Sínodo para a Amazônia é discutido em seminário interdiocesano no Maranhão

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06 de agosto de 2019

Dioceses do Sul do Maranhão (Regional Nordeste 5: Carolina, Imperatriz, Viana, Grajaú e Balsas) e a Diocese de Tocantinópolis, do Norte do Tocantins, se reuniram para discutir o documento de trabalho do Sínodo para a Amazônia. Acolhidos pelo bispo de Carolina, Dom Francisco Lima Soares, o seminário de estudos, realizado em Estreito/MA nos dias 03 e 04, contou com a presença de leigos, bispos, padres, religiosos, membros de movimentos e conselhos sociais e representantes do governo.

Na ocasião, foram discutidas ações para antes, durante e depois da Assembleia Sinodal, a ser realizada em Roma no mês de outubro. Padre Dário Bossi, assessor da Rede Eclesial Pan-Amazônica/REPAM-Brasil, destaca o sentimento de esperança pela defesa da vida transmitida pelos participantes.

“Saímos desse encontro com muito ânimo, com a certeza de que o que foi decidido aqui vai ser multiplicado pelas mãos, corações e pensamentos das pessoas que participaram”, comemorou o assessor.  “Nós mesmos somos o Sínodo que caminha com nossas pernas, e isso, a partir de outubro, poderemos mostrá-lo em nossas comunidades cristãs”, completou.

Unidade

A Diocese de Tocantinópolis é membro do Regional Norte 3, mas  faz divisa com o Sul do Maranhão. O bispo diocesano Dom Giovane Pereira de Melo, explica que devido à proximidade, muitas problemáticas são comuns, e por isso é importante somar forças. “Dentro da metodologia da Repam a gente tem sempre buscado trabalhar como ‘bacia’, então nós estamos situados aqui na bacia do Rio Tocantins”, explicou.

Para o bispo, o seminário foi um momento propício para avançar na propagação do processo sinodal. “Queremos ser essas antenas, aqueles que vão divulgar o sínodo, sensibilizar os atores, os grupos, os movimentos sociais, as nossas pastorais, as nossas dioceses, no sentido de abraçar a problemática que o sínodo está discutindo”. Dom Giovane destaca ainda que a problemática do Sínodo não é só dos bispos da Amazônia, “é uma problemática que interessa a toda a Igreja, que interessa o mundo inteiro”.

Vozes ouvidas

Além de discutir o documento de trabalho do Sínodo, o seminário ouviu as vozes dos povos amazônicos que participaram ativamente do encontro. Heraldo Guajaja, é indígena da aldeia Sabonete do Leão, no município de Grajaú/MA. Ele conta que foi a primeira vez que participou de uma atividade promovida pela Igreja Católica e ficou admirado com a abertura dada a ele e aos demais indígenas presentes.

“Foi muito bom a gente ter tido a oportunidade de expressar o que a gente sente, o que a gente passa nas nossas aldeias. A gente teve essa oportunidade de expressar nossas ideias, nossa visão, nossa gente, nossa forma de ser, e a Igreja respeitou isso. A Igreja quer que gente venha a opinar, venha a expor as nossas ideias com a nossa própria visão, com a nossa própria forma de ser”, declarou.

Carta Aberta

Ao final do seminário foi elaborada uma carta aberta para ser lida nas paróquias e comunidades, a fim de anunciar o compromisso com o Sínodo para a Amazônia. Confira a carta na íntegra:

Nós, Membros do Comitê Interdiocesano da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), no Sul do Maranhão, Regional NE 5, das Dioceses de Balsas, Carolina, Grajaú, Imperatriz, Viana, e a Diocese convidada de Tocantinópolis (TO), participantes do SEMINÁRIO DE ESTUDOS DA REPAM, celebrado nos dias 3 e 4 de agosto, no município de Estreito, da Diocese de Carolina, juntamente com a Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular – SEDIHPOP do Maranhão, do Movimento Indígena e demais entidades sociais, temos a alegria de anunciar nosso compromisso com o SÍNODO PARA A PAN- AMAZÔNIA, convocado pelo Papa Francisco.

O Sínodo é um convite a CAMINHAR JUNTOS e ouvir o clamor dos Povos da Amazônia – nossas vozes – no cuidado da Casa Comum, no compromisso profético para o BEM VIVER.

Com renovada esperança, CONVIDAMOS VOCÊ a conhecer e fazer parte deste processo na defesa e promoção da vida e dignidade do Povo de Deus, especialmente os Povos Indígenas, Quilombolas, Extrativistas, Pescadores, Ribeirinhos, Camponeses e demais povos do campo e da cidade, frequentemente esquecidos, agredidos e sem perspectiva de um futuro seguro.

Será uma grande bênção chegarmos a uma CONVERSÃO ECOLÓGICA, de uma Igreja servidora e missionária, dispondo-nos a uma evangelização inclusiva, de respeito e valorização das diversas culturas e formas de vida.

Tudo está interligado como se fôssemos um, tudo está interligado nesta Casa Comum.

Estreito/MA, 4 de agosto de 2019.

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6a. Coletiva de Imprensa discute o Sínodo Pan-Amazônico e Mês Missionário Extraordinário

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07 de mai de 2019

Antes do anúncio da definição dos primeiros postos na eleição da coordenação da CNBBpara os próximos quatro anos, o 6º dia Assembleia Geral da CNBB discutiu o Sínodo para a Pan-Amazônia e o Mês missionário extraordinário. A coletiva desta segunda-feira (6) contou com a presença do Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo Emérito de Aparecida (SP), Dom Odelir José Magri, Bispo de Chapecó (SC) e coordenador do grupo de trabalho do Mês Missionário, e do Cardeal Dom Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo e relator geral do Sínodo Pan-Amazônico.

Dom Raymundo Damasceno iniciou a coletiva destacando a reunião que, diferente de outros anos, vai eleger o presidente, dois vice-presidentes, o secretário-geral e 12 coordenadores das comissões episcopais. "Essa primeira parte nos prepara o processo eleitoral. Fizemos um balanço dos quatro últimos anos, estudamos as próximas diretrizes e vamos seguir com o processo de votação. Não existem chapas. É uma missão que cada bispo se coloca no espírito de serviço para qualquer um dos cargos." enalteceu.

Mês missionário extraordinário

"Devemos celebrar a missão dentro da Igreja. É preciso despertar a consciência além das comunidades". Assim, Dom Odelir José Magri, resumiu sua função à frente dos trabalhos do Mês Missionário no Brasil, que ocorre em outubro de 2019. Com o tema ‘Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo’, o religioso destacou a ação pioneira de Papa Francisco ao convocar um mês missionário mundial para a Igreja Católica. "Em diversas oportunidades foram discutidos e refletidos a importância e o valor das missões, mas pela primeira vez a Igreja do mundo todo está focada em testemunhar, incentivar e viver o tema".

Dom Odelir enfatizou ainda que a mensagem pode ser dissipada de diversas formas. "Não devemos criar novas agendas dentro da nossa Igreja para trabalhar e, sim, integrar o tema nas reuniões. Discutir nas dioceses, acrescentar o conteúdo nas catequeses, na Semana da Família, no Dia da Juventude etc. Agregar às formações a temática das missões".

"Encontrar novos caminhos para Amazônia"

O Cardeal Dom Cláudio Hummes foi nomeado, pelo Papa Francisco como relator geral do Sínodo Pan-Amazônico e é responsável por encontrar novos caminhos para Amazônia. "O Papa Francisco insiste que busquemos alternativas. Não devemos traçar os mesmos caminhos do que não deu certo. O Sínodo deve enfrentar as surpresas da caminhada. A Igreja está a serviço da humanidade, por isso, a importância de debater esse tema.", destaca.

