Aumentar participação na vida sacramental é desafio na Paróquia Santo Antônio dos Bancários

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16 de novembro de 2018

As assembleias paroquiais do sínodo arquidiocesano estão ocorrendo em toda a Arquidiocese de São Paulo, desdobradas em três sessões. Elas têm em vista a renovação pastoral e missionária da Igreja em São Paulo por meio de pesquisas de campo e levantamento de dados dos serviços paroquiais. 

Na Paróquia Santo Antônio dos Bancários, Setor Pastoral Mandaqui da Região Episcopal Santana, as Assembleias Paroquiais do Sínodo começaram no dia 27 de outubro. A segunda sessão está prevista para o dia 10 de novembro e a última etapa acontecerá no dia 25 de novembro.

Luciana Cairo, secretária sinodal da Paróquia, salientou sobre as informações obtidas da Santo Antônio durante a primeira sessão das Assembleias: “Foi constatada queda da participação da vida sacramental, exceto no Batismo, e a necessidade de uma consciência na melhoria de acolhida para os que já estão e os que chegam na Paróquia”.

Além dessa necessidade de aperfeiçoamento na relação com os fiéis, ela também afirmou uma evolução na interação entre as pastorais e a diversidade de representantes.

A secretária sinodal ainda mencionou que durante as discussões frisou-se a importância de formação litúrgica, bíblica e pastoral, bem como momentos de confraternização e retiros espirituais.

Por fim, o formato de divulgação dos serviços pastorais e paroquiais e a falta de conhecimento dos entrevistados sobre a atuação no território paroquial foram ressaltados por Luciana.

 

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Em assembleia, Arquidiocese reflete a respeito da realidade pastoral da cidade

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14 de novembro de 2018

A Arquidiocese de São Paulo realizou no sábado, 10, sua Assembleia Arquidiocesana de Pastoral. O encontro anual, na Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom), reuniu o Arcebispo Metropolitano, Cardeal Odilo Pedro Scherer, os bispos auxiliares, padres, lideranças de pastorais, movimentos, novas comunidades, associações e demais organizações eclesiais para a avalição da caminhada da Igreja em São Paulo e a implementação do 12º Plano Arquidiocesano de Pastoral (confira o box). 

Este ano, o destaque principal também foi a realização do sínodo arquidiocesano de São Paulo, cuja primeira etapa, que acontece nas paróquias, está sendo concluída. Nessa ocasião, foi dada maior atenção aos resultados dos dois levantamentos da realidade religiosa e pastoral da cidade e das paróquias, realizados entre os meses de agosto e outubro.

 

PERCEPÇÃO DA REALIDADE

Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia e Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação, apresentou alguns números gerais da pesquisa de campo feita nos domicílios de abrangência das paróquias da Arquidiocese e do levantamento interno sobre a realidade pastoral de cada paróquia. Esses dados estão sendo objeto de análises e reflexões nas assembleias paroquiais do sínodo, que já estão acontecendo. 

O Bispo explicou que os dados apresentados são apenas um recorte da totalidade das informações. A leitura mais aprofundada precisa do conjunto dos dados. “Lendo os resultados à luz de cada uma das urgências da evangelização, é possível ver avanços e campo aberto para o trabalho. Muita coisa já realizamos, mas há outras que ainda precisamos fazer para implementar o Plano de Pastoral”, afirmou.

Ao comentar os dados apresentados, Dom Odilo destacou que é a primeira vez que se realiza uma pesquisa dessa magnitude em São Paulo, o que é uma oportunidade para que a Igreja tome consciência da sua vida e missão na cidade. “Temos pela frente um grande trabalho de leitura, compreensão, interpretação, reflexão, discernimento e decisão para que nós possamos corresponder à nossa missão diante dos dados, daquilo que a realidade nos diz”, afirmou. 

Para o Padre Pedro Luiz Amorim, Coordenador de Pastoral da Região Episcopal Ipiranga, os primeiros dados das pesquisas serviram para a compreensão maior da diversidade sociorreligiosa da cidade e, consequentemente, de como cada paróquia desempenha a sua missão nessas realidades. “O sínodo confirma, por exemplo, a urgência da iniciação à vida cristã, da evangelização das famílias e da juventude. Os pesquisadores nos deram um retorno de que os jovens não conhecem nem compreendem o que é um projeto de vida cristã”, disse. 

 

REPERCUSSÕES

Padre José Roberto Pereira, Coordenador de Pastoral da Região Episcopal Sé, também destacou que os resultados da pesquisa confirmam a urgência da evangelização das famílias e da juventude. “O sínodo está nos dando consciência de que precisamos investir mais em iniciativas voltadas para a formação dos fiéis, em vista de um maior comprometimento das pessoas com a vida eclesial”, disse.

Maria Helena Soriano, coordenadora arquidiocesana da Renovação Carismática Católica, afirmou que a pesquisa foi uma oportunidade concreta para que a Igreja em São Paulo “se olhasse no espelho”. Ela chamou a atenção para o fato de os católicos entrevistados terem a missa como a principal fonte de vivência da fé na Igreja. “Também considero positivo o crescimento da catequese de adultos. Olhando para o 12º Plano de Pastoral, percebo que essa reflexão proposta pelo sínodo serve de ‘norte’ para o olhar interno de nossas paróquias e para verificarmos se as seis urgências estão realmente sendo contempladas em nossas ações pastorais”, completou. 

