Igreja presta solidariedade às vítimas das enchentes em SP

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13 de março de 2019

Alagamentos, trânsito parado, caos nos transportes públicos, deslizamentos e 13 mortes. Este foi o saldo das fortes chuvas na Capital Paulista e na Região Metropolitana de São Paulo entre a noite do domingo, 10, e a madrugada da segunda- -feira, 11.

Neste momento em que muitas famílias ainda tentam se recuperar das perdas materiais, choram seus mortos ou cobram das autoridades respostas sobre a eficácia dos sistemas de escoamento das águas pluviais, a Arquidiocese de São Paulo e outras dioceses de Província Eclesiástica de São Paulo prestam conforto espiritual e organizam campanhas para a arrecadação de itens em favor das famílias afetadas.

 

NA REGIÃO EPISCOPAL IPIRANGA

Na Capital Paulista, os locais mais atingidos pelas fortes chuvas foram os bairros do Ipiranga, Sacomã, Vila Prudente e arredores, na zona Sul.

Por causa da localização geográfica de várzea do Rio Tamanduateí e seus córregos afluentes, inúmeros moradores tiveram suas casas inundadas. Uma pessoa morreu por afogamento na esquina das ruas Matias de Albuquerque e Barão de Rezende, no Ipiranga.

Desde a manhã da segunda-feira, a Região Episcopal Ipiranga e o Núcleo Regional da Caritas Arquidiocesana se mobilizaram para atender as vítimas. Várias igrejas se organizaram para arrecadar doações de roupas, alimentos e móveis. Umas delas foi o Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora Aparecida. Também a Paróquia Nossa Senhora das Dores, no mesmo bairro, manifestou o desejo de ajudar.

 

VILA ARAPUÁ

Os moradores da área de abrangência da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, na Vila Arapuá, foram bastante atingidos, especialmente os próximos à comunidade da Vila Cristália.

Na segunda-feira, a Paróquia havia conseguido distribuir cestas básicas e roupas para 50 famílias. No entanto, o Diácono Feliciano Bonitatibus, gestor do Núcleo Regional da Caritas Arquidiocesana, chamou a atenção para a necessidade de doações de móveis. “Há famílias sem camas, colchões. Elas não podem voltar para casa”, afirmou ao O SÃO PAULO. “Esperamos que o povo de Deus da nossa Arquidiocese reconheça essas pessoas afetadas pelas chuvas como irmãos que necessitam da ajuda de todos”, acrescentou.

Paróquias que não foram prejudicadas pelas chuvas também se mobilizaram para ajudar, como a Paróquia São José, onde os fiéis prepararam alimentos para o socorro imediato das vítimas. A Paróquia Imaculada Conceição se tornou um centro de arrecadação de doações. A Paróquia Santa Edwiges e o Santuário São Judas Tadeu também disponibilizaram suas dependências para receber doações.

“É bonito ver as comunidades paroquiais se mobilizarem em favor das outras que estão necessitadas. Houve uma verdadeira rede de solidariedade, que brota da comunhão, do Evangelho. É a virtude da caridade que nasce no coração dos irmãos”, afirmou o Padre Pedro Luiz Amorim, Coordenador de Pastoral da Região Ipiranga.

 

NO ABC PAULISTA

Os estragos da chuva foram especialmente sentidos pelos moradores do ABC paulista: além dos alagamentos e desmoronamentos, dez pessoas morreram, sendo quatro em Ribeirão Pires, três em São Caetano do Sul, duas em Santo André e uma em São Bernardo do Campo.

A situação levou a Diocese de Santo André a unir esforços para prestar solidariedade às vítimas. Em 23 paróquias e centros comunitários em cinco cidades da área de abrangência da Diocese estão sendo recolhidas doações de itens de higiene pessoal, fraldas infantis, material de limpeza, água potável, colchões, cobertores, roupas, colchonetes e alimentos não perecíveis.

