Sínodo dos Bispos: Igreja deve ir aonde os jovens estão

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11 de outubro de 2018

“A Igreja deve mudar muitíssimo, abrindo-se aos espaços onde os jovens estão presentes, fazer-se missionária sobretudo no mundo digital. E depois acompanhá-los na vida, mas respeitando a liberdade deles.”

O arcebispo de Cidade do México, cardeal Carlos Aguiar Retes, antecipou assim, no briefing desta quarta-feira (10/10) na Sala de Imprensa da Santa Sé referente à sexta e sétima Congregação Geral do Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens, as considerações que o nortearão em seu trabalho na Comissão para a redação do documento final na qual representa a América.

Sem valores partilhados jovens encontram-se em dificuldade

O arcebispo primaz do México citou o filósofo espanhol José Ortega y Gasset para recordar que todas as gerações jovens, na história, fizeram um esforço para adaptar-se à cultura do próprio tempo, mas hoje é difícil identificar valores partilhados e uma cultura comum. “Desse modo, os adolescentes acabam não entendendo bem para onde ir”, ressaltou.

Respondendo a uma pergunta dos jornalistas, o purpurado disse que no México existem quarenta casas de acolhimento para os migrantes que batem à porta dos EUA, “e os jovens encontram-se em sua maioria entre os voluntários”.

O “totalitarismo anônimo” das redes sociais

Em seguida, explicou que durante os trabalhos do Sínodo se falou de um “novo totalitarismo”, do “anonimato nas redes, que é manipulado e gera ideologias de modo escondido”. As primeiras vítimas desta forma inédita de totalitarismo são exatamente os jovens, alguns dos quais “são levados até mesmo ao suicídio baseando-se em instruções nas redes”.

Portanto, uma “educação integral, sobretudo dos jovens, é fundamental para construir uma sociedade baseada em relações fraternas e solidárias”.

Dom Hollerich: primeiro os pobres, assim se freia o populismo

Após o cardeal Aguiar Retes, o arcebispo de Luxemburgo e presidente da Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia (Comece), Dom Jean-Claude Hollerich, ressaltou que com seu aplauso e seu entusiasmo os jovens, no Sínodo e no pré-Sínodo, “nos indicaram as coisas que são mais importantes para eles”.

Respondendo a uma pergunta, o prelado explicou que como bispo europeu está muito preocupado com os totalitarismos, “que podem destruir a construção europeia que nos deu a paz”.

Em todo totalitarismo, observou, “há sempre um certo egoísmo: há uma preocupação com a felicidade somente dos próprios cidadãos, não se cuida dos outros”. “Se nós, como Igreja, nos concentrarmos mais sobre os mais fracos, sobre os marginalizados, faremos prevenção contra o populismo”.

Briana: meu discernimento pela vida consagrada

Por fim, a auditora Briana Santiago, 27 anos, estadunidense de Sant’Antonio, no Texas, há cinco anos em formação com a comunidade de consagradas Apóstolas de vida interior, e estudante de filosofia e teologia na Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, recordou ter sido a primeira jovem a dar seu testemunho na Sala do Sínodo.

Ela partilhou seu caminho de discernimento por uma vocação à vida consagrada, e a partir daquele momento em “toda pausa dos trabalhos me aproximava dos cardeais, dos bispos e dos jovens para discutir alguns pontos de meu pronunciamento”, ressaltou.

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Sínodo dos Bispos: jovens, sismógrafo da realidade e protagonistas da Igreja

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09 de outubro de 2018

Catorze sínteses, seis línguas, e um tema: a escuta. Deste modo articula-se o trabalho dos Círculos Menores sinodais, centrado na primeira parte do Instrumentum Laboris, na quinta Congregação geral do Sínodo, realizada na manhã desta terça-feira (09/10).

A necessidade de uma Igreja empática, em diálogo, que evite auto-referencialidade, preconceitos, e pontos sobre a credibilidade do testemunho. “Os jovens devem ser valorizados”, dizem os Padres Sinodais. “A sua participação ativa na vida eclesial deve ser promovida e relançada, o seu compromisso deve ser bem aproveitado numa perspectiva de verdadeira sinodalidade, para que sejam protagonistas, com responsabilidade, de processos e não de eventos individuais. Deste modo, eles serão evangelizadores de seus coetâneos.

Os jovens, “sismógrafo” da realidade

“Sismógrafo da realidade, os jovens são Igreja”, reitera o Sínodo. É preciso oferecer-lhes com alegria, as razões para viver e esperar, evitando moralismos e mostrando que a vida é a resposta à vocação que Deus dá a cada um de nós. “No fundo, a vida é bonita porque tem sentido. Os jovens são capazes de tomar decisões, mas é preciso ajuda-los a tomar decisões a longo prazo”, afirmam os Padres sinodais.

O risco de “demência digital”

Os Círculos menores se detêm sobre o tema da cultura digital, presente na vida dos jovens, rica de luz, mas também de sombras, como o aumento do sentimento de solidão, o risco de uma atitude compulsiva para com a “cultura da tela”, de uma “demência digital” que implica a incapacidade de concentração e compreensão de textos complexos, de uma “migração virtual” que transporta os jovens para um mundo próprio, às vezes fruto da invenção. Nesse contexto, a presença da Igreja é essencial para acompanhar os jovens, ensinando-lhes que a internet deve ser usada, mas sem que sejam usados. É bom recordar que muitos jovens “não conectados” vivem em áreas rurais sem internet.

Enfrentar o escândalo dos abusos

O tema dos abusos também foi examinado pelos 14 Círculos menores: escândalo que ameaça a credibilidade da Igreja e deve ser abordado de forma profunda, reconquistando a confiança dos fiéis, sem se esquecer o que já foi feito pela Igreja para combater e prevenir esse crime e evitar outras faltas catastróficas. É importante ajudar os sobreviventes dos abusos a encontrar o caminho do perdão e da reconciliação. Os Círculos menores sublinham a necessidade de uma articulação melhor da questão da sexualidade, que deve ser enfrentada com clareza e humanidade, sem negligenciar a linguagem teológica.

Migrantes: defender a sua causa no âmbito internacional

O olhar da Sala Sinodal se dirige ao tema da migração, que também afeta  muitos jovens: a migração é o paradigma do interesse que os jovens dedicam ao compromisso da Igreja no campo da justiça e da política. Por isso, é necessário uma pastoral adequada ao setor e um envolvimento conjunto das Conferências Episcopais afetadas diretamente por esse fenômeno. É necessário defender a causa do migrante internacionalmente, criando canais de legalidade e segurança. É importante promover oportunidade nos países de proveniência e nos de acolhimento. Não devemos esquecer as pessoas deslocadas e os migrantes internos nas nações, assim como os perseguidos e martirizados em muitas áreas do mundo.

