Dia mundial da prematuridade: pela assistência adequada e proteção à vida

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18 de novembro de 2019

No dia em que a menina nasceu, a m ãe a guardou em seus braços muito rapidamente, tão de pressa quanto o tempo em que pode protegê-la em seu próprio corpo. Passadas 24 horas, os passos entre seu quarto e a UTI Neonatal pareciam infinitos. Ao entrar, viu que quem a protegia já não era o seu calor, mas, incomutáveis fios presos a uma incubadora fria de onde ecoava um barulho desesperador demais para uma mãe que sonhou com uma chegada completamente diferente para a primeira filha. Seus corpos já não eram mais naquele momento apenas um, mas seu coração chorava a cada novo remédio. Cada agulha que transpassava a pele da filha era capaz de perfurar a alma da mãe.

Os momentos descritos por Bárbara Lis Machado, 26, foram vivenciados por 15 dias, período em que sua primeira filha, Maria Luiza Machado Nogueira, permaneceu internada na UTI Neonatal de um hospital em Lisboa, Portugal, após nascer de um parto prematuro com 35 semanas de gestação.

A mãe de Malu (como a menina é chamada) contou ao O SÃO PAULO que todos os dias de internação são imensamente difíceis, isso pela dor de acompanhar os procedimentos médicos, o fato de não poder ter nos braços a filha e por presenciar a mesma agonia também em outras famílias.

ACREDITAR NA VIDA

A gestação de Bárbara foi bastante conturbada. Durante o pré-natal, também realizado em Lisboa, os pais de Malu receberam um falso diagnóstico – os médicos disseram que a menina nasceria com má formação no rosto e, por isso, não teria nariz, e que possuía síndrome de Down.

Bárbara recordou, ainda, que por este diagnóstico errôneo, o esposo e ela foram orientados pelos médicos a interromper a gravidez aos 5 meses: “Foi um misto de sentimentos: revolta, indignação e sensação de descaso. Meu maior sonho era ser mãe. Meu marido e eu já tentávamos há tempos, a gravidez foi muito planejada, por isso, eu aceitaria minha filha do jeito que nascesse”.

Foi descoberto, posteriormente, que a menina, na verdade, estava sentada sobre o cordão umbilical, provocando um coágulo que impedia a passagem de alimentos, resultando em uma restrição de crescimento fetal (RCIU).

“Eu permaneci internada por 30 dias, tomando bombas calóricas para que, ao menos, o mínimo chegasse a ela, mais 15 mil calorias diariamente, sempre monitorada, injeções anticoagulantes (fármacos usados para prevenir a formação de trombos sanguíneos) eram aplicadas na minha barriga todos os dias, e quatro doses de injeção de corticóides para o amadurecimento dos pulmões dela, até a Malu nascer”, rememorou Bárbara.

PEQUENA GUERREIRA

Malu, que hoje tem 4 anos, nasceu de parto cesariana, pois, tanto ela quanto a mãe correriam risco de vida devido aos coágulos. Mesmo diante das complicações ao longo da gestação e do nascimento prematuro, Malu permaneceu internada apenas para ganhar peso e não desenvolveu sequelas graves, como se previa por seu quadro gestacional.

As únicas complicações da menina foram o atraso para aprender a andar e falar e uma fraqueza muscular nas pernas. Um dos motivos para isso, segundo Bárbara, foi a falta de fisioterapia - realizada em todos os casos de nascido prematuros no Brasil, mas não oferecida em Portugal. Esses fatores, entretanto, vêm sendo regredidos com a realização de fisioterapia e fonoaudiologia.

PROMOÇÃO DA VIDA

De acordo com um relatório organizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado em dezembro de 2018, cerca de 30 milhões de bebês nascem prematuros, com baixo peso ou adoecem logo nos primeiros dias de vida, anualmente. No Brasil, 10% dos bebês nascem antes do tempo.

Essa realidade fez com que, em 2008, fosse instituído “O Dia Mundial da Prematuridade”, celebrado em 17 de novembro, com o objetivo de promover ações que colaborem para essa taxa seja diminuída.

A data foi implantada pela European Foundation for the Care of Newborn Infants (Fundação Europeia para o Cuidado dos Recém-Nascido) e, posteriormente, por outras organizações internacionais.

Em 2019, o tema global da data é “Nascido cedo demais: prestando os cuidados certos, na hora certa, no lugar certo”.

