INTERNACIONAL

Somália

Vivendo a fé escondido

Por Filipe David
10 de março de 2018

Os somalis católicos não têm assistência espiritual, porque, como vivem a fé escondido, é muito perigoso trazer um padre para ouvir confissões ou celebrar a missa

Reprodução de Internet

Em Mogadíscio, vive uma pequena comunidade de cristãos somalis, composta por cerca de 30 pessoas idosas. Elas vivem sua fé escondidos, por medo da perseguição islâmica. O Padre Stefano Tollu, Capelão Militar Italiano, pôde entrar em contato com uma delas recentemente:

“Eu pude encontrar Moisés [nome fictício]”, disse o Sacerdote. “Ele é um cristão que cresceu no Protetorado Italiano e depois na Somália independente, ainda muito apegado ao nosso País. Muitos o consideram o porta-voz dos somalis católicos. Ele define sua comunidade como ameaçada de extinção”, contou.

Durante séculos, uma linha mais tolerante do Islã conviveu na região com outras religiões. Nos últimos 20 anos, no entanto, o Islã praticado na região tornou-se extremista e violento, com a chegada de grupos como Al Shabaab (filiada ao grupo terrorista Al-Qaeda) e, mais recentemente, o Estado Islâmico.

“Moisés me disse que os que nasceram nos anos 90 se tornaram intolerantes e não compreendem seus anciãos que professam a fé cristã. Por isso, os anciãos fogem de seus filhos e netos. Alguns foram mortos pelos filhos de seus filhos”, disse o Padre Stefano.

Os somalis católicos não têm assistência espiritual, porque é muito perigoso trazer um padre para ouvir confissões ou celebrar a missa. “Eu espero que, no futuro, quando o País se livrar da infiltração terrorista, será possível recriar as condições mínimas para uma presença cristã na cidade”, concluiu o Sacerdote.

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