‘Vem, Senhor Jesus’

Por
04 de dezembro de 2019

No domingo, 1º de dezembro, a Igreja Católica inicia um novo ano litúrgico com o Tempo do Advento, período de preparação para a celebração do Natal do Senhor. Durante quatro semanas, os cristãos são inseridos na espera Daquele que veio para salvar a humanidade.
O Catecismo da Igreja Católica destaca que, ao celebrar a cada ano a liturgia do Advento, “a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua segunda vinda”. 
Nesse sentido, o Advento não é um momento de preparação para a festa do “aniversário” do nascimento de Jesus, mas é uma expectativa pela realização do mistério da salvação. 

MISTÉRIO 
Padre Helmo Cesar Faccioli, Assessor da Comissão de Liturgia da Arquidiocese de São Paulo, explica que esse tempo litúrgico celebra o “já” e o “ainda não”, da salvação, quando o presente e o futuro se entrelaçam. 
O Advento celebra as três misteriosas etapas da história da salvação. “A primeira é a antiga expectativa dos patriarcas, relacionada com a vinda do Messias, que se encerra com a encarnação, morte e ressurreição do Filho de Deus. A segunda etapa diz respeito ao presente da salvação em Cristo, realizada no mundo, mas ainda não complementada. Por fim, o futuro da salvação, que se revelará na transformação do mundo no fim dos tempos”, destaca o Sacerdote. 

COROA
O tempo litúrgico é rico de símbolos que ajudam o cristão a se aprofundar nessa espera. Um deles é a coroa do Advento, que consiste em quatro velas entrelaçadas por ramos no formato de uma coroa, que são acesas a cada domingo. 
“A coroa é um meio pedagógico e litúrgico da vivência das quatro semanas do Advento, também tem relação com o mistério da salvação e alcança os quatro pontos cardeais”, afirma Padre Helmo. 
As velas acesas a cada domingo simbolizam, ainda, a luz que ilumina as trevas com a aproximação da vinda do Salvador. Essa escuridão e expectativa são sinalizadas pela cor roxa usada nos paramentos dos ministros. 

PRESÉPIO 
É também deste período o símbolo que alcança de forma especial os lares católicos no Advento e no Natal: o presépio, representação artística da cena da natividade do Senhor. 
O primeiro presépio de que se tem notícia foi feito por São Francisco de Assis, em 1223, numa gruta, com o objetivo de facilitar a compreensão do povo sobre o sentido do Natal. No entanto, as tradições bizantinas do Oriente cristão já destacavam ícones que retratavam a cena da Natividade do Senhor na gruta de Belém. 
O termo vem do latim praesepe, que significa “estrebaria ou curral”. Geralmente, contém as imagens da Sagrada Família, cercada de animais, pastores, anjos e os reis magos. Contudo, é possível representar o presépio apenas com as imagens da Virgem Maria, São José e o Menino Jesus. 
O presépio costuma ser montado nas casas e igrejas no início do Advento e, geralmente, é desmontado após a celebração da Epifania do Senhor, que recorda a visita dos reis magos a Jesus. 

EM CASA
No ambiente familiar, o presépio tem um valor importante e pedagógico, sobretudo para inserir as crianças no mistério do Natal cristão. “É um sinal externo que nos conduz a uma realidade histórica e espiritual”, completou o Padre, frisando que o ato de rezar diante da cena do presépio ajuda o fiel a viver com mais profundidade a experiência da espera do Senhor.
Na casa de Vinícius e Karina de Andrade, em Brasília (DF), o Advento tem um significado especial para seus filhos, João Paulo, 3, e Maria, 2. No ano passado, a família separou um lugar no rack localizado em um espaço central da sala. Em seguida, o presépio foi montado uma parte a cada domingo. 
“Começamos pelos animais. Nós contamos quem já tinha chegado para receber o Menino Jesus que ia nascer. No outro domingo, chegam os outros personagens, até que, no dia do Natal, fazemos uma grande festa com a chegada do Menino Jesus. Música, velas, mesa muito bem arrumada etc.”, conta Karina. 

