Papa exorta novos bispos à proximidade com Deus e com o povo

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12 de setembro de 2019

O Papa Francisco recebeu na manhã desta quinta-feira, 12, no Vaticano, os bispos de recente nomeação participantes do curso anual promovido pelo pelas congregações para os Bispos e para as Igrejas Orientais, entre os dias 4 e 12.

Dos 13 prelados brasileiros participantes estavam Dom José Benedito Cardoso, Bispo Auxiliar de São Paulo nomeado em 23 de janeiro, e o Monsenhor Jorge Pierozan, nomeado Bispo Auxiliar de São Paulo em 24 de julho.

PRÓXIMOS DE DEUS E DO POVO

Em seu discurso, o Santo Padre destacou a palavra “proximidade” como atitude essencial para os bispos.

Francisco explicou que proximidade a Deus é a fonte do ministério do Bispo. Para isso, o Bispo deve cultivar a intimidade com Cristo diariamente na oração. “Somente estando com Jesus somos preservados da presunção pelagiana de que o bem deriva da nossa capacidade”, afirmou o Pontífice.

O Papa também ressaltou a proximidade do bispo com o seu povo. Ele advertiu que a proximidade ao povo não é uma estratégia oportunista, mas a condição essencial do ministro ordenado. “Não é uma obrigação externa, mas uma exigência interna à lógica do dom”, continuou.

DISPONIBILIDADE

Ainda de acordo com Francisco, a proximidade do Bispo, não é retórica, não é feita de anúncios autorreferenciais, mas de disponibilidade real. É preciso deixar-se surpreender e aprender verbos concretos, como ver, cuidar e curar. É colocar-se em jogo e sujar as mãos.

“Por favor, não deixem que prevaleçam os temores pelos riscos do ministério, retraindo-se e mantendo as distâncias”, pediu o Bispo de Roma.

SIMPLICIDADE

O Santo Padre exortou os bispos a levarem uma vida simples testemunhando que Jesus basta em suas vidas. Ele afirmou que são necessários bispos capazes de sentir o palpitar de suas comunidades e de seus sacerdotes, que não se contentem de presenças formais, mas que sejam “apóstolos da escuta”. “Por favor, não se circundem de bajuladores”, recomendou.

Por fim, o Papa encorajou as visitas pastorais regulares e uma proximidade especial aos sacerdotes. “Também eles estão expostos às intempéries de um mundo que, mesmo cansado das trevas, não poupa hostilidade à luz. Eles precisam ser amados, seguidos e encorajados.”

 

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‘A Economia de Francisco’

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19 de julho de 2019

O Vaticano planeja, de 26 a 28 de março de 2020, um encontro de economistas, empresários e outros especialistas da área para pensar sobre como promover um sistema econômico mais humano. O evento ocorrerá na cidade de Assis (Itália), a pedido do Papa Francisco. E, também a pedido dele, muitos jovens comparecerão. As informações sobre o evento serão publicadas no site: www.francescoeconomy.org.
Pensando nisso, O SÃO PAULO conversou com o Padre jesuíta português Andreas Lind, formado em Economia e articulista do site “Ponto SJ”, para entender o que define o ensinamento do Papa Francisco sobre a economia. 

O São Paulo – Qual é o papel do dinheiro na vida do cristão?
Padre Andreas Lind – Jesus nos diz que não é possível servir “a Deus e ao dinheiro” (Mt 6, 24). Se vivermos com o objetivo de fazer cada vez mais dinheiro, usando das nossas forças, dos nossos talentos, das nossas relações, tendo em vista apenas esse fim, caímos na idolatria, porque nos tornamos escravos do dinheiro.
Isso não significa que o dinheiro seja mau em si mesmo, ou que as atividades empresariais lucrativas devam ser rejeitadas. Pelo contrário, devem ser estimuladas e postas a serviço do Reino, onde vigora a lei da caridade. O dinheiro é um meio indispensável para a nossa vida social e para o nosso desenvolvimento coletivo. Devemos saber geri-lo e partilhá-lo em prol do bem comum.

Então, como devemos interpretar a passagem do Evangelho: “é mais fácil passar um camelo numa agulha do que um rico entrar no reino dos céus” (Mt 19,24)?
Eis uma passagem muito discutida pelos exegetas bíblicos, sobretudo no que diz respeito às palavras “agulha” e “camelo”, que provavelmente teriam significados, na cultura de Jesus, que hoje não abarcamos imediatamente.
No entanto, tendo em conta o contexto onde a citação surge, percebemos que essas palavras vêm no seguimento do apelo que Jesus lança ao jovem rico: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me” (Mt 19,21).
Jesus fala da dificuldade dos ricos em entrar no Reino, referindo-se a alguém que tem muito e que não é capaz de partilhar, a ponto de se fechar aos outros e de perder a comunhão com Jesus e com o próximo. Jesus não critica o fato de o jovem rico ter muitas coisas; apenas lamenta a falta de liberdade que o impede de partilhar.

