o convidado da aula inaugural do ano letivo de 2019 da Faculdade de Teologia da PUC-SP, no campus Ipiranga, na terça-feira, 19. Dom Cláudio fez uma conferência sobre a preparação da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, que será realizada em outubro, no Vaticano.

Além de Presidente da Repam, o Cardeal Hummes é membro da Comissão Especial para a Amazônia da CNBB, e, por isso, foi nomeado pelo Papa como um dos membros da comissão que auxilia a Secretaria Geral do Sínodo a preparar a Assembleia.

 

PROCESSO GRADUAL

Dom Cláudio explicou que a decisão do Papa de realizar um sínodo para a Amazônia resulta de um processo gradual, que se iniciou em 2013, durante sua viagem ao Rio de Janeiro, para a Jornada Mundial da Juventude. Nessa ocasião, em um discurso aos bispos brasileiros, o Santo Padre deu destaque especial à Igreja na Amazônia, identificando-a “como teste decisivo, banco de prova para a Igreja e a sociedade brasileira”.

Um tempo depois, em uma conversa privada com Dom Cláudio, o Pontífice lhe manifestou a ideia de reunir os bispos da Amazônia. “‘Talvez um sínodo. Mas a ideia ainda não está madura. Reze comigo para isso’, me disse o Papa”, acrescentou.

A ideia foi amadurecida e, em 15 de outubro de 2017, no fim da celebração da canonização dos Protomártires do Brasil, o Papa anunciou a convocação do Sínodo para a Amazônia.

 

ESCUTA

Dom Cláudio salientou que, desde o início do processo sinodal, o Papa insistiu na necessidade de ouvir os povos que vivem na Amazônia. Essa experiência foi vivida concretamente no encontro do Papa Francisco com representantes de povos indígenas em Porto Maldonado, no Peru, em janeiro de 2018. “Foi algo histórico e comovente. Ali, o Papa dizia aos indígenas que eles são interlocutores insubstituíveis no Sínodo, convidando-os a serem sujeitos da própria história”, destacou o Cardeal.

O Arcebispo Emérito explicou, ainda, que a consulta realizada em todas as 20 dioceses, prelazias e vicariatos apostólicos da Pan-Amazônia tem o objetivo de ouvir o máximo possível a população do território, especialmente os povos indígenas, os bispos, as comunidades e seus missionários.

No Brasil, já foram realizadas mais de 20 assembleias territoriais para aprofundar a reflexão do Documento Preparatório e serem colhidas as contribuições locais. Além dessas assembleias, em cada diocese estão acontecendo encontros com o mesmo propósito. As respostas devem ser enviadas à Secretaria do Sínodo até o fim de fevereiro.

 

CRISE CLIMÁTICA

O Cardeal Hummes ressaltou que o Sínodo para a Amazônia acontece no contexto da Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, sobre o cuidado com a casa comum. “Por isso, este Sínodo não terá um significado só para a Amazônia, mas para o mundo, mencionando outros biomas que precisam ser preservados”.

Outro estímulo apontado por Dom Cláudio para esse Sínodo foi a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 21), realizada em Paris, na França, em 2015, quando foi publicado um acordo climático assinado por mais de 190 países.

Dom Cláudio considera a Laudato Si’ e o acordo climático “dois documentos históricos irrefutáveis” que alertam para a crise climática vivida na Terra. “O planeta não está mais aguentando tanta destruição e intervenção irresponsável e predatória por parte da atividade humana”, afirmou.

 

CAUSAS 

Entre as causas, o Cardeal destacou a forma como o ser humano intervém na natureza, o que o Papa chamou de “globalização do paradigma tecnocrático”, resultante do atual “modelo dominante” de desenvolvimento.

“A tecnociência deu um poder enorme à humanidade. Mas, ao ser humano moderno, falta ‘uma ética sólida, uma cultura e uma espiritualidade que lhe ponham realmente um limite e o contenham dentro de um lúcido domínio de si’”, salientou Dom Cláudio, citando a Laudato Si’.

 

ECOLOGIA INTEGRAL

Como caminho para enfrentar essa crise, o Papa Francisco chama a atenção para a necessidade de uma ecologia integral. “Em nosso planeta, tudo está interligado. Os seres humanos não estão aqui como se fossem simplesmente trazidos de fora como ‘estranhos’ e colocados nele, onde se sentem donos absolutos. Deus, ao se encarnar, faz a definitiva interligação com esse planeta. Jesus ressuscitado é o ponto culminante da caminhada desse planeta. Já São Paulo afirmava que ‘Jesus é o primogênito de toda a criação’ (Cl 1,15)”, destacou o Cardeal.