PEQUENOS SINAIS 
Quem visitava a família nesta época estranhava o pisca-pisca colocado em torno do presépio aceso durante o dia. Contudo, a mãe explicou que o fazia no horário em que as crianças estavam acordadas para que percebessem o destaque para o símbolo natalino. “As crianças pequenas precisam de sinais, de repetição”, acrescentou Karina.
Para João Paulo, que compreendia um pouco mais que a irmã, foi feito um calendário do Advento em forma de varal e, a cada dia, havia uma atividade voltada para a sua idade. “Cada vez que ele fazia a atividade do dia, nós colocávamos palha em uma cestinha. Eu explicava que era o bercinho do Menino Jesus que ia nascer, que tínhamos que deixar bem fofinho e arrumadinho para ele”, contou Karina, acrescentando que o filho gosta tanto do símbolo natalino que costuma pegar seus bonecos e animais de brinquedo para montar seu próprio presépio.

NOVENA DE NATAL 
Outra tradição antiga da Igreja é a celebração da novena de Natal, que faz alusão aos nove meses de gestação de Jesus no ventre da Virgem Maria. Liturgicamente, essa novena é celebrada de 16 a 24 de dezembro. Nesse período, recita-se no Ofício Divino as sete famosas antífonas da expectação da Mãe de Jesus, que, pelo fato de se iniciarem com a exclamação “Ó”, deram origem ao título mariano de Nossa Senhora do Ó. 
No Brasil, é popular o costume de se realizar a novena de Natal ao longo do Advento em grupos que se reúnem entre famílias, em condomínios, nas escolas, hospitais, asilos e até nos cárceres. Hoje, existem subsídios, como o elaborado anualmente pela Arquidiocese de São Paulo, para orientar a reflexão dos encontros, geralmente iluminando a realidade local com a mística desse tempo litúrgico. 
Padre Helmo ressaltou o valor pastoral e catequético dessas experiências familiares de vivência do Advento. Contudo, chamou a atenção para a importância do âmbito litúrgico e comunitário desse tempo da Igreja. “A liturgia não só contextualiza, como torna presente tal mistério salvífico”, afirmou.

Comente

Encontro de formação destaca preparativos para cantar no Advento e no Natal

Por
14 de novembro de 2019

Com o tema “Cantar o Advento e o Natal”, a Região Episcopal Sé realizou a última das formações litúrgicas do ano, no sábado, 9, desta vez no salão da Paróquia São Paulo da Cruz – Calvário, no Setor Pinheiros.
O primeiro palestrante foi o Padre Helmo Cesar Faccioli, que, após conduzir a oração de abertura inspirada na Festa de Dedicação da Basílica de Latrão, conversou com o grupo sobre a importância das equipes de celebração se prepararem para cada celebração eucarística, referindo-se ao uso necessário do Diretório Litúrgico e que os cânticos sejam escolhidos, quando necessários, a partir das antífonas da missa a ser celebrada. 
Também foi palestrante o Maestro Delphim Porto, que procedeu à apresentação dos princípios que nortearam a eleição do repertório do folheto litúrgico O Povo de Deus em São Paulo. Ao demonstrar os critérios dos documentos magisteriais, também houve partilha dos esforços da Comissão Arquidiocesana de Liturgia para garantir à assembleia boas melodias e letras que fomentem a plena participação da assembleia no canto ritual. 
Cantar o canto certo deve também levar em conta o modo como se o faz, pois, tal como a proclamação de um texto, pode se tornar mais ou menos clara. Dependendo da maneira usada pelo orador, o cantor deve usar as regras da arte para garantir a boa difusão da Palavra de Deus por meio da música.
O primeiro encontro de liturgia de 2020 será realizado nos dias 18 e 19 de fevereiro, em local ainda a ser definido.  

Atividade arquidiocesana
No sábado, 16, das 8h30 às 16h30, a Comissão Arquidiocesana de Liturgia realizará o encontro de formação em Liturgia e Música “Cantar o Advento e o Natal”, com a assessoria do Padre Luiz Eduardo Pinheiro Baronto e o Maestro Delphim Porto. A atividade será no Centro Pastoral São José (Avenida Álvaro Ramos, 366, próximo ao Metrô Belém). Outras informações e inscrições em liturgiacatolica.com.br/encontro. 
 

