VATICANO

Santos

Papa Francisco canoniza Paulo VI e Oscar Romero

Por Filipe Domingues
17 de outubro de 2018

Missa no Vaticano celebra também outros cinco novos santos, durante o sínodo dos bispos

Vatican Media

Um domingo muito festivo marcou o início da terceira semana do Sínodo dos Bispos sobre os jovens: a canonização de sete santos da Igreja, entre eles o Papa Paulo VI e o popular arcebispo e mártir de El Salvador, Dom Oscar Romero. Bispos do mundo inteiro e jovens que participam do Sínodo estiveram na celebração, no dia 14, com outras 70 mil pessoas.

Além de Paulo VI e Romero, entraram no catálogo dos santos o jovem Nunzio Sulprizio, morto aos 19 anos; os sacerdotes Francesco Spinelli e Vincenzo Romano; e as Irmãs Maria Cateria Kasper e Nazaria Ignazia de Santa Teresa de Jesus March Mesa, esta última considerada a primeira santa da Bolívia. 

Comentando a passagem do Evangelho de Marcos em que Jesus diz “Vende aquilo que tens e dá aos pobres… vem e segue-me!”, o Papa Francisco pregou que Cristo não veio ao mundo para fazer teorias sobre pobreza e riqueza, mas apontou diretamente para o valor de se entregar a vida a Deus. “Ele te pede para deixar aquilo que pesa no teu coração, de esvaziar-se de bens para abrir lugar para Ele, o único bem. Não se pode seguir verdadeiramente Jesus quando se é apegado às coisas”, afirmou o Pontífice, na homilia da missa de canonização. 

“Se o coração estiver lotado de bens, não haverá espaço para o Senhor, que se tornará uma coisa entre as outras”, alertou. “Por isso, a riqueza é perigosa e, diz Jesus, torna difícil até mesmo alguém se salvar. Não porque Deus seja severo. O problema está no nosso lado: o nosso ter demais, o nosso querer demais nos sufoca. Sufocam o nosso coração e nos tornam incapazes de amar.” 

Acrescentando que Jesus “dá tudo e pede tudo”, o Papa comparou o coração humano com um imã: pode deixarse atrair pelo amor, mas somente de um lado e, portanto, deve escolher entre deixar-se atrair por Deus ou pelas riquezas materiais do mundo. “Jesus nos convida hoje a voltar à fonte da alegria, que são o encontro com Ele, a escolha corajosa de arriscar-se para segui-lo”, disse. 

Mencionando como exemplos dessa coragem, Francisco falou de modo especial de seu predecessor, São Paulo VI, e do Arcebispo salvadorenho São Oscar Romero. “Paulo VI, mesmo no cansaço e em meio às incompreensões, testemunhou de modo apaixonado a beleza e a alegria de seguir Jesus totalmente”, comentou. Dom Romero, por sua vez, “deixou as seguranças do mundo, até mesmo a sua própria proteção, para dar a vida segundo o Evangelho, próximo dos pobres e da sua gente, com o coração atraído por Jesus e pelos irmãos”.

 

ENCONTRO COM SALVADORENHOS

Durante a canonização, era notável a quantidade de bandeiras, roupas e símbolos nas cores azul e branco, as cores da bandeira de El Salvador. Pelo menos 6 mil peregrinos vieram do país da América Central especialmente para celebrar a canonização de Dom Óscar Romero. Embora não tenha feito menção aos numerosos salvadorenhos durante a missa, o Papa quis ter um encontro separado com os fiéis da terra de São Oscar Romero, na segunda-feira, 15. 

Nesse encontro, Francisco definiu Romero como “um pastor eminente do continente americano” e disse que ele soube encarnar “com perfeição” a imagem do bom Pastor, que dá a vida por suas ovelhas. “Agora, após a canonização, muito mais gente poderá encontrar nele um exemplo e um estímulo”, disse o Papa, explicando que Romero foi um exemplo na predileção aos mais pobres e representa um estímulo para testemunhar “a solicitude pela Igreja”. 

Conforme mencionou o Pontífice, São Oscar Romero “repetia com força que cada católico tem de ser um mártir, porque ‘mártir’ quer dizer testemunha, isto é, testemunha da mensagem de Deus aos homens”. Francisco afirmou, ainda, que o povo de Deus sabe “sentir o cheiro de santidade” e que, por esse motivo, Romero se tornou um pastor tão popular em seu país.

BIOGRAFIAS OFICIAIS DE SÃO PAULO VI E SÃO OSCAR ROMERO

Giovanni Battista Montini nasceu em Concesio (Itália) em 1897. Ordenado sacerdote em 1920, estudou em Roma, ocupando cargos na diplomacia da Santa Sé. Tornou-se Substituto da Secretaria de Estado em 1937, durante a 2ª Guerra Mundial, na qual realizou pesquisas sobre os desaparecidos e deu assistência a perseguidos Em 1952, foi nomeado Pró- -Secretário de Estado e, em 1955, Arcebispo de Milão, diocese na qual cuidou particularmente dos marginalizados. Em 1958, foi criado Cardeal por São João XXIII. Eleito pontífice em 21 de junho de 1963, com o nome de Paulo VI, deu continuidade e concluiu o Concílio Vaticano II. Guiou a Igreja no diálogo com a modernidade e a manteve unida na crise pós-conciliar. Publicou sete encíclicas e muitas exortações apostólicas. Dedicou-se ao anúncio do Evangelho, testemunhando, com paixão, o amor ao Senhor e à Igreja. Morreu em Castel Gandolfo, em 6 de agosto de 1978. O Papa Francisco o beatificou em 19 de outubro de 2014.

Oscar arnulfo Romero Galdámez nasceu em Ciudad Barrios (El Salvador) em 15 março de 1917, no seio de uma família modesta. Aos 12 anos, trabalhou em uma carpintaria. Em 1930, entrou no seminário menor de San Miguel. Em 1943, obteve o mestrado em Teologia, na Pontifícia Universidade Gregoriana. Ordenado sacerdote, voltou ao seu país e como pároco dedicou-se com paixão à atividade pastoral. Depois, foi nomeado Diretor do Seminário de San Salvador, Secretário da Conferência Episcopal de San Salvador, Secretário- -executivo do conselho episcopal da América Central. Em 1970, foi eleito Bispo Auxiliar de San Salvador e se dedicou à defesa dos pobres. Em 1974, foi nomeado Bispo de Santiago de Maria e, em 1977, Arcebispo de San Salvador, em um período de repressão social e política. Em 24 de março de 1980, enquanto celebrava a missa com os doentes de um hospital, foi assassinado. Foi beatificado em 2015, em San Salvador. Fonte: Congregação para a Causa dos Santos

Fonte: Congressão para a Causa dos Santos

 

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