‘O Cristianismo no Iraque está perigosamente perto da extinção’

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14 de agosto de 2019

Os cristãos no Iraque sofreram um duro golpe no dia 6 de agosto de 2014, quando extremistas do grupo Estado Islâmico (EI) invadiram e tomaram os assentamentos cristãos da Planície de Nínive, ao norte de Mosul. Cerca de 125 mil cristãos tiveram de fugir durante a noite. Muitos deles encontraram refúgio em torno da cidade curda de Erbil. Nos três anos seguintes, o Arcebispo Católico Caldeu de Erbil, Dom Bashar Matti Warda, foi um dos pilares na manutenção e apoio da comunidade.

Em outubro de 2016, as forças iraquianas e seus aliados conseguiram recuperar os territórios e dezenas de milhares de cristãos deslocados retornaram às ruínas de suas cidades natais. Desde então, a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) iniciou um apoio significativo para a reconstrução das casas.

Passados cinco anos, Dom Bashar conversou com a ACN sobre as consequências do episódio para os cristãos no Iraque, em todo o Oriente Médio e nos países ocidentais. 

QUAL FOI A LIÇÃO APRENDIDA COM OS ATAQUES DO GRUPO ESTADO ISLÂMICO?

Dom Bashar Matti Warda – Quando um povo não tem mais nada a perder, em certo sentido, é muito libertador, e é a partir dessa posição de clareza e coragem recém-descoberta que posso falar em nome do meu povo e dizer a verdade. Porém, eu gostaria de comentar que somos um povo que suportou a perseguição com paciência e fé por 1.400 anos, confrontando uma luta existencial, nossa luta final no Iraque. A causa mais imediata é o ataque do grupo Estado Islâmico, que levou, em uma única noite, ao deslocamento de mais de 125 mil cristãos no Iraque e nos deixou sem abrigo e refúgio, sem trabalho ou propriedades, sem igrejas e mosteiros, sem a capacidade de viver as coisas normais da vida e que nos dão dignidade: visitar familiares, celebrar casamentos e nascimentos, partilhar de alegrias e tristezas.

Nossos atormentadores confiscaram nosso presente enquanto procuravam destruir nossa história e nosso futuro. Esta foi uma situação excepcional, mas não isolada. Faz parte do ciclo recorrente de violência no Oriente Médio, há mais de 1.400 anos.

ENTÃO, DE FATO, A INVASÃO DO GRUPO EI FOI APENAS A “PONTA DO ICEBERG”?

Com cada ciclo sucessivo, o número de cristãos no Iraque cai, até hoje estamos no ponto de extinção. Argumente como quiser, mas a extinção está chegando, e, então, o que alguém dirá? Que fomos extintos por desastre natural ou migração suave? Que os ataques do grupo EI foram inesperados e fomos pegos de surpresa? Isso é o que a mídia dirá. Ou a verdade surgirá após o nosso desaparecimento: que fomos persistentemente e firmemente eliminados ao longo de 1.400 anos por um sistema de crenças que permitiu ciclos regulares e recorrentes de violência contra nós, como o genocídio otomano de 1916-1922.

MAS, DURANTE ESSES 1.400 ANOS DE OPRESSÃO CRISTÃ, HOUVE PERÍODOS DE TOLERÂNCIA MUÇULMANA COMO UMA ALTERNATIVA À VIOLÊNCIA E À PERSEGUIÇÃO?

Não se pode negar a existência de tempos de tolerância relativa. Sob al Rashid, a Casa da Sabedoria, a grande biblioteca, foi fundada em Bagdá. Houve uma época de relativa prosperidade, enquanto a erudição cristã e judaica eram valorizadas, e o florescimento da ciência, da matemática e da medicina era possível graças aos estudiosos cristãos nestorianos que traduziam textos gregos, já antigos no século IX.

Nossos ancestrais cristãos compartilharam com os muçulmanos árabes uma profunda tradição de pensamento e filosofia e se engajaram com eles em um diálogo respeitoso a partir do século VIII. A Idade do Ouro Árabe, como observou o historiador Philip Jenkins, foi construída com base na erudição caldeia e siríaca, a bolsa de estudos cristã. A imposição da lei da Sharia viu o declínio do grande aprendizado e o fim da “Idade de Ouro” da cultura árabe. Um estilo de diálogo acadêmico se desenvolveu e só poderia ocorrer porque uma sucessão de califas tolerava as minorias. Quando a tolerância terminou, também findou a cultura e a riqueza que fluíam dela.

ENTÃO VOCÊ DIRIA QUE A COEXISTÊNCIA PACÍFICA É POSSÍVEL E A TOLERÂNCIA É A CHAVE PARA O DESENVOLVIMENTO DOS POVOS?

Exatamente. Mas esses momentos de tolerância têm sido uma experiência unidirecional: os governantes islâmicos decidem, de acordo com seu próprio julgamento e capricho, se os cristãos e outros não-muçulmanos devem ser tolerados e até que ponto. Não é e nunca foi uma questão de igualdade. Fundamentalmente, aos olhos do Islã, os cristãos não são iguais. Não devemos ser tratados como iguais; devemos apenas ser tolerados ou não tolerados, dependendo da intensidade do espírito jihadista predominante. Sim, a raiz de tudo isso são os ensinamentos da Jihad, a justificativa para atos de violência.

MUITOS CRISTÃOS NO IRAQUE ESTÃO VOLTANDO PARA AS SUAS ALDEIAS. A SITUAÇÃO ESTÁ MELHORANDO AGORA?

