Novos caminhos para a Igreja na Amazônia

Por
26 de fevereiro de 2019

“Encontrar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, sobretudo dos indígenas, muitas vezes esquecidos e sem a perspectiva de um futuro sereno, também por causa da crise da floresta Amazônica, pulmão de importância fundamental para o nosso planeta.” Essa foi a finalidade principal apresentada pelo Papa Francisco ao convocar, em 15 de outubro de 2017, uma Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, que será realizada em outubro deste ano, no Vaticano.

Com o tema “Amazônia, novos caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral”, participarão do Sínodo os bispos e representantes dos nove países que constituem a chamada Pan-Amazônia – Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela, incluindo a Guiana Francesa como território ultramar –, envolvendo sete conferências episcopais.

 

DOCUMENTO PREPARATÓRIO

Desde a sua convocação, a Igreja presente na Amazônia tem realizado encontros para estudar e aprofundar a proposta do Sínodo.

Como em todas as assembleias sinodais, foi elaborado um documento preparatório que serve como texto-base que oferece uma análise de conjuntura atual da Amazônia e aponta percursos e novos caminhos para a Igreja a serviço da vida nessa região. O subsídio recolhe sugestões e propõe caminhos para uma preparação adequada para a Assembleia.

 

METODOLOGIA

O Documento Preparatório é composto de uma introdução e três partes, que correspondem ao método “ver, discernir e agir”, que já havia sido utilizado no Sínodo sobre a família em 2014 e 2015. No fim do texto, há um questionário sobre o qual as igrejas locais trabalharão.

Na ocasião da apresentação do documento, no Vaticano, o Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, ressaltou que, mesmo que o tema seja referente a um território específico, as reflexões superam o âmbito regional e pretendem fazer uma ponte com outras realidades geográficas semelhantes, como a Bacia do Congo, o corredor biológico centro-americano, as florestas tropicais da Ásia no Pacífico e o sistema aquífero Guarani. Também, por isso, o Sínodo será realizado em Roma.

 

VER

A primeira parte traça a identidade da região e a necessidade de escuta. Os assuntos abordados são: o território; a variedade sociocultural; a identidade dos povos indígenas; a memória histórica eclesial; a justiça e os direitos dos povos, bem como a espiritualidade e sabedoria dos povos amazônicos.

 

DISCERNIR

A segunda parte convida a discernir novos caminhos a partir da fé em Jesus Cristo, à luz do Magistério e da Tradição da Igreja. O conteúdo dessa parte é marcado pelo anúncio do Evangelho na Amazônia, nas suas diversas dimensões: bíblico-teológica, social, ecológica, sacramental e eclesial-missionária.

 

AGIR

A terceira parte aponta “Novos caminhos para uma Igreja com rosto amazônico”. Nesse trecho, é o Papa Francisco quem indica o caminho para entender a expressão “rosto amazônico”

“Os novos caminhos terão uma incidência nos ministérios, na liturgia e na teologia (teologia indígena)”, destaca o texto.

QUESTÕES

O questionário apresentado no fim está dividido metodologicamente de acordo com as partes do documento para facilitar os trabalhos que serão realizados pelas comunidades e grupos que responderão às perguntas.

“Nessa escuta, podem-se conhecer os desafios, as esperanças, as propostas e reconhecer os novos caminhos que Deus pede à Igreja nesse território”, diz o Documento.

 

PASSOS SEGUINTES

Sobre a base das respostas do questionário vindas de todas as igrejas locais da Amazônia, será preparado um segundo documento denominado Instrumentum Laboris (Instrumento de Trabalho), que constituirá o texto de referência para o debate sinodal. “Este documento deverá ser publicado e enviado aos padres sinodais e aos outros participantes alguns meses antes da celebração da assembleia sinodal, isto é, por volta do mês de junho”, explicou Dom Fábio Fabene, Sub- -secretário do Sínodo dos Bispos.

Ao fim da assembleia, será elaborado um documento final com propostas que serão apresentadas ao Papa e, a partir das quais, ele poderá redigir uma exortação pós-sinodal sobre o tema.

 

Cardeal Scherer: ‘O que mais importa é que Jesus seja anunciado na Amazônia’

Durante a sessão acadêmica na qual recebeu o título de doutor honoris causa na Universidade Católica de Kaslik, no Líbano, no dia 8, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, fez um reflexão sobre o Sínodo para a Amazônia.

Dom Odilo ressaltou que a assembleia sinodal não tratará apenas de questões ambientais e antropológicas, que também interessam à missão da Igreja. “Trata-se de questões que interpelam diretamente a missão religiosa da Igreja”, disse.

 

ESCASSEZ DE MISSIONÁRIOS

O Arcebispo recordou que, ao longo dos mais de 400 anos de ação evangelizadora na região, a Amazônia sempre contou com a ajuda de missionários vindos de vários países. Inclusive, a maioria dos bispos era formada de estrangeiros até pouco tempo. “Atualmente, porém, essa situação mudou drasticamente, pois os missionários já não chegam em grande número e os recursos econômicos vindos de fora foram muito reduzidos”, apontou.

Dentre os grandes desafios para a Igreja na Amazônia, Dom Odilo apontou a formação do clero próprio, de religiosos e consagrados. “Há muita falta de sacerdotes e o povo fica desassistido por longos períodos. Ao mesmo tempo, há uma penetração proselitista agressiva nos territórios da Amazônia, que leva muitos católicos pouco formados na própria fé a aderirem a esses grupos neopentecostais”, alertou.

 

ROSTO AMAZÔNICO

“Fala-se da necessidade de desenvolver uma ‘Igreja com rosto amazônico e indígena’”, ressaltou o Cardeal.

“O que mais importa é que Jesus Cristo seja testemunhado, anunciado, celebrado e comunicado na Amazônia, e que a força do Evangelho converta as pessoas e promova a dignidade de seus habitantes, seja força de fraternidade e solidariedade na construção de novos modelos de desenvolvimento e condições de vida”, completou Dom Odilo.

 

VENEZUELA

 

Soma 458.345 km², o que representa 50% do território nacional. Tem baixa densidade populacional (cerca de 20 habitantes/km²), porém é onde habitam 24 povos nativos do total existente no País. Possui sete jurisdições eclesiásticas: quatro dioceses e três vicariatos apostólicos.

 

COLÔMBIA

A região amazônica da Colômbia compreende 477 mil km² (42% do território nacional) e é a área menos populosa do País. As jurisdições eclesiásticas no território são 14: oito vicariatos e seis dioceses.

 

EQUADOR

A área amazônica do Equador corresponde a 120 mil km² (48% do território nacional). Ali vive aproximadamente 5% da população equatoriana, cerca de 740 mil habitantes. Lá existem povos que se mantêm sem contatos com a sociedade, como os tagaeri, taromenane e oñamenane. A Igreja no território se divide em seis vicariatos apostólicos.


