INTERNACIONAL

ACN - Ajuda à Igreja que sofre

POR CAUSA DA FÉ

Por Nayá Fernandes
04 de agosto de 2019

ACN promove Dia Internacional de Oração pelos Cristãos que sofrem devido às suas crenças

“2019 tem sido um dos anos mais sangrentos para os cristãos ao redor do mundo: além dos terríveis ataques que ocorreram no Domingo de Páscoa no Sri Lanka, também na República Centro-Africana uma missão católica foi atacada por extremistas no dia de Ano-Novo. Em janeiro, houve um atentado contra a Catedral de Jolo, nas Filipinas; em março, aldeias cristãs foram atacadas, resultando em 130 mortes na Nigéria; no fim do mesmo mês, uma escola católica na Índia sofreu agressões por extremistas que ‘caçaram’ as religiosas que trabalhavam no local; no dia 11 de julho, um carro-bomba explodiu no noroeste da Síria, tendo como alvo a Igreja da Virgem Maria, deixando feridos e tendo danificado a Igreja.”


Os eventos acima foram compilados pela Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) e fazem parte do texto divulgado para a 5ª edição do Dia Internacional de Oração pelos Cristãos Perseguidos, promovido pela ACN, com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).


Um dos objetivos da campanha é que em todo o mundo, as pessoas nas paróquias sejam motivadas a participar de uma corrente de oração mundial que dê suporte espiritual aos cristãos que sofrem perseguição religiosa. “Não acontece aqui, mas acontece agora!” foi o tema escolhido para marcar a data, celebrada desde 2015.

Em comunhão e preces

Em carta escrita especialmente para a ocasião, Frei Hans Stapel, Presidente da ACN no Brasil e fundador da Fazenda da Esperança, recordou que a missão da ACN é ajudar os cristãos que não conseguem viver sua fé porque são perseguidos, ou então porque vivem em extrema pobreza: “Como é importante nesse Dia de Oração todos esses cristãos sentirem que não estão sozinhos, que nós rezamos por eles. Como Fundação Pontifícia ACN, sempre fazemos o possível para ajudá-los em suas estruturas, formação e nas necessidades mais urgentes. Mas, no dia 4 de agosto, mais do que isso, vamos rezar por eles com todo o nosso coração”.


Frei Hans disse também que, desde o começo da campanha, houve muita mudança. “A Planície de Nínive, que havia sido ocupada pelo grupo Estado Islâmico, hoje já abriga os cristãos novamente. A ACN está conseguindo ajudá-los a reconstruir suas vidas. Mas, por outro lado, vemos que no mundo existem outras realidades precisando de nossas preces. Por isso, agora dedicamos nossas orações aos cristãos perseguidos no mundo inteiro”, continuou o Frei.

Homenagem às Vítimas 

A ACN informou também que, neste ano, o Dia Internacional de Oração pelos Cristãos Perseguidos ganha ainda mais relevância ao redor do mundo em função da aprovação, na Assembleia Geral da ONU, da resolução que estabelece o dia 22 de agosto como o Dia Internacional em Homenagem às Vítimas de Atos de Violência baseada na Religião ou Crença.


Ainda para marcar e dar maior visibilidade à questão dos cristãos perseguidos, acontecerão celebrações nas cidades de Aracaju (SE), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Maceió (AL), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Nessa ocasiões, haverá a presença de um porta-voz da ACN, que apresentará o apoio que a entidade recebe do Papa Francisco diante dos projetos de auxílio aos cristãos perseguidos no mundo.

Sobre o Dia de Oração

O Dia de Oração faz referência a um evento que aconteceu na noite de 6 de agosto de 2014, quando cerca de 100 mil cristãos tiveram de abandonar suas casas na Planície de Nínive, no Iraque, expulsos pelos extremistas do grupo Estado Islâmico. Eles fugiram a pé, somente com as roupas do corpo, sem água, comida, medicamentos e um lugar para ficar. Assim que recebeu as primeiras informações na manhã do dia 7 de agosto, a ACN mobilizou os benfeitores e iniciou campanhas e projetos para socorrer, material e espiritualmente, os perseguidos e refugiados.