Comente

‘Sermões para o Advento e o Natal’

Por
08 de novembro de 2019

Canonizado no dia 13 de outubro – juntamente com Santa Dulce dos Pobres – pelo Papa Francisco, no Vaticano, São John Henry Newman foi um dos pregadores mais amados e conhecidos de seu tempo. Nascido em 1801, em Londres, na Inglaterra, Newman era originalmente um padre anglicano, cuja ordenação se deu quando ele tinha apenas 23 anos. Dada sua intensa e incansável busca pessoal pela verdade, converteu-se ao catolicismo aos 44 anos de idade e tornou-se padre e cardeal católico. 
Longe de ser considerado uma voz do passado, mas alguém cujas ideias e propostas se dirigem às necessidades de fé dos dias atuais, São John Henry Newman deixou um vasto legado por meio de suas obras, dos mais diversos gêneros, que compreendem sermões, ensaios, poemas, hinos e até mesmo a autobiografia. Entre seus escritos, encontra-se “Sermões para o Advento e o Natal”, uma seleção de suas pregações realizadas entre 1825 e 1843, quando era vigário da Igreja de Santa Maria da Universidade de Oxford.
Há de se considerar que os sermões deste período são caracterizados por sua simplicidade, elegância e, ao mesmo tempo, profundidade, o que leva a crer que esses sejam alguns dos motivos pelos quais centenas de pessoas afluíam àquela igreja nos cultos dominicais, conferindo ao autor o reconhecimento que obteve ainda em vida e se estendeu para além de sua morte. 
Embora alguns de seus discursos sejam qualificados entre os melhores e mais famosos da língua inglesa, notadamente por seu conteúdo e estilo, São John Henry Newman realmente acreditava que a visão de um clérigo devoto que rezava ou cumprisse seus deveres dentro e fora de sua igreja possuía mais efeito do que qualquer sermão.
Dividida em dez capítulos, a obra apresenta uma compilação nova e compacta de seus sermões, na qual o leitor é convidado a percorrer um itinerário que começa pelo Advento, tem seu ápice na celebração do Nascimento do Senhor e é coroado pelo significado da Epifania, ou seja, uma profunda meditação sobre a vinda de Cristo e a vida cristã. O conhecimento magistral do autor acerca da vida dos santos, da Virgem Maria, da doutrina católica e, acima de tudo, da Sagrada Escritura, muito ajudará a todos os que desejam mergulhar nessa época litúrgica de espera, admiração e alegria.
 

Comente

Papa Francisco: a Anunciação revoluciona a história

Por
20 de dezembro de 2018

Uma passagem do Evangelho de Lucas (Lc 1, 26-38) "difícil de pregar", em que o "Deus das surpresas" muda o destino do homem. Foi o que enfatizou o Papa Francisco durante a Missa celebrada na capela da Casa Santa Marta.

A passagem do Evangelho de Lucas que ouvimos nos fala do momento decisivo da história, mais revolucionário. É uma situação convulsiva, tudo muda, a história fica de cabeça para baixo. É difícil pregar sobre essa passagem. E quando no Natal ou no dia da Anunciação professamos a fé para dizer este mistério, nos ajoelhamos. É o momento em que tudo muda, tudo, da raiz. Liturgicamente hoje é o dia da raiz. A Antífona de hoje e que marca é a raiz de Jesse, "da qual nascerá um broto". Deus se abaixa, Deus entra na história e o faz com seu estilo original: uma surpresa. O Deus das surpresas nos surpreende (mais) uma vez.

Durante a homilia, o Pontífice relê o Evangelho de hoje, para que a assembleia possa refletir sobre o alcance do Anúncio.

O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer será chamado santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice. Este já é o sexto mês daquela que era chamada estéril, pois para Deus nada é impossível”. Maria disse: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”. E o anjo retirou-se de junto dela.

Comente

Papa Francisco: "São José é o homem dos sonhos com os pés no chão"

Por
18 de dezembro de 2018

“José é o homem que sabe acompanhar em silêncio” e é “o homem dos sonhos”. Nessas duas expressões, o Papa Francisco definiu as características de São José, ao qual dedica a homilia desta manhã (18/12) na capela da Casa Santa Marta. Neste tempo de Advento, o Pontífice recordou as crianças com deficiência da Eslováquia, que realizaram as bolas para a árvore de Natal colocada no altar.