“Em nome de Jesus, estamos unidos neste momento de perigo e tristeza. Por todos os lados, vemos os sinais dos alagamentos, águas invadindo espaços e destruindo bens que são frutos de anos de lutas. Trata-se de um momento particular de dor e espanto, em que, em tempo oportuno, se deverá buscar as causas; agora uma só é a palavra: solidariedade. Rezemos e trabalhemos como comunidade solidária do Grande ABC. Que Deus ilumine a todos os que estão se empenhando para reparar os danos possíveis. Quem puder, una-se a esta causa, como voluntário ou com alguma doação”, expressou Dom Pedro Carlos Cipollini, Bispo de Santo André, na segunda-feira.

 

BEBÊ MORRE EM EMBU DAS ARTES

Na cidade de Embu das Artes, o bebê Bernardo Oliveira Lopes, de 1 ano e 2 meses, morreu soterrado após o deslizamento de terra sobre uma casa no loteamento do Jardim Pinheirinho. A Paróquia São Judas e Santa Clara, da Diocese de Campo Limpo Paulista, prestou assistência religiosa aos familiares, e o Pároco, Padre Luiz Antonio dos Santos, realizou as exéquias do bebê.

 

IGREJA ALAGA EM MOGI DAS CRUZES

Na Diocese de Mogi das Cruzes, na Província Eclesiástica de São Paulo, as águas invadiram a igreja-matriz da Paróquia Santa Cruz e outras casas no bairro Biritiba Ussu. Foi organizado um mutirão de doações que podem ser entregues em todas as igrejas da Diocese, como a Catedral Diocesana Sant’Ana (Praça Coronel Benedito de Almeida, s/nº, centro de Mogi das Cruzes) e a na matriz da própria Paróquia afetada (rua Maestro João Manoel do Nascimento, s/nº, Biritiba Ussu). Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 4792-1370.

 

Rádio 9 de julho promove ação solidária

Na semana em que a rádio 9 de Julho inicia as comemorações dos 20 anos de reabertura, a emissora da Arquidiocese de São Paulo também se mobiliza para ajudar as vítimas das chuvas. Na segunda-feira, 18, às 20h, será celebrada uma missa no Centro de Tradições Nordestinas (Rua Jacofer, 615, bairro do Limão), na qual serão arrecadados alimentos não perecíveis, produtos de higiene e roupas a ser destinadas às comunidades afetadas pelas enchentes.

As doações também poderão ser entregues ao longo da semana na sede da rádio (rua Manoel de Arzão, 85, na Freguesia do Ó). Outras informações pelo telefone (11) 3932-3393.

 

Pontos de arrecadação na Região Episcopal Ipiranga

* Paróquia Nossa Senhora Aparecida (rua Epiacaba, 59, Vila Arapuá) – Alimentos não perecíveis, móveis e colchões

* Paróquia Santa Paulina (rua Vicente Gaspar, 97, Passagem B) – Colchões, móveis, roupas masculinas e alimentos

* Paróquia Nossa Senhora das Dores (rua Tabor, 283, Ipiranga) – Alimentos não perecíveis, móveis e colchões

* Santuário Nossa Senhora Aparecida (rua Labatut, 781, Ipiranga) – Água, itens de higiene pessoal, alimentos não perecíveis

 

Pontos de arrecadação na Diocese de Santo André

* Em Santo André, há 11 locais, sendo que os centrais são:

* Santuário Senhor do Bonfim (rua Oratório, 1.458, Parque das Nações)

* Matriz Santo André (praça Presidente Vargas, 01, Vila Assunção)

* Catedral Nossa Senhora do Carmo (praça do Carmo, s/nº, Centro)

* Lar Menino Jesus (rua Piracanjuba, 542, Parque João Ramalho)

*São Bernardo do Campo: 

* Paróquia Nossa Senhora da Prosperidade (praça da Riqueza, 11, Prosperidade)

* Paróquia Sagrado Coração de Jesus (rua Padre Mororó, s/n, São José)

* Paróquia Nossa Senhora da Candelária (rua Castro Alves, 781, Oswaldo Cruz)

* Paróquia Sagrada Família (praça Cardeal Arcoverde, 100, Centro)

* Externato Santo Antônio (rua São Luís, 80, Santa Paula)

 

* Mauá:

* Paróquia Matriz Imaculada Conceição (praça Mons. Alexandre V. Arminas, 01, Matriz)

* Diadema:

* Paróquia Santa Rita de Cássia (rua Brejaúva, 191, Vila Santa Rita)

Fonte: Diocese de Santo André e Caritas Arquidiocesana de São Paulo

 

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Enchentes em São Paulo preocupam população e poder público

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19 de janeiro de 2019

O verão chegou e com ele as fortes chuvas e os transtornos por elas causados. Conforme projeções do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC-INPE), a estação este ano deve ter temperaturas acima da média histórica. O aquecimento é consequência da formação do fenômeno El Niño, que também impacta na incidência das chuvas.