Sueli Camargo, coordenadora da Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo, ressaltou que a primeira impressão causada pela pesquisa é a preocupação. “Essas informações nos atingem diretamente porque somos Igreja e também somos responsáveis por esses dados. No entanto, essa ainda é a fase do diagnóstico, que ajudará todas as forças da Igreja a tomar consciência de sua realidade e propor novos caminhos em vista da conversão missionária”. 

A agente de pastoral reforçou que os dados do levantamento serão enriquecidos e aprofundados nas fases seguintes do caminho sinodal, especialmente em 2019, quando acontece a etapa em âmbito regional. “Na próxima fase, haverá uma participação maior de outras frentes de atuação, que nem sempre estão inseridas na vida das paróquias. Esses são os braços da Igreja em outros âmbitos da sociedade”, afirmou. 

 

ESCUTAR OS APELOS DA CIDADE

“Coloquemo-nos na escuta e em atitude de disponibilidade para acolher os apelos de Deus, que vêm por meio de tantas formas. No sínodo, nós temos ocasião propícia para ouvir esses apelos e responder a eles de forma organizada, na comunhão eclesial de nossa Arquidiocese. Nós somos a Igreja em São Paulo e, por isso, temos que nos colocar na atitude do Apóstolo, perguntando ‘Senhor, o que queres que eu faça?’ e sempre em atitude missionária. Esse é o maior propósito do sínodo: sermos uma Igreja ainda mais missionária”, concluiu Dom Odilo. 
 

 

 

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Levantamento de campo ajuda Igreja a conhecer seu rosto na cidade

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09 de novembro de 2018

O levantamento da realidade religiosa dos moradores das áreas de abrangência das paróquias da Arquidiocese de São Paulo chegou ao fim. Após dois meses de peregrinação pelas casas de diferentes bairros, os 300 pesquisadores voluntários obtiveram uma percepção de como a Igreja é vista pela população e como a fé é vivida nos lares paulistanos.

 

NÚMEROS

Os números do levantamento dão uma demonstração da magnitude da pesquisa. De acordo com o relatório geral do levantamento, foram entrevistados 16.399 católicos, entre homens e mulheres, de diferentes idades, correspondendo à meta da amostragem definida pela Coordenadoria de Estudos e Desenvolvimento de Projetos Especiais (Cedepe), organismo da PUC-SP, que desenvolveu a metodologia científica da pesquisa e treinou os voluntários. Também foram entrevistadas 5.789 pessoas que se declararam não católicas e aceitaram responder às questões gerais da pesquisa destinadas a esse perfil de público.

Alcançar a meta não foi fácil. O relatório contabilizou 33.760 pessoas abordadas que se recusaram a responder o questionário por diversas razões, como falta de tempo ou desinteresse. 

Foram visitados domicílios de 295 paróquias territoriais da Arquidiocese. Em quase todas elas, foi possível atingir a meta de 50 católicos em cada paróquia. Apenas em um pequeno número delas esse número não foi alcançado por dificuldade de acesso aos domicílios.

“Essa dificuldade de acesso também é um dado importante para o sínodo, porque mostra o quanto a Igreja consegue chegar a esses lugares, sobretudo nas áreas de condomínios, mais fechadas à atuação eclesial”, explicou Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo Auxiliar de São Paulo, Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação e um dos responsáveis pela organização do levantamento. “Não significa que nesses lugares não existam católicos. O que existe concretamente é a dificuldade para ter acesso a eles”, acrescentou. 

 

DADOS

O banco de dados do levantamento contém mais de 21 milhões de registros de dados enviados pelos pesquisadores por meio do aplicativo digital utilizado para o questionário. Ao todo, foram cerca de 1,7 milhão de questões respondidas e mais de 55 mil questionários enviados. 

Esses dados permitem inúmeras possibilidades de cruzamentos entre si e com outras informações, como os dados do Censo do IBGE, enviados pela Cedepe junto com os relatórios do levantamento. 

Dom Devair ressaltou ao O SÃO PAULO que a análise geral dos dados é positiva. “Percebemos o interesse das pessoas pela Igreja, abertura e desejo pela vida sacramental. Percebemos, ainda, a importância da missa, que acaba sendo a principal forma de vinculação dos católicos com a Igreja”, disse.

Ainda de acordo com o Bispo, a partir da comparação desses dados com os obtidos pelo levantamento interno sobre a realidade pastoral das paróquias, será possível identificar movimentos de crescimento e de diminuição da procura por determinados sacramentos nos últimos anos. “Identificamos, por exemplo, um aumento da procura de adultos pelos sacramentos da Iniciação Cristã”, destacou. 

 

EXPERIÊNCIA MISSIONÁRIA

A maneira como a pesquisa foi realizada, por meio de voluntários indicados pelas paróquias e comunidades, favoreceu que o levantamento sinodal fosse uma experiência missionária. Sair às ruas, bater de porta em porta, ouvir recusas e as impressões dos entrevistados causou um impacto na vida desses homens e mulheres.