Dom Cláudio alertou sobre a grave crise ambiental vivida no mundo. "A Igreja tem tarefas novas e mais urgentes para tratar. Já iniciamos a fase das consultas nas bases, dentro das comunidades carentes, indígenas e dioceses. Contamos com grande ajuda das comunidades e da REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica). E finaliza: "Nosso papel é defender a vida e, como diz o Santo Padre, o território da Amazônia e os povos nunca estiveram tão ameaçados. As ações nunca foram tão agressivas e o desmatamento tão grande".

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Cardeal Hummes lança livro sobre Sínodo para a Amazônia

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05 de mai de 2019

No sábado, 27 de abril, na Catedral da Sé, aconteceu o evento de lançamento do livro “O Sínodo para a Amazônia”, do Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo e Presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam).

Publicada pela Paulus Editora, a obra trata da temática e preparação da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos, que será realizada em outubro, no Vaticano, com o tema “Amazônia, novos caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral”.

Um dos membros da comissão preparatória do sínodo, Dom Cláudio explicou que o objetivo é divulgar o máximo possível o Sínodo e sua importância. “Com certeza, esse evento eclesial iluminará não apenas a Igreja na Amazônia com seus povos, mas toda a Igreja universal”, afirmou.

 

NOVOS CAMINHOS

“Encontrar novos caminhos para a evangelização daquela porção do povo de Deus, sobretudo dos indígenas, muitas vezes esquecidos e sem a perspectiva de um futuro sereno, também por causa da crise da floresta Amazônica, pulmão de importância fundamental para o nosso planeta.” Essa foi a finalidade principal apresentada pelo Papa Francisco ao convocar o Sínodo, em 15 de outubro de 2017, em Roma.

A assembleia sinodal contará com a participarão de representantes dos nove países que constituem a chamada Pan -Amazônia – Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela, incluindo a Guiana Francesa como território ultramar –, envolvendo sete conferências episcopais.

Desde a convocação, a Igreja na Amazônia tem realizado encontros para estudar e aprofundar a proposta do Sínodo. Foi elaborado um documento preparatório que serve como texto-base, o qual oferece uma análise de conjuntura atual da Amazônia e aponta percursos e novos caminhos para a Igreja a serviço da vida nessa região. O subsídio recolhe sugestões e propõe caminhos para uma preparação adequada da Assembleia.

 

CONTEXTO

O Cardeal Hummes ressaltou que o Sínodo para a Amazônia acontece no contexto da Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, sobre o cuidado com a casa comum. “Por isso, este Sínodo não terá um significado só para a Amazônia, mas para o mundo, mencionando outros biomas que precisam ser preservados.”

Outro estímulo apontado por Dom Cláudio para esse Sínodo foi a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 21), realizada em Paris, na França, em 2015, quando foi publicado um acordo climático assinado por mais de 190 países.

 

CAUSAS DA CRISE

Entre as causas da crise climática, o Cardeal Hummes destacou a forma como o ser humano intervém na natureza, o que o Papa chamou de “globalização do paradigma tecnocrático”, resultante do atual “modelo dominante” de desenvolvimento.

“A tecnociência deu um poder enorme à humanidade. Mas, ao ser humano moderno, falta ‘uma ética sólida, uma cultura e uma espiritualidade que lhe ponham realmente um limite e o contenham dentro de um lúcido domínio de si’”, salientou Dom Cláudio, citando a Laudato Si’.

Como caminho para enfrentar essa crise, o Papa Francisco chama a atenção para a necessidade de uma ecologia integral. A partir dessa concepção, Dom Cláudio afirmou que surge a necessidade de novos modelos de desenvolvimento, que não sejam predatórios. “O Sínodo poderá estimular para que se encontrem novos modelos”, avaliou.

 

IGREJA AMAZÔNICA

Sobre os desafios da ação evangelizadora da Igreja na Pan-Amazônia, o Cardeal recordou a preocupação do Santo Padre para que a fé seja inculturada na Amazônia, na necessidade de “uma Igreja com o rosto amazônico e indígena”.

Sobre a falta de sacerdotes, o Cardeal destacou o drama que os católicos da Amazônia vivem com a falta dos sacramentos, especialmente a Eucaristia, Reconciliação e Unção dos Enfermos, que são ministrados pelos padres e bispos.

“Esses são os sacramentos da vida cotidiana. Não podem faltar para essas comunidades. Muitas delas se reúnem para celebrar a Palavra, mas faltam os sacramentos. A Palavra me ilumina, mas são os sacramentos que dão força para pôr em prática a Palavra”, afirmou.

 

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Arquidiocese reúne comissões regionais de coordenação do sínodo

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15 de abril de 2019

Os membros das comissões regionais de coordenação do sínodo arquidiocesano reuniram-se com o Cardeal Odilo Scherer, Arcebispo Metropolitano, na noite da segunda-feira, 8, para reforçar a preparação das atividades que serão realizadas durante este ano.

O Arcebispo, em primeiro lugar, pediu que houvesse um breve relato do andamento da abertura celebrativa do sínodo em cada região episcopal, ocorrida no dia 30 de março. Em todos os relatos, houve unanimidade sobre o proveitoso momento, que reuniu centenas de pessoas para dar início, com muita oração, reflexão e ânimo, às tarefas que ocorrerão durante cada uma das quatro sessões do sínodo nas regiões episcopais.

Dom Odilo elencou os artigos do Regulamento do sínodo para esta etapa regional, bem como os encaminhamentos a serem observados para cada sessão. Ele frisou a necessidade de os participantes terem sempre à mão o livreto do Instrumento de Trabalho do sínodo, a fim de que todos se preparem, individual e coletivamente, para que as sessões atinjam seus objetivos, e, assim, a região episcopal possa documentar todo o seu trabalho por meio de relatórios a serem elaborados ao fim de cada sessão, que deverão ser arquivados. As conclusões, no fim deste ano, serão repassadas à Secretaria-Geral do sínodo para que sejam aprofundadas em 2020, na etapa arquidiocesana.

Durante o encontro, o Cardeal Scherer também fez questão de ouvir e fazer com que os presentes acompanhassem como os vicariatos ambientais da Educação e e da Universidade, e o da Comunicação irão se estruturar para suas atividades neste ano.

Dom Carlos Lema Garcia, Vigário Episcopal para a Educação e Universidade, destacou que o Vicariato realizou uma pesquisa específica para a realidade do mundo da educação e da universidade, que servirá de base para aprofundamentos futuros.

Dom Devair Araújo da Fonseca, Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação, ressaltou que os encontros de levantamento da realidade da Igreja em São Paulo em relação ao mundo da comunicação farão com que o Vicariato desenvolva atividades específicas durante o ano, de tal forma que as reflexões e propostas que surgirem serão, também, documentadas e enriquecerão a etapa arquidiocesana de 2020.

 

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Coordenações de pastoral são instruídas para o 2º ano da caminhada sinodal

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15 de abril de 2019

No sábado, 6, as coordenações de pastoral de toda a Arquidiocese de São Paulo reuniram-se no Centro Pastoral São José do Belém para um primeiro encontro neste ano.

