Levantamento de campo ajuda Igreja a conhecer seu rosto na cidade

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09 de novembro de 2018

O levantamento da realidade religiosa dos moradores das áreas de abrangência das paróquias da Arquidiocese de São Paulo chegou ao fim. Após dois meses de peregrinação pelas casas de diferentes bairros, os 300 pesquisadores voluntários obtiveram uma percepção de como a Igreja é vista pela população e como a fé é vivida nos lares paulistanos.

 

NÚMEROS

Os números do levantamento dão uma demonstração da magnitude da pesquisa. De acordo com o relatório geral do levantamento, foram entrevistados 16.399 católicos, entre homens e mulheres, de diferentes idades, correspondendo à meta da amostragem definida pela Coordenadoria de Estudos e Desenvolvimento de Projetos Especiais (Cedepe), organismo da PUC-SP, que desenvolveu a metodologia científica da pesquisa e treinou os voluntários. Também foram entrevistadas 5.789 pessoas que se declararam não católicas e aceitaram responder às questões gerais da pesquisa destinadas a esse perfil de público.

Alcançar a meta não foi fácil. O relatório contabilizou 33.760 pessoas abordadas que se recusaram a responder o questionário por diversas razões, como falta de tempo ou desinteresse. 

Foram visitados domicílios de 295 paróquias territoriais da Arquidiocese. Em quase todas elas, foi possível atingir a meta de 50 católicos em cada paróquia. Apenas em um pequeno número delas esse número não foi alcançado por dificuldade de acesso aos domicílios.

“Essa dificuldade de acesso também é um dado importante para o sínodo, porque mostra o quanto a Igreja consegue chegar a esses lugares, sobretudo nas áreas de condomínios, mais fechadas à atuação eclesial”, explicou Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo Auxiliar de São Paulo, Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação e um dos responsáveis pela organização do levantamento. “Não significa que nesses lugares não existam católicos. O que existe concretamente é a dificuldade para ter acesso a eles”, acrescentou. 

 

DADOS

O banco de dados do levantamento contém mais de 21 milhões de registros de dados enviados pelos pesquisadores por meio do aplicativo digital utilizado para o questionário. Ao todo, foram cerca de 1,7 milhão de questões respondidas e mais de 55 mil questionários enviados. 

Esses dados permitem inúmeras possibilidades de cruzamentos entre si e com outras informações, como os dados do Censo do IBGE, enviados pela Cedepe junto com os relatórios do levantamento. 

Dom Devair ressaltou ao O SÃO PAULO que a análise geral dos dados é positiva. “Percebemos o interesse das pessoas pela Igreja, abertura e desejo pela vida sacramental. Percebemos, ainda, a importância da missa, que acaba sendo a principal forma de vinculação dos católicos com a Igreja”, disse.

Ainda de acordo com o Bispo, a partir da comparação desses dados com os obtidos pelo levantamento interno sobre a realidade pastoral das paróquias, será possível identificar movimentos de crescimento e de diminuição da procura por determinados sacramentos nos últimos anos. “Identificamos, por exemplo, um aumento da procura de adultos pelos sacramentos da Iniciação Cristã”, destacou. 

 

EXPERIÊNCIA MISSIONÁRIA

A maneira como a pesquisa foi realizada, por meio de voluntários indicados pelas paróquias e comunidades, favoreceu que o levantamento sinodal fosse uma experiência missionária. Sair às ruas, bater de porta em porta, ouvir recusas e as impressões dos entrevistados causou um impacto na vida desses homens e mulheres.

A dona de casa Graça Ferreira Barros Mendes, 62, visitou casas na área da Paróquia São João Batista e ajudou na conclusão da pesquisa na Paróquia Nossa Senhoras das Graças, ambas no Setor Guarani da Região Episcopal Ipiranga. Para ela, foi uma experiência desafiadora, pois pôde constatar uma realidade diferente da que imaginava. 

“Imaginei que ao mencionar ‘Arquidiocese de São Paulo’ facilitaria a abordagem. Porém, já nas primeiras tentativas, constatei o total desconhecimento das pessoas, assim como o desconhecimento da realização do sínodo e, no decorrer do questionário, o significado e função da CNBB, por exemplo”, relatou.

No entanto, a pesquisadora destacou a riqueza de poder ouvir os comentários e justificativas dos entrevistados ao responderem as questões. “Foi uma experiência marcante saber como pensam”, ressaltou. 

Pesquisadora da Paróquia Santa Cruz de Itaberaba, na Região Brasilândia, a pedagoga Daniela Valle Spadini destacou o quanto as pessoas precisam ser ouvidas. “Nós, da Igreja Católica, precisávamos viver isso. Foi realmente uma missão”, disse. 

A publicitária Ana Cristina Paula de Lima, 51, que pesquisou no território da Paróquia Imaculado Coração de Maria (Capela da PUC-SP), na Região Episcopal Sé, destacou a oportunidade de entrar em contato com as pessoas que, por diversas razões, estão afastadas da Igreja e ouvi-las. “Muitas delas demonstraram o desejo de retornar à Igreja, mas não sabem como. E nós teremos que ajudá-las”.  Ela salientou que o próprio questionário levou as pessoas a pensar em coisas que nunca haviam refletido. “Creio que esse questionário tinha um aspecto evangelizador, pois mexia com as convicções profundas da pessoa. Enquanto respondiam, as pessoas paravam para pensar sobre o assunto”. 

 

EM FAMÍLIA

A pesquisa de campo mobilizou famílias inteiras, como o caso da psicóloga Alessandra Roberta Taques, 45, que realizou pesquisas em seis paróquias do Setor Vila Maria, na Região Episcopal Santana, junto com seu marido, o analista de sistemas Jony Celestino da Silva, 51, e sua filha, a estudante de Nutrição Beatriz Taques Amorim, 20. A família percorreu 3,5 mil casas para alcançar a amostragem de católicos entrevistados dessas paróquias. 

