SÃO PAULO

Paróquia Santo Antônio: 80 anos

Paróquia Santo Antônio: 80 anos de testemunho da fé no bairro do Limão

Por Daniel Gomes
06 de dezembro de 2019

Em comemoração aos 80 anos da Paróquia, cúpula é pintada com ícone do Cristo Pantocrator


Na movimentada Avenida Professor Celestino Bourroul, na zona Norte, em meio ao fluxo contínuo de veículos, está instalada, entre comércios e prédios, a igreja matriz da Paróquia Santo Antônio do Limão.
O atual cenário do entorno é bem diferente do que foi encontrado pela Irmã Márcia Aparecida de Oliveira, leiga consagrada dos carmelitas descalços, quando para ali se mudou com seus pais, aos 2 anos de idade, em 1951: “Aqui não existia praticamente nada. Basicamente, a igreja, alguns colégios e poucas casas. A Ponte do Limão ficava aqui em frente e era de madeira, bem precária. Quando chovia, inundava tudo, pois era uma área de várzea”, recordou ao O SÃO PAULO.

DA PEQUENA CAPELA AO GRANDE TEMPLO
O terreno onde hoje está a Paróquia foi adquirido pelas primeiras famílias católicas do bairro. Nele se construiu, em 1933, uma pequena capela, que recebeu o nome de Santa Cruz. Com o aumento do número de fiéis, a Capela foi elevada a Paróquia, em 19 de novembro de 1939, por decreto do então Arcebispo Metropolitano, Dom José Gaspar d’Afonseca e Silva. 
Padre Vitorino Gandara Mendes, primeiro Pároco, mobilizou os fiéis para a construção de um novo templo, que somente seria inaugurado em 1956, ainda sem o reboco e a pintura externa.
Daqueles primeiros anos, Irmã Márcia lembra-se da criação do Coral Santa Cecília, em 1944, que ainda hoje anima as missas; dos atendimentos voluntários de saúde uma vez por semana em um salão da igreja; dos jogos de futebol do time do bairro, o Açucena, no terreno atrás do templo; das quermesses nas ruas; e das sessões do Cine Ozanan, que era mantido no território paroquial e gerenciado por seu pai, José Duarte de Oliveira. 
Padre Vitorino faleceria em abril de 1979, após 40 anos à frente da Paróquia. Os que o sucederam deram continuidade ao zelo do templo e atualizaram a dinâmica pastoral, entre eles o hoje Bispo da Diocese de Frederico Westphalen (RS), Dom Antonio Carlos Rossi Keller, que esteve à frente da Paróquia entre 1986 e 2008.

EM AÇÃO DE GRAÇAS
De acordo com o atual Pároco, Padre Marcos Luís Erustes Polônio, todos os padres que em algum momento tiveram vínculo com a Paróquia Santo Antônio presidiram missas na festa de 80 anos, que começou em 3 de novembro e terminou no domingo, dia 1º.
Alguns bispos também presidiram as missas dominicais das 19h durante a festa: o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo; Dom Edmilson Amador Caetano, Bispo de Guarulhos (SP); Dom Jorge Pierozan, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Santana; e Dom Edgard Madi, Bispo Maronita no Brasil.

‘SOMOS 80’
Este foi o tema adotado para o jubileu e que pôde ser visto estampado nas camisetas usadas pelos paroquianos ao longo das missas. 
Como marco dos 80 anos, aconteceu, no dia 19 de novembro, a inauguração da nova pintura da cúpula acima do presbitério: uma representação do Cristo Pantocrator.
“Demos este presente à igreja: a pintura da cúpula, com um Cristo Pantocrator, inspirado na Catedral de Monreale, na Sicília, Itália. Trata-se de um mosaico do século IV da primeira era cristã. Fizemos uma releitura desse mosaico, com a professora Cristina Corso, do Museu de Arte Sacra de São Paulo”, explicou o Padre Marcos. 
Para viabilizar a pintura, os paroquianos foram chamados a contribuir financeiramente e ganharam como lembrança um prato com o mesmo ícone que está na cúpula. 

TRANSMISSÃO DA FÉ
A pintura da cúpula foi abençoada pelo Cardeal Scherer, na missa que presidiu em 24 de novembro, concelebrada pelos Padres Marcos e Cristian Evangelista, Vigário Paroquial. 
Na ocasião, o Arcebispo Metropolitano ressaltou que a Paróquia Santo Antônio tem acumulada uma bonita experiência de fé, que deve ser transmitida às novas gerações.
“Nesta missa, convido que coloquemos no altar de Deus toda essa história, todo o bem já realizado, os nossos propósitos, nossas boas intenções de fazermos hoje a nossa parte, de sermos aqueles que vivem a fé, e que ajudemos outros para que depois de nós continuem a fazer isso”, afirmou na homilia, em que também chamou a todos à responsabilidade de testemunhar a fé, a esperança e a caridade cristã. 
 “Continuem firmes, comemorando, festejando a memória, prospectando frutos para o futuro”, exortou o Cardeal, ao término da missa. 

‘IGREJA EM SAÍDA’ E ESPERANÇA
Atualmente, a Paróquia Santo Antônio tem aproximadamente 40 pastorais, movimentos e grupos, entre os quais as pastorais Litúrgica, Catequética, do Dízimo, da Acolhida, Familiar, da Terceira Idade, da Comunicação, os Vicentinos, o Terço dos Homens e as comunidades do Caminho Neocatecumenal.
Uma das principais preocupações é trazer à Paróquia os católicos do bairro que não vão regularmente às missas. Uma das iniciativas com esse propósito aconteceu em outubro, durante o Mês Missionário Extraordinário. 
“A cada domingo daquele mês, uma equipe pastoral ia às praças principais do bairro do Limão para fazer a leitura do Evangelho, cantar, e, ao término, o Padre abençoava as pessoas. Também saímos de casa em casa levando um livrinho de oração, nos identificando como da Paróquia, informando os horários de missas e de atendimentos. A iniciativa foi um sucesso, fomos bem acolhidos nas casas e nas ruas, e rendeu frutos, com pessoas que passaram a ir às missas”, detalhou, ao O SÃO PAULO, Eugênio Luís Bei, 59, coordenador da Pastoral Catequética e paroquiano desde a infância. 
Bei afirmou que, durante a etapa paroquial do sínodo arquidiocesano, foi identificado que significativa parcela de moradores do bairro se declara católica, mas não vai à Paróquia, e acaba sendo sondada para ingressar em igrejas evangélicas. 
No entender do Padre Marcos, o desafio evangelizador da Paróquia Santo Antônio é comum ao enfrentado por outras paróquias da Arquidiocese: “São Paulo é uma megalópole em que as pessoas encontram pouco tempo a ser dedicado a Deus. É uma cidade de gente que acorda cedo para trabalhar e chega tarde do serviço. Assim, o desafio é manter unidas as famílias, colocar no coração das pessoas a importância de que tenham a Deus por primeiro e que passem a fé aos filhos”.
O Pároco acredita que, ao chegar aos 80 anos, a Paróquia alcançou a maturidade espiritual e que, por isso, tem esperança de que se possa ver “cada vez mais os frutos de uma comunidade unida em prol da evangelização e dos valores cristãos”, concluiu.

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