Impulsionados pela etapa regional do sínodo arquidiocesano, agentes de pastoral, leigos, consagrados, membros de movimentos e novas comunidades, coordenadores de pastoral regionais, coordenadores de setor e responsáveis pela formação acadêmica dos candidatos aos ministérios ordenados tiveram a oportunidade de se aprofundar nos encaminhamentos que estão estruturados para a continuidade desta segunda etapa do sínodo.

Por meio do Instrumento de Trabalho do sínodo para o nível regional, Padre José Arnaldo Juliano dos Santos, Assessor Teológico para o sínodo arquidiocesano, discorreu sobre a importância de todos estarem inteirados sobre as sessões do sínodo nas regiões, verificando o que lhes cabe para o bom andamento dos trabalhos que serão desenvolvidos de agora em diante.

Calcado nos documentos da Igreja, particularmente os vinculados ao Concílio Vaticano II, Padre José Arnaldo frisou a razão da temática do sínodo ser “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária”, assim firmando os diversos empenhos pastorais no princípio da unidade na diversidade, que tanto caracterizam a vida pastoral da Igreja.

Outro momento de aprofundamento foi propiciado por Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia. Tendo nas mãos a publicação da pesquisa e do levantamento interno nas paróquias, o Bispo, retomando diversos itens desses documentos, demonstrou que há um imenso valor técnico neles sobre a realidade atual da Igreja Católica em São Paulo.

Pontuando vários dados pesquisados e levantados em cada paróquia, Dom Devair foi contundente ao afirmar o quanto a Igreja precisa se atualizar para encarar vigorosamente os imensos desafios da metrópole. “Há dados preocupantes sobre o decréscimo na participação da vida sacramental e pastoral da Igreja”, acentuou Dom Devair. Porém, por outro lado, “há motivos para, conhecendo melhor os desafios e as possibilidades deste momento, lançar um novo vigor sobre a ação evangelizadora da Igreja nesta grande cidade”, afirmou.

 

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Arquidiocese realizará abertura do segundo ano do sínodo nas regiões episcopais

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02 de abril de 2019

No sábado, 30, acontecerá a abertura da segunda etapa do sínodo arquidiocesano em cada uma das seis regiões episcopais. Participarão todos os párocos, vigários, padres e diáconos com provisão na respectiva região, leigos representantes das paróquias e dos diversos movimentos eclesiais.

Em artigo publicado na edição de 20 de março do jornal O SÃO PAULO, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, expõe os principais objetivos das assembleias regionais do sínodo: avaliar a situação da vida e da missão da Igreja em São Paulo nos vicariatos ambientais, nas regiões episcopais e em todas as expressões de vida eclesial nesses âmbitos.

 

ABERTURAS REGIONAIS

Segundo o Padre José Arnaldo Juliano dos Santos, Teólogo-Perito do sínodo arquidiocesano durante a abertura solene do segundo ano do sínodo, será apresentada uma introdução geral aos trabalhos do caminho sinodal na própria região: seus objetivos, sua metodologia e etapas, bem como a apresentação do Regulamento das Assembleias Sinodais nas regiões, além de uma síntese geral dos resultados das avaliações e das propostas elaboradas pelas paróquias ao longo de 2018, durante a fase paroquial do sínodo arquidiocesano. Também nesta celebração, será invocado solenemente o Espírito Santo, pois a grande meta do sínodo arquidiocesano é escutar o que o Espírito diz à Igreja hoje e responder à interpelação do próprio Espírito, realizando o caminho de comunhão, conversão e renovação missionária.
 

VEJA O LOCAL E O HORÁRIO EM SUA REGIÃO, 30 DE MARÇO

 

REGIÃO BELÉM

8h30 - Paróquia São Carlos Borromeu (rua Conselheiro Cotegipe, 933, Belenzinho).

 

REGIÃO BRASILÂNDIA

14h - Paróquia São Luís Gonzaga (praça Dom Pedro Fulco Morvidi, 1, Vila Pereira Barreto).

 

REGIÃO IPIRANGA

9h - Paróquia Imaculada Conceição (avenida Nazaré, 993, Ipiranga).

 

REGIÃO LAPA

8h30 - Paróquia Nossa Senhora da Lapa (rua Nossa Senhora da Lapa, 298, Lapa).

 

REGIÃO SANTANA

8h30 - Recanto Nossa Senhora de Lourdes (avenida Luís Carlos Gentile de Laet, 1.736, Vila Rosa).

 

REGIÃO SÉ

8h30 - Santuário Nossa Senhora do Rosário de Fátima (avenida Dr. Arnaldo, 1.831, Sumaré).

 

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Pesquisa do sínodo indica caminhos para a conversão missionária da Igreja em São Paulo

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28 de fevereiro de 2019

A Arquidiocese de São Paulo publicou, em fevereiro, um subsídio com os resultados dos levantamentos das realidades religiosa e pastoral de suas paróquias. Esses dados, colhidos em 2018, ajudarão a orientar os trabalhos do sínodo arquidiocesano e auxiliar as paróquias e comunidades a identificar os desafios e possibilidades da renovação pastoral proposta pelo caminho sinodal.

“As duas pesquisas, juntamente com as reflexões dos numerosos grupos sinodais, que se reuniram mensalmente em 2018 nas paróquias e contribuíram com observações e sugestões valiosas sobre a vida eclesial e pastoral em suas comunidades, são material farto para as assembleias do sínodo nas regiões episcopais e vicariatos ambientais em 2019, e também nas assembleias arquidiocesanas do sínodo, em 2020”, explicou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, na apresentação do subsídio.

Ainda segundo Dom Odilo, os levantamentos forneceram informações sobre o “estado das coisas”, no que se refere à situação religiosa do povo de São Paulo, “às relações da Igreja com o povo e vice-versa, às lacunas e desafios mais urgentes, que demandam ‘conversão missionária’”.

 

PESQUISA DE CAMPO

O levantamento de campo foi pensado pela Comissão de Coordenação Geral do sínodo, que elaborou as 111 perguntas (algumas com a tabulação ds respostas abaixo), para abordar a realidade paroquial em toda a Arquidiocese de São Paulo. O objetivo foi realizar um levantamento da situação religiosa e pastoral das 295 paróquias territoriais.

O subsídio destaca que essa pesquisa revelou até que ponto a mensagem da Igreja Católica em São Paulo alcança os católicos e por quais meios e métodos. “Ela ajuda a perceber os pontos fortes e fracos, bem como as lacunas e formas inadequadas da evangelização.”

Os dados também revelam o grau de eficácia dos trabalhos pastorais e evangelizadores e, de forma pontual, o nível de identificação dos católicos com a Igreja, com sua pregação e sua doutrina. “Ajudou a perceber o grau de participação e satisfação dos fiéis com a Igreja, bem como os seus anseios e expectativas”, acrescentou o Arcebispo.

 

METODOLOGIA

Após a elaboração, o questionário foi submetido aos técnicos da Coordenadoria de Estudos e Desenvolvimento de Projetos Especiais (Cedepe) da PUC-SP, para que a pesquisa tivesse critérios válidos e científicos.

Os cerca de 300 pesquisadores voluntários visitaram vários domicílios localizados no território paroquial, também segundo critérios metodológicos. O questionário foi feito por meio de um aplicativo para dispositivo digital e enviado pela internet para um banco de dados.

A primeira parte do questionário, com 20 questões, foi respondida por católicos e não católicos, e continha questões gerais e preliminares. A segunda foi respondida apenas pelos católicos.