TOMADA DE CONSCIÊNCIA

É considerado um parto prematuro quando o bebê nasce com menos de 37 semanas de gestação. Maria Augusta Bento Cocaroni Gibelli, médica neonatologista e diretora da UTI Neonatal do Hospital das Clínicas, explicou que existem categorias que deliberam quais os cuidados necessários que esses recém-nascidos precisarão.

Crianças nascidas entre 34 e 36 semanas entram na categoria dos prematuros tardios. Neste caso, o tempo de internação será um pouco maior do que os que nascem com 37 semanas completas, devido às dificuldades para a amamentação.

Já os prematuros com menos de 34 semanas precisarão de cuidados específicos, por meio de uma equipe multidisciplinar, pois além da dificuldade na amamentação, apresentam problemas no sistema respiratório. O mesmo ocorre com o grupo de prematuros extremos, aqueles que nascem entre 24 e 26 semanas.

A neonatologista disse sequelas como doença pulmonar, devido ao alto volume de oxigênio recebido (acontece quando o bebê poderá necessitar de assistência até os dois anos de vida) e a hemorragia ucraniana, responsável por provocar paralisia cerebral e problemas visuais e auditivos são os mais comuns.

Para evitar o parto prematuro, é necessário que a mães realizem regulamente o pré-natal, capaz de detectar fatores de risco como hipertensão e diabetes. Quando não for possível evitar o nascimento antes das 37 semanas, muito comuns em gestações de gêmeos, trigêmeos e quadrigêmeos, a médica aconselhou que a família procure uma maternidade que tenha referência em UTI Neonatal.

Em São Paulo, as maternidades de referência destacadas pela neonatologista são o Hospital das Clínicas, a Santa Casa de Misericórdia, Hospital Universitário, Escola Paulista de Medicina, Maternidade da Vila Nova Cachoeirinha, Maternidade de Interlagos e Maternidade Leonor Mendes de Barros.

DOAÇÃO DE AMOR

Na Dinamarca, em 2013, um pai se sentiu incomodado ao ver seu filho prematuro sozinho na incubadora. Após algumas pesquisas, costurou um polvo de crochê afim de presenteá-lo e para que o bebê tivesse naquele pequeno espaço físico uma companhia.

A equipe médica autorizou e percebeu que o quadro clínico do recém-nascido progrediu, com a presença do polvo. Os médicos pediram a ele que outros polvos fossem costurados e entregues a todos os bebês internados. O fato fez surgir o projeto “Octo”.

Quatro anos mais tarde, em 2017, Luciana Trentin soube da iniciativa, entrou em contato com o grupo da Dinamarca para mais informações e formou no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro, a “Octo Brasil”.

Ela, que atua como coordenadora, enfatizou que todo o trabalho é feito de forma independente, o que permite que cada estado implante o projeto em sua localidade. O grupo do Rio de Janeiro contribuiu com a formação sobre os critérios e padrões para a produção dos polvos.

Nada do que é feito pelos voluntários tem qualquer valor financeiro e nada é vendido, o princípio fundamental do serviço é a doação.

COMPANHIA QUE SALVA

Na capital fluminense, 19 hospitais foram contemplados com os polvos e até junho deste ano, já foram doados 840 kits, costurados pelas mãos de 99 voluntários.

Luciana esclareceu que a confecção do polvo deve ser feita com linha de algodão, esterilizado, os tentáculos não podem ultrapassar 22 centímetros, os pontos devem estar bem fechados e todos os detalhes devem ser costurados, nunca colados.

 O grupo se reúne todo segundo sábado de cada mês para entrega dos polvos produzidos e dos materiais para novas confecções. E este ano, foi convidado pela Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro para atender todos os hospitais do Estado.

“O projeto não ajuda somente o bebê. As pessoas acham que o polvo é só um brinquedo, mas ele ajuda para que o prematuro não puxe os fios dos aparelhos, que fique mais calmo e, com isso, ganhe peso mais rápido, diminuindo inclusive o tempo de fitoterapia. A família se sente mais acolhida também, nós temos muitos relatos de mães e pais dizendo que se sentem mais tranquilos em saber que o filho não está mais sozinho na incubadora. É uma corrente do bem”, concluiu Luciana.