Ainda há grupos extremistas que crescem em número e afirmam que matar cristãos e yazidis ajuda a espalhar o Islã. Ao aderir estritamente aos ensinamentos do Alcorão, eles prescrevem o status Dhimmi (cidadania de segunda classe) para as minorias, permitindo o confisco de propriedade e a imposição do imposto islâmico jizya. Mas não é só isso. Se você fosse cristão no Iraque ou em outro lugar no Oriente Médio, nunca aceitaria por um momento a sombra sob a qual nós, iraquianos, vivemos – e sob a qual vivemos por séculos. Pela constituição do meu País, somos cidadãos menores, vivemos a critério de nossos superiores autonomeados. Nossa humanidade não nos dá direitos.

Nos países ocidentais, você é igual perante a lei. Este princípio básico da vida europeia e americana é uma fundação da ordem cívica cristã, na qual somos todos crianças sob um Deus amoroso, criado à Sua imagem e semelhança, que nos dá toda a dignidade e nos impõe respeito mútuo. A segurança cívica surge de uma visão de mundo que valoriza cada ser humano individualmente não por sua posição ou função, mas simplesmente porque são humanos. Essa visão tem sido o grande presente da tradição judaico-cristã.

Reconstruir a sociedade civil significa reconstruí-la para todos. Todo mundo tem um lugar e todo mundo tem a chance de prosperar. A verdade é que há uma crise fundamental dentro do próprio Islã, e se esta crise não é reconhecida, endereçada e fixada, então não pode haver futuro para a sociedade civil no Oriente Médio, ou mesmo em qualquer lugar onde o Islã se revela uma nação anfitriã.

A BRUTALIDADE E A VIOLÊNCIA DO GRUPO EI MUDARAM O MUNDO ISLÂMICO?

Claramente, o grupo EI chocou a consciência do mundo, mas também mexeu com a consciência da maioria islâmica. A questão agora é se o Islã continuará ou não em uma trajetória política na qual a Sharia será a base para o direito civil e de todos os aspectos da vida, ou se um movimento cívico e tolerante se desenvolverá. A derrota do grupo EI não significa o fim da ideia do restabelecimento do califado. Isso despertou novamente, e agora está firmemente implantado em mentes em todo o mundo muçulmano. E com essa ideia do califado, surgem todas as estruturas históricas formais de desigualdade intencional e discriminação contra os não muçulmanos. Eu falo aqui não só do Iraque. Vemos líderes em outros países do Oriente Médio que estão agindo de maneira consistente com o restabelecimento do califado.

COMO O SENHOR ACHA QUE O OCIDENTE REAGIRÁ A ISSO?

Esta é uma questão crucial e as minorias religiosas do Oriente Médio querem saber a resposta. O Ocidente continuará a tolerar esta perseguição interminável e organizada contra nós? Quando a próxima onda de violência começar a nos atingir, alguém do Ocidente realizará manifestações e mostrará sinais de que “somos todos cristãos”? E sim, eu digo, a “próxima onda de violência”, pois isso é simplesmente o resultado natural de um sistema governamental que prega a desigualdade e justifica a perseguição. A equação não é complicada. Um grupo é ensinado que eles são superiores e legalmente autorizados a tratar os outros como seres humanos inferiores com base unicamente em sua fé e práticas religiosas. Esse ensinamento inevitavelmente leva à violência contra qualquer “inferior” que se recuse a mudar sua fé. E aí está - a história dos cristãos no Oriente Médio pelos últimos 1.400 anos.

MAS QUAL SERIA A SOLUÇÃO? COMO VAMOS CONSTRUIR UM FUTURO MELHOR?

Essa mudança deve ocorrer com o trabalho consciente do próprio mundo muçulmano. Vemos pequenos inícios desse reconhecimento no Egito, na Jordânia, na Ásia e até mesmo na Arábia Saudita. Certamente, ainda há muito a ser visto e do quanto há de sinceridade real nisso.

O CRISTIANISMO NO ORIENTE MÉDIO É UMA MISSÃO PROFÉTICA?

O meu é um papel missionário: dar testemunho diário dos ensinamentos de Cristo, mostrar a verdade de Cristo e proporcionar um exemplo vivo aos nossos vizinhos muçulmanos de um caminho para um mundo de perdão, de humildade, de amor e de paz. E, para que não haja confusão, deixo claro que não estou falando de conversão. Estou falando da verdade fundamental do perdão, que nós, cristãos no Iraque, podemos compartilhar, e compartilhamos de uma posição de clareza moral historicamente única.

Nós perdoamos aqueles que nos assassinaram, que nos torturaram, que nos estupraram, que procuraram destruir tudo sobre nós. Em nome de Cristo, nós os perdoamos. E assim dizemos aos nossos vizinhos muçulmanos: aprendam isso de nós. Deixem-nos ajudá-los a se curar. Suas feridas são tão profundas quanto as nossas. Nós sabemos disso. Nós oramos pela sua cura. Vamos curar nosso País ferido e torturado juntos.

NESSE CONTEXTO, QUAL SERIA A TAREFA DA SOCIEDADE SECULAR OCIDENTAL?

