SÃO PAULO

em itaici

Reunidos, Padres refletem sobre o sínodo e a Amoris Laetitia

Por Rafael Alberto e Bruno Muta Vivas
09 de agosto de 2017

15º Curso de Aprofundamento Teológico e Pastoral do clero da Arquidiocese de São Paulo segue até o dia 10
 

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Começou na tarde da segunda-feira, 7, o 15º Curso de Aprofundamento Teológico e Pastoral (CAPT) para os padres e diáconos da Arquidiocese de São Paulo. Neste ano, o curso, realizado na Vila Kostka, em Itaici, no município de Indaiatuba (SP), aborda duas temáticas: a aplicação prática da Exortação Apostólica Amoris Laetitia e a eclesiologia do sínodo arquidiocesano. Durante a oração da Hora Média, o Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Scherer, falou sobre a importância de os padres continuarem a estudar, aprofundando questões teológicas e pastorais.

Para Dom Odilo, essa disponibilidade em aprender ajuda os padres a se tornarem pastores melhores para o povo a eles confiado, nas diversas paróquias da Arquidiocese. O Arcebispo também recordou o significado da comunhão e da unidade do presbitério reunido, destacando que os clérigos são irmãos que servem ao mesmo Senhor.

 

Amoris Laetitia

O primeiro e o segundo dia de trabalhos foram dedicados à aplicação prática da Exortação Apostólica Amoris Laetitia . Fruto de duas assembleias do Sínodo dos Bispos, o documento escrito pelo Papa Francisco traz reflexões sobre a vivência familiar a partir das orientações doutrinárias da Igreja.

O texto, no entanto, destacou o Cardeal, não é uma receita fechada, com prescrições diretas. Trata-se, segundo ele, de uma indicação geral que deve ser discernida nos casos concretos. O Arcebispo explicou por que a Arquidiocese resolveu retomar a temática, já abordada no curso do ano passado. Segundo ele, a família é um aspecto fundamental da vida da Igreja – família de famílias – e não deve ser encarada como uma pastoral específica, mas no conjunto da ação evangelizadora. Dom Odilo motivou os padres a se esforçarem para converter as famílias em igrejas domésticas, cujo potencial evangelizador será imenso e trará muitos frutos para a comunidade.

Além disso, Dom Odilo falou sobre a necessidade de a Igreja apresentar para os jovens a beleza da família e o dom do casamento. Segundo ele, a partir da Exortação Apostólica, os padres precisam ter em mente a importância de falar da família não com base nas proibições, mas na beleza da vida formada em conjunto entre marido e mulher.

No fim do primeiro dia, foi realizada a noite cultural, com confraternização para celebrar o Dia do Padre. Em uma parceria do Vicariato Episcopal para a Pastoral da Comunicação e do Secretariado de Pastoral, foi exibida uma montagem do espetáculo teatral “O Auto da Compadecida”, com texto de Ariano Suassuna, apresentação de Crioula Filmes e direção de Maciel Silva.

 

Aplicabilidade na Arquidiocese 

O segundo dia do Curso de Aprofundamento Teológico e Pastoral iniciou-se com a celebração de missa, presidida por Dom Luiz Carlos Dias, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, em memória do grande pregador da Igreja Católica, São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Pregadores. 

Logo após, iniciaram-se os estudos sobre a aplicação prática da Amoris Laetitia na Arquidiocese. Dom Sergio de Deus Borges, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, encaminhou a discussão, utilizando-se dos escritos do Cardeal Cocopalmerio. Para Dom Sergio, a pedra de toque para a aplicação desta Exortação do Papa é aquilo que o Pontífice mesmo propôs no documento: acompanhamento e integração na comunidade das famílias que estão longe do ideal proposto por Deus. 

Em relação ao acompanhamento, Dom Sergio exortou os sacerdotes da Arquidiocese a que estejam disponíveis para atender o povo, na medida de suas possibilidades. Deixou perceber que a grande questão não é simplesmente um sim ou não no que toca ao acesso aos sacramentos, mas que os padres sejam realmente pastores de seu povo, extensão da mão do bispo, que deve se abrir para que o povo tenha acesso a Deus. Sem esse acompanhamento apropriado, que exige tempo e dedicação, não é possível solucionar os problemas do povo, mormente em assuntos tão delicados, como é o caso das famílias feridas.

Tratando da integração de tais famílias na comunidade eclesial, Dom Sergio, novamente, quis ressaltar o fato de que tais pessoas não estão excomungadas, mas sim vulneráveis pelas várias situações que se colocaram em suas vidas, e que, portanto, necessitam ser inseridas na vida eclesial, para que possam ter acesso à Graça.
 

Sínodo Arquidiocesano

Pela tarde, o tema do Curso voltouse ao sínodo arquidiocesano. Dom Odilo noticiou a finalização da identidade audiovisual do sínodo, falando sobre os últimos passos para a conclusão do processo de criação de um logotipo e do hino. Padre Luiz Eduardo Baronto, Cura da Catedral da Sé, apresentou a versão preliminar desse hino, pedindo sugestões e toques finais para concluir tal trabalho. 

Dom Odilo explicou, ainda, um aspecto sobre a oração do sínodo: mesmo que a prece seja dirigida ao Espírito Santo, muitos santos que viveram na cidade estão incluídos, não tanto como intercessores, mas como exemplos de discípulos de Cristo na Metrópole, pois todos são continuadores de sua missão e apostolado. “Que saibamo-nos herdeiros de seus trabalhos, e que os continuemos com o auxílio do Divino Espírito Santo”, exortou o Cardeal. 

Até quinta-feira, 10, os padres contarão com palestras de Dom Pedro Carlos Cipollini, Bispo de Santo André (SP) – diocese que está realizando um sínodo – e de Dom Paulo Cezar Costa, Bispo de São Carlos (SP) e especialista em Eclesiologia.
 

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