Educação seja sólida, interdisciplinar e integral

Os Padres sinodais enfrentam o tema da formação e da educação que deve ser sólida, interdisciplinar e integral. Recordando a importância das escolas e universidades católicas, que devem ser valorizadas, e não instrumentalizadas, para que possam formar os jovens na fé e na vida cristã, se reitera que o ensinamento é uma das tarefas principais da Igreja e que muitas vezes, diante de fenômenos como o fundamentalismo e a intolerância, a resposta melhor está na promoção de uma educação ao respeito e ao diálogo inter-religioso e ecumênico.

Reforçar a família

A questão da formação passa também através do desafio de uma pastoral familiar adequada, que ajude na transmissão da fé entre as várias gerações. “Hoje”, afirmam os participantes do Sínodo, “a família está passando por uma fase de crise, devido à sua desestruturação e ao enfraquecimento da figura paterna”.

Os adultos, em geral, muito jovens e individualistas, não ajudaram a percepção da Boa Nova entre os adolescentes. Em vez disso, é responsabilidade de todo fiel acompanhar os jovens ao encontro pessoal com Jesus, porque a juventude se constrói com base no que recebe na família. Por isso, a Igreja, “família de famílias”, deve oferecer aos jovens uma verdadeira experiência familiar, na qual se sintam acolhidos, amados, cuidados e acompanhados em seu crescimento, em seu desenvolvimento integral e na realização de seus sonhos e esperanças.

A Igreja, escola de ensino

A formação correta também diz respeito aos pastores, afirma o Sínodo: na verdade, é necessário um novo estilo de vida sacerdotal e são necessários bispos que saibam acompanhar de maneira competente os jovens, porque no momento parecem faltar estratégias pastorais eficazes, capazes de se confrontar com o secularismo, e com a globalização, que apresenta oportunidades para conciliar modernidade e tradição. No fundo, a Igreja, mãe e mestra, deve ser uma escola de ensino para cada jovem, superando a falta de sintonia entre ela e os adolescentes.

Proposta uma mensagem para os jovens

Além disso, de vários Círculos surge a proposta de que do Sínodo saia uma mensagem aos jovens e que tenha um estilo narrativo adequado para transmitir-lhes a esperança cristã com palavras proféticas que relatam o olhar de Deus sobre a juventude. Desta ótica, o uso de multimídia também é sugerido, a fim de se dirigir aos jovens não apenas com um texto escrito, mas também com vídeos e imagens.

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Os jovens não devem ser objeto, mas sujeito do anúncio do Evangelho

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05 de outubro de 2018

Terceiro dia da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em andamento no Vaticano, sobre o tema: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

Enquanto se realizam os trabalhos da quarta Congregação sinodal, na manhã desta sexta-feira (05/10), vamos fazer uma resenha sobre as intervenções da tarde de ontem, ou seja, a terceira Congregação.

Durante esta Assembleia, a atenção dos Padres sinodais concentrou-se sobre a primeira parte do “Instrumentum Laboris” – o Documento preparatório do Sínodo - dedicada ao tema da “escuta”, sobre o qual foram feitas vinte intervenções, seguidas de um debate livre.

“Os jovens não devem ser objeto, mas sujeito da proclamação do Evangelho”: eis a esperança dos Padres sinodais. A ideia é de um renovado protagonismo missionário na Igreja, em campo social e político, para que as novas gerações sejam fermento e luz do mundo, artífices da paz e da civilização do amor.

 

A Igreja, casa e mãe dos jovens

“A Igreja é chamada a ser mãe e lar, empatia e escuta, voz dos que não tem voz, especialmente para os que se encontram em situações difíceis, pedras descartadas que, graças ao anúncio da Boa Nova, podem se tornar "pedras angulares" na construção de um mundo melhor”. Este pensamento, que ecoou na Sala sinodal, foi dirigido, de modo especial, às crianças ex-soldados e às que pertencem a famílias problemáticas ou afetadas por vícios, desemprego, corrupção, tráfico humano; como também, aos muitos imigrantes, obrigados a deixarem seu país de origem, em busca de uma vida melhor, mas que acabam perdendo suas raízes, se distanciando da fé e não desenvolvendo seus talentos pessoais.

 

Manter o entusiasmo juvenil

O consumismo no Ocidente - observaram os Padres sinodais - corre o risco de apagar o entusiasmo da juventude, que, muitas vezes, é desorientada, sem ideais e sem fé, também por causa das novas ideologias, como os extravios e o liberalismo exagerado.

É preciso falar, com coragem, sobre a beleza da proposta cristã sobre a sexualidade, sem tabus: prestar atenção aos que, hoje, não conseguem viver a castidade durante o noivado. É o que destacam alguns Padres sinodais, que admitem: a maior parte das comunidades paroquiais não consegue perceber as expectativas dos jovens, que, muitas vezes, se afastam da Igreja após a Crisma.

Por isso, há urgente necessidade de uma pastoral renovada, capaz de ouvir e transmitir o olhar amoroso de Jesus, como também de se expressar com uma linguagem jovem, além daquela digital.

 

Os Jovens e a confiança na Igreja

“Os jovens - observam os Bispos sinodais - ajudam os adultos a se situar no presente e esperam da Igreja um sinal profético de comunhão, em um mundo dilacerado. Eles são o coração missionário da Igreja”. Neste sentido, lançaram a proposta de instituir um Pontifício Conselho especialmente para eles.

Os participantes nos trabalhos sinodais recordaram também “o pedido de uma renovação espiritual”, que emergiu dos questionários preparatórios do Sínodo. É preciso ajudar os futuros adultos a reconquistar a confiança nos sacerdotes, sobretudo em um momento em que a sua credibilidade é colocada à dura provação por causa dos escândalos de abusos sexuais. A este respeito, foi expresso o desejo de que o Sínodo possa fornecer respostas pastorais adequadas e concretas.

 

Viver a liturgia e a oração nas pegadas dos santos

Por fim, durante as intervenções sinodais, foi realçada a importância de relançar a Catequese e a Liturgia, que, junto com a devoção popular, salvaguardaram a fé de muitos cristãos, em contextos de perseguição.

Neste sentido, para não ceder à tentação do ativismo, é preciso ainda falar aos jovens sobre a importância da oração. Mas, por sua parte, é essencial que também a Igreja reze pelos jovens e pela sua vocação.

Com efeito, os jovens anseiam pela dimensão do silêncio e da contemplação, mas, quando não a encontram na Igreja, procuram em outros lugares.

Segundo os Padres sinodais, a Igreja deve dar maior assistência e acompanhamento espiritual aos jovens, colocando em evidência os valores eternos, que levam à verdadeira felicidade, mediante uma proposta evangélica, segundo seu período de maturação. Neste sentido, os muitos Santos, que enriquecem a história da Igreja, podem servir de exemplo de grande atualidade.

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Arquidiocese de São Paulo realiza Virada Vocacional

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04 de setembro de 2018

A Arquidiocese de São Paulo, por meio da Pastoral Vocacional, promoveu no domingo, 26, a primeira edição do Virada Vocacional com o tema: “Vem e segue-me”. O evento encerra as atividades do mês de agosto, que é dedicado às vocações.

