Catequistas: testemunhas do encontro com Jesus Cristo

Por
29 de agosto de 2017

No quarto domingo de agosto, 27, a Igreja no Brasil recorda a vocação dos catequistas. Ao falar sobre a missão desses “discípulos-missionários”, em um Simpósio Internacional sobre Catequese, realizado em julho, o Papa Francisco enfatizou que a Catequese não é um trabalho ou uma tarefa externa à pessoa do catequista, mas se “é” catequista e toda a vida gira em torno dessa missão. Para o Pontífice, o catequista deve constantemente regressar àquele primeiro anúncio ou “querígma”, que é o dom que transformou a própria vida.

Nessa mesa ocasião, o Santo Padre estimulou os catequistas a serem criativos, buscando diferentes meios e formas para anunciar Jesus Cristo. “Os meios podem ser diferentes, mas o importante é ter presente o estilo de Jesus, que se adaptava às pessoas que tinha à sua frente. É preciso saber mudar, adaptar-se, para que a mensagem seja mais próxima, mesmo quando é sempre a mesma, porque Deus não muda, mas renova todas as coisas nele”.

Foi o desejo de tornar o anúncio de Jesus Cristo atraente para as crianças que motivou a italiana Sofia Cavalletti, uma pesquisadora da Bíblia, a desenvolver em sua casa, em 1954, a Catequese do Bom Pastor, método que hoje está presente em 37 países, dentre os quais o Brasil, onde o modelo chegou há 16 anos, trazido pela catequista Carmen Tieppo.

Com o auxílio de Gianna Gobbi, pedagoga e discípula de Maria Montessori, fundadora do método montessoriano de educação, Sofia desenvolveu um modelo de Catequese que visa promover o encontro pessoal da criança com a pessoa de Jesus, por meio do trabalho e da oração em um ambiente preparado e adequado à sua faixa etária, denominado “átrio”.

O amigo Jesus

De acordo com o método montessoriano, a infância é dividida em três faixas etárias, de 3 a 6 anos, de 6 a 9 anos e de 9 a 12 anos. Os conteúdos aplicados correspondem a cada nível de aprendizado.

Para as crianças entre 3 e 6 anos, é apresentada a parábola do Bom Pastor e a pessoa de Jesus. Maria Paula Simonsen Coitinho é catequista há 14 anos e atualmente ministra formações para catequistas segundo o modelo Bom Pastor, dentro e fora de São Paulo. Ela explicou ao O SÃO PAULO que o objetivo dessa etapa é despertar no catequizando o encantamento por Jesus como um grande amigo, correspondendo à necessidade de amor própria dessa faixa etária. “A criança pequena é muito essencial, ou seja, ela busca a essência das coisas. Tudo o que é supérfluo ou detalhe não interessa para o pequeno. Ele está na fase do ‘ser’, quem ela é para Jesus e quem Jesus é para ela. A resposta da criança é a alegria por encontrar Cristo e entrar numa relação pessoal com ele”, disse.

As crianças têm contato com os objetos relacionados à missa, como miniaturas do altar e vasos sagrados, para se familiarizarem com a celebração e os demais sacramentos. O único livro usado na Catequese é a Bíblia, para estimular na criança a relação entre a Sagrada Escritura e a liturgia.

“Na fase seguinte, de 6 a 9 anos, a criança já tem uma necessidade moral, porque já recebeu o dom, o amor, agora ela quer responder a esse amor. Então, é introduzida outra série de parábolas que destaca o aspecto moral que a criança tem necessidade, como a parábola da videira e os ramos”, detalhou Maria Paula, ressaltando que a resposta da criança nessa etapa é o desejo de permanecer unida a Jesus. É quando se inicia a preparação para a primeira comunhão.

Após receber a Eucarista, a criança continua a Catequese na etapa seguinte, de 9 a 12 anos, quando já possui uma noção de tempo, consegue se inserir na história, capaz de compreender melhor o Antigo Testamento e a história da salvação. 