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Uma vida dedicada à Palavra: Ana Flora Anderson

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05 de março de 2019

Em frente à casa de Ana Flora Anderson, um pé de café transplantado de Cristina (MG) exibe cachos carregados de frutos que devem amadurecer em junho. Mesmo mês em que, em 1935, nascia Florence Mary Anderson, em Nova York, nos Estados Unidos. Aos 22 anos, Florence veio para o Brasil para estudar na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), da USP, que ela soube, ainda nos Estados Unidos, ser uma das melhores universidades da América Latina. Ana teve aulas com, entre outros, Sérgio Buarque de Holanda, historiador.

A imagem do pé de café é uma metáfora da vida de Florence, que no Brasil mudou, não somente de nome, mas a orientação da própria vida. “Eu senti que as pessoas, sobretudo os jovens daqui, contavam comigo. Que havia um movimento muito bonito se formando. Eles tinham um sonho para o Brasil e me envolveram neste sonho. Então, escrevi à minha mãe dizendo que ia ficar, porque precisava ajudar a construir este sonho”, disse Ana Flora.

Quando terminou, após dois anos, sua pós-graduação na USP, Ana foi convidada a estudar Teologia Bíblica e, alguns anos depois, ganhou uma bolsa na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa, em Jerusalém (Israel), mediante intermédio da Ordem dos Pregadores de São Domingos e uma carta de apresentação do Cardeal Agnelo Rossi, então Arcebispo de São Paulo. O mesmo Cardeal Rossi nomearia, anos mais tarde, Ana Flora como a primeira mulher a dar aulas de Teologia no Seminário Central do Estado de São Paulo, que à época reunia estudantes de todo o Estado.

 

REGRESSO

Quando regressou ao Brasil, na década de 1970, o País estava sob a ditadura civilmilitar e muitas pessoas que estudaram ou trabalharam com Ana Flora tinham deixado a nação ou viam-se frente a um regime sob o qual muitos dos projetos anteriores pareciam ruir. Por outro lado, diante de um contexto pós-Concílio Vaticano II, a Arquidiocese de São Paulo pensava em projetos de formação bíblica para as comunidades e, assim, ao lado de Frei Gilberto da Silva Gorgulho, OP, com quem Ana Flora já havia realizado cursos antes de partir para Jerusalém, ela começou um projeto de formação bíblica em São Paulo.

“A experiência nas comunidades mudou novamente minha vida. Eu compreendi que precisava ensinar a Bíblia de uma forma nova, e até mesmo minha metodologia para lecionar na faculdade se transformou”, contou Ana Flora.

Filha de Eleonor e Francis Anderson, Ana Flora viu-se imersa numa experiência que, como ela mesma disse, não imaginava que fosse durar 60 anos: a de pesquisar, escrever e ensinar a Bíblia. Foram mais de 30 anos no magistério, tendo sido professora de muitos seminaristas, padres e leigos, além de ter sido responsável por cursos bíblicos e palestras em todo o Brasil.

“No início, quando eu lecionava no Seminário Central de São Paulo, recebíamos somente uma ajuda de custo. Só depois, quando se fundou as Faculdades Associadas Ipiranga (FAI) – hoje Centro Universitário Assunção (Unifai), comecei a receber salário”, contou Ana Flora, que, devido à falta de recursos financeiros, ficou muitos anos sem rever os pais, até que universidades e instituições dos Estados Unidos começaram a convidá-la para palestras e conferências e, assim, ela aproveitava as viagens para visitar a família. “Costumo dizer que, por meio da ação do Espírito Santo, estive presente quando morreram tanto meu pai quanto minha mãe, e isso considero um presente, uma graça de Deus”, disse.

 

MISSIONÁRIA DA PALAVRA

Ana Flora afirma que aprendeu muito com outros professores que tiveram grande influência em sua trajetória. Frei Carlos Josaphat, OP, foi um deles. Mas, acima de tudo, Ana destaca a força do povo e das pessoas que, ainda hoje, continuam um trabalho de evangelização e de estudo da Palavra de Deus nas comunidades. “Quando Dom Paulo Evaristo Arns completou 90 anos, eu fui à Catedral da Sé para participar da celebração e cheguei bem cedo. Um jovem veio me dizer que uma senhora, grande missionária de Osasco (SP), que participava dos cursos bíblicos, havia morrido aos 90 anos de idade. Comecei a chorar. Então, Maria Angela Borsoi [que foi por muitos anos secretária de Dom Paulo, amiga e companheira de Ana Flora] chegou e perguntou-me porque eu estava chorando se era um dia de festa. Foi um momento forte para mim, de celebração, alegria e despedida”, recordou.