Nós pedimos que a sociedade ocidental considere nossa situação de verdade, como ela realmente existe, e não em tentativas esticadas de relativismo histórico, que diminui, ou, mais honestamente, insulta a realidade de nosso sofrimento e, assim, rouba a dignidade de nossa fé contínua. O coração da luta é entender a natureza da batalha. O Ocidente terá de se perguntar: até quando uma sociedade moderada e decente pode sobreviver sem a influência das instituições cristãs? Até quando a tradição existe depois que a fé morreu? O que fluirá para o vácuo?

O papel que as comunidades cristãs desempenham ou desempenharam nas sociedades islâmicas tem sido negligenciado. É uma parte importante da formação da sociedade civil em quase todo o mundo. Ela precisa ser destacada porque a situação no Iraque tem sido mal interpretada pelos tomadores de decisão ocidentais. Não há razão para acreditar que eles não interpretem mal os mesmos sinais e presságios em seus próprios países. O Ocidente acha que está muito longe do caos do Iraque? Deixe-me informar: são apenas seis horas de distância.

FALANDO SOBRE TOMADORES DE DECISÃO, QUAL SERIA O PAPEL DOS POLÍTICOS?

Pedimos a eles que apoiem os esforços para garantir tratamento igual a todas as minorias no Iraque e em outros lugares. Oramos para que os políticos encontrem em si mesmos a humildade de reconhecer que suas teorias, que nas últimas décadas se tornaram nossa horrível realidade, têm sido quase universalmente erradas, baseadas em avaliações fundamentalmente errôneas do povo e da situação do Iraque. E nessas políticas equivocadas, debatidas na mídia como pontos de discussão intelectuais partidárias, centenas de milhares de pessoas inocentes morreram. Um país inteiro foi destruído e deixado para os chacais.

Todo esse horror começou com a política, e nós imploramos àqueles que continuam a ter acesso à política do seu país, lembrando-se diariamente de que suas avaliações políticas e de seus aliados têm consequências para a vida ou a morte. Por favor, ande humildemente e tenha certeza que você realmente entende as pessoas sobre as quais você está passando sentença. Entender o que aconteceu no Iraque significa ser sincero sobre a natureza e o propósito da ordem civil cristã. Significa ser sincero sobre a natureza e o propósito das leis do Islã. Significa ser sincero sobre o que acontece quando esses dois se reúnem em um só lugar. Eu aprecio que este é um assunto desconfortável para discutir no conforto de um país pacífico. Mas para os cristãos do Iraque isso não é assunto abstrato.

ESTAMOS ENFRENTANDO O FIM DOS CRISTÃOS NO IRAQUE?

Poderia ser. Nós reconhecemos isso. O Cristianismo no Iraque, uma das igrejas mais antigas, está perigosamente perto da extinção. Nos anos anteriores a 2003, chegamos a 1,5 milhão de pessoas: 6% da população do Iraque. Hoje, talvez, haja apenas 250 mil de nós. Aqueles de nós que permanecem devem estar prontos para enfrentar o martírio. No fim, o mundo inteiro enfrenta um momento de verdade. Será que um povo pacífico e inocente poderá ser perseguido e eliminado por causa de sua fé? E, para não querer falar a verdade aos perseguidores, o mundo será cúmplice de nossa eliminação? O mundo deve entender, em nosso caminho para a extinção, que não iremos mais viver tranquilamente. A partir deste ponto, falaremos a verdade e viveremos a verdade, abraçando plenamente nosso testemunho e missão de cristãos, para que, se algum dia chegarmos ao fim, ninguém seja capaz de dizer: “como isso aconteceu”?

Nós, cristãos, somos um povo de esperança. Mas encarar o fim também nos traz clareza e, com isso, a coragem de, finalmente, falar a verdade. Nossa esperança de permanecer em nossa antiga terra natal agora depende da capacidade de nós mesmos, de nossos opressores e do mundo reconhecer essas verdades. Violência e discriminação contra os inocentes devem terminar. Aqueles que as ensinam devem parar. Nós, cristãos no Iraque, que enfrentamos 1.400 anos de perseguição, violência e genocídio, estamos preparados para falar e testemunhar ao mundo, seja qual for a consequência.

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POR CAUSA DA FÉ

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04 de agosto de 2019

“2019 tem sido um dos anos mais sangrentos para os cristãos ao redor do mundo: além dos terríveis ataques que ocorreram no Domingo de Páscoa no Sri Lanka, também na República Centro-Africana uma missão católica foi atacada por extremistas no dia de Ano-Novo. Em janeiro, houve um atentado contra a Catedral de Jolo, nas Filipinas; em março, aldeias cristãs foram atacadas, resultando em 130 mortes na Nigéria; no fim do mesmo mês, uma escola católica na Índia sofreu agressões por extremistas que ‘caçaram’ as religiosas que trabalhavam no local; no dia 11 de julho, um carro-bomba explodiu no noroeste da Síria, tendo como alvo a Igreja da Virgem Maria, deixando feridos e tendo danificado a Igreja.”


Os eventos acima foram compilados pela Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) e fazem parte do texto divulgado para a 5ª edição do Dia Internacional de Oração pelos Cristãos Perseguidos, promovido pela ACN, com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).


Um dos objetivos da campanha é que em todo o mundo, as pessoas nas paróquias sejam motivadas a participar de uma corrente de oração mundial que dê suporte espiritual aos cristãos que sofrem perseguição religiosa. “Não acontece aqui, mas acontece agora!” foi o tema escolhido para marcar a data, celebrada desde 2015.

