Presidência da CNBB visita o Papa Francisco no Vaticano

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06 de dezembro de 2018

O Papa Francisco recebeu em audiência privada na segunda-feira, 3, a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O grupo é composto pelo Presidente, Cardeal Sergio da Rocha, Arcebispo de Brasília; pelo Vice-Presidente, Dom Murilo Krieger, Arcebispo de São Salvador da Bahia; e pelo Secretário-Geral, Dom Leonardo Ulrich Steiner, Bispo Auxiliar de Brasília. 

De acordo com Dom Sergio, já é uma tradição que a presidência da CNBB visite o Papa pelo menos uma vez por ano. “É uma grande graça, muito especial, encontrar-nos com o sucessor de Pedro”, disse ele em entrevista ao Vatican News, explicando que o Papa Francisco os recebe de forma especialmente afetuosa, pelo carinho que tem pelo povo brasileiro. “Isso nos anima muito. Procuramos vir uma vez ao ano, pelo menos para ter contato com alguns dicastérios da Cúria Romana, para expressar e reforçar sempre mais a comunhão com a Sé Apostólica.”

O Cardeal disse, ainda, que a visita foi uma oportunidade de demonstrar apoio ao Santo Padre, em um momento em que encontra forte resistência por parte de alguns grupos. “[É preciso] fazer chegar a nossa oração, carinho, apoio do episcopado brasileiro. Ele sempre testemunha serenidade, força para superar as mais diferentes situações, apoiado pela graça de Deus”, comentou. 

De acordo com Dom Murilo, o Papa estava bem disposto e tranquilo durante o encontro. “O que admiro nele é a capacidade de escutar. Ele quer saber o que estamos vivenciando, quais desafios a Igreja está vivendo no Brasil. Ele nos deixa muito à vontade. É um irmão mais velho entre os irmãos. É uma conversa entre amigos”, afirmou.

Perguntado pelo radialista Silvonei Protz sobre o motivo de o Papa Francisco sempre pedir para que rezem por ele, Dom Murilo sugeriu que, além de acreditar no poder da oração, o Pontífice deve sentir um certo peso em relação à “necessidade de dar uma resposta a tudo aquilo que o mundo vive hoje. Todo mundo espera uma palavra esclarecedora dele”.

Dom Leonardo observou que o Papa consegue manter o bom humor, mesmo diante de muitas dificuldades. “Ele foi muito paternal”, comentou o Bispo, acrescentando que Francisco “agradeceu tudo aquilo que a conferência episcopal do Brasil faz pela Igreja”.

Na entrevista, os bispos tocaram em alguns temas bastante atuais e que podem ter sido conversados também com o Papa Francisco. Eles comentam a conclusão do recente Sínodo dos Bispos sobre os jovens; os preparativos do Sínodo para a Amazônia, que será realizado no ano que vem; algumas medidas do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro, como as propostas para os indígenas e as reservas florestais; e o papel da CNBB na era das redes sociais. 

“Nós temos a nossa missão, que é de evangelizar, e ela inclui a dimensão profética. Graças a Deus, temos procurado fazer isso, sim”, declarou Dom Sergio. A entrevista está disponível no Vatican News.

 

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‘Por meio das músicas e dos cantos se dá voz também à oração’

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04 de dezembro de 2018

Mais de 8 mil cantores e músicos se reuniram em Roma entre os dias 23 e 25 no 3º Encontro Internacional dos Corais no Vaticano. O evento, realizado na Sala Paulo VI, foi promovido pelo Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, em colaboração com a ONG Nova Opera. Em audiência privada, o Papa Francisco disse aos coralistas que a Igreja é chamada a estar próxima dos fiéis por meio da música “na alegria e na tristeza”. 

“A música e o canto de vocês são um verdadeiro instrumento de evangelização, na medida em que vocês se tornam testemunhas da profundidade da Palavra de Deus, que toca o coração das pessoas e permite a celebração dos sacramentos, em especial a Eucaristia, e faz perceber a beleza do Paraíso”, refletiu o Papa. 

Agradecendo aos cantores e músicos o bonito trabalho que realizam, ele os alertou, porém, para a tentação que podem sofrer, de tentar ser os protagonistas das celebrações litúrgicas, roubando equivocadamente a atenção que se deve aos sacramentos. Ele recomendou, ainda, uma valorização especial à piedade popular nas comunidades da Igreja. 

“A piedade popular sabe rezar criativamente, sabe cantar criativamente”, observou. “O canto leva adiante essa piedade. Por meio das músicas e dos cantos se dá voz também à oração e, desse modo, forma-se um verdadeiro coral internacional, no qual, em uníssono, sobemao Pai todos os louvores e a glória do seu povo”, disse o Pontífice.

Nesse sentido, o Santo Padre continuou seu alerta dizendo: “Todavia, não caiam na tentação de um protagonismo que ofusca o empenho de vocês e humilha a participação ativa do povo na oração”. Ele revelou que se sente “entristecido” quando, em algumas cerimônias, “canta-se tão bem, mas o povo não pode cantar aquelas coisas”. 

Portanto, os músicos e cantores católicos não devem “desvalorizar as outras expressões da espiritualidade popular”, e devem sempre levar adiante a “beleza do Evangelho que ainda fascina e torna possível crer e confiar no amor do Pai”.