“Lembro-me de que Santo Dias da Silva participava ativamente de um curso bíblico na Região Metropolitana de São Paulo. Na ocasião, cada participante ficou responsável por apresentar um tema. Santo Dias iria falar sobre a oração do Pai-Nosso e estava muitíssimo nervoso. Durante toda a sua fala, eu fiquei sorrindo e acenando com a cabeça para que ele sentisse segurança. Algum tempo depois, ele morreu, e aquela experiência também me fez refletir muito. Eu o ajudei a compreender melhor a Palavra e ele, por sua vez, me ensinou o que significa dar a vida por uma causa”, contou Ana Flora, que é autora de muitos livros, entre eles os comentários dos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas e do Livro do Apocalipse, publicados pelas Paulinas.

Além disso, Ana Flora assinou, por mais de 40 anos, com Frei Gorgulho, os comentários bíblicos do O SÃO PAULO, semanário da Arquidiocese. Em 2017, Ana Flora foi contemplada com a Medalha São Paulo, da Arquidiocese de São Paulo, por sua ação missionária.

A tradução da Bíblia de Jerusalém, publicada pela Paulus em 1981, também é fruto do trabalho de Ana Flora e Frei Gorgulho, com a contribuição de um grupo de biblistas, exegetas e teólogos que se reuniam frequentemente no Rio de Janeiro ou em São Paulo.

 

FORÇA FEMININA

Em sua biblioteca, que fica no escritório anexo à casa em que mora, na zona Oeste de São Paulo, Ana Flora conserva um grande acervo com livros sobre estudos bíblicos e teológicos, grande parte em Inglês. Recentemente, ela doou cerca de 2 mil livros para as bibliotecas de São Paulo.

Feita de palavras, experiências e memórias, Ana Flora, que chegou ao Brasil no dia 16 de fevereiro de 1959, conserva em sua casa fotografias de pessoas queridas, de lembranças e lugares pelos quais passou. Na mesinha de madeira, na entrada da casa, um quadro com uma letra hebraica pintada em azul chama atenção de quem chega.

“Durante um curso em Belo Horizonte (MG), quando eu falava sobre o livro do Cântico dos Cânticos e a expressão ‘ahavá’, que significa ‘o amor é forte como a morte’ (Ct 8,6); os participantes mandaram fazer um pingente dourado e me deram de presente no último dia. Então, sempre que eu ia falar sobre o tema, mostrava o presente. Um dia, um aluno que voltou de Jerusalém trouxe-me este quadro e, recentemente, numa palestra de que participei na PUC-SP, alguém quis me apresentar uma religiosa da Congregação de Sion, que também estudou em Jerusalém. Eu mostrei a ela a minha medalha e foi a primeira vez que alguém soube me dizer o significado. Fiquei feliz e a abracei. Cheguei à minha casa e pensei: agora já posso me aposentar”, disse, sorrindo Ana Flora Anderson.

 

 

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Defender a vida em todas as etapas e condições

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07 de fevereiro de 2019

Agradecendo aos membros do conselho diretor do Movimento pela Vida italiano, em audiência no sábado, 2, o Papa Francisco destacou que é preciso defender a vida em todas as suas etapas, do início ao fim, mas também exigir o mínimo de dignidade para que se desenvolva. “É preciso dar atenção também às condições de vida: a saúde, a educação, as oportunidades de trabalho, e assim por diante”, disse.

Nas palavras do Pontífice, a defesa da vida se cumpre com uma “multiplicidade de ações, atenções e iniciativas”. Não se trata somente de algumas pessoas ou âmbitos profissionais, mas também todos os cidadãos.

Criticando o fato de que frequentemente a vida é tratada como um bem de consumo, a ser usado e descartado, ele acrescentou: “Onde há vida há esperança! Mas se a própria vida é violada no seu surgimento, o que permanece não é mais a acolhida grata e admirada com o dom, mas um cálculo frio de quanto temos e do que podemos usar”.

 

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Centenas de milhares marcham pela vida

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28 de janeiro de 2019

Centenas de milhares de pessoas enfrentaram o frio do inverno de Washington (próximo de zero grau) na sextafeira, 18, para a marcha anual pela vida. Desde a decisão da Suprema Corte, em janeiro de 1973, que liberou a prática do aborto no País até os 9 meses de gravidez, todos os anos, manifestantes pró- -vida se reúnem na Capital Americana para protestar e pedir o respeito à vida dos bebês nascituros.