Em comunhão e preces

Em carta escrita especialmente para a ocasião, Frei Hans Stapel, Presidente da ACN no Brasil e fundador da Fazenda da Esperança, recordou que a missão da ACN é ajudar os cristãos que não conseguem viver sua fé porque são perseguidos, ou então porque vivem em extrema pobreza: “Como é importante nesse Dia de Oração todos esses cristãos sentirem que não estão sozinhos, que nós rezamos por eles. Como Fundação Pontifícia ACN, sempre fazemos o possível para ajudá-los em suas estruturas, formação e nas necessidades mais urgentes. Mas, no dia 4 de agosto, mais do que isso, vamos rezar por eles com todo o nosso coração”.


Frei Hans disse também que, desde o começo da campanha, houve muita mudança. “A Planície de Nínive, que havia sido ocupada pelo grupo Estado Islâmico, hoje já abriga os cristãos novamente. A ACN está conseguindo ajudá-los a reconstruir suas vidas. Mas, por outro lado, vemos que no mundo existem outras realidades precisando de nossas preces. Por isso, agora dedicamos nossas orações aos cristãos perseguidos no mundo inteiro”, continuou o Frei.

Homenagem às Vítimas 

A ACN informou também que, neste ano, o Dia Internacional de Oração pelos Cristãos Perseguidos ganha ainda mais relevância ao redor do mundo em função da aprovação, na Assembleia Geral da ONU, da resolução que estabelece o dia 22 de agosto como o Dia Internacional em Homenagem às Vítimas de Atos de Violência baseada na Religião ou Crença.


Ainda para marcar e dar maior visibilidade à questão dos cristãos perseguidos, acontecerão celebrações nas cidades de Aracaju (SE), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Maceió (AL), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Nessa ocasiões, haverá a presença de um porta-voz da ACN, que apresentará o apoio que a entidade recebe do Papa Francisco diante dos projetos de auxílio aos cristãos perseguidos no mundo.

Sobre o Dia de Oração

O Dia de Oração faz referência a um evento que aconteceu na noite de 6 de agosto de 2014, quando cerca de 100 mil cristãos tiveram de abandonar suas casas na Planície de Nínive, no Iraque, expulsos pelos extremistas do grupo Estado Islâmico. Eles fugiram a pé, somente com as roupas do corpo, sem água, comida, medicamentos e um lugar para ficar. Assim que recebeu as primeiras informações na manhã do dia 7 de agosto, a ACN mobilizou os benfeitores e iniciou campanhas e projetos para socorrer, material e espiritualmente, os perseguidos e refugiados.


Com essa iniciativa da ACN e o apoio da CNBB, as pessoas passaram a ter mais informações sobre cristãos perseguidos e souberam que, em determinadas partes do mundo, alguém pode morrer simplesmente por usar um crucifixo no pescoço. 

liberdade religiosa 

Publicado desde 1998 e atualizado a cada dois anos, o “Relatório sobre a Liberdade Religiosa” traz uma análise sobre essa questão em 196 países do mundo, abrangendo não apenas os cristãos, mas todos os grupos religiosos. 


Os dados de cada país são pesquisados por jornalistas independentes, acadêmicos e autores que se encontram na região de sua especialidade, incluindo Ásia, África, Europa e Américas. Cada relatório dos países tem início com uma análise da situação legal e constitucional que afeta a liberdade religiosa, segue com uma descrição de até que ponto a lei é respeitada na realidade e a descrição de incidentes ou infrações contra a prática livre da fé. Por fim, observa-se no período em análise se a liberdade religiosa melhorou, permaneceu igual ou se deteriorou, além de informar as perspectivas nessa área em termos futuros a curto prazo.


Publicado pela ACN, o Relatório de 2018 apontou que houve aumento do fundamentalismo religioso e, ao menos em 38 países, há evidências de violações significativas da liberdade religiosa. 

O caso da Líbia 

Um país e 150 cristãos. Esse é o número de pessoas que seguem Jesus Cristo na Líbia, país norte-africano em que há uma forte perseguição religiosa. O número foi apontado pela Open Doors, num relatório de 2016, e mostra como os cristãos são reprimidos na Líbia e obrigados a praticar a fé em igrejas “domésticas” clandestinas.


Um líbio que se converteu ao Cristianismo foi detido na cidade de Benghazi em novembro de 2016. Segundo o “Relatório sobre a Liberdade Religiosa”, esse homem teve contato com um colega convertido no Marrocos que o tinha ajudado, sendo acusado de “proselitismo nas redes sociais e de denegrir o Islamismo”.


Em outubro de 2017, foram descobertos os corpos de 21 cristãos que haviam sido decapitados em 2015 por jihadistas ligados ao autoproclamado Estado Islâmico na zona costeira da cidade de Sirte. O Relatório aponta, ainda, que “trabalhos forçados e formas de escravatura são formas generalizadas de abuso e perseguição vividos por homens cristãos.” Além disso, meninas cristãs sofrem com agressão sexual e violação.


A educação religiosa islâmica é obrigatória nas escolas públicas e nas instituições de ensino privado. Outras formas de religião não são disponibilizadas nas escolas. Há vários locais de culto não islâmicos no País – incluindo os locais de culto de católicos, ortodoxos russos, gregos e ucranianos, evangélicos e seguidores da Igreja da Unidade –, mas poucos cristãos permanecem no País. 

Pelo mundo

Além da Líbia, cristãos de lugares como Níger, Somália, Iraque, Afeganistão e China sofrem com perseguição religiosa, e em outros como Argélia, Egito, Rússia, Irã e Ucrânia houve aumento da discriminação religiosa. 


