NACIONAL

Ecumenismo

Semana de Oração pela Unidade Cristã busca reconciliação e comunhão

Por José Ferreira Filho
15 de mai de 2018

Evento em nível mundial reúne igrejas cristãs a fim de promover a unidade entre as mais variadas denominações.

Com o intuito de estimular todos os cristãos, das mais diversas confissões, a expressar o grau de comunhão que já atingiram e a orar juntos por uma unidade cada vez mais plena, igrejas de todo o Brasil (católicas, anglicanas, batistas, luteranas, metodistas, ortodoxas, presbiterianas, entre outras) celebram, até o próximo dia 20 de maio, a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC).

 

HISTÓRIA

Idealizada há 110 anos e promovida no mundo inteiro pelo Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, a ação é uma resposta direta à oração de Jesus em João 17,21, que diz: “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste”, e acontece em períodos diferentes nos dois hemisférios.

No hemisfério norte, por uma iniciativa ecumênica instituída pelo reverendo anglicano Paul Watson, esse evento ocorreu pela primeira vez entre os dias 18 e 25 de janeiro de 1908, em Graymoor (Nova York), entre a festividade da cátedra de São Pedro (em Roma) e a da conversão de São Paulo.

No hemisfério sul, por sua vez, as Igrejas geralmente celebram a Semana de Oração no período de Pentecostes, considerado um momento simbólico para a unidade da Igreja, como foi sugerido pela Comissão “Fé e Ordem”, do Conselho Ecumênico das Igrejas, em 1926. No Brasil, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) lidera e coordena as iniciativas para a celebração da Semana de Oração em diversos estados.

 

TEMÁTICA

Como acontece desde 1966, o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e o Conselho Ecumênico das Igrejas estabeleceram não somente a adoção de um lema bíblico para nortear os trabalhos a cada ano, como também a preparação conjunta dos textos oficiais para a Semana de Oração, trabalho confiado cada vez a um grupo ecumênico local diferente. Para este ano, tal atividade foi entregue às Igrejas do Caribe, que se reuniram em Nassau, nas Bahamas, tendo por base o lema “A mão de Deus nos une e liberta” (Ex 15,1-21).

 

DIVULGAÇÃO

Baseado no tema bíblico escolhido a cada ano, é desenvolvido um cartaz alusivo à situação que será o centro das reflexões da respectiva Semana de Oração, utilizado para promover a divulgação desta. Este ano, o cartaz traz pessoas em barcos que simbolizam, sobretudo nesses tempos de crise migratória, pessoas refugiadas que vivem cada vez mais à deriva dos poderes constituídos. Em muitos casos, sem políticas sociais que possam devolver-lhes a dignidade roubada, essas pessoas são submetidas a situações de trabalho análogas à escravidão ou, então, comercializadas como escravos.

A arte remete, por um lado, ao fato de que muitas dessas pessoas refugiadas contam com a "mão" de Deus que, de uma forma ou de outra, as ampara. Por outro lado, é também a mão de Deus, presente em águas revoltas, que movimenta os cristãos a agir em favor de uma humanidade que não se conforma com a violação dos direitos humanos e com o desrespeito à dignidade de irmãos de diferentes culturas e etnias. 

O barco, símbolo do movimento ecumênico, também faz alusão à comunidade cristã, que tem como desafio navegar, ecumenicamente, rumo à unidade. Entretanto, essa unidade almejada apenas será concreta se todas as pessoas tiverem acesso à justiça, além do direito de viver em seus territórios de origem, bem como o direito de viver sua cultura e espiritualidade.

 

INICIATIVAS

Em São Paulo, algumas celebrações ecumênicas promovem a unidade e a reconciliação entre os cristãos, tendo começado no dia 14 de maio, às 20h, na Igreja Presbiteriana Jardim das Oliveiras (Alameda Jaú, 752 – Jardim Paulista). Haverá ainda as celebrações no dia 16, às 20h, na Capela Anglicana da Anunciação (Rua Imoroti, 142 – travessa da Rua Alencar de Araripe – Sacomã) e no dia 17, tanto às 19h30min, na Paróquia Sant’Anna (Rua Voluntários da Pátria, 2060 – Santana) como às 20h, no Santuário Santa Cruz da Reconciliação (Rua Valdomiro Fleuri, 180 – Butantã). 

 

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