Como podemos definir a “Economia do Papa Francisco”?
O Papa Francisco não pretende substituir os especialistas em economia. Limita-se a anunciar a Doutrina Social da Igreja, nomeadamente o princípio do “destino universal dos bens” e a “opção preferencial pelos pobres”. É por fidelidade à Igreja, e não a uma ideologia política, que o Papa denuncia o perigo de uma “economia que mata” (Evangelii Gaudium 53).
Com isso, ele procura colocar a economia a serviço do desenvolvimento integral do ser humano, em vez de o escravizar em função de um crescimento puramente financeiro, cujos beneficiários são poucos e cujos efeitos podem ser nefastos para as próximas gerações. Francisco não menospreza as potencialidades positivas da “atividade empresarial” (Laudato Si’ 129).
Denuncia apenas o perigo de se absolutizar a racionalidade que procura exclusivamente o lucro, mesmo em detrimento de outros valores que confluem para o desenvolvimento do homem e das suas sociedades. Creio que a influência da teologia argentina do povo explica o distanciamento, da parte de Francisco, quer do liberalismo, quer do socialismo marxista.

Por que a Igreja precisa falar de economia?
Para Marx, a religião é negativa – uma alienação – e nos afasta da realidade presente onde nos situamos: se a fé no Paraíso futuro nos imobilizar na miséria, na injustiça, ou nos incapacitar de lutar pela transformação da realidade presente, então a religião se reduz a um “ópio do povo”. 
Porém, antes de assumir a Cátedra de Pedro, Jorge Mario Bergoglio assumiu a seriedade dessa crítica (como fica claro no livro “Sobre el Cielo y la Tierra”, de 2012), enfatizando que, ao contrário do que diz Marx, a fé, como encontro com Jesus, nos compromete com a justiça no presente. A preocupação da Igreja com as questões econômicas ou políticas brota desse compromisso com o Reino de Deus ao qual Jesus nos chama sempre aqui e agora.

Qual a razão de o Papa convocar esse encontro em Assis?
Em primeiro lugar, inspirado na figura de São Francisco, para quem todas as criaturas eram como irmãs, o encontro “A Economia de Francisco” procura responder à urgência dos nossos tempos: hoje sentimos uma fragilidade coletiva pelo fato de o nosso sistema econômico, aliado a um estilo de vida excessivamente consumista, poder pôr em risco a sustentabilidade do planeta, a nossa “casa comum”.
Em segundo lugar, esse encontro se alarga para além da esfera meramente eclesial, pois a gravidade do problema exige a capacidade de unir sinergias, estabelecendo uma cooperação ou um diálogo entre pessoas de credos diferentes e entre diversas esferas da sociedade. 

Quais as semelhanças entre a Laudato si’, de Francisco, e a Caritas in veritate, de Bento XVI?
Francisco cita muito Bento XVI. Enquanto o atual Papa insiste muito na dimensão da “misericórdia”, o seu predecessor não se cansava de falar no “amor” (caritas). Ambos sonham com a possibilidade do dom, da gratuidade, ter um lugar nas relações econômicas. Concretamente, na Laudato Si’ (LS), a encíclica Caritas in Veritate (CV) é 12 vezes diretamente citada.
Por um lado, ambos chamam a atenção para a necessidade de mudar de “estilo de vida”, apelando à “responsabilidade social dos consumidores”, pois “comprar é sempre um ato moral” (LS, 206; CV, 66).
Por outro lado, em um nível mais macroeconômico, Bento XVI insiste nos temas perenes do atual pontificado: “Como afirmou Bento XVI, na linha desenvolvida até agora pela Doutrina Social da Igreja, «para o governo da economia mundial, para sanar as economias atingidas pela crise de modo a prevenir o agravamento da mesma e consequentes maiores desequilíbrios, para realizar um oportuno e integral desarmamento, a segurança alimentar e a paz, para garantir a salvaguarda do ambiente e para regulamentar os fluxos migratórios, urge a presença de uma verdadeira autoridade política mundial, delineada já pelo meu predecessor, João XXIII»” (LS175).

Como a Igreja nos propõe conciliar as liberdades individuais e a busca pelo bem comum?
Segundo o relato bíblico da Criação, Deus confere ao homem o mandato de “dominar” ou “administrar” os outros seres do mundo (cf. Gn 1, 26-28), por um lado, e, por outro, de agir como um jardineiro que “cultiva” e que “guarda” (cf. Gn 2,15).
A imagem do administrador, complementada com a figura do jardineiro, conduz-nos a um enorme respeito pelo planeta na multiplicidade dos seus seres. Não se trata de “dominar” e de “subjugar” o mundo com desdém, mas de estar afetivamente ligado a toda a criação, deixando-se surpreender pelo dom que é habitar o mundo e viver enquanto homem ou mulher.
Sendo assim filhos de Deus, devemos assumir a responsabilidade de exercer o dom da liberdade que temos na administração dos bens de que dispomos e com os quais vivem

As opiniões expressas na seção “Com a Palavra” são de responsabilidade do entrevistado e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do jornal O SÃO PAULO.

