INTERNACIONAL

Panamá

Uma Jornada inesquecível para a América Central e para o mundo

Por Nayá Fernandes
31 de janeiro de 2019

Centenas de milhares de jovens se reuniram no Campo San Juan Pablo II para Vigília da Jornada Mundial da Juventude, com o Papa, no dia 26

JMJ Panamá 2019

Na segunda-feira, 28, a equipe organizadora da JMJ 2019 promoveu uma coletiva de imprensa na qual divulgou informações sobre o evento que reuniu, em sua missa de conclusão, mais de 700 mil pessoas, superando todas as expectativas de público anunciadas.

A Jornada aconteceu entre os dias 22 e 27 e reuniu bispos, padres, religiosos e religiosas do mundo inteiro na Cidade do Panamá e em outras cidades do País. A Pré-jornada aconteceu na Costa Rica. Participaram mais de 30 bispos e cerca de seis mil peregrinos brasileiros, sendo o Brasil um dos países com maior número de inscritos.

Monsenhor José Domingo Ulloa, presidente do Comitê Organizador Local (COL), destacou que a experiência do Panamá manifestou a grandeza da união por um interesse comum e demonstrou que para nenhum país pequeno é impossível realizar um evento como esse.

O Monsenhor falou ainda sobre três dimensões que impactaram positivamente o Papa: a realização do primeiro Encontro Mundial da Juventude Indígena, o cuidado da natureza por meio de uma consciência ecológica e a participação da comunidade de afrodescendentes.

Os eventos centrais foram a missa de acolhida dos peregrinos, a Via-Sacra com o Papa, a Vigília e a Missa de encerramento, além das visitas que o Pontífice fez em lugares como o Centro de Detenção Juvenil Las Garzas de Pacora e o encontro com bispos e voluntários. Além disso, foram dadas 380 catequeses em 25 idiomas por bispos do mundo inteiro, entre eles, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, e Dom Carlos Lema Garcia, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e Vigário Episcopal para a Educação e a Universidade.

 

PALAVRAS QUE TRANSFORMAM

O Papa Francisco, em seus discursos, mensagens e homilias, deixou palavras de encorajamento e alegria para os jovens e todos os que participaram do evento. O Papa Francisco chegou ao Panamá na quarta-feira, 23.

Na quinta-feira, 24, durante a Cerimônia Oficial de Abertura, o Pontífice ressaltou a diferença cultural que permeia o Panamá e comentou sobre a dificuldade que muitos jovens tiveram em chegar até a JMJ. “Mas nada disso impediu que nós pudéssemos nos encontrar e sentirmos felizes por estarmos juntos”, afirmou.

Na sexta-feira, 25, o Papa Francisco acompanhou a oração da Via Sacra com os jovens e proferiu um discurso. O evento foi no Campo Santa María la Antigua, em Cinta Costera, no Panamá. “O caminho de Jesus rumo ao Calvário é um caminho de sofrimento e solidão, que continua em nossos dias. Ele caminha, padece em tantos rostos que sofrem a indiferença satisfeita e anestesiante de nossa sociedade, que consome e que se consome, que ignora e se ignora na dor de seus irmãos”, afirmou o Papa.

O Pontífice disse ainda que a Paixão de Cristo se prolonga hoje “no grito sufocado das crianças impedidas de nascer e de tantos outros a quem se nega o direito de ter infância, família, educação; nas crianças que não podem brincar, cantar, sonhar”.

 

'MARIA, A INFLUENCER DE DEUS'

Na grande vigília, que aconteceu no sábado, 26, o Papa falou sobre a grande história de amor que é a vida de Jesus, que quer se misturar com a vida daqueles que o seguem. Ele recordou que Deus surpreendeu Maria ao convidá-la para fazer parte dessa história de amor.

“A jovem de Nazaré não aparecia nas redes sociais de então, não era uma influencer – uma influenciadora digital – mas, sem querer nem o procurar, tornou-se a mulher que maior influência teve na história. Maria, a influencer de Deus. Com poucas palavras, soube dizer ‘sim’, confiando no amor e nas promessas de Deus, única força capaz de fazer novas todas as coisas”, enfatizou Francisco.

O Papa ressaltou, ainda, que a aceitação de Maria não foi passiva, mas, pelo contrário, foi uma aceitação cheia de iniciativa. “Esta noite ouvimos também como o ‘sim’ de Maria ecoa e se multiplica de geração para geração. Seguindo o exemplo de Maria, muitos jovens arriscam e apostam, guiados por uma promessa”, afirmou o Papa.

 

EM COMUNIDADE

Dom Carlos Lema Garcia, Vigário Episcopal para a Educação e a Universidade, participou da Jornada e comentou à rádio 9 de Julho os testemunhos realizados durante a vigília. “Ontem houve a vigília com o Papa e, logo no início, aconteceram três testemunhos muito interessantes”, recordou o Bispo.

“O primeiro foi de uma família panamenha que teve vários filhos, e o último deles foi diagnosticado com síndrome de Down. O médico sugeriu abortar, mas os pais disseram não. ‘É nosso filho e iremos cuidar dele com todo amor’”, disse Dom Carlos, que recordou, ainda, os testemunhos de dois jovens: um rapaz que conseguiu se libertar do uso de substâncias químicas, após o auxílio da comunidade e da oração pessoal, e uma jovem que fez a primeira comunhão na última Jornada, em Cracóvia, na Polônia, e demonstrou sua imensa alegria de ser acolhida pela comunidade católica.

 

É TEMPO DE DEUS

No domingo, 27, na homilia da missa presidida pelo Papa Francisco no Campo San Juan Pablo II, o Pontífice ajudou os fiéis a refletirem sobre o tempo de Deus. “É o agora de Deus que, com Jesus, se faz presente, se faz rosto, carne, amor de misericórdia que não espera situações ideais ou perfeitas para a sua manifestação nem aceita desculpas para a sua não realização. Ele é o tempo de Deus que torna justos e oportunos todos os espaços e situações. Em Jesus, começa e faz-se vida o futuro prometido. Quando? Agora”, afirmou o Papa.

Ele salientou que nem sempre “acreditamos que Deus possa ser tão concreto no dia a dia, tão próximo e real, e menos ainda que se faça assim presente agindo por meio de alguém conhecido, como um vizinho, um amigo, um parente. Nem sempre acreditamos que o Senhor nos possa convidar a trabalhar e meter as mãos na massa juntamente com Ele no seu Reino de forma tão simples, mas incisiva”.

“Porque vós, queridos jovens, não sois o futuro, mas o agora de Deus. Ele convoca-vos e chama-vos, nas vossas comunidades e cidades, para irdes à procura dos avós, dos mais velhos; para vos erguerdes de pé e, juntamente com eles, tomar a palavra e realizar o sonho com que o Senhor vos sonhou”, continuou Francisco.

Com informações da Canção Nova, Jovens Conectados e JMJ Panamá
 

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