 

PERU

A Amazônia peruana compreende uma área de 782.880.55 km² ao leste da Cordilheira dos Andes. Um dos territórios com maior biodiversidade e endemismos do planeta, cobre duas regiões naturais: selva alta e selva baixa, ocupando mais de 60% do território peruano. Depois do Brasil, é o segundo país em território de floresta Amazônica. Abriga apenas 13% da população nacional. As jurisdições eclesiásticas no território são dez: oito vicariatos e duas dioceses.

 

GUIANA

A região amazônica da Guiana cobre quase 75% do total do território, que é de 214.970 km², e onde vivem nove povos originários reconhecidos que conservam seus próprios dialetos: akawaio, arekuna, kariña, lokono, makushi, patamona, waiwai, wapishana e warau. A única circunscrição eclesiástica no País é a Diocese de Georgetown, sufragânea da Arquidiocese de Port of Spain, no Caribe.

 

SURINAME

Ocupando cerca de 90% dos 163.820 km² do território do País, a Amazônia do Suriname conta com 459 mil habitantes. A maioria da população é descendente de escravos africanos ou é de trabalhadores indianos e javaneses levados pelos holandeses para trabalhar na agricultura. A Diocese de Paramaribo compreende todo o País.

 

GUIANA FRANCESA

O País é um departamento francês de ultramar e, por isso, faz parte da União Europeia. Ocupa uma superfície de 92.300 km², dos quais 90% são de floresta Amazônica, onde o principal meio de acesso é a via fluvial. A população é de aproximadamente 295 mil habitantes e sua maioria vive no litoral. A única diocese do País é Caiena, sufragânea da Arquidiocese de Fort-du-France, na Martinica.

 

BRASIL

A Amazônia brasileira ocupa uma superfície de 5.217.423 km², correspondente a cerca de 61% do território do País. Nesta área, vivem em torno de 23 milhões de pessoas. Lá reside 55,9% da população indígena brasileira. Uma recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) quantificou 305 etnias indígenas e ainda diversos povos isolados, sem contato com a civilização. As jurisdições eclesiásticas no território são 56: nove prelazias e 47 dioceses.

 

BOLÍVIA

A Amazônia boliviana ocupa uma área de 714 mil km² (43% do território nacional). De acordo com informações fornecidas pelas seis jurisdições eclesiais da região, a área é povoada por 1.266.379 habitantes: povos indígenas, camponeses, interculturais (colonos) e afrodescendentes. Um total de 29 povos indígenas habitam atualmente no território da Amazônia boliviana.

 

PAN-AMAZÔNIA

Com um território de mais de 7,5 milhões de km², a Pan-Amazônia envolve uma área maior que toda a Europa ocidental, compreendendo nove países, onde vivem cerca de 34 milhões de pessoas, dentre as quais, 3 milhões são indígenas de 390 etnias diversas.

A bacia amazônica representa para o planeta uma das maiores reservas de biodiversidade (30 a 50% da flora e fauna do mundo), de água doce (20% da água doce não congelada de todo o planeta), e possui mais de um terço das florestas primárias do planeta. Também a captação do carbono pela Amazônia é significativa, embora os oceanos sejam os maiores captadores de carbono.

 

QUEM PARTICIPARÁ DO SÍNODO?

Como se trata de uma assembleia especial, possui critérios específicos de participação. Sendo assim, esse Sínodo prevê a convocação de todos os bispos que têm o cuidado pastoral do território amazônico. Desse modo, participarão os bispos diocesano residenciais e ordinários e seus equivalentes, segundo o Direito de cada circunscrição eclesiástica da Região Pan-Amazônica. Ao todo, serão 102 prelados, desses, 57 brasileiros.

TAMBÉM PARTICIPARÃO:

  • Os presidentes das sete conferências episcopais presentes na Região;
  • A presidência da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam);
  • Representantes do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam);
  • Alguns chefes de dicastérios da Cúria Romana;
  • Religiosos que atuam missionariamente na Amazônia;
  • Especialistas eclesiásticos, leigos com competência na matéria do Sínodo, auditores eclesiásticos e leigos, delegados fraternos representando confissões religiosas cristãs, enviados especiais e representantes de outras religiões e organismos civis diversos.

O Papa também possui a prerrogativa de nomear outros membros como padres sinodais, entre bispos, sacerdotes e religiosos, em razão de suas competências na região geográfica e cultural em questão na assembleia.

 

‘Uma terra onde Deus levantou sua tenda’

Luis Alfredo Hormazábal Solar é missionário leigo consagrado do Chile. Ele chegou ao Estado do Amazonas há 14 anos. Já trabalhou na Arquidiocese de Manaus, na Diocese de Coari e, atualmente, colabora na Prelazia Apostólica de Borba, onde atua na administração e na visita às comunidades do interior, junto ao Rio Madeira.

Em entrevista ao O SÃO PAULO, o Missionário destacou que um dos principais desafios para a atividade evangelizadora são as distâncias. “Quem ‘manda’ no nosso trabalho é o rio. Nós dependemos das condições do clima, para podermos desenvolver o nosso trabalho. Nos tempos da seca, por exemplo, que começa entre abril e maio, os rios começam a secar e fica muito difícil alcançar algumas comunidades que ficam distantes do município. Essa é uma realidade não só da Prelazia, mas de toda a Amazônia”, relatou.

 

PELA ÉGUAS

O Missionário deu como exemplo que a distância entre Manaus e Novo Aripuanã, último município do território da Prelazia de Borba, é de dois dias e uma noite de barco. “Se quisermos ir à comunidade que fica no extremo dessa paróquia, levamos mais sete dias de navegação”, acrescentou.

Para desempenhar essa missão, as paróquias contam com barcos, item essencial para a Igreja amazônica. O custo de manutenção desses veículos é muito alto. Por essa razão, as viagens pastorais dos missionários são ocasiões em que se atendem o máximo possível de fiéis. Nessas visitas, que duram em média 15 ou 20 dias, são realizados casamentos, batismos, visitas aos doentes, catequeses, se solucionam problemas e, quando há sacerdotes, celebram-se os sacramentos da Eucaristia, Reconciliação, Unção dos Enfermos e Crisma, quando há delegação do bispo.

 

FORÇAS HUMANAS

Luis enfatizou, ainda, que essas dificuldades se agravam com a falta de missionários. “Não é todo mundo que quer vir trabalhar na Amazônia, nem todos que vindo para cá resistem às condições de isolamento, clima e até mesmo de doenças próprias da região tropical”, disse.

Para o Missionário, são muitas as expectativas sobre o Sínodo para a Amazônia. “A primeira coisa que esperamos é que, de fato, se conheça a realidade da Amazônia. Aqui não há só índio, onça e jacaré. Há, sobretudo, pessoas com uma cultura riquíssima, que lutam para manter sua tradição, seus costumes, sua natureza. Que se saiba que aqui existe um mundo do qual todos devemos cuidar. Que se conheça a Amazônia como uma terra onde Deus levantou sua tenda.” 