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Papa afirma que educar exige amor

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10 de abril de 2019

No sábado, 6, o Papa Francisco concluiu uma série de audiências ao receber, na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de 2,6 mil estudantes e professores do Colégio São Carlos de Milão, por ocasião dos seus 150 anos de atividades.

Fundada em Milão em 1869, trata-se de uma escola particular, cujo objetivo sempre foi “treinar almas ricas, com uma cultura saudável, preservando-as da falta de religião”. Um de seus alunos mais notáveis foi Achille Ratti, que depois se tornaria o Papa Pio XI.

No lugar do tradicional discurso, Francisco preferiu responder a algumas perguntas do público, formado por alunos, pais e professores.

 

DEUS NÃO FAZ DISTINÇÕES

A primeira pergunta foi feita pelo aluno Adriano: “O que nós e a escola podemos fazer concretamente pelas pessoas menos favorecidas que nós? Por que parece que Deus tem preferências?”

A resposta do Papa foi a seguinte: “Há perguntas que não têm nem terão respostas. Devemos nos habituar a isso (...). Somos nós quem fazemos distinções. Nós somos artífices das diferenças e, inclusive, diferenças de dor, de pobreza. Por que hoje no mundo existem tantas crianças famintas? Por que Deus faz esta distinção? Não! Quem o faz é o sistema econômico injusto.”

“Não se trata de ser comunista” – acrescentou Francisco –, “mas é o ensinamento de Jesus. Devemos sempre fazer perguntas incômodas. Nós cresceremos e nos tornaremos adultos com a inquietação no coração. E depois devemos estar conscientes de que somos nós que fazemos as distinções”.

 

CONCILIAR VALORES

A seguir, uma professora, Sílvia, disse ao Papa: “Como podemos transmitir melhor, aos nossos alunos, os valores enraizados na cultura cristã e conciliá-los com outras culturas?”

Francisco respondeu: “Aqui a palavra-chave é ‘enraizados’. E, para ter raízes, são necessárias duas coisas: consistência e memória. O mal de hoje, segundo os analistas, é – seguindo a escola de Bauman – a liquidez. (...) Regar as raízes com o trabalho, com o confronto com a realidade, mas crescer com a memória das raízes”.

 

EDUCAR COM AMOR

Uma terceira pergunta foi dirigida a Francisco por outra professora, Júlia: “Como nós, educadores e estudantes, podemos dar exemplo e testemunho da nossa nobre, mas difícil tarefa?”

Para o Papa, as palavras-chave são testemunho e sustento. O educador deve confrontar-se continuamente com a realidade, “sujar as mãos”, “arregaçar as mangas”. “O testemunho é não ter medo da realidade.” Já o sustento significa “doçura”. “Não se pode educar sem amor. Não é possível ensinar palavras sem gestos, e o primeiro gesto é o carinho: acariciar os corações, acariciar as almas. E a linguagem da carícia qual é? A persuasão. Educa-se não com escribas, não com segurança, mas com a paciência da persuasão. ”

 

'SÍNDROME DO NINHO VAZIO'

Por fim, a mãe de um aluno, Marta, também dirigiu sua palavra ao Papa, pedindo um parecer a respeito de como acompanhar e orientar seus filhos em suas escolhas futuras.

Francisco aconselhou os pais a não sofrerem da “síndrome do ninho vazio”. “Vocês, pais, não devem ter medo da solidão, não tenham medo! É uma solidão fecunda. E pensem nos muitos filhos que estão crescendo e estão fazendo outros ninhos, culturais, científicos, de comunhão política e social. É preciso proximidade com os filhos para ajudá-los a caminhar.”

Fonte: Vatican News
 

Francisco: ‘a Crisma é o sacramento da fortaleza, não do adeus à Igreja’

A tarde de domingo, 7, foi de oração, reflexão e festa para os fiéis da paróquia romana de São Júlio, situada no bairro de Monteverde, que recebeu a visita do Papa Francisco.

Ao responder a algumas perguntas, sendo uma delas a respeito das dúvidas acerca da fé, afirmou: “Devemos apostar numa coisa: na fidelidade de Jesus. Jesus é fiel, o único totalmente fiel. Não devemos ter medo da fidelidade”, disse o Papa a uma animadora catequética.

“Ensine os jovens a duvidar. Em Roma, diz-se que a Crisma é o sacramento do adeus; isso acontece porque os jovens não sabem como administrar as dúvidas. Mas a Crisma deve ser o sacramento da fortaleza que o Espírito Santo nos dá.”

O Papa confidenciou que chegou a duvidar da fé diante das calamidades e dos acontecimentos de sua vida, mas afirmou que não se sai sozinho das dúvidas, que é necessário a companhia de uma pessoa que ajude a ir avante, além da intimidade com Jesus.

