SÃO PAULO

ORDENAÇÃO SACERDOTAL

Sacerdotes de Cristo para sempre

Por Fernando Geronazzo
11 de dezembro de 2019

Rito de ordenação presbiteral é marcado por gestos como a imposição das mãos, a ladainha dos santos e a unção com o óleo do Crisma 

“Todo sumo sacerdote é tirado do meio dos homens e instituído em favor dos homens nas coisas que se referem a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Sabe ter compaixão dos que estão na ignorância e no erro, porque ele mesmo está cercado de fraqueza” (Hb 5,1-2). Essas palavras da Sagrada Escritura, que se referem ao sacerdócio de Jesus Cristo, também são referência para compreender o ministério dos presbíteros. 
Todas as prefigurações do sacerdócio da Antiga Aliança encontram a sua realização em Jesus Cristo, “único mediador entre Deus e os homens” (1Tm 2, 5). Melquisedec, “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14,18), é considerado pela Tradição cristã como uma prefiguração do sacerdócio de Cristo. Por isso, a Carta aos Hebreus o define como único “Sumo-Sacerdote segundo a ordem de Melquisedec”, “santo, inocente, sem mancha”, que “com uma única oblação, tornou perfeitos para sempre os que foram santificados”, isto é, pelo único sacrifício da sua cruz.

PRESBÍTEROS
Mais conhecidos como padres, os presbíteros participam do segundo grau da Ordem, sacramento pelo qual a missão confiada por Cristo aos apóstolos continua a ser exercida na Igreja até o fim dos tempos. Esse sacramento possui três graus: episcopado (bispos), presbiterado (padres) e diaconado 
(diáconos). 
O decreto Presbyterorum Ordinis, do Concílio Vaticano II, explica que o presbítero, enquanto unido à ordem episcopal, “participa da autoridade com que o próprio Cristo edifica, santifica e governa o seu corpo”. 
Por isso, o sacerdócio dos presbíteros, embora pressuponha os sacramentos da iniciação cristã, “é conferido mediante um sacramento especial, em virtude do qual os presbíteros, mediante a unção do Espírito Santo, ficam assinalados com um caráter particular e, dessa maneira, configurados a Cristo-Sacerdote, de tal modo que possam agir em nome e na pessoa de Cristo Cabeça”, destaca o decreto conciliar.

CELIBATO
Na Igreja latina, todos os ministros ordenados, com exceção dos diáconos permanentes, são escolhidos entre homens fiéis que desejam guardar o celibato “por amor do Reino dos céus”, chamados a se consagrarem totalmente ao Senhor e às “suas coisas” e dão-se por inteiro a Deus e aos homens, como recorda o Catecismo: “O celibato é um sinal desta vida nova, para cujo serviço o ministro da Igreja é consagrado: aceito de coração alegre, anuncia de modo radioso o Reino de Deus”.
A esse respeito, São Paulo VI, na Encíclica Sacerdotalis Caelibatus, salienta que o celibato sacerdotal é uma “brilhante pedra preciosa” que a Igreja guarda há séculos.
O Pontífice reitera, ainda, que o celibato sacerdotal tem como modelo o próprio Cristo, que se manteve em toda a sua vida no estado de virgindade como sinal de sua dedicação total ao serviço de Deus e dos homens. “Este nexo profundo em Cristo, entre virgindade e sacerdócio, reflete-se também naqueles que têm a sorte de participar da dignidade e da missão do Mediador e Sacerdote eterno, e essa participação será tanto mais perfeita quanto o ministro sagrado estiver mais livre dos vínculos da carne e do sangue”, acrescenta São Paulo VI. 
Nas igrejas católicas de rito oriental, vigora a disciplina de ordenar homens casados como padres. Contudo, o Concílio Vaticano II ressalta que são numerosos aqueles que livremente optam pelo celibato. Tanto no Oriente quanto no Ocidente, aquele que recebeu o sacramento da Ordem já não pode se casar.

INDELÉVEL
Assim como no caso do Batismo e da Confirmação, a participação dos sacerdotes na função de Cristo é dada uma vez por todas. Por isso, o sacramento da Ordem confere um caráter espiritual indelével, isto é, muda o ser da pessoa definitivamente, não podendo ser repetido nem conferido para um tempo limitado.
O Papa emérito Bento XVI, em uma audiência por ocasião do Ano Sacerdotal, celebrado entre 2009 e 2010, enfatizou que “o presbítero é servo de Cristo, no sentido que a sua existência, ontologicamente configurada com Cristo, adquire uma índole essencialmente relacional: ele vive em Cristo, por Cristo e com Cristo a serviço dos homens”. Daí vem a expressão Alter Christus (Outro Cristo). 

UNGIDOS 
A configuração do sacerdote a Cristo, ungido de Deus Pai, é sinalizada pela unção de suas mãos com o óleo do Crisma, durante o rito de ordenação. “Somos ungidos para ungir. Ungimos, distribuindo-nos a nós mesmos, distribuindo a nossa vocação e o nosso coração”, afirmou o Papa Francisco, durante a missa crismal em abril deste ano.
Na mesma ocasião, o Pontífice encorajou os sacerdotes a estar “com Jesus no meio do nosso povo” para que o Pai “renove em nós a efusão do seu Espírito de santidade e faça com que nos unamos para implorar a sua misericórdia para o povo que nos está confiado e pelo mundo inteiro”.

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