Presentes de Fé

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29 de novembro de 2019

Uma doação para a ACN contribui para ajudar um cristão em algum lugar do mundo, como no exemplo do Padre Henry Magbity. Ele está em Serra Leoa, um dos países com o menor Índice de Desenvolvimento Huma­no (IDH) do mundo. Na época da epidemia do Ebola, ele pediu um carro à ACN para visitar suas 45 comu­nidades, pois, em virtude da epidemia, “ninguém visitava ninguém”, apenas a Igreja continuava a ir ao encontro das pessoas. Em seu pedido de ajuda, ele escreveu: “‘Eu estava doente e você cuidou de mim’; o veículo solicitado apoiará o crescimen­to de nossas comunidades, especialmente neste momento de crise e medo de morte prematura. O veículo nos ajudará a olhar para nossas vidas com confiança e esperança no Senhor. Estamos comprometidos em visitar nossas diferentes comunidades e trazer-lhes palavras de encoraja­mento, alívio e oração”.
A ACN aprovou o projeto e o Padre Henry recebeu o veículo. Ele nos escreveu dizendo que o veículo é chamado por todos de “carro milagroso”, pois também já salvou vidas. Graças ao carro novo, o Padre Henry pôde salvar vidas de mulheres gestantes e crian­ças, levando-as ao hospital mais próximo, que fica a 28 km de distância. “Este carro nos trou­xe muita felicidade e muitas bênçãos, especial­mente para as famílias mais pobres. Muitos deles acreditam que Deus enviou o carro especialmen­te por meio dos benfeitores, para que possamos aprender, com o exemplo de sua generosidade, que devemos ser generosos com os outros.” E, as­sim, o Padre agradece, duas vezes, em nome de todos os fiéis da paróquia: uma vez pelo carro e pelo serviço que presta, e, também, pela constante lembrança de generosidade.

Pedidos de ajuda assim chegam diariamente à ACN. E muitos deles são como o do Pa­dre Henry, que não se pode negar pela urgência e pelo bem que pode fazer. Por isso, nesta época de Natal, a ACN aprovou muitos projetos urgentes no mundo todo e precisa da doação dos benfeitores para que cada vez mais outros milagres possam acontecer.
Na Síria, a ACN se comprometeu a ajudar, já em 2020, mais de 3 mil crianças que precisam de leite. Uma doação de R$ 40 pode garantir o leite para uma criança por dois meses. E com R$ 61, uma doação pode fazer a alegria de uma criança com um pacote com roupas e uma lembrança de Natal, provavelmen­te os únicos presentes que ela ganhará devido à tamanha pobreza que vivem depois dos conflitos. A ACN prometeu isso para 17.806 crianças sírias, para que saibam que não foram esquecidas. 
No Líbano, uma doação de R$ 278 pode prover a alimentação de um refugiado cristão por um mês. A ACN pretende alimentar 1.150 refu­giados no país. 
Em muitos países da África, a bici­cleta é o meio pelo qual o Evangelho chega aos lugares mais distantes. Com R$ 330 é possível fornecer uma bicicleta a um catequista, religiosa ou padre que, muitas vezes, ainda depende de uma carroça, que é len­ta e custosa para a realidade deles.
 

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Educação é a chave para o avanço cristão no Paquistão

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05 de novembro de 2019

O bispo Samson Shukardin dirige a Diocese de Hyderabad, uma das sete dioceses do Paquistão. É o lar de 60 mil cristãos, metade dos quais são tribais. A Diocese opera 56 escolas, acomodando mais de 13 mil estudantes. Os cristãos e outras minorias no Paquistão enfrentam uma série de desafios de grupos religiosos fundamentalistas. Dom Samson falou com a ACN sobre a importância da educação para a tolerância religiosa.

O CRISTIANISMO ESTÁ SENDO REPRESENTADO DE FORMA NEGATIVA NOS LIVROS USADOS NAS ESCOLAS PÚBLICAS?
As minorias são consideradas infiéis e são representadas negativamente nos livros didáticos, que promovem preconceitos contra as minorias.

AS ESCOLAS PÚBLICAS SÃO UM AMBIENTE DESAFIADOR PARA OS CRISTÃOS?
Tudo depende de onde a escola está e como ela é orientada. Muitas minorias dão a seus filhos nomes islâmicos para que eles não sejam identificados como cristãos, e se tornem alvos potenciais para a discriminação nas escolas de ensino básico ou mesmo nas universidades. Em muitos casos, os estudantes cristãos sofrem abusos nas escolas públicas.

A EDUCAÇÃO SERIA A MAIOR NECESSIDADE DA IGREJA NO PAQUISTÃO?
Precisamos de mais escolas e assistência financeira para famílias pobres. Também precisamos de recursos para ajudar as famílias carentes a enviar seus filhos para a faculdade. A educação é fundamental para transformar a sociedade.

POR QUE OS RADICAIS ODEIAM TANTO O CRISTIANISMO?
Os fundamentalistas acreditam que o Islã é a única religião completa — que a salvação só é encontrada no Alcorão, considerado como o último livro sagrado. Eles acreditam na Bíblia como um livro de Deus, porque muitas coisas no Alcorão são baseadas na Bíblia. Há respeito por Jesus e Nossa Senhora — isso vale tanto para os fundamentalistas quanto para os muçulmanos moderados. No entanto, o Cristianismo é associado ao Ocidente e à União Europeia, razão principal dos extremistas muçulmanos rejeitarem os cristãos e outras minorias. No entanto, há muito mais ataques em mesquitas do que em igrejas, ou seja, muçulmanos fundamentalistas matando colegas muçulmanos moderados.

QUAIS SÃO ALGUMAS DAS MANIFESTAÇÕES MAIS DOLOROSAS E PREJUDICIAIS DO ISLÃ RADICAL NO PAQUISTÃO?
Não há nenhuma oportunidade para que outros grupos minoritários possam ter uma vida normal. Claramente, nem todos os muçulmanos são fundamentalistas. A maior parte é formada por pessoas muito boas. O problema é a lei da blasfêmia, os sequestros e casamentos forçados. Os muçulmanos acreditam que a conversão de uma pessoa para o Islã lhe garanta a vida eterna, e assim acabam acontecendo os sequestros e os casamentos forçados, que são mais comuns em áreas rurais, onde as pessoas têm pouca educação. As minorias também sofrem discriminação no trabalho e nos direitos como cidadãos.