O El Niño ocorre quando há o aquecimento das águas superficiais da porção equatorial do Oceano Pacífico. O vapor d’água mais quente altera os padrões de ventos, causando a variação na distribuição e intensidade das chuvas e na temperatura.

 

40 ANOS DE ALAGAMENTOS

Os fiéis da Paróquia São José, no Jardim Monte Alegre, zona Oeste de São Paulo, enfrentam os constantes alagamentos de suas casas e da igreja-matriz há pelo menos 40 anos. Localizada à margem do córrego Ribeirão Vermelho, na rua José Vicente Ramos, que transborda sempre que chove forte, o templo foi inundado três vezes só no mês de dezembro. No primeiro dia de 2019, houve outro alagamento, que provocou o cancelamento da missa da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus.

Os moradores do bairro já perderam as esperanças de ver uma solução, pois, segundo relatam, a briga com o poder público por melhorias no córrego já existe há 40 anos. “Já perdemos as contas de quantas vezes tivemos que cancelar missas e reuniões por causa da chuva. Mesmo quando a água não invade a igreja, o alagamento na rua impede o acesso das pessoas à Paróquia”, relatou o secretário paroquial, Edmilson Gonçalves.

 

TRANSTORNOS

Já virou rotina dos paroquianos lidar com entulhos, lixo e mau cheiro das águas sem canalização que emergem a céu aberto, além dos danos materiais. Quando há o transbordamento do córrego, a água invade a igreja não apenas pelas portas, mas também pelos encanamentos de esgoto.

Apesar dos transtornos, o povo não desanima: ao visitar a igreja no dia seguinte ao último alagamento, a reportagem do O SÃO PAULO encontrou o templo limpo, organizado, sem nenhum sinal de que havia sofrido uma enchente. Ao mesmo tempo, percebeu-se o clima de tensão com a iminência de chuva a qualquer momento.

Padre Jaidan Gomes Freire, Administrador Paroquial, contou que já houve situações em que ele ou o Vigário Paroquial, Padre Admário Gama Cambrainha, tiveram que mandar mensagens aos fiéis para informar que “dessa vez não entrou água na Igreja”.

 

O CÓRREGO

O Ribeirão Vermelho é um córrego de divisa intermunicipal entre São Paulo e Osasco (SP). Em contato com a Arquidiocese de São Paulo, a Prefeitura Regional de Pirituba/Jaraguá, responsável pela área, explicou que o córrego não comporta o volume de água nesta época de chuvas pelo fato de haver construções irregulares ao longo de suas margens, extinguindo praticamente toda a sua área de várzea, que naturalmente serviria para o escoamento das águas nas cheias.

Atualmente, só é possível fazer a limpeza manual do córrego e das margens, pois um serviço com máquinas para o desassoreamento ou aprofundamento da calha tornou-se inviável por causa das ocupações no seu entorno.

 

LIXO E ESGOTO

A Prefeitura Regional também chamou a atenção para o fato de os moradores jogarem muito lixo no córrego, o que agrava o risco de transbordamento, bem como o fato de boa parte do esgoto das moradias do bairro ser despejada nele, sem tratamento.

Em 2017, foi inaugurado o Piscinão Anhanguera, na divisa entre São Paulo e Osasco, que consegue reter o volume de água da chuva que seguiria para Osasco, não alterando muito a situação do trecho da rua da igreja.

A administração regional reconhece a necessidade de outro piscinão acima do vale onde fica o córrego, a fim de conter o volume de água pluvial e o esgoto que desce para o Ribeirão Vermelho, mas não há previsão para essa obra.

A única boa notícia que os moradores do Jardim Monte Alegre receberam nos últimos dias é a aprovação da licitação da limpeza manual das margens do córrego, que será realizada até o fim do mês.

