SÃO PAULO

Conversão de São Paulo

São Paulo Apóstolo é modelo para o caminho de conversão da Igreja na cidade

Por Fernando Geronazzo
24 de janeiro de 2020

No dia 25 de janeiro, a Igreja Católica comemora a festa da Conversão de São Paulo Apóstolo

Considerado uma das colunas da Igreja, ao lado de São Pedro, que é celebrado em 29 de junho, São Paulo é o único santo cuja conversão é celebrada liturgicamente em todo o mundo, devido ao grande significado desse fato para a história do Cristianismo.

Foi nessa data, em 1554, que a cidade de São Paulo foi fundada pelos missionários jesuítas Padre Manuel da Nóbrega e São José de Anchieta. Patrono da Arquidiocese de São Paulo, o Apóstolo dos Gentios é modelo e inspirador para a vida e a missão da Igreja na maior metrópole do Brasil. Para isso, é preciso entender melhor o significado da experiência vivida por esse intrépido seguidor e missionário de Jesus Cristo.

 

SAULO DE TARSO

Segundo a tradição, Saulo, como era conhecido antes da conversão, nasceu entre os anos 5 e 10 da Era Cristã, na cidade de Tarso, que era a capital da Cilícia, uma antiga região na costa sul da Ásia Menor, hoje Turquia. Devido à sua localização, Tarso era uma cidade de muitas influências culturais e trocas comerciais entre o Oriente e o Ocidente.

Saulo era membro de uma família judia da diáspora, isto é, que vivia fora da região da Palestina, pertencente à tribo de Benjamim, que era rigorosa na observação da religião dos seus ancestrais, mas não se fechava às trocas com a vida e cultura provenientes do Império Romano. O nome Saulo era a versão grega do nome Saul, primeiro rei dos judeus.

 

PERSEGUIDOR

Em Tarso, Saulo recebeu a formação religiosa básica sobre a Torá e a lei de Moisés. A partir do ano 25, foi para Jerusalém para frequentar a escola de Gamaliel, professor de grande renome, aprofundando-se com ele no conhecimento das Sagradas Escrituras e na tradição oral dos hebreus. Ele falava e escrevia em aramaico, hebraico e grego.

Era por causa de sua fidelidade à tradição judaica que Saulo se tornou um perseguidor dos adeptos de Jesus, por considerá-los hereges. Via-os como uma seita contrária à verdadeira doutrina, que ameaçava a autoridade religiosa da fé de Abraão, Isaac e Jacó.

 

CAI POR TERRA

Por volta do ano 35, quando Saulo tinha cerca de 30 anos de idade, aconteceu o fato narrado pelo livro dos Atos dos Apóstolos: “Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Apresentou-se ao sumo sacerdote e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de levar presos, a Jerusalém, todos os homens e mulheres que seguissem essa doutrina” (At 9, 1-2).

Quando estava próximo a Damasco, Saulo relata que se viu, subitamente, envolvido por uma intensa luz vinda do céu. “Caindo por terra, ele ouviu uma voz que lhe dizia: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues?’. Saulo então diz: ‘Quem és, Senhor?’. Respondeu Ele: ‘Eu sou Jesus, a quem tu persegues’”. Trêmulo e atônito, disse Saulo: “‘Senhor, que queres que eu faça?’. Respondeu-lhe o Senhor: ‘Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer’” (At 9, 3-7).

 

"CRISTO VIVE EM MIM"

Após esse encontro com Cristo, Saulo, de perseguidor dos cristãos tornou- se missionário do Evangelho, que dedicaria o resto de sua vida a Cristo, numa contínua identificação com Ele, a ponto de poder dizer: “Porque para mim viver é Cristo” (Fl 1-21); “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. (Gl 2,20).

Como ele próprio conta na sua Carta aos Gálatas, seu zelo pelo Judaísmo levou-o a perseguir os cristãos (cf. Gl 1, 13-14), até o dia em que o próprio Jesus mostrou-se a ele e o chamou para segui-lo, como antes havia feito com os apóstolos.

 

MISSIONÁRIO E MÁRTIR

Mais tarde, a partir da sua primeira viagem missionária no mundo greco-romano, Saulo passou a usar o nome latino Paulus (pequeno). Escreveu 13 cartas às igrejas por ele fundadas: duas aos tessalonicenses, duas aos coríntios, aos gálatas e aos romanos. Da prisão escreveu aos filipenses, a Filêmon, aos colossenses e aos efésios. Também escreveu cartas chamadas de pastorais: duas a Timóteo e uma a Tito.

Quando estava preso em Cesareia, Paulo apelou a César e foi enviado a Roma, onde chegou na primavera de 61. Viveu dois anos em Roma em regime de prisão domiciliar. Foi martirizado provavelmente no ano de 67, ao fim do reinado de Nero, na Via Hóstia, a 5km dos muros de Roma. Está sepultado onde hoje é a Basílica de São Paulo Fora dos Muros.

 

 

ENCONTRO COM O SENHOR

Para os estudiosos da vida de São Paulo, a chave para entender a vida e a missão do Apóstolo dos Gentios é justamente o conceito de conversão (em grego: metanoia), que se dá por meio de uma mudança de vida a partir do encontro pessoal e transformador com a pessoa de Jesus Cristo.

O Papa Emérito Bento XVI, na homilia da festa da Conversão de São Paulo de 2008, ressaltou que a transformação experimentada pelo Apóstolo na sua existência “não se limita ao plano ético – como conversão da imoralidade para a moralidade – nem sequer ao plano intelectual – como mudança do próprio modo de compreender a realidade – mas se trata sobretudo de uma renovação radical do próprio ser, sob muitos aspectos semelhante a um renascimento”. “Tal transformação encontra o seu fundamento na participação no mistério da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, e delineia-se como um caminho gradual de conformação a Ele”, acrescentou Bento XVI.

 

RENOVAÇÃO MISSIONÁRIA

A experiência de São Paulo Apóstolo motiva a Arquidiocese de São Paulo em seu “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária”, proposto pelo sínodo arquidiocesano.

Em um artigo publicado por ocasião da festa do patrono em 2018, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, recordou que a Igreja no Brasil e no mundo inteiro tenta se orientar para um processo de nova evangelização a partir de uma “necessária e urgente ‘conversão pastoral e missionária’ da Igreja e de todos os católicos. Já não basta mais seguir adiante, apenas com uma ‘pastoral de manutenção’ da Igreja”, destacou o Cardeal, mencionando o Documento de Aparecida (2007) e a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (2013), do Papa Francisco.

Dom Odilo ressalta, ainda, que a experiência da conversão de São Paulo é paradigmática e convida todos a se perguntarem diante de Cristo: “Senhor, que queres de mim? Que queres de tua Igreja? Faze-nos ouvir tua voz, dá-nos abertura e disposição de coração para acolhermos teus apelos; mostra-nos o caminho que devemos percorrer, converte-nos ao Evangelho, faze de nós teus discípulos, animados de vivo ardor missionário, para o testemunho do teu Reino!”

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