 

AMOSTRA

A pesquisa foi realizada entre os meses de junho e setembro de 2018, e, para que tivesse caráter científico, foi estabelecida uma cota de 50 católicos por paróquia. Também foi definido um número de entrevistas por sexo e faixa etária, considerando os dados do último Censo Demográfico, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010.

Os voluntários realizaram 54.258 abordagens para concluir a pesquisa. Desse total, 20.498 pessoas se dispuseram a responder ao questionário e 33.760 pessoas se recusaram. Entre aqueles que responderam, 14.709 eram católicos e 5.789 eram não católicos.

 

LEVANTAMENTO PAROQUIAL

A segunda pesquisa foi direcionada aos padres e seus colaboradores mais próximos nas paróquias, para obter informações sobre os serviços de evangelização e pastoral realizados nas paróquias durante um período determinado.

Foram contabilizados dados como número de missas e a participação do povo, batismos, matrimônios, crismas, primeiras comunhões, visitas a doentes, funerais, organizações pastorais, animação missionária, iniciativas de catequese e de formação na fé, caridade e solidariedade social, vocações, sustentação da Igreja e das iniciativas pastorais, presença pública da Igreja no bairro e na cidade.

Para Dom Odilo, esse levantamento poderá ajudar as paróquias a tomar uma nova consciência de si mesmas. “De fato, não se pode prosseguir na ação pastoral ‘como sempre se fez’ e como se tudo continuasse ‘como sempre foi’, sem levar em conta as vastas e profundas mudanças que atingem o povo católico e também as organizações e iniciativas eclesiais”, disse.

 

111 - Por quais motivos você continua firme na Igreja Católica: Em 1º lugar, em 2º lugar e em 3º lugar? (Mostre as alternativas para o entrevistado, deixe que ele as leia e pergunte.) - (Os dados revelam um perfil das motivações de fé, e merecem atenção)

Porque nasci e cresci nessa Igreja

8.181

67,85%

Ela me oferece a fé verdadeira e segura

6.137 50,90%

Por causa dos valores que a Igreja Católica defende e ensina

5.167 42,85%

Por causa de Nossa Senhora

4.766 39,53%
Por causa da Eucaristia/Missa e da Confissão 4.517 37,46%
Nenhuma das alternativas 607 5,03%
Total 12.058 100,0%

 

101- Você acha que a Igreja deva defender e valorizar a vida humana, desde a concepção até a morte natural - ser contra o aborto e contra a eutánasia? 

Sim

10.896

74,08%

Não sei

2.348

15,96%

Não

1.465 9,96%
Total 14.709 100,00%

 

42- Indique, por ordem de importância, as 3 qualidades de homiia (sermão): Em 1° lugar, em 2° lugar e em 3° lugar? (Mostre as alternativas para o entrevistado, deixe que ele as leia e pergunte.) - (O conteúdo das homílias é valorizado pelos católicos)

Que explique a palavra de Deus 11.111 83,12%
Que mostre como deve ser vivida a fé 8.308 62, 15%
Que fale com clareza 7.337 54,88%
Que leve a agradecer, louvar e crer com Deus

6.760

50,57%
Que seja bem preparada 4.767 35,66%
Nenhuma das altermativas 258 1,93%
Total 13.368 100,00%

 

77- Se seus filhos estão acima de 8 anos, eles frequentam a catequese?- (Muito espaço para ação catequética)

Sim

10.756

73,13%

Tenho dúvidas

3.227

21,94%

Não 726 4,64%
Total 14.709 100,00%

 

17- Qual é a sua religião? - (O povo ainda é religioso)

Católica

14.709

71,76%

Evangélica

3.088

15,06%

Espírita

1.192 5,82%
Sem religião 878 4,28%
Outra religião 391 1,91%
De Matriz Afro 188 0,92%
Judaica 28 0,14%
Muçulmana 24 0,12%
Total 20.498 100,00%

 

64- Indique, por ordem de preferência, 3 iniciativas que gostaria de participar: Em 1° lugar, em 2° lugar e em 3° lugar (mostre as alternativas para o entrevistado, deixe que ele as leia e pergunte.) - (Desejo de aprofundar a fé e a vida cristã)

Estudos bíblicos 5.652 59,27%
Grupo de oração 4.310 45,20%
Encontros de formação 4.017 42, 12%
Retiro 3.981 41,75%
Catequese para adultos 3.558 37,31%
Peregrinação 2.095 21,97%
Nenhuma das alternativas 490 5,14%
Total 9.536 100,00%

 

75 - Seus filhos foram batizados na Igreja Católica Apostólica Romana?

Sim, todos foram batizados na Igreja Católica Apostólica Romana

7.751 87,97%

Não foram batizados na Igreja Católica Apostólica Romana

577 6,55%

Nem todos foram batizados na Igreja Católica Apostólica Romana

483 5,48%

Total

8.811 100,00%

 

Segundo o subsídio, os dados da pesquisa apontam alguns indicativos para que a Igreja cumpra sua missão em São Paulo:

1.Uma Igreja mais presente no meio das casas, dos bairros, das escolas, dos hospitais, das periferias do seu território, dos novos âmbitos socioculturais. Daí a necessidade de realizar constantes visitas missionárias, de realizar uma inserção pastoral mais contundente em todos os níveis.

2. Uma Igreja que investe na iniciação cristã e acompanha os fiéis batizados no amadurecimento da fé e crescimento pessoal integral.

3. Uma Igreja que envolva todos os fiéis em participação e comunhão, para que estes se despertem à “pertença da comunidade eclesial”.

4. Uma Igreja que atue na cidade por meio de uma pastoral orgânica, viva e de conjunto.

 

Dados permitem identificar desafios e possibilidades para a evangelização

Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia e Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação, foi um dos responsáveis pela organização da pesquisa e elaboração do subsídio. Ele explicou ao O SÃO PAULO que o resultado dos levantamentos não pode ser visto com um olhar negativo, voltado para as falhas identificadas, mas, sim, como desafios, possibilidades, um campo aberto para a missão.

“Se o Papa Francisco nos fala para sermos uma ‘Igreja em saída’, esses levantamentos do sínodo nos permitem ver aonde precisamos chegar e desempenhar melhor nossa missão. A pesquisa aponta quais são os grandes desafios da Arquidiocese de São Paulo nos próximos anos”, destacou o Bispo.

 

ATIVIDADE MISSIONÁRIA

Ainda segundo Dom Devair, a própria realização da pesquisa, no formato que foi concebida e desenvolvida, pode ser considerada uma atividade missionária. “É a Igreja que vai ao encontro das pessoas para saber quais são os desafios para a nossa ação pastoral e evangelizadora”, enfatizou.

O Bispo também ressaltou que a pesquisa não foi realizada nas portas das igrejas, mas por meio de visitas domiciliares. “É por isso que ela traz informações não só dos católicos, mas também daqueles que não são católicos e se dispuseram a responder.”

 

ANÁLISE AMPLA

O Vigário Episcopal informou, ainda, que as respostas do questionário foram agrupadas no subsídio segundo determinados assuntos, de modo que seja possível fazer uma análise aprofundada e ampla dos dados. Ao lado das perguntas, foram inseridos pequenos comentários para provocar reflexões e análises.

“Os dados da pesquisa de campo e do levantamento paroquial ficam, agora, à disposição de toda a Arquidiocese de São Paulo, especialmente dos participantes das assembleias sinodais, dos Conselhos Paroquiais de Pastoral, do clero, dos teólogos, pastoralistas e estudiosos, para que a compreensão da ‘linguagem da realidade’ possa ajudar a alcançar o maior fruto da missão da Igreja em São Paulo”, concluiu o Cardeal Scherer.