“Esse sínodo serviu de aprendizado para nós mesmos. Há muitas perguntas do questionário que eu fazia a mim mesma: ‘Eu faço isso?’ Eu mudei muitos hábitos e costumes a partir dessa experiência. Por exemplo, eu não conhecia ainda o Catecismo da Igreja Católica, mas tratei de comprá-lo e lê-lo”, partilhou Alessandra.

 

ASSEMBLEIAS

As paróquias já receberam os relatórios da pesquisa de campo para fazerem suas análises nas assembleias paroquiais do sínodo, que já estão ocorrendo. Essas informações são essenciais para que aconteça a “renovação missionária” desejada pelo caminho sinodal da Igreja em São Paulo. Como enfatizou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, na ocasião da convocação do sínodo, será a oportunidade de a Igreja “olhar-se no espelho” e fazer uma profunda reflexão sobre sua vida e missão na cidade.

 

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Paróquia Santa Cruz de Itaberaba constata mudança no perfil dos paroquianos

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08 de novembro de 2018

As assembleias paroquiais do sínodo arquidiocesano estão ocorrendo em toda a Arquidiocese de São Paulo, desdobradas em três sessões.

Elas têm em vista a renovação pastoral e missionária da Igreja em São Paulo por meio de pesquisas de campo e levantamento de dados dos serviços paroquiais. 

Na Paróquia Santa Cruz de Itaberaba, na Região Episcopal Brasilândia, os dados do sínodo indicam mudanças. “Os questionários feitos pelos entrevistadores revelaram uma sensível mudança no perfil dos cristãos e paroquianos da Itaberaba”, contou o Padre Edemilson Camargo, Pároco. 

Ele também listou alguns outros aspectos revelados a partir da pesquisa de campo:

 

- Na área de abrangência da paróquia, não é mais apenas o homem o provedor das famílias, muitas mulheres e filhos também assumiram esse papel; 

- Houve aumento de ateus confessos;

- Cresceu o número de evangélicos, diminuiu a quantidade de adeptos do Espiritismo, e foram registradas pessoas que se declaram praticantes do Islamismo;

- Há pouco comprometimento e conhecimento sobre os documentos da Igreja;

- Muitos pais batizam apenas uma parte de seus filhos; Há significativa quantidade dos que já receberam a 1ª Comunhão; mas muitas pessoas ainda não são crismadas;

- A Paróquia foi classificada como de classe média, sem atuação em comunidades carentes, favelas ou cortiços.

 

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Sínodo dos Bispos chega ao fim e propõe maior empatia na relação com os jovens

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01 de novembro de 2018

“Caminhar juntos” é proposta de todo Sínodo dos Bispos, mas este, em especial, foi percorrido na companhia dos jovens. Após consultas em todo o mundo e uma reunião pré-sinodal em Roma, o Sínodo, ocorrido de 3 a 28 de outubro, refletiu sobre o caminhar da Igreja com os jovens. Entre as diversas resoluções está a de “escutar e ver os jovens com empatia”. Na missa de encerramento, o Papa Francisco refletiu sobre três atos que favorecem o crescimento na fé: escutar, fazer-se próximo e testemunhar. 

O documento final do Sínodo, que serve de base para o Papa escrever uma exortação pós-sinodal, fala do desejo da Igreja de alcançar todos os jovens, sem nenhuma exclusão. “A Igreja, no momento em que esse Sínodo escolheu se ocupar dos jovens, fez uma opção bem precisa: considera essa missão uma prioridade pastoral da época, para a qual deve investir tempo, energias e recursos”, diz o número 119. “Desde o início do caminho de preparação, os jovens expressaram o desejo de serem envolvidos, apreciados e de se sentirem protagonistas da vida e da missão da Igreja”.

De acordo com Dom Vilson Basso, Bispo de Imperatriz (MA) e padre sinodal, essa opção pelos jovens ficou clara no documento. “O Sínodo foi experiência de uma Igreja que quer aprender e encontrar caminhos com os jovens. A Igreja jovem. Partindo o pão e ouvindo a Palavra, quer abrir os olhos numa grande saída missionária, a partir da belíssima notícia do Cristo Ressuscitado”, disse ao O SÃO PAULO

Como ele, os outros padres sinodais evitaram criar uma distinção entre jovens e Igreja, falando, em vez disso, de uma “Igreja jovem”. “A participação responsável dos jovens na vida da Igreja não é opcional, mas uma exigência da vida batismal e um elemento indispensável para a vida de toda comunidade. As dificuldades e fragilidades dos jovens nos ajudam a ser melhores, as suas perguntas nos desafiam, as suas dúvidas nos questionam sobre a qualidade da nossa fé”, lê- -se no número 116. 

A imagem bíblica que representa esse caminho é a dos discípulos de Emaús. Conforme o Evangelho de Lucas, eles encontram Jesus ressuscitado, mas não o reconhecem imediatamente. Jesus caminha com eles enquanto se afastam da comunidade cristã de Jerusalém. Porém, ao se revelar aos discípulos, eles voltam e passam a compartilhar a experiência do Cristo Ressuscitado.

 

ESCUTAR, FAZER-SE PRESENTE, TESTEMUNHAR

“Também nós caminhamos juntos, fizemos Sínodo”, disse o Papa Francisco na missa de encerramento no domingo, 28. Referindo-se à passagem do Evangelho de Marcos que narra o “ministério itinerante” de Jesus e a adesão do cego Bartimeu, o Papa refletiu sobre três atos que favorecem o crescimento na fé.