A dona de casa Graça Ferreira Barros Mendes, 62, visitou casas na área da Paróquia São João Batista e ajudou na conclusão da pesquisa na Paróquia Nossa Senhoras das Graças, ambas no Setor Guarani da Região Episcopal Ipiranga. Para ela, foi uma experiência desafiadora, pois pôde constatar uma realidade diferente da que imaginava. 

“Imaginei que ao mencionar ‘Arquidiocese de São Paulo’ facilitaria a abordagem. Porém, já nas primeiras tentativas, constatei o total desconhecimento das pessoas, assim como o desconhecimento da realização do sínodo e, no decorrer do questionário, o significado e função da CNBB, por exemplo”, relatou.

No entanto, a pesquisadora destacou a riqueza de poder ouvir os comentários e justificativas dos entrevistados ao responderem as questões. “Foi uma experiência marcante saber como pensam”, ressaltou. 

Pesquisadora da Paróquia Santa Cruz de Itaberaba, na Região Brasilândia, a pedagoga Daniela Valle Spadini destacou o quanto as pessoas precisam ser ouvidas. “Nós, da Igreja Católica, precisávamos viver isso. Foi realmente uma missão”, disse. 

A publicitária Ana Cristina Paula de Lima, 51, que pesquisou no território da Paróquia Imaculado Coração de Maria (Capela da PUC-SP), na Região Episcopal Sé, destacou a oportunidade de entrar em contato com as pessoas que, por diversas razões, estão afastadas da Igreja e ouvi-las. “Muitas delas demonstraram o desejo de retornar à Igreja, mas não sabem como. E nós teremos que ajudá-las”.  Ela salientou que o próprio questionário levou as pessoas a pensar em coisas que nunca haviam refletido. “Creio que esse questionário tinha um aspecto evangelizador, pois mexia com as convicções profundas da pessoa. Enquanto respondiam, as pessoas paravam para pensar sobre o assunto”. 

 

EM FAMÍLIA

A pesquisa de campo mobilizou famílias inteiras, como o caso da psicóloga Alessandra Roberta Taques, 45, que realizou pesquisas em seis paróquias do Setor Vila Maria, na Região Episcopal Santana, junto com seu marido, o analista de sistemas Jony Celestino da Silva, 51, e sua filha, a estudante de Nutrição Beatriz Taques Amorim, 20. A família percorreu 3,5 mil casas para alcançar a amostragem de católicos entrevistados dessas paróquias. 

“Esse sínodo serviu de aprendizado para nós mesmos. Há muitas perguntas do questionário que eu fazia a mim mesma: ‘Eu faço isso?’ Eu mudei muitos hábitos e costumes a partir dessa experiência. Por exemplo, eu não conhecia ainda o Catecismo da Igreja Católica, mas tratei de comprá-lo e lê-lo”, partilhou Alessandra.

 

ASSEMBLEIAS

As paróquias já receberam os relatórios da pesquisa de campo para fazerem suas análises nas assembleias paroquiais do sínodo, que já estão ocorrendo. Essas informações são essenciais para que aconteça a “renovação missionária” desejada pelo caminho sinodal da Igreja em São Paulo. Como enfatizou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, na ocasião da convocação do sínodo, será a oportunidade de a Igreja “olhar-se no espelho” e fazer uma profunda reflexão sobre sua vida e missão na cidade.

 

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Paróquia Santa Cruz de Itaberaba constata mudança no perfil dos paroquianos

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08 de novembro de 2018

As assembleias paroquiais do sínodo arquidiocesano estão ocorrendo em toda a Arquidiocese de São Paulo, desdobradas em três sessões.

Elas têm em vista a renovação pastoral e missionária da Igreja em São Paulo por meio de pesquisas de campo e levantamento de dados dos serviços paroquiais. 

Na Paróquia Santa Cruz de Itaberaba, na Região Episcopal Brasilândia, os dados do sínodo indicam mudanças. “Os questionários feitos pelos entrevistadores revelaram uma sensível mudança no perfil dos cristãos e paroquianos da Itaberaba”, contou o Padre Edemilson Camargo, Pároco. 

Ele também listou alguns outros aspectos revelados a partir da pesquisa de campo:

 

- Na área de abrangência da paróquia, não é mais apenas o homem o provedor das famílias, muitas mulheres e filhos também assumiram esse papel; 

- Houve aumento de ateus confessos;

- Cresceu o número de evangélicos, diminuiu a quantidade de adeptos do Espiritismo, e foram registradas pessoas que se declaram praticantes do Islamismo;

- Há pouco comprometimento e conhecimento sobre os documentos da Igreja;

- Muitos pais batizam apenas uma parte de seus filhos; Há significativa quantidade dos que já receberam a 1ª Comunhão; mas muitas pessoas ainda não são crismadas;

- A Paróquia foi classificada como de classe média, sem atuação em comunidades carentes, favelas ou cortiços.