QUAL FOI O IMPACTO DA ABSOLVIÇÃO De aSIA BIBI E SUA PERMISSÃO PARA ABANDONAR O PAÍS?
O caso de Asia Bibi é um grande crédito para o governo. Os cristãos do Paquistão são muito gratos ao governo atual. Mas há  uma série de outros casos como o dela, mas que não possuem a mesma publicidade. Nos últimos 20 anos, houve mais de 1,5 mil casos de indivíduos acusados pela lei da blasfêmia, muitos deles de grupos minoritários muçulmanos.

APESAR DAS AMEAÇAS, A FÉ DA COMUNIDADE CRISTÃ É MUITO FORTE. AS IGREJAS ESTÃO CHEIAS AOS DOMINGOS. COMO o senhor EXPLICA ISSO?
Apesar de todas as dificuldades e discriminações, a comunidade cristã é muito forte no seu sistema de crenças. As igrejas estão cheias nos fins de semana, nas celebrações e feriados religiosos. O povo está orgulhoso de sua fé e a Igreja é a fonte da vida e o incentivo de sua fé.

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Um ‘MasterChef’ na Venezuela

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01 de novembro de 2019

Tony Pereira, 51, é um “MasterChef” na Venezuela. Formado em academias gastronômicas de prestígio, ele trabalhou em vários hotéis cinco estrelas em seu país. Seu dia de trabalho começa às 7h, mas Tony acorda às 4h. Ele pega sua moto e vai para a Paróquia de San Sebastian, em Maiquetía, no município de Vargas, perto da capital Caracas. A primeira coisa que ele faz ao entrar na igreja é se ajoelhar diante do Santíssimo Sacramento e agradecer o novo dia. Então, ele entra no pátio, acende o fogão abastecido por um botijão de gás velho, pega duas enormes panelas de latão e, antes de ir para o local de trabalho, prepara um menu exclusivo para um grupo de convidados muito especial – esse é o ritual 
diário de Tony, faça chuva ou faça sol.
O menu é exclusivo, não por causa de seus ingredientes finos, mas porque o condimento que mais se destaca é o amor. O comprometimento e a dedicação de Tony e seus ajudantes são consideráveis. Os outros ingredientes, embora simples, são difíceis de encontrar em um país que vive uma profunda crise econômica e social. É um desafio encontrar os ingredientes necessários, mas o chef usa toda a sua criatividade para garantir que o cardápio seja variado. Hoje, há frango com arroz. “Dez quilos de arroz e quatro galinhas”, calcula Tony em voz alta.
E os convidados? Mais de 150. Crianças e idosos vão diariamente à cantina improvisada na Paróquia de San Sebastian para fazer sua única refeição do dia. Muitos deles não teriam o que comer se não viessem aqui. O Padre Martin recebe todos na porta. Ele cumprimenta um garoto de camisa azul, o Felipe, 11. “Todo dia, ele vem aqui do alto da colina, empurrando o pai numa cadeira de rodas. Depois, ele sobe a colina novamente; pode imaginar como isso é difícil para um garoto?” Felipe vai até o Padre: “Meu pai não pôde vir hoje, ele está com febre, então, eu o deixei sozinho em casa. Posso levar comida para ele em uma tigela?” O Padre, compreensivo, consente: “Primeiro, coma. Depois, prepararamos algo para ele”.
À noite, quando sai do trabalho, Tony descansa um pouco e depois organiza a mise en place (na linguagem do chef, isso significa preparar os ingredientes para a próxima sessão de trabalho). Ele observa o que é necessário e como obtê-lo. Então, pega sua moto antiga e dirige até a padaria, onde “doa” algumas horas – para usar suas próprias palavras – recebendo em troca de 10 a 15 pães. Depois de cortá-los em fatias finas, Tony dará um pedaço de pão para cada criança no dia seguinte. Essa é outra e muito importante “gota de amor”. Tony faz isso porque o pão é tão caro que agora dificilmente há uma família que possa comprá-lo.
Enfim, é hora de ir para casa. O dia foi longo. Tony dá uma última olhada para a sua moto antiga que, mesmo falhando, ainda funciona. Antes de ir para a cama, sua oração é também um pedido de forças para continuar tudo de novo, no dia seguinte, e ajudar seus irmãos e irmãs até o último dia de sua vida.
Esse é o incrível trabalho pastoral de Tony Pereira. Ainda assim, ele não receberá nenhuma “estrela Michelin” (uma das classificações mais importantes do mundo da Gastronomia), pela superação de todos os dias. Ele, provavelmente, também nunca vencerá uma competição de culinária. Mas não há dúvida de que esse chef está ganhando diariamente o título de ‘Masterchef da Venezuela’, porque, sem dúvida, ele está acrescentando sabor à vida de muitas pessoas.
A ACN está ajudando a Igreja na Venezuela com projetos que auxiliam seu trabalho na distribuição de alimentos aos que mais precisam. Na Diocese de Guaira, onde o Tony está, a ACN doou 11 geladeiras e um fogão. Mas muito ainda precisa ser feito. 

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Mudar de uma ‘Igreja que visita para uma Igreja que permanece’

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30 de agosto de 2019

O Sínodo dos Bispos para a região da Amazônia tem chamado a atenção da Igreja e do mundo todo. A defesa da casa comum, o cuidado com os povos indígenas e ribeirinhos e os novos caminhos para o ministério sacerdotal estão na ordem do dia. Dom Sebastião Bandeira Coelho é o Bispo de Coroatá, no Estado do Maranhão, no Nordeste do Brasil. Nascido na Amazônia Legal, ele atuou praticamente toda sua vida nessa região. Dom Sebastião esteve na sede internacional da ACN, onde falou das realidades e da esperança do povo com o Sínodo.

QUAIS AS EXPECTATIVAS com o SÍNODO DA AMAZÔNIA?
Embora o Sínodo seja de uma região particular que é a Amazônia, o seu tema e as decisões, com certeza, irão influenciar a Igreja e o mundo todo. O Papa Francisco escolheu o tema “novos caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral”. Então, nós temos que, como Igreja, aproveitar deste momento privilegiado que estamos vivendo com o Papa Francisco, que tem se mostrado muito corajoso e aberto em relação à Igreja dessa região. Nós precisamos buscar novos caminhos para que a evangelização se torne mais firme e mais sólida.