Escutar, disse ele, é o “apostolado do ouvido”. “Gostaria de dizer aos jovens, em nome de todos nós adultos: desculpem se muitas vezes não os escutamos, e se, em vez de abrir o coração, enchemos os seus ouvidos. Como Igreja de Jesus, desejamos nos colocar à escuta com amor”, disse, na homilia. 

“Fazer-se próximo”, explicou, é envolver-se diretamente com as pessoas. “A fé passa pela vida. Quando a fé se concentra puramente sobre as formulações doutrinais, arrisca-se a falar só à cabeça, sem tocar o coração”, afirmou. “E quando se concentra só em fazer, arrisca-se a se tornar moralismo e reduzir-se ao social.”

Por fim, testemunhar é o terceiro passo. “Não é cristão esperar que os irmãos que estão à procura [de respostas] batam à nossa porta. Temos que ir até eles, e não levando nós mesmos, mas Jesus.”

 

AMADURECIMENTO NA FÉ

O jovem Lucas Galhardo, representante brasileiro no Sínodo, avalia que este tenha sido, para ele, uma experiência de amadurecimento na fé. “Foi viver a sinodalidade: caminhar juntos, sentir-se escutado e poder contribuir. É importante continuar esse caminho nas nossas comunidades. Levar essa cultura da escuta, para que a Igreja seja lugar de acolhida e mostre o amor de Jesus a todos”, disse. 

Nesse sentido, Dom Gilson Andrade da Silva, Bispo Coadjutor de Nova Iguaçu (RJ) e padre sinodal, comentou que se sentiu “enviado pelo Santo Padre” ao fim do Sínodo. “Foi uma experiência da universalidade da Igreja, de amizade e colaboração, sobretudo com os jovens. Vamos levar o desejo de estar próximos dos jovens, fomentar esse testemunho no nosso meio, e ajudá-los a se tornar protagonistas desta época”, completou. 

Em 60 páginas, o documento final apresenta uma série de propostas para uma ação pastoral com os jovens – e não só para os jovens. Entre elas, uma maior interação entre os grupos já existentes; a ideia de que toda pastoral juvenil também é vocacional; o acompanhamento pessoal dos jovens e a formação de mais leigos e consagrados nesse ministério; uma maior ênfase nos jovens durante a formação dos seminaristas e religiosos; e uma presença mais ativa no mundo digital, incentivando boas práticas para evitar notícias falsas e discursos de ódio. 

O texto está disponível, em italiano, no site do Vaticano, contudo em breve será traduzido para todas as línguas. “O Espírito Santo nos presenteia esse documento, também a mim, para podermos refletir sobre o que quer dizer a todos nós”, disse o Papa ao fim do Sínodo.
 

 

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Faculdade de Teologia promove estudo sobre sínodo arquidiocesano

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27 de outubro de 2018

O sínodo arquidiocesano de São Paulo foi tema de um evento acadêmico promovido pela Cátedra João Paulo II para a “Nova Evangelização”, da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção da PUC-SP, na segunda-feira, 22. Na ocasião, foi lançado um livro sobre esse tema, de autoria dos padres Valeriano do Santos Costa e Messias de Morais Ferreira. 

O evento, realizado no campus Ipiranga da PUC-SP, na zona Sul, contou com a presença do Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, da Reitora da PUC-SP, Maria Amalia Pie Abib Andery, além dos autores do novo livro.  

Dom Odilo fez uma conferência sobre o sínodo arquidiocesano. Ele destacou a importância do interesse da Faculdade pelo caminho sinodal da Igreja em São Paulo, que começou em maio de 2017 e segue até 2020. Ele ressaltou que o sínodo será um laboratório de vida pastoral, de iniciativas e metodologias também para os estudantes de Teologia. 

O Arcebispo também fez um breve histórico dos sínodos na vida da Igreja e as motivações que o levaram a convocar um sínodo para Arquidiocese de São Paulo. Ele ressaltou, ainda, que o sínodo é a oportunidade de uma grande tomada de consciência da Igreja a respeito de sua vida e missão da cidade, a partir da percepção da realidade e à luz do Espírito Santo, por meio da escuta à Palavra de Deus e da própria doutrina da Igreja. “O sínodo é uma grande oportunidade para que a Arquidiocese se aproprie, de alguma maneira, e coloque em prática na vida pastoral os grandes apelos da Igreja, do Concílio Vaticano II e do magistério recente”, acrescentou. 

 

O LIVRO

Com o título “O sínodo arquidiocesano de São Paulo – O desafio da evangelização nesta cidade”, lançado pela editora Educ, o livro é um estudo da Cátedra João Paulo II e do Grupo de Pesquisa de Teologia Litúrgica da PUC-SP e tem como objetivo ser uma contribuição acadêmica para o caminho sinodal da Arquidiocese.

Dividido em três capítulos, a obra discorre sobre a sinodalidade como caráter e princípio fundamental da Igreja e a instituição dos sínodos diocesanos. O livro também apresenta um estudo sobre o lema do sínodo arquidiocesano – “Deus habita esta cidade, somos suas testemunhas” –, baseando-se no pensamento do filósofo Xavier Zubiri, que intuiu a “inteligência senciente” como modo de o ser humano apreender e conhecer a realidade em sua vinculação entre sentir e inteligir. Por fim, a publicação reproduz um artigo intitulado “Tempos Líquidos, um desafio para a nova evangelização” produzido pela Cátedra João Paulo II como estudo avançado sobre o conceito de “modernidade líquida”, do soció- logo Zygmunt Bauman, mostrando a crise atual dos valores e a fragilidade das relações humanas como parte de um desafio que a nova evangelização tem de enfrentar. 

 

A CÁTEDRA

Criada há cinco anos, a Cátedra João Paulo II para a “Nova Evangelização” tem o objetivo de promover estudos sobre as obras do magistério de São João Paulo II. “São tantas encíclicas, exortações apostólicas, discursos, viagens e palavras, nas mais diversas circunstâncias e grupos. Temos muito a estudar e a aprender do magistério de São João Paulo II”, destacou o Cardeal Scherer. 