A sabedoria dos bons pais

Nas Sagradas Escrituras, conhecemos José como “um homem justo, que observa a lei, um trabalhador, humilde, apaixonado por Maria”. Num primeiro momento, diante do incompreensível, “prefere colocar-se de lado”, mas depois “Deus lhe revela a sua missão”. E assim José abraça a sua tarefa, o seu papel, e acompanha o crescimento do Filho de Deus “em silêncio, sem julgar, sem falar mal, sem fofocar”.

Ajuda a crescer, a se desenvolver. Assim procurou um lugar para que o filho nascesse; cuidou dele; o ajudou a crescer; lhe ensinou a profissão: muitas coisas... Em silêncio. Jamais tomou para si a propriedade do filho: o deixou crescer em silêncio. Deixa crescer: seria a palavra que nos ajudaria muito, a nós, que por natureza sempre queremos colocar o nariz em tudo, sobretudo na vida dos outros. “E por que faz isso? Por que faz aquilo…?” E começam a fofocar, falar…. E ele deixa crescer. Protege. Ajuda, mas em silêncio.

Uma atitude sábia que o Papa reconhece em muitos pais: a capacidade de esperar, sem dar bronca logo, mesmo diante do erro. É fundamental saber esperar, antes de dizer a palavra capaz de fazer crescer. Esperar em silêncio, como faz Deus com os seus filhos, com os quais tem muita paciência.

O homem dos sonhos

Na homilia, o Pontífice esclarece que São José era um homem concreto, mas com o coração aberto, “o homem dos sonhos”, não “um sonhador”.

O sonho é um lugar privilegiado para buscar a verdade, porque ali não nos defendemos da verdade. Vêm e… Deus fala também nos sonhos. Nem sempre, porque normalmente é o nosso inconsciente que vem, mas Deus muitas vezes escolheu falar nos sonhos. E o fez muitas vezes, na Bíblia se vê, não? Nos sonhos. Mas José era o homem dos sonhos, mas não era um sonhador, eh? Não tinha fantasias. Um sonhador é outra coisa: é aquele que crê… vai… está no ar e não tem os pés no chão. José tinha os pés no chão. Mas era aberto.

Não perder o prazer de sonhar

Por fim, Francisco pede que não se perca a capacidade de sonhar, a capacidade de se abrir ao amanhã com confiança, apesar das dificuldades que possam aparecer.

Não perder a capacidade de sonhar o futuro: cada um de nós. Cada um de nós: sonhar a nossa família, os nossos filhos, os nossos pais. Ver como eu gostaria que fosse a vida deles. Os sacerdotes também: sonhar os nossos fiéis, o que queremos para eles. Sonhar como sonham os jovens, que são “sem pudor” ao sonhar, e ali encontram um caminho. Não perder a capacidade de sonhar, porque sonhar é abrir as portas para o futuro. Ser fecundos no futuro.

Comente

Padre Cantalamessa: Trindade, realidade viva e palpitante

Por
14 de dezembro de 2018

O pregador oficial da Casa Pontifícia, padre Raniero Cantalamessa, fez na manhã desta sexta-feira, 14,  na Capela Redemptoris Mater no Vaticano, sua segunda meditação de Advento, na presença do Papa e da Cúria Romana.

Este ano, o tema das pregações é extraído do Salmo: "A minha alma tem sede do Deus vivo"!

Ao explicar a temática proposta para o período de Advento, o Capuchinho afirmou que "os homens do nosso tempo buscam, com insistência, sinais da existência de seres vivos e inteligentes em outros planetas, mas poucos se esforçam em descobrir sinais da existência do Ser vivo por excelência, que criou o universo, que entrou na nossa história e vive conosco”.

No entanto, disse o Pregador, na Igreja, estamos sempre atarefados, com problemas para resolver, desafios para se superar. Por isso, “corremos o risco de perder de vista a nossa relação pessoal com Deus".

 

Deus vivo e trino é amor

O Deus vivo, a quem nós cristãos recorremos, não é simplesmente a primeira pessoa divina “Deus-Pai”, sem levar em conta as outras duas: Filho e Espírito Santo. O único Deus é aquele citado pela Bíblia: "Eu Sou!" O Pai gera o Filho e, com ele, exala o Espírito, comunicando-lhes toda a sua divindade.