QUAIS EXPECTATIVAS OS RIBEIRINHOS E OS INDÍGENAS TÊM COM O SÍNODO?
Os missionários tiveram um papel muito importante na Igreja na Amazônia. Foram verdadeiros heróis em terras longínquas, buscando o desenvolvimento integral e a evangelização. Também na Amazônia, é expressiva a religiosidade popular trazida pelos nordestinos e que ajudou na  resistência à investida das seitas na região. Por outro lado, sabemos que a Amazônia precisa ter uma Igreja com rosto próprio. E como o documento de preparação do Sínodo afirma, é preciso mudar de uma “Igreja que visita para uma Igreja que permanece”. Essa presença da Igreja só irá acontecer quando tivermos pessoas e ministérios que estejam no dia a dia com o povo.

A IGREJA CONSEGUIRÁ OFERECER UMA EVANGELIZAÇÃO MAIS SÓLIDA PARA ESSES POVOS?
Nossas comunidades estão ameaçadas de desaparecer de muitos lugares, porque não temos pessoas. Muitos missionários estão cansados e desanimados. Então, nós precisamos dar uma resposta para que a Igreja continue viva e atuante na região. O Papa Francisco não deixa de colocar em pauta esses problemas desafiadores, para que possamos encontrar soluções adequadas para a Igreja existir, atuar e continuar a missão de Jesus. Mesmo que a Igreja tenha muitas dificuldades, o mais importante é continuar a sua missão nesse mundo. Nós, pastores, recebemos essa tarefa e não podemos negligenciá-la de forma alguma.

QUAIS INICIATIVAS O SENHOR VISLUMBRA PARA UM NOVO IMPULSO DO EVANGELHO NA AMAZÔNIA?
Primeiro, eu quero expressar o meu profundo agradecimento à ACN, que tem ajudado nossas igrejas, inclusive a Diocese de Coroatá, no Maranhão, agraciada pela instituição com a construção de igrejas, aquisição de veículos e auxílio às religiosas. Para a Amazônia, nada é mais importante do que investirmos na formação das lideranças locais, pois são eles que vão transformar a nossa sociedade. Claro que eu também acredito muito nos meios de comunicação, porque atingem de maneira rápida tantos lugares que nós não podemos alcançar. Na Amazônia, as paróquias são distantes uma das outras, por isso as Diretrizes da Igreja no Brasil são muito iluminadoras quando falam das comunidades eclesiais missionárias. Isto é, formar comunidades que se tornem evangelizadoras e que testemunhem o anúncio de Jesus Cristo com entusiasmo. Por isso, eu estou muito esperançoso. Nunca um Sínodo foi tão ouvido nos últimos tempos como este, durante o processo de preparação. Todos tiveram a oportunidade de falar: as bases, os indígenas, os quilombolas, os jovens, os pescadores e as periferias. Com certeza, muitas coisas vão surgir, porque o Espírito está na Igreja e, quando ela se reúne, sempre é para abrir novos caminhos e responder, à luz da Palavra de Deus, aos novos desafios.

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40 Anos - Bíblia da Criança

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16 de outubro de 2019

Em 1979, São João Paulo II estava presente na Conferência Episcopal Latino-Americana de Puebla, no México, e se alegrou durante a primeira apresentação da Bíblia da Criança; o Papa Bento XVI, em visita ao Brasil, entregou, nas mãos de uma criança, o exemplar que representa o número de 10 milhões de exemplares da Bíblia da Criança em Português do Brasil; e o Papa Francisco já havia solicitado milhares de exemplares da Bíblia da Criança, quando era Arcebispo de Buenos Aires, na Argentina.


Agora, depois de 40 anos, existem 51.188.209 exemplares em 191 línguas (dados de junho de 2019). E isso não é o fim. Todos os dias, a ACN recebe novas encomendas e pedidos vindos do mundo inteiro: de paróquias, dioceses e ordens religiosas pobres demais para pagar pelo seu próprio material catequético. Por exemplo, a ACN enviou, para as sete dioceses do Paquistão, 80 mil exemplares em língua Urdu; para a Igreja Greco-Católica na Ucrânia foram enviados 50 mil exemplares com ilustrações de ícones; também a Diocese de Tarahumara, no norte do México, recebeu 10 mil exemplares. A Bíblia da Criança não evangeliza somente as crianças, mas também seus pais, que em muitas realidades acompanham seus filhos no estudo bíblico. 


Além dos pedidos, a ACN recebe todos os dias cartas de agradecimento. Para muitas crianças de países pobres, como Moçambique – País que recentemente foi tão flagelado por catástrofes naturais – esse é o único livro que elas têm. Não se pode imaginar, escreve o Padre Ottorino, qual é o efeito que um livrinho desses suscita no coração das pessoas. Dieudonné, do Togo, tem 13 anos e agradece com estas palavras: “Todas as palavras de Jesus nos fazem pensar e nos dão um sentido para a vida”. Muitos se emocionam: para o pequeno Mikel, da Albânia, “isso que fizeram com Jesus é muito triste”. E de presidiários brasileiros, recebemos essas linhas: “Estou preso na cadeia porque assassinei uma pessoa. Tenho Aids. Só Deus sabe de mim. Eu não sei o que vai ser da minha vida, mas uma coisa é certa: esta pequena Bíblia vai me ajudar”.


Não se conhece todos os frutos produzidos nem se pode prever os que ainda serão colhidos no futuro pelas 51 milhões de sementes sob a forma da Bíblia da Criança. Esse livro traz em si uma bênção especial desde que o Padre Werenfried assinalou seu início, no Ano da Criança, em 1979, com estas palavras: “As crianças precisam de algo como uma Bíblia da Criança, para que a imagem de Cristo se torne viva nelas”. A semente brotou nos corações das crianças e não para de florescer, graças à generosidade de milhares de benfeitores. 


Preencha você também o cupom abaixo, envie-o gratuitamente e faça parte desta maravilhosa obra de Deus que é a ACN. Informações sobre como apoiar esses e outros projetos, pelo telefone 0800-770-9527.

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Papa Francisco abençoa 6 mil Terços para a Síria

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16 de outubro de 2019

O Papa Francisco abençoou 6 mil Terços destinados à Síria durante a oração do Angelus, na Praça de São Pedro, em 15 de agosto, na Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria. Os Terços serão dados aos cristãos na Síria que tiveram familiares sequestrados ou assassinados na guerra civil que se estende desde 2011. A iniciativa do Santo Padre foi o gesto para apoiar e incentivar a campanha ecumênica “Consola meu povo”, promovida pela ACN em conjunto com igrejas católicas e ortodoxas na Síria. “Os Terços, feitos por iniciativa da ACN, são um sinal da minha proximidade aos nossos irmãos e irmãs na Síria. Continuamos a rezar o Rosário pela paz no Oriente Médio e em todo o mundo”, disse o Papa Francisco.