 

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Sínodo: o Papa entrega o Docat aos jovens auditores

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25 de outubro de 2018

A 19ª congregação geral do Sínodo dos Bispos dedicada aos jovens, teve início na manhã de quarta-feira, 24, e prosseguiu na parte da tarde com os trabalhos dos Padres para a elaboração do esboço do Documento final. Os participantes tiveram a possibilidade de tomar a palavra e entregar por escrito à Secretaria do Sínodo suas observações. Estas serão colocadas no texto definitivo pelo relator geral, Cardeal Sérgio da Rocha e pelos secretários especiais, os padres Giacomo Costa e Rossano Sala, coadjuvante dos especialistas.

 

 

 

 

Francisco entrega o Docat aos jovens auditores

A Sala do Sínodo teve um particular momento de festa quando o Papa entregou a todos os jovens auditores um exemplar do Docat: o livro que apresenta a Doutrina Social da Igreja numa linguagem jovem e dinâmica. O material foi desenvolvido com base em importantes documentos da Igreja desde Leão XIII até o atual pontificado do Papa Francisco, ele mesmo no prefácio, nos diz que “é um manual de instruções que nos ajuda, com o Evangelho, em primeiro lugar, a transformarmo-nos a nós mesmos, depois a transformarmos o nosso ambiente mais próximo e, por fim, o mundo inteiro”.

O sonho do Papa é que esta mudança aconteça pelas mãos dos jovens. “Eu espero que um milhão de jovens, mais ainda, que uma geração inteira seja, para os seus contemporâneos, uma Doutrina Social em movimento”, diz Francisco.

 

Hoje a peregrinação dos Padres Sinodais na Via Francígena: 300 inscritos

A próxima congregação geral, a 20ª será realizada na tarde de sexta-feira, 26, logo depois da reunião da Comissão para a redação do documento final: os presentes serão chamados para eleger os membros do XV Conselho Ordinário do Sínodo dos Bispos.

No entanto, nesta quinta-feira, 25, os padres Sinodais participarão junto com os auditores do Sínodo e os jovens das paróquias romanas a uma paregrinação de 6 quilômetros até o túmulo de São Pedro, percorrendo a Via Francígena. A peregrinação partirá do Parque de Monte Mario (bairro de Roma) e seguirá até a Basílica do Vaticano, onde será celebrada uma missa junto ao túmulo de Pedro com a presença do Papa, presidida pelo cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário geral do Sínodo dos Bispos.

 

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Dom Eduardo, Sínodo: será entregue ao Papa um material muito rico

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22 de outubro de 2018

Dia de reflexão nos trabalhos da XV Assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Na manhã do último sábado tivemos a 17ª Congregação Geral que teve no centro dos trabalhos, os 14 Relatórios dos Círculos Menores sobre a terceira parte do Instrumentum Laboris. Nesta segunda os padre sinodais têm uma pausa para refletir sobe o conteúdo dos relatório e sobre a proposta do texto final do Sínodo.

Para a Igreja é necessária – lê-se em alguns dos 14 Relatórios dos Círculos Menores - uma conversão pastoral e missionária que não seja um mero exercício técnico, mas uma exigência do seguimento de Cristo; uma conversão voltada à renovação da própria Igreja para aspirar a ser mais, a servir mais. Com efeito, o sonho do Sínodo é uma Igreja mais em conformidade ao Evangelho. E uma contribuição essencial para implementar tal conversão vem precisamente dos jovens: eles - sublinham os Padres Sinodais – não devem ser somente um objeto "receptor" preferencial da ação pastoral, mas também sujeitos protagonistas e participantes ativos nos processos de tomada de decisão, em uma ótica de corresponsabilidade e colegialidade, porque eles têm algo precioso para oferecer, com o qual o Senhor pode operar milagres.

Para o padre sinodal, Dom Eduardo Pinheiro, Bispo de Jaboticabal-SP, os trabalhos têm caminhando muito bem e ele acredita que o material que será entregue ao Papa será um material muito rico por causa da diversidade dos olhares, dos pensamentos e dos sonhos de bispos, de leigos, de jovens.

No entanto, afirma Dom Eduardo, esta será uma semana muito delicada, muito exigente, porque chegamos ao final, e como todo final de uma reflexão, se espera algumas coisas mais de orientação, práticas. Porém não podemos ter uma quantidade muito grande coisas práticas porque cada realidade é uma realidade diferente.

 

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Em assembleia, paróquias buscam ver o rosto da igreja em São Paulo

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23 de outubro de 2018

Começam a ser realizadas as assembleias paroquiais do sínodo arquidiocesano de São Paulo. Nesta edição, O SÃO PAULO apresenta os detalhes sobre os objetivos e metodologia das assembleias a partir do Regulamento e do Instrumento de Trabalho elaborados pela Comissão de Coordenação Geral do sínodo. Esses documentos, bem como outros subsídios e materiais, estão disponíveis no site da arquidiocese. Confira. 

 

CONVOCAÇÃO 

A assembleia será convocada pelo Pároco ou Administrador Paroquial, que também a presidirá, após prepará-la com a colaboração da Comissão Paroquial do sínodo. 

 

PARTICIPANTES

  Vigários Paroquiais, Sacerdotes e Diáconos que exercem o ministério na paróquia;

​​​​​​  Todos os membros do Conselho de Pastoral Paroquial;

  Todos os membros do Conselho de Assuntos Econômicos;

  Seminaristas que atuam na paróquia;

  Três representantes de cada grupo de reflexão sinodal, formado a partir das pastorais, serviços, movimentos, associações de fiéis e novas comunidades, presentes na paróquia;

  Três representantes de cada outro grupo de reflexão sinodal constituído para analisar o caminho sinodal na paróquia;

  Dois representantes de cada instituto de vida consagrada e sociedade de vida apostólica presentes na paróquia;

   Dez fieis escolhidos livremente pelo Pároco ou Administrador Paroquial, sendo a metade deles constituída por jovens.