Eis o Deus da comunhão e do amor, no qual unidade e trindade procedem da mesma raiz e do mesmo ato; um não existe sem o outro e nenhum é superior ao outro.

Enfim, o Deus vivo dos cristãos é a Trindade viva: "Deus é amor", Deus é trindade! Nisto encontramos a resposta da revelação dada pela Igreja: Deus é amor desde sempre, com o Verbo, o qual amava com amor infinito "no Espírito Santo". Nós cristãos acreditamos "em um só Deus", não em um Deus solitário!

 

Contemplar a Trindade para superar a divisão do mundo

A Trindade, por definição, é invisível e inefável. O dogma da unidade e trindade de Deus é expresso na frase: "Sejam um, como nós somos um".

Todos, portanto, queremos a unidade; todos nós a desejamos do fundo do coração. A Trindade nos mostra o verdadeiro caminho para a unidade, segundo as palavras de Cristo: "Eu estou no Pai e o Pai está em mim".

O Filho nos ensina a gritar Abba, Pai! O Espírito Santo nos ensina a clamar: "Jesus é o Senhor! E a invocar": Maranathà, “Vem, Senhor Jesus”.

Contemplar a Trindade nos ajuda a vencer "a odiosa discórdia do mundo". O primeiro milagre que o Espírito fez em Pentecostes foi fazer dos discípulos "um só coração e uma só alma".

 

Entrar na Trindade

O que mais nos torna felizes, em relação à Trindade, é contemplá-la, imitá-la e entrar nela! Não podemos abraçar o oceano, mas podemos entrar nele. Da mesma forma, não podemos abraçar o mistério da Trindade, mas podemos entrar nele, através da Eucaristia. Na comunhão realiza-se o significado da palavra de Cristo: "Quem me vê, vê o Pai, quem me recebe, recebe o Pai”.

O Pregador da Casa Pontifícia concluiu sua segunda meditação de Advento afirmando: “A Trindade não é apenas um mistério da nossa fé, mas uma realidade viva e palpitante: o Deus vivo, a Trindade viva”!

 

Comente

Papa Francisco: assim como os mártires, deixar-se consolar por Deus

Por
11 de dezembro de 2018

O Senhor nos consola com a ternura, assim como fazem as mães que acariciam seus filhos quando choram. Foi o que disse o Papa Francisco na homilia da Missa celebrada esta manhã (11/12) na capela da Casa Santa Marta, exortando a deixar-se consolar por Deus sem opor resistência.

Não opor resistência à consolação

A Primeira Leitura extraída do Livro do Profeta Isaías (Is 40,1-11), de fato, é justamente um convite à consolação: “Consolai, consolai o meu povo – diz o vosso Deus”, porque “a expiação de suas culpas foi cumprida”. Trata-se, portanto, da “consolação da salvação”, evidenciou o Papa, da boa notícia que “fomos salvos”. Cristo Ressuscitado, naqueles 40 dias, faz justamente isso com os seus discípulos: consolar.

Mas “nós não queremos arriscar” e “opomos resistência à consolação”, como se “estivéssemos mais seguros nas águas turbulentas dos problemas”. “Nós estamos presos a este pessimismo espiritual”, disse o Papa.

Ternura: palavra cancelada do dicionário

Francisco citou as crianças que, nas audiências públicas, gritam e choram porque, vendo-o vestido de branco, pensam que ele seja o médico ou o enfermeiro pronto a dar uma injeção. Também nós somos um pouco assim, mas o Senhor diz: “Consolai, consolai o meu povo”.

E como consola, o Senhor? Com a ternura. É uma linguagem que os profetas de desventuras não conhecem: a ternura. É uma palavra cancelada por todos os vícios que nos afastam do Senhor: vícios clericais, vícios dos cristãos que não querem se mexer, mornos … A ternura dá medo. “Eis que o Senhor Deus vem com a conquista, eis à sua frente a vitória”: assim se conclui o trecho de Isaías. “Como um pastor, ele apascenta o rebanho, reúne, com a força dos braços, os cordeiros e carrega-os ao colo; ele mesmo tange as ovelhas-mães”. Este é o modo de consolar do Senhor: com a ternura. As mães, quando o filho chora, o acariciam e o tranquilizam com a ternura: uma palavra que o mundo de hoje, de fato, cancelou do dicionário. Ternura.