A campanha “Consola meu povo” irá distribuir os Terços abençoados pelo Papa entre diferentes comunidades cristãs na Síria, em 15 de setembro, na ocasião da festa de Nossa Senhora das Dores. O objetivo da campanha é homenagear as vítimas da recente guerra civil e oferecer apoio espiritual e conforto aos parentes das vítimas.


Thomas Heine-Geldern, presidente-executivo da ACN, e alguns diretores de escritórios europeus da entidade se encontraram com o Papa Francisco na Casa Santa Marta, no Vaticano, antes do Angelus, quando o Santo Padre elogiou o trabalho da ACN e desta iniciativa ecumênica: “Agradeço à ACN por tudo o que faz. Quando rezamos pelas pessoas na Síria, chegamos perto delas”, disse o Sumo Pontífice.


O Presidente da ACN disse que estava profundamente comovido com o gesto do Papa. “O Santo Padre manifestou em várias ocasiões o seu apoio e aprovação pelo nosso empenho na Síria e no Oriente Médio. Para as famílias das vítimas da guerra, esses Terços abençoados são um sinal de que o Papa e toda a Igreja estão com eles em oração. Esta é uma grande fonte de conforto”, disse.


Desde o início do conflito em 2011, o apoio aos cristãos na Síria tem sido uma prioridade da ACN, conforme mencionou o presidente Heine-Geldern. Graças à generosidade dos benfeitores, a entidade pôde apoiar um total de 850 projetos no País, permitindo que muitas famílias cristãs permanecessem em suas casas, em vez de emigrar. “O dinheiro é importante, mas não é suficiente. Assim como a ajuda material, as pessoas na Síria necessitam de apoio espiritual e moral, pois vivem numa situação desesperadora. Juntamente com os nossos benfeitores em todo o mundo, a ACN está empenhada em ajudá-las”, concluiu Heine-Geldern.


A campanha “Consola meu povo” acontecerá em várias cidades da Síria, no dia 15 de setembro. Haverá orações comemorativas e procissões, e os fiéis cristãos rezarão pelos mortos e pelo consolo e apoio de suas famílias. Os Terços, que foram feitos em Belém e Damasco e abençoados pelo Papa Francisco como um sinal especial de apoio espiritual, serão entregues àqueles que perderam familiares sequestrados ou mortos durante a guerra. E em 15 de setembro, o Papa Francisco voltará a associar-se à iniciativa, abençoando um ícone de Nossa Senhora das Dores, Consoladora dos sírios.

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Hospedeiros de Misericórdia

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16 de outubro de 2019

Se alguém está em Cristo, é uma criatura nova. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo (2Cor 5,17). Esta é a convicção que deve acompanhar a vida de todos aqueles que fazem uma experiência com Jesus Cristo. O que tem de inquietante nesta passagem bíblica é a atitude permanente que deve acompanhar o novo modo de agir dos que foram configurados em Cristo como novas criaturas.


Não é tão fácil reconhecer que esse “mundo velho” deve desaparecer. Mundo que, aqui, não consiste – em primeiro lugar – na descrição da realidade, mas corresponde bem mais às nossas atitudes que definem o estilo e projeto de vida que vivemos e assumimos. Não podemos dissociar estas duas dimensões: o falar e o atuar, ou como muitos afirmam, a necessária coerência entre as palavras e os exemplos.


É incoerente desfrutar da tecnologia de comunicação e, por outro lado, estabelecer barreira de separações, mundos intransponíveis de acesso ao outro, a proliferar a indiferença. O que nos une deve ser muito mais forte do que aquilo que nos separa. E o que verdadeiramente nos une é a vida nova trazida por Cristo. A novidade que Ele inaugura consiste em sua exemplar atitude de acolher a todos, servir e ajudar. Não é suficiente falar ao mundo sobre o Cristo, mas se torna necessário viver a vida nova trazida por Ele.


Portanto, não nos deixemos infectar pela soberba e ignorância; ao contrário, na conclusão desta reflexão, sublinho este pensamento: “A comunidade ‘dos que nasceram para a vida nova’ se assemelha mais a uma família que a uma fábrica. Não é uma fábrica para produzir e oferecer serviços; é, primeiramente, um espaço de vida e de relação; um espaço de encontro pessoal e interpessoal. A comunidade representa, antes de tudo, um lugar de busca do Deus vivo. O encontro requer comunicação e diálogo. E como diz um cardiologista: a comunicação faz bem ao coração” (Bonifácio Fernandez).


Os obstáculos e os desafios estarão sempre por perto, mas nunca deixemos de acreditar na vida nova, um presente de Deus, que vê em nossas dificuldades e limites o lugar de misericórdia, que tanto recebemos quanto devemos dar.
 

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‘O Cristianismo no Iraque está perigosamente perto da extinção’

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14 de agosto de 2019

Os cristãos no Iraque sofreram um duro golpe no dia 6 de agosto de 2014, quando extremistas do grupo Estado Islâmico (EI) invadiram e tomaram os assentamentos cristãos da Planície de Nínive, ao norte de Mosul. Cerca de 125 mil cristãos tiveram de fugir durante a noite. Muitos deles encontraram refúgio em torno da cidade curda de Erbil. Nos três anos seguintes, o Arcebispo Católico Caldeu de Erbil, Dom Bashar Matti Warda, foi um dos pilares na manutenção e apoio da comunidade.

Em outubro de 2016, as forças iraquianas e seus aliados conseguiram recuperar os territórios e dezenas de milhares de cristãos deslocados retornaram às ruínas de suas cidades natais. Desde então, a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) iniciou um apoio significativo para a reconstrução das casas.

Passados cinco anos, Dom Bashar conversou com a ACN sobre as consequências do episódio para os cristãos no Iraque, em todo o Oriente Médio e nos países ocidentais. 

QUAL FOI A LIÇÃO APRENDIDA COM OS ATAQUES DO GRUPO ESTADO ISLÂMICO?