A partir dessa concepção, Dom Cláudio afirmou que surge a necessidade de novos modelos de desenvolvimento, que não sejam predatórios. “O Sínodo poderá estimular para que se encontre novos modelos.”

 

IGREJA AMAZÔNICA

Especificamente sobre os desafios da ação evangelizadora da Igreja na Pan -Amazônia, Dom Cláudio recordou a preocupação do Papa Francisco para que a fé seja inculturada na Amazônia. Nesse sentido, insiste-se na necessidade de uma “Igreja indígena para a comunidade indígena”.

“Hoje, fala-se muito em uma Igreja indigenista, que defende os direitos dos povos. Isso é importante, mas não basta, é preciso de uma Igreja indígena, que tenha seus padres, identidade, cultura e história”, afirmou.

Sobre a falta de sacerdotes, o Cardeal destacou o drama que os católicos da Amazônia vivem com a falta dos sacramentos, especialmente a Eucaristia, Reconciliação e Unção dos Enfermos, que são ministrados pelos padres e bispos. “Esses são os sacramentos da vida cotidiana. Não podem faltar para essas comunidades. Muitas delas se reúnem para celebrar a Palavra, mas faltam os sacramentos. A Palavra me ilumina, mas são os sacramentos que dão força para pôr em prática a Palavra”, afirmou.

 

MINISTÉRIOS

Diante da dificuldade vocacional, surgiram ideias como a possibilidade de ordenação sacerdotal de homens casados de fé comprovada para exercer o ministério nessas regiões específicas. No entanto, Dom Cláudio enfatizou que esse pode ser até um assunto de discussão no Sínodo: “Mas o Papa tem alertado para o cuidado de não desviar o foco do Sínodo, que é sobre a Amazônia e a ecologia integral, não sobre ministérios”, disse. O Cardeal lembrou, ainda, que o celibato é um carisma que a Igreja não pode perder e que o Santo Padre tem afirmado isso reiteradas vezes.

 

TEMPO DE GRAÇA

“Este é o momento histórico para a Amazônia, não podemos perder esse Kairós [tempo de graça]. Todos somos responsáveis pelo bom êxito desse Sínodo”, concluiu Dom Cláudio, reforçando que todos os brasileiros devem se interessar pelo caminho sinodal. “Esse tema precisa ser levado para além da Amazônia, que está gritando por socorro. Todos nós precisamos ir ao encontro de suas necessidades.”

 

 

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Migração na Amazônia é abordada durante Seminário de Migração Forçada e Tráfico de Pessoas

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04 de setembro de 2018

Migração interna e internacional no contexto da Amazônia, foi a temática abordada pela Márcia Maria de Oliveira, da Universidade Federal de Roraima, destacando a importância de um olhar amoroso, cuidadoso e esperançoso na construção da cultura do encontro, durante o Seminário de Migração Forçada e Tráfico de Pessoas, realizado pelo Regional Norte 1, de 31 de agosto a 2 de setembro, no Centro de Treinamento Maromba, em Manaus. O encontro reúne 110 participantes e dentre eles dom Mário Antônio, presidente do regional Norte 1 e bispo da diocese de Roraima; dom Evaristo Pascoal Spengler, da Prelazia do Marajó – Pará; e dom José Albuquerque, bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus.

 

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Documento Preparatório do Sínodo para a Amazônia é lançado em coletiva de imprensa, em Brasília

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11 de junho de 2018

O Documento Preparatório do Sínodo para a Amazônia foi apresentado pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), juntamente com a Comissão Episcopal para a Amazônia, instituições parceiras e pastorais para divulgar o material que já está disponível.

Dom Leonardo Steiner, secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), presidiu a celebração de abertura do evento na sexta-feira, 8 de junho, no auditório da CNBB, em Brasília e em seguida falou da importância da realização do Sínodo para a Amazônia. Para ele, é vital que seja realizada essa Assembleia Sinodal, já que a realidade da Amazônia é de sofrimento. “Realidade sofrida significa os povos estão sofridos, e não apenas os indígenas, mas os ribeirinhos, os povos que vivem do extrativismo, grupos isolados que não têm contato com os brancos”, lembrou Dom Leonardo. “É muito importante a Igreja refletir essa realidade, e, por isso, o papa está chamando para Roma”, destacou o secretário-geral da CNBB.

