SÃO PAULO

Especial de São Paulo

Zona Cerealista: o endereço dos alimentos baratos e saudáveis em SP

Por Daniel Gomes
24 de janeiro de 2020

Zona Cerealista, tradicional reduto de armazéns, vem se renovando para artender as demandas do público

Quem vive na capital paulista ou já visitou a cidade, certamente conhece o Mercado Municipal de São Paulo, com sua variedade de opções em verduras, legumes, frutas, carnes, aves, peixes, frutos do mar, doces, especiarias, além das muitas lanchonetes que servem o famoso lanche de mortadela.

A visita ao Mercadão também é oportunidade para contemplar o prédio de arquitetura imponente, construído em 1933, e que tem entre os atrativos 32 painéis, com 72 vitrais, que retratam o trabalho dos colonos paulistas em colheitas e criação de animais.

A cerca de 300 metros do Mercadão, na margem oposta do Rio Tamanduateí, está outro local muito conhecido pelo bom preço e a variedade de opções quando o assunto é alimentação: a Zona Cerealista.

 

PREÇO E QUALIDADE

Nos comércios das ruas Santa Rosa, Mendes Caldeira, Professor Eurípides Simões de Paula, Benjamin de Oliveira, da Alfândega e da Avenida Mercúrio, algumas das principais vias da Zona Cerealista, o fluxo de consumidores é con tante durante todo o horário comercial.

No interior das lojas, os itens são organizados em categorias e os atendentes estão prontos para esclarecer dúvidas sobre os preços e as funcionalidades dos produtos.

Rafael Tesoto, que mora na República, na região central, vai regularmente à Zona Cerealista. “Há muita opção. São lojas grandes, tudo é muito bem explicado, dividido, a granel, e é muito mais barato que nos mercados”, afirmou. “É perfeito para quem busca uma alimentação saudável. O preço é a principal vantagem, além da praticidade e da diversidade”, complementou.

Cláudia Pereira dos Santos, moradora da Vila Nova Cachoeirinha, na zona Norte, foi à Zona Cerealista pela primeira vez e voltou para casa repleta de alimentos para o consumo diário da família: “Eu vim aqui porque me disseram que o preço é muito melhor. Nas compras de hoje, acredito que economizei uns R$ 50. Assim que terminar essas mercadorias, eu volto”.

 

PERFIL REMODELADO

A Zona Cerealista de hoje, repleta de varejos, difere daquela do final da primeira metade do século XX, quando essa região, reduto tradicional de imigrantes italianos e seus descendentes, tornou-se conhecida como o centro alimentício do Brasil.

“Os armazéns da Zona Cerealista tinham basicamente arroz, feijão, cebola e batata. Não havia essa variedade de hoje. Agora, a dinâmica é de um varejo a céu aberto”, disse, ao O SÃO PAULO, Aureliano Soares da Silva, 84, corretor de cereais, que trabalha na região desde a década de 1950. “Os caminhões vinham do interior e ficavam estacionados nos arredores, e dos armazéns se vendia para o Brasil todo”, recordou.

Percepção similar tem Vinicius Carvalhal, gestor da Casa Flora, tradicional importadora de queijos, alimentos gourmet, vinhos, destilados e outras bebidas finas, localizada na Rua Santa Rosa. “A Zona Cerealista virou varejista. As pessoas que vêm aqui compram a granel, não há mais os grandes atacados. A Zona Cerealista atacadista reinou nos anos 1970, 80, na época da grande expansão de São Paulo”, afirmou, destacando que a Casa Flora, criada na década de 1970 como uma loja varejista, hoje atua como atacadista, distribuidora e importadora.

 

VARIEDADE

Um dos funcionários mais antigos da Casa Flora, José Bispo das Neves, 70, trabalha na Zona Cerealista há 47 anos: “Nessa região, a pessoa encontra tudo o que precisa. Até se costuma falar que aqui é um polo petroquímico de grãos”, brincou. Ele destacou que a loja está atenta à demanda dos consumidores por novidades. “Temos clientes que não abrem mão de comprar aqui. O atendimento nosso talvez faça a diferença. Não adianta ter uma loja cheia de produtos se o atendimento não fizer o cliente se sentir bem.”

Entre as lojas mais conhecidas e movimentadas da Zona Cerealista também estão o Armazém São Vito, Armazém Santa Filomena, Empório Casmar, Empório Rosa, Empório Santa Rita, Empório do Arroz Integral, Empório Bendito Grão, Empório Natural Foods, Casa de Saron e os Laticínios Camanducaia.

Nas lojas, a gama de opções atende quem busca produtos para uma dieta comum, vegana ou mais fitness. Entre os itens mais comercializados estão temperos, condimentos, especiarias, farináceos, fibras, cereais, chás, ervas, vinagres, vinhos, bacalhau, queijos, azeitonas, derivados de soja, sais, açúcares e oleaginosas como castanhas, amêndoas, nozes e avelãs.

 

LIMPEZA

O fluxo de pessoas ao longo do dia deixa como saldo um considerável volume de lixo pelas ruas, situação que desagrada os comerciantes. “A Prefeitura não tem conseguido resolver. Todo dia pela manhã encontramos sujeira”, afirmou Vinicius Carvalhal.

Em nota à reportagem, a Prefeitura, por meio da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb), informou que “o serviço de varrição na Zona Cerealista ocorre diariamente, no período matutino, sendo que a coleta domiciliar ocorre de segunda-feira a sábado, no período noturno”, mas que “devido ao grande fluxo de comércio alimentício, a região sofre com o descarte irregular nas vias. Os resíduos orgânicos coletados durante a varrição são encaminhados para o Pátio de Compostagem da Mooca”.

 

SOB AS BENÇÃOS DE SÃO VITO MÁRTIR

A Igreja Católica está presente na Zona Cerealista com a Paróquia São Vito Mártir, inaugurada em 1940, e dedicada ao Santo de devoção dos primeiros imigrantes italianos desta região do bairro do Brás.

Anualmente, é realizada a festa de rua São Vito Mártir, entre o último fim de semana de maio e o primeiro fim de semana de julho, com missas, barracas de comidas típicas italianas e shows musicais na rua Polignano A Mare.

Fátima Perrella e o esposo, Gino Perrella, estão entre os coordenadores da festa. Ela avalia que o retorno dos festejos na rua na segunda metade dos anos 1990 reavivou o envolvimento das pessoas com a Paróquia, mas acredita que ainda permanece o desafio de atrair mais fiéis para as diferentes ações da igreja e as missas, que acontecem às quartas-feiras (12h), quintas (19h30), sextas (19h) e aos domingos (9h30).

Na festa deste ano, parte dos recursos arrecadados serão usados para reformar alguns andares da igreja a fim de que seja instalado um centro de convivência para jovens, adultos e idosos. “Vamos trabalhar na festa para poder iniciar as reformas. Queremos oferecer aos idosos evangelização e outras atividades que trabalhem a valorização. Para os jovens, também vamos evangelizar, mostrando possibilidades”, afirmou.

Fátima também disse que a Paróquia tem buscado formas de dialogar com os moradores dos prédios inau- gurados há poucos anos, bem como se aproximar dos jovens, por meio da criação de um grupo de jovens, que ela espera que já esteja bem atuante até o início da festa.

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