 

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Novos caminhos para a Igreja na Amazônia

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26 de fevereiro de 2019

“Encontrar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, sobretudo dos indígenas, muitas vezes esquecidos e sem a perspectiva de um futuro sereno, também por causa da crise da floresta Amazônica, pulmão de importância fundamental para o nosso planeta.” Essa foi a finalidade principal apresentada pelo Papa Francisco ao convocar, em 15 de outubro de 2017, uma Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, que será realizada em outubro deste ano, no Vaticano.

Com o tema “Amazônia, novos caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral”, participarão do Sínodo os bispos e representantes dos nove países que constituem a chamada Pan-Amazônia – Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela, incluindo a Guiana Francesa como território ultramar –, envolvendo sete conferências episcopais.

 

DOCUMENTO PREPARATÓRIO

Desde a sua convocação, a Igreja presente na Amazônia tem realizado encontros para estudar e aprofundar a proposta do Sínodo.

Como em todas as assembleias sinodais, foi elaborado um documento preparatório que serve como texto-base que oferece uma análise de conjuntura atual da Amazônia e aponta percursos e novos caminhos para a Igreja a serviço da vida nessa região. O subsídio recolhe sugestões e propõe caminhos para uma preparação adequada para a Assembleia.

 

METODOLOGIA

O Documento Preparatório é composto de uma introdução e três partes, que correspondem ao método “ver, discernir e agir”, que já havia sido utilizado no Sínodo sobre a família em 2014 e 2015. No fim do texto, há um questionário sobre o qual as igrejas locais trabalharão.

Na ocasião da apresentação do documento, no Vaticano, o Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, ressaltou que, mesmo que o tema seja referente a um território específico, as reflexões superam o âmbito regional e pretendem fazer uma ponte com outras realidades geográficas semelhantes, como a Bacia do Congo, o corredor biológico centro-americano, as florestas tropicais da Ásia no Pacífico e o sistema aquífero Guarani. Também, por isso, o Sínodo será realizado em Roma.

 

VER

A primeira parte traça a identidade da região e a necessidade de escuta. Os assuntos abordados são: o território; a variedade sociocultural; a identidade dos povos indígenas; a memória histórica eclesial; a justiça e os direitos dos povos, bem como a espiritualidade e sabedoria dos povos amazônicos.

 

DISCERNIR

A segunda parte convida a discernir novos caminhos a partir da fé em Jesus Cristo, à luz do Magistério e da Tradição da Igreja. O conteúdo dessa parte é marcado pelo anúncio do Evangelho na Amazônia, nas suas diversas dimensões: bíblico-teológica, social, ecológica, sacramental e eclesial-missionária.

 

AGIR

A terceira parte aponta “Novos caminhos para uma Igreja com rosto amazônico”. Nesse trecho, é o Papa Francisco quem indica o caminho para entender a expressão “rosto amazônico”

“Os novos caminhos terão uma incidência nos ministérios, na liturgia e na teologia (teologia indígena)”, destaca o texto.

QUESTÕES

O questionário apresentado no fim está dividido metodologicamente de acordo com as partes do documento para facilitar os trabalhos que serão realizados pelas comunidades e grupos que responderão às perguntas.

“Nessa escuta, podem-se conhecer os desafios, as esperanças, as propostas e reconhecer os novos caminhos que Deus pede à Igreja nesse território”, diz o Documento.

 

PASSOS SEGUINTES

Sobre a base das respostas do questionário vindas de todas as igrejas locais da Amazônia, será preparado um segundo documento denominado Instrumentum Laboris (Instrumento de Trabalho), que constituirá o texto de referência para o debate sinodal. “Este documento deverá ser publicado e enviado aos padres sinodais e aos outros participantes alguns meses antes da celebração da assembleia sinodal, isto é, por volta do mês de junho”, explicou Dom Fábio Fabene, Sub- -secretário do Sínodo dos Bispos.

Ao fim da assembleia, será elaborado um documento final com propostas que serão apresentadas ao Papa e, a partir das quais, ele poderá redigir uma exortação pós-sinodal sobre o tema.

 

Cardeal Scherer: ‘O que mais importa é que Jesus seja anunciado na Amazônia’

Durante a sessão acadêmica na qual recebeu o título de doutor honoris causa na Universidade Católica de Kaslik, no Líbano, no dia 8, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, fez um reflexão sobre o Sínodo para a Amazônia.

Dom Odilo ressaltou que a assembleia sinodal não tratará apenas de questões ambientais e antropológicas, que também interessam à missão da Igreja. “Trata-se de questões que interpelam diretamente a missão religiosa da Igreja”, disse.

 

ESCASSEZ DE MISSIONÁRIOS

O Arcebispo recordou que, ao longo dos mais de 400 anos de ação evangelizadora na região, a Amazônia sempre contou com a ajuda de missionários vindos de vários países. Inclusive, a maioria dos bispos era formada de estrangeiros até pouco tempo. “Atualmente, porém, essa situação mudou drasticamente, pois os missionários já não chegam em grande número e os recursos econômicos vindos de fora foram muito reduzidos”, apontou.

Dentre os grandes desafios para a Igreja na Amazônia, Dom Odilo apontou a formação do clero próprio, de religiosos e consagrados. “Há muita falta de sacerdotes e o povo fica desassistido por longos períodos. Ao mesmo tempo, há uma penetração proselitista agressiva nos territórios da Amazônia, que leva muitos católicos pouco formados na própria fé a aderirem a esses grupos neopentecostais”, alertou.

 

ROSTO AMAZÔNICO

“Fala-se da necessidade de desenvolver uma ‘Igreja com rosto amazônico e indígena’”, ressaltou o Cardeal.

“O que mais importa é que Jesus Cristo seja testemunhado, anunciado, celebrado e comunicado na Amazônia, e que a força do Evangelho converta as pessoas e promova a dignidade de seus habitantes, seja força de fraternidade e solidariedade na construção de novos modelos de desenvolvimento e condições de vida”, completou Dom Odilo.

 

VENEZUELA

 

Soma 458.345 km², o que representa 50% do território nacional. Tem baixa densidade populacional (cerca de 20 habitantes/km²), porém é onde habitam 24 povos nativos do total existente no País. Possui sete jurisdições eclesiásticas: quatro dioceses e três vicariatos apostólicos.

 

COLÔMBIA

A região amazônica da Colômbia compreende 477 mil km² (42% do território nacional) e é a área menos populosa do País. As jurisdições eclesiásticas no território são 14: oito vicariatos e seis dioceses.

 

EQUADOR

A área amazônica do Equador corresponde a 120 mil km² (48% do território nacional). Ali vive aproximadamente 5% da população equatoriana, cerca de 740 mil habitantes. Lá existem povos que se mantêm sem contatos com a sociedade, como os tagaeri, taromenane e oñamenane. A Igreja no território se divide em seis vicariatos apostólicos.


 

PERU

A Amazônia peruana compreende uma área de 782.880.55 km² ao leste da Cordilheira dos Andes. Um dos territórios com maior biodiversidade e endemismos do planeta, cobre duas regiões naturais: selva alta e selva baixa, ocupando mais de 60% do território peruano. Depois do Brasil, é o segundo país em território de floresta Amazônica. Abriga apenas 13% da população nacional. As jurisdições eclesiásticas no território são dez: oito vicariatos e duas dioceses.