1ª SESSÃO/ VER E ESCUTAR A REALIDADE

OBJETIVO

“Alongar mais o olhar e abrir os ouvidos para a realidade religiosa, pastoral e evangelizadora da paróquia”, por meio da apresentação das sínteses de cada uma das sete reuniões mensais e dos dois levantamentos paroquiais. 

COMO

  Apresentação das sínteses de cada uma das sete reuniões mensais

  Apresentação do resultado da pesquisa de campo na paróquia

  Apresentação do resultado do levantamento objetivo da vida e dos serviços paroquiais;

  Reflexão sobre o conteúdo das sínteses pelo Pároco ou Assessor; 

  Participação de oradores inscritos com o tempo delimitado de três minutos para cada intervenção.

 

2ª SESSÃO ESCUTAR/ DISCERNIR E PROPOR

OBJETIVO

Discernimento, à luz do Evangelho, sobre a realidade religiosa, evangelizadora e pastoral da paróquia e a elaboração de propostas para a renovação da vida e a missão da Igreja na paróquia nas suas diversas dimensões essenciais: liturgia e celebração; anúncio; catequese e formação; caridade pastoral; e testemunho de fé, esperança e caridade; 

COMO

   Apresentação da síntese elaborada pela Secretaria/Comissão Paroquial a partir das exposições e contribuições feitas na primeira sessão

   Organização de grupos de trabalho (de oito a dez pessoas) para aprofundar a reflexão e formular indicações, sugestões e propostas para alcançar os objetivos do tema e do lema do sínodo: promover “a comunhão, a conversão e a renovação pastoral e missionária” da paróquia e da Arquidiocese; 

   Apresentação em plenário das propostas e indicações dos grupos; 

   Comentário do Pároco ou Assessor e comentários suplementares do plenário.


 3ª SESSÃO DISCERNIR/ PROPOR E CELEBRAR

OBJETIVO

Apresentar as propostas, refletir sobre elas para um maior consenso e celebrar o exercício da comunhão e da corresponsabilidade, a pertença a uma comunidade eclesial e a graça de cooperar no processo de conversão e renovação da vida e da missão da Igreja. 

COMO

  Apresentação da síntese das reflexões e propostas dos grupos da segunda sessão

  Organização de grupos (de oito a dez pessoas) para refletir essa síntese da segunda sessão, ajustar, complementar e fazer nova síntese das propostas, juntando as que forem iguais ou semelhantes;

  Nova apresentação em plenário do trabalho dos grupos e últimas intervenções individuais

  Votação das propostas apresentadas em plenário, para obter um consenso geral sobre as propostas e indicações da assembleia paroquial do sínodo;

  Indicação de dois representantes da paróquia para a segunda etapa do sínodo arquidiocesano nas Regiões Episcopais em 2019

 

RELATÓRIOS

Os relatórios completos das assembleias paroquiais do sínodo deverão ser entregues ao Secretariado de Pastoral das respectivas regiões episcopais no prazo de 15 dias após a realização das assembleias e, no máximo, até o final da primeira semana de dezembro de 2018.

 

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Sínodo: salvaguardar a Criação, "casa comum" das futuras gerações

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18 de outubro de 2018

A Igreja seja arauto no campo da ecologia, porque é preciso fazer mais para deixar uma “casa comum” intacta às jovens gerações:  essa foi a reflexão inicial na Sala do Sínodo, no Vaticano, na tarde de quarta-feira, 17, na décima quinta Congregação Geral do Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens.

O sonho de muitos jovens é de uma Igreja profética no campo da ecologia e da economia: o grito da terra e o grito dos pobres não podem ser ignorados, acrescentou um auditor.

Efetivamente, a falta de respeito ao ambiente gera novas pobrezas; daí, o apelo a modificar os sistemas econômicos mediante uma verificação atenta dos consumos, dos investimentos e das prestações de contas. Porque aquilo que as comunidades cristãs, os institutos de vida consagrada, as associações e os movimentos eclesiais administram não são de sua propriedade, mas estão a serviço dos pobres, afirmou-se na Sala do Sínodo.

Ademais, os padres sinodais recordam que a exploração das terras por parte de multinacionais tem consequências catastróficas nos ecossistemas locais, obrigando as populações do lugar a migrar.

 

Trabalho conceda espaço à criatividade dos jovens

A análise sobre o tema do trabalho foi também central na Congregação Geral em questão: hoje ele é considerado principalmente um fonte de renda. Mas tal abordagem puramente econômica cai no reducionismo, porque priva o trabalho da sua dimensão humana e mina sua criatividade.

Os jovens, ao invés, sonham um serviço que corresponda a suas aptidões, porque somente assim se sentirão realizados. Daí, o chamado do Sínodo à importância dos ensinamentos da Doutrina social da Igreja.

 

Ajudar os jovens a frequentar a Bíblia

Depois foi dado espaço ao tema do protagonismo juvenil e às suas dificuldades, entre as quais o clericalismo. Os bispos reconhecem algumas faltas do clero, mas, ao mesmo tempo, encorajam os leigos a serem mais proativos na vida eclesial.

É preciso buscar o verdadeiro protagonismo, ou seja, não aquele protagonismo que se inspira na própria pessoa, mas em Cristo e nos Santos, afirmam o padres sinodais. Com efeito, a vocação à santidade é universal: ela dá sentido à ação da Igreja e da vida cristã, representando sua face mais bonita. De resto, atualmente há 160 jovens entre os Santos, amigos apaixonados por Jesus Crucificado. Igual número de jovens encontra-se com o processo de canonização em curso.