(Com informações da Repam e Sínodo dos Bispos)

 

LEIA TAMBÉM: ‘Este é o momento histórico para a Amazônia’

Comente

‘Este é o momento histórico para a Amazônia’

Por
26 de fevereiro de 2019

O Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo e Presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), foi o convidado da aula inaugural do ano letivo de 2019 da Faculdade de Teologia da PUC-SP, no campus Ipiranga, na terça-feira, 19. Dom Cláudio fez uma conferência sobre a preparação da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, que será realizada em outubro, no Vaticano.

Além de Presidente da Repam, o Cardeal Hummes é membro da Comissão Especial para a Amazônia da CNBB, e, por isso, foi nomeado pelo Papa como um dos membros da comissão que auxilia a Secretaria Geral do Sínodo a preparar a Assembleia.

 

PROCESSO GRADUAL

Dom Cláudio explicou que a decisão do Papa de realizar um sínodo para a Amazônia resulta de um processo gradual, que se iniciou em 2013, durante sua viagem ao Rio de Janeiro, para a Jornada Mundial da Juventude. Nessa ocasião, em um discurso aos bispos brasileiros, o Santo Padre deu destaque especial à Igreja na Amazônia, identificando-a “como teste decisivo, banco de prova para a Igreja e a sociedade brasileira”.

Um tempo depois, em uma conversa privada com Dom Cláudio, o Pontífice lhe manifestou a ideia de reunir os bispos da Amazônia. “‘Talvez um sínodo. Mas a ideia ainda não está madura. Reze comigo para isso’, me disse o Papa”, acrescentou.

A ideia foi amadurecida e, em 15 de outubro de 2017, no fim da celebração da canonização dos Protomártires do Brasil, o Papa anunciou a convocação do Sínodo para a Amazônia.

 

ESCUTA

Dom Cláudio salientou que, desde o início do processo sinodal, o Papa insistiu na necessidade de ouvir os povos que vivem na Amazônia. Essa experiência foi vivida concretamente no encontro do Papa Francisco com representantes de povos indígenas em Porto Maldonado, no Peru, em janeiro de 2018. “Foi algo histórico e comovente. Ali, o Papa dizia aos indígenas que eles são interlocutores insubstituíveis no Sínodo, convidando-os a serem sujeitos da própria história”, destacou o Cardeal.

O Arcebispo Emérito explicou, ainda, que a consulta realizada em todas as 20 dioceses, prelazias e vicariatos apostólicos da Pan-Amazônia tem o objetivo de ouvir o máximo possível a população do território, especialmente os povos indígenas, os bispos, as comunidades e seus missionários.

No Brasil, já foram realizadas mais de 20 assembleias territoriais para aprofundar a reflexão do Documento Preparatório e serem colhidas as contribuições locais. Além dessas assembleias, em cada diocese estão acontecendo encontros com o mesmo propósito. As respostas devem ser enviadas à Secretaria do Sínodo até o fim de fevereiro.

 

CRISE CLIMÁTICA

O Cardeal Hummes ressaltou que o Sínodo para a Amazônia acontece no contexto da Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, sobre o cuidado com a casa comum. “Por isso, este Sínodo não terá um significado só para a Amazônia, mas para o mundo, mencionando outros biomas que precisam ser preservados”.

Outro estímulo apontado por Dom Cláudio para esse Sínodo foi a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 21), realizada em Paris, na França, em 2015, quando foi publicado um acordo climático assinado por mais de 190 países.

Dom Cláudio considera a Laudato Si’ e o acordo climático “dois documentos históricos irrefutáveis” que alertam para a crise climática vivida na Terra. “O planeta não está mais aguentando tanta destruição e intervenção irresponsável e predatória por parte da atividade humana”, afirmou.

 

CAUSAS 

Entre as causas, o Cardeal destacou a forma como o ser humano intervém na natureza, o que o Papa chamou de “globalização do paradigma tecnocrático”, resultante do atual “modelo dominante” de desenvolvimento.

“A tecnociência deu um poder enorme à humanidade. Mas, ao ser humano moderno, falta ‘uma ética sólida, uma cultura e uma espiritualidade que lhe ponham realmente um limite e o contenham dentro de um lúcido domínio de si’”, salientou Dom Cláudio, citando a Laudato Si’.

 

ECOLOGIA INTEGRAL

Como caminho para enfrentar essa crise, o Papa Francisco chama a atenção para a necessidade de uma ecologia integral. “Em nosso planeta, tudo está interligado. Os seres humanos não estão aqui como se fossem simplesmente trazidos de fora como ‘estranhos’ e colocados nele, onde se sentem donos absolutos. Deus, ao se encarnar, faz a definitiva interligação com esse planeta. Jesus ressuscitado é o ponto culminante da caminhada desse planeta. Já São Paulo afirmava que ‘Jesus é o primogênito de toda a criação’ (Cl 1,15)”, destacou o Cardeal.

A partir dessa concepção, Dom Cláudio afirmou que surge a necessidade de novos modelos de desenvolvimento, que não sejam predatórios. “O Sínodo poderá estimular para que se encontre novos modelos.”

 

IGREJA AMAZÔNICA

Especificamente sobre os desafios da ação evangelizadora da Igreja na Pan -Amazônia, Dom Cláudio recordou a preocupação do Papa Francisco para que a fé seja inculturada na Amazônia. Nesse sentido, insiste-se na necessidade de uma “Igreja indígena para a comunidade indígena”.

“Hoje, fala-se muito em uma Igreja indigenista, que defende os direitos dos povos. Isso é importante, mas não basta, é preciso de uma Igreja indígena, que tenha seus padres, identidade, cultura e história”, afirmou.

Sobre a falta de sacerdotes, o Cardeal destacou o drama que os católicos da Amazônia vivem com a falta dos sacramentos, especialmente a Eucaristia, Reconciliação e Unção dos Enfermos, que são ministrados pelos padres e bispos. “Esses são os sacramentos da vida cotidiana. Não podem faltar para essas comunidades. Muitas delas se reúnem para celebrar a Palavra, mas faltam os sacramentos. A Palavra me ilumina, mas são os sacramentos que dão força para pôr em prática a Palavra”, afirmou.

 

MINISTÉRIOS

Diante da dificuldade vocacional, surgiram ideias como a possibilidade de ordenação sacerdotal de homens casados de fé comprovada para exercer o ministério nessas regiões específicas. No entanto, Dom Cláudio enfatizou que esse pode ser até um assunto de discussão no Sínodo: “Mas o Papa tem alertado para o cuidado de não desviar o foco do Sínodo, que é sobre a Amazônia e a ecologia integral, não sobre ministérios”, disse. O Cardeal lembrou, ainda, que o celibato é um carisma que a Igreja não pode perder e que o Santo Padre tem afirmado isso reiteradas vezes.