 

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Sínodo dos Bispos chega ao fim e propõe maior empatia na relação com os jovens

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01 de novembro de 2018

“Caminhar juntos” é proposta de todo Sínodo dos Bispos, mas este, em especial, foi percorrido na companhia dos jovens. Após consultas em todo o mundo e uma reunião pré-sinodal em Roma, o Sínodo, ocorrido de 3 a 28 de outubro, refletiu sobre o caminhar da Igreja com os jovens. Entre as diversas resoluções está a de “escutar e ver os jovens com empatia”. Na missa de encerramento, o Papa Francisco refletiu sobre três atos que favorecem o crescimento na fé: escutar, fazer-se próximo e testemunhar. 

O documento final do Sínodo, que serve de base para o Papa escrever uma exortação pós-sinodal, fala do desejo da Igreja de alcançar todos os jovens, sem nenhuma exclusão. “A Igreja, no momento em que esse Sínodo escolheu se ocupar dos jovens, fez uma opção bem precisa: considera essa missão uma prioridade pastoral da época, para a qual deve investir tempo, energias e recursos”, diz o número 119. “Desde o início do caminho de preparação, os jovens expressaram o desejo de serem envolvidos, apreciados e de se sentirem protagonistas da vida e da missão da Igreja”.

De acordo com Dom Vilson Basso, Bispo de Imperatriz (MA) e padre sinodal, essa opção pelos jovens ficou clara no documento. “O Sínodo foi experiência de uma Igreja que quer aprender e encontrar caminhos com os jovens. A Igreja jovem. Partindo o pão e ouvindo a Palavra, quer abrir os olhos numa grande saída missionária, a partir da belíssima notícia do Cristo Ressuscitado”, disse ao O SÃO PAULO

Como ele, os outros padres sinodais evitaram criar uma distinção entre jovens e Igreja, falando, em vez disso, de uma “Igreja jovem”. “A participação responsável dos jovens na vida da Igreja não é opcional, mas uma exigência da vida batismal e um elemento indispensável para a vida de toda comunidade. As dificuldades e fragilidades dos jovens nos ajudam a ser melhores, as suas perguntas nos desafiam, as suas dúvidas nos questionam sobre a qualidade da nossa fé”, lê- -se no número 116. 

A imagem bíblica que representa esse caminho é a dos discípulos de Emaús. Conforme o Evangelho de Lucas, eles encontram Jesus ressuscitado, mas não o reconhecem imediatamente. Jesus caminha com eles enquanto se afastam da comunidade cristã de Jerusalém. Porém, ao se revelar aos discípulos, eles voltam e passam a compartilhar a experiência do Cristo Ressuscitado.

 

ESCUTAR, FAZER-SE PRESENTE, TESTEMUNHAR

“Também nós caminhamos juntos, fizemos Sínodo”, disse o Papa Francisco na missa de encerramento no domingo, 28. Referindo-se à passagem do Evangelho de Marcos que narra o “ministério itinerante” de Jesus e a adesão do cego Bartimeu, o Papa refletiu sobre três atos que favorecem o crescimento na fé.

Escutar, disse ele, é o “apostolado do ouvido”. “Gostaria de dizer aos jovens, em nome de todos nós adultos: desculpem se muitas vezes não os escutamos, e se, em vez de abrir o coração, enchemos os seus ouvidos. Como Igreja de Jesus, desejamos nos colocar à escuta com amor”, disse, na homilia. 

“Fazer-se próximo”, explicou, é envolver-se diretamente com as pessoas. “A fé passa pela vida. Quando a fé se concentra puramente sobre as formulações doutrinais, arrisca-se a falar só à cabeça, sem tocar o coração”, afirmou. “E quando se concentra só em fazer, arrisca-se a se tornar moralismo e reduzir-se ao social.”

Por fim, testemunhar é o terceiro passo. “Não é cristão esperar que os irmãos que estão à procura [de respostas] batam à nossa porta. Temos que ir até eles, e não levando nós mesmos, mas Jesus.”

 

AMADURECIMENTO NA FÉ

O jovem Lucas Galhardo, representante brasileiro no Sínodo, avalia que este tenha sido, para ele, uma experiência de amadurecimento na fé. “Foi viver a sinodalidade: caminhar juntos, sentir-se escutado e poder contribuir. É importante continuar esse caminho nas nossas comunidades. Levar essa cultura da escuta, para que a Igreja seja lugar de acolhida e mostre o amor de Jesus a todos”, disse. 

Nesse sentido, Dom Gilson Andrade da Silva, Bispo Coadjutor de Nova Iguaçu (RJ) e padre sinodal, comentou que se sentiu “enviado pelo Santo Padre” ao fim do Sínodo. “Foi uma experiência da universalidade da Igreja, de amizade e colaboração, sobretudo com os jovens. Vamos levar o desejo de estar próximos dos jovens, fomentar esse testemunho no nosso meio, e ajudá-los a se tornar protagonistas desta época”, completou. 