Vivência do mistério

São João Paulo II visitou algumas vezes o átrio de Sofia Cavalletti, em Roma, e ficou encantado com a maneira como as crianças contavam as parábolas e explicavam a missa. Esse encantamento das crianças pelo mistério envolve toda a família no processo catequético. “Existe uma vivência, uma experiência de fé. A criança vem com muita alegria para a Catequese”, salientou Maria Paula, que, a partir da sua experiência como catequista na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, no Jardim Paulistano, na zona Sul, relatou que as crianças pedem aos pais para ir à missa porque querem encontrar com o amigo Jesus, o que acaba trazendo a família de volta para a Igreja. Em alguns lugares, os pais inclusive assistem aos encontros de Catequese junto com as crianças. Há muitos casos de os irmãos maiores e até mesmo os pais receberem os sacramentos da iniciação cristã depois de acompanharem as crianças na Catequese.

 Catequista há 50 anos, Maria Cristina Marcondes da Silva, 73, mais conhecida como Tina, conhece o método Bom Pastor há 11 anos, depois de fazer um curso de formação. “Eu considero esse método mais profundo para as crianças, principalmente porque toca mais na dimensão litúrgica e, por isso, se interessam muito mais pela missa por entenderem seu significado”, disse.

Tina explicou à reportagem que na paróquia em que é catequista, a São Benedito, na Vila Sônia, na zona Sul da Capital, há uma constante preocupação de envolver os pais na Catequese, seja nas reuniões periódicas ou nos próprios encontros, para que eles se familiarizam com os conteúdos.

Maria Paula ressaltou que os catequistas são testemunhas do encontro com Cristo. “Nós damos o anúncio, 
o querigma que recebemos, e temos o privilégio de testemunhar quando uma criança encontra Jesus Cristo. O sorriso, o olhar, a alegria. Tudo isso é transbordante”, disse a Catequista, ao relatar o deslumbramento do momento em que uma criança se identifica com a ovelha encontrada pelo Bom Pastor. 

No Brasil

Embora o modelo tenha chegado ao Brasil em 2001, a Catequese do Bom Pastor tem ganhado mais popularidade no País apenas nos últimos dois anos.

Na Arquidiocese de São Paulo, as paróquias São José e Nossa Senhora do Brasil, ambas na Região Episcopal Sé, já possuem átrios em atividade. Outras paróquias estão implantando, como a Paróquia Nossa Senhora Mãe de Jesus, no Jardim Celeste. Em São Paulo, há átrios em paróquias e escolas das dioceses de Santo Amaro, Campo Limpo, Osasco. Estes também existem em Brasília (DF), Cuiabá (MT), Londrina (PR), Fortaleza (CE) e Goiânia (GO). A Congregação das Missionárias da Caridade, fundada por Santa Teresa de Calcutá, está implantando o modelo em todas as suas casas pelo mundo.

Para ser catequista no método Bom Pastor é preciso passar por uma formação de dois anos para cada um dos níveis etários. “Como a demanda tem sido muito grande, estamos realizando cursos intensivos para atender pelo menos a faixa etária dos mais pequenos”, explicou Maria Paula.

Informações sobre a Catequese do Bom Pastor podem ser acessadas pelo site www.catequesebompastor.com.br.
 

Comente

CNBB envia mensagem aos catequistas pelo dia da vocação catequética

Por
24 de agosto de 2017

A Comissão para a Animação Bíblico- Catequética da CNBB divulgou uma mensagem para os catequistas brasileiros em virtude da celebração da vocação catequética, no domingo, 27.

A mensagem foi assinada por Dom José Antônio Peruzzo, Arcebispo de Curitiba (PR) e Presidente da Comissão.

No texto, Dom José recorda os aspectos fundamentais do processo de evangelização, sobretudo, a acolhida e o amor que todos os catequistas devem oferecer aos seus catequizandos: “É bem possível que a Catequese seja um dos poucos ambientes em que alguém lhe manifestou afeto”.