A consolação no momento do martírio

O Senhor convida a deixar-se consolar por Ele e isso ajuda também na preparação para o Natal. E hoje, na oração da coleta, recordou o Papa, pedimos a graça de uma sincera exultação, desta alegria simples, mas sincera:

E, pelo contrário, eu diria que o estado habitual do cristão deve ser a consolação. Também nos momentos difíceis: os mártires entravam no Coliseu cantando; os mártires de hoje – penso nos trabalhadores coptas na praia da Líbia, degolados – morriam dizendo “Jesus, Jesus!”: há uma consolação, dentro; uma alegria também no momento do martírio. O estado habitual do cristão deve ser a consolação, que não é a mesma coisa que o otimismo, não: o otimismo é outra coisa. Mas a consolação, aquela base positiva … Fala-se de pessoas luminosas, positivas: a positividade, a luminosidade do cristão é a consolação.

O Senhor bate à nossa porta com o carinho

Nos momentos em que se sofre, não se sente a consolação, mas um cristão não pode perder a paz “porque é um dom do Senhor” que a oferece a todos, inclusive nos momentos mais difíceis.

O convite do Papa, portanto, é pedir ao Senhor nesta semana de preparação ao Natal para não ter medo e deixar-se consolar por Ele, fazendo referência também ao Evangelho de hoje (Mt 18,12-14):

Que também eu me prepare para o Natal pelo menos com a paz: a paz do coração, a paz da Tua presença, a paz que os Teus carinhos dão”. “Mas eu sou pecador …” – sim, mas o que nos diz o Evangelho de hoje? Que o Senhor consola como o pastor; se perde um dos seus, vai procurá-lo, como aquele homem que tinha 100 ovelhas e uma delas se perdeu: vai procurá-la. Assim faz o Senhor com cada um de nós. Eu não quero a paz, eu resisto à paz, eu resisto à consolação... mas Ele está à porta. Ele bate para que nós abramos o coração para deixar-nos consolar e para deixar-nos ficar em paz. E o faz com suavidade: bate à porta com os carinhos.

Comente

Papa Francisco: preparar-se para o Natal com a coragem da fé

Por
10 de dezembro de 2018

Celebrar o Natal com verdadeira fé. Este foi o convite do Papa Francisco na homilia da Missa na Casa Santa Marta (10/12), na qual comentou o episódio do Evangelho do dia, que narra a cura de um paralítico. Foi a ocasião para o Papa reiterar que a fé infunde coragem e é o caminho para tocar o coração de Jesus.

Pedimos a fé no mistério de Deus feito homem. A fé também hoje, no Evangelho, mostra como toca o coração do Senhor. O Senhor muitas vezes fala a respeito da catequese sobre a fé, insiste. “Vendo-lhes a fé”, diz o Evangelho. Jesus viu aquela fé – porque é necessário coragem para fazer um buraco no telhado e descer o leito com o doente ali... precisa de coragem. Aquela coragem, aquelas pessoas tinham fé! Eles sabiam que se o doente fosse levado diante de Jesus, ele seria curado.

O Natal não se celebra de modo mundano

Francisco recordou que “Jesus admira a fé nas pessoas”, como no caso do centurião que pede a cura para seu servo; da mulher sírio-fenícia que intercede pela filha possuída pelo demônio ou também da senhora que, somente tocando a barra da veste de Jesus, se cura das perdas de sangue que a afligiam. Mas “Jesus – acrescentou o Papa – repreende as pessoas de pouca fé”, como Pedro que duvida. “Com a fé – continuou – tudo é possível”.

Hoje pedimos esta graça: nesta segunda semana do Advento, nos preparar com fé para celebrar o Natal. É verdade que o Natal – todos o sabemos – muitas vezes se celebra não com muita fé, se celebra também mundanamente ou de modo pagão; mas o Senhor nos pede que o façamos com fé e nós, neste semana, devemos pedir esta graça: poder celebrá-lo com fé. Não é fácil custodiar a fé, não é fácil defender a fé: não é fácil.