Fonte: Vatican News
 

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Papa vai ao Marrocos e reforça os laços entre cristãos e muçulmanos

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10 de abril de 2019

Em uma viagem de dois dias durante o fim de semana, 30 e 31 de março, o Papa Francisco celebrou a maior missa na história do Marrocos, para 10 mil fiéis. Na ocasião, o Pontífice encontrou-se com migrantes, assinou uma declaração conjunta com o rei do País, Mohammed VI, sobre o valor religioso da cidade de Jerusalém e reforçou os laços de amizade e irmandade com a comunidade muçulmana.

 

MISSA NO GINÁSIO MOULAY ABDELLAH

Ao refletir sobre o Evangelho que narra a história do “filho pródigo”, no domingo, 31, na cidade de Rabat, o Santo Padre apontou para a frequente incapacidade de as pessoas perdoarem os irmãos, assim como falhas em garantir “que ninguém fique de fora”. No entanto, conforme a parábola, o pai é misericordioso com o filho que esteve distante, pecador, mas que resolve voltar e se reunir à família.

“São tantas as circunstâncias que podem alimentar divisão e confronto, são inegáveis as situações que podem nos levar a nos dividirmos”, pois “a experiência nos diz que o ódio, a divisão e a vingança só conseguem matar a alma dos nossos povos, envenenar a esperança de nossos filhos e levar consigo tudo o que amamos”.

 

COM OS IMIGRANTES

Os cristãos chegaram ao Marrocos pela primeira vez entre o segundo e o terceiro séculos, mas hoje restou apenas uma pequena minoria no País, que é majoritariamente muçulmano.

Logo depois de ter sido acolhido pelo rei marroquino, o Papa se reuniu com migrantes acolhidos por centros da Caritas no País. A maioria dos migrantes provém de outros países africanos, visto que o Marrocos está localizado no norte da África. Muitos partem dali na travessia do Mediterrâneo rumo à Europa.

Na ocasião, o Papa agradeceu aos missionários que ajudam os migrantes no Marrocos e ouviu testemunhos. Francisco chamou o fenômeno das migrações de “uma grande ferida” do século XXI. “Não queremos que a indiferença e o silêncio sejam a nossa palavra”, disse.

O Papa lembrou, ainda, da Conferência de Marrakesh, realizada em dezembro de 2018, na qual adotou-se um pacto global, após 18 meses de negociações, para que as migrações sejam “seguras, ordenadas e regulares”. Ele insistiu: “O que está em jogo é o rosto que queremos dar a nós mesmos, como sociedade, e o valor de cada vida [humana]”.

 

JERUSALÉM, CIDADE SANTA

Também no sábado, Francisco assinou uma declaração conjunta com o rei Mohammed VI, na qual ambos reconhecem o inigualável valor religioso da cidade de Jerusalém para as três principais religiões monoteístas: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo.

“Consideramos importante preservar a cidade santa de Jerusalém/Al Qods Acharif como patrimônio comum da humanidade e, sobretudo, para os fiéis das três religiões”, diz o texto, demonstrando o desejo de que a cidade permaneça sendo local “de encontro e símbolo de coexistência pacífica”. Por sua riqueza histórica, cultural e religiosa, Jerusalém é tida como uma cidade de “peculiar identidade”. O Papa e o rei muçulmano pedem que o acesso à cidade seja garantido a todos os fiéis das três religiões.

 

OUTROS ENCONTROS

Como de praxe, o Santo Padre se reuniu com autoridades locais, civis e religiosas, membros do clero e pessoas consagradas que atuam no Marrocos. Ele também visitou uma obra social administrada pela Congregação das Filhas da Caridade.

Aos consagrados, recordou a importância de difundir a fé cristã não só por meio do convencimento ou proselitismo, mas especialmente por meio do testemunho de vida. Entre os missionários que cumprimentou, estava o monge trapista Jean-Pierre Schumacher, o único sobrevivente do famoso massacre de Tibhirine, na Argélia, quando sete monges foram assassinados brutalmente dentro do mosteiro, durante a guerra civil, em 1996.

 

CONSTRUIR PONTES, NÃO MUROS

Durante o voo de retorno a Roma, no domingo, o Papa concedeu a tradicional coletiva de imprensa. Conforme transcrição publicada por Andrea Tornielli no site Vatican News, Francisco comentou a relação entre cristãos e muçulmanos, a questão migratória, o problema dos abusos sexuais e de poder cometidos por membros do clero, e os riscos do surgimento de novas ditaduras políticas.

A frase que mais repercutiu na imprensa internacional diz respeito à fraternidade entre cristãos e muçulmanos. “Ainda há dificuldades”, reconheceu, dizendo que em todas as religiões há grupos extremistas. Porém, “quem constrói muros terminará prisioneiro dos muros que construiu. Em vez disso, aqueles que constroem pontes seguirão em frente”, declarou.

 

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‘Cristo vive’: jovens são o destaque em nova exortação apostólica de Francisco

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03 de abril de 2019

“Cristo vive: é Ele a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida. Por isso, as primeiras palavras, que quero dirigir a cada jovem cristão, são estas: Ele vive e quer-te vivo!”