 

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Sínodo dos Bispos chega ao fim e propõe maior empatia na relação com os jovens

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01 de novembro de 2018

“Caminhar juntos” é proposta de todo Sínodo dos Bispos, mas este, em especial, foi percorrido na companhia dos jovens. Após consultas em todo o mundo e uma reunião pré-sinodal em Roma, o Sínodo, ocorrido de 3 a 28 de outubro, refletiu sobre o caminhar da Igreja com os jovens. Entre as diversas resoluções está a de “escutar e ver os jovens com empatia”. Na missa de encerramento, o Papa Francisco refletiu sobre três atos que favorecem o crescimento na fé: escutar, fazer-se próximo e testemunhar. 

O documento final do Sínodo, que serve de base para o Papa escrever uma exortação pós-sinodal, fala do desejo da Igreja de alcançar todos os jovens, sem nenhuma exclusão. “A Igreja, no momento em que esse Sínodo escolheu se ocupar dos jovens, fez uma opção bem precisa: considera essa missão uma prioridade pastoral da época, para a qual deve investir tempo, energias e recursos”, diz o número 119. “Desde o início do caminho de preparação, os jovens expressaram o desejo de serem envolvidos, apreciados e de se sentirem protagonistas da vida e da missão da Igreja”.

De acordo com Dom Vilson Basso, Bispo de Imperatriz (MA) e padre sinodal, essa opção pelos jovens ficou clara no documento. “O Sínodo foi experiência de uma Igreja que quer aprender e encontrar caminhos com os jovens. A Igreja jovem. Partindo o pão e ouvindo a Palavra, quer abrir os olhos numa grande saída missionária, a partir da belíssima notícia do Cristo Ressuscitado”, disse ao O SÃO PAULO

Como ele, os outros padres sinodais evitaram criar uma distinção entre jovens e Igreja, falando, em vez disso, de uma “Igreja jovem”. “A participação responsável dos jovens na vida da Igreja não é opcional, mas uma exigência da vida batismal e um elemento indispensável para a vida de toda comunidade. As dificuldades e fragilidades dos jovens nos ajudam a ser melhores, as suas perguntas nos desafiam, as suas dúvidas nos questionam sobre a qualidade da nossa fé”, lê- -se no número 116. 

A imagem bíblica que representa esse caminho é a dos discípulos de Emaús. Conforme o Evangelho de Lucas, eles encontram Jesus ressuscitado, mas não o reconhecem imediatamente. Jesus caminha com eles enquanto se afastam da comunidade cristã de Jerusalém. Porém, ao se revelar aos discípulos, eles voltam e passam a compartilhar a experiência do Cristo Ressuscitado.

 

ESCUTAR, FAZER-SE PRESENTE, TESTEMUNHAR

“Também nós caminhamos juntos, fizemos Sínodo”, disse o Papa Francisco na missa de encerramento no domingo, 28. Referindo-se à passagem do Evangelho de Marcos que narra o “ministério itinerante” de Jesus e a adesão do cego Bartimeu, o Papa refletiu sobre três atos que favorecem o crescimento na fé.

Escutar, disse ele, é o “apostolado do ouvido”. “Gostaria de dizer aos jovens, em nome de todos nós adultos: desculpem se muitas vezes não os escutamos, e se, em vez de abrir o coração, enchemos os seus ouvidos. Como Igreja de Jesus, desejamos nos colocar à escuta com amor”, disse, na homilia. 

“Fazer-se próximo”, explicou, é envolver-se diretamente com as pessoas. “A fé passa pela vida. Quando a fé se concentra puramente sobre as formulações doutrinais, arrisca-se a falar só à cabeça, sem tocar o coração”, afirmou. “E quando se concentra só em fazer, arrisca-se a se tornar moralismo e reduzir-se ao social.”

Por fim, testemunhar é o terceiro passo. “Não é cristão esperar que os irmãos que estão à procura [de respostas] batam à nossa porta. Temos que ir até eles, e não levando nós mesmos, mas Jesus.”

 

AMADURECIMENTO NA FÉ

O jovem Lucas Galhardo, representante brasileiro no Sínodo, avalia que este tenha sido, para ele, uma experiência de amadurecimento na fé. “Foi viver a sinodalidade: caminhar juntos, sentir-se escutado e poder contribuir. É importante continuar esse caminho nas nossas comunidades. Levar essa cultura da escuta, para que a Igreja seja lugar de acolhida e mostre o amor de Jesus a todos”, disse. 

Nesse sentido, Dom Gilson Andrade da Silva, Bispo Coadjutor de Nova Iguaçu (RJ) e padre sinodal, comentou que se sentiu “enviado pelo Santo Padre” ao fim do Sínodo. “Foi uma experiência da universalidade da Igreja, de amizade e colaboração, sobretudo com os jovens. Vamos levar o desejo de estar próximos dos jovens, fomentar esse testemunho no nosso meio, e ajudá-los a se tornar protagonistas desta época”, completou. 

Em 60 páginas, o documento final apresenta uma série de propostas para uma ação pastoral com os jovens – e não só para os jovens. Entre elas, uma maior interação entre os grupos já existentes; a ideia de que toda pastoral juvenil também é vocacional; o acompanhamento pessoal dos jovens e a formação de mais leigos e consagrados nesse ministério; uma maior ênfase nos jovens durante a formação dos seminaristas e religiosos; e uma presença mais ativa no mundo digital, incentivando boas práticas para evitar notícias falsas e discursos de ódio. 

O texto está disponível, em italiano, no site do Vaticano, contudo em breve será traduzido para todas as línguas. “O Espírito Santo nos presenteia esse documento, também a mim, para podermos refletir sobre o que quer dizer a todos nós”, disse o Papa ao fim do Sínodo.
 