Na Polônia, que sediou a Jornada Mundial da Juventude em 2016 e onde a porcentagem de cristãos chega a 95,7%, aconteceu a destruição de mais de cem túmulos cristãos em novembro de 2016. Em fevereiro de 2017, na cidade de Kąpino, pelo menos dois homens atacaram brutalmente um sacerdote católico que regressava de um serviço religioso noturno.


Outros incidentes como danos à imagem de Jesus Cristo em uma capela ou a destruição da fachada de uma capela evangélica também aconteceram em localidades distintas do País. 


No Brasil, por sua vez, a situação se manteve, embora a liberdade de crença e de culto esteja garantida pela Constituição de 1988. No entanto, segundo o Relatório, o País continua apresentando conflitos na esfera governamental referentes ao conceito de laicismo e sua aplicação nas políticas públicas.


Todos esses dados fazem parte do Relatório. Sobre o Brasil, é informado, ainda, que o panorama geral da liberdade religiosa no País mantém as características observadas no último relatório e que não há graves conflitos religiosos no País. “Os dados atuais indicam que o processo de reconhecimento da intolerância religiosa que vinha acontecendo no período recente poderá ser prejudicado pela crise que o País atravessa.”

(Com informações da ACN)

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01 de agosto de 2019

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O ministério de 27 religiosas

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01 de agosto de 2019

O fato de a população da Mauritânia ser quase totalmente muçulmana tem um impacto profundo no cotidiano do País. O Islamismo é a religião do Estado e a nacionalidade é reservada aos muçulmanos. Renunciar ao Islã implica pena de morte. Os poucos membros de outras religiões no País não podem viver a sua fé em público. A Sharia (conjunto de leis islâmicas, baseadas no Alcorão, responsável por ditar as regras de comportamento dos muçulmanos) aplica-se às questões de foro civil na Mauritânia, em particular às questões de família. Em algumas áreas, a violação da Sharia é gravemente punida, por exemplo, por meio de açoitamento.


Os católicos somam apenas 4 mil, em toda a Mauritânia, e são predominantemente estrangeiros. Da mesma forma, o bispo, os padres e as religiosas da única diocese do País vêm de 20 países diferentes da Europa, Ásia e África.


As 27 religiosas que vivem na Mauritânia, um dos países mais pobres do mundo, cuidam de crianças, mulheres grávidas, doentes, migrantes, prisioneiros e deficientes. Elas tratam de muitas crianças subnutridas, das quais existem 40 mil somente na capital, Nouakchott.

Além disso, elas trabalham nas escolas e em centros educacionais, e ensinam às mulheres que não têm oportunidade de ir à escola habilidades manuais como a costura, a ler e escrever.


O campo de atuação das irmãs está localizado principalmente nas periferias pobres das cidades e nas áreas rurais, onde atendem as populações dos mais pobres, com ênfase nas mulheres e crianças.


Apesar da crescente pressão do Islamismo no País, o trabalho da Igreja Católica é, no entanto, muito considerado por vários muçulmanos. O bispo Dom Martin Happe tem um amigo mauritano que, apesar de muçulmano, tem memórias de uma infância feliz com as irmãs católicas. Quando ainda era criança, ele e seus companheiros costumavam inventar problemas para poder tocar a campainha das Irmãs de São José. Assim, conta seu amigo, “nós não só conseguíamos um pirulito, mas, também, um copo de limonada, sempre”. Até hoje, ele se recorda dos nomes das irmãs daquele convento.


A Igreja Católica também é respeitada pelo governo devido a seu trabalho de caridade, mas não recebe suporte financeiro algum. Assim, novamente neste ano, a ACN está apoiando a vida e o ministério das 27 irmãs que atuam na Mauritânia.


Futuro incerto
A situação que o povo da Mauritânia enfrenta tem se tornado cada vez mais difícil. Quando, em 1960, o País se tornou independente, 85% da população era de nômades e pastores, vivendo de seus rebanhos. Desde o início dos anos 1970, o deserto avançou e muitos perderam seus rebanhos. Cada vez mais, as pessoas estão migrando para as cidades, formando e vivendo em favelas. Ao mesmo tempo, o País, que está à beira do Oceano Atlântico, está sendo afetado pelas crescentes elevações do nível do mar, o que tornou inabitável várias áreas de cidades costeiras.


Oficialmente, a população tradicionalmente nômade da Mauritânia é 100% muçulmana. Estes muçulmanos são quase exclusivamente sunitas, majoritariamente organizados em irmandades sufis: Qadiriya, Tijāniyyah e Hamawiya. É significativo que a liberdade religiosa não seja mencionada na Constituição de 1991, e que, além disso, impõe que o presidente do País deva ser muçulmano.


Os desenvolvimentos relativos à vida religiosa na Mauritânia e à situação das minorias religiosas dependem, em grande medida, de dois fatores: o primeiro diz respeito aos desenvolvimentos internos. Não há quaisquer indícios que sugiram que o atual governo da Mauritânia vai ajudar a promover o direito básico à liberdade religiosa. A influência de forças conservadoras islâmicas no governo e na sociedade mauritana é grande e é provável que assim se mantenha no futuro. O segundo fator relaciona-se com desenvolvimentos no exterior, na área da África Ocidental. O Máli não é o único país no qual a influência do jihadismo islâmico aumentou. Burkina Faso, Níger e Nigéria também estão entre os países que sofrem significativamente com a influência e violência dos extremistas.