PEDALAVOC

Em 20 de agosto de 2014, por iniciativa da Irmã Cintia Giacinti Barbon, religiosa Apostolina, à época secretária da Pastoral Vocacional da Região Episcopal Ipiranga, aconteceu o primeiro Pedalavoc, com o intuito de evangelizar de maneira diferenciada, inspirada pelo pedido do Papa Francisco para que a Igreja saia ao encontro do povo.

A religiosa, que atualmente vive na Itália, falou sobre a inspiração do evento: “Encontrar as pessoas que normalmente não estão em nossas comunidades e dar a elas um anúncio vocacional”. 

“Cada um é chamado pessoalmente, cada pessoa deve pedalar por si mesma para chegar à meta; a vocação, seja qual for, sempre se dá em uma vivencia comunitária”, salientou.

Segundo o Padre Messias de Moraes Ferreira, responsável pela Pastoral Vocacional na Região Ipiranga, no ano em que o Pedalavoc foi pensado, diz que o evento é resultado de um levantamento da realidade regional, que tinha como proposta rever o que já era feito e o que poderia ser incluído para que mais vocações fossem descobertas nas paróquias da região. 

Padre Israel Mendes Pereira, Assessor da Pastoral Vocacional na Região Episcopal Ipiranga e Pároco da Paróquia Santa Paulina do Heliópolis, ressaltou: “Quando falamos de vocação, não falamos só do chamado ao sacerdócio ou à vida religiosa, mas no nosso chamado como cristão no mundo, primeiro à santidade, à vida e, depois, a cumprir a nossa missão como cristão, como seguidores de Jesus”.

 

VIRADA VOCACIONAL 

Em 2018, o Pedalavoc passou a fazer parte do calendário de toda a Arquidiocese de São Paulo.  A atividade ganhou um novo formato e um novo nome, e a Pedalavoc se tornou a Virada Vocacional da Arquidiocese de São Paulo. 

A Virada Vocacional começou às 10h, com missa presidida por Dom José Roberto Palau, referencial da Pastoral Vocacional da Arquidiocese, na Paróquia Nossa Senhora da Saúde. Em seguida, os participantes seguiram em caminhada, levando a réplica da Cruz Peregrina da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e a imagem peregrina de 
Nossa Senhora Aparecida até o Santuário São Judas Tadeu, no Setor Pastoral Imigrantes.

Dom José Roberto pediu para que as pessoas estejam dispostas a rezar e, principalmente, incentivar as vocações sacerdotais e religiosas em nossa Arquidiocese; também recordou a importância do discernimento vocacional no processo de escolha da pessoa que se coloca à disposição ao serviço à Igreja. 

Ao chegarem no Santuário, os participantes foram recebidos pela equipe vocacional “Dehoniana” e por representantes dos movimentos juvenis. Padre José Ronaldo, SCJ, Vigário Paroquial, acolheu a todos e reforçou a importância de celebrar as vocações.

 A réplica da Cruz da JMJ e da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida foram levadas pelas mãos da equipe de coordenação e articulação do Setor Juventude da Região Episcopal Ipiranga e permanecerão durante toda semana no Santuário São Judas Tadeu.

 A proposta de ampliar a maratona tem como princípio despertar nas paróquias a cultura vocacional, convidar à oração por novas vocações e estar mais próximo da juventude. Foi oferecido aos participantes um kit com camisetas que mostrassem a identidade da pastoral vocacional.

(Colaborou Matheus Pereira)
 

 

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Vida consagrada é sinal de esperança em meio às contradições do mundo

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26 de agosto de 2018

No sábado, 18, a Catedral da Sé acolheu os religiosos e religiosas consagrados que vivem e atuam na Arquidiocese de São Paulo para uma missa presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, recordando a vocação à vida religiosa. 

Na homilia, Dom Odilo recordou que o mês vocacional, vivenciado pela Igreja no Brasil, não é apenas ocasião para homenagear os diferentes estados de vida, mas também um mês de reflexão sobre as vocações na Igreja e de oração por elas. “Sem as vocações de especial consagração, a Igreja perde a vitalidade, não consegue dar conta da missão. Nós cremos que Deus continua a chamar, que vê a necessidade da Igreja, do desafio da messe que é grande”, afirmou.

“Certamente, por muitas circunstâncias, hoje está mais difícil ouvir, acolher o chamado de Deus. Talvez até mesmo de falar da vocação. Também faz parte da missão falar sobre as vocações assim como rezar pelas vocações, atendendo ao pedido de Jesus: ‘Pedi ao Senhor da messe que envie operários para a sua messe’”, continuou o Cardeal Scherer. 

O Arcebispo agradeceu a presença dos consagrados não apenas na região central da cidade, como também nas periferias, sobretudo nas várias situações que requerem o testemunho da Igreja. Ele também recordou os religiosos idosos e enfermos que não puderam participar da missa. 

Ao falar sobre a liturgia do dia, da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, Dom Odilo recordou que a Virgem Maria viveu plenamente sua consagração a Deus e a confiança plena na sua palavra e que, por isso, ela é modelo e inspiração para todos aqueles que entregam sua vida à vontade de Deus.

“A vida consagrada é marcada fortemente pelo sinal da esperança no cumprimento pleno da salvação. Sem isso, não teria sentido consagrar-se nesta vida”, acrescentou o Cardeal, convidando os religiosos a renovarem a alegria da consagração a Deus, de viver no meio das contradições do mundo com um olhar que vai “além dos condicionamentos ligados a esta vida”.

 

TESTEMUNHO DE SANTIDADE

Ainda sobre o testemunho dos consagrados na Igreja em São Paulo, Dom Odilo ressaltou que os santos e beatos que viveram na Arquidiocese foram religiosos –São José de Anchieta, Santa Paulina, Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, Beato Mariano de La Mata e Beata Assunta Marchetti – que muito contribuíram para a evangelização. “O chamado à santidade é o primeiro e mais essencial. A vida santa é a nossa vocação e meta comum a partir do Batismo. Chegar à eternidade e viver na glória de Deus, como Maria, requer vida santa”, completou o Arcebispo, reforçando que “o estilo de vida dos cristãos é a santidade”. 

Em nome dos consagrados, o Padre Rubens Pedro Cabral, Diretor do Regional São Paulo da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB-SP), renovou o compromisso dos religiosos na missão evangelizadora em São Paulo, especialmente no caminho sinodal vivido pela Arquidiocese. “Que a vida religiosa continue a ser este sinal benéfico no meio desta cidade confusa e fragmentada”, afirmou.  

 

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A vivência comunitária que nasce da catequese

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25 de agosto de 2018

Em 13 de Julho de 1553, um jovem jesuíta, de apenas 19 anos, chamado José de Anchieta, desembarcou no Brasil, atendendo ao pedido do provincial da Companhia de Jesus, Padre Manoel da Nobrega, que necessitava de mais missionários para catequizar o povo brasileiro. 