A marcha começou pouco depois da celebração de uma missa na Basílica da Imaculada Conceição, celebrada pelo Núncio Apostólico nos Estados Unidos, Dom Christophe Pierre, que explicou aos fiéis que eles contribuem para a “renovação da sociedade americana”. Já o Arcebispo de Kansas City, Dom Joseph Naumann, afirmou na abertura da vigília que antecedeu a marcha, na quinta- -feira à noite, 17: “A ética pró-vida nos desafia a nos importar com a sacralidade de cada ser humano em todo o espectro da vida. Somos chamados sempre e em todo lugar a promover a dignidade da pessoa humana”.

Participaram da marcha inúmeros sacerdotes e religiosos, famílias e professores. Embora a maioria dos participantes seja cristã, também havia grupos de pessoas sem religião, bem como democratas que defendem o direito à vida.

O vice-presidente, Mike Pence, esteve na marcha e o presidente Donald Trump enviou uma mensagem, na qual, referindo-se ao movimento pró-vida, afirma que “esse é um movimento fundado no amor e enraizado na nobreza e dignidade de cada vida humana”. O presidente também afirmou que continuará a fazer tudo ao seu alcance para proteger “o primeiro direito da declaração de independência, o direito à vida”, inclusive vetar qualquer projeto que prejudique ou reduza a “proteção à vida humana”. Já Mike Pence disse: “Estamos aqui porque acreditamos, como os nossos pais fundadores, que todos nós, nascidos e nascituros, recebemos de nosso Criador certos direitos inalienáveis, e o primeiro desses direitos é o direito à vida”.

Na manifestação, uma senhora, Claudia Turcott, carregava um cartaz que dizia: “25 anos atrás, eu pensei que o aborto era a única saída, mas finalmente saí daquela clínica com o meu bebê naquele dia”. Ao seu lado, sua filha, Taylor Turcott, tinha um cartaz que dizia: “1994: eu sobrevivi a hora marcada para o aborto pela minha mãe”.

Já o pai de família John Moore, que tem seis filhos, fez uma longa peregrinação para chegar a Washington. Foram 4,5 mil quilômetros percorridos a pé desde abril de 2018, quando iniciou sua caminhada, carregando uma cruz: “Em São Francisco, muitas pessoas gritavam vulgaridades para o meu pai e muito perto dele. Ele sabia que o mal ia chegar, por isso quando essas coisas aconteciam, ele se calava e continuava caminhando. Quando saímos da cidade, ele recebeu apoio”, contou Laura, filha de John, que o acompanhou com um carro para lhe prestar assistência, dando-lhe água e comida.

Na França, a marcha pela vida foi realizada em Paris, no domingo, 20. Segundo os organizadores, participaram aproximadamente 50 mil pessoas. O aborto é legal na França até o 3º mês de gravidez. O termo “aborto”, considerado muito chocante, é sistematicamente evitado pelos defensores da prática – e mesmo pela sociedade em geral – que preferem utilizar eufemisticamente a expressão “interrupção voluntária de gravidez”, ou IVG. Além do direito à vida, outras questões de bioética também estavam na pauta dos manifestantes, como a difusão da “PMA”, ou procriação medicamente assistida, com o uso de técnicas como a fertilização in vitro, que implica o congelamento e eventual descarte de inúmeros embriões humanos.

Fontes: ACI/ CNA/ Life Site News/ Valeurs Actuelles
 

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Papa aprova nova resposta sobre casos de histerectomia

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03 de janeiro de 2019

O Papa Francisco, em audiência concedida ao prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Luis Francisco Ladaria Ferrer, aprovou e ordenou a publicação de resposta a uma dúvida sobre a licitude da histerectomia em casos específicos. A nota, divulgada nesta quinta-feira (3), é datada de 10 de dezembro de 2018.

A dúvida faz referência a casos extremos sobre a retirada do útero recentemente submetidos à Congregação para a Doutrina da Fé e que constituem uma situação diferente da questão pela qual foi dada resposta negativa em 31 de julho de 1993. De fato, naquela oportunidade, foram publicadas as Respostas às dúvidas propostas sobre o ‘isolamento uterino’.