Com essa iniciativa da ACN e o apoio da CNBB, as pessoas passaram a ter mais informações sobre cristãos perseguidos e souberam que, em determinadas partes do mundo, alguém pode morrer simplesmente por usar um crucifixo no pescoço. 

liberdade religiosa 

Publicado desde 1998 e atualizado a cada dois anos, o “Relatório sobre a Liberdade Religiosa” traz uma análise sobre essa questão em 196 países do mundo, abrangendo não apenas os cristãos, mas todos os grupos religiosos. 


Os dados de cada país são pesquisados por jornalistas independentes, acadêmicos e autores que se encontram na região de sua especialidade, incluindo Ásia, África, Europa e Américas. Cada relatório dos países tem início com uma análise da situação legal e constitucional que afeta a liberdade religiosa, segue com uma descrição de até que ponto a lei é respeitada na realidade e a descrição de incidentes ou infrações contra a prática livre da fé. Por fim, observa-se no período em análise se a liberdade religiosa melhorou, permaneceu igual ou se deteriorou, além de informar as perspectivas nessa área em termos futuros a curto prazo.


Publicado pela ACN, o Relatório de 2018 apontou que houve aumento do fundamentalismo religioso e, ao menos em 38 países, há evidências de violações significativas da liberdade religiosa. 

O caso da Líbia 

Um país e 150 cristãos. Esse é o número de pessoas que seguem Jesus Cristo na Líbia, país norte-africano em que há uma forte perseguição religiosa. O número foi apontado pela Open Doors, num relatório de 2016, e mostra como os cristãos são reprimidos na Líbia e obrigados a praticar a fé em igrejas “domésticas” clandestinas.


Um líbio que se converteu ao Cristianismo foi detido na cidade de Benghazi em novembro de 2016. Segundo o “Relatório sobre a Liberdade Religiosa”, esse homem teve contato com um colega convertido no Marrocos que o tinha ajudado, sendo acusado de “proselitismo nas redes sociais e de denegrir o Islamismo”.


Em outubro de 2017, foram descobertos os corpos de 21 cristãos que haviam sido decapitados em 2015 por jihadistas ligados ao autoproclamado Estado Islâmico na zona costeira da cidade de Sirte. O Relatório aponta, ainda, que “trabalhos forçados e formas de escravatura são formas generalizadas de abuso e perseguição vividos por homens cristãos.” Além disso, meninas cristãs sofrem com agressão sexual e violação.


A educação religiosa islâmica é obrigatória nas escolas públicas e nas instituições de ensino privado. Outras formas de religião não são disponibilizadas nas escolas. Há vários locais de culto não islâmicos no País – incluindo os locais de culto de católicos, ortodoxos russos, gregos e ucranianos, evangélicos e seguidores da Igreja da Unidade –, mas poucos cristãos permanecem no País. 

Pelo mundo

Além da Líbia, cristãos de lugares como Níger, Somália, Iraque, Afeganistão e China sofrem com perseguição religiosa, e em outros como Argélia, Egito, Rússia, Irã e Ucrânia houve aumento da discriminação religiosa. 


Na Polônia, que sediou a Jornada Mundial da Juventude em 2016 e onde a porcentagem de cristãos chega a 95,7%, aconteceu a destruição de mais de cem túmulos cristãos em novembro de 2016. Em fevereiro de 2017, na cidade de Kąpino, pelo menos dois homens atacaram brutalmente um sacerdote católico que regressava de um serviço religioso noturno.


Outros incidentes como danos à imagem de Jesus Cristo em uma capela ou a destruição da fachada de uma capela evangélica também aconteceram em localidades distintas do País. 


No Brasil, por sua vez, a situação se manteve, embora a liberdade de crença e de culto esteja garantida pela Constituição de 1988. No entanto, segundo o Relatório, o País continua apresentando conflitos na esfera governamental referentes ao conceito de laicismo e sua aplicação nas políticas públicas.


Todos esses dados fazem parte do Relatório. Sobre o Brasil, é informado, ainda, que o panorama geral da liberdade religiosa no País mantém as características observadas no último relatório e que não há graves conflitos religiosos no País. “Os dados atuais indicam que o processo de reconhecimento da intolerância religiosa que vinha acontecendo no período recente poderá ser prejudicado pela crise que o País atravessa.”

(Com informações da ACN)

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