Dom Bashar Matti Warda – Quando um povo não tem mais nada a perder, em certo sentido, é muito libertador, e é a partir dessa posição de clareza e coragem recém-descoberta que posso falar em nome do meu povo e dizer a verdade. Porém, eu gostaria de comentar que somos um povo que suportou a perseguição com paciência e fé por 1.400 anos, confrontando uma luta existencial, nossa luta final no Iraque. A causa mais imediata é o ataque do grupo Estado Islâmico, que levou, em uma única noite, ao deslocamento de mais de 125 mil cristãos no Iraque e nos deixou sem abrigo e refúgio, sem trabalho ou propriedades, sem igrejas e mosteiros, sem a capacidade de viver as coisas normais da vida e que nos dão dignidade: visitar familiares, celebrar casamentos e nascimentos, partilhar de alegrias e tristezas.

Nossos atormentadores confiscaram nosso presente enquanto procuravam destruir nossa história e nosso futuro. Esta foi uma situação excepcional, mas não isolada. Faz parte do ciclo recorrente de violência no Oriente Médio, há mais de 1.400 anos.

ENTÃO, DE FATO, A INVASÃO DO GRUPO EI FOI APENAS A “PONTA DO ICEBERG”?

Com cada ciclo sucessivo, o número de cristãos no Iraque cai, até hoje estamos no ponto de extinção. Argumente como quiser, mas a extinção está chegando, e, então, o que alguém dirá? Que fomos extintos por desastre natural ou migração suave? Que os ataques do grupo EI foram inesperados e fomos pegos de surpresa? Isso é o que a mídia dirá. Ou a verdade surgirá após o nosso desaparecimento: que fomos persistentemente e firmemente eliminados ao longo de 1.400 anos por um sistema de crenças que permitiu ciclos regulares e recorrentes de violência contra nós, como o genocídio otomano de 1916-1922.

MAS, DURANTE ESSES 1.400 ANOS DE OPRESSÃO CRISTÃ, HOUVE PERÍODOS DE TOLERÂNCIA MUÇULMANA COMO UMA ALTERNATIVA À VIOLÊNCIA E À PERSEGUIÇÃO?

Não se pode negar a existência de tempos de tolerância relativa. Sob al Rashid, a Casa da Sabedoria, a grande biblioteca, foi fundada em Bagdá. Houve uma época de relativa prosperidade, enquanto a erudição cristã e judaica eram valorizadas, e o florescimento da ciência, da matemática e da medicina era possível graças aos estudiosos cristãos nestorianos que traduziam textos gregos, já antigos no século IX.

Nossos ancestrais cristãos compartilharam com os muçulmanos árabes uma profunda tradição de pensamento e filosofia e se engajaram com eles em um diálogo respeitoso a partir do século VIII. A Idade do Ouro Árabe, como observou o historiador Philip Jenkins, foi construída com base na erudição caldeia e siríaca, a bolsa de estudos cristã. A imposição da lei da Sharia viu o declínio do grande aprendizado e o fim da “Idade de Ouro” da cultura árabe. Um estilo de diálogo acadêmico se desenvolveu e só poderia ocorrer porque uma sucessão de califas tolerava as minorias. Quando a tolerância terminou, também findou a cultura e a riqueza que fluíam dela.

ENTÃO VOCÊ DIRIA QUE A COEXISTÊNCIA PACÍFICA É POSSÍVEL E A TOLERÂNCIA É A CHAVE PARA O DESENVOLVIMENTO DOS POVOS?

Exatamente. Mas esses momentos de tolerância têm sido uma experiência unidirecional: os governantes islâmicos decidem, de acordo com seu próprio julgamento e capricho, se os cristãos e outros não-muçulmanos devem ser tolerados e até que ponto. Não é e nunca foi uma questão de igualdade. Fundamentalmente, aos olhos do Islã, os cristãos não são iguais. Não devemos ser tratados como iguais; devemos apenas ser tolerados ou não tolerados, dependendo da intensidade do espírito jihadista predominante. Sim, a raiz de tudo isso são os ensinamentos da Jihad, a justificativa para atos de violência.

MUITOS CRISTÃOS NO IRAQUE ESTÃO VOLTANDO PARA AS SUAS ALDEIAS. A SITUAÇÃO ESTÁ MELHORANDO AGORA?

Ainda há grupos extremistas que crescem em número e afirmam que matar cristãos e yazidis ajuda a espalhar o Islã. Ao aderir estritamente aos ensinamentos do Alcorão, eles prescrevem o status Dhimmi (cidadania de segunda classe) para as minorias, permitindo o confisco de propriedade e a imposição do imposto islâmico jizya. Mas não é só isso. Se você fosse cristão no Iraque ou em outro lugar no Oriente Médio, nunca aceitaria por um momento a sombra sob a qual nós, iraquianos, vivemos – e sob a qual vivemos por séculos. Pela constituição do meu País, somos cidadãos menores, vivemos a critério de nossos superiores autonomeados. Nossa humanidade não nos dá direitos.

Nos países ocidentais, você é igual perante a lei. Este princípio básico da vida europeia e americana é uma fundação da ordem cívica cristã, na qual somos todos crianças sob um Deus amoroso, criado à Sua imagem e semelhança, que nos dá toda a dignidade e nos impõe respeito mútuo. A segurança cívica surge de uma visão de mundo que valoriza cada ser humano individualmente não por sua posição ou função, mas simplesmente porque são humanos. Essa visão tem sido o grande presente da tradição judaico-cristã.

Reconstruir a sociedade civil significa reconstruí-la para todos. Todo mundo tem um lugar e todo mundo tem a chance de prosperar. A verdade é que há uma crise fundamental dentro do próprio Islã, e se esta crise não é reconhecida, endereçada e fixada, então não pode haver futuro para a sociedade civil no Oriente Médio, ou mesmo em qualquer lugar onde o Islã se revela uma nação anfitriã.

A BRUTALIDADE E A VIOLÊNCIA DO GRUPO EI MUDARAM O MUNDO ISLÂMICO?

Claramente, o grupo EI chocou a consciência do mundo, mas também mexeu com a consciência da maioria islâmica. A questão agora é se o Islã continuará ou não em uma trajetória política na qual a Sharia será a base para o direito civil e de todos os aspectos da vida, ou se um movimento cívico e tolerante se desenvolverá. A derrota do grupo EI não significa o fim da ideia do restabelecimento do califado. Isso despertou novamente, e agora está firmemente implantado em mentes em todo o mundo muçulmano. E com essa ideia do califado, surgem todas as estruturas históricas formais de desigualdade intencional e discriminação contra os não muçulmanos. Eu falo aqui não só do Iraque. Vemos líderes em outros países do Oriente Médio que estão agindo de maneira consistente com o restabelecimento do califado.