Assim começa a mais recente Exortação Apostólica pós-sinodal do Papa Francisco, Christus vivit (em Português, “Cristo vive”), divulgada intencionalmente pelo Vaticano, na terça-feira, 2, quando se fez memória dos 14 anos da morte de São João Paulo II. O documento, composto por nove capítulos divididos em 299 parágrafos, é destinado “aos jovens e a todo o povo de Deus”. Sua intenção é desafiar as novas gerações a sair de si mesmas e se entregar “aos outros”, de maneira altruísta e fecunda. Além disso, também quer suscitar na juventude a descoberta da própria vocação.

O documento é fruto da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, ocorrida em outubro de 2018, que tratou da relação entre os jovens e a Igreja Católica. Sua realização foi precedida por pesquisas globais abrangentes, oportunidades para ouvir e acolher a opinião de milhares de pessoas do mundo todo, de diversas realidades e locais, entre crentes e não crentes, e, assim, esboçar um panorama dos anseios dos jovens da atualidade.

 

ANSEIOS

O Papa destaca que os jovens desejam uma Igreja que “escute mais” e que não tenha uma postura de levar uma vida inteira a “condenar o mundo”. A juventude atual também espera que a Igreja seja capaz, entre outros temas, “de dar atenção às legítimas reivindicações das mulheres, que pedem mais justiça e igualdade”. [...] “Peçamos ao Senhor que liberte a Igreja daqueles que a querem envelhecer”, acrescenta.

Francisco se dirige aos jovens em tom de confissão, a respeito de sua própria história de vida: “Quando iniciei o Francisco assinala, ainda, que no desenvolver da vida de cada jovem não está a preocupação em “ganhar mais dinheiro”, fama ou prestígio social, mas um sentido para a vida, que pode incluir “a possibilidade da consagração a Deus no sacerdócio, na vida religiosa ou em outras formas”

A vocação laical é, sobretudo, “a caridade na família, a caridade social e a caridade política: é um compromisso concreto a partir da fé para a construção de uma sociedade nova, é viver no meio do mundo e da sociedade para evangelizar as suas diversas instâncias, para fazer crescer a paz, a convivência, a justiça, os direitos humanos, a misericórdia e, assim, estender o Reino de Deus no mundo”

 

JMJ E PATORAL DA JUVENTUDE

O Pontífice também mostra a importância das Jornadas Mundiais da Juventude para o trabalho desenvolvido pela Pastoral da Juventude, insistindo que “esta seja uma pastoral sinodal, em que os próprios jovens sejam agentes por meio de duas linhas de ação: a busca do jovem de uma maneira atrativa e concreta, privilegiando a gramática do amor desinteressado e da proximidade, e não o proselitismo; e a importância de ajudar o jovem a crescer, sem doutriná-lo, mas de acompanhá-lo na sua caminhada de fé. Buscar e crescer: ajudando o jovem em diferentes ambientes a ter uma experiência de família”.

 

MARIA COMO MODELO

A Exortação destaca ainda um conjunto de personagens bíblicos que assumiram o protagonismo na sua juventude e 12 jovens santos e beatos, para mostrar que os mais novos são “o presente”, num mundo em que a realidade é cada vez mais plural.

Dentre eles, além de Jesus, merece atenção o legado deixado pela Virgem Maria. O Santo Padre apresenta Maria como “o grande modelo para uma Igreja jovem”, cujo “sim” ao anjo não foi uma aceitação passiva ou resignada, como um “provemos para ver o que acontece”. A Virgem “era determinada: compreendeu do que se tratava e disse ‘sim’, sem rodeios de palavras”, afirmou.

Nesse sentido, o Papa assegura aos jovens que a resposta de Maria “foi o ‘sim’ de quem quer comprometer-se e arriscar, de quem quer apostar tudo, sem ter outra garantia para além da certeza de saber que é portadora de uma promessa”. [...] “Uma missão difícil, mas as dificuldades não eram motivo para dizer ‘não’”.

“Com certeza teria complicações” – indicou Francisco –, “mas não haveriam de ser idênticas às que se verificam quando a covardia nos paralisa por não vermos, antecipadamente, tudo claro ou garantido. Maria não comprou um seguro de vida! Maria embarcou no jogo e, por isso, é forte, é uma ‘influenciadora’, é a ‘influenciadora’ de Deus! O ‘sim’ e o desejo de servir foram mais fortes do que as dúvidas e dificuldades”.

 

SER PARA OS OUTROS

O texto observa que o “ser para os outros”, na vida de cada jovem, está normalmente relacionado com duas questões básicas, a família e o trabalho, que exigem a atenção das comunidades católicas no acompanhamento das novas gerações. “Os jovens sentem fortemente o apelo do amor e sonham encontrar a pessoa adequada com quem formar uma família e construir uma vida juntos.”

“Procuras intensidade? Não a viverás acumulando objetos, gastando dinheiro, correndo, desesperado, atrás de coisas deste mundo. Chegar-te-á de uma forma muito mais bela e satisfatória se te deixares impulsionar pelo Espírito Santo.” O Papa questiona a “cultura do provisório” e espera que os jovens vivam o “amor a sério”, rejeitando o individualismo.