 

TEMPO DE GRAÇA

“Este é o momento histórico para a Amazônia, não podemos perder esse Kairós [tempo de graça]. Todos somos responsáveis pelo bom êxito desse Sínodo”, concluiu Dom Cláudio, reforçando que todos os brasileiros devem se interessar pelo caminho sinodal. “Esse tema precisa ser levado para além da Amazônia, que está gritando por socorro. Todos nós precisamos ir ao encontro de suas necessidades.”

 

 

LEIA TAMBÉM: Novos caminhos para a Igreja na Amazônia

Comente

Cardeal escreve Carta Pastoral sobre o 1º sínodo arquidiocesano

Por
13 de fevereiro de 2019

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, escreveu à Arquidiocese de São Paulo uma Carta Pastoral, datada na Solenidade da Epifania do Senhor, 6 de janeiro de 2019. 

Intitulada “Sínodo arquidiocesano de São Paulo, 2018-2020 – caminho de comunhão, conversão e renovação missionária”, a Carta é endereçada aos bispos auxiliares, padres, diáconos, religiosos e religiosas e a todos os cristãos leigos e leigas e suas organizações.

A Carta tem o objetivo de rever o caminho já realizado durante o sínodo e apontar os novos passos que devem ser dados em 2019. O texto contém muitas citações retiradas das cartas escritas por São Paulo Apóstolo e sugestões de como organizar ações pastorais e conhecer melhor a história das paróquias e dos seus padroeiros.

 

ALEGRIA

Inspirado em São Paulo Apóstolo, que em muitas de suas cartas, saúda a comunidade, o Cardeal demonstra grande alegria em escrever uma Carta sobre o sínodo arquidiocesano.

“É com grande alegria que me dirijo a todos, por meio desta Carta Pastoral, para tratar do primeiro sínodo arquidiocesano de São Paulo, “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária” para toda a Arquidiocese de São Paulo e para todas as realidades que a integram e expressam. Confiados na graça de Deus, já percorremos o primeiro ano do caminho sinodal, previsto para três anos. O Espírito Santo há de nos assistir nas etapas que ainda temos pela frente, sobretudo para alcançarmos as metas e propósitos do sínodo. Estamos semeando; a seu tempo, os frutos aparecerão”, afirma o Cardeal.

 

CONVERSÃO E RENOVAÇÃO MISSIONÁRIA

Dom Odilo recorda que o chamado à conversão é um convite constante da Igreja e que o próprio Concílio Vaticano II, há mais de 50 anos, teve esse objetivo.

“Não é de hoje que a Igreja nos convida à conversão pessoal e também à conversão pastoral e eclesial. O próprio Concílio Vaticano II, há mais de 50 anos, foi um grande e solene chamado à Igreja para renovar-se na missão, estando atenta às novas circunstâncias e realidades culturais, sociais e religiosas vividas pela sociedade e pela própria Igreja”, escreveu Dom Odilo.

O Arcebispo enumerou, em sua Carta, alguns desses eventos e documentos:

• As assembleias do Sínodo dos Bispos sobre a “evangelização no mundo contemporâneo” (1975), do qual resultou a extraordinária Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, de São Paulo VI.

• Os sínodos sobre a catequese (Catechesi Tradendae, 1979) e sobre a ação missionária da Igreja (Redemptoris Missio, 1990), de São João Paulo II.

• As assembleias do Sínodo dos Bispos sobre a vocação e a missão dos leigos na Igreja e no mundo contemporâneo (Christifideles Laici, 1988), sobre a vocação sacerdotal, a vida e o ministério dos presbíteros (Pastores Dabo Vobis, 1992), sobre a missão dos bispos (Pastores Gregis, 2001), sobre a vocação especial dos religiosos e religiosas (Vita Consecrata, 1996) e sobre a família (Amoris Laetitia, 2014-2015) e também o sínodo sobre “os jovens, a fé e o discernimento vocacional” (2018).

• O Papa Francisco, depois do sínodo sobre a “nova evangelização para a transmissão da fé cristã” (2012), na sua primeira Exortação Apostólica (Evangelii Gaudium, 2013), conclamou novamente a Igreja inteira a se renovar na missão evangelizadora. 

 

A IGREJA DE SÃO PAULO

Ao referir-se à Arquidiocese, o Cardeal faz um questionamento: “Será que a preocupação com a “nova evangelização” e a “conversão pastoral e missionária” já chegou às nossas comunidades e conseguiu mudar alguma coisa nas bases concretas da nossa Igreja em São Paulo?”. E convida as comunidades a uma reflexão: “Perguntemo-nos: o que ficou e mudou em nossas comunidades a partir da Conferência de Aparecida, em 2007?”

Por se tratar do primeiro sínodo arquidiocesano, o Cardeal recordou algumas das questões centrais que, em 2018, ajudaram as paróquias a conhecerem suas próprias realidades e contextos em que estão inseridas.

• Quem somos nós, como Igreja Católica?

• Qual é a nossa missão?

• Como está sendo realizada essa missão nas nossas comunidades?

• Como se encontra a nossa comunidade?

“O levantamento paroquial feito pelos Párocos e outros corresponsáveis pelas paróquias mostrou com realismo que estão em curso mudanças aceleradas e preocupantes”, afirmou Dom Odilo, que recordou também que, no primeiro ano do sínodo arquidiocesano, foi feita uma ampla pesquisa de campo sobre a realidade religiosa e pastoral em todas as 297 paróquias territoriais de nossa Arquidiocese.

Supervisionada e apoiada tecnicamente por especialistas da PUC-SP, a pesquisa contou com cerca de 300 voluntários treinados e bem orientados, que percorreram cada uma das paróquias e fizeram mais de 20 mil visitas domiciliares para entrevistar católicos e não católicos.

A carta será distribuída nas paróquias e está disponível integralmente no site da Arquidiocese de São Paulo.

 

E AGORA?

No segundo ano do sínodo, os trabalhos das assembleias sinodais nas regiões episcopais serão abertos solenemente no dia 30 de março de 2019, com uma grande concentração sinodal em cada Região. Também farão o mesmo caminho os vicariatos ambientais do Povo da Rua, da Educação e Universidade e da Comunicação.

Dom Odilo informou que a Comissão de Coordenação Geral já preparou um instrumento de trabalho e uma metodologia própria para as assembleias sinodais nesses âmbitos da nossa Arquidiocese.

Porém, o Arcebispo enfatizou que as paróquias devem continuar seu caminho sinodal em 2019. “As paróquias, com todas as suas realidades e expressões, continuam a avançar no caminho sinodal, motivadas pelo tema e o lema do sínodo e pelas realidades já percebidas sobre a situação pastoral e religiosa das paróquias e comunidades durante o primeiro ano do sínodo”, disse Dom Odilo

Na Carta, o Cardeal explicou que cada paróquia deve promover uma assembleia paroquial ampliada ainda no primeiro semestre de 2019, para expor os resultados do levantamento paroquial feito em 2018 e da pesquisa de campo sobre a situação religiosa e pastoral da paróquia e de toda a Arquidiocese de São Paulo.