O mesmo chamado que ardeu no coração desse santo e o fez viajar por dias até o Brasil, com o objetivo de evangelizar, hoje inspira os catequistas de diversas paróquias e comunidades, que recebem o chamado do próprio Jesus e dedicam sua vida para ensinar o caminho da salvação às crianças, adolescentes, adultos e, enfim, a todos que necessitam. 

 

SER CATEQUISTA

Magali Gayjutz Simões é coordenadora da Pastoral da Catequese de Primeira Eucaristia, em parceria com Hélio Ramos, na Paróquia Bom Jesus dos Passos, na Freguesia do Ó, Região Episcopal Brasilândia. A catequista relatou, em entrevista ao O SÃO PAULO, sua experiência.

“Falar de Jesus e de seus ensinamentos é maravilhoso, apesar de difícil e desafiador nos dias de hoje. Anunciar o amor ao próximo e trabalhar a partilha e o perdão está cada vez mais difícil. Anunciar a Palavra me faz uma pessoa melhor. Poder ajudar na evangelização faz meu amor por Jesus crescer e desejar que todos conheçam esse amor”, afirmou.

Todos os anos os catequistas da comunidade participam das formações promovidas pela Região Episcopal Brasilândia, além dos encontros formativos que são realizados na própria Paróquia. 

 

INTEGRAR NA COMUNIDADE

 Nos últimos dois anos a Pastoral da Catequese passou por uma reformulação e algumas iniciativas foram criadas a fim de aproximar as crianças e os familiares da comunidade. A missa das crianças, realizada todos os sábados de manhã, após os encontros da catequese, é a ação que mais envolve os catequizandos, pois todas as funções litúrgicas como leituras, coleta e ofertório são realizadas pelas crianças.

 “Elas se sentem integradas à comunidade, importantes, respeitadas, e acredito também que essas atividades desenvolvem seu senso de responsabilidade”, concluiu a catequista. 

Um coral foi formado com os catequizandos e jovens que já receberam a Primeira Eucaristia e tem gerado ótimos frutos de perseverança. Outra iniciativa que teve um resultado surpreendente foi o dízimo mirim: por meio de uma pequena contribuição espontânea, as crianças aprendem a importância do gesto para a construção da comunidade. 

A distribuição dos minipães, que são trazidos pelas próprias crianças ao fim da celebração, também incentiva a partilha. Os pais participam da celebração e de encontros mensais promovidos pelos catequistas. No período do Natal, a Pastoral arrecada alimentos e brinquedos que são destinados às crianças carentes. 

 

ACOLHIDOS NAS PASTORAIS 

Além das ações citadas, os 74 catequizandos, com faixa etária de 8 a 13 anos, também são convidados a participar da Pastoral dos Coroinhas, bastante popular na comunidade. Grande parte dos membros deste grupo surgiu por meio de sua participação na catequese. 

A Infância e Adolescência Missionária (IAM) acolhe crianças que já receberam a Primeira Eucaristia e desejam continuar o processo de evangelização por meio de encontros semanais e visitas a orfanatos, instituições que auxiliam crianças carentes e asilos.

Segundo Magali, todas essas ações foram pensadas para integrar as crianças e seus familiares à comunidade. O principal objetivo é mostrar que elas não precisam esperar a fase adulta para se sentir participantes.

“Foi uma forma de tornar a catequese mais dinâmica, mais próxima da realidade, despertar também o amor e o compromisso pela comunidade, e pelo trabalho pastoral na Paróquia”, concluiu. 

 

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Vida consagrada: dom de Deus e da Igreja para o mundo

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19 de agosto de 2018

Sentir-se chamado por Deus e consagrar-lhe a vida é uma das decisões mais importantes que alguém pode tomar. “O que fazer da minha vida? O que Deus quer de mim? ” As indagações iniciais são muitas, numa atmosfera em que enamoramento e luta crucial se entrelaçam, em busca de um ideal a ser atingido. Por fim, o tempo - esse aliado importantíssimo do discernimento - mostra que o amor, acompanhado de abnegada entrega, é sempre a melhor resposta aos questionamentos da existência de cada um. 

É isso que demonstram as histórias de vida de várias pessoas que, atentas ao divino convite que receberam, responderam-lhe positivamente e assumiram sua vocação como uma alegre vivência de fé e testemunho cristão. Trata-se dos chamados à vida consagrada e religiosa, realidade que será retratada por toda a Igreja no próximo domingo, 19, em continuidade às celebrações deste mês vocacional em todo o Brasil. 

“A iniciativa de se utilizar o mês de agosto para valorizar as distintas vocações da Igreja no Brasil foi estabelecida na 19ª Assembleia Geral da CNBB, em 1981. Estamos, portanto, na 37ª edição do mês que enaltece as vocações da Igreja em nosso país”, afirma o Padre Rubens Pedro Cabral, Oblato de Maria Imaculada, e diretor do Regional São Paulo da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), entidade que busca valorizar a vocação à vida religiosa consagrada, ativa ou contemplativa. 

Ele explica que os religiosos compreendem um grande número de pessoas dentro da Igreja Católica em todo o mundo. No Regional São Paulo da CRB, que engloba todo o Estado, são cerca de 9 mil religiosos, sendo que há 238 casas vinculadas às congregações masculinas e 932, às femininas. 

 

TESTEMUNHOS VIVOS

“Venho de uma família pobre e católica da periferia da Zona Sul de São Paulo; Fui batizada, recebi a 1ª comunhão e frequentava a missa aos domingos. Assim cresci, pensando que minha vida seria comum, como a das pessoas ao meu redor. 

Aos 15 anos tive uma forte experiência com a Palavra de Deus, que veio ao meio encontro num momento em que me sentia vazia e triste, mesmo tendo uma vida aparentemente tranquila e feliz.

Por acaso, encontrei um pequeno Evangelho que ganhei na minha 1ª Comunhão, quando tinha 7 anos. Abri na passagem das bem-aventuranças, no capítulo quinto de Mateus e, estranhamente, aquela palavra saciou o meu coração e, em meio às lágrimas, senti uma alegria indizível... Já era Deus se manifestando, mas ainda não tinha consciência disso”, relata Cacilda da Silva Leste, 45 anos, paulistana, missionária e consagrada da Comunidade Missão Belém, cujo carisma é tratar das pessoas envolvidas com drogas ou álcool e em situação de rua. 

 A experiência de Gehilda Cavalcante, de 76 anos, pertencente ao Movimento dos Focolares e da Obra de Maria, é igualmente repleta de significado: 

“Eu sempre me perguntei o que Deus queria de mim, mas não tinha nada claro. Tinha 18 anos quando eu conheci o Movimento dos Focolares e fiquei muito impressionada, desde o primeiro momento quando uma jovem foi apresentá-lo no colégio onde eu estudava. Dizia que este Movimento começou por Chiara Lubich e um grupo de jovens, durante a 2ª Guerra Mundial, na Itália, quando tudo desmoronava. Ali elas entenderam que tudo passa, só Deus permanece e decidiram escolhê -Lo como o tudo de suas vidas. 