Em 60 páginas, o documento final apresenta uma série de propostas para uma ação pastoral com os jovens – e não só para os jovens. Entre elas, uma maior interação entre os grupos já existentes; a ideia de que toda pastoral juvenil também é vocacional; o acompanhamento pessoal dos jovens e a formação de mais leigos e consagrados nesse ministério; uma maior ênfase nos jovens durante a formação dos seminaristas e religiosos; e uma presença mais ativa no mundo digital, incentivando boas práticas para evitar notícias falsas e discursos de ódio. 

O texto está disponível, em italiano, no site do Vaticano, contudo em breve será traduzido para todas as línguas. “O Espírito Santo nos presenteia esse documento, também a mim, para podermos refletir sobre o que quer dizer a todos nós”, disse o Papa ao fim do Sínodo.
 

 

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Faculdade de Teologia promove estudo sobre sínodo arquidiocesano

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27 de outubro de 2018

O sínodo arquidiocesano de São Paulo foi tema de um evento acadêmico promovido pela Cátedra João Paulo II para a “Nova Evangelização”, da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção da PUC-SP, na segunda-feira, 22. Na ocasião, foi lançado um livro sobre esse tema, de autoria dos padres Valeriano do Santos Costa e Messias de Morais Ferreira. 

O evento, realizado no campus Ipiranga da PUC-SP, na zona Sul, contou com a presença do Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, da Reitora da PUC-SP, Maria Amalia Pie Abib Andery, além dos autores do novo livro.  

Dom Odilo fez uma conferência sobre o sínodo arquidiocesano. Ele destacou a importância do interesse da Faculdade pelo caminho sinodal da Igreja em São Paulo, que começou em maio de 2017 e segue até 2020. Ele ressaltou que o sínodo será um laboratório de vida pastoral, de iniciativas e metodologias também para os estudantes de Teologia. 

O Arcebispo também fez um breve histórico dos sínodos na vida da Igreja e as motivações que o levaram a convocar um sínodo para Arquidiocese de São Paulo. Ele ressaltou, ainda, que o sínodo é a oportunidade de uma grande tomada de consciência da Igreja a respeito de sua vida e missão da cidade, a partir da percepção da realidade e à luz do Espírito Santo, por meio da escuta à Palavra de Deus e da própria doutrina da Igreja. “O sínodo é uma grande oportunidade para que a Arquidiocese se aproprie, de alguma maneira, e coloque em prática na vida pastoral os grandes apelos da Igreja, do Concílio Vaticano II e do magistério recente”, acrescentou. 

 

O LIVRO

Com o título “O sínodo arquidiocesano de São Paulo – O desafio da evangelização nesta cidade”, lançado pela editora Educ, o livro é um estudo da Cátedra João Paulo II e do Grupo de Pesquisa de Teologia Litúrgica da PUC-SP e tem como objetivo ser uma contribuição acadêmica para o caminho sinodal da Arquidiocese.

Dividido em três capítulos, a obra discorre sobre a sinodalidade como caráter e princípio fundamental da Igreja e a instituição dos sínodos diocesanos. O livro também apresenta um estudo sobre o lema do sínodo arquidiocesano – “Deus habita esta cidade, somos suas testemunhas” –, baseando-se no pensamento do filósofo Xavier Zubiri, que intuiu a “inteligência senciente” como modo de o ser humano apreender e conhecer a realidade em sua vinculação entre sentir e inteligir. Por fim, a publicação reproduz um artigo intitulado “Tempos Líquidos, um desafio para a nova evangelização” produzido pela Cátedra João Paulo II como estudo avançado sobre o conceito de “modernidade líquida”, do soció- logo Zygmunt Bauman, mostrando a crise atual dos valores e a fragilidade das relações humanas como parte de um desafio que a nova evangelização tem de enfrentar. 

 

A CÁTEDRA

Criada há cinco anos, a Cátedra João Paulo II para a “Nova Evangelização” tem o objetivo de promover estudos sobre as obras do magistério de São João Paulo II. “São tantas encíclicas, exortações apostólicas, discursos, viagens e palavras, nas mais diversas circunstâncias e grupos. Temos muito a estudar e a aprender do magistério de São João Paulo II”, destacou o Cardeal Scherer. 

 

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Sínodo: o Papa entrega o Docat aos jovens auditores

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25 de outubro de 2018

A 19ª congregação geral do Sínodo dos Bispos dedicada aos jovens, teve início na manhã de quarta-feira, 24, e prosseguiu na parte da tarde com os trabalhos dos Padres para a elaboração do esboço do Documento final. Os participantes tiveram a possibilidade de tomar a palavra e entregar por escrito à Secretaria do Sínodo suas observações. Estas serão colocadas no texto definitivo pelo relator geral, Cardeal Sérgio da Rocha e pelos secretários especiais, os padres Giacomo Costa e Rossano Sala, coadjuvante dos especialistas.

 

 

 

 

Francisco entrega o Docat aos jovens auditores

A Sala do Sínodo teve um particular momento de festa quando o Papa entregou a todos os jovens auditores um exemplar do Docat: o livro que apresenta a Doutrina Social da Igreja numa linguagem jovem e dinâmica. O material foi desenvolvido com base em importantes documentos da Igreja desde Leão XIII até o atual pontificado do Papa Francisco, ele mesmo no prefácio, nos diz que “é um manual de instruções que nos ajuda, com o Evangelho, em primeiro lugar, a transformarmo-nos a nós mesmos, depois a transformarmos o nosso ambiente mais próximo e, por fim, o mundo inteiro”.