CONHECER A PRÓPRIA HISTÓRIA

Um dos convites para 2019 é também o de que cada paróquia possa se empenhar em conhecer a própria história. “Convidamos todas as paróquias e comunidades a conhecerem melhor a si mesmas”, afirmou o Cardeal.

Além disso, Dom Odilo ressaltou a importância de cada paróquia começar a tomar conhecimento e consciência mais aprofundada daquilo que a pesquisa de campo e também o levantamento paroquial revelaram sobre a situação religiosa e pastoral da paróquia e da Arquidiocese.

“O objetivo dessa ação, além de ser cultural, é sobretudo pedagógico e evangelizador: conhecer a história da própria paróquia deveria levar as pessoas a sentirem-se mais ligadas a essa história e a amar a comunidade paroquial de pertença”, aponta a Carta.

 

SANTOS PADROEIROS E OS TÍTULOS DAS PARÓQUIAS

No objetivo de conhecer a própria história, o Cardeal explicou que a tradição de dar nomes de santos padroeiros às paróquias ou títulos relativos à fé católica é uma prática antiga na Igreja e possui diversos significados importantes e bonitos.

“Os títulos paroquiais relativos a algum artigo da nossa profissão de fé equivalem a um testemunho e proclamação pública de nossa fé”, disse Dom Odilo.

Ele exortou os fiéis a conhecerem melhor os santos padroeiros e os títulos das paróquias, o que pode ajudar o povo a descobrir e valorizar mais esse tesouro. “A partir dos santos padroeiros e dos títulos paroquiais, cada paróquia pode descobrir e valorizar mais o seu carisma próprio, partindo do testemunho do padroeiro, ou do significado e da importância do título para a vivência cristã dos paroquianos”, continuou Dom Odilo.

Sobre a vida dos santos, o Cardeal disse ainda que “a melhor forma de valorizar e honrar os santos é acolher e divulgar o testemunho de suas vidas, de seu amor a Deus e ao próximo e sua perseverança na fé, mesmo em meio a dificuldades. Os santos não são mitos criados pela fantasia! São pessoas históricas, que enfrentaram dificuldades e lutas para serem fiéis a Deus e à graça do Batismo”.

 

Comente

Sínodo arquidiocesano é tema de Semana de Iniciação à Vida Cristã

Por
31 de janeiro de 2019

A Pastoral Bíblico-Catequética da Região Episcopal Belém realizará, entre 4 e 8 de fevereiro, a Semana de Iniciação à Vida Cristã, que abordará o tema a partir do sínodo arquidiocesano de São Paulo.

Os encontros acontecerão nos setores expandidos da Região, das 20h às 21h30. O encerramento e envio serão no dia 8 de fevereiro, às 20h, na Paróquia Cristo Rei, em missa presidida por Dom Luiz Carlos Dias, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Belém.

 

CONFIRA OS LOCAIS DOS ENCONTROS POR SETORES

Paróquia Cristo Rei (Rua Maria Eugênia, 10, Tatuapé), Setores Pastorais Belém, Carrão/Formosa e Tatuapé Paróquia Santa Luzia e São Pio X (Avenida Sapopemba, 1.500, Vila Leme), Setores Pastorais Guarani, Vila Alpina e Vila Prudente Paróquia São Paulo Apóstolo (Praça Miguel Ramos Moura, 86, Jardim Imperador), Setores Pastorais São Mateus, Sapopemba e Vila Antonieta Paróquia São José de Anchieta (Rua Fernandes Tourinho, 182, Jardim Vera Cruz), Setor Pastoral Conquista Centro Pastoral São José (Avenida Álvaro Ramos, 366 – Belém) – encontro para catequistas que estão iniciando.

 

LEIA TAMBÉM: Educandário São José do Belém celebra 110 anos de fundação

Comente

Paróquia Santo Antônio de Lisboa e os desafios da acolhida

Por
17 de dezembro de 2018

Desdobradas em três sessões, as assembleias paroquiais do sínodo já se encerraram. Elas ocorreram em vista da renovação pastoral e missionária da Igreja em São Paulo por meio de pesquisas de campo e levantamento de dados dos serviços paroquiais. 

Na Paróquia Santo Antônio de Lisboa, Setor Pastoral Medeiros da Região Episcopal Santana, as assembleias começaram no dia 23 de outubro e foram até o dia 6 de dezembro.

Melina Martins, coordenadora da Pastoral de Comunicação e secretária do sínodo na Paróquia, salientou sobre as informações obtidas na Santo Antônio durante as assembleias.

Segundo Melina, “o principal ponto debatido foi a questão da acolhida”. As discussões se deram até o aspecto mais reflexivo a respeito do que é acolher. Foi constatado que o acolhimento na paróquia necessita de aperfeiçoamento, nesse sentido “acolher” foi definido como rezar, cantar e fazer as pessoas sentirem-se bem. A partir das discussões chegou-se ao consenso de que a Igreja precisa estar de portas abertas e ser acolhedora por parte de todos os fiéis para que ocorra a conversão e renovação.

As soluções práticas encaminhadas foram promoção de palestras, formações, capacitações na espiritualidade e realização de encontros entre as paróquias. Também será criado na Santo Antônio a Pastoral da Acolhida. Além disso, divulgar como a Igreja caminha por meio das redes sociais e sites, aproximar os bispos com as paroquias, envolver os padres com a comunidade, promoção de novas atividades, visando oferecer espaço a todos, evangelizar através das músicas e incentivar jovens e crianças a frequentar a comunidade também fazem parte das proposições.               

 

LEIA TAMBÉM: Aumentar participação na vida sacramental é desafio na Paróquia Santo Antônio dos Bancários

Comente

No primeiro ano do sínodo, paróquias tomam consciência da própria realidade

Por
14 de dezembro de 2018

A primeira etapa do sínodo arquidiocesano de São Paulo está chegando ao fim. Praticamente todas as paróquias já concluíram suas assembleias sinodais e encaminharam os relatórios de seus trabalhos e reflexões às regiões episcopais, onde se dará a fase seguinte do caminho sinodal. 

“Já fizemos um belo caminho”, avaliou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, durante a reunião da Comissão de Coordenação Geral do sínodo arquidiocesano, no dia 6. Ele destacou como elementos importantes do primeiro ano de sínodo as reflexões dos grupos paroquiais, os levantamentos da realidade pastoral e religiosa e as assembleias paroquiais.  

Em março, as paróquias iniciaram a realização de encontros mensais em grupos com o objetivo de “olhar-se no espelho” e tomar consciência sobre sua vida e missão na cidade a partir do que propõe o tema do sínodo: “Caminho de comunhão, conversão e renovação missionária”. 

 

PESQUISA DE CAMPO

Nos meses de agosto e setembro, houve um inédito levantamento de campo sobre a realidade religiosa e pastoral dos habitantes da cidade. Os 300 pesquisadores voluntários do sínodo visitaram os domicílios das 295 paróquias territoriais da Arquidiocese para saber como os católicos vivem sua fé e qual a percepção que têm a respeito da presença e atuação da Igreja em seu bairro. Ao mesmo tempo, foi feito um levantamento interno da realidade paroquial, com informações sobre a organização pastoral. 