 

GUIANA

A região amazônica da Guiana cobre quase 75% do total do território, que é de 214.970 km², e onde vivem nove povos originários reconhecidos que conservam seus próprios dialetos: akawaio, arekuna, kariña, lokono, makushi, patamona, waiwai, wapishana e warau. A única circunscrição eclesiástica no País é a Diocese de Georgetown, sufragânea da Arquidiocese de Port of Spain, no Caribe.

 

SURINAME

Ocupando cerca de 90% dos 163.820 km² do território do País, a Amazônia do Suriname conta com 459 mil habitantes. A maioria da população é descendente de escravos africanos ou é de trabalhadores indianos e javaneses levados pelos holandeses para trabalhar na agricultura. A Diocese de Paramaribo compreende todo o País.

 

GUIANA FRANCESA

O País é um departamento francês de ultramar e, por isso, faz parte da União Europeia. Ocupa uma superfície de 92.300 km², dos quais 90% são de floresta Amazônica, onde o principal meio de acesso é a via fluvial. A população é de aproximadamente 295 mil habitantes e sua maioria vive no litoral. A única diocese do País é Caiena, sufragânea da Arquidiocese de Fort-du-France, na Martinica.

 

BRASIL

A Amazônia brasileira ocupa uma superfície de 5.217.423 km², correspondente a cerca de 61% do território do País. Nesta área, vivem em torno de 23 milhões de pessoas. Lá reside 55,9% da população indígena brasileira. Uma recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) quantificou 305 etnias indígenas e ainda diversos povos isolados, sem contato com a civilização. As jurisdições eclesiásticas no território são 56: nove prelazias e 47 dioceses.

 

BOLÍVIA

A Amazônia boliviana ocupa uma área de 714 mil km² (43% do território nacional). De acordo com informações fornecidas pelas seis jurisdições eclesiais da região, a área é povoada por 1.266.379 habitantes: povos indígenas, camponeses, interculturais (colonos) e afrodescendentes. Um total de 29 povos indígenas habitam atualmente no território da Amazônia boliviana.

 

PAN-AMAZÔNIA

Com um território de mais de 7,5 milhões de km², a Pan-Amazônia envolve uma área maior que toda a Europa ocidental, compreendendo nove países, onde vivem cerca de 34 milhões de pessoas, dentre as quais, 3 milhões são indígenas de 390 etnias diversas.

A bacia amazônica representa para o planeta uma das maiores reservas de biodiversidade (30 a 50% da flora e fauna do mundo), de água doce (20% da água doce não congelada de todo o planeta), e possui mais de um terço das florestas primárias do planeta. Também a captação do carbono pela Amazônia é significativa, embora os oceanos sejam os maiores captadores de carbono.

 

QUEM PARTICIPARÁ DO SÍNODO?

Como se trata de uma assembleia especial, possui critérios específicos de participação. Sendo assim, esse Sínodo prevê a convocação de todos os bispos que têm o cuidado pastoral do território amazônico. Desse modo, participarão os bispos diocesano residenciais e ordinários e seus equivalentes, segundo o Direito de cada circunscrição eclesiástica da Região Pan-Amazônica. Ao todo, serão 102 prelados, desses, 57 brasileiros.

TAMBÉM PARTICIPARÃO:

  • Os presidentes das sete conferências episcopais presentes na Região;
  • A presidência da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam);
  • Representantes do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam);
  • Alguns chefes de dicastérios da Cúria Romana;
  • Religiosos que atuam missionariamente na Amazônia;
  • Especialistas eclesiásticos, leigos com competência na matéria do Sínodo, auditores eclesiásticos e leigos, delegados fraternos representando confissões religiosas cristãs, enviados especiais e representantes de outras religiões e organismos civis diversos.

O Papa também possui a prerrogativa de nomear outros membros como padres sinodais, entre bispos, sacerdotes e religiosos, em razão de suas competências na região geográfica e cultural em questão na assembleia.

 

‘Uma terra onde Deus levantou sua tenda’

Luis Alfredo Hormazábal Solar é missionário leigo consagrado do Chile. Ele chegou ao Estado do Amazonas há 14 anos. Já trabalhou na Arquidiocese de Manaus, na Diocese de Coari e, atualmente, colabora na Prelazia Apostólica de Borba, onde atua na administração e na visita às comunidades do interior, junto ao Rio Madeira.

Em entrevista ao O SÃO PAULO, o Missionário destacou que um dos principais desafios para a atividade evangelizadora são as distâncias. “Quem ‘manda’ no nosso trabalho é o rio. Nós dependemos das condições do clima, para podermos desenvolver o nosso trabalho. Nos tempos da seca, por exemplo, que começa entre abril e maio, os rios começam a secar e fica muito difícil alcançar algumas comunidades que ficam distantes do município. Essa é uma realidade não só da Prelazia, mas de toda a Amazônia”, relatou.

 

PELA ÉGUAS

O Missionário deu como exemplo que a distância entre Manaus e Novo Aripuanã, último município do território da Prelazia de Borba, é de dois dias e uma noite de barco. “Se quisermos ir à comunidade que fica no extremo dessa paróquia, levamos mais sete dias de navegação”, acrescentou.

Para desempenhar essa missão, as paróquias contam com barcos, item essencial para a Igreja amazônica. O custo de manutenção desses veículos é muito alto. Por essa razão, as viagens pastorais dos missionários são ocasiões em que se atendem o máximo possível de fiéis. Nessas visitas, que duram em média 15 ou 20 dias, são realizados casamentos, batismos, visitas aos doentes, catequeses, se solucionam problemas e, quando há sacerdotes, celebram-se os sacramentos da Eucaristia, Reconciliação, Unção dos Enfermos e Crisma, quando há delegação do bispo.

 

FORÇAS HUMANAS

Luis enfatizou, ainda, que essas dificuldades se agravam com a falta de missionários. “Não é todo mundo que quer vir trabalhar na Amazônia, nem todos que vindo para cá resistem às condições de isolamento, clima e até mesmo de doenças próprias da região tropical”, disse.

Para o Missionário, são muitas as expectativas sobre o Sínodo para a Amazônia. “A primeira coisa que esperamos é que, de fato, se conheça a realidade da Amazônia. Aqui não há só índio, onça e jacaré. Há, sobretudo, pessoas com uma cultura riquíssima, que lutam para manter sua tradição, seus costumes, sua natureza. Que se saiba que aqui existe um mundo do qual todos devemos cuidar. Que se conheça a Amazônia como uma terra onde Deus levantou sua tenda.” 

(Com informações da Repam e Sínodo dos Bispos)

 

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‘Este é o momento histórico para a Amazônia’

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26 de fevereiro de 2019

O Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo e Presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), foi o convidado da aula inaugural do ano letivo de 2019 da Faculdade de Teologia da PUC-SP, no campus Ipiranga, na terça-feira, 19. Dom Cláudio fez uma conferência sobre a preparação da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, que será realizada em outubro, no Vaticano.

Além de Presidente da Repam, o Cardeal Hummes é membro da Comissão Especial para a Amazônia da CNBB, e, por isso, foi nomeado pelo Papa como um dos membros da comissão que auxilia a Secretaria Geral do Sínodo a preparar a Assembleia.