Segundo a nota divulgada agora, a publicação da década de 90 permanece válida ao considerar “moralmente lícita a retirada do útero (histerectomia) quando o mesmo constitui um grave perigo atual para a vida ou a saúde da mãe” e ilícita “enquanto modalidade de esterilização direta a retirada do útero e a laqueadura das trompas (isolamento uterino), quando feitas com o propósito de tornar impossível uma eventual gravidez que pode comportar algum risco para a mãe”.  

Novos casos de histerectomia submetidos à Santa Sé

A nota da Congregação explica que, nos últimos anos, “alguns casos bem circunstanciados referentes à histerectomia foram submetidos à Santa Sé” sobre situações em que a procriação não é possível. A nova dúvida com a sua resposta, então, completam aquelas já publicadas no ano de 1993.

Dúvida: É lícito retirar o útero (histerectomia) quando o mesmo encontra-se irreversivelmente em um estado tal de não poder ser mais idonêo à procriação, tendo os médicos especialistas chegado à certeza de que uma eventual gravidez levará a um aborto espontâneo antes da viabilidade fetal?

Resposta: Sim, porque não se trata de esterilização.

Casos de histerectomia moralmente lícitos

O diferencial da atual questão “é a certeza alcançada pelos médicos especialistas” de que, em caso de gravidez, ela seria interrompida espontaneamente antes que o feto chegasse ao estado de viabilidade. Do ponto de vista moral, enfatiza a nota, “deve-se exigir que seja alcançado o grau máximo de certeza possível pela medicina” nessa questão. A nota esclarece ainda que “não se trata de dificuldade ou de riscos de maior ou menor importância, mas da impossibilidade de procriar de um casal”.

Além disso, “a resposta à dúvida não diz que a decisão de praticar a histerectomia é sempre a melhor”, mas que é moralmente lícita apenas sob as condições mencionadas sem, portanto, “excluir outras opções (por exemplo, recorrer a períodos inférteis ou  à abstinência total)”. Cabe aos cônjuges, acrescenta a nota, em diálogo com os médicos e com o diretor espiritual, “escolher o caminho a seguir, aplicando ao próprio caso e às circunstâncias os critérios graduais normais da intervenção médica”.

A esterilização ilícita que rejeita a prole

No caso contemplado na publicação da nova resposta, os órgãos reprodutivos “não são capazes de realizar sua função procriadora natural”, o que significa que dar à luz a um feto vivo não é biologicamente possível. Portanto, “se está diante não somente de um funcionamento imperfeito ou arriscado dos órgãos reprodutivos, mas de uma situação na qual o propósito natural de dar à luz a uma prole viva não é possível”. Diferente do objeto próprio da esterilização que “é o impedimento da função dos órgãos reprodutivos, enquanto a malícia da esterilização consiste na rejeição da prole: é um ato contra o bonum prolis”, esclarece a nota.

A intervenção médica, na atual questão, “não pode ser julgada como antiprocriativa”. A nota sublinha, assim, que “retirar um sistema reprodutivo incapaz de levar adiante uma gravidez não pode ser qualificado como esterilização direta, que é e permanece intrinsecamente ilícita como fim e meio”.

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Grupos em defesa da vida realizam manifestação em São Paulo

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10 de dezembro de 2018

A Avenida Paulista, cartão postal da cidade de São Paulo, foi palco de uma manifestação em defesa das vidas das mulheres gestantes e dos bebês em seus ventres, no domingo, 2. Promovido pelo Movimento Brasil pela Vida, o ato reuniu diversas organizações da sociedade e de diferentes confissões religiosas que lutam contra as tentativas de descriminalização do aborto no Brasil.

Com o slogan “Salvemos as duas vidas”, a manifestação foi motivada pela discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 422/2017, que propõe a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação.

Os grupos pró-vida defendem que as questões sobre a proibição do aborto sejam discutidas apenas na esfera legislativa. Por isso, pedem aprovação do Projeto de Lei 4754/2016, em tramitação na Câmara dos Deputados, que visa a tipificar como crime de responsabilidade dos Ministros do STF a usurpação de competência dos poderes Legislativo ou Executivo.

 

EM DEFESA DA MULHER

Além da mobilação contra a legalização do aborto, a manifestação deu destaque às várias iniciativas que oferecem assistência a mulheres que enfrentam gravidezes inesperadas e eventualmente pensem em interrompê-las por falta de amparo. Uma dessas organizações é o Centro de Reestruturação para a Vida (Cervi), que realiza esse trabalho há 18 anos com uma equipe multidisciplinar que auxilia essas mulheres, muitas delas vítimas de abuso sexual, violência doméstica ou que tenham passado pela experiência do aborto. Nestes 18 anos, a entidade atendeu cerca de 19 mil mulheres. 