“Amazônia: novos caminhos para a igreja e para uma ecologia integral” é o tema do Sínodo que será realizado em outubro do ano que vem, mas que, de acordo com Papa Francisco, em janeiro desse ano, na visita ao Peru, em Porto Maldonado, já iniciou. Irmã Maria Irene Lopes, assessora da Comissão Episcopal para a Amazônia, secretária executiva da REPAM-Brasil, Delegada da Confederação Latino-Americana e Caribenha de Religiosos e Religiosas (CLAR) na Comissão Preparatória do Sínodo e única mulher da equipe, apresentou o Documento e os passos que serão realizados a partir de agora. “O material tem três fases, o ver, o discernir e o agir, e nos propõe a fazer isso a partir da Amazônia, das pessoas que estão lá”, frisou irmã Irene.

O objetivo do material é preparar as comunidades para o Sínodo e ouvi-las, para que essa grande assembleia repercuta, de fato, os clamores que saem das bases, o que é um desejo expresso do Papa Francisco. De acordo com a religiosa o material precisa chegar a todas as pessoas do território amazônico para contribuírem no processo. “O Documento será utilizado nas assembleias territoriais, realizaremos cerca de 40 ao longo dos próximos meses, e esse momento será de escuta das bases: os indígenas, os quilombolas, os ribeirinhos, as pessoas das cidades, os jovens… esse documento vai para as mãos das pessoas que estão na Amazônia”, reforçou irmã Irene.

Após esse período de escuta, os questionários serão retomados pela equipe de assessores, sintetizados e transformados no Documento de Trabalho, que deverá ser encaminhado aos participantes do Sínodo.

Documento preparatório

O material foi construído por uma equipe de assessores e foi aprovado pelo Vaticano, em abril desse ano, quando houve a primeira reunião do Conselho Pré-Sinodal. O Documento Preparatório é composto por um texto-base, que oferece uma análise da conjuntura atual da Amazônia e aponta percursos e novos caminhos para a Igreja a serviço da vida nesse bioma.

Dos 13 expertos que auxiliaram na escrita do Documento Preparatório, 3 são brasileiros e membros da REPAM-Brasil. O texto está dividido em três partes, segundo o método ver,discernir e agir. Ao final do material estão algumas questões que permitem um diálogo e uma progressiva aproximação da realidade para que as populações da Amazônia sejam ouvidas.

A primeira parte é o VER, um convite a olhar a identidade e os clamores da Pan-Amazônia. Território, diversidade sociocultural, identidade dos povos indígenas, memória histórica eclesial, justiça e direitos dos povos, espiritualidade e sabedoria, são os pontos apresentados nessa parte do texto. Segundo o documento preparatório, “em sua história missionária, a Amazônia tem sido lugar de testemunho concreto de estar na cruz, inclusive, muitas vezes, lugar de martírio. A Igreja também aprendeu que neste território, habitado por mais de 10 mil anos por uma grande diversidade de povos, suas culturas se construíram em harmonia com o meio ambiente”.

O DISCERNIR é a segunda parte do documento que ilumina as reflexões para uma conversão pastoral e ecológica. O anúncio do Evangelho de Jesus na Amazônia é apresentado a partir das dimensões bíblico-teológica, social, ecológica, sacramental e eclesial-missionária. “Hoje o grito da Amazônia ao Criador é semelhante ao grito do povo de Deus no Egito (cf. Ex 3,7). É um grito de escravidão e abandono, que clama pela liberdade e o cuidado de Deus. É um grito que anseia pela presença de Deus, especialmente quando os povos amazônicos, por defender suas terras, são criminalizados por parte das autoridades; ou quando são testemunhas da destruição do bosque tropical, que constitui seu habitat milenar; ou, ainda, quando as águas de seus rios se enchem de espécies mortas no lugar de estarem plenas de vida”, afirma o texto de preparação.

