SÃO PAULO

SÍNODO ARQUIDIOCESANO

Vicariato para a Educação e a Universidade avalia missão em escolas católicas

Por Fernando Geronazzo
31 de mai de 2019

Realizada a primeira sessão da assembleia do sínodo arquidiocesano para Vicariato Episcopal para a Edução e a Universidade

Fotos: Luciney Martins / O SÃO PAULO

O Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade da Arquidiocese de São Paulo realizou, no sábado, 25, a primeira sessão da assembleia do sínodo arquidiocesano. 
Diferentemente das regiões episcopais, as assembleias dos vicariatos ambientais possuem um formato adaptado às suas realidades específicas. No caso da educação e universidade, o trabalho está sendo feito desde o ano passado com as escolas católicas presentes no território da Arquidiocese. 
A assembleia foi presidida por Dom Carlos Lema Garcia, Bispo Auxiliar da Arquidiocese e Vigário Episcopal para a Educação e a Universidade, e assessorada pelo Padre Vandro Pisaneschi, Coordenador de Pastoral do Vicariato. Participaram da reunião gestores e educadores das escolas católicas. O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, também esteve na assembleia para saudar os participantes e dirigir sua mensagem de incentivo ao trabalho sinodal. 

LEVANTAMENTO
Em um primeiro momento, o Vicariato chamou as escolas para reuniões prévias nas regiões episcopais onde estão localizadas. Em seguida, foi desenvolvida, em parceria com a empresa de gestão educacional Avaliativa, uma pesquisa por meio de um formulário on-line, com questões específicas para professores, alunos e pais. 
O levantamento teve 21.992 participantes de 59 escolas, sendo cerca de 15 mil alunos, 1,6 mil educadores e 4,6 mil responsáveis. “Cada escola teve acesso aos resultados de suas pesquisas para que, a partir desses dados, possa avaliar seu trabalho específico e desenvolver planos de ação. Isso correspondeu à etapa do sínodo nas bases. Os resultados dessas avaliações foram enviados ao Vicariato, que os compilou para trabalhá-los durante a assembleia”, explicou o Padre Vandro Pisaneschi. 
Na assembleia, foram apresentados os resultados globais da pesquisa para serem analisados em grupos a partir de diferentes âmbitos. “Por mais que tivéssemos uma ideia do que estava acontecendo, quando olhamos para esses resultados vemos com clareza. É um choque de realidade. A nossa juventude tem uma busca de sentido à qual precisamos corresponder como escolas católicas”, destacou o Coordenador. 

ALUNOS
A pesquisa mostrou que a grande maioria dos alunos, 95%, diz acreditar em Deus e percebe a importância dos valores cristãos. No entanto, indicou que nem sempre as instituições conseguem passar tais valores de forma efetiva. Apenas 55% dos estudantes se declaram católicos. Cerca de 43% dos alunos apontaram que suas famílias não lhes transmitem a religião. 
O levantamento mostrou, ainda, que o número de alunos católicos diminui à medida que avançam no Ensino Médio. 

PROFESSORES 
Segundo a pesquisa, 95% dos professores das escolas católicas acreditam em Deus, sendo 70% católicos. Já 4,5% dos professores do Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio se dizem agnósticos. “São dados que devem ser levados em consideração, tendo em vista o projeto pedagógico de uma escola confessional católica e sua parcela na missão evangelizadora da Igreja”, salientou Dom Carlos. 
Grande parte dos professores considera que a escola, por ser católica, apresenta o diferencial como um espaço de diálogo e convivência fraterna, ensino e vivência dos valores cristãos em todos os campos da instituição. 

PAIS 
Os pais entrevistados reconhecem que a escola possui valores adequados aos de suas famílias. A maioria deles (95%) informou que escolheu a instituição pelos valores católicos, de família e integração de excelência entre ensino e formação humana. 
Apesar de 93% dos responsáveis afirmarem ter uma religião, apenas 47%  frequentam seu culto semanalmente. O levantamento também identificou que poucos pais se dedicam à transmissão da fé e dos valores religiosos a seus filhos. Os pais apontaram saber pouco sobre a Doutrina da Igreja Católica, contudo, mostraram interesse em conhecê-la mais. Destes pais, mais de 70% notam que seus filhos aprendem pouco sobre a fé católica e isso não lhes agrada. 

ENSINO RELIGIOSO
Na plenária, um dos grupos chamou a atenção para os dados relacionados ao Ensino Religioso nas escolas católicas. “O que as famílias buscam, de fato, nas aulas de Ensino Religioso? Será que buscam uma verdadeira abertura ao transcendente, uma relação com os outros, uma formação integral que diz respeito ao sentido da vida?”, acrescentou a professora Eliani Andriani, coordenadora de pastoral do Colégio Santa Maria, no Pari.
Outro questionamento foi sobre a diferença entre Ensino Religioso e religião, e o quanto isso pode não estar claro para as famílias, de modo que muitas acabam considerando que o fato de seus filhos participarem de aulas dessa disciplina já significa o envolvimento com uma religião. 

IDENTIDADE 
Os grupos também foram enfáticos sobre a necessidade de resgatar as tradições religiosas no ambiente da escola confessional, indicando ser importante respeitar a diversidade de crenças dentro da escola, todavia sem perder a identidade, o carisma e a missão de cada instituição. 
Ao comentar sobre as contribuições dos grupos, Dom Odilo reforçou que a escola católica tem uma função importante na missão da Igreja, desempenhando o papel que lhe é próprio, de instituição de ensino, mas com o diferencial da sua confessionalidade, de modo que não existam simplesmente para “concorrer dentro do mercado da educação”. 
“Por que nós, nessa sociedade plural, tão diversa, devemos renunciar à nossa identidade? Vamos participar dessa cultura com a nossa identidade, que nós cremos ser uma riqueza para o bem social”, afirmou o Arcebispo.

DIÁLOGO 
“Tivemos contato com a realidade das escolas católicas presentes na Arquidiocese, algo novo para nós e para as escolas. Nosso objetivo é permitir que os dirigentes e professores das instituições conheçam mais a realidade do todo da Arquidiocese, e percebam que a escola não tem uma atividade isolada, mas faz parte da vida pastoral da Arquidiocese. A Igreja não depende somente do trabalho das paróquias, depende também das escolas”, destacou Dom Carlos ao O SÃO PAULO. 
O Bispo também ressaltou que esse diálogo com as instituições é um bom fruto do trabalho do Vicariato, criado há cinco anos.

PRÓXIMA SESSÃO 
As contribuições desses grupos serão compiladas pelo Vicariato, a fim de serem trabalhadas na segunda sessão da Assembleia, que acontecerá em 19 de outubro. Na ocasião, haverá a elaboração de propostas, as quais serão encaminhadas para a Assembleia Arquidiocesana do sínodo, em 2020. 

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