O sonho do Papa é que esta mudança aconteça pelas mãos dos jovens. “Eu espero que um milhão de jovens, mais ainda, que uma geração inteira seja, para os seus contemporâneos, uma Doutrina Social em movimento”, diz Francisco.

 

Hoje a peregrinação dos Padres Sinodais na Via Francígena: 300 inscritos

A próxima congregação geral, a 20ª será realizada na tarde de sexta-feira, 26, logo depois da reunião da Comissão para a redação do documento final: os presentes serão chamados para eleger os membros do XV Conselho Ordinário do Sínodo dos Bispos.

No entanto, nesta quinta-feira, 25, os padres Sinodais participarão junto com os auditores do Sínodo e os jovens das paróquias romanas a uma paregrinação de 6 quilômetros até o túmulo de São Pedro, percorrendo a Via Francígena. A peregrinação partirá do Parque de Monte Mario (bairro de Roma) e seguirá até a Basílica do Vaticano, onde será celebrada uma missa junto ao túmulo de Pedro com a presença do Papa, presidida pelo cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário geral do Sínodo dos Bispos.

 

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Dom Eduardo, Sínodo: será entregue ao Papa um material muito rico

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22 de outubro de 2018

Dia de reflexão nos trabalhos da XV Assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Na manhã do último sábado tivemos a 17ª Congregação Geral que teve no centro dos trabalhos, os 14 Relatórios dos Círculos Menores sobre a terceira parte do Instrumentum Laboris. Nesta segunda os padre sinodais têm uma pausa para refletir sobe o conteúdo dos relatório e sobre a proposta do texto final do Sínodo.

Para a Igreja é necessária – lê-se em alguns dos 14 Relatórios dos Círculos Menores - uma conversão pastoral e missionária que não seja um mero exercício técnico, mas uma exigência do seguimento de Cristo; uma conversão voltada à renovação da própria Igreja para aspirar a ser mais, a servir mais. Com efeito, o sonho do Sínodo é uma Igreja mais em conformidade ao Evangelho. E uma contribuição essencial para implementar tal conversão vem precisamente dos jovens: eles - sublinham os Padres Sinodais – não devem ser somente um objeto "receptor" preferencial da ação pastoral, mas também sujeitos protagonistas e participantes ativos nos processos de tomada de decisão, em uma ótica de corresponsabilidade e colegialidade, porque eles têm algo precioso para oferecer, com o qual o Senhor pode operar milagres.

Para o padre sinodal, Dom Eduardo Pinheiro, Bispo de Jaboticabal-SP, os trabalhos têm caminhando muito bem e ele acredita que o material que será entregue ao Papa será um material muito rico por causa da diversidade dos olhares, dos pensamentos e dos sonhos de bispos, de leigos, de jovens.

No entanto, afirma Dom Eduardo, esta será uma semana muito delicada, muito exigente, porque chegamos ao final, e como todo final de uma reflexão, se espera algumas coisas mais de orientação, práticas. Porém não podemos ter uma quantidade muito grande coisas práticas porque cada realidade é uma realidade diferente.

 

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Em assembleia, paróquias buscam ver o rosto da igreja em São Paulo

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23 de outubro de 2018

Começam a ser realizadas as assembleias paroquiais do sínodo arquidiocesano de São Paulo. Nesta edição, O SÃO PAULO apresenta os detalhes sobre os objetivos e metodologia das assembleias a partir do Regulamento e do Instrumento de Trabalho elaborados pela Comissão de Coordenação Geral do sínodo. Esses documentos, bem como outros subsídios e materiais, estão disponíveis no site da arquidiocese. Confira. 

 

CONVOCAÇÃO 

A assembleia será convocada pelo Pároco ou Administrador Paroquial, que também a presidirá, após prepará-la com a colaboração da Comissão Paroquial do sínodo. 

 

PARTICIPANTES

  Vigários Paroquiais, Sacerdotes e Diáconos que exercem o ministério na paróquia;

​​​​​​  Todos os membros do Conselho de Pastoral Paroquial;

  Todos os membros do Conselho de Assuntos Econômicos;

  Seminaristas que atuam na paróquia;

  Três representantes de cada grupo de reflexão sinodal, formado a partir das pastorais, serviços, movimentos, associações de fiéis e novas comunidades, presentes na paróquia;

  Três representantes de cada outro grupo de reflexão sinodal constituído para analisar o caminho sinodal na paróquia;

  Dois representantes de cada instituto de vida consagrada e sociedade de vida apostólica presentes na paróquia;

   Dez fieis escolhidos livremente pelo Pároco ou Administrador Paroquial, sendo a metade deles constituída por jovens.



1ª SESSÃO/ VER E ESCUTAR A REALIDADE

OBJETIVO

“Alongar mais o olhar e abrir os ouvidos para a realidade religiosa, pastoral e evangelizadora da paróquia”, por meio da apresentação das sínteses de cada uma das sete reuniões mensais e dos dois levantamentos paroquiais. 