Por fim, o documento, na última parte, provoca a ação, a AGIR: novos caminhos para uma Igreja com rosto amazônico. O texto reflete o que seria esse rosto, a dimensão profética, os ministérios e os novos caminhos. “No processo de pensar uma Igreja com rosto amazônico, sonhamos com os pés fincados na terra de nossos ancestrais e com os olhos abertos pensamos como será essa Igreja a partir da vivência da diversidade cultural dos povos. Os novos caminhos terão uma incidência nos ministérios, na liturgia e na teologia (teologia indígena)”, destaca o texto.

Após as reflexões realizadas pelo documento, uma série de questões são apresentadas para contribuir com a escuta das realidades da Pan-Amazônia. O questionário está dividido, metodologicamente, de acordo com as partes do documento para facilitar os trabalhos que serão realizados pelas comunidades e grupos que responderão as perguntas.

O documento preparatório termina com as palavras de Francisco em Porto Maldonado, no momento em que abre, oficialmente, o Sínodo especial para a Amazônia: “Ajudai os vossos Bispos, ajudai os vossos missionários e as vossas missionárias a fazerem-se um só convosco e assim, dialogando com todos, podeis plasmar uma Igreja com rosto amazônico e uma Igreja com rosto indígena. Com esse espírito, convoquei um Sínodo para a Amazônia no ano de 2019”.

Sínodo para a Amazônia

O Sínodo para Amazônia foi uma resposta do Papa Francisco à realidade da Pan-Amazônia. De acordo com Francisco, “ o objetivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta. Que os novos Santos intercedam por este evento eclesial para que, no respeito da beleza da Criação, todos os povos da terra louvem a Deus, Senhor do universo, e por Ele iluminados, percorram caminhos de justiça e de paz”.

 

Assessoria de Comunicação da Repam

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Amazônia representa urgente desafio missionário para a Igreja

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02 de fevereiro de 2018

Após retornar de sua visita de dez dias a comunidades da Diocese de Alto Solimões (AM), no início de janeiro, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, falou das suas impressões sobre a realidade eclesial da Amazônia e destacou que é necessário intensificar a evangelização e a formação do povo para que a Igreja na região tenha um verdadeiro “rosto amazônico”. Dom Odilo ressaltou, ainda, a importância da assembleia especial do Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazônia, convocada pelo Papa Francisco para 2019. Confira a entrevista. 

 

O SÃO PAULO – ESSA NÃO FOI A PRIMEIRA VEZ QUE O SENHOR VISITOU A AMAZÔNIA. COMO FORAM AS VISITAS ANTERIORES?

Dom Odilo Pedro Scherer – Tenho muito interesse em conhecer a Amazônia, sua natureza, seu povo e a Igreja presente nessa imensa região. Já tive a oportunidade de passar temporadas em várias dioceses, sempre em áreas diferentes, de Rondônia ao Pará. Sempre foram ocasiões interessantes para conhecer e apreciar a grande região amazônica.

 

QUE REALIDADE O SENHOR ENCONTROU NESSA ÚLTIMA VISITA?

Estive por dez dias na Diocese de Alto Solimões (AM), na fronteira com a Colômbia e o Peru, a cerca de 1.500 km de distância a oeste Manaus. Impressiona a vastidão e a exuberância da floresta intocada, a imensidão dos rios, a escassez da população, a diversidade de etnias indígenas, as distâncias a percorrer dentro da Diocese, o trabalho missionário dos Capuchinhos realizado ali com enorme dedicação e o heroísmo por mais de cem anos, a vivacidade e a alegria das comunidades eclesiais e dos missionários ali presentes, primeiro dos quais é o bispo, Dom Adolfo Zon Pereira, missionário xaveriano.

 

COMO VIVE O POVO DESSA REGIÃO AMAZÔNICA?

O povo é formado de caboclos ribeirinhos e de indígenas; esses vivem, na maior parte, nas suas reservas delimitadas e conservam sua língua e seus costumes, mesmo mantendo contatos constantes com o restante da população. Ainda há alguns grupos indígenas isolados, sem contato, sobretudo na região do rio Javari, na divisa com o Peru. Há também um bom número de peruanos na área. O povo vive de maneira simples, mas já possui certo nível de conforto nas casas; não falta a televisão, o telefone celular é acessível em todas as cidadezinhas e aldeias maiores, mas o acesso à internet já é bem menos eficiente. Nas cidadezinhas, o ar condicionado está por toda parte. Em Tabatinga, sede da Diocese, há um comércio básico bastante bom, como também os serviços básicos de educação e saúde.