 

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‘O Sínodo dos Bispos tem preocupação com todos os jovens’

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11 de outubro de 2018

Até o próximo dia 28, no Vaticano, acontece o Sínodo dos Bispos, com o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. 

Entre os leigos brasileiros que participam do Sínodo está o jornalista Filipe Domingues, 31. Ele é um dos colaboradores dos secretários especiais da assembleia sinodal. 

Doutorando em Ciências Sociais na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, especialista em Ética da Mídia e colaborador do O SÃO PAULO, Filipe concedeu entrevista à rádio 9 de Julho e ao semanário da Arquidiocese de São Paulo, falando sobre sua participação no Sínodo dos Bispos e os principais pontos que deverão ser debatidos na atividade iniciada no último dia 3. 

A seguir, leia a entrevista, cuja íntegra pode ser vista em vídeo no facebook da Rádio 9 de Julho.

 

O SÃO PAULO – QUAIS OS PROPÓSITOS DA IGREJA AO ESCOLHER O TEMA “OS JOVENS, A FÉ E O DISCERNIMENTO VOCACIONAL” PARA ESTE SÍNODO DOS BISPOS?

Filipe Domingues – Trata-se de um tema amplo, porque se deseja falar de alguma forma para toda a Igreja e para quem está fora da Igreja. Na reunião pré-sinodal que estive em março e que me levou a ser convidado a participar agora do Sínodo dos Bispos, havia jovens do mundo inteiro, mais de 300 pessoas e outras 15 mil participaram pelo Facebook. Muitos nem católicos eram. Havia jovens de outras tradições cristãs, religiões e até alguns ateus. Havia quem já tinha passado por realidades difíceis, como o tráfico humano, e vítimas de exploração sexual, de modo que a variedade de experiências das pessoas era muito ampla. O Sínodo é dos Bispos. Os jovens são o tema. O Papa Francisco quis que os jovens fossem escutados. O tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” leva a várias perguntas que foram apresentadas aos jovens no começo desse processo, e eles as responderam conforme cada realidade. O documento ao final da reunião pré-sinodal foi escrito pelos jovens que estavam ali, com base em tudo que se ouviu na reunião ao longo de uma semana.

 

DESSE DOCUMENTO PRÉ-SINODAL, QUE NÃO DEVE SER CONFUNDIDO COM O INSTRUMENTUM LABORIS , QUE SERIA PUBLICADO APENAS EM JUNHO, O QUE EMERGE SOBRE AS PERCEPÇÕES E A PREOCUPAÇÃO DOS JOVENS COM A IGREJA?

Das muitas coisas que emergem, uma que me marcou muito é que os jovens pedem uma Igreja autêntica. Essa palavra aparece várias vezes no documento da reunião pré-sinodal. Os jovens querem uma Igreja que viva aquilo que ela prega. Os jovens estão um pouco cansados de ouvir discursos bonitos, explicações prontas, nos moldes do “é assim, acredite”. É necessário que haja um processo de caminhar na fé, de entender essas respostas e senti-las também. Os jovens desejam que religiosos, padres e bispos sejam testemunhas daquilo que pregam e reconheçam eventuais erros, porque isso também é ser autêntico: uma Igreja que, quando comete erros, os reconhece e caminha para superá-los.

 

NO EVENTO PRÉ-SINODAL, OS JOVENS DEMONSTRARAM ALGUMA PREOCUPAÇÃO SOBRE O SOFRIMENTO DOS MAIS POBRES EM TODO MUNDO?

Sim. Os jovens demonstram preocupação com a questão migratória, um dos temas mais fortes sobre justiça social na Europa. O tema do trabalho também apareceu. Os jovens nunca tiveram tanta oportunidade como hoje em termos de acesso ao conhecimento e à formação, ainda que essas oportunidades sejam desiguais nos diferentes lugares do mundo. Antes, eles precisavam receber de outros esta formação; hoje, podem ir à internet para isso, mas, ao mesmo tempo, não encontram aquelas respostas que atendiam a geração de seus pais e avós, em termos de trabalho, de objetivo de vida, ou seja, o jovem tem uma capacidade enorme, energia, potencial, meios, mas ao se deparar com o mundo, ele se pergunta: “O que eu faço com isso? Eu sei tudo isso, mas onde eu vou trabalhar? O que eu vou fazer?”. Também a questão da pobreza apareceu nas conversas, algo que a Igreja aqui na América Latina já discutiu bastante. Quando as pessoas estão preocupadas primeiro em ter o que comer, elas, às vezes, não conseguem parar para pensar em Deus, elas precisam atender aquela necessidade material. 

 

E QUAIS FORAM AS BASES PARA A ELABORAÇÃO DO INSTRUMENTUM LABORIS DESTE SÍNODO DOS BISPOS?

Foram usadas quatro fontes principais para elaborar o Instrumentum laboris : uma foi a reunião pré-sinodal de março; outra, os questionários enviados para as conferências episcopais em todo o mundo; também as considerações das Igrejas orientais, pois não basta olhar a realidade ocidental; por fim, houve um evento que aconteceu antes da reunião pré-sinodal de onde saíram algumas sugestões.
 

OS DESTINATÁRIOS DESTE SÍNODO SÃO APENAS OS JOVENS CATÓLICOS?