O ato de fé com o coração

Para o Papa, é emblemático o episódio da cura do cego no capítulo IX de João, o seu ato de fé diante de Jesus que reconhece como o Messias. Francisco então exorta a confiar a nossa fé em Deus, defendendo-a das tentações do mundo:

Hoje, e também amanhã e durante a semana, nos fará bem pegar este capítulo IX de João e ler esta história tão bonita do jovem cego desde o nascimento. E concluir do nosso coração com o ato de fé: “Creio, Senhor. Ajuda minha pouca fé. Defende a minha fé da mundanidade, das superstições, das coisas que não são fé. Defende-a de reduzi-la a teorias, sejam elas ‘teologizantes’ ou moralistas … não. Fé em Ti, Senhor”.

Comente

‘Evangelizar partindo de Cristo’

Por
06 de dezembro de 2018

Neste tempo do Advento, a Igreja no Brasil realiza tradicionalmente a Campanha para a Evangelização, por meio da qual todos os católicos, como discípulos-missionários de Cristo, nas diferentes dioceses, são chamados ao compromisso evangelizador e à corresponsabilidade pela sustentação das atividades pastorais no Brasil.

“A Campanha para a Evangelização tem como objetivo favorecer a vivência do tempo litúrgico do Advento e mobilizar todos para uma Coleta Nacional que ofereça recursos a serem aplicados na sustentação do trabalho missionário no Brasil. Tal iniciativa considera a ajuda para dioceses de regiões mais desassistidas e necessitadas”, aponta o texto que motiva a campanha deste ano.

Inspirada em iniciativas da Igreja Católica na Europa, em especial na Alemanha, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aprovou na 35ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em 1997, a realização da campanha, que aconteceu pela primeira vez no Advento de 1998, ressaltando a missão permanente da Igreja de evangelizar. Este ano, começou em 25 de novembro, na Solenidade de Cristo, Rei do Universo, e será concluída no 3º Domingo do Advento, no próximo dia 16. 

 

'EVANGELIZAR PARTINDO DE CRISTO'

Esse é o lema da Campanha para a Evangelização deste ano, que está em sintonia com a Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, do Papa Francisco, sobre o chamado à santidade no mundo atual.

De acordo com o subsídio da campanha, “a santidade e a evangelização caminham juntas, pois todo projeto evangelizador nasce do encontro pessoal com Jesus de Nazaré, no qual descobrimos sua predileção pelo ser humano, buscando-o e alcançando-o com sua misericórdia”.

No texto aponta-se, ainda, que o “ponto de partida de todos os projetos de evangelização deve ser a pessoa de Jesus. O evangelizador vive da graça de Jesus e, à medida que se doa à Igreja e à sociedade, santifica-se”. 

 

GESTO CONCRETO

No encerramento da Campanha, no próximo dia 16, em todas as comunidades católicas, haverá a Coleta para a Ação Evangelizadora no Brasil, que pretende apoiar as inúmeras iniciativas da Igreja no Brasil no serviço da evangelização, em especial em regiões mais carentes, na dinamização das pastorais, na luta pela justiça social, nas experiências missionárias das Igrejas irmãs e na missão ad gentes

“Com essa preciosa ajuda das nossas comunidades e das nossas famílias, nós poderemos ajudar em diversos projetos de evangelização nas dioceses que mais necessitam, e também ajudamos as comissões pastorais da CNBB para que levem até nossas comunidades e dioceses as orientações do Santo Padre, os documentos da Igreja, para que sejamos todos, assim, uma Igreja muito mais missionária, ativa e presente”, afirmou Dom Leonardo Steiner, Secretário-Geral da CNBB, por ocasião da Campanha de 2017.

 

O QUE SE FAZ COM O VALOR ARRECADO?

Os recursos arrecadados com a campanha são partilhados solidariamente na seguinte proporção: 45% ficam com as arquidioceses, dioceses e prelazias; 20% são repassados aos 18 regionais da CNBB, e o restante, 35%, é enviado ao secretariado-geral da CNBB para compor o Fundo Nacional de Evangelização, administrado pelo Conselho Econômico da CNBB. 

Desse modo, ao participar da Coleta para a Ação Evangelizadora no Brasil no próximo dia 16, o católico ajudará a manter ou ampliar projetos de evangelização em sua própria diocese, no regional e na Igreja em âmbito nacional.. 

