SÃO PAULO

COVID-19

População de rua sofre com impacto da crise do coronavírus

Por Redação com Rádio 9 de Julho
25 de março de 2020

Entidades ligadas à Igreja que atendem as pessoas em situação pedem ajuda para continuarem realizando seu serviço em meio à emergência pandêmica na cidade.

Reprodução da internet

A população mais vulnerável da cidade de São Paulo, as pessoas em situação de rua, tem sofrido ao extremo as consequências das restrições impostas pela disseminação do novo coronavírus.

O Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), no centro da capital, tem registrado uma maior procura desde que as medidas de restrição na cidade tiveram início.

Em entrevista à rádio 9 de Julho, o Frei José Francisco de Cássia Santos, ressaltou o grande número de pessoas que vivem nas ruas e não têm condições de seguir as recomendações das autoridades sanitárias de isolamento social.

“Essas pessoas dependem constantemente dos serviços e da solidariedade da cidade”, frisou o frade, enfatizando que devido às medidas de quarentena na cidade, o inúmeros grupos de voluntários que se organizam para a distribuição de alimentos para as pessoas em situação de rua estão impedidos de atuar.

Por essa razão, os locais de atendimento e acolhida permanente dessa população estão sofrendo com uma demanda maior. “Graças a Deus, nós temos conseguido manter as portas abertas para o atendimento da população de rua. Nós entendemos que é emergencial”, manifestou Frei José, informando, ainda, que todos os atendimentos a migrantes, refugiados e população em situação de rua está funcionando 100%.

“Contudo, o volume de pessoas famintas aumenta a cada dia. Isso tem nos preocupado muito, pois nossa capacidade de atendimento é limitada”, alertou o Frade.

NECESSIDADES BÁSICAS

O religioso destacou, ainda, que a pandemia do COVID-19 impacta no povo da rua de várias formas. “A primeira e mais imediata necessidade é a fome; a segunda é a falta de proteção, por não terem onde se refugiar ou se isolar; em seguida, não há como eles fazerem a higiene adequada, tornando-se mais vulneráveis do que o restante da população de rua”,  relatou.

Nesse sentido, o Sefras providenciou um espaço de suas dependências, na Baixada do Glicério, na região central, com 36 camas para receber as pessoas em situação de rua que começarem a apresentar sintomas da doença. Também foi preparada outra casa com 16 camas para a acolhida de imigrantes e refugiados sem moradia que estejam com suspeita de contágio.

Reconhecendo que ainda seja pouco para uma população de 20 mil habitantes em situação de rua, Frei José conta com a atuação do poder público e outras organizações da sociedade para enfrentar essa crise sanitária. “Nossa ideia é somar forças com outras iniciativas”, afirmou.

FAMÍLIAS CARENTES

Existem, ainda, muitas famílias com crianças em situação de pobreza que necessitam da ajuda da entidade e estão recebendo cestas básicas.

“É uma verdadeira força tarefa. Nós fazemos um apelo para a sociedade, sobretudo aos católicos e pessoas de boa vontade, que se sensibilizem com essa causa e sejam solidários”, pediu o franciscano, recordando que, com o início do outono, se aproxima o período de queda na temperatura, trazendo outra dificuldade para a população de rua.

ARSENAL DA ESPERANÇA

Padre Simone Bernardi, um dos missionários do Arsenal da Esperança, entidade localizada na Mooca, que acolhe diariamente cerca de 1.200 homens em situação de rua, ressaltou à rádio 9 de Julho a situação emergencial causada pela pandemia.

Os vários voluntários que prestam serviços na entidade foram orientados a ficar em suas casas. Com isso, foi suspenso o funcionamento da biblioteca e cursos, grupos de apoio, atividades culturais feitas em parceria com escolas e faculdades e outras atividades. Com isso, a prioridade da instituição é a acolhida e alimentação.

“Para nos adequarmos à esta nova situação, nós fazemos apelos constantes para que as pessoas não deixem de nos ajudar com doações de sabonete em barra e líquido, álcool 70%, máscaras e luvas descartáveis, papel higiênico, sabão em pó, água sanitária”, destacou Padre Simone, enfatizando que o Arsenal necessita, sobretudo de alimentos não perecíveis de todos os tipos. 

COMO DOAR

Sefras - As informações para doações de roupas, alimentos, materiais de higiene pessoal ou ajuda financeira estão disponíveis neste site.  

Arsenal da Esperança - As doações podem feitas diretamente no local (Rua Doutor Almeida Lima, 900, Mooca) ou com valor em dinheiro em uma conta específica, disponível na página do Arsenal no Facebook.

(Colaborou: Cleide Barbosa)

 

Para pesquisar, digite abaixo e tecle enter.