O Sínodo dos Bispos tem preocupação com todos os jovens. É uma reflexão sobre o que a Igreja pode fazer para chegar a todos os jovens, inclusive os de outras religiões. No fundo, é um momento em que a Igreja para e pensa como atua. Neste momento, insere-se também a questão do discernimento vocacional. Na reunião pré-sinodal, os jovens manifestaram muito claramente que na Igreja a palavra vocação ainda está muito marcada com a vocação à vida consagrada, ao sacerdócio. Muitos jovens consideram bom que muitas pessoas entrem na vida consagrada, rezam pelas vocações, mas lembram que existem muitas outras vocações, de modo que o sentido de vocação precisa ser pensado de maneira mais ampla, um chamado profundo, de modo que mesmo quem não acredita em Deus ou em alguma religião tem uma vocação, um chamado que sai de dentro, aquela coisa sobre o que eu vou fazer na vida. Assim, os jovens dizem que é preciso pensar na vocação de forma mais ampla.

 

AO ACOMPANHAR AS NOTÍCIAS DO SÍNODO PELA MÍDIA CONVENCIONAL, QUAIS ATENÇÕES AS PESSOAS DEVEM TER?

A mídia secular geralmente enfatiza muito os temas polêmicos, as discussões mais polêmicas e nem sempre reflete aquilo que efetivamente foi discutido na assembleia sinodal. Não que não se deva falar de temas difíceis, mas tem de se apresentar as diferentes partes e de forma correta. Portanto, sugiro que as pessoas fiquem atentas ao que é o centro da discussão, como está descrito no tema: os jovens, a fé e o discernimento vocacional. Podem surgir questões difíceis como a migração, a sexualidade, questões sobre trabalho, economia e família. Neste último tópico, o Sínodo dos Bispos sobre os jovens é uma continuação do Sínodo sobre a família, pois não há como olhar os jovens fora do contexto familiar. 

 

EM SETEMBRO, O PAPA FRANCISCO PUBLICOU A CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA EPISCOPALIS COMUNIO, SOBRE A FUNÇÃO E ESTRUTURA DO SÍNODO DOS BISPOS. ESSA CONSTITUIÇÃO APONTA PARA A POSSIBILIDADE DE QUE O DOCUMENTO FINAL DE CADA SÍNODO JÁ POSSA SER CONCLUSIVO, SEM QUE HAJA A NECESSIDADE DA PUBLICAÇÃO DE UMA EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL. PODE NOS EXPLICAR MELHOR ESSA MUDANÇA?

Ao final do Sínodo, vai ser publicado um documento redigido por seus participantes e caberá ao Papa decidir se simplesmente assina embaixo sobre o conteúdo que ali está, tornando-se esse documento o resultado final e, portanto, Magistério da Igreja, o que dispensaria uma nova redação a ser feita pelo Pontífice; ou o Papa pode decidir por pensar melhor sobre algum tema específico tratado no Sínodo para enfatizar algum aspecto e contextualizá-lo melhor. É uma decisão a ser tomada apenas pelo Papa, e ainda não se sabe como ele irá proceder. 

 

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Papa aos jovens: apaixonem-se pela liberdade de Jesus

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08 de outubro de 2018

O Santo Padre encontrou-se na tarde deste sábado, 6, na Sala Paulo VI com cerca de sete mil jovens por ocasião do Sínodo dos Bispos, em andamento no Vaticano de 3 a 28 do corrente.

Testemunhos e cantos marcaram o evento, do qual o Papa participou desde o primeiro momento. 

Após os testemunhos, o Papa ouviu nove perguntas, às quais disse que não poderia responder porque, do contrário, “anularia o Sínodo”. “As respostas devem vir de todos, sem medo.” Mas ofereceu aos jovens alguns ideias para refletir, concentrando-se em alguns aspectos.

 

Encontrar o próprio caminho

O primeiro deles, a importância de cada um fazer o seu próprio caminho, “sejam jovens em caminho olhando o horizonte, não o espelho” ou sentados no sofá. “Encontrem a si mesmos fazendo, indo em busca do bem, da verdade e do belo”.

 

Coerência de vida

Outro conceito reiterado pelo Papa foi a coerência de vida. Isso é fundamental não só para os clérigos, que correm o risco de ceder às tentações do clericalismo, mas também para os jovens. “Sigam a estrada das bem-aventuranças. Não o caminho da mundanidade, do clericalismo, que é uma das piores perversões da Igreja.”

 

Leilão

Francisco também foi enfático ao recordar à juventude de que ela não tem preço. “Vocês não são mercadorias num leilão. Por favor, não se deixem comprar, não se deixem seduzir, não se deixam escravizar pelas colonizações ideológicas. Apaixonem-se pela liberdade de Jesus.”

 

Testemunho concreto

O Papa falou ainda dos riscos representados pela rede e a necessidade de um testemunho “concreto, não líquido” e a coragem do acolhimento. “Os populismos estão na moda, que nada têm a ver com o popular. O popular é a cultura do povo. O populismo é o contrário: é o fechamento num único modelo. O amor é a palavra que abre todas as portas.

O Pontífice finalizou falando da importância das raízes e do diálogo entre as gerações. “Tomem as raízes e levem-nas avante para dar fruto e também vocês se tornarão raízes dos outros.”

Muito obrigado. Estas são orientações. As respostas, a eles (padres sinodais)!, disse o Papa em tom de brincadeira.