“As mulheres que nos procuram passam por uma triagem e são conscientizadas a respeito da gravidade do aborto e o impacto que podem causar na sua vida. Não basta dizer a elas para não abortar, é preciso dar acolhimento. Elas passam a gestação inteira conosco, sendo acompanhadas por assistentes sociais, psicólogos, além de trabalharmos com suas famílias”, explicou Regina Giuliani, coordenadora do Cervi.

 

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Audiência Geral: Deus é amante da vida. Não desprezá-la

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10 de outubro de 2018

O Papa Francisco se reuniu com milhares de fiéis e peregrinos na Praça São Pedro para a tradicional Audiência Geral das quartas-feiras.

O Pontífice prosseguiu seu ciclo sobre os Mandamentos, falando hoje sobre a Quinta Palavra: não matar.

“Este mandamento, com a sua formulação concisa e categórica, é como uma muralha em defesa do valor basilar das relações humanas: o valor da vida.”

Desprezo

Para Francisco, poderia-se dizer que todo o mal existente no mundo se resume no desprezo pela vida. “A vida é agredida pelas guerras, pelas organizações que exploram o homem, pelas especulações sobre a criação e pela cultura do descarte, e por todos os sistemas que submetem a existência humana a cálculos de oportunidades, enquanto um número escandaloso de pessoas vive num estado indigno do homem.”

Aborto

Neste contexto, o Papa citou também o aborto, praticado no ventre materno em nome da salvaguarda de outros direitos. “Mas como pode ser terapêutico, civil ou simplesmente humano um ato que suprime a vida inocente e inerme no seu germinar? É justo tirar uma vida humana para resolver um problema? É justo alugar um assassino para resolver um problema? ”

Acolhimento: desafio ao individualismo

A violência e a rejeição da vida nascem do medo, afirmou Francisco. “O acolhimento, de fato, é um desafio ao individualismo.” Quando os pais descobrem que o filho é portador de deficiência, logo recebem conselhos para interromper a gravidez, quando na verdade eles necessitam de verdadeira proximidade.

Uma criança doente, um idoso ou os pobres são, na realidade, um dom de Deus, que podem me tirar do egocentrismo e fazer-me crescer no amor. A este ponto, o Papa agradeceu aos muitos voluntários italianos, “o mais forte voluntariado que conheci”.

Amor, única medida autêntica

O homem rejeita a vida quando aposta nos ídolos do mundo: no dinheiro, no poder e no sucesso. “Estes são parâmetros errados para avaliar a vida. A única medida autêntica é o amor, o amor com o qual Deus a ama!”

De fato, explicou o Papa, o sentido positivo da Palavra “não matar” é que Deus é “amante da vida”. Ama a vida a ponto de dar o seu Filho unigênito, que assumiu sobre a cruz a rejeição, a fraqueza, a pobreza e a dor.

“Em cada criança doente, em cada idoso fraco, em cada migrante desesperado, em cada vida frágil e ameaçada, Cristo está nos buscando, está buscando o nosso coração para desfechar a alegria do amor.”

Homem, obra de Deus

Vale a pena acolher cada vida, concluiu o Papa, porque cada homem vale o sangue de Cristo. “Não se pode desprezar aquilo que Deus tanto amou!"

Não se pode desprezar a vida dos outros nem a própria vida, disse ainda Francisco, em referência aos inúmeros jovens que optaram pelo suicídio. “Pare de rejeitar a obra de Deus! Você é uma obra de Deus! Não se despreze com as dependências.”

“Deus é amante da vida”, disse por fim o Papa, convidando todos os fiéis na Praça a repetirem esta frase com ele.

Oração do Terço

No final da audiência, o Papa recordou que o mês de outubro è dedicado às missões e à oração do Terço.

“Caríssimos, rezando o Terço, invoquem a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria sobre suas necessidades e sobre a Igreja, para que possa ser sempre mais santa e missionária, unida em percorrer as estradas do mundo e concorde em levar Cristo a cada homem.

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Como posso descobrir a minha vocação?