O Cardeal Scherer afirmou que os resultados da pesquisa são reveladores e confirmam “a necessidade de uma nova evangelização”. 

“É preciso passar das discussões intelectuais feitas em âmbitos da hierarquia eclesial ou de certos espaços de reflexão acadêmica para uma nova atitude na práxis eclesial, que chegue às bases da Igreja, lá onde ela aparece como comunidade de pessoas animadas pela fé, esperança e caridade, reunidas em torno de Jesus Cristo, mediante a Palavra de Deus, a Eucaristia e os demais sinais sacramentais que a identificam e expressam”, escreveu em artigo publicado no O SÃO PAULO em 7 de novembro.

 

TOMADA DE CONSCIÊNCIA

A própria dinâmica proposta para os encontros sinodais permitiu um maior envolvimento dos paroquianos nas atividades e um interesse em refletir mais sobre a vida e missão da paróquia. “O conteúdo proposto pelo subsídio foi bastante formativo. As celebrações foram momentos fortes de oração em comunidade, e as avaliações e debates em grupo nos ajudaram a perceber de forma bastante concreta aspectos pastorais que precisamos desenvolver ou melhorar para sermos mais missionários”, destacou o Padre Michelino Roberto, Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Brasil, na Região Episcopal Sé. Ainda segundo o Pároco, os resultados dos levantamentos realizados na Paróquia trouxeram “uma boa inquietação apostólica” para a comunidade. “Muitas propostas foram levantadas, algumas já colocadas em prática. Durante o sínodo, crescemos na fé e no desejo de comunicá-la”, acrescentou. 

Durante a assembleia sinodal da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, na Região Episcopal Lapa, ficaram evidentes três âmbitos de ação que necessitam maior atenção da comunidade: integração entre as pastorais, movimentos e grupos; fortalecimento e apoio aos grupos de jovens; e criação de iniciativas que vão ao encontro das pessoas que se afastaram da Paróquia. “Nossa Pastoral Familiar precisa efetivamente ir ao encontro das famílias que, por razões diversas, deixaram de frequentar a comunidade, a começar pelo envolvimento dos pais das crianças e adolescentes que estão na Catequese”, ressaltou o Padre José Pedro Batista, Pároco. 

Padre Edemilson Gonzaga, Pároco da Paróquia Santa Cruz de Itaberaba, na Região Episcopal Brasilândia, relatou que o sínodo permitiu identificar uma sensível mudança no perfil dos habitantes da área de abrangência da Paróquia, assim como a diminuição da proporção de católicos em relação a outras confissões cristãs e tradições religiosas, o que desafia a ação pastoral da comunidade. Por outro lado, ele destacou que a pesquisa de campo mostrou que muitos católicos demonstraram interesse em conhecer mais sobre a fé. “Muitos disseram que gostariam de receber a visita da Igreja em suas casas”, frisou.

 

Em 2019, o caminho continua nas regiões e vicariatos

A segunda fase do caminho sinodal, em 2019, acontecerá no âmbito das regiões episcopais e vicariatos ambientais. A abertura dessa etapa será em 30 de março, em cada região. 

A Comissão de Coordenação Geral do sínodo já elaborou o regulamento das assembleias regionais (disponível no site arquisp.org.br/sinodo) e agora prepara a redação do instrumento de trabalho das reuniões. 

As assembleias serão realizadas em quatro sessões com os objetivos de avaliar e refletir sobre a vida e a missão da Igreja nos vicariatos, a partir dos relatórios das paróquias e realidades ambientais; refletir sobre as realidades eclesiais supraparoquiais, como os serviços, as pastorais, associações, movimentos e novas comunidades, tendo em conta os dados dos levantamentos feitos na fase paroquial; discernir sobre os principais desafios e urgências pastorais; elaborar propostas para a melhor realização da missão na região e na Arquidiocese. 

Os resultados das assembleias regionais serão encaminhados para a assembleia arquidiocesana, última etapa do sínodo, que acontecerá em 2020. 

 

E AS PARÓQUIAS?

Enquanto acontecem as assembleias regionais, as paróquias são convidadas a continuar o caminho sinodal. Em março de 2019, Dom Odilo publicará uma carta pastoral à Arquidiocese, dando indicações de como as comunidades viverão o sínodo em 2019. 

Uma das indicações é que as paróquias se dediquem à tomada de consciência de sua própria história, promovendo iniciativas que estimulem os fiéis a aprofundar seu sentido de pertença à comunidade. De igual modo, o Arcebispo propõe que se promovam a história dos santos padroeiros das paróquias como testemunhas de seguimento de Jesus Cristo que inspiram a missão paroquial.  

Outro grande destaque de 2019 será o Mês Missionário Extraordinário, convocado pelo Papa Francisco, a ser celebrado em outubro. A Arquidiocese prepara uma série de iniciativas missionárias para esse período do ano, já como resposta à percepção trazida pelo levantamento de campo feito nas paróquias em 2018.

 

LEIA TAMBÉM: Juntos, caminhamos! Juntos, damos graças a Deus!

 

 

Comente

Estimular compromissos pastorais é o foco da Paróquia São Vicente de Paulo

Por
11 de dezembro de 2018

As Assembleias Paroquiais do Sínodo Arquidiocesano estão ocorrendo em toda a Arquidiocese de São Paulo, desdobradas em três sessões. Elas têm em vista a renovação pastoral e missionária da Igreja em São Paulo por meio de pesquisas de campo e levantamento de dados dos serviços paroquiais. 

Na Paróquia São Vicente de Paulo, as discussões levaram a percepção de algumas fragilidades e, consequentemente, se iniciaram proposições em vista do aperfeiçoamento na comunidade.

Roseli Aparecida Simões Nascimento, secretária do grupo do sínodo de 2018, destacou que a síntese das discussões levou a necessidade de criação e desenvolvimento das seguintes pastorais: litúrgica, da comunicação e da acolhida. Também foi constatado que a comunidade não está querendo assumir compromissos pastorais e ainda é resistente as mudanças.

 

QUER SABER MAIS SOBRE O SÍNODO NAS PARÓQUIAS?

Ouça o programa Ciranda da Comunidade

Todo sábado, das 18h30 às 19h, na rádio 9 de Julho

Em AM 1.600 kHz

Rádio 9 de Julho

 

LEIA TAMBÉM: Aumentar participação na vida sacramental é desafio na Paróquia Santo Antônio dos Bancários

Comente

Aumentar participação na vida sacramental é desafio na Paróquia Santo Antônio dos Bancários

Por
16 de novembro de 2018

As assembleias paroquiais do sínodo arquidiocesano estão ocorrendo em toda a Arquidiocese de São Paulo, desdobradas em três sessões. Elas têm em vista a renovação pastoral e missionária da Igreja em São Paulo por meio de pesquisas de campo e levantamento de dados dos serviços paroquiais. 