 

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Papa: Anjos da Guarda são nossa porta à transcendência

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02 de outubro de 2018

"Vou enviar um anjo que vá à tua frente, que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que te preparei". São essas palavras da Primeira Leitura, extraída do capítulo 23 do Livro do Êxodo, que guiaram a reflexão do Papa na homilia da Missa celebrada na Casa Santa Marta, no dia em que a Igreja festeja os Santos Anjos da Guarda. São precisamente eles – disse Francisco - "a ajuda muito especial" que o "Senhor promete ao seu povo e a nós que caminhamos na estrada da vida".

 

 

 

 

O Anjo, bússola que nos ajuda a caminhar

A vida, disse ainda o Papa, é o caminho no qual devemos ser auxiliados por "companheiros", por "protetores", por uma "bússola humana ou uma bússola que se parece com um humano" e nos ajuda a olhar para a direção que devemos ir. Francisco cita três possíveis perigos que podem encontrar no decorrer da vida:

Existe o perigo de não caminhar. E quantas pessoas se estabelecem e não caminham, e toda a vida ficam paradas, sem se mover, sem fazer nada... É um perigo. Como aquele homem do Evangelho que tinha medo de investir o talento. O enterrou e pensou: “Eu estou em paz, estou tranquilo. Não poderei cometer um erro. Assim não arrisco”. E muitas pessoas não sabem como caminhar ou têm medo de arriscar e param. Mas nós sabemos que a regra é que quem fica parado na vida, acaba por se corromper. Como a água: quando a água está ali parada, chegam os mosquitos, depositam ovos e tudo se corrompe. Tudo. O Anjo nos ajuda, nos leva a caminhar.

 

O perigo de errar o caminho ou girar num labirinto

Mas há outras duas insídias no caminho da nossa vida, prosseguiu o Papa: o "perigo de errar o caminho", que somente "no início é fácil de corrigir"; e o perigo de deixar o caminho para se perder numa praça, indo "de um lado e do outro como num labirinto" que aprisiona e "jamais o leva até o fim". Eis que o "Anjo", reiterou Francisco, "existe para nos ajudar a não errar o caminho e a caminhar nele", mas é necessária a nossa oração, o nosso pedido de ajuda:

E o Senhor diz: “Tenha respeito por sua presença”. O Anjo é crível, tem autoridade para nos guiar. Ouça a sua voz e não se revolte contra ele.” Ouça as inspirações que são sempre do Espírito Santo, mas é o Anjo a inspirá-las. Eu gostaria de fazer a todos uma pergunta: vocês conversam com o seu Anjo? Vocês conhecem o nome dele? Vocês ouvem o seu Anjo? Vocês se deixam levar pela mão na estrada ou impulsionar para se mover?

 

O Anjo nos mostra o caminho para chegar ao Pai

“A presença e o papel dos Anjos em nossa vida é ainda mais importante, porque eles não somente nos ajudam a caminhar bem, mas nos mostram também onde devemos chegar”, ressaltou ainda Francisco. Hoje, o Evangelho de Mateus nos diz: “Não desprezeis nenhum desses pequeninos”, diz o Senhor, “pois os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus”. No “mistério da custódia do Anjo” existe também a “contemplação de Deus Pai”, que o Senhor deve nos dar a graça de compreender. E o Papa concluiu:

“O nosso Anjo não somente está conosco, mas vê Deus Pai. Está em relação com Ele. É a ponte cotidiana, desde a hora em que nos levantamos até o hora em que vamos dormir. Ele nos acompanha. É uma ligação entre nós e Deus Pai. O Anjo é a porta cotidiana para a transcendência, para o encontro com o Pai: ou seja, o Anjo nos ajuda a caminhar porque olha o Pai e conhece a estrada. Não nos esqueçamos desses companheiros de caminhada”.

 

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Papa: Cuidar dos nossos irmãos doentes abre o nosso coração

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01 de outubro de 2018

Nesta segunda-feira, 1, o Papa Francisco recebeu os participantes do IV Seminário de Ética na gestão de Serviços de Saúde organizado pela Pontifícia Academia para a Vida, que contou com a presença de Dom Alberto Bochatey, Bispo Auxiliar de La Plata e presidente da Comissão de Saúde da Conferência Episcopal Argentina e do senhor Cristian Mazza, presidente da Fundação “Consenso Salud”.

Papa Francisco falou aos presentes que embora estejamos em uma época marcada pela crise econômica que leva a muitas dificuldades no atendimento dos pacientes desde o desenvolvimento da ciência médica ao acesso à terapias e remédios. “O cuidados dos nossos irmãos abre nosso coração para acolher um dom maravilhoso”. Neste contexto Francisco propõe três palavras para reflexão: milagre, cuidado e confiança.

 

Milagre: valorizando a dignidade do ser humano

Os responsáveis pelas instituições dirão que é impossível fazer milagres para manter os custos-benefícios... “Sem dúvida - disse o Papa - um milagre não é fazer o impossível, o milagre é encontrar no doente, no desamparado que temos diante de nós, um irmão. Somos chamados a reconhecer no doente o receptor das prestações de imenso valor de sua dignidade como ser humano, como filho de Deus”. O Papa esclarece que por si só não “desata todos os nós”, mas criará disposição para desatá-los na medida de nossas possibilidades levando a uma mudança  interior e de mentalidade em nós mesmos e na sociedade.

A consciência de valorizar a dignidade do ser humano “permite que sejam criadas estruturas legislativas, econômicas e médicas necessárias para enfrentar os problemas irão surgindo”.