 

SEXUALIDADE

O Pontífice aponta o dedo ao que denomina como “colonização ideológica” relativa à sexualidade, ao Matrimônio, à vida ou à justiça social, em vários países. “Num mundo que valoriza excessivamente a sexualidade, é difícil manter uma boa relação com o próprio corpo e viver serenamente as relações afetivas”, observa.

Retomando o que foi dito no Sínodo 2018, Francisco admite que a moral sexual pode ser, muitas vezes, “causa de incompreensão e de afastamento da Igreja, visto que é percebida como um espaço de julgamento e de condenação” pelos mais novos. Ao mesmo tempo, prossegue, os jovens manifestam “um desejo explícito de se confrontarem sobre as questões relativas à diferença entre identidade masculina e feminina, à reciprocidade entre homens e mulheres e à homossexualidade”.

A Exortação convida a superar “tabus” sobre o sexo e a sexualidade, que são apresentados como “um dom de Deus”, com o propósito de “amar-se e gerar vida”.

“A Igreja precisa do vosso entusiasmo, das vossas intuições, da vossa fé. Fazeinos falta! E, quando chegardes aonde nós ainda não chegamos, tende paciência para esperar por nós”, conclui o Papa.

 

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Documento do Papa aos jovens: Deus os ama e a Igreja necessita da juventude

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02 de abril de 2019

“Cristo vive: é Ele a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida. Por isso as primeiras palavras, que quero dirigir a cada jovem cristão, são estas: Ele vive e quer-te vivo!”

Assim começa a Exortação Apostólica pós-sinodal "Christus vivit" do Papa Francisco, assinada segunda-feira, 25 de março, na Santa Casa de Loreto, e dirigida “aos jovens e a todo o povo de Deus”.

No documento, composto por nove capítulos divididos em 299 parágrafos, o Papa explica que se deixou “inspirar pela riqueza das reflexões e diálogos do Sínodo dos jovens”, celebrado no Vaticano em outubro de 2018.

 

A vida de Cristo

Francisco aborda o tema dos primeiros anos de Jesus. Para ele, estes aspectos de Sua vida não deveriam ser ignorados na pastoral juvenil, “para não criar projetos que isolem os jovens da família e do mundo”.

O Pontífice retoma um de seus ensinamentos e explica que é necessário apresentar a figura de Jesus “de modo atraente e eficaz” e diz: “Por isso é necessário que a Igreja não esteja demasiado debruçada sobre si mesma, mas procure sobretudo refletir Jesus Cristo. Isto implica reconhecer humildemente que algumas coisas concretas devem mudar”.

Na Exortação, se reconhece que há jovens que sentem a presença da Igreja “como importuna e até mesmo irritante”. Há jovens que “reclamam uma Igreja que escute mais, que não passe o tempo a condenar o mundo. Não querem ver uma Igreja calada e tímida, mas tampouco desejam que esteja sempre em guerra por dois ou três assuntos que a obcecam”.

Sobre a realidade juvenil, o Papa recorda os jovens que vivem em contextos de guerra, explorados e vítimas de sequestros, criminalidade organizada, tráfico de seres humanos, escravidão e exploração sexual, estupros. “Não podemos ser uma Igreja que não chora à vista destes dramas dos seus filhos jovens. Não devemos jamais habituar-nos a isto”, escreve.

Acenando a “desejos, feridas e buscas”, Francisco fala da sexualidade: “num mundo que destaca excessivamente a sexualidade, é difícil manter uma boa relação com o próprio corpo e viver serenamente as relações afetivas”, mas lamenta que os jovens vejam na Igreja um espaço de julgamento e condenação.

A Exortação se detém em seguida sobre o tema do “ambiente digital”, que criou “uma nova maneira de comunicar”, mas é também um território de solidão, manipulação, exploração e violência. “A reputação das pessoas é comprometida através de processos sumários on-line. O fenômeno diz respeito também à Igreja e seus pastores.”

 

Migração, proteção dos menores, empenho social

Outro tema tocado pelo Pontífice são os migrantes e como os jovens estão diretamente envolvidos nas migrações. O Papa os alerta para a difusão de uma mentalidade xenófoba, contrapondo-os entre si.

O Papa fala também dos abusos sobre menores e expressa gratidão “a quantos têm a coragem de denunciar o mal sofrido”.

O abuso não é o único pecado dos membros da Igreja, recorda o Papa. Mas ela não recorre a cirurgias estéticas. “Lembremo-nos, porém, que não se abandona a Mãe quando está ferida.” Com a ajuda preciosa dos jovens, este momento pode ser uma oportunidade “para uma reforma de alcance histórico para se abrir a um novo Pentecostes”.