“Ajudemos os jovens a frequentar a Bíblia”, reiteram ainda os bispos, porque ela custodia as respostas às muitas perguntas deles. Nesse sentido, a Pastoral da Juventude deverá ter dois objetivos claros: o encontro da juventude com Cristo e a escuta dos jovens, a fim de que se sintam “interligados” na vida eclesial.

 

Em causa a credibilidade da Igreja

Os jovens esperam da Igreja credibilidade, ou seja, concordância entre a ação e a doutrina, porque não adianta pedir perdão, se depois não se seguem gestos e atitudes concretas. E para ser críveis é preciso enfrentar questões cruciais como a dos abusos, a fim de que as culpas sejam assumidas e as estruturas sejam renovadas.

 

Opções pelos jovens e com os jovens

Em seguida foi dado espaço ao tema do mundo digital: os bispos sugerem, por exemplo, que as jovens gerações participem da redação sobre padrões éticos para as páginas web católicas, e que se reflita sobre as possibilidades que as redes sociais oferecem no campo do diálogo inter-religioso.

É preciso audácia por parte da Igreja também para desafiar o mundo sobre temas críticos como o tráfico de armas, para falar aos líderes internacionais com clareza, a fim de que não coloquem mais em risco o futuro dos jovens, continuam os bispos.

Deve-se portanto dar sempre apoio aos jovens – sugere o Sínodo –, inclusive economicamente, buscando passar da “opção pelos jovens” para a “opção com os jovens”, porque isso significa envolvê-los plenamente na vida eclesial e ter a consciência de que eles não representam um problema, mas são parte da solução.

É preciso humildade: os jovens devem ser respeitados, ouvidos, acompanhados ao longo do caminho, sem “domesticá-los” ou apagar a paixão que os caracteriza, afirmam os bispos.

 

Renovar a catequese e relançar as escolas católicas

O Sínodo reflete ainda sobre a catequese e sobre a necessidade de renová-la, sobretudo diante da proliferação das seitas, em particular em alguns países africanos. Daí, a sugestão a relançar a evangelização de modo concreto, envolvendo os jovens diretamente e utilizando uma linguagem adequada que saiba aprofundar a fé.

A reflexão sobre os jovens que vivem nas “periferias da sociedade”, verdadeiros territórios de missão em que a Igreja pode e deve levar evangelização e formação, é também central.

Efetivamente, a educação não deve ser um privilégio, mas um direito. Por isso, o Sínodo evoca a importância das escolas católicas, lugar de encontros profundos e formativos: as escolas e as universidades católicas não ensinam, mas fazem experimentar a caridade, o serviço, a justiça, tornando-se desse modo verdadeiras experiências de vida e de fé.

Ademais, a Sala do Sínodo não esqueceu o drama dos jovens dependentes das drogas: a Igreja é a única instituição que pode pronunciar uma palavra profética nesse âmbito, reiterando a necessidade de lutar contra uma “cultura da morte” galopante, afirmam os padres sinodais.

 

Jornadas da juventude, momento de encontro e diálogo

O olhar do Sínodo volta-se também para as Jornadas da juventude, momento de encontro, mas também de diálogo inter-religioso entre jovens por vezes de diferentes credos. Tais Jornadas são o exemplo de uma Igreja em saída e representam o espaço propício para renovar-se e sonhar, porque não é sonhar que ajuda a viver, mas é viver que deve ajudar a sonhar, afirma também um auditor.

Nas intervenções dos auditores voltou mais uma vez o tema da necessidade de valorizar mais a mulher no seio da vida eclesial, assim como de um Igreja “generativa” que se faz com os jovens – corresponsáveis, envolvidos e não convocados – evangelizadores de seus coetâneos.

Em suma, uma Igreja plural, que aposte contra todo tipo de personalismo, todo tipo de obstáculo ao diálogo.

 

Constituída Comissão para redigir Carta do Sínodo aos jovens

Por fim, como auspiciado por vários participantes do Sínodo, foi constituída uma Comissão para redigir uma Carta da Assembleia aos jovens do mundo inteiro. A Comissão é constituída de cinco padres sinodais (o arcebispo de Bangui, na República Centro-Africana, cardeal Dieudonné Nzapalainga; o bispo auxiliar de Lyon, na França, Dom Emmanuel Gobbillard; o arcebispo de Sydney, na Austrália, Dom Anthony Colin Fisher; o bispo de San Justo, na Argentina, Dom Eduardo Horacio García); dois jovens auditores (Briana Regina Santiago, das Apóstolas da Vida Interior nos EUA, e Anastasia Indrawan, membro da Comissão para os jovens da Conferência Episcopal Indonésia); um especialista (o responsável pelo Serviço nacional para a Pastoral da Juventude da Conferência Episcopal Italiana, Pe. Michele Falabretti) e o convidado especial, prior da Comunidade ecumênica de Taizé, Irmão Alois. Assim que estiver pronto, o esboço da Carta será apresentado na Sala do Sínodo.

 

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Bispos chineses no Sínodo: aqui há uma única fé da Igreja, somos uma grande família

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15 de outubro de 2018

Em uma entrevista à Rádio Vaticano-Vatican News, os dois bispos da China continental, John Yang Xiaoting e Joseph Guo Jincai, expressaram sua alegria por estarem presentes pela primeira vez em uma assembléia sinodal.

A alegria de pode participar de um Sínodo, pela primeira vez, a recepção calorosa e a consciência de fazer parte de uma grande família, a da Igreja, são alguns dos sentimentos expressos pelos dois bispos da China continental John Baptist Yang Xiaoting e Joseph Guo Jincai em ocasião de uma entrevista concedida em 12 de outubro, à redação chinesa da Rádio Vaticano - Vatican News no Palazzo Pio. Os dois bispos relataram sua experiência sinodal e descreveram a atividade pastoral de suas dioceses.