COMO O SENHOR ACHA QUE O OCIDENTE REAGIRÁ A ISSO?

Esta é uma questão crucial e as minorias religiosas do Oriente Médio querem saber a resposta. O Ocidente continuará a tolerar esta perseguição interminável e organizada contra nós? Quando a próxima onda de violência começar a nos atingir, alguém do Ocidente realizará manifestações e mostrará sinais de que “somos todos cristãos”? E sim, eu digo, a “próxima onda de violência”, pois isso é simplesmente o resultado natural de um sistema governamental que prega a desigualdade e justifica a perseguição. A equação não é complicada. Um grupo é ensinado que eles são superiores e legalmente autorizados a tratar os outros como seres humanos inferiores com base unicamente em sua fé e práticas religiosas. Esse ensinamento inevitavelmente leva à violência contra qualquer “inferior” que se recuse a mudar sua fé. E aí está - a história dos cristãos no Oriente Médio pelos últimos 1.400 anos.

MAS QUAL SERIA A SOLUÇÃO? COMO VAMOS CONSTRUIR UM FUTURO MELHOR?

Essa mudança deve ocorrer com o trabalho consciente do próprio mundo muçulmano. Vemos pequenos inícios desse reconhecimento no Egito, na Jordânia, na Ásia e até mesmo na Arábia Saudita. Certamente, ainda há muito a ser visto e do quanto há de sinceridade real nisso.

O CRISTIANISMO NO ORIENTE MÉDIO É UMA MISSÃO PROFÉTICA?

O meu é um papel missionário: dar testemunho diário dos ensinamentos de Cristo, mostrar a verdade de Cristo e proporcionar um exemplo vivo aos nossos vizinhos muçulmanos de um caminho para um mundo de perdão, de humildade, de amor e de paz. E, para que não haja confusão, deixo claro que não estou falando de conversão. Estou falando da verdade fundamental do perdão, que nós, cristãos no Iraque, podemos compartilhar, e compartilhamos de uma posição de clareza moral historicamente única.

Nós perdoamos aqueles que nos assassinaram, que nos torturaram, que nos estupraram, que procuraram destruir tudo sobre nós. Em nome de Cristo, nós os perdoamos. E assim dizemos aos nossos vizinhos muçulmanos: aprendam isso de nós. Deixem-nos ajudá-los a se curar. Suas feridas são tão profundas quanto as nossas. Nós sabemos disso. Nós oramos pela sua cura. Vamos curar nosso País ferido e torturado juntos.

NESSE CONTEXTO, QUAL SERIA A TAREFA DA SOCIEDADE SECULAR OCIDENTAL?

Nós pedimos que a sociedade ocidental considere nossa situação de verdade, como ela realmente existe, e não em tentativas esticadas de relativismo histórico, que diminui, ou, mais honestamente, insulta a realidade de nosso sofrimento e, assim, rouba a dignidade de nossa fé contínua. O coração da luta é entender a natureza da batalha. O Ocidente terá de se perguntar: até quando uma sociedade moderada e decente pode sobreviver sem a influência das instituições cristãs? Até quando a tradição existe depois que a fé morreu? O que fluirá para o vácuo?

O papel que as comunidades cristãs desempenham ou desempenharam nas sociedades islâmicas tem sido negligenciado. É uma parte importante da formação da sociedade civil em quase todo o mundo. Ela precisa ser destacada porque a situação no Iraque tem sido mal interpretada pelos tomadores de decisão ocidentais. Não há razão para acreditar que eles não interpretem mal os mesmos sinais e presságios em seus próprios países. O Ocidente acha que está muito longe do caos do Iraque? Deixe-me informar: são apenas seis horas de distância.

FALANDO SOBRE TOMADORES DE DECISÃO, QUAL SERIA O PAPEL DOS POLÍTICOS?

Pedimos a eles que apoiem os esforços para garantir tratamento igual a todas as minorias no Iraque e em outros lugares. Oramos para que os políticos encontrem em si mesmos a humildade de reconhecer que suas teorias, que nas últimas décadas se tornaram nossa horrível realidade, têm sido quase universalmente erradas, baseadas em avaliações fundamentalmente errôneas do povo e da situação do Iraque. E nessas políticas equivocadas, debatidas na mídia como pontos de discussão intelectuais partidárias, centenas de milhares de pessoas inocentes morreram. Um país inteiro foi destruído e deixado para os chacais.

Todo esse horror começou com a política, e nós imploramos àqueles que continuam a ter acesso à política do seu país, lembrando-se diariamente de que suas avaliações políticas e de seus aliados têm consequências para a vida ou a morte. Por favor, ande humildemente e tenha certeza que você realmente entende as pessoas sobre as quais você está passando sentença. Entender o que aconteceu no Iraque significa ser sincero sobre a natureza e o propósito da ordem civil cristã. Significa ser sincero sobre a natureza e o propósito das leis do Islã. Significa ser sincero sobre o que acontece quando esses dois se reúnem em um só lugar. Eu aprecio que este é um assunto desconfortável para discutir no conforto de um país pacífico. Mas para os cristãos do Iraque isso não é assunto abstrato.

ESTAMOS ENFRENTANDO O FIM DOS CRISTÃOS NO IRAQUE?

Poderia ser. Nós reconhecemos isso. O Cristianismo no Iraque, uma das igrejas mais antigas, está perigosamente perto da extinção. Nos anos anteriores a 2003, chegamos a 1,5 milhão de pessoas: 6% da população do Iraque. Hoje, talvez, haja apenas 250 mil de nós. Aqueles de nós que permanecem devem estar prontos para enfrentar o martírio. No fim, o mundo inteiro enfrenta um momento de verdade. Será que um povo pacífico e inocente poderá ser perseguido e eliminado por causa de sua fé? E, para não querer falar a verdade aos perseguidores, o mundo será cúmplice de nossa eliminação? O mundo deve entender, em nosso caminho para a extinção, que não iremos mais viver tranquilamente. A partir deste ponto, falaremos a verdade e viveremos a verdade, abraçando plenamente nosso testemunho e missão de cristãos, para que, se algum dia chegarmos ao fim, ninguém seja capaz de dizer: “como isso aconteceu”?