 

PROCESSO GRADUAL

Dom Cláudio explicou que a decisão do Papa de realizar um sínodo para a Amazônia resulta de um processo gradual, que se iniciou em 2013, durante sua viagem ao Rio de Janeiro, para a Jornada Mundial da Juventude. Nessa ocasião, em um discurso aos bispos brasileiros, o Santo Padre deu destaque especial à Igreja na Amazônia, identificando-a “como teste decisivo, banco de prova para a Igreja e a sociedade brasileira”.

Um tempo depois, em uma conversa privada com Dom Cláudio, o Pontífice lhe manifestou a ideia de reunir os bispos da Amazônia. “‘Talvez um sínodo. Mas a ideia ainda não está madura. Reze comigo para isso’, me disse o Papa”, acrescentou.

A ideia foi amadurecida e, em 15 de outubro de 2017, no fim da celebração da canonização dos Protomártires do Brasil, o Papa anunciou a convocação do Sínodo para a Amazônia.

 

ESCUTA

Dom Cláudio salientou que, desde o início do processo sinodal, o Papa insistiu na necessidade de ouvir os povos que vivem na Amazônia. Essa experiência foi vivida concretamente no encontro do Papa Francisco com representantes de povos indígenas em Porto Maldonado, no Peru, em janeiro de 2018. “Foi algo histórico e comovente. Ali, o Papa dizia aos indígenas que eles são interlocutores insubstituíveis no Sínodo, convidando-os a serem sujeitos da própria história”, destacou o Cardeal.

O Arcebispo Emérito explicou, ainda, que a consulta realizada em todas as 20 dioceses, prelazias e vicariatos apostólicos da Pan-Amazônia tem o objetivo de ouvir o máximo possível a população do território, especialmente os povos indígenas, os bispos, as comunidades e seus missionários.

No Brasil, já foram realizadas mais de 20 assembleias territoriais para aprofundar a reflexão do Documento Preparatório e serem colhidas as contribuições locais. Além dessas assembleias, em cada diocese estão acontecendo encontros com o mesmo propósito. As respostas devem ser enviadas à Secretaria do Sínodo até o fim de fevereiro.

 

CRISE CLIMÁTICA

O Cardeal Hummes ressaltou que o Sínodo para a Amazônia acontece no contexto da Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, sobre o cuidado com a casa comum. “Por isso, este Sínodo não terá um significado só para a Amazônia, mas para o mundo, mencionando outros biomas que precisam ser preservados”.

Outro estímulo apontado por Dom Cláudio para esse Sínodo foi a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 21), realizada em Paris, na França, em 2015, quando foi publicado um acordo climático assinado por mais de 190 países.

Dom Cláudio considera a Laudato Si’ e o acordo climático “dois documentos históricos irrefutáveis” que alertam para a crise climática vivida na Terra. “O planeta não está mais aguentando tanta destruição e intervenção irresponsável e predatória por parte da atividade humana”, afirmou.

 

CAUSAS 

Entre as causas, o Cardeal destacou a forma como o ser humano intervém na natureza, o que o Papa chamou de “globalização do paradigma tecnocrático”, resultante do atual “modelo dominante” de desenvolvimento.

“A tecnociência deu um poder enorme à humanidade. Mas, ao ser humano moderno, falta ‘uma ética sólida, uma cultura e uma espiritualidade que lhe ponham realmente um limite e o contenham dentro de um lúcido domínio de si’”, salientou Dom Cláudio, citando a Laudato Si’.

 

ECOLOGIA INTEGRAL

Como caminho para enfrentar essa crise, o Papa Francisco chama a atenção para a necessidade de uma ecologia integral. “Em nosso planeta, tudo está interligado. Os seres humanos não estão aqui como se fossem simplesmente trazidos de fora como ‘estranhos’ e colocados nele, onde se sentem donos absolutos. Deus, ao se encarnar, faz a definitiva interligação com esse planeta. Jesus ressuscitado é o ponto culminante da caminhada desse planeta. Já São Paulo afirmava que ‘Jesus é o primogênito de toda a criação’ (Cl 1,15)”, destacou o Cardeal.

A partir dessa concepção, Dom Cláudio afirmou que surge a necessidade de novos modelos de desenvolvimento, que não sejam predatórios. “O Sínodo poderá estimular para que se encontre novos modelos.”

 

IGREJA AMAZÔNICA

Especificamente sobre os desafios da ação evangelizadora da Igreja na Pan -Amazônia, Dom Cláudio recordou a preocupação do Papa Francisco para que a fé seja inculturada na Amazônia. Nesse sentido, insiste-se na necessidade de uma “Igreja indígena para a comunidade indígena”.

“Hoje, fala-se muito em uma Igreja indigenista, que defende os direitos dos povos. Isso é importante, mas não basta, é preciso de uma Igreja indígena, que tenha seus padres, identidade, cultura e história”, afirmou.

Sobre a falta de sacerdotes, o Cardeal destacou o drama que os católicos da Amazônia vivem com a falta dos sacramentos, especialmente a Eucaristia, Reconciliação e Unção dos Enfermos, que são ministrados pelos padres e bispos. “Esses são os sacramentos da vida cotidiana. Não podem faltar para essas comunidades. Muitas delas se reúnem para celebrar a Palavra, mas faltam os sacramentos. A Palavra me ilumina, mas são os sacramentos que dão força para pôr em prática a Palavra”, afirmou.

 

MINISTÉRIOS

Diante da dificuldade vocacional, surgiram ideias como a possibilidade de ordenação sacerdotal de homens casados de fé comprovada para exercer o ministério nessas regiões específicas. No entanto, Dom Cláudio enfatizou que esse pode ser até um assunto de discussão no Sínodo: “Mas o Papa tem alertado para o cuidado de não desviar o foco do Sínodo, que é sobre a Amazônia e a ecologia integral, não sobre ministérios”, disse. O Cardeal lembrou, ainda, que o celibato é um carisma que a Igreja não pode perder e que o Santo Padre tem afirmado isso reiteradas vezes.

 

TEMPO DE GRAÇA

“Este é o momento histórico para a Amazônia, não podemos perder esse Kairós [tempo de graça]. Todos somos responsáveis pelo bom êxito desse Sínodo”, concluiu Dom Cláudio, reforçando que todos os brasileiros devem se interessar pelo caminho sinodal. “Esse tema precisa ser levado para além da Amazônia, que está gritando por socorro. Todos nós precisamos ir ao encontro de suas necessidades.”

 

 

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Cardeal escreve Carta Pastoral sobre o 1º sínodo arquidiocesano

Por
13 de fevereiro de 2019

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, escreveu à Arquidiocese de São Paulo uma Carta Pastoral, datada na Solenidade da Epifania do Senhor, 6 de janeiro de 2019. 

Intitulada “Sínodo arquidiocesano de São Paulo, 2018-2020 – caminho de comunhão, conversão e renovação missionária”, a Carta é endereçada aos bispos auxiliares, padres, diáconos, religiosos e religiosas e a todos os cristãos leigos e leigas e suas organizações.

A Carta tem o objetivo de rever o caminho já realizado durante o sínodo e apontar os novos passos que devem ser dados em 2019. O texto contém muitas citações retiradas das cartas escritas por São Paulo Apóstolo e sugestões de como organizar ações pastorais e conhecer melhor a história das paróquias e dos seus padroeiros.

 

ALEGRIA

Inspirado em São Paulo Apóstolo, que em muitas de suas cartas, saúda a comunidade, o Cardeal demonstra grande alegria em escrever uma Carta sobre o sínodo arquidiocesano.

