VATICANO

Papa Francisco

Papa vai ao Marrocos e reforça os laços entre cristãos e muçulmanos

Por Filipe Domingues
10 de abril de 2019

Papa Francisco celebrou a maior missa na história do Marrocos, para 10 mil fiéis

Vatican Media

Em uma viagem de dois dias durante o fim de semana, 30 e 31 de março, o Papa Francisco celebrou a maior missa na história do Marrocos, para 10 mil fiéis. Na ocasião, o Pontífice encontrou-se com migrantes, assinou uma declaração conjunta com o rei do País, Mohammed VI, sobre o valor religioso da cidade de Jerusalém e reforçou os laços de amizade e irmandade com a comunidade muçulmana.

 

MISSA NO GINÁSIO MOULAY ABDELLAH

Ao refletir sobre o Evangelho que narra a história do “filho pródigo”, no domingo, 31, na cidade de Rabat, o Santo Padre apontou para a frequente incapacidade de as pessoas perdoarem os irmãos, assim como falhas em garantir “que ninguém fique de fora”. No entanto, conforme a parábola, o pai é misericordioso com o filho que esteve distante, pecador, mas que resolve voltar e se reunir à família.

“São tantas as circunstâncias que podem alimentar divisão e confronto, são inegáveis as situações que podem nos levar a nos dividirmos”, pois “a experiência nos diz que o ódio, a divisão e a vingança só conseguem matar a alma dos nossos povos, envenenar a esperança de nossos filhos e levar consigo tudo o que amamos”.

 

COM OS IMIGRANTES

Os cristãos chegaram ao Marrocos pela primeira vez entre o segundo e o terceiro séculos, mas hoje restou apenas uma pequena minoria no País, que é majoritariamente muçulmano.

Logo depois de ter sido acolhido pelo rei marroquino, o Papa se reuniu com migrantes acolhidos por centros da Caritas no País. A maioria dos migrantes provém de outros países africanos, visto que o Marrocos está localizado no norte da África. Muitos partem dali na travessia do Mediterrâneo rumo à Europa.

Na ocasião, o Papa agradeceu aos missionários que ajudam os migrantes no Marrocos e ouviu testemunhos. Francisco chamou o fenômeno das migrações de “uma grande ferida” do século XXI. “Não queremos que a indiferença e o silêncio sejam a nossa palavra”, disse.

O Papa lembrou, ainda, da Conferência de Marrakesh, realizada em dezembro de 2018, na qual adotou-se um pacto global, após 18 meses de negociações, para que as migrações sejam “seguras, ordenadas e regulares”. Ele insistiu: “O que está em jogo é o rosto que queremos dar a nós mesmos, como sociedade, e o valor de cada vida [humana]”.

 

JERUSALÉM, CIDADE SANTA

Também no sábado, Francisco assinou uma declaração conjunta com o rei Mohammed VI, na qual ambos reconhecem o inigualável valor religioso da cidade de Jerusalém para as três principais religiões monoteístas: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo.

“Consideramos importante preservar a cidade santa de Jerusalém/Al Qods Acharif como patrimônio comum da humanidade e, sobretudo, para os fiéis das três religiões”, diz o texto, demonstrando o desejo de que a cidade permaneça sendo local “de encontro e símbolo de coexistência pacífica”. Por sua riqueza histórica, cultural e religiosa, Jerusalém é tida como uma cidade de “peculiar identidade”. O Papa e o rei muçulmano pedem que o acesso à cidade seja garantido a todos os fiéis das três religiões.

 

OUTROS ENCONTROS

Como de praxe, o Santo Padre se reuniu com autoridades locais, civis e religiosas, membros do clero e pessoas consagradas que atuam no Marrocos. Ele também visitou uma obra social administrada pela Congregação das Filhas da Caridade.

Aos consagrados, recordou a importância de difundir a fé cristã não só por meio do convencimento ou proselitismo, mas especialmente por meio do testemunho de vida. Entre os missionários que cumprimentou, estava o monge trapista Jean-Pierre Schumacher, o único sobrevivente do famoso massacre de Tibhirine, na Argélia, quando sete monges foram assassinados brutalmente dentro do mosteiro, durante a guerra civil, em 1996.

 

CONSTRUIR PONTES, NÃO MUROS

Durante o voo de retorno a Roma, no domingo, o Papa concedeu a tradicional coletiva de imprensa. Conforme transcrição publicada por Andrea Tornielli no site Vatican News, Francisco comentou a relação entre cristãos e muçulmanos, a questão migratória, o problema dos abusos sexuais e de poder cometidos por membros do clero, e os riscos do surgimento de novas ditaduras políticas.

A frase que mais repercutiu na imprensa internacional diz respeito à fraternidade entre cristãos e muçulmanos. “Ainda há dificuldades”, reconheceu, dizendo que em todas as religiões há grupos extremistas. Porém, “quem constrói muros terminará prisioneiro dos muros que construiu. Em vez disso, aqueles que constroem pontes seguirão em frente”, declarou.

 

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