Nós, cristãos, somos um povo de esperança. Mas encarar o fim também nos traz clareza e, com isso, a coragem de, finalmente, falar a verdade. Nossa esperança de permanecer em nossa antiga terra natal agora depende da capacidade de nós mesmos, de nossos opressores e do mundo reconhecer essas verdades. Violência e discriminação contra os inocentes devem terminar. Aqueles que as ensinam devem parar. Nós, cristãos no Iraque, que enfrentamos 1.400 anos de perseguição, violência e genocídio, estamos preparados para falar e testemunhar ao mundo, seja qual for a consequência.

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POR CAUSA DA FÉ

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04 de agosto de 2019

“2019 tem sido um dos anos mais sangrentos para os cristãos ao redor do mundo: além dos terríveis ataques que ocorreram no Domingo de Páscoa no Sri Lanka, também na República Centro-Africana uma missão católica foi atacada por extremistas no dia de Ano-Novo. Em janeiro, houve um atentado contra a Catedral de Jolo, nas Filipinas; em março, aldeias cristãs foram atacadas, resultando em 130 mortes na Nigéria; no fim do mesmo mês, uma escola católica na Índia sofreu agressões por extremistas que ‘caçaram’ as religiosas que trabalhavam no local; no dia 11 de julho, um carro-bomba explodiu no noroeste da Síria, tendo como alvo a Igreja da Virgem Maria, deixando feridos e tendo danificado a Igreja.”


Os eventos acima foram compilados pela Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) e fazem parte do texto divulgado para a 5ª edição do Dia Internacional de Oração pelos Cristãos Perseguidos, promovido pela ACN, com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).


Um dos objetivos da campanha é que em todo o mundo, as pessoas nas paróquias sejam motivadas a participar de uma corrente de oração mundial que dê suporte espiritual aos cristãos que sofrem perseguição religiosa. “Não acontece aqui, mas acontece agora!” foi o tema escolhido para marcar a data, celebrada desde 2015.

Em comunhão e preces

Em carta escrita especialmente para a ocasião, Frei Hans Stapel, Presidente da ACN no Brasil e fundador da Fazenda da Esperança, recordou que a missão da ACN é ajudar os cristãos que não conseguem viver sua fé porque são perseguidos, ou então porque vivem em extrema pobreza: “Como é importante nesse Dia de Oração todos esses cristãos sentirem que não estão sozinhos, que nós rezamos por eles. Como Fundação Pontifícia ACN, sempre fazemos o possível para ajudá-los em suas estruturas, formação e nas necessidades mais urgentes. Mas, no dia 4 de agosto, mais do que isso, vamos rezar por eles com todo o nosso coração”.


Frei Hans disse também que, desde o começo da campanha, houve muita mudança. “A Planície de Nínive, que havia sido ocupada pelo grupo Estado Islâmico, hoje já abriga os cristãos novamente. A ACN está conseguindo ajudá-los a reconstruir suas vidas. Mas, por outro lado, vemos que no mundo existem outras realidades precisando de nossas preces. Por isso, agora dedicamos nossas orações aos cristãos perseguidos no mundo inteiro”, continuou o Frei.

Homenagem às Vítimas 

A ACN informou também que, neste ano, o Dia Internacional de Oração pelos Cristãos Perseguidos ganha ainda mais relevância ao redor do mundo em função da aprovação, na Assembleia Geral da ONU, da resolução que estabelece o dia 22 de agosto como o Dia Internacional em Homenagem às Vítimas de Atos de Violência baseada na Religião ou Crença.


Ainda para marcar e dar maior visibilidade à questão dos cristãos perseguidos, acontecerão celebrações nas cidades de Aracaju (SE), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Maceió (AL), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Nessa ocasiões, haverá a presença de um porta-voz da ACN, que apresentará o apoio que a entidade recebe do Papa Francisco diante dos projetos de auxílio aos cristãos perseguidos no mundo.

Sobre o Dia de Oração

O Dia de Oração faz referência a um evento que aconteceu na noite de 6 de agosto de 2014, quando cerca de 100 mil cristãos tiveram de abandonar suas casas na Planície de Nínive, no Iraque, expulsos pelos extremistas do grupo Estado Islâmico. Eles fugiram a pé, somente com as roupas do corpo, sem água, comida, medicamentos e um lugar para ficar. Assim que recebeu as primeiras informações na manhã do dia 7 de agosto, a ACN mobilizou os benfeitores e iniciou campanhas e projetos para socorrer, material e espiritualmente, os perseguidos e refugiados.


Com essa iniciativa da ACN e o apoio da CNBB, as pessoas passaram a ter mais informações sobre cristãos perseguidos e souberam que, em determinadas partes do mundo, alguém pode morrer simplesmente por usar um crucifixo no pescoço. 

liberdade religiosa 

Publicado desde 1998 e atualizado a cada dois anos, o “Relatório sobre a Liberdade Religiosa” traz uma análise sobre essa questão em 196 países do mundo, abrangendo não apenas os cristãos, mas todos os grupos religiosos. 


Os dados de cada país são pesquisados por jornalistas independentes, acadêmicos e autores que se encontram na região de sua especialidade, incluindo Ásia, África, Europa e Américas. Cada relatório dos países tem início com uma análise da situação legal e constitucional que afeta a liberdade religiosa, segue com uma descrição de até que ponto a lei é respeitada na realidade e a descrição de incidentes ou infrações contra a prática livre da fé. Por fim, observa-se no período em análise se a liberdade religiosa melhorou, permaneceu igual ou se deteriorou, além de informar as perspectivas nessa área em termos futuros a curto prazo.


Publicado pela ACN, o Relatório de 2018 apontou que houve aumento do fundamentalismo religioso e, ao menos em 38 países, há evidências de violações significativas da liberdade religiosa. 

O caso da Líbia 

Um país e 150 cristãos. Esse é o número de pessoas que seguem Jesus Cristo na Líbia, país norte-africano em que há uma forte perseguição religiosa. O número foi apontado pela Open Doors, num relatório de 2016, e mostra como os cristãos são reprimidos na Líbia e obrigados a praticar a fé em igrejas “domésticas” clandestinas.


Um líbio que se converteu ao Cristianismo foi detido na cidade de Benghazi em novembro de 2016. Segundo o “Relatório sobre a Liberdade Religiosa”, esse homem teve contato com um colega convertido no Marrocos que o tinha ajudado, sendo acusado de “proselitismo nas redes sociais e de denegrir o Islamismo”.