“E para amar a Deus é preciso amar o próximo, pois ‘é um mentiroso aquele que diz que ama a Deus, a quem não vê, se não ama o próximo que vê’. Para mim, foi a maior novidade, pois eu pensava que amar a Deus era uma coisa boa, eram as pessoas que atrapalhavam. Cada palavra penetrava profundamente na minha alma: ‘o maior desejo de Jesus está expresso no mandamento novo, Ele veio trazer a unidade e deu tudo de si na cruz para que se realizasse, antes de morrer a pediu ao Pai: ‘Que todos sejam um’”.

 

DISCERNIMENTO

Após um período de insegurança (naturalmente humana) diante do chamado feito por Deus e das contrariedades que a vida apresenta, percorre-se ainda um caminho para discernir o que, de fato, Ele nos pede, como conta Cacilda: 

“O tempo passou, e aos 19 anos perdi meu pai num atropelamento, o que me fez deixar de lado os sonhos e me dedicar à família... Aos 22 anos conheci o grupo de oração ‘Deus Salva’. Nunca tinha visto tantas pessoas felizes juntas, louvando a Deus numa igreja, e O senti mais uma vez falar comigo. Durante a Santa Missa, no momento da comunhão, senti novamente aquela alegria indizível que me atraia profundamente... Comecei a me doar como serva no grupo, recebi a Crisma, começamos a trabalhar na recuperação de jovens drogados e de suas famílias, participava das formações, enfim tudo o que era possível, além do meu trabalho normal e dos cuidados da minha família...”

O mesmo aconteceu na vida de Gehilda, que teve de enfrentar momentos trágicos no âmbito familiar para então perceber a mão de Deus em tudo: dois de seus tios assassinaram um senhor e, em consequência disso, os filhos desse senhor, não encontrando os tios assassinos, que ficaram foragidos, por vingança mataram o seu pai (que na época tinha 36 anos e 7 filhos, sendo ela a mais velha, de apenas 12 anos) e outro tio, ambos inocentes.

“Entendi que minha vida deveria ser pautada no Evangelho, sobretudo na sua essência que é o amor, a ser vivido em família e com cada próximo. No Movimento tive oportunidade de encontrar duas irmãs e um irmão daquela família inimiga, fiz as pazes com eles e continuamos tendo um bom relacionamento. Senti na alma uma grande liberdade e o desejo de doar a minha vida como uma resposta ao amor de Jesus por mim, expresso especialmente na cruz, e de viver pela unidade, a fim de levá-la a toda parte. ”

 

TUDO VALE A PENA!

Cacilda continua a relatar o que seu coração sentia a cada momento: 

“Após o tempo de discernimento, continuei a sentir o forte apelo de Deus em mim. Sentia uma profunda paz interior que me fazia superar todo e qualquer medo ou dúvida que surgia. Em 24 de setembro do ano 2000, comecei minha experiência numa comunidade de vida. Fui para ficar um mês, mas não consegui mais voltar para casa. A vida doada a Deus, aos irmãos e aos pobres me encheu daquela alegria que vi nos irmãos do grupo de oração, que vi nos missionários que conheci, que vi na história de São Francisco: finalmente havia entendido, havia encontrado o sentido da minha existência. Não há nada que pague o sorriso de um pobre! Não existe alegria maior! ” 

Gehilda, por sua vez, partilha da mesma opinião: 

“Eu me sinto feliz, realizada naquele lugar que Deus pensou para mim e experimento o que Jesus prometeu àqueles que deixam tudo por Ele: o cêntuplo nesta terra e a esperança da vida eterna. Encontro em Jesus na cruz a resposta para todos os sofrimentos e experimento a plenitude da alegria que Ele prometeu a quem vive na unidade. A maior alegria é viver num ambiente onde Jesus possa realizar a Sua promessa: ‘Onde dois ou mais estão unidos no meu nome, eu estou no meio deles’. É Jesus, presente espiritualmente entre nós, que dá sentido a toda nossa vida. Por isso, o meu empenho é viver para ser uma resposta ao amor de Jesus na cruz e amar cada um a ponto de o outro se sentir amado e me amar também, existindo assim o amor recíproco, que atrai a presença espiritual de Jesus na comunidade. ”

 

CONSELHOS 

Gehilda, com a certeza de ter feito a opção correta, se dirige àqueles que ainda têm dúvidas em relação à vocação: 

“Eu diria o que Jesus diz no Evangelho: ‘A quem me ama eu me manifestarei’. Quando amamos cada próximo que passa ao nosso lado, sentimos depois a união com Deus e ouvimos melhor a Sua voz que fala no nosso íntimo e diz o que Ele quer de nós. ” 

A opinião de Cacilda não é diferente: “Quando terminou o tempo do meu discernimento, pensei: ‘Se todo jovem tivesse a oportunidade de entender o chamado de Deus e experimentar a alegria que hoje estou sentindo, seria a pessoa mais feliz do mundo! Rezo a Deus para que todo jovem que sente esse apelo interior, tenha a disposição e a coragem de lhe dizer sim. Um sim generoso, como aquele de Maria, a esse Deus de amor, apaixonado por sua criatura e que nada mais deseja a não ser fazê-la feliz! ”

 

(Colaborou Naya Fernandes)
 

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Duas estradas, um só objetivo: servir a Deus por meio da Igreja

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17 de abril de 2018

Até sexta-feira, 20, os bispos do Brasil estão reunidos em Aparecida (SP) para a Assembleia Geral da CNBB, que este ano tem como tema central as “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros”. A meta é atualizá-las às novas orientações da Santa Sé contidas na Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis.

Todo ser humano é chamado por Deus a uma vocação, isto é, cada pessoa é convidada a percorrer um caminho de verdade e de liberdade até chegar a sentir-se profundamente realizada na sua humanidade. Dessa forma, uma vez batizado, todo cristão deve dar uma resposta pessoal à Igreja, por meio da vivência de uma vocação específica: vida matrimonial, vida consagrada, vida laical e vida ordenada (esta inclui o ministério diaconal, sacerdotal e episcopal).

Embora haja diversas trajetórias para se concretizar um chamado à vida ordenada, o ministério sacerdotal apresenta dois matizes: o sacerdócio diocesano (ou secular) e o sacerdócio religioso (aquele vinculado a uma ordem ou congregação religiosa).

Para se ter uma ideia dessas duas realidades, o O SÃO PAULO apresenta um breve relato da história vocacional e da opinião de dois jovens a respeito de suas trajetórias: um deles o Padre Rafael Alves Pereira Vicente, da Arquidiocese de São Paulo; o outro diácono e, em breve, padre, Frei Luís André de Lima Correia, da Ordem dos Servos de Maria (OSM), atualmente em atuação no Acre.