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Evangelização com a vida

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01 de agosto de 2019

Existem situações em que sentimos que é nossa responsabilidade fazer alguma coisa. Na ACN, isso acontece sempre, pois como Fundação Pontifícia, recebemos pedidos de ajuda dos que estão mais esquecidos. São esses esquecidos do mundo que ocupam um lugar privilegiado no coração da ACN.


Este mês, queremos ajudar os que mais sofrem na África, de modo particular na Mauritânia, a última nação do mundo a abolir a escravidão – isso só ocorreu em 1981. No entanto, “possuir” pessoas como escravas só foi considerado um crime no País em 2007. As sequelas de tanto sofrimento são sentidas, sobretudo, pelas crianças, sendo a desnutrição uma das maiores causas de mortalidade infantil no País. 


Somente na capital, Nouakchott, existem mais de 40 mil crianças subnutridas. Lá, 27 religiosas fazem um trabalho incrível de, além de atender as crianças subnutridas, ajudar as mulheres grávidas, os doentes, deficientes, migrantes, prisioneiros, e realizar um grande trabalho na educação de crianças e adultos.


Tudo o que as irmãs fazem é, antes, muito bem pensado. Em uma das creches, elas atendem cem crianças – que antes estavam subnutridas – ao mesmo tempo em que oferecem cursos de educação básica e profissionalizantes às mães.  


Na Mauritânia, não há espaço para a evangelização com as palavras: lá se evangeliza com a vida, com gestos concretos. Pelo fato de o País ser uma república islâmica, não é permitido viver a fé cristã em público. As irmãs ajudam na área da saúde e educação sem receber nenhuma ajuda do governo. Elas contam com a nossa caridade em um país onde quase ninguém as ajuda, pois os católicos são apenas 0,1% da população.  


Eu quero fazer mais por elas, mas precisamos de ajuda. Eu pensei que talvez você, que nos está lendo, pode abrir mão de comprar alguma coisa este mês para ajudar, não só na Mauritânia, mas em toda a África – um continente onde todos os anos a ACN realiza mais de 1,6 mil projetos. 


Uma doação sua vai repercutir na vida de uma criança, um doente e mais, vai repercutir por toda a eternidade no coração de Deus Pai.


Agora depende de você. Estou fazendo esse pedido porque isso é urgente e, ao mesmo tempo, não podemos deixar de ajudar os outros projetos que também dependem da ACN, muitos deles aqui no Brasil.


Eu estou pedindo a você um sacrifício pequeno, pois o grande sacrifício já está sendo feito pelas irmãs que dedicam suas vidas, pelas crianças que já tiveram que sofrer o sacrifício de ter nascido em um país muito pobre e pelos doentes que já não têm mais a quem pedir socorro.


Leia as próximas páginas, conheça mais sobre a Mauritânia e, se possível, torne-se um benfeitor da ACN – pelo cupom na página 13 ou entrando em contato pelos meios divulgados na página 14. Eu tenho certeza de que a alegria de ajudar quem mais precisa será maior do que o sacrifício de deixar de comprar alguma coisa.

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‘A ACN foi a inspiração’

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05 de julho de 2019

A Assembleia Geral da ONU aprovou, em 28 de maio de 2019, uma resolução estabelecendo 22 de agosto como o Dia Internacional em Homenagem às Vítimas de Atos de Violência Baseada na Religião ou Crença. A ACN acolheu essa resolução como um primeiro passo para chamar mais atenção para a perseguição religiosa,  particularmente a da violência contra os cristãos – até hoje, o grupo religioso que mais sofre. Mark Riedemann, Diretor de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa da ACN, expõe a expectativa da entidade com a resolução da ONU.

Como surgiu o Dia Internacional em Homenagem às Vítimas de Perseguição Religiosa?
Após o sucesso da conferência internacional organizada pela ACN, em setembro de 2017, em Roma, que apresentou o plano de reconstrução das aldeias cristãs na Planície de Nínive, no Iraque, destruídas pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), a advogada polonesa Ewelina Ochab, autora e coautora de vários livros e artigos sobre liberdade religiosa, propôs chamar a atenção global para as violações da liberdade religiosa. Ao longo de 2018, ela falou em 17 conferências, propondo a ideia a uma rede de apoiadores com representantes dos Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia. O Ministério das Relações Exteriores do governo polonês confirmou o apoio e os Estados Unidos incluíram a proposta em sua declaração e plano de ação “Potomac”. A Polônia apresentou e prosseguiu com as etapas necessárias na Assembleia Geral da ONU. Foi um longo processo com muitas pessoas envolvidas, no entanto, a ACN foi a inspiração.

Como isso pode promover a liberdade religiosa?
A resolução é uma mensagem clara de que atos de violência baseada na religião não podem e não serão tolerados pela ONU, seus Estados membros e pela sociedade civil. A proteção daqueles que sofrem violência por causa da fé é também um reconhecimento da liberdade religiosa.

A violência religiosa finalmente passou a ser levada mais a sério pela ONU?
Tragicamente, pesquisas de relatos de liberdade religiosa, tais como as publicadas pela Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF), pelo Centro de Pesquisas Pew e pela ACN, confirmam um aumento sem precedentes na violência contra os religiosos, em todos os continentes. Somente nos últimos cinco anos, testemunhamos dois casos de genocídio perpetrados pelo grupo EI contra cristãos e grupos religiosos minoritários no Iraque e na Síria, e contra os muçulmanos Rohingya, em Mianmar, sem mencionar as atrocidades sistematicamente organizadas, cada vez mais perpetradas contra cristãos na África. Nosso silêncio é nossa vergonha.