“É com grande alegria que me dirijo a todos, por meio desta Carta Pastoral, para tratar do primeiro sínodo arquidiocesano de São Paulo, “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária” para toda a Arquidiocese de São Paulo e para todas as realidades que a integram e expressam. Confiados na graça de Deus, já percorremos o primeiro ano do caminho sinodal, previsto para três anos. O Espírito Santo há de nos assistir nas etapas que ainda temos pela frente, sobretudo para alcançarmos as metas e propósitos do sínodo. Estamos semeando; a seu tempo, os frutos aparecerão”, afirma o Cardeal.

 

CONVERSÃO E RENOVAÇÃO MISSIONÁRIA

Dom Odilo recorda que o chamado à conversão é um convite constante da Igreja e que o próprio Concílio Vaticano II, há mais de 50 anos, teve esse objetivo.

“Não é de hoje que a Igreja nos convida à conversão pessoal e também à conversão pastoral e eclesial. O próprio Concílio Vaticano II, há mais de 50 anos, foi um grande e solene chamado à Igreja para renovar-se na missão, estando atenta às novas circunstâncias e realidades culturais, sociais e religiosas vividas pela sociedade e pela própria Igreja”, escreveu Dom Odilo.

O Arcebispo enumerou, em sua Carta, alguns desses eventos e documentos:

• As assembleias do Sínodo dos Bispos sobre a “evangelização no mundo contemporâneo” (1975), do qual resultou a extraordinária Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, de São Paulo VI.

• Os sínodos sobre a catequese (Catechesi Tradendae, 1979) e sobre a ação missionária da Igreja (Redemptoris Missio, 1990), de São João Paulo II.

• As assembleias do Sínodo dos Bispos sobre a vocação e a missão dos leigos na Igreja e no mundo contemporâneo (Christifideles Laici, 1988), sobre a vocação sacerdotal, a vida e o ministério dos presbíteros (Pastores Dabo Vobis, 1992), sobre a missão dos bispos (Pastores Gregis, 2001), sobre a vocação especial dos religiosos e religiosas (Vita Consecrata, 1996) e sobre a família (Amoris Laetitia, 2014-2015) e também o sínodo sobre “os jovens, a fé e o discernimento vocacional” (2018).

• O Papa Francisco, depois do sínodo sobre a “nova evangelização para a transmissão da fé cristã” (2012), na sua primeira Exortação Apostólica (Evangelii Gaudium, 2013), conclamou novamente a Igreja inteira a se renovar na missão evangelizadora. 

 

A IGREJA DE SÃO PAULO

Ao referir-se à Arquidiocese, o Cardeal faz um questionamento: “Será que a preocupação com a “nova evangelização” e a “conversão pastoral e missionária” já chegou às nossas comunidades e conseguiu mudar alguma coisa nas bases concretas da nossa Igreja em São Paulo?”. E convida as comunidades a uma reflexão: “Perguntemo-nos: o que ficou e mudou em nossas comunidades a partir da Conferência de Aparecida, em 2007?”

Por se tratar do primeiro sínodo arquidiocesano, o Cardeal recordou algumas das questões centrais que, em 2018, ajudaram as paróquias a conhecerem suas próprias realidades e contextos em que estão inseridas.

• Quem somos nós, como Igreja Católica?

• Qual é a nossa missão?

• Como está sendo realizada essa missão nas nossas comunidades?

• Como se encontra a nossa comunidade?

“O levantamento paroquial feito pelos Párocos e outros corresponsáveis pelas paróquias mostrou com realismo que estão em curso mudanças aceleradas e preocupantes”, afirmou Dom Odilo, que recordou também que, no primeiro ano do sínodo arquidiocesano, foi feita uma ampla pesquisa de campo sobre a realidade religiosa e pastoral em todas as 297 paróquias territoriais de nossa Arquidiocese.

Supervisionada e apoiada tecnicamente por especialistas da PUC-SP, a pesquisa contou com cerca de 300 voluntários treinados e bem orientados, que percorreram cada uma das paróquias e fizeram mais de 20 mil visitas domiciliares para entrevistar católicos e não católicos.

A carta será distribuída nas paróquias e está disponível integralmente no site da Arquidiocese de São Paulo.

 

E AGORA?

No segundo ano do sínodo, os trabalhos das assembleias sinodais nas regiões episcopais serão abertos solenemente no dia 30 de março de 2019, com uma grande concentração sinodal em cada Região. Também farão o mesmo caminho os vicariatos ambientais do Povo da Rua, da Educação e Universidade e da Comunicação.

Dom Odilo informou que a Comissão de Coordenação Geral já preparou um instrumento de trabalho e uma metodologia própria para as assembleias sinodais nesses âmbitos da nossa Arquidiocese.

Porém, o Arcebispo enfatizou que as paróquias devem continuar seu caminho sinodal em 2019. “As paróquias, com todas as suas realidades e expressões, continuam a avançar no caminho sinodal, motivadas pelo tema e o lema do sínodo e pelas realidades já percebidas sobre a situação pastoral e religiosa das paróquias e comunidades durante o primeiro ano do sínodo”, disse Dom Odilo

Na Carta, o Cardeal explicou que cada paróquia deve promover uma assembleia paroquial ampliada ainda no primeiro semestre de 2019, para expor os resultados do levantamento paroquial feito em 2018 e da pesquisa de campo sobre a situação religiosa e pastoral da paróquia e de toda a Arquidiocese de São Paulo.

CONHECER A PRÓPRIA HISTÓRIA

Um dos convites para 2019 é também o de que cada paróquia possa se empenhar em conhecer a própria história. “Convidamos todas as paróquias e comunidades a conhecerem melhor a si mesmas”, afirmou o Cardeal.

Além disso, Dom Odilo ressaltou a importância de cada paróquia começar a tomar conhecimento e consciência mais aprofundada daquilo que a pesquisa de campo e também o levantamento paroquial revelaram sobre a situação religiosa e pastoral da paróquia e da Arquidiocese.

“O objetivo dessa ação, além de ser cultural, é sobretudo pedagógico e evangelizador: conhecer a história da própria paróquia deveria levar as pessoas a sentirem-se mais ligadas a essa história e a amar a comunidade paroquial de pertença”, aponta a Carta.

 

SANTOS PADROEIROS E OS TÍTULOS DAS PARÓQUIAS

No objetivo de conhecer a própria história, o Cardeal explicou que a tradição de dar nomes de santos padroeiros às paróquias ou títulos relativos à fé católica é uma prática antiga na Igreja e possui diversos significados importantes e bonitos.

“Os títulos paroquiais relativos a algum artigo da nossa profissão de fé equivalem a um testemunho e proclamação pública de nossa fé”, disse Dom Odilo.

Ele exortou os fiéis a conhecerem melhor os santos padroeiros e os títulos das paróquias, o que pode ajudar o povo a descobrir e valorizar mais esse tesouro. “A partir dos santos padroeiros e dos títulos paroquiais, cada paróquia pode descobrir e valorizar mais o seu carisma próprio, partindo do testemunho do padroeiro, ou do significado e da importância do título para a vivência cristã dos paroquianos”, continuou Dom Odilo.

Sobre a vida dos santos, o Cardeal disse ainda que “a melhor forma de valorizar e honrar os santos é acolher e divulgar o testemunho de suas vidas, de seu amor a Deus e ao próximo e sua perseverança na fé, mesmo em meio a dificuldades. Os santos não são mitos criados pela fantasia! São pessoas históricas, que enfrentaram dificuldades e lutas para serem fiéis a Deus e à graça do Batismo”.

 

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