“Os recursos da Campanha para a Evangelização são destinados às comunidades mais necessitadas, como, por exemplo, as da Amazônia. Eles chegam às paróquias e entidades com o intuito de otimizar o acesso dos agentes de pastorais às comunidades, cuidando, ainda, da promoção social, que sempre anda de mãos dadas com a mensagem de Jesus”, explicou Dom Gregório Paixão, Bispo de Petrópolis (RJ) e Presidente da Comissão Episcopal da Campanha para a Evangelização, ao falar sobre a campanha no ano passado. 

Ainda de acordo com Dom Gregório, é indispensável que se mantenham as ações de evangelização, o que é uma tradição desde os primórdios da Igreja: “Repetimos, então, o que fizeram as comunidades primitivas, possibilitando que a mensagem do Evangelho chegue a todos os que necessitam da Palavra que salva e da presença que acolhe”. 

As verbas arrecadadas com a Campanha da Evangelização também são fundamentais para a manutenção das ações das pastorais sociais, como as da Criança, do Menor, do Idoso, da Mulher, da Saúde, da Moradia, da Pessoa com Deficiência, da Sobriedade, Carcerária, do Mundo do Trabalho, Fé e Política, dos Pescadores, dos Migrantes, da Terra, dos Nômades e da Ecologia.

“A Igreja no Brasil, mais uma vez, faz um forte apelo para que nossas comunidades locais se motivem na comunhão e na participação para que, por meio dessa partilha, muitas iniciativas de evangelização sejam fortalecidas”, afirma o subsídio da Campanha.
 

LEIA TAMBÉM: Presidência da CNBB visita o Papa Francisco no Vaticano

 

Comente

Papa Francisco: o Senhor é a rocha sobre a qual construir a vida

Por
06 de dezembro de 2018

Na homilia da missa matutina (06/12), o Papa Francisco, referindo-se ao trecho do Evangelho de hoje de Mateus e na Primeira Leitura extraída do livro do Profeta Isaías, indica uma série de palavras em contraste umas com as outras.

Dizer e fazer

As primeiras palavras, “dizer e fazer”, marcam dois caminhos opostos da vida cristã:

“O dizer é um modo de acreditar, mas muito superficial, na metade do caminho: eu digo que sou cristão, mas não faço as coisas do cristão. É um pouco – para dizê-lo simplesmente – maquiar-se como cristão: dizer somente é um truque, dizer sem fazer. A proposta de Jesus é concretude, sempre concreto. Quando alguém se aproximava e pedia conselho, sempre coisas concretas. As obras de misericórdia são concretas”.

Areia e rocha

As outras duas palavras em contraste são “areia e rocha”. A areia “não é sólida”, é “uma consequência do dizer”, um maquiar-se como cristão, uma vida construída “sem fundamentos”. A rocha, ao invés, é o Senhor.

É Ele, a força. Mas muitas vezes quem confia no Senhor não aparece, não tem sucesso, está escondido … mas é firme. Não tem a sua esperança no dizer, na vaidade, no orgulho, nos efêmeros poderes da vida … O Senhor, a rocha. A concretude da vida cristã nos faz ir avante e construir sobre aquela rocha que é Deus, que é Jesus; sobre o sólido da divindade. Não sobre as aparências ou as vaidades, o orgulho, as recomendações... Não. A verdade.

Alto e baixo

O terceiro binômio, alto e baixo, contrapõe os passos dos orgulhosos, dos vaidosos aos passos dos humildes. Recordando a primeira leitura extraída do livro do profeta Isaías, Francisco destacou que o Senhor “derrubou os que habitam no alto, há de humilhar a cidade orgulhosa, deitando-a por terra, até fazê-la beijar chão. Hão de pisá-la os pés, os pés dos pobres, as passadas dos humildes”.

Este trecho do profeta Isaías parece o canto da Nossa Senhora, do Magnificat: o Senhor eleva os humildes, os que estão na concretude de todos os dias, e abate os soberbos, os que construíram a sua vida na vaidade, no orgulho...estes não duram.

Perguntas para o Advento

Neste Advento, concluiu o Papa, nos ajudarão algumas perguntas cruciais: "Eu sou cristão do dizer ou do fazer? Construo a minha vida sobre a rocha de Deus ou sobre a areia da mundanidade, da vaidade? Sou humilde, procuro caminhar sempre por baixo, sem orgulho, e assim servir o Senhor?".

Comente

Páginas

Para pesquisar, digite abaixo e tecle enter.