Além disso, lembrou dos caminhos trilhados pelos catequistas devido à sua vocação e reforçou que, por mais que existam momentos conturbados, Cristo mostra a melhor maneira de seguir em frente.

Fonte: CNBB

LEIA A MENSAGEM NA ÍNTEGRA

Querido Irmão, querida Irmã Catequista, 

Transcorrerá no dia 27 de agosto de 2017 o Dia do Catequista. Como o tempo parece muito veloz escrever-lhe outra vez pode até parecer apenas um hábito que se repete a cada ano. Mas se lançarmos um olhar às tantas experiências catequéticas de amor, de dor, de cruz e de vitórias, então as lembranças conferem sentido a estas linhas. Esta carta, além de uma palavra de gratidão em nome dos Bispos do Brasil, quer lhe encorajar à perseverança.

Lembra daquele catequizando(a) repleto de muitas carências, que esboçou um sorriso tímido ao receber seu gesto de ternura de catequista? É bem possível que a Catequese seja um dos poucos ambientes em que alguém lhe manifestou afeto. E Você Catequista estava lá para amar aquele(a) que Deus queria abraçar. Nem Deus nem o catequizando vão esquecer. Se por um lado houve caminhos espinhosos, por outro, quão belas devem ter sido aquelas experiências de amor gratuito!!

Enquanto escrevo recordo a página de um excelente catequista de outros tempos. Refiro-me ao evangelista Mateus. Em Mt 14,14 ele destacou que “Jesus, ao ver a grande multidão, sentiu compaixão...”. Instantes depois os discípulos, preocupados com suas próprias impossibilidades, ouviram do seu Senhor: “Dai-lhes vós mesmos de comer...”. Eles perceberam que lhes faltava quase tudo. “Só temos cinco pães e dois peixes”. Ainda outros instantes e eis aqueles que tinham “só cinco pães” a oferecer da imensa generosidade amorosa do Senhor. O evangelista com sensibilidade catequética completou: “Ele deu aos discípulos, e os discípulos às multidões” (14,19).

Façamos agora um pequeno exercício de imaginação. Vamos recordar quão grandes são as necessidades das nossas comunidades, dos nossos catequizandos, das suas famílias... Mais um passo e agora pensemos nas nossas pequenezas. Se o Senhor Jesus estiver por perto, falemos-lhe sobre “Só o que temos...”. O que ouviríamos? Ele aguarda nossa palavra. E eles, os catequizandos, como que a nos olhar, também estão a observar nossos gestos.

Não precisamos oferecer do que não temos. Mas do que o Senhor tem a nos dar, dos seus dons, destes podemos transbordar. Vale lembrar que “Ele deu aos discípulos, e os discípulos às multidões”. Quando as forças faltarem, se as motivações diminuírem, se as desilusões lhe cansarem... entre tantas vozes, escolha a voz do Senhor. Ouça-o. Ele não deixará os seus escolhidos sem respostas. Como no caso dos discípulos, não lhes tirou nada, e lhes deu tudo.

Em nome da CNBB, que representa os Bispos do Brasil, com muita afeição quero manifestar às centenas de milhares de Catequistas do Brasil as mais fortes palavras de gratidão. Que Deus lhes multiplique em bênçãos pela grande Bênção que são à nossa Igreja. 

Dom José Antonio Peruzzo

Presidente da Comissão Episcopal Pastoral Bíblico-Catequética da CNBB

Comente

Como posso descobrir a minha vocação?

Por
28 de março de 2017

Certo autor russo fala de um homem que, por estar sofrendo uma crise interior, decidiu passar uns dias em silêncio em um mosteiro. Chegando lá, atribuíram-lhe um quarto e colocaram na porta um pequeno letreiro com o seu nome.

Durante a noite, como não conseguisse conciliar o sono, decidiu dar um passeio pelo imponente edifício do claustro. À sua volta, reparou que não havia luz suficiente no corredor para ler o nome do letreiro que havia na porta de cada dormitório. Percorria o corredor, mas todas as portas pareciam-lhe iguais. Para não despertar os monges, passou a noite inteira dando voltas no enorme e escuro corredor.