 

QUAL É A SITUAÇÃO DA IGREJA NA DIOCESE DE ALTO SOLIMÕES?

A evangelização começou ali já no início do século XVII, com os missionários jesuítas, que organizaram reduções com os indígenas também naquelas regiões extremas da Amazônia, que ainda não pertenciam ao Brasil. Mas, com a expulsão dos jesuítas pelo Marquês de Pombal, a evangelização e a presença da Igreja perdeu força na região e só foi retomada com maior vigor no início do século XX, com a criação do Vicariato Apostólico de Alto Solimões, confiado à Ordem dos Franciscanos Capuchinhos. Por mais de cem anos, os bispos foram sempre capuchinhos; o bispo atual é o primeiro que não é dessa Ordem religiosa. Há uma evangelização de base bastante estendida, com comunidades organizadas por toda parte. O clero, os religiosos e religiosas são escassos, e a Diocese depende de ajuda externa, inclusive material. Há um fervilhar de grupos neopentecostais, aos quais aderem 32% da população.  Os católicos são 56% da população. A Diocese está investindo na formação de mais comunidades nas áreas urbanas, com igrejas e lideranças formadas. Percebe-se um discreto otimismo em relação à ação da Igreja católica, que goza de credibilidade e da estima geral do povo, também por causa da proximidade do povo e da sua ação social.

 

O PAPA BEATO PAULO VI UMA VEZ AFIRMOU QUE CRISTO APONTA PARA AMAZÔNIA. POR QUE A IGREJA PRECISA VOLTAR AS ATENÇÕES PARA ESSA REGIÃO?

Essa palavra do Papa Beato Paulo VI foi um grande incentivo para o desenvolvimento de iniciativas missionárias da Igreja do Brasil inteiro para a Amazônia. No passado, as prelazias e dioceses da Amazônia contaram quase exclusivamente com a ajuda de missionários vindos de fora do Brasil, por meio das congregações e ordens missionárias. Atualmente, esse quadro está muito mudado, e as dioceses da Amazônia já não recebem mais essa ajuda externa com a mesma intensidade. Por isso, foi necessário, e continua sendo, que a Igreja do Brasil assumisse um compromisso eclesial solidário em relação às Igrejas missionárias da Amazônia. E isso continua e deverá intensificar-se ainda mais com a realização do sínodo da região Pan-amazônica. A região amazônica representa um urgente desafio missionário para a nossa Igreja. Ali, perdemos muitos fieis para o proselitismo neopentecostal e para o indiferentismo religioso, que também chegou lá...

 

FALA-SE DA NECESSIDADE DE UMA IGREJA COM “ROSTO AMAZÔNICO”. NA OPINIÃO DO SENHOR, O QUE SIGNIFICARIA ISSO?

A Igreja tem o rosto do seu povo e da cultura desse povo. Creio que, em boa parte, esse rosto já existe. Na minha visita, encontrei traços muito próprios desse “rosto amazônico”, inclusive com celebrações e catequeses feitas nas línguas indígenas locais. O próprio bispo emérito, Dom Alcimar, é filho de seringueiros, nascido em Benjamim Constant (AM), na fronteira com o Peru. Há diversos padres e religiosos também nascidos na Amazônia. De toda forma, ainda é preciso avançar mais e isso significa, a meu ver, que o clero, os religiosos e os agentes pastorais sejam membros das próprias populações locais. Para chegar a isso, é necessário intensificar a evangelização e a formação do povo e das lideranças eclesiais.

 

O PAPA CONVOCOU UMA ASSEMBLEIA ESPECIAL, PARA A PAN-AMAZÔNIA, DO SÍNODO DOS BISPOS. O QUE SE ESPERA QUE SEJA TRATADO NESSA ASSEMBLEIA?

Por enquanto, temos apenas o anúncio do sínodo e ainda falta o tema e o lema dessa assembleia do sínodo, que imprimem, geralmente, uma orientação para este. Há muitas expectativas ainda vagas, mas se espera muito que ele possa dar novo impulso à Igreja na Amazônia. Na minha opinião, o sínodo para a Amazônia terá três focos principais: o homem na Amazônia; a natureza e o ecossistema amazônico; a vida e a missão da Igreja na Amazônia.

 

As opiniões expressas na seção “com a palavra” são de responsabilidade do entrevistado e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do jornal O SÃO PAULO.
 

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