Quais outras medidas precisam ser tomadas semelhantes a esta da ONU?
Grupos religiosos estão sendo erradicados de suas terras. Antes da invasão extremista de 2003, os cristãos iraquianos somavam 1,3 milhão de pessoas. Hoje existem no máximo 300 mil. É importante que esta resolução da ONU não seja tratada como um fim em si mesmo, mas entendida como o início de um processo em direção a um plano de ação internacionalmente coordenado pela ONU e Estados membros, trabalhando para acabar com a perseguição religiosa.

Qual é a ajuda da ACN aos cristãos perseguidos?
O ACN procura chamar a atenção e dar apoio para ajudar a manter viva a fé e a esperança daqueles cristãos que sofrem e são perseguidos por suas crenças religiosas. Graças à generosidade de nossos benfeitores, financiamos anualmente mais de 5 mil projetos em cerca de 145 países. Nossos doadores são o alicerce sobre o qual construímos pontes de fé, esperança e caridade. Por mais que o apoio financeiro seja necessário, é importante termos a consciência do sofrimento dessas comunidades cristãs, e que o sofrimento deles não passe despercebido.

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A necessidade de fazer mais

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05 de julho de 2019

Quem faz uma doação para a ACN, muitas vezes não faz ideia do que Deus pode multiplicar a partir da caridade de cada um. Veja agora o que seu gesto de amor pode gerar.


“Eu via as crianças perdidas nas ruas, sozinhas... e eu pensava: tenho que fazer mais”. Esse é o sentimento da Irmã Teresinha Mendes, desde quando ela era uma jovem catequista em Jacobina, na Bahia, onde entrou para a Congregação das Irmãs e Irmãos Servos do Espírito Santo. Lá, começou a trabalhar em um bairro da cidade onde estavam os bêbados e as prostitutas. Ela e outras irmãs criaram cinco casas para os que viviam nas ruas e começaram um longo trabalho de evangelização.


“Foi um trabalho que me evangelizou, muito mais do que eu evangelizei”. Depois dessa vivência, ela sentiu que precisava ajudar as famílias mais pobres. Com o tempo, foi convidada a ir para Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador. “Passamos dois anos só visitando e conhecendo a realidade: meninos de rua andando nus, sem ter o que comer, sem ter uma casa. A conversa com os pais era sempre a mesma: ‘Não trabalhamos porque não temos onde deixar as crianças’. Conversamos com o pároco e decidimos abrir a primeira creche”. Atualmente, ela atende 250 crianças. “Começamos do nada e quando vimos o tamanho que a obra tomou, sentimos a mão da misericórdia divina”, conta emocionada a Irmã.


No mesmo ano que começou o trabalho na creche, duas crianças foram abandonadas na porta da casa das Irmãs. Elas sentiram, então, a necessidade de ampliar suas atividades. Começaram outra obra social, o projeto Construindo o Amanhã. Ele nasceu de um desejo das Irmãs de trabalharem com crianças que estão em situação de vulnerabilidade. “Nós estamos numa comunidade quilombola chamada Quingoma. Aqui, até pouco tempo, havia um lixão e todo aterro sanitário de Lauro de Freitas vinha para cá. O objetivo das creches é dar às mães a possibilidade de trabalhar. As creches atendem crianças de 1 a 5 anos, em tempo integral. Os pequenos fazem todas as refeições no local, inclusive o jantar. “Toda criança já vai pra casa com a barriguinha cheia.”


Não é fácil para a Irmã Teresinha manter toda essa estrutura. Sem pessoas que a ajudassem, talvez tudo isso não existiria. A ACN tem ajudado a Irmã em sua missão desde que chegou em Lauro de Freitas, pois ela também faz parte do GRIMPO (Grupo de Religiosas Inseridas no Meio Popular), uma iniciativa apoiada pela ACN desde 1965.


Cada irmã ajudada pela ACN é como o fermento na massa. Elas chegam em uma realidade e a mudam completamente, semeando esperança e colhendo frutos concretos. E cada doação de um benfeitor da ACN transforma muitas vidas, pois é um gesto suscitado pelo mesmo sentimento que Deus despertou no coração da Irmã Teresinha no início de sua vocação: “tenho que fazer mais.”

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Distribuição de Bíblias e ‘DOCAT’

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05 de julho de 2019

Honduras é o segundo maior país da América Central. Com exceção dos países onde há guerras em curso, ele tem a distinção nada invejável de ter o segundo maior número mundial de assassinatos, perdendo apenas para seu vizinho próximo, El Salvador. A violência é uma realidade sempre presente, com roubos, assassinatos e sequestros, uma ocorrência diária. A guerra de gangues, os cartéis de drogas e a criminalidade tornaram o País perigoso para se viver. As desigualdades sociais e políticas são claramente visíveis, e cerca de 70% da população atualmente vive abaixo da linha da pobreza. Muitas pessoas, especialmente os jovens, sonham apenas em deixar o País.