COMO

  Apresentação das sínteses de cada uma das sete reuniões mensais

  Apresentação do resultado da pesquisa de campo na paróquia

  Apresentação do resultado do levantamento objetivo da vida e dos serviços paroquiais;

  Reflexão sobre o conteúdo das sínteses pelo Pároco ou Assessor; 

  Participação de oradores inscritos com o tempo delimitado de três minutos para cada intervenção.

 

2ª SESSÃO ESCUTAR/ DISCERNIR E PROPOR

OBJETIVO

Discernimento, à luz do Evangelho, sobre a realidade religiosa, evangelizadora e pastoral da paróquia e a elaboração de propostas para a renovação da vida e a missão da Igreja na paróquia nas suas diversas dimensões essenciais: liturgia e celebração; anúncio; catequese e formação; caridade pastoral; e testemunho de fé, esperança e caridade; 

COMO

   Apresentação da síntese elaborada pela Secretaria/Comissão Paroquial a partir das exposições e contribuições feitas na primeira sessão

   Organização de grupos de trabalho (de oito a dez pessoas) para aprofundar a reflexão e formular indicações, sugestões e propostas para alcançar os objetivos do tema e do lema do sínodo: promover “a comunhão, a conversão e a renovação pastoral e missionária” da paróquia e da Arquidiocese; 

   Apresentação em plenário das propostas e indicações dos grupos; 

   Comentário do Pároco ou Assessor e comentários suplementares do plenário.


 3ª SESSÃO DISCERNIR/ PROPOR E CELEBRAR

OBJETIVO

Apresentar as propostas, refletir sobre elas para um maior consenso e celebrar o exercício da comunhão e da corresponsabilidade, a pertença a uma comunidade eclesial e a graça de cooperar no processo de conversão e renovação da vida e da missão da Igreja. 

COMO

  Apresentação da síntese das reflexões e propostas dos grupos da segunda sessão

  Organização de grupos (de oito a dez pessoas) para refletir essa síntese da segunda sessão, ajustar, complementar e fazer nova síntese das propostas, juntando as que forem iguais ou semelhantes;

  Nova apresentação em plenário do trabalho dos grupos e últimas intervenções individuais

  Votação das propostas apresentadas em plenário, para obter um consenso geral sobre as propostas e indicações da assembleia paroquial do sínodo;

  Indicação de dois representantes da paróquia para a segunda etapa do sínodo arquidiocesano nas Regiões Episcopais em 2019

 

RELATÓRIOS

Os relatórios completos das assembleias paroquiais do sínodo deverão ser entregues ao Secretariado de Pastoral das respectivas regiões episcopais no prazo de 15 dias após a realização das assembleias e, no máximo, até o final da primeira semana de dezembro de 2018.

 

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Sínodo: salvaguardar a Criação, "casa comum" das futuras gerações

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18 de outubro de 2018

A Igreja seja arauto no campo da ecologia, porque é preciso fazer mais para deixar uma “casa comum” intacta às jovens gerações:  essa foi a reflexão inicial na Sala do Sínodo, no Vaticano, na tarde de quarta-feira, 17, na décima quinta Congregação Geral do Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens.

O sonho de muitos jovens é de uma Igreja profética no campo da ecologia e da economia: o grito da terra e o grito dos pobres não podem ser ignorados, acrescentou um auditor.

Efetivamente, a falta de respeito ao ambiente gera novas pobrezas; daí, o apelo a modificar os sistemas econômicos mediante uma verificação atenta dos consumos, dos investimentos e das prestações de contas. Porque aquilo que as comunidades cristãs, os institutos de vida consagrada, as associações e os movimentos eclesiais administram não são de sua propriedade, mas estão a serviço dos pobres, afirmou-se na Sala do Sínodo.

Ademais, os padres sinodais recordam que a exploração das terras por parte de multinacionais tem consequências catastróficas nos ecossistemas locais, obrigando as populações do lugar a migrar.

 

Trabalho conceda espaço à criatividade dos jovens

A análise sobre o tema do trabalho foi também central na Congregação Geral em questão: hoje ele é considerado principalmente um fonte de renda. Mas tal abordagem puramente econômica cai no reducionismo, porque priva o trabalho da sua dimensão humana e mina sua criatividade.

Os jovens, ao invés, sonham um serviço que corresponda a suas aptidões, porque somente assim se sentirão realizados. Daí, o chamado do Sínodo à importância dos ensinamentos da Doutrina social da Igreja.

 

Ajudar os jovens a frequentar a Bíblia

Depois foi dado espaço ao tema do protagonismo juvenil e às suas dificuldades, entre as quais o clericalismo. Os bispos reconhecem algumas faltas do clero, mas, ao mesmo tempo, encorajam os leigos a serem mais proativos na vida eclesial.

É preciso buscar o verdadeiro protagonismo, ou seja, não aquele protagonismo que se inspira na própria pessoa, mas em Cristo e nos Santos, afirmam o padres sinodais. Com efeito, a vocação à santidade é universal: ela dá sentido à ação da Igreja e da vida cristã, representando sua face mais bonita. De resto, atualmente há 160 jovens entre os Santos, amigos apaixonados por Jesus Crucificado. Igual número de jovens encontra-se com o processo de canonização em curso.