Francisco observou que “o princípio inspirador deste trabalho deve ser absolutamente a busca do bem. E este bem não é um ideal abstrato, mas uma pessoa concreta, um rosto, que muitas vezes sofre". Em seguida o Papa disse aos participantes: "Sejam valentes e generosos nas intenções, planos, projetos e no uso dos meios econômicos e técnicos-científicos”.

 

Cuidado: para o doente se sentir amado

Sobre este ponto o Papa disse que cuidar dos doentes não é simplesmente a aplicação asséptica de medicamentos ou terapias apropriadas, mas especificou que o verbo latim “curare” quer dizer atender, preocupar-se, cuidar, ser responsável pelo outro, pelo irmão.

“Este cuidado deve ter maior intensidade nos cuidados paliativos", por atravessarmos neste momento uma forte tendência à legalização da eutanásia, sabemos o quanto é importante um acompanhamento sereno e participativo. “Quando o paciente terminal - diz o Papa - sente-se amado, respeitado e aceito, a sombra negativa da eutanásia desaparece ou é quase inexistente, pois o valor do seu ser se mede pela sua capacidade de dar e receber amor e não pela sua produtividade”.

 

Confiança: relação baseada na responsabilidade e lealdade

A terceira palavra no contexto de cuidados dos enfermos é confiança que pode ser distinguida em vários âmbitos. Antes de tudo, a confiança do próprio doente em si mesmo, na possibilidade de se curar que garante boa parte do êxito da terapia. Em seguida o Papa refere-se aos trabalhadores: “É importante para o trabalhador da área de saúde poder realizar suas funções em um clima de serenidade, estando ciente de que está fazendo o certo, o humanamente possível em função dos recursos disponíveis”.

“Não há dúvida de que se colocar nas mãos de uma pessoa, principalmente quando a vida está em jogo, é muito difícil, a relação com o médico ou o enfermeiro sempre se baseou na responsabilidade e na lealdade”. Francisco alerta aos riscos de que a burocracia e a complexidade do sistema de saúde altere a estreita relação paciente/médicos e enfermeiros e possa se tornar um simples “termos do contrato”, interrompendo desta maneira esta confiança.

O Papa conclui dizendo que “temos que lutar para manter íntegro este vínculo de profunda humanidade, pois nenhuma instituição assistencial pode por si substituir-se ao coração humano”.

“ Portanto a relação com o doente exige respeito em sua autonomia e grande disponibilidade, atenção, compreensão, cumplicidade e diálogo, para ser expressão de um compromisso assumido como serviço ”

 

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Papa visita igrejas perseguidas e promove ecumenismo nos países bálticos

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29 de setembro de 2018

Em viagem apostólica de quatro dias nos países bálticos, entre 22 e 25 de setembro, o Papa Francisco levou mensagens de unidade entre os cristãos e de memória aos que são perseguidos por causa da fé. Lituânia, Letônia e Estônia têm em comum o fato de que ficaram independentes da União Europeia só desde os anos 1990, mas são pequenas nações bem diferentes entre si. 

Embora a Lituânia tenha maioria católica, 80% da população, a Letônia está quase igualmente dividida entre católicos, ortodoxos e protestantes luteranos. Já a Estônia é considerada um dos países menos religiosos do mundo: a maioria da população não se importa com a religião. Entre os 16% que têm religião, só cerca de 5 a 6 mil estonianos são católicos.

 

PRESERVAR A IDENTIDADE CRISTÃ

O Papa foi recebido com grande devoção na Lituânia e, em discurso aos jovens na Praça da Catedral, em Vilnius, no sábado, 22, ele destacou justamente o valor de se manter uma identidade cristã, herdada pelas gerações anteriores. “Somos cristãos e queremos apontar para a santidade, a partir do encontro e da comunhão com os outros, atentos às suas necessidades. A sua identidade pressupõe o pertencimento a um povo”, disse.

Em referência ao passado marcado por ideologias autoritárias e antirreligiosas na região, o Papa acrescentou que “não existem identidades de laboratório”. O que existe, continuou, é um “caminhar juntos”, que deve ser radicado em uma identidade. “Não somos pessoas sem raízes”, exclamou. 

Francisco falou mais explicitamente sobre a perseguição aos cristãos, na homilia da missa campal em um parque na cidade de Kaunas, também na Lituânia, no domingo, 23. “A vida cristã atravessa sempre momentos de cruz, e, às vezes, parecem intermináveis”, afirmou, recordando as vítimas do autoritarismo. Ali, muitos prisioneiros foram enviados para o cárcere ou a morte na Sibéria.

Também na Estônia, ele recordou o horror das guerras vividas no País, seguidas da repressão política, da perseguição e do exílio. “Mas nem o regime nazista nem o soviético apagou a fé nos corações de vocês e, para alguns de vocês, não lhes fizeram desistir nem da vida sacerdotal, religiosa, a ser catequistas, e nem de diversos serviços na Igreja que colocavam as suas vidas em risco”, disse. 

Na Letônia, em visita à Catedral Luterana de Riga, o Papa pediu novamente que seja valorizada e preservada a fé cristã, que muitas vezes se manifesta por meio da colaboração entre as diferentes igrejas. Tomando o órgão dessa mesma Catedral como exemplo, um dos mais antigos da Europa, Francisco notou que o Cristianismo é muitas vezes tratado como algo a ser admirado, “como um turista”, mas sem a força da fé ou qualquer traço de uma “identidade”. Para ele, o risco é “fazer com que o que nos identifica se torne um objeto do passado, uma atração turística e de museu, com valor histórico, mas que parou de fazer vibrar os corações de quem escuta”.
 