A todos os jovens, o Papa anuncia três grandes verdades. A primeira: “Deus que é amor”. A segunda: “Cristo salva-te”. A terceira verdade é que “Ele vive!”. Nestas verdades, aparece o Pai e aparece Jesus. E onde estão o Pai e Jesus, também está o Espírito Santo, escreve Francisco, aconselhando os jovens a invocarem todos os dias o Espírito Santo: “Não perdes nada e Ele pode mudar a tua vida”.

Francisco recorda ainda que a juventude não pode ser um “tempo suspenso”, porque é “a idade das escolhas”, por isso é importante buscar «um desenvolvimento espiritual. O Papa propõe “percursos de fraternidade” e a importância de ser jovens comprometidos, que buscam o bem comum.

“O empenho social e o contato direto com os pobres continuam a ser uma oportunidade fundamental para descobrir ou aprofundar a fé e para discernir a própria vocação”. Em outras palavras, os jovens são chamados a ser “missionários corajosos”.

Não poderia faltar a referência à “relação com os idosos”. Se “os jovens se enraizarem nos sonhos dos idosos, conseguem ver o futuro”. É preciso, portanto, “arriscar juntos”.

 

Pastoral juvenil

Um inteiro capítulo é dedicado à “Pastoral dos jovens”. A pastoral juvenil precisa de adquirir outra flexibilidade, explica, sendo um espaço onde não só recebam uma formação, mas lhes permitam também compartilhar a vida.

Serve “uma pastoral juvenil popular”, “mais ampla e flexível que estimula, nos distintos lugares onde se movem concretamente os jovens, as lideranças naturais e os carismas que o Espírito Santo já semeou entre eles”.

Outro ponto fundamental é o discernimento, seja para a vida familiar, seja para a consagração a Deus.

No que diz respeito ao trabalho, o Papa recorda que “é uma necessidade, faz parte do sentido da vida nesta terra, é caminho de maturação, desenvolvimento humano e realização pessoal”.

A Exortação se conclui com “um desejo” do Papa Francisco:

“ “Queridos jovens, ficarei feliz vendo-vos correr mais rápido do que os lentos e medrosos. Correi atraídos por aquele Rosto tão amado, que adoramos na sagrada Eucaristia e reconhecemos na carne do irmão que sofre…A Igreja precisa do vosso ímpeto, das vossas intuições, da vossa fé...E quando chegardes aonde nós ainda não chegamos, tende a paciência de esperar por nós”. ”

 

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Ajuda humanitária a Moçambique, Malawi e Zimbábue

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28 de março de 2019

O Papa Francisco doou 150 mil euros (R$ 660 mil) a Moçambique, Zimbábue e Malawi, três países africanos duramente atingidos pelo ciclone Idai. Regiões foram devastadas e o número de mortos pode chegar aos milhares. Há pelo menos 1 milhão de pessoas desabrigadas, feridas ou que passam fome.

De acordo com o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, por meio do qual foi enviada a doação, a cidade de Beira, em Moçambique, foi arrasada pelo ciclone, que comprometeu redes hídricas, elétricas e sanitárias.

O Papa expressou sua dor e “confia as vítimas e famílias à misericórdia de Deus”. Diversas instituições da Igreja precisam de dinheiro para a reconstrução dos lugares, entre elas a Cáritas e a Fazenda da Esperança, que recebem doações em seus sites ou por depósitos bancários.

 

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Papa assina carta para os jovens: ‘Cristo vive’

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28 de março de 2019

Em visita ao Santuário Mariano de Loreto, na Itália, o Papa Francisco assinou um documento dedicado especialmente aos jovens. Christus vivit, em Latim, ou “Cristo vive”, em Português, é uma exortação apostólica póssinodal na forma de uma carta aos jovens de hoje.

Embora tenha sido assinado na segunda-feira, 25, o documento só será publicado em 2 de abril. É a data do aniversário de morte de São João Paulo II, escolha proposital que, segundo o porta-voz do Vaticano, Alessandro Gisotti, demonstra o importante laço entre dois pontífices muito amados pela juventude.

 

NOS PASSOS DO SÍNODO

A exortação é o principal resultado documental da reflexão do Sínodo dos Bispos sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. A assembleia geral foi realizada em outubro de 2018, mas o debate começou ao menos um ano antes.

Esse também foi o primeiro Sínodo que incluiu uma reunião pré-sinodal, na qual 300 jovens foram a Roma e deixaram um documento que serviu de base para o Sínodo. Agora, espera-se que cada igreja particular – dioceses, paróquias, movimentos – também leve o tema da juventude ao centro dos encontros e aplique os resultados do Sínodo.

O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida já está organizando um evento pós-sinodal: uma conferência a ser realizada em junho deste ano, na Itália, reunindo jovens indicados pelos bispos de vários países, visando a concretizar as diretrizes do Sínodo.

 

NAS MÃOS DE MARIA

Francisco escolheu assinar o texto em Loreto (foto) e colocar nas mãos de Maria os jovens do mundo inteiro. No famoso santuário italiano, há uma chamada “casa de Maria”, venerada por muitos fiéis como residência da Virgem. Segundo uma tradição popular local, a casa de Maria foi levada pelos anjos da Terra Santa até a Itália.