Na Paróquia Santo Antônio dos Bancários, Setor Pastoral Mandaqui da Região Episcopal Santana, as Assembleias Paroquiais do Sínodo começaram no dia 27 de outubro. A segunda sessão está prevista para o dia 10 de novembro e a última etapa acontecerá no dia 25 de novembro.

Luciana Cairo, secretária sinodal da Paróquia, salientou sobre as informações obtidas da Santo Antônio durante a primeira sessão das Assembleias: “Foi constatada queda da participação da vida sacramental, exceto no Batismo, e a necessidade de uma consciência na melhoria de acolhida para os que já estão e os que chegam na Paróquia”.

Além dessa necessidade de aperfeiçoamento na relação com os fiéis, ela também afirmou uma evolução na interação entre as pastorais e a diversidade de representantes.

A secretária sinodal ainda mencionou que durante as discussões frisou-se a importância de formação litúrgica, bíblica e pastoral, bem como momentos de confraternização e retiros espirituais.

Por fim, o formato de divulgação dos serviços pastorais e paroquiais e a falta de conhecimento dos entrevistados sobre a atuação no território paroquial foram ressaltados por Luciana.

 

QUER SABER MAIS SOBRE O SÍNODO NAS PARÓQUIAS?

Ouça o programa Ciranda da Comunidade

Todo sábado, das 18h30 às 19h, na rádio 9 de Julho

Em AM 1.600 kHz

Rádio 9 de Julho

 

LEIA TAMBÉM: Paróquia Santa Cruz de Itaberaba constata mudança no perfil dos paroquianos

Comente

Em assembleia, Arquidiocese reflete a respeito da realidade pastoral da cidade

Por
14 de novembro de 2018

A Arquidiocese de São Paulo realizou no sábado, 10, sua Assembleia Arquidiocesana de Pastoral. O encontro anual, na Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom), reuniu o Arcebispo Metropolitano, Cardeal Odilo Pedro Scherer, os bispos auxiliares, padres, lideranças de pastorais, movimentos, novas comunidades, associações e demais organizações eclesiais para a avalição da caminhada da Igreja em São Paulo e a implementação do 12º Plano Arquidiocesano de Pastoral (confira o box). 

Este ano, o destaque principal também foi a realização do sínodo arquidiocesano de São Paulo, cuja primeira etapa, que acontece nas paróquias, está sendo concluída. Nessa ocasião, foi dada maior atenção aos resultados dos dois levantamentos da realidade religiosa e pastoral da cidade e das paróquias, realizados entre os meses de agosto e outubro.

 

PERCEPÇÃO DA REALIDADE

Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia e Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação, apresentou alguns números gerais da pesquisa de campo feita nos domicílios de abrangência das paróquias da Arquidiocese e do levantamento interno sobre a realidade pastoral de cada paróquia. Esses dados estão sendo objeto de análises e reflexões nas assembleias paroquiais do sínodo, que já estão acontecendo. 

O Bispo explicou que os dados apresentados são apenas um recorte da totalidade das informações. A leitura mais aprofundada precisa do conjunto dos dados. “Lendo os resultados à luz de cada uma das urgências da evangelização, é possível ver avanços e campo aberto para o trabalho. Muita coisa já realizamos, mas há outras que ainda precisamos fazer para implementar o Plano de Pastoral”, afirmou.

Ao comentar os dados apresentados, Dom Odilo destacou que é a primeira vez que se realiza uma pesquisa dessa magnitude em São Paulo, o que é uma oportunidade para que a Igreja tome consciência da sua vida e missão na cidade. “Temos pela frente um grande trabalho de leitura, compreensão, interpretação, reflexão, discernimento e decisão para que nós possamos corresponder à nossa missão diante dos dados, daquilo que a realidade nos diz”, afirmou. 

Para o Padre Pedro Luiz Amorim, Coordenador de Pastoral da Região Episcopal Ipiranga, os primeiros dados das pesquisas serviram para a compreensão maior da diversidade sociorreligiosa da cidade e, consequentemente, de como cada paróquia desempenha a sua missão nessas realidades. “O sínodo confirma, por exemplo, a urgência da iniciação à vida cristã, da evangelização das famílias e da juventude. Os pesquisadores nos deram um retorno de que os jovens não conhecem nem compreendem o que é um projeto de vida cristã”, disse. 

 

REPERCUSSÕES

Padre José Roberto Pereira, Coordenador de Pastoral da Região Episcopal Sé, também destacou que os resultados da pesquisa confirmam a urgência da evangelização das famílias e da juventude. “O sínodo está nos dando consciência de que precisamos investir mais em iniciativas voltadas para a formação dos fiéis, em vista de um maior comprometimento das pessoas com a vida eclesial”, disse.

Maria Helena Soriano, coordenadora arquidiocesana da Renovação Carismática Católica, afirmou que a pesquisa foi uma oportunidade concreta para que a Igreja em São Paulo “se olhasse no espelho”. Ela chamou a atenção para o fato de os católicos entrevistados terem a missa como a principal fonte de vivência da fé na Igreja. “Também considero positivo o crescimento da catequese de adultos. Olhando para o 12º Plano de Pastoral, percebo que essa reflexão proposta pelo sínodo serve de ‘norte’ para o olhar interno de nossas paróquias e para verificarmos se as seis urgências estão realmente sendo contempladas em nossas ações pastorais”, completou. 

Sueli Camargo, coordenadora da Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo, ressaltou que a primeira impressão causada pela pesquisa é a preocupação. “Essas informações nos atingem diretamente porque somos Igreja e também somos responsáveis por esses dados. No entanto, essa ainda é a fase do diagnóstico, que ajudará todas as forças da Igreja a tomar consciência de sua realidade e propor novos caminhos em vista da conversão missionária”. 

A agente de pastoral reforçou que os dados do levantamento serão enriquecidos e aprofundados nas fases seguintes do caminho sinodal, especialmente em 2019, quando acontece a etapa em âmbito regional. “Na próxima fase, haverá uma participação maior de outras frentes de atuação, que nem sempre estão inseridas na vida das paróquias. Esses são os braços da Igreja em outros âmbitos da sociedade”, afirmou. 

 

ESCUTAR OS APELOS DA CIDADE

“Coloquemo-nos na escuta e em atitude de disponibilidade para acolher os apelos de Deus, que vêm por meio de tantas formas. No sínodo, nós temos ocasião propícia para ouvir esses apelos e responder a eles de forma organizada, na comunhão eclesial de nossa Arquidiocese. Nós somos a Igreja em São Paulo e, por isso, temos que nos colocar na atitude do Apóstolo, perguntando ‘Senhor, o que queres que eu faça?’ e sempre em atitude missionária. Esse é o maior propósito do sínodo: sermos uma Igreja ainda mais missionária”, concluiu Dom Odilo. 
 

