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MEIO AMBIENTE

Papa Francisco: levar energia a todos, mas sem desequilíbrio ambiental

Por Filipe Domingues
12 de junho de 2018

Ele lembra que mais de um bilhão de pessoas vivem sem eletricidade, mas pede que modelo energético não se baseie só em combustíveis fósseis

Vatican Media

É essencial levar energia a todos, inclusive os mais pobres, mas essa conquista não pode ocorrer através do uso contínuo de combustíveis prejudiciais para o meio ambiente. Essa avaliação do Papa Francisco foi muito clara em seu encontro com líderes e dirigentes das principais empresas de energia do mundo, no sábado, 9. Eles estavam em Roma participando de um congresso organizado pelo Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral e pela Mendoza College of Business, da Universidade de Notre Dame (Estados Unidos).

"Na verdade, se quisermos eliminar a pobreza e a fome, conforme exigido pelos objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, os mais de um bilhão de pessoas que não têm eletricidade hoje devem poder tê-la de maneira acessível. Mas, ao mesmo tempo, é bom que essa energia seja limpa, que contenha o uso sistemático de combustíveis fósseis", disse ele.

E acrescentou: "Essa perspectiva desejável de energia para todos não pode levar a uma espiral indesejável de mudanças climáticas cada vez mais graves, diante de um terrível aumento nas temperaturas mundiais, de condições ambientais mais duras e níveis crescentes de pobreza."

Portanto, explicou o pontífice, é necessário identificar uma estratégia global de longo prazo que ofereça segurança energética e estabilidade econômica, proteja a saúde das pessoas e o meio ambiente, mas sempre aliada ao "desenvolvimento humano integral, estabelecendo compromissos precisos para o problema das mudanças climáticas ".

A distribuição de energia ainda é muito desigual no mundo - Francisco lembrou que mais de um bilhão de pessoas ainda vivem sem eletricidade. E com a aceleração no ritmo de vida, o movimento massivo de informações, pessoas e coisas ao redor do mundo requer um igual esforço de produção de energia. Mas a degradação e a poluição que vêm dos combustíveis fósseis afetam seriamente "toda a humanidade de hoje e amanhã".

Lembrando o Acordo de Paris, no qual os países signatários se comprometeram a reduzir as emissões de dióxido de carbono para desacelerar o aquecimento global, em 2015, Francisco pediu aos líderes do setor de energia que trabalhem juntos para encontrar um mix adequado de fontes energéticas. O Papa afirmou que "temos que discutir juntos - industriais, investidores, pesquisadores e usuários: sobre a transição e a busca de alternativas. A civilização requer energia, mas o uso da energia não deve destruir a civilização!"

Além disso, ele criticou o atual modelo econômico, que se concentra apenas no crescimento de curto prazo, sem pensar nos impactos de longo prazo. "Tanto as decisões políticas como a responsabilidade social das empresas e os critérios de investimento devem levar em conta a busca pelo bem comum no longo prazo, para que exista uma solidariedade concreta entre as gerações, evitando o oportunismo e o cinismo destinados a se obterem pequenos resultados parciais de curto prazo, mas que descarregariam sobre o futuro custos altíssimos e danos igualmente relevantes", disse ele.

Francisco citou seu predecessor, Bento XVI, que na encíclica Caritas em Veritate escreveu: "Os deveres que temos em relação ao meio ambiente estão ligados aos deveres que temos em relação à pessoa considerada em si mesma e em relação aos outros. Não se pode exigir uma coisa e atropelar a outra. Esta é uma grave antinomia da mentalidade e prática de hoje, que degrada a pessoa, perturba o meio ambiente e prejudica a sociedade ".

Da mesma forma, na encíclica Laudato si', Papa Francisco alertou os líderes mundiais para o fato de que prevalece hoje um "falso pressuposto de que existe uma quantidade ilimitada de energia e meios utilizáveis, ​que a sua regeneração imediata é possível e que os efeitos negativos das manipulações da natureza podem ser facilmente absorvidos ". Neste documento, que teve uma forte influência sobre as discussões e decisões que levaram ao Acordo de Paris, Papa Francisco também apontou para a necessidade de se criar uma nova cultura entre os líderes mundiais para se enfrentar a atual crise ambiental e energética.

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