Nesse local, disse o Papa, vê-se claramente que Maria continua a falar para todas as gerações, acompanhando cada um na busca da própria vocação. “Por isso, eu quis assinar aqui a exortação apostólica, fruto do Sínodo dedicado aos jovens”, mencionou durante a missa.

 

LEVAR O EVANGELHO A TODOS

“No evento da Anunciação, aparece a dinâmica da vocação expressa nos três momentos que marcaram o Sínodo: escuta da Palavra-projeto de Deus; discernimento; e decisão”, disse. A “casa de Maria”, continuou, também é casa das famílias e dos doentes.

“Deus, por meio de Maria, confia- -nos uma missão neste tempo: levar o Evangelho da paz e da vida aos nossos contemporâneos, frequentemente distraídos, atraídos por interesses terrenos ou imersos em um clima de aridez espiritual”, afirmou o Papa.

“Precisamos de pessoas simples, sábias, humildes e corajosas, pobres e generosas”, como Maria, “que acolham o Evangelho sem reservas na própria vida”, completou.

 

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Papa e Grande Imã fazem compromisso de fraternidade

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07 de fevereiro de 2019

Um documento assinado pelo Papa Francisco e pelo Grande Imã de Al-Azhar, Ahmed Muhammad Ahmed el-Tayeb, convida todas as pessoas de fé a se unirem na “fraternidade humana” e a trabalharem juntos pela paz e pela convivência comum.

“É um passo de grande importância no diálogo entre cristãos e muçulmanos e um poderoso sinal de paz e de esperança para o futuro da humanidade”, disse o porta-voz do Vaticano, Alessandro Gisotti. O texto é, ainda, “um apelo a responder ao mal com o bem, reforçar o diálogo inter-religioso e promover o respeito recíproco”

A declaração conjunta foi assinada durante a viagem de dois dias do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos, na segunda-feira, 4. Esta é a primeira visita de um Pontífice à Península Arábica na história. O objetivo é, sobretudo, reforçar os laços de irmandade entre as duas religiões e trilhar caminhos de paz e reconciliação. A viagem inclui a maior missa da história do país, na terça-feira, 5.

O primeiro parágrafo do documento diz que “a fé leva aquele que crê a ver no outro um irmão a apoiar e amar”. Portanto, por crer em um Deus criador de todas as coisas, aquele que crê é chamado a demonstrar a “irmandade humana”, cuidando da Criação e de toda pessoa, “especialmente as mais necessitadas e pobres”

“Pedimos a nós mesmos e aos líderes do mundo, aos artífices da política internacional e da economia mundial, que se empenhem seriamente para difundir a cultura da tolerância, da convivência e da paz”, escrevem os dois líderes religiosos. “Intervenham, o quanto antes possível, para interromper o derramamento de sangue inocente, e ponham fim às guerras, aos conflitos, à degradação ambiental e ao declínio cultural e moral que o mundo atual vive.”

Em nota à imprensa, o porta-voz do Vaticano acrescentou: “Com palavras inequívocas, o Papa e o Grande Imã advertem que ninguém está jamais autorizado a instrumentalizar o nome de Deus para justificar a guerra, o terrorismo e qualquer outra forma de violência. Eles insistem que a vida deve sempre ser protegida”, diz Gisotti.

 

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Papa Francisco chegou ao Panamá

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24 de janeiro de 2019

A espera terminou. O Panamá está em festa com a chegada do Papa Francisco. Momento esperado pelos panamenhos e por milhares de jovens provenientes de todas as partes do mundo, reunidos para participar da Jornada Mundial da Juventude.

O sorriso é o primeiro presente do Papa Francisco ao Panamá. Depois de quase 13 horas de voo, o Papa desceu do avião acolhido pelo calor de dois mil jovens - a juventude do papa, como gostam de cantar em coro - e um vento quente que acariciou o seu rosto. O abraço do país está nas cores das bandeiras, em numa faixa que sublinha como o Panamá está pronto para receber Francisco com alegria.

O Papa Francisco chegou ao Panamá para a sua vigésima sexta viagem internacional. O avião papal pousou no aeroporto internacional de Tocumen, onde o Pontífice foi acolhido pelo Presidente da República Juan Carlos Varela, por todos os bispos do Panamá. Duas crianças, em hábitos tradicionais, ofereceram flores a Francisco. Um momento de festa sem discursos oficiais, somente os hinos oficiais do Vaticano e do Panamá.

Deixando o aeroporto, o Papa se dirigiu para a Nunciatura Apostólica do Panamá, percorrendo cerca de 28 Km. Nestes dias de permanência em terras panamenhas o Papa será hóspede da Nunciatura. Milhares de pessoas ao longo das avenidas para saudar o Santo Padre.

O primeiro compromisso de Francisco nesta quinta-feira será no palácio presidencial, por ocasião da visita de cortesia ao presidente da República, onde fará o seu primeiro discurso. Ainda o encontro com os bispos e a cerimônia oficial de abertura da Jornada Mundial da Juventude.

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