ESCUTAR E BUSCAR

Em missa na Praça da Liberdade, em Tallinn, na Estônia, o Papa foi ao encontro de uma pequena comunidade de católicos, colocando em prática seu desejo de chegar às “periferias existenciais”. Na terça-feira, 25, Francisco disse a eles que o que marca um povo escolhido por Deus é sua capacidade de “escutar e buscar” os outros. 

“Às vezes, alguns pensam que a força de um povo seja medida por outros parâmetros. Há quem diga que com um tom mais alto, quem fala parecerá mais seguro, sem concessões ou hesitações. Há quem grite, ameace com armas e estratégias”, analisou. “Isso não é buscar a vontade de Deus. Esse comportamento esconde uma rejeição da ética e, com ela, de Deus.”

Nesse sentido, o Papa alertou os cristãos da Estônia a não se deixarem instrumentalizar, evitando tornar-se escravos do consumo, do individualismo ou “da sede de poder ou de domínio”. 

Em um encontro ecumênico com jovens na Catedral Luterana de Tallinn, o Papa trouxe para o centro do discurso a figura daquele que une as diferentes tradições cristãs: Jesus Cristo. “Ele continua a ser o motivo pelo qual estamos aqui. Sabemos que não há conforto maior do que entregar a Jesus as nossas opressões. Sabemos, também, que há muitos que ainda não o conhecem e vivem tristes e perdidos”, disse o Papa, acrescentando que é preciso demonstrar que o amor não está morto. 

“Jesus passou fazendo o bem, e, quando morreu, preferiu o gesto forte da cruz em vez de palavras. Nós estamos unidos na fé, em Jesus, e Ele espera que levemos a Ele todos os jovens que perderam o sentido da vida”, disse o Papa Francisco.

 

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Papa Francisco irá escutar as propostas dos jovens

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21 de setembro de 2018

Tudo pronto no Vaticano para a assembleia do Sínodo dos Bispos sobre os desafios e oportunidades da juventude atual. Como tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, a assembleia será de 3 a 28 de outubro.

Além das missas presididas pelo Papa Francisco e das reuniões em grupo, esse Sínodo terá um grande encontro do Papa com os jovens. De acordo com a Santa Sé, “o Papa deseja encontrá-los novamente, com todos os padres sinodais, para escutá-los e acolher as suas propostas”

A base para os trabalhos de cada Sínodo é o documento chamado Instrumentum Laboris. O texto, que está no site do Vaticano, aborda as experiências dos jovens em uma “cultura do descarte” - expressão muito usada pelo Papa. Diz que a Igreja precisa escutá -los e acompanhá-los em sua vocação.

“Mesmo quando são muito críticos, no fundo, os jovens pedem que a Igreja seja uma instituição que brilhe pelo exemplo, competência, corresponsabilidade e solidez cultural”, afirma o Instrumentum.

Além disso, jovens da reunião pré-sinodal escreveram: “A juventude de hoje deseja uma Igreja autêntica. Com isso, queremos expressar, de maneira especial à hierarquia eclesiástica, o nosso pedido por uma comunidade transparente, acolhedora, honesta, atraente, comunicativa, acessível, alegre e interativa”. Isso é um exemplo do que deverá guiar as discussões neste Sínodo.

 

BRASILEIROS NA ASSEMBLEIA

A lista oficial dos participantes foi divulgada no sábado, 15. O relator-geral do Sínodo é o Cardeal Sergio da Rocha, Arcebispo de Brasília e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Também participa o Cardeal João Braz de Aviz, na condição de Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.

Os bispos enviados pela CNBB são Dom Eduardo Pinheiro da Silva, de Jaboticabal (SP); Dom Gilson Andrade da Silva, Auxiliar de São Salvador (BA); e Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre (RS).

Entre os membros nomeados pessoalmente pelo Papa está o Padre Alexandre Awi de Mello, Secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. O Superior-geral dos Padres Paulinos, Padre Valdir José de Castro, foi enviado pela União dos Superiores Gerais.

Outros brasileiros devem colaborar com o Sínodo. Dois deles têm a função de “especialistas” no tema da juventude e atuarão como consultores: Padre João Wilkes Rebouças Chagas Júnior, responsável pelo Setor Juvenil do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida; e o jornalista Filipe Domingues, doutorando em Ciências Sociais na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, especialista em Ética da Mídia e colaborador do O SÃO PAULO. Além deles, a jornalista Cristiane Murray e o Padre Alberto Montealegre Vieira Neves auxiliarão a Secretaria.

“Tenho expectativas positivas de que este Sínodo trará bons frutos não só para os jovens e a Igreja, e sim para todo o mundo”, disse à reportagem o jovem Lucas Barboza Galhardo, representante do Movimento Schoenstatt Internacional e membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB. Ele foi o único jovem brasileiro nomeado “auditor” do Sínodo – participante com direito a palavra, mas não a voto. “Tenho esperança de que a Igreja encontrará caminhos novos e eficientes para levar o amor e a alegria de Cristo às pessoas”, afirmou.

 

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Os pais nos deram a vida, jamais insultá-los, pediu Francisco

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19 de setembro de 2018

Nunca insultar os pais! “Poderemos começar a honrar nossos pais com a liberdade de filhos adultos e com misericordiosa acolhida de seus limites”, “quando descobrirmos que o verdadeiro enigma não é mais “por que?”, mas “por quem?”” aconteceu isto ou aquilo que forjou a minha vida.