Com a primeira luz do amanhecer, finalmente conseguiu distinguir a porta do seu quarto, diante da qual havia passado tantas vezes, sem conseguir reconhecê-la. Aquele homem pensou que todo o seu deambular daquela noite era uma figura do que acontece com frequência em nossas vidas: passamos muitas vezes diante da porta que conduz ao caminho para o qual estamos chamados, mas nos falta luz para vê-lo.

Saber qual é a nossa missão na vida é a questão mais importante que devemos resolver. A vocação é o encontro com a verdade sobre nós mesmos. Um encontro que proporciona uma inspiração básica na vida, da qual nasce o compromisso, a missão principal de cada um e em que se percebe os planos de Deus para a própria vida.

O Papa Francisco falou disso aos jovens durante a JMJ em julho de 2013: “Deus chama para escolhas definitivas, Ele tem um projeto para cada um: descobri-lo, responder à própria vocação significa caminhar na direção da realização jubilosa de si mesmo. A todos Deus nos chama à santidade, a viver a sua vida, mas tem um caminho para cada um.” Essa proposta do Papa contrasta com a mentalidade do nosso tempo, a chamada cultura do provisório: tendência a não se prender a nada, a não se comprometer nunca. “Na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é “curtir” o momento, que não vale a pena comprometer-se por toda a vida, fazer escolhas definitivas, “para sempre”, uma vez que não se sabe o que reserva o amanhã”.

É evidente que há uma grande dose de medo no coração de um jovem ou de uma jovem, no momento de tomar uma decisão definitiva na sua vida. Tanto para se casar, como para decidir entregar sua vida inteiramente a Deus, no seminário, na vida religiosa ou no celibato laical. Há medo de se comprometer. Mas o Papa nos anima a não ter medo: “Não tenham medo daquilo que Deus lhes pede! Vale a pena dizer “sim” a Deus. N’Ele está a alegria! Queridos jovens, talvez algum de vocês ainda não veja claramente o que fazer da sua vida. Peça isso ao Senhor; Ele lhe fará entender o caminho”.

O Arcanjo São Gabriel anuncia a vocação de Maria, com uma alegre saudação: “Ave, cheia graça, o Senhor é contigo!” (Lc 1,28). Tendo consciência da grandeza de um chamado divino, Maria perturba-se, mas o Arcanjo a anima: “Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus!” (Lc 1,30). Logo que se esclarece como se realizará a sua vocação de Mãe de Jesus, Maria coloca toda a vida nas suas mãos de Deus: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1,38).

Uma coisa é certa: Deus não chama uma pessoa para uma determinada vocação sem conceder-lhe as condições necessárias. Portanto, é preciso examinar-se na oração diante de Deus e pedir a ajuda de um bom orientador espiritual para verificar se se reúnem as condições e aptidões adequadas a essa vocação. Por isso, o fato de uma pessoa – seguindo com docilidade os conselhos da direção espiritual - considerar seriamente a possibilidade de ser chamada a um determinado caminho de entrega a Deus já indica que é bastante provável que esse seja o seu caminho. Um motivo que conforta e anima a corresponder à vocação é considerar que quando Deus dá a uma pessoa a luz da vocação, também lhe dá a graça necessária para corresponder e para decidir com generosidade.

Há um certo paralelismo na vida de muitas pessoas no momento de discernir sua vocação: primeiramente, para receber as luzes de Deus que chama, é preciso cultivar uma vida de oração pessoal, meditação da Palavra de Deus e recepção frequente dos Sacramentos da Confissão e da Eucaristia. Além disso, receber e seguir os conselhos e orientações de uma pessoa experiente no aconselhamento espiritual.

Inspirados no exemplo de Maria, esperamos que muitos jovens, neste Ano Nacional Mariano, encontrem luzes claras de sua vocação na Igreja.

Comente

Páginas

Para pesquisar, digite abaixo e tecle enter.