Em outubro de 2017, foram descobertos os corpos de 21 cristãos que haviam sido decapitados em 2015 por jihadistas ligados ao autoproclamado Estado Islâmico na zona costeira da cidade de Sirte. O Relatório aponta, ainda, que “trabalhos forçados e formas de escravatura são formas generalizadas de abuso e perseguição vividos por homens cristãos.” Além disso, meninas cristãs sofrem com agressão sexual e violação.


A educação religiosa islâmica é obrigatória nas escolas públicas e nas instituições de ensino privado. Outras formas de religião não são disponibilizadas nas escolas. Há vários locais de culto não islâmicos no País – incluindo os locais de culto de católicos, ortodoxos russos, gregos e ucranianos, evangélicos e seguidores da Igreja da Unidade –, mas poucos cristãos permanecem no País. 

Pelo mundo

Além da Líbia, cristãos de lugares como Níger, Somália, Iraque, Afeganistão e China sofrem com perseguição religiosa, e em outros como Argélia, Egito, Rússia, Irã e Ucrânia houve aumento da discriminação religiosa. 


Na Polônia, que sediou a Jornada Mundial da Juventude em 2016 e onde a porcentagem de cristãos chega a 95,7%, aconteceu a destruição de mais de cem túmulos cristãos em novembro de 2016. Em fevereiro de 2017, na cidade de Kąpino, pelo menos dois homens atacaram brutalmente um sacerdote católico que regressava de um serviço religioso noturno.


Outros incidentes como danos à imagem de Jesus Cristo em uma capela ou a destruição da fachada de uma capela evangélica também aconteceram em localidades distintas do País. 


No Brasil, por sua vez, a situação se manteve, embora a liberdade de crença e de culto esteja garantida pela Constituição de 1988. No entanto, segundo o Relatório, o País continua apresentando conflitos na esfera governamental referentes ao conceito de laicismo e sua aplicação nas políticas públicas.


Todos esses dados fazem parte do Relatório. Sobre o Brasil, é informado, ainda, que o panorama geral da liberdade religiosa no País mantém as características observadas no último relatório e que não há graves conflitos religiosos no País. “Os dados atuais indicam que o processo de reconhecimento da intolerância religiosa que vinha acontecendo no período recente poderá ser prejudicado pela crise que o País atravessa.”

(Com informações da ACN)

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O ministério de 27 religiosas

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01 de agosto de 2019

O fato de a população da Mauritânia ser quase totalmente muçulmana tem um impacto profundo no cotidiano do País. O Islamismo é a religião do Estado e a nacionalidade é reservada aos muçulmanos. Renunciar ao Islã implica pena de morte. Os poucos membros de outras religiões no País não podem viver a sua fé em público. A Sharia (conjunto de leis islâmicas, baseadas no Alcorão, responsável por ditar as regras de comportamento dos muçulmanos) aplica-se às questões de foro civil na Mauritânia, em particular às questões de família. Em algumas áreas, a violação da Sharia é gravemente punida, por exemplo, por meio de açoitamento.


Os católicos somam apenas 4 mil, em toda a Mauritânia, e são predominantemente estrangeiros. Da mesma forma, o bispo, os padres e as religiosas da única diocese do País vêm de 20 países diferentes da Europa, Ásia e África.


As 27 religiosas que vivem na Mauritânia, um dos países mais pobres do mundo, cuidam de crianças, mulheres grávidas, doentes, migrantes, prisioneiros e deficientes. Elas tratam de muitas crianças subnutridas, das quais existem 40 mil somente na capital, Nouakchott.

Além disso, elas trabalham nas escolas e em centros educacionais, e ensinam às mulheres que não têm oportunidade de ir à escola habilidades manuais como a costura, a ler e escrever.


O campo de atuação das irmãs está localizado principalmente nas periferias pobres das cidades e nas áreas rurais, onde atendem as populações dos mais pobres, com ênfase nas mulheres e crianças.


Apesar da crescente pressão do Islamismo no País, o trabalho da Igreja Católica é, no entanto, muito considerado por vários muçulmanos. O bispo Dom Martin Happe tem um amigo mauritano que, apesar de muçulmano, tem memórias de uma infância feliz com as irmãs católicas. Quando ainda era criança, ele e seus companheiros costumavam inventar problemas para poder tocar a campainha das Irmãs de São José. Assim, conta seu amigo, “nós não só conseguíamos um pirulito, mas, também, um copo de limonada, sempre”. Até hoje, ele se recorda dos nomes das irmãs daquele convento.


A Igreja Católica também é respeitada pelo governo devido a seu trabalho de caridade, mas não recebe suporte financeiro algum. Assim, novamente neste ano, a ACN está apoiando a vida e o ministério das 27 irmãs que atuam na Mauritânia.


Futuro incerto
A situação que o povo da Mauritânia enfrenta tem se tornado cada vez mais difícil. Quando, em 1960, o País se tornou independente, 85% da população era de nômades e pastores, vivendo de seus rebanhos. Desde o início dos anos 1970, o deserto avançou e muitos perderam seus rebanhos. Cada vez mais, as pessoas estão migrando para as cidades, formando e vivendo em favelas. Ao mesmo tempo, o País, que está à beira do Oceano Atlântico, está sendo afetado pelas crescentes elevações do nível do mar, o que tornou inabitável várias áreas de cidades costeiras.


Oficialmente, a população tradicionalmente nômade da Mauritânia é 100% muçulmana. Estes muçulmanos são quase exclusivamente sunitas, majoritariamente organizados em irmandades sufis: Qadiriya, Tijāniyyah e Hamawiya. É significativo que a liberdade religiosa não seja mencionada na Constituição de 1991, e que, além disso, impõe que o presidente do País deva ser muçulmano.


Os desenvolvimentos relativos à vida religiosa na Mauritânia e à situação das minorias religiosas dependem, em grande medida, de dois fatores: o primeiro diz respeito aos desenvolvimentos internos. Não há quaisquer indícios que sugiram que o atual governo da Mauritânia vai ajudar a promover o direito básico à liberdade religiosa. A influência de forças conservadoras islâmicas no governo e na sociedade mauritana é grande e é provável que assim se mantenha no futuro. O segundo fator relaciona-se com desenvolvimentos no exterior, na área da África Ocidental. O Máli não é o único país no qual a influência do jihadismo islâmico aumentou. Burkina Faso, Níger e Nigéria também estão entre os países que sofrem significativamente com a influência e violência dos extremistas.

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