“Honrar pai e mãe”. O quarto mandamento foi o tema da catequese do Papa na Audiência Geral desta quarta-feira, 19, ao dar continuidade a sua série de reflexões sobre o Decálogo. Francisco pediu para nunca insultarmos os pais. Do Brasil estava presente um grupo do Colégio Santo Inácio, de Fortaleza.

 

O sentido de "honrar"

Francisco começou explicando aos 13 mil presentes na Praça São Pedro, numa quarta-feira com tempo instável na Cidade Eterna, o sentido desta “honra”, que em hebraico indica a glória, o valor, a consistência de uma realidade. Portanto, “honrar” significa reconhecer este valor.

Se “honrar a Deus nas Escrituras quer dizer reconhecer a sua realidade, considerar a sua presença”, dando a Ele “seu justo lugar na existência”, honrar pai e mãe quer dizer então “reconhecer a sua importância também com atos concretos, que exprimem dedicação, afeto, cuidado”, mas não só.

“Honra o teu pai e a tua mãe, como te ordenou o Senhor, para que se prolonguem os teus dias e prosperes na terra que te deu o Senhor teu Deus”. O quarto mandamento – explica o Papa - “contém um êxito”, ou seja, “honrar os pais leva a uma vida longa e feliz”.

 

Feridas da infância

De fato, “a palavra “felicidade” no Decálogo aparece somente ligada à relação com os pais”. E essa sabedoria milenar declara o que as ciências humanas conseguiram elaborar somente há pouco mais de um século, isto é,  que as marcas da infância marcam toda a vida:

“Muitas vezes pode ser fácil entender se alguém cresceu em um ambiente saudável e equilibrado. Mas da mesma forma perceber se uma pessoa vem de experiências de abandono ou de violência. A nossa infância é um pouco como uma tinta indelével, se expressa nos gostos, nos modos de ser, mesmo que alguns tentem esconder as feridas de próprias origens”.

 

Reconhecimento por quem nos colocou no mundo

Francisco chama a atenção, que o quarto mandamento não fala da bondade dos pais, nem pede a eles que sejam perfeitos, mas, “fala de um ato dos filhos, independente dos méritos dos genitores, e diz uma coisa extraordinária e libertadora”:

“Mesmo que nem todos os pais sejam bons e nem todas as infâncias sejam serenas, todos os filhos podem ser felizes, porque a realização de uma vida plena e feliz depende do justo reconhecimento para com aqueles que nos colocaram no mundo”.

“A realização de uma vida plena e feliz depende do justo reconhecimento para com aqueles que nos colocaram no mundo”.

 

Exemplo do Santos

O Papa ressalta o quanto este quarto mandamento “pode ser construtivo para tantos jovens que vem de histórias de dor e para todos aqueles que sofreram em sua juventude. Muitos santos - e muitos cristãos - depois de uma infância dolorosa viveram uma vida luminosa, porque, graças a Jesus Cristo, se reconciliaram com a vida:

"Pensemos ao hoje Beato, mas no próximo mês Santo Sulprizio, aquele jovem napolitano que há 19 anos acabou sua vida reconciliado com tantas dores, com tantas coisas, porque seu coração era sereno e jamais havia renegado seus pais. Pensemos em São Camilo de Lellis, que de uma infância desordenada construiu uma vida de amor e serviço; mas pensemos Santa Josefina Bakhita, crescida em uma escravidão horrível; ou ao abençoado Carlo Gnocchi, órfão e pobre; e ao próprio São João Paulo II, marcado pela perda da mãe em tenra idade”.

O homem, qualquer que seja a sua história, “recebe deste mandamento a orientação que conduz a Cristo”, em quem se manifesta de fato “o Pai verdadeiro, que nos oferece renascer do alto”.

“Os enigmas de nossas vidas se iluminam quando se descobre que Deus desde sempre nos preparou a vida como seus filhos, onde cada ato é uma missão dele recebida.”

 

Feridas como potencialidades

As nossas feridas – observou o Santo Padre – iniciam a ser “potencialidades” quando, por graça, descobrimos que o verdadeiro enigma não é mais “por que?”, mas “por quem?”” me aconteceu isto, explicando:

Em vista de qual obra Deus me forjou através da minha história? Aqui tudo se inverte, tudo se torna precioso, tudo se torna construtivo. Então podemos começar a honrar nossos pais com a liberdade de filhos adultos e com misericordiosa acolhida de seus limites”.

“Em vista de qual obra Deus me forjou através da minha história?”

 

Jamais insultar pai e mãe

“Honrar os pais – exortou o Papa.  Nos deram a vida”. E fez um pedido:

“Se você se afastou dos seus pais, mah, faça um esforço e volte, volte para eles. Talvez sejam idosos. Deram a vida a você. E depois, entre nós existe este costume de dizer coisas feias, mesmo palavrões. Por favor. Nunca, nunca, nunca insultar os outros, os pais dos outros. Nunca! Nunca se insulta a mãe, nunca insultar o pai. Nunca! Nunca! Tomem esta decisão interior. A partir de hoje nunca insultarei a mãe ou o pai de quem quer que seja. Nos deram a vida. Nunca devem ser insultados”.

Mas essa vida maravilhosa, disse o Papa Francisco ao concluir, nos é oferta, não imposta. Renascer em Cristo é uma graça a ser acolhida livremente e é o tesouro de nosso Batismo, no qual, por obra do Espírito Santo, um só é o Pai nosso, aquele de céu”.

 

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