Ambos são expressão de um levantamento recente, realizado pela CNBB, acerca do perfil atual dos padres brasileiros, por meio do qual se concluiu que a maioria dos presbíteros é jovem, diocesana e composta de brasileiros natos (houve uma época em que havia a predominância de estrangeiros). 

Pesquisa da CNBB: Perfil predominante de padres brasileiros é de jovens e diocesanos

 

Padre Rafael Alves Pereira Vicente

Padre Rafael é natural de São Paulo (SP), tem 30 anos e foi ordenado em 2016. O despertar vocacional se deu quando tinha em torno de 6 anos de idade, ocasião em que estava na casa dos avós e foi levado a participar de uma missa da Quinta-feira Santa, numa comunidade da Paróquia Santa Rita de Cássia, no Morro Grande, Região Brasilândia. Ali, ao ver o rito do lava-pés, sentiu, pela primeira vez, o chamado para o ministério sacerdotal.

A opção por ter se tornado sacerdote diocesano é considerada natural pelo Padre Rafael. Ao longo de sua infância e adolescência, teve muito contato com os padres diocesanos, sobretudo os da Região Brasilândia. Assim, os padres que passaram pela paróquia em que foi batizado, a mesma que sua avó frequentava, serviram-lhe de exemplo: à medida que ia crescendo, percebia como esses padres trabalhavam e o que era a vida sacerdotal. Tinha, portanto, na sua maneira de ver, os padres diocesanos como a única forma de ser sacerdote.

Ainda assim, quando estava amadurecendo seu discernimento vocacional, tomou conhecimento da vida dos padres religiosos. “No entanto, não me aprofundei muito nela, até mesmo porque percebia que os carismas próprios de cada congregação, de cada comunidade, não me completavam inteiramente, e isso representou uma das decisões mais certas e concretas da minha vida. Pude perceber que minha vocação não seria como padre religioso, que além da vocação sacerdotal propriamente, possui também a vocação ao carisma específico, próprio da sua congregação e de seus fundadores”, esclarece.

“É claro que a vida do sacerdote religioso e a vida do sacerdote diocesano têm suas diferenças. O que nos iguala é o ministério sacerdotal: uma vez padre diocesano, uma vez padre religioso, padre para sempre! Há características importantes na vida diocesana que considero como vantagens e, ao mesmo tempo, desvantagens: o padre diocesano é mais autônomo, mais independente, um padre que consegue exercer o seu ministério sacerdotal sem a companhia próxima dos seus confrades de congregação, como no caso dos padres religiosos. Há também uma questão importante: os cuidados que a congregação tem para com o seu padre religioso, que é diferente dos cuidados que a diocese tem para com o seu padre diocesano”, explicita.  

Padre Rafael acredita que uma congregação ou ordem, de maneira geral, é muito mais próxima de seu padre religioso do que a diocese é do seu padre diocesano. Segundo ele, isso se nota desde a presença no seminário, a presença no exercício do ministério sacerdotal e, o que lhe chama a atenção, sobretudo nos últimos momentos da vida do padre, quando este é idoso ou está doente, percebe-se que os religiosos têm, às vezes – e na maioria delas –, uma maior assistência por parte da congregação ou ordem. Por outro lado, pelo fato de a vida do padre diocesano ser mais autônoma e, por isso, mais sozinha, esses períodos de solidão, de doença, de velhice, às vezes são períodos que pesam muito a tais padres.

Ainda assim, Padre Rafael reafirma: “Quando se parte do princípio de que aquilo que nos sustenta, aquilo que é, de fato, o mais importante na nossa vida cristã e vocacional, o chamado ao ministério sacerdotal e o carisma específico dele, nada pode ser acrescentado ou retirado. Não existem mais vantagens ou desvantagens: uma vez que temos um carisma, uma vez que temos uma vocação, nos sentimos completos com eles”.

 

Frei Luís André de Lima Correia, OSM

Nascido em Feijó, cidade a 363 quilômetros de Rio Branco, no estado do Acre, Frei Luís André tem 33 anos. A percepção de se sentir chamado por Deus começou muito cedo: quando ainda fazia sua graduação em Sistemas de Informação, em tempo integral, além de algumas disciplinas optativas à noite e o estágio, já se dedicava ao máximo às atividades das paróquias nas quais exercia seu apostolado (Santo Antônio, Santa Cruz e São Peregrino), bem como participava ativamente da Renovação Carismática Católica naquela localidade.

“Contudo, não me sentia satisfeito plenamente, não tanto quanto me sentia ao dedicar-me à pastoral aos domingos, o que me despertava cada vez mais o desejo de uma entrega maior”, pondera.

Frei Luís André destaca que a vivência comunitária e os trabalhos em equipe sempre o encantaram e o levaram a pensar que, se acaso fizesse uma opção de vida mais radical, seria num ambiente assim. “Meu bispo na época pensava que eu ingressaria num seminário diocesano, porém nas visitas e discernimentos que fui fazendo entre os anos de 2004 e 2005, optei pela vida dos Frades Servos de Maria e essa escolha transformou tudo para melhor”, afirma.

O Frei Luís André disse que todos os seus esforços, estudos, atividades e trabalhos eram em vista da edificação pessoal, ainda que houvesse o fator pastoral: o falar bem, o conhecer um pouco de várias coisas e muito de poucas – levando-se em consideração a aptidão pessoal –, a dedicação ao trabalho e o cultivo de um amplo círculo de amizade. Com a vida religiosa, ele pôde perceber a anterior motivação egoística do seu estilo de vida e foi passando do fechamento em si à abertura ao outro, o que se refletiu nas prioridades estabelecidas no campo do conhecimento e das relações interpessoais. Essa transformação toda lhe custou reflexões, adesões e rejeições, as quais resultaram na pessoa que ele afirmar ter se tornado hoje: mais madura e mais consciente de quanto o seu projeto de servir a Igreja expandiu-se nas mãos de Jesus.

Para ele, a opção pela vida religiosa está vinculada à convivência fraterna, presente tanto na formação inicial como na permanente, tornando-se uma possibilidade de testemunho e critério de validade da opção feita, o que, para os frades Servos de Maria, é um dos elementos constitutivos do carisma institucional. Além disso, o caráter missionário – representado nos dois outros elementos do carisma dos frades Servos de Maria, o serviço e a inspiração/espiritualidade mariana – também foi o grande motivador de ser frade nessa expressão.

Frei Luís André também menciona que, com a decisão de optar pela vida religiosa, teve que fazer renúncias, ressignificar seus valores e conceitos para abraçar a escolha que fez e ser feliz nela, buscando fazer também a outras pessoas felizes: “Como todo candidato à vida religiosa, deparei-me com as saídas e conflitos próprios da convivência, o que me incentivava todos os dias a oferecer à minha comunidade e província o melhor de mim”, conclui.

