SÃO PAULO

Curso do Clero

Sínodo arquidiocesano é tema de estudo do clero de São Paulo

Por Bruno Muta Vivas
16 de agosto de 2017

Curso de Aprofundamento Teológico e Pastoral, do clero da Arquidiocese de São Paulo, discutiu as justificativas para o Sínodo

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Reunido em Itaici, no município de Indaiatuba (SP), o clero da Arquidiocese de São Paulo continuou o Curso de Aprofundamento Teológico e Pastoral, encerrado na quinta-feira, 10.

No terceiro dia do encontro, foram apresentados os fundamentos eclesiológicos que justificam o caminho sinodal que a Arquidiocese está percorrendo. Dom Paulo Cezar da Costa, Bispo de São Carlos (SP), proferiu um conjunto de palestras explicando a identidade da Igreja como mistério de comunhão com Deus e de unidade de todo o gênero humano, em continuidade com os ensinamentos da Lumen Gentium , do Concílio Vaticano II. De forma especial, Dom Paulo alertou sobre o perigo de olharmos a Igreja somente como uma instituição humana, esquecendo-se de sua realidade divina, que é a participação no mistério do próprio Cristo. Especificamente, Dom Paulo mostrou como o Sínodo é um grande instrumento para realizar tal comunhão com Deus e entre os irmãos.

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, posteriormente, justificou a sua atitude de convocar tal Sínodo. Disse que será uma grande oportunidade de a Igreja em São Paulo ouvir a voz do Espírito Santo, que nos convida a uma grande mudança de estrutura e de método evangelizador, com uma verdadeira conversão pastoral. O Arcebispo, retomando seu lema de ordenação ( in meam commemorationem ), relembrou que não só a Eucaristia é celebrada em memória de Cristo, mas toda a ação pastoral da Igreja é em memória dEle. Perguntou, ainda, o que os 4 milhões de testemunhas de Cristo na Arquidiocese estão fazendo para que tal memória não se perca, e mais, ainda, seja propagada pela cidade inteira. 

Após um breve intervalo, Dom Sergio de Deus Borges, Bispo Auxiliar da Arquidiocese, apresentou o regulamento do sínodo, ressaltando que é algo bem simples, de forma que dê abertura para adaptações que precisem ser feitas até 2020 (ano da Assembleia Sinodal); tal flexibilidade é importante, concluiu, visto que o caminho sinodal é longo e sempre sujeito a mudanças.

No último dia do curso, Dom Pedro Cipollini, Bispo de Santo André (SP), relatou a experiência de sua diocese ao realizar o seu sínodo diocesano, que está em vias de finalização. Até o ano que vem, será concluída a Assembleia Sinodal daquela diocese, juntamente com a publicação do documento que conterá as determinações de tal assembleia. Contudo, Dom Pedro afirmou que o grande fruto do Sínodo não vai ser tal documento, mas sim a comunhão realizada pelo processo sinodal: “Para além do resultado do sínodo, importa mais o processo sinodal, a caminhada de comunhão”, concluiu.

Por fim, Dom Odilo realizou uma grande reflexão, em que chamou todos os padres presentes a levantar perguntas que pudessem compor os questionários que serão enviados para as paróquias na primeira etapa do sínodo arquidiocesano. Tais perguntas vão auxiliar a realizar o diagnóstico de como está a vida paroquial da Igreja em São Paulo, para, assim, conseguir ver o que vai bem e o que precisa ser mudado. Também foi apresentado o logotipo que está em preparação, como última etapa da identificação audiovisual do primeiro sínodo arquidiocesano.

 

Um plano de ação: o projeto adoção afetiva 

De grande interesse também foi a palestra proferida pelo Dr. Renato Nalini, Secretário de Educação do Estado de São Paulo, na noite da quarta-feira, 9. Ele buscou sensibilizar os padres para a realidade da educação estatal.

Depois de discorrer sobre a situação precária da realidade escolar – que conta com abusos físicos e verbais sofridos pelos professores, com falta de recursos para realizar um sistema educacional de excelência, com maus professores que continuam atuando e, de forma especial, com o abandono das famílias no que toca à educação dos filhos –, o Secretário de Educação apresentou o Projeto de Adoção Afetiva que vem realizando.

Tal projeto busca parcerias entre as escolas, por meio de seus diretores, com diversos órgãos da sociedade civil, como empresas, indivíduos e igrejas, para que estes possam auxiliar com recursos, materiais e humanos, nas instituições de ensino. Sobremaneira, o Secretário busca, com as paróquias, um auxílio na formação humana dos alunos, para que se possa descortinar uma nova visão de mundo a eles, vítimas fáceis de ideologias que acabam por fazer perder a vida desses jovens.

 

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