Excelências, vocês poderiam expressar seus sentimentos por sua presença no Vaticano para este Sínodo sobre os jovens, a fé e o discernimento vocacional?

Dom Joseph Guo JincaiComo bispo chinês, estou feliz em participar do Sínodo pela primeira vez. Sentimos que a Igreja é uma família e recebemos uma recepção calorosa. Juntamente com o Papa, os cardeais e os bispos de todo o mundo, falamos sobre os problemas relativos aos jovens, o discernimento das vocações e como enfrentar os desafios do nosso tempo. Nós sentimos que aqui há a única fé da Igreja e que somos uma grande família. Nós compartilhamos nossas reflexões com outros bispos e discutimos as questões atuais que devemos enfrentar.

Dom John Yang: Concordo com Dom Guo. Eu tenho o mesmo sentimento a esse respeito. Este Sínodo é feito para os jovens de todo o mundo. Para os jovens chineses, este Sínodo é muito atual e os temas que foram discutidos são o que precisamos para a formação vocacional e são como um guia. Para nós este Sínodo é muito significativo, uma boa experiência.

Vocês poderiam nos falar sobre a realidade vocacional dos jovens chineses, o acompanhamento da vocação e da formação?

Dom Joseph Yang: Desde 2002 trabalho com a formação no seminário, ao qual dedico grande parte do meu tempo. Para a formação e o discernimento, penso que os problemas encontrados são semelhantes aos de outros países do mundo. Para o discernimento das vocações, trabalhamos na formação, no catecismo, na importância do conceito de vocação, que não é somente para os consagrados, mas também para os leigos. No discernimento, começamos de um trabalho pastoral, para que os jovens possam olhar para sua própria vocação sob diferentes pontos de vista. Nas dioceses mais preparadas há o Comitê para as Vocações e a Pastoral Juvenil, que oferecem acompanhamento em diversos aspectos da vida.

Falando de vocações religiosas, há projetos para ajudar os jovens a discernir?

Dom John YangComo eu dizia, nas dioceses mais preparadas há o Comitê para as vocações e os jovens são acompanhados por sacerdotes quer na formação como na fé, assim como no crescimento humano. Esses projetos começaram há mais de uma década na Igreja na China. Convocamos os seminários importantes, lançamos projetos e discutimos sobre como lidar com os atuais desafios e desenvolvimentos no futuro.

O casamento também é uma vocação. Para os jovens que pretendem seguir essa vocação, suas dioceses têm projetos de formação ou acompanhamento?

Dom Joseph Guo Jincai: Sob a orientação dos bispos, dioceses e em cada paróquia temos os Departamentos de acompanhamento especialmente para os jovens casados ​​e aqueles que estão se preparando para o casamento, oferecendo-lhes cuidados pastorais. A Exortação "Amoris laetitia" expressou o amor do Papa Francisco pelos jovens e pelas famílias. Creio que isso seja importante para todas as famílias, porque cada família recebe o chamado de Deus. Cada família e a vocação da família estão ligadas ao crescimento da Igreja e ao serviço da sociedade. Portanto, a estabilidade da família trará o bem para toda a sociedade. Devemos rezar pelas famílias e por esta vocação, para que com a fé possam ser guardadas as promessas matrimoniais e continuem a seguir este chamado de Deus, para isso rezamos pelos jovens e pelas famílias.

Dom John YangNas diversas dioceses na China continental são realizadas diversas atividades  em favor do casamento e da família. Cada diocese, de acordo com suas próprias exigências, oferece uma formação pré-matrimonial e durante o casamento. Algumas dioceses, mais preparadas ou que dispõe de recursos, ajudam as paróquias a oferecer cursos para os jovens, sempre sob a orientação do Comitê Pastoral. Algumas dioceses têm seu próprio centro, com cursos regulares ou de curta duração, também têm um treinamento sobre ética matrimonial que ajuda muito os jovens na vida conjugal.

Qual tema do Sínodo você mais impressionou vocês?

Dom Joseph Guo JincaiA palavra que todos nós temos dado importância e que permaneceu em mim: vocação. Mas qual é a vocação? A vocação é o chamado de Deus, Deus chama cada pessoa, porque cada um de nós é criado por Ele. Agora sentimos que a nossa tarefa é ainda mais difícil no tema da vocação dos jovens. Somos chamados a proclamar o Evangelho, a fortalecer nossa fé e a servir nossa sociedade, dando nossa contribuição ao país. Esperamos também que com a vocação possamos levar a paz ao mundo.

Dom John YangO tema deste Sínodo, a fé e o discernimento vocacional, é muito interessante, significativo e atual para a Igreja de hoje. A Igreja fala hoje dos problemas que devemos enfrentar, de como ajudar os jovens a viver a sua fé e encontrar os verdadeiros valores em suas vidas. Esta é uma das discussões mais importantes. Neste tema, temos visto dificuldades e desafios em outros países do mundo. Na realidade, este Sínodo ajuda-nos a compreender como podemos acompanhar os jovens no trabalho pastoral, como ajudá-los a testemunhar a sua fé seguindo a sua vocação.

Neste Sínodo, falou-se muitas vezes de uma palavra chave: "escutar", ou seja, escutar e acompanhar, ouvir a voz dos jovens. Quais são seus pensamentos sobre isso?

Dom Joseph Guo JincaiEu compartilhei minha reflexão no Círculo Menor em francês, junto com cardeais e bispos de diferentes nacionalidades. De fato, quando falamos juntos, isso já é escutar, ou seja, ouvir as vozes dos jovens vindos de diferentes nações, e escutar também significa acompanhar. Escutar permite que os jovens já não se sintam mais sozinhos, já não são mais sem esperança quando têm dificuldades, porque a Igreja sempre será sua família e os acompanhará para sempre.