Já são 12 anos de caminhada – período de tempo considerável, em localidades cujas realidades social, econômica, cultural e religiosa são bem diferentes umas das outras, o que proporciona, segundo Frei Luís André, um grande enriquecimento àqueles que o vivenciam, característica comum na preparação dos candidatos à vida religiosa – iniciados com o aspirantado (2006 e 2007) em Rio Branco (AC). Em seguida, vieram o postulantado (de 2008 a 2010) e o pré-noviciado (2011) em Curitiba (PR), o noviciado (2012) em Teresópolis (RJ), o professado (de 2013 a 2016) em São Paulo (SP) e o ano pastoral, no primeiro semestre de 2017 no Rio de Janeiro (RJ), e o segundo semestre, até os dias atuais, em Sena Madureira (AC), em uma comunidade de cunho fortemente pastoral e missionário, à espera da ordenação presbiteral que se aproxima.

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A memória da vocação reaviva a esperança

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30 de agosto de 2017

“A memória da vocação reaviva a esperança”. Com este tema de sua catequese, o Papa Francisco voltou a realizar a Audiência Geral na Praça São Pedro, que esta quarta-feira teve a presença de sacerdotes do Colégio Pio Brasileiro e da equipe da Chapecoense, que na noite de sexta-feira disputará um amistoso no Estádio Olímpico contra o Roma.

"Recordar-se de Jesus, do fogo de amor com o qual um dia concebemos a nossa vida como um projeto de bem e reavivar com esta chama a nossa esperança" é "uma dinâmica fundamental da vida cristã".

O Papa Francisco concentrou sua catequese da Audiência Geral desta quarta-feira – que voltou a ser realizada na Praça São Pedro -na relação entre memória e esperança, com particular referência à memória da vocação.

E para ilustrar isto, usou como exemplo o chamado dos primeiros discípulos de Jesus, uma experiência que ficou de tal forma impressa em suas memórias, que João já idoso chegou até mesmo a precisar a hora: "Eram cerca de 4 horas da tarde".

Após a frase pronunciada às margens do Jordão por João Batista "Eis o Cordeiro de Deus", Jesus ganha dois novos jovens seguidores, a quem pergunta: "Que procurais?".

"Jesus - observou o Papa - aparece nos Evangelhos como um especialista de coração humano. Naquele momento, havia encontrado dois jovens que estavam buscando, com uma saudável inquietude":

"Com efeito, que juventude é uma juventude satisfeita, sem uma busca de sentido? Os jovens que não buscam nada não são jovens, estão aposentados, envelheceram antes do tempo. É triste ver jovens aposentados. E Jesus, em todo o Evangelho, em todos os encontros que lhe acontecem ao longo do caminho, aparece como um "incendiário" dos corações".

Por isso faz a pergunta "o que procurais?", justamente para “fazer emergir o desejo de vida e de felicidade que cada jovem traz dentro”.

Então, Francisco pergunta aos jovens que estão na Praça São Pedro e aqueles que acompanham pela mídia:

“Tu, que és jovem, o que procuras? O que procuras no teu coração?”

E foi assim que começou a vocação de João e de André, dando início a uma amizade com Jesus tão forte, que criou uma comunhão de vida e de paixão com Ele. E esta convivência com Jesus, transformou-os logo em missionários, tanto que seus irmãos Simão e Tiago também passam a seguir Jesus.

"Foi um encontro tão tocante, tão feliz, que os discípulos recordarão para sempre aquele dia que iluminou e orientou a juventude deles", ressaltou o Papa.

Francisco diz a seguir que a própria vocação neste mundo pode ser descoberta de diferentes maneiras, "mas o primeiro indicador é a alegria do encontro com Jesus":

"Matrimônio, vida consagrada, sacerdócio: cada vocação verdadeira inicia com um encontro com Jesus que nos dá alegria e uma esperança nova; e nos conduz, mesmo em meio às provações e dificuldades, a um encontro sempre mais pleno, cresce, aquele encontro, maior, o encontro com Ele e à plenitude da alegria".

O Papa observa então, que "o Senhor não quer homens e mulheres que o sigam de má vontade, sem ter no coração o vento da alegria", perguntando aos presentes: “Vocês, que estão na praça, vocês têm o vento da alegria? Cada um se pergunte: Eu tenho dentro de mim, no coração, o vento da alegria?”:

"Jesus quer pessoas que tenham experimentado que estar com Ele traz uma felicidade imensa, que pode ser renovada a cada dia da vida. Um discípulo do Reino de Deus que não é alegre, não evangeliza este mundo,  é um triste. Nos tornamos pregadores de Jesus, não aperfeiçoando as armas da retórica: tu podes falar, falar, falar, mas se não existe uma outra coisa, como pode se tornar pregador de Jesus? Tendo nos olhos o brilho da verdadeira felicidade. Vemos tantos cristãos, também entre nós, que com os olhos te transmitem a alegria da fé: com os olhos!”.

Por isto o cristão - assim como o fez a Virgem Maria - deve proteger "a chama de seu enamoramento":

"Certamente, existem provações na vida, existem momentos em que é necessário seguir em frente não obstante o frio e os ventos contrários. Porém os cristãos conhecem o caminho que conduz àquele fogo sagrado que os acendeu uma vez para sempre".

O Papa por fim, alerta para não darmos atenção à quem nos tira o entusiasmo e a esperança, mas a sonharmos com um mundo diferente e cultivarmos sãs utopias:

"Mas por favor, recomendo: não demos ouvidos às pessoas desiludidas e infelizes; não escutemos quem recomenda cinicamente para não cultivar esperanças na vida; não confiemos em quem apaga ao nascer cada entusiasmo, dizendo que nenhuma empresa vale o sacrifício de toda uma vida; não escutemos "velhos" de coração que sufocam a euforia juvenil.  Procuremos os velhos que têm os olhos brilhantes de esperança! Cultivemos, pelo contrário, sãs utopias: Deus nos quer capazes de sonhar como Ele e com Ele, enquanto caminhamos bem atentos à realidade. Sonhar um mundo diferente. E se um sonho se apaga, voltar a sonhá-lo de novo, indo com esperança à memória das origens, aquelas brasas que, talvez, depois de uma vida não tão boa, estão escondidas sob as cinzas do primeiro encontro com Jesus". 

Antes de saudar os peregrinos de língua italiana, o Papa Francisco fez um apelo pelo Dia de Oração pelo Cuidado da Criação:

“Depois de amanhã, 1º de setembro, recorre o Dia de Oração pelo cuidado da criação. Nesta ocasião, eu e meu querido irmão Bartolomeu, Patriarca ecumênico de Constantinopla, preparamos juntos uma Mensagem. Nela convidamos todos a assumir uma atitude respeitosa e responsável com a criação. Fazemos, além disto, um apelo àqueles que desempenham papeis influentes, para escutar o grito da terra e o grito  dos pobres, que são os que mais sofrem pelos desequilíbrios ecológicos”.