Embora apenas 37% da população seja católica - uma porcentagem extremamente baixa para a América Latina - a Igreja Católica é um dos poucos sinais de esperança nessa terra atormentada pela violência, na qual muitas pessoas não conseguem ver futuro. Mas, ao mesmo tempo, a própria Igreja enfrenta enormes problemas, incluindo o fato de que, nos últimos 50 anos, a população cresceu de 2,5 milhões para 9 milhões de pessoas. Portanto, há uma grande necessidade de cuidado pastoral e evangelização, mas pouquíssimos sacerdotes para ministrar a todos. Catequistas leigos fazem um papel vital, mas precisaria haver um número muito maior deles para conseguir abranger todas as comunidades .


A ACN está enviando 3 mil exemplares de Bíblias e do “DOCAT”, a Doutrina Social da Igreja voltada especialmente para jovens. A formação dos adolescentes é muito importante, sobretudo num país que enfrenta tantos problemas sociais e de violência. Formação é um dos pilares de atuação da ACN; por isso, investir nos jovens hondurenhos é a melhor alternativa para contribuir com uma sociedade hondurenha melhor e mais humana no futuro, em que as leis de Deus são observadas por todos.

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Zâmbia - Renovação do seminário

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05 de julho de 2019

No passado, a vida da Igreja na África era dirigida por missionários estrangeiros, que podiam obter apoio de seus países de origem, mas hoje são os bispos e padres africanos nativos que assumem cada vez mais essa responsabilidade. Em muitos lugares, a infraestrutura é precária, as paróquias abrangem vastas áreas e os fiéis católicos muitas vezes vivem distantes, de modo que são necessários muitos sacerdotes para atender toda a região. Ao mesmo tempo, as seitas são muito ativas no proselitismo, afastando muitos dos fiéis com suas promessas fáceis e mensagens simplistas de salvação. Eles prometem saúde, riqueza e sucesso material às pessoas e, assim, conseguem atrair muitos seguidores, inclusive católicos. Essas seitas encontram “terreno fértil” num lugar onde – devido à falta de meios financeiros e às vastas distâncias – o alcance pastoral da Igreja não é suficientemente intensivo para fazer as pessoas se sentirem realmente enraizadas na Igreja.


O que a Igreja na Zâmbia precisa, acima de tudo, é de mais sacerdotes. Porém, para formar esses padres, deve haver infraestrutura e instalações adequadas. No Seminário de Santo Agostinho, em Kabwe, há quase 90 seminaristas. O prédio do seminário, construído na década de 1950, necessitava urgentemente de reformas. Havia rachaduras nas paredes, telhado caindo, um sistema de encanamento ineficaz e muito antigo... Todas essas coisas deixavam o dia a dia de estudos e formação muito comprometido e, em alguns casos, até mesmo perigoso. As instalações sanitárias também necessitavam de reparos e trocas urgentes. Graças à ajuda dos generosos benfeitores, a ACN realizou um projeto de renovação do Seminário de Santo Agostinho, permitindo o bom funcionamento das instalações sanitárias e a substituição dos tubos e encanamentos. Os seminaristas estão encantados com os resultados e agradecem sinceramente a todos que ajudaram.

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Vimos, ouvimos e anunciamos

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05 de julho de 2019

“Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. Em verdade, vos digo: muitos profetas e justos desejavam ver o que vedes, e não viram; desejavam ouvir o que ouvis, e não ouviram” (Mt 13,16-17).

 
Sustentados nessa expressão de bem-aventurança, apresentamos toda gratidão ao nosso Deus por estarmos iniciando este novo semestre de nossa caminhada como família ACN, uma família da qual eu quero que você sempre faça parte! Realmente, somos felizes porque o Senhor nos possibilita participar desta sua obra de amor e chegar a tantos de nossos irmãos e irmãs necessitados, marcados por inúmeras formas de sofrimento. Por isso, eu convido você a completar, no desafiante mundo de hoje, o anúncio dessa bem-aventurança, ou seja, abraçar esse caminho de felicidade duradoura. A colaboração, a doação de coração sincero, permite-nos sentir que existe muito mais alegria em dar do que em receber.


Somente vivendo uma vida conformada a Cristo, conseguiremos, verdadeiramente, experimentar e anunciar às demais pessoas aquilo que “vimos” e “ouvimos”, ou seja, testemunhar uma vida profundamente alcançada por Cristo. Nunca duvidemos de que somos, de fato, portadores da alegria, da felicidade, da bem-aventurança que vem de Deus. Ele nos quer totalmente comprometidos no seu amor, a fim de que espalhemos sua alegria. A ACN difunde esse amor de Cristo por meio de seu compromisso permanente de ajudar especialmente os cristãos perseguidos e necessitados nas diversas partes do mundo. Assim, confirma-se sempre mais: viver a alegria em Cristo é continuar no mundo o que Ele viveu totalmente para Deus, pleno de amor pela humanidade: Ele veio para que todos tenham vida e vida em abundância (Jo 10,10). 


Renovemos sempre mais nossas forças por meio da oração que gera caridade, a fim de lembrarmos que Deus conta conosco – também por meio da ACN – para levarmos a muito mais pessoas as bem-aventuranças divinas. São muitos os que necessitam de tudo aquilo que as bem-aventuranças transmitem. Não podemos jamais privar os outros, porque se tivemos o privilégio de ver e ouvir, a nossa atitude deve ser de proclamar, com gestos de amor, a felicidade de viver para Deus, fazendo incansavelmente o bem. Não importa se para isso precisamos caminhar na contramão da história.

Dedico a você e a toda sua família esta bênção: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

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