SÃO PAULO

Parque da Juventude

Parque da Juventude é renomeado em homenagem a Dom Paulo Evaristo Arns

Por Nayá Fernandes/ Colaborou Jennifer Silva
18 de dezembro de 2018

Renomeado como Parque da Juventude Dom Paulo Evaristo Arns, o local já abrigou o complexo do Carandiru 

Luciney Martins/O SÃO PAULO

O complexo cultural Parque da Juventude, no bairro de Santana, na zona Norte de São Paulo, passou a se chamar Parque da Juventude Dom Paulo Evaristo Arns. O evento de descerramento da placa aconteceu na manhã do sábado, 15, com a presença do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano. 

A data, que marca oficialmente a mudança no nome do parque e a homenagem ao Cardeal Arns (1921-2016), foi exatamente um dia após as celebrações pelos dois anos de falecimento de Dom Paulo, ocorrido em 14 de dezembro de 2016. 

Estiveram no evento autoridades civis e religiosas, entre elas o Deputado Estadual Luiz Fernando Ferreira (PT), relator do Projeto de Lei nº 16761/2018, que dá a denominação de “Parque da Juventude Dom Paulo Evaristo Arns” ao atual “Parque da Juventude” na Capital Paulista. 

O Cardeal Scherer saudou a todos e recordou o significado da data, pois, há dois anos, em 2016, Dom Paulo estava sendo velado na Catedral da Sé. Ele falou, também, sobre a esperança, palavra tão presente nos discursos e na prática do Cardeal Arns, e que se faz presente no Parque não apenas pelo verde, mas, sobretudo, pelos milhares de jovens que frequentam o espaço todos os dias. “Em nome da Igreja, agradeço a todos”, continuou o Arcebispo.

Após as falas das autoridades e a participação da cantora Fortuna, houve o plantio de 30 mudas de árvores frutíferas ao lado da Biblioteca de São Paulo, no Parque. 

 

ENCONTRO DE GERAÇÕES

O Governador do Estado de São Paulo, Márcio França (PSB), agradeceu a todos e demonstrou grande alegria em sancionar a lei que renomeia o Parque. “As próximas gerações, com certeza, pesquisarão quem foi Dom Paulo e verão que grande exemplo ele nos deixou”, afirmou o Governador. Pessoas que conviveram e trabalharam com Dom Paulo também participaram do evento, entre elas Maria Angela Borsoi, que foi secretária do Cardeal Arns; Antonio Funari, presidente da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; membros da família do jornalista Vladimir Herzog que foi morto durante a ditadura militar no Brasil, e Paulo Pedrini, da Pastoral Operária. Membros da Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese, com camisetas brancas e bandeiras, participaram em grande número.

 

SÍMBOLO

O Cardeal Arns lutou fortemente pelos Direitos Humanos. Criou em 1972 a Comissão Brasileira Justiça e Paz de São Paulo e foi um grande incentivador da continuidade das pastorais Carcerária, Operária e da Moradia.

O local que hoje homenageia Dom Paulo foi o cenário de uma tragédia do sistema prisional brasileiro, conhecido como Massacre do Carandiru, em que 111 detentos foram mortos pela Polícia Militar após uma rebelião iniciada no Pavilhão 9 do presídio, no dia 2 de outubro de 1992. 

Uma semana após as mortes, Dom Paulo Evaristo Arns presidiu, na Catedral da Sé, uma missa em memória dos detentos falecidos.

As colunas do antigo pavilhão 2 são as marcas que ficaram do difícil período em que a Avenida Cruzeiro do Sul, n° 2.630, sediava o maior presídio da América Latina. 

 

HISTÓRIA

Os três grandes setores que dividem o atual Parque da Juventude foram idealizados pelo arquiteto Gian Carlo Gasperini, vencedor do concurso público promovido para a escolha do projeto arquitetônico.

O local, inaugurado em 2003, possui ao todo três espaços denominados de: Área Esportiva, Área Central e Área Institucional, onde está localizada a Escola Técnica Estadual (ETEC) Parque da Juventude. A estrutura mantém referências históricas dos anos do Carandiru, e hoje recebe cerca de 90 mil pessoas por dia.

(Colaborou Jenniffer Silva) (Com informações de Acessa São Paulo e O SÃO PAULO)
 
 

 

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