Dom John YangDesde o início, neste Sínodo, tanto nas Congregações Gerais como nos Círculos Menores, há muitos que falam, também jovens e leigos. E para refletir sobre seus discursos, até mesmo os dos cardeais e bispos, para mim também é escutar. Por isso, a palavra escutar é realmente concretizada neste Sínodo.

O que vocês gostariam de dizer aos jovens e aos católicos chineses?

Dom Joseph Guo JincaiJovens irmãos na fé, o nosso propósito mais sentido neste Sínodo é justamente o de ouvir as vozes dos jovens em diferentes situações, também  a dos jovens chineses. Nós rezamos por vocês e vamos acompanhá-los, ouvindo suas necessidades. Ajudar-vos-emos com o cuidado pastoral, como Jesus ressuscitado escutava e acompanhava os dois jovens no caminho de Emaús. Que Deus cuide de vocês!

Dom John Yang: Acho que neste momento os jovens e os católicos querem saber que inspiração lhes poderia advir deste Sínodo. Eles aguardam uma mensagem alegre. Eu gostaria de compartilhar meu desejo com os jovens na China continental. Este Sínodo é para jovens de todo o mundo e também para jovens chineses. Aqui se fala de acompanhamento, de buscar resolver os problemas dos jovens, da orientação para os jovens na fé. Eu gostaria de dizer a vocês: a Igreja precisa de jovens, a Igreja ama os jovens e, acima de tudo, vê que os jovens são o futuro da Igreja. O Senhor ama os jovens, a Igreja ama os jovens, nós, bispos, amamos os jovens.

 

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Hora de preparar as assembleias paroquiais do sínodo

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13 de outubro de 2018

Com a proximidade das assembleias paroquiais do sínodo arquidiocesano de São Paulo, é importante destacar o papel das comissões paroquiais do sínodo junto com os párocos ou administradores paroquiais. Dentre as suas muitas atribuições descritas no Regulamento Geral do sínodo, está a de reunir as sínteses das reflexões feitas pelos grupos nos encontros mensais iniciados em março. Outra atribuição é a elaboração do relatório das próprias assembleias, que será o resultado dessa etapa paroquial e será usado como base para as etapas regionais (2019) e arquidiocesana (2020).

 

SÍNTESES

A primeira sessão das assembleias paroquiais é destinada a ver e compreender a realidade religiosa, pastoral e evangelizadora da paróquia. Para isso, serão apresentadas as sínteses dos encontros e o resultado do levantamento de campo que está sendo realizado em cada paróquia. 

O roteiro elaborado para os encontros mensais do sínodo propõe a reflexão sobre as diversas dimensões da vida e da missão da própria Igreja presentes na paróquia, como seu serviço à Palavra de Deus, à caridade pastoral, à santificação do Povo de Deus, entre outros. No final de cada encontro, são propostas questões que estimulem contribuições de cada grupo a serem encaminhadas para a comissão paroquial. São essas contribuições que deverão ser sintetizadas para a assembleia. 

Padre José Arnaldo Juliano, Teólogo-Perito do sínodo arquidiocesano, explicou ao O SÃO PAULO que essas sínteses deverão apresentar as contribuições de forma objetiva e clara, reunindo elementos comuns de diferentes grupos, elencando o que mais foi apontado pelos grupos sobre cada aspecto. Ele também alertou para o cuidado para que nenhum assunto proposto seja desconsiderado, mesmo aqueles que eventualmente não sejam consideradas relevantes, pois, dessa contribuição, podem surgir outras reflexões na assembleia. “Só assim poderemos ter um grande ‘ver’ da realidade da Igreja na cidade, em vista de uma conversão e renovação missionária”, disse. 

Uma maneira de ajudar na elaboração dessas sínteses é ter à mão o roteiro dos encontros e partir das próprias perguntas contidas nele, reunir as contribuições referentes a cada dimensão tratada nos encontros.

 

RELATÓRIO DA ASSEMBLEIA

Ainda segundo o Teólogo-Perito, a elaboração do relatório das assembleias paroquiais deve ter como  eixo três aspectos: identificar como o conteúdo apresentado na primeira sessão – análise dos levantamentos e sínteses dos grupos – foi recebido pela assembleia, que impressões tiveram diante da realidade exposta; o que a assembleia acrescentou para completar essas contribuições apresentadas; e, por fim, quais propostas começaram a surgir a partir da percepção e discernimento sobre a realidade que contribuam para uma renovação pastoral e missionária da paróquia, da região ou vicariato e da Arquidiocese como um todo. 

Nesse sentido, é imprescindível o papel dos secretários das assembleias que tomarão nota de tudo o que for dito e refletido nas sessões para que seja elaborado um relatório rico de contribuições que serão encaminhadas às regiões episcopais.  

 

ATENTA À DIVERSIDADE DE EXPRESSÕES

Reforça-se, ainda, que os párocos e administradores paroquiais com as comissões paroquiais estejam atentos para que o maior número possível de pessoas e expressões eclesiais presentes na paróquia participem do processo de reflexão, para que as sínteses levadas às assembleias sejam a melhor percepção possível das forças vivas da Igreja. Nesse sentido, é importante envolver as pastorais, movimentos, novas comunidades, associações, congregações religiosas e demais grupos de fiéis presentes e atuantes na paróquia.  

“Não tenhamos medo ‘de nos olharmos no espelho’, e de fazer um discernimento evangélico sobre a nossa realidade, que nos interpela e por meio da qual Deus nos fala a respeito da missão que temos a realizar nesta imensa cidade de São Paulo”, afirmou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano. 

O roteiro dos encontros, bem como o regulamento e o instrumento de trabalho das assembleias estão disponíveis no site da Arquidiocese de São Paulo.

 

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