 

 

Comente

Levantamento de campo ajuda Igreja a conhecer seu rosto na cidade

Por
09 de novembro de 2018

O levantamento da realidade religiosa dos moradores das áreas de abrangência das paróquias da Arquidiocese de São Paulo chegou ao fim. Após dois meses de peregrinação pelas casas de diferentes bairros, os 300 pesquisadores voluntários obtiveram uma percepção de como a Igreja é vista pela população e como a fé é vivida nos lares paulistanos.

 

NÚMEROS

Os números do levantamento dão uma demonstração da magnitude da pesquisa. De acordo com o relatório geral do levantamento, foram entrevistados 16.399 católicos, entre homens e mulheres, de diferentes idades, correspondendo à meta da amostragem definida pela Coordenadoria de Estudos e Desenvolvimento de Projetos Especiais (Cedepe), organismo da PUC-SP, que desenvolveu a metodologia científica da pesquisa e treinou os voluntários. Também foram entrevistadas 5.789 pessoas que se declararam não católicas e aceitaram responder às questões gerais da pesquisa destinadas a esse perfil de público.

Alcançar a meta não foi fácil. O relatório contabilizou 33.760 pessoas abordadas que se recusaram a responder o questionário por diversas razões, como falta de tempo ou desinteresse. 

Foram visitados domicílios de 295 paróquias territoriais da Arquidiocese. Em quase todas elas, foi possível atingir a meta de 50 católicos em cada paróquia. Apenas em um pequeno número delas esse número não foi alcançado por dificuldade de acesso aos domicílios.

“Essa dificuldade de acesso também é um dado importante para o sínodo, porque mostra o quanto a Igreja consegue chegar a esses lugares, sobretudo nas áreas de condomínios, mais fechadas à atuação eclesial”, explicou Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo Auxiliar de São Paulo, Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação e um dos responsáveis pela organização do levantamento. “Não significa que nesses lugares não existam católicos. O que existe concretamente é a dificuldade para ter acesso a eles”, acrescentou. 

 

DADOS

O banco de dados do levantamento contém mais de 21 milhões de registros de dados enviados pelos pesquisadores por meio do aplicativo digital utilizado para o questionário. Ao todo, foram cerca de 1,7 milhão de questões respondidas e mais de 55 mil questionários enviados. 

Esses dados permitem inúmeras possibilidades de cruzamentos entre si e com outras informações, como os dados do Censo do IBGE, enviados pela Cedepe junto com os relatórios do levantamento. 

Dom Devair ressaltou ao O SÃO PAULO que a análise geral dos dados é positiva. “Percebemos o interesse das pessoas pela Igreja, abertura e desejo pela vida sacramental. Percebemos, ainda, a importância da missa, que acaba sendo a principal forma de vinculação dos católicos com a Igreja”, disse.

Ainda de acordo com o Bispo, a partir da comparação desses dados com os obtidos pelo levantamento interno sobre a realidade pastoral das paróquias, será possível identificar movimentos de crescimento e de diminuição da procura por determinados sacramentos nos últimos anos. “Identificamos, por exemplo, um aumento da procura de adultos pelos sacramentos da Iniciação Cristã”, destacou. 

 

EXPERIÊNCIA MISSIONÁRIA

A maneira como a pesquisa foi realizada, por meio de voluntários indicados pelas paróquias e comunidades, favoreceu que o levantamento sinodal fosse uma experiência missionária. Sair às ruas, bater de porta em porta, ouvir recusas e as impressões dos entrevistados causou um impacto na vida desses homens e mulheres.

A dona de casa Graça Ferreira Barros Mendes, 62, visitou casas na área da Paróquia São João Batista e ajudou na conclusão da pesquisa na Paróquia Nossa Senhoras das Graças, ambas no Setor Guarani da Região Episcopal Ipiranga. Para ela, foi uma experiência desafiadora, pois pôde constatar uma realidade diferente da que imaginava. 

“Imaginei que ao mencionar ‘Arquidiocese de São Paulo’ facilitaria a abordagem. Porém, já nas primeiras tentativas, constatei o total desconhecimento das pessoas, assim como o desconhecimento da realização do sínodo e, no decorrer do questionário, o significado e função da CNBB, por exemplo”, relatou.

No entanto, a pesquisadora destacou a riqueza de poder ouvir os comentários e justificativas dos entrevistados ao responderem as questões. “Foi uma experiência marcante saber como pensam”, ressaltou. 

Pesquisadora da Paróquia Santa Cruz de Itaberaba, na Região Brasilândia, a pedagoga Daniela Valle Spadini destacou o quanto as pessoas precisam ser ouvidas. “Nós, da Igreja Católica, precisávamos viver isso. Foi realmente uma missão”, disse. 

A publicitária Ana Cristina Paula de Lima, 51, que pesquisou no território da Paróquia Imaculado Coração de Maria (Capela da PUC-SP), na Região Episcopal Sé, destacou a oportunidade de entrar em contato com as pessoas que, por diversas razões, estão afastadas da Igreja e ouvi-las. “Muitas delas demonstraram o desejo de retornar à Igreja, mas não sabem como. E nós teremos que ajudá-las”.  Ela salientou que o próprio questionário levou as pessoas a pensar em coisas que nunca haviam refletido. “Creio que esse questionário tinha um aspecto evangelizador, pois mexia com as convicções profundas da pessoa. Enquanto respondiam, as pessoas paravam para pensar sobre o assunto”. 

 

EM FAMÍLIA

A pesquisa de campo mobilizou famílias inteiras, como o caso da psicóloga Alessandra Roberta Taques, 45, que realizou pesquisas em seis paróquias do Setor Vila Maria, na Região Episcopal Santana, junto com seu marido, o analista de sistemas Jony Celestino da Silva, 51, e sua filha, a estudante de Nutrição Beatriz Taques Amorim, 20. A família percorreu 3,5 mil casas para alcançar a amostragem de católicos entrevistados dessas paróquias. 

“Esse sínodo serviu de aprendizado para nós mesmos. Há muitas perguntas do questionário que eu fazia a mim mesma: ‘Eu faço isso?’ Eu mudei muitos hábitos e costumes a partir dessa experiência. Por exemplo, eu não conhecia ainda o Catecismo da Igreja Católica, mas tratei de comprá-lo e lê-lo”, partilhou Alessandra.

 

ASSEMBLEIAS

As paróquias já receberam os relatórios da pesquisa de campo para fazerem suas análises nas assembleias paroquiais do sínodo, que já estão ocorrendo. Essas informações são essenciais para que aconteça a “renovação missionária” desejada pelo caminho sinodal da Igreja em São Paulo. Como enfatizou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, na ocasião da convocação do sínodo, será a oportunidade de a Igreja “olhar-se no espelho” e fazer uma profunda reflexão sobre sua vida e missão na cidade.

 

LEIA TAMBÉM: Encontro Sobre o 1° Sínodo Arquidiocesano de São Paulo para os surdos

Comente

Páginas

Para pesquisar, digite abaixo e tecle enter.