(JE)

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Catequistas: testemunhas do encontro com Jesus Cristo

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29 de agosto de 2017

No quarto domingo de agosto, 27, a Igreja no Brasil recorda a vocação dos catequistas. Ao falar sobre a missão desses “discípulos-missionários”, em um Simpósio Internacional sobre Catequese, realizado em julho, o Papa Francisco enfatizou que a Catequese não é um trabalho ou uma tarefa externa à pessoa do catequista, mas se “é” catequista e toda a vida gira em torno dessa missão. Para o Pontífice, o catequista deve constantemente regressar àquele primeiro anúncio ou “querígma”, que é o dom que transformou a própria vida.

Nessa mesa ocasião, o Santo Padre estimulou os catequistas a serem criativos, buscando diferentes meios e formas para anunciar Jesus Cristo. “Os meios podem ser diferentes, mas o importante é ter presente o estilo de Jesus, que se adaptava às pessoas que tinha à sua frente. É preciso saber mudar, adaptar-se, para que a mensagem seja mais próxima, mesmo quando é sempre a mesma, porque Deus não muda, mas renova todas as coisas nele”.

Foi o desejo de tornar o anúncio de Jesus Cristo atraente para as crianças que motivou a italiana Sofia Cavalletti, uma pesquisadora da Bíblia, a desenvolver em sua casa, em 1954, a Catequese do Bom Pastor, método que hoje está presente em 37 países, dentre os quais o Brasil, onde o modelo chegou há 16 anos, trazido pela catequista Carmen Tieppo.

Com o auxílio de Gianna Gobbi, pedagoga e discípula de Maria Montessori, fundadora do método montessoriano de educação, Sofia desenvolveu um modelo de Catequese que visa promover o encontro pessoal da criança com a pessoa de Jesus, por meio do trabalho e da oração em um ambiente preparado e adequado à sua faixa etária, denominado “átrio”.

O amigo Jesus

De acordo com o método montessoriano, a infância é dividida em três faixas etárias, de 3 a 6 anos, de 6 a 9 anos e de 9 a 12 anos. Os conteúdos aplicados correspondem a cada nível de aprendizado.

Para as crianças entre 3 e 6 anos, é apresentada a parábola do Bom Pastor e a pessoa de Jesus. Maria Paula Simonsen Coitinho é catequista há 14 anos e atualmente ministra formações para catequistas segundo o modelo Bom Pastor, dentro e fora de São Paulo. Ela explicou ao O SÃO PAULO que o objetivo dessa etapa é despertar no catequizando o encantamento por Jesus como um grande amigo, correspondendo à necessidade de amor própria dessa faixa etária. “A criança pequena é muito essencial, ou seja, ela busca a essência das coisas. Tudo o que é supérfluo ou detalhe não interessa para o pequeno. Ele está na fase do ‘ser’, quem ela é para Jesus e quem Jesus é para ela. A resposta da criança é a alegria por encontrar Cristo e entrar numa relação pessoal com ele”, disse.

As crianças têm contato com os objetos relacionados à missa, como miniaturas do altar e vasos sagrados, para se familiarizarem com a celebração e os demais sacramentos. O único livro usado na Catequese é a Bíblia, para estimular na criança a relação entre a Sagrada Escritura e a liturgia.

“Na fase seguinte, de 6 a 9 anos, a criança já tem uma necessidade moral, porque já recebeu o dom, o amor, agora ela quer responder a esse amor. Então, é introduzida outra série de parábolas que destaca o aspecto moral que a criança tem necessidade, como a parábola da videira e os ramos”, detalhou Maria Paula, ressaltando que a resposta da criança nessa etapa é o desejo de permanecer unida a Jesus. É quando se inicia a preparação para a primeira comunhão.

Após receber a Eucarista, a criança continua a Catequese na etapa seguinte, de 9 a 12 anos, quando já possui uma noção de tempo, consegue se inserir na história, capaz de compreender melhor o Antigo Testamento e a história da salvação. 

Vivência do mistério

São João Paulo II visitou algumas vezes o átrio de Sofia Cavalletti, em Roma, e ficou encantado com a maneira como as crianças contavam as parábolas e explicavam a missa. Esse encantamento das crianças pelo mistério envolve toda a família no processo catequético. “Existe uma vivência, uma experiência de fé. A criança vem com muita alegria para a Catequese”, salientou Maria Paula, que, a partir da sua experiência como catequista na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, no Jardim Paulistano, na zona Sul, relatou que as crianças pedem aos pais para ir à missa porque querem encontrar com o amigo Jesus, o que acaba trazendo a família de volta para a Igreja. Em alguns lugares, os pais inclusive assistem aos encontros de Catequese junto com as crianças. Há muitos casos de os irmãos maiores e até mesmo os pais receberem os sacramentos da iniciação cristã depois de acompanharem as crianças na Catequese.

 Catequista há 50 anos, Maria Cristina Marcondes da Silva, 73, mais conhecida como Tina, conhece o método Bom Pastor há 11 anos, depois de fazer um curso de formação. “Eu considero esse método mais profundo para as crianças, principalmente porque toca mais na dimensão litúrgica e, por isso, se interessam muito mais pela missa por entenderem seu significado”, disse.

Tina explicou à reportagem que na paróquia em que é catequista, a São Benedito, na Vila Sônia, na zona Sul da Capital, há uma constante preocupação de envolver os pais na Catequese, seja nas reuniões periódicas ou nos próprios encontros, para que eles se familiarizam com os conteúdos.

Maria Paula ressaltou que os catequistas são testemunhas do encontro com Cristo. “Nós damos o anúncio, 
o querigma que recebemos, e temos o privilégio de testemunhar quando uma criança encontra Jesus Cristo. O sorriso, o olhar, a alegria. Tudo isso é transbordante”, disse a Catequista, ao relatar o deslumbramento do momento em que uma criança se identifica com a ovelha encontrada pelo Bom Pastor. 

No Brasil

Embora o modelo tenha chegado ao Brasil em 2001, a Catequese do Bom Pastor tem ganhado mais popularidade no País apenas nos últimos dois anos.

Na Arquidiocese de São Paulo, as paróquias São José e Nossa Senhora do Brasil, ambas na Região Episcopal Sé, já possuem átrios em atividade. Outras paróquias estão implantando, como a Paróquia Nossa Senhora Mãe de Jesus, no Jardim Celeste. Em São Paulo, há átrios em paróquias e escolas das dioceses de Santo Amaro, Campo Limpo, Osasco. Estes também existem em Brasília (DF), Cuiabá (MT), Londrina (PR), Fortaleza (CE) e Goiânia (GO). A Congregação das Missionárias da Caridade, fundada por Santa Teresa de Calcutá, está implantando o modelo em todas as suas casas pelo mundo.

Para ser catequista no método Bom Pastor é preciso passar por uma formação de dois anos para cada um dos níveis etários. “Como a demanda tem sido muito grande, estamos realizando cursos intensivos para atender pelo menos a faixa etária dos mais pequenos”, explicou Maria Paula.

Informações sobre a Catequese do Bom Pastor podem ser acessadas pelo site www.catequesebompastor.com.br.
 

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