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28 de março de 2017

Certo autor russo fala de um homem que, por estar sofrendo uma crise interior, decidiu passar uns dias em silêncio em um mosteiro. Chegando lá, atribuíram-lhe um quarto e colocaram na porta um pequeno letreiro com o seu nome.

Durante a noite, como não conseguisse conciliar o sono, decidiu dar um passeio pelo imponente edifício do claustro. À sua volta, reparou que não havia luz suficiente no corredor para ler o nome do letreiro que havia na porta de cada dormitório. Percorria o corredor, mas todas as portas pareciam-lhe iguais. Para não despertar os monges, passou a noite inteira dando voltas no enorme e escuro corredor.

Com a primeira luz do amanhecer, finalmente conseguiu distinguir a porta do seu quarto, diante da qual havia passado tantas vezes, sem conseguir reconhecê-la. Aquele homem pensou que todo o seu deambular daquela noite era uma figura do que acontece com frequência em nossas vidas: passamos muitas vezes diante da porta que conduz ao caminho para o qual estamos chamados, mas nos falta luz para vê-lo.

Saber qual é a nossa missão na vida é a questão mais importante que devemos resolver. A vocação é o encontro com a verdade sobre nós mesmos. Um encontro que proporciona uma inspiração básica na vida, da qual nasce o compromisso, a missão principal de cada um e em que se percebe os planos de Deus para a própria vida.

O Papa Francisco falou disso aos jovens durante a JMJ em julho de 2013: “Deus chama para escolhas definitivas, Ele tem um projeto para cada um: descobri-lo, responder à própria vocação significa caminhar na direção da realização jubilosa de si mesmo. A todos Deus nos chama à santidade, a viver a sua vida, mas tem um caminho para cada um.” Essa proposta do Papa contrasta com a mentalidade do nosso tempo, a chamada cultura do provisório: tendência a não se prender a nada, a não se comprometer nunca. “Na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é “curtir” o momento, que não vale a pena comprometer-se por toda a vida, fazer escolhas definitivas, “para sempre”, uma vez que não se sabe o que reserva o amanhã”.

É evidente que há uma grande dose de medo no coração de um jovem ou de uma jovem, no momento de tomar uma decisão definitiva na sua vida. Tanto para se casar, como para decidir entregar sua vida inteiramente a Deus, no seminário, na vida religiosa ou no celibato laical. Há medo de se comprometer. Mas o Papa nos anima a não ter medo: “Não tenham medo daquilo que Deus lhes pede! Vale a pena dizer “sim” a Deus. N’Ele está a alegria! Queridos jovens, talvez algum de vocês ainda não veja claramente o que fazer da sua vida. Peça isso ao Senhor; Ele lhe fará entender o caminho”.

O Arcanjo São Gabriel anuncia a vocação de Maria, com uma alegre saudação: “Ave, cheia graça, o Senhor é contigo!” (Lc 1,28). Tendo consciência da grandeza de um chamado divino, Maria perturba-se, mas o Arcanjo a anima: “Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus!” (Lc 1,30). Logo que se esclarece como se realizará a sua vocação de Mãe de Jesus, Maria coloca toda a vida nas suas mãos de Deus: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1,38).

Uma coisa é certa: Deus não chama uma pessoa para uma determinada vocação sem conceder-lhe as condições necessárias. Portanto, é preciso examinar-se na oração diante de Deus e pedir a ajuda de um bom orientador espiritual para verificar se se reúnem as condições e aptidões adequadas a essa vocação. Por isso, o fato de uma pessoa – seguindo com docilidade os conselhos da direção espiritual - considerar seriamente a possibilidade de ser chamada a um determinado caminho de entrega a Deus já indica que é bastante provável que esse seja o seu caminho. Um motivo que conforta e anima a corresponder à vocação é considerar que quando Deus dá a uma pessoa a luz da vocação, também lhe dá a graça necessária para corresponder e para decidir com generosidade.

Há um certo paralelismo na vida de muitas pessoas no momento de discernir sua vocação: primeiramente, para receber as luzes de Deus que chama, é preciso cultivar uma vida de oração pessoal, meditação da Palavra de Deus e recepção frequente dos Sacramentos da Confissão e da Eucaristia. Além disso, receber e seguir os conselhos e orientações de uma pessoa experiente no aconselhamento espiritual.

Inspirados no exemplo de Maria, esperamos que muitos jovens, neste Ano Nacional Mariano, encontrem luzes claras de sua vocação na Igreja.

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