“Ajudemos os jovens a frequentar a Bíblia”, reiteram ainda os bispos, porque ela custodia as respostas às muitas perguntas deles. Nesse sentido, a Pastoral da Juventude deverá ter dois objetivos claros: o encontro da juventude com Cristo e a escuta dos jovens, a fim de que se sintam “interligados” na vida eclesial.

 

Em causa a credibilidade da Igreja

Os jovens esperam da Igreja credibilidade, ou seja, concordância entre a ação e a doutrina, porque não adianta pedir perdão, se depois não se seguem gestos e atitudes concretas. E para ser críveis é preciso enfrentar questões cruciais como a dos abusos, a fim de que as culpas sejam assumidas e as estruturas sejam renovadas.

 

Opções pelos jovens e com os jovens

Em seguida foi dado espaço ao tema do mundo digital: os bispos sugerem, por exemplo, que as jovens gerações participem da redação sobre padrões éticos para as páginas web católicas, e que se reflita sobre as possibilidades que as redes sociais oferecem no campo do diálogo inter-religioso.

É preciso audácia por parte da Igreja também para desafiar o mundo sobre temas críticos como o tráfico de armas, para falar aos líderes internacionais com clareza, a fim de que não coloquem mais em risco o futuro dos jovens, continuam os bispos.

Deve-se portanto dar sempre apoio aos jovens – sugere o Sínodo –, inclusive economicamente, buscando passar da “opção pelos jovens” para a “opção com os jovens”, porque isso significa envolvê-los plenamente na vida eclesial e ter a consciência de que eles não representam um problema, mas são parte da solução.

É preciso humildade: os jovens devem ser respeitados, ouvidos, acompanhados ao longo do caminho, sem “domesticá-los” ou apagar a paixão que os caracteriza, afirmam os bispos.

 

Renovar a catequese e relançar as escolas católicas

O Sínodo reflete ainda sobre a catequese e sobre a necessidade de renová-la, sobretudo diante da proliferação das seitas, em particular em alguns países africanos. Daí, a sugestão a relançar a evangelização de modo concreto, envolvendo os jovens diretamente e utilizando uma linguagem adequada que saiba aprofundar a fé.

A reflexão sobre os jovens que vivem nas “periferias da sociedade”, verdadeiros territórios de missão em que a Igreja pode e deve levar evangelização e formação, é também central.

Efetivamente, a educação não deve ser um privilégio, mas um direito. Por isso, o Sínodo evoca a importância das escolas católicas, lugar de encontros profundos e formativos: as escolas e as universidades católicas não ensinam, mas fazem experimentar a caridade, o serviço, a justiça, tornando-se desse modo verdadeiras experiências de vida e de fé.

Ademais, a Sala do Sínodo não esqueceu o drama dos jovens dependentes das drogas: a Igreja é a única instituição que pode pronunciar uma palavra profética nesse âmbito, reiterando a necessidade de lutar contra uma “cultura da morte” galopante, afirmam os padres sinodais.

 

Jornadas da juventude, momento de encontro e diálogo

O olhar do Sínodo volta-se também para as Jornadas da juventude, momento de encontro, mas também de diálogo inter-religioso entre jovens por vezes de diferentes credos. Tais Jornadas são o exemplo de uma Igreja em saída e representam o espaço propício para renovar-se e sonhar, porque não é sonhar que ajuda a viver, mas é viver que deve ajudar a sonhar, afirma também um auditor.

Nas intervenções dos auditores voltou mais uma vez o tema da necessidade de valorizar mais a mulher no seio da vida eclesial, assim como de um Igreja “generativa” que se faz com os jovens – corresponsáveis, envolvidos e não convocados – evangelizadores de seus coetâneos.

Em suma, uma Igreja plural, que aposte contra todo tipo de personalismo, todo tipo de obstáculo ao diálogo.

 

Constituída Comissão para redigir Carta do Sínodo aos jovens

Por fim, como auspiciado por vários participantes do Sínodo, foi constituída uma Comissão para redigir uma Carta da Assembleia aos jovens do mundo inteiro. A Comissão é constituída de cinco padres sinodais (o arcebispo de Bangui, na República Centro-Africana, cardeal Dieudonné Nzapalainga; o bispo auxiliar de Lyon, na França, Dom Emmanuel Gobbillard; o arcebispo de Sydney, na Austrália, Dom Anthony Colin Fisher; o bispo de San Justo, na Argentina, Dom Eduardo Horacio García); dois jovens auditores (Briana Regina Santiago, das Apóstolas da Vida Interior nos EUA, e Anastasia Indrawan, membro da Comissão para os jovens da Conferência Episcopal Indonésia); um especialista (o responsável pelo Serviço nacional para a Pastoral da Juventude da Conferência Episcopal Italiana, Pe. Michele Falabretti) e o convidado especial, prior da Comunidade ecumênica de Taizé, Irmão Alois. Assim que estiver pronto, o esboço da Carta será apresentado na Sala do Sínodo.

 

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