 

OPERAÇÃO CHUVAS DE VERÃO

Para enfrentar esse período, a Prefeitura de São Paulo implantou, em dezembro, a Operação Chuvas de Verão 2018/2019, que tem o objetivo de reunir recursos de órgãos e secretarias municipais, procurando realizar ações de caráter preventivo, de socorro, assistencial e recuperativo. O plano vigora de novembro a abril ou sempre que houver necessidade.

Esses órgãos, em suas áreas de atuação, realizam operações de desobstrução de bueiros e limpeza de ruas, transporte e alojamento de desabrigados, acampamentos e abrigos de emergência, suprimentos para desabrigados e assistência social a vítimas de emergência.

Desse modo, a cidade se organiza para as ocorrências do período intenso de chuvas, como inundações e deslizamentos de encostas, evitando ou minimizando os danos causados.

 

'RESPEITE A CHUVA'

O Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), da Prefeitura, também possui um serviço disponível na internet (chuvasdeverao.prefeitura.sp.gov.br), com boletins diários da previsão do tempo, alerta de chuvas fortes e pontos de alagamento.

O canal também contém dicas sobre medidas de segurança a serem tomadas em casos de tempestades, informações sobre o trabalho realizado pela Prefeitura para conter as enchentes, além de orientações sobre como a população pode fazer a sua parte para evitar os alagamentos.

(Com informações da Prefeitura de São Paulo e G1)
 

Responsabilidade de todos

Além das obras e políticas públicas para o combate às enchentes, é importante que cada cidadão tome consciência de sua responsabilidade para que não haja alagamentos na cidade. Para isso, é preciso ter certas atitudes, como:

Contribuir para uma cidade limpa, não jogando lixo nas ruas, rios, lagoas, terrenos baldios etc.;

O lixo deve ser colocado em sacos plásticos, respeitando-se os dias e horários da coleta, de forma a evitar que ele seja espalhado na rua por animais e que seja carregado pelas águas das chuvas;

Não colocar lixo nos vasos sanitários e pias, evitando entupimento da rede de esgotos e da rede de drenagem;

Não deixar materiais de construção sem proteção das chuvas, seja na calçada, seja no terreno, de forma a evitar que parte desses materiais seja levada pelas chuvas para a rede de drenagem e para os rios;

Dar destino adequado ao entulho (resíduos da construção civil), entrando em contato com a empresa de limpeza urbana ou com a Prefeitura, a fim de viabilizar sua coleta;

Se sua comunidade contar com o serviço de coleta seletiva, cada cidadão deve separar o lixo reciclável (metais, plásticos, vidros e papel) do lixo orgânico (restos de alimentos).

Se não tiver, ajude a organizar, procure uma cooperativa de catadores;

Denuncie casos de lançamento irregular de lixo, entulho e esgoto a céu aberto, terrenos baldios, espaços públicos ociosos, beira de rios, encostas etc.

Ligue para a central de atendimento da Prefeitura de São Paulo, pelo telefone 156.

 

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Em mais um ano, chuvas alagam a Paróquia São José

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09 de janeiro de 2019

Os moradores do Jardim Monte Alegre, onde se localiza a igreja-matriz da Paróquia São José, no Setor Pastoral Pirituba, sofreram no fim de dezembro com as fortes chuvas, que encheram o leito do córrego Ribeirão Vermelho, localizado bem perto da matriz paroquial. 

Em mais um ano, o rio transbordou e suas águas entraram no templo, causando a destruição de bancos, do altar e de outros objetos litúrgicos. 

Segundo o paroquiano Edmilson Gonçalves dos Santos, desde 2006 a comunidade vem sofrendo com os alagamentos, que na igreja-matriz levam ao entupimento dos canos de saída de água. Assim, quase sempre é preciso que se realize um mutirão entre os paroquianos para desentupi-los, tirar a água da igreja e consertar tudo que foi destruído.

Edmilson ressaltou que o Padre Admario Gama, Administrador Paroquial, já entrou em contato com os órgãos do poder público em busca das devidas providências que proporcionem o fim de tais enchentes no Jardim Monte Alegre.
 

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