Papa afirma que educar exige amor

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10 de abril de 2019

No sábado, 6, o Papa Francisco concluiu uma série de audiências ao receber, na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de 2,6 mil estudantes e professores do Colégio São Carlos de Milão, por ocasião dos seus 150 anos de atividades.

Fundada em Milão em 1869, trata-se de uma escola particular, cujo objetivo sempre foi “treinar almas ricas, com uma cultura saudável, preservando-as da falta de religião”. Um de seus alunos mais notáveis foi Achille Ratti, que depois se tornaria o Papa Pio XI.

No lugar do tradicional discurso, Francisco preferiu responder a algumas perguntas do público, formado por alunos, pais e professores.

 

DEUS NÃO FAZ DISTINÇÕES

A primeira pergunta foi feita pelo aluno Adriano: “O que nós e a escola podemos fazer concretamente pelas pessoas menos favorecidas que nós? Por que parece que Deus tem preferências?”

A resposta do Papa foi a seguinte: “Há perguntas que não têm nem terão respostas. Devemos nos habituar a isso (...). Somos nós quem fazemos distinções. Nós somos artífices das diferenças e, inclusive, diferenças de dor, de pobreza. Por que hoje no mundo existem tantas crianças famintas? Por que Deus faz esta distinção? Não! Quem o faz é o sistema econômico injusto.”

“Não se trata de ser comunista” – acrescentou Francisco –, “mas é o ensinamento de Jesus. Devemos sempre fazer perguntas incômodas. Nós cresceremos e nos tornaremos adultos com a inquietação no coração. E depois devemos estar conscientes de que somos nós que fazemos as distinções”.

 

CONCILIAR VALORES

A seguir, uma professora, Sílvia, disse ao Papa: “Como podemos transmitir melhor, aos nossos alunos, os valores enraizados na cultura cristã e conciliá-los com outras culturas?”

Francisco respondeu: “Aqui a palavra-chave é ‘enraizados’. E, para ter raízes, são necessárias duas coisas: consistência e memória. O mal de hoje, segundo os analistas, é – seguindo a escola de Bauman – a liquidez. (...) Regar as raízes com o trabalho, com o confronto com a realidade, mas crescer com a memória das raízes”.

 

EDUCAR COM AMOR

Uma terceira pergunta foi dirigida a Francisco por outra professora, Júlia: “Como nós, educadores e estudantes, podemos dar exemplo e testemunho da nossa nobre, mas difícil tarefa?”

Para o Papa, as palavras-chave são testemunho e sustento. O educador deve confrontar-se continuamente com a realidade, “sujar as mãos”, “arregaçar as mangas”. “O testemunho é não ter medo da realidade.” Já o sustento significa “doçura”. “Não se pode educar sem amor. Não é possível ensinar palavras sem gestos, e o primeiro gesto é o carinho: acariciar os corações, acariciar as almas. E a linguagem da carícia qual é? A persuasão. Educa-se não com escribas, não com segurança, mas com a paciência da persuasão. ”

 

'SÍNDROME DO NINHO VAZIO'

Por fim, a mãe de um aluno, Marta, também dirigiu sua palavra ao Papa, pedindo um parecer a respeito de como acompanhar e orientar seus filhos em suas escolhas futuras.

Francisco aconselhou os pais a não sofrerem da “síndrome do ninho vazio”. “Vocês, pais, não devem ter medo da solidão, não tenham medo! É uma solidão fecunda. E pensem nos muitos filhos que estão crescendo e estão fazendo outros ninhos, culturais, científicos, de comunhão política e social. É preciso proximidade com os filhos para ajudá-los a caminhar.”

Fonte: Vatican News
 

Francisco: ‘a Crisma é o sacramento da fortaleza, não do adeus à Igreja’

A tarde de domingo, 7, foi de oração, reflexão e festa para os fiéis da paróquia romana de São Júlio, situada no bairro de Monteverde, que recebeu a visita do Papa Francisco.

Ao responder a algumas perguntas, sendo uma delas a respeito das dúvidas acerca da fé, afirmou: “Devemos apostar numa coisa: na fidelidade de Jesus. Jesus é fiel, o único totalmente fiel. Não devemos ter medo da fidelidade”, disse o Papa a uma animadora catequética.

“Ensine os jovens a duvidar. Em Roma, diz-se que a Crisma é o sacramento do adeus; isso acontece porque os jovens não sabem como administrar as dúvidas. Mas a Crisma deve ser o sacramento da fortaleza que o Espírito Santo nos dá.”

O Papa confidenciou que chegou a duvidar da fé diante das calamidades e dos acontecimentos de sua vida, mas afirmou que não se sai sozinho das dúvidas, que é necessário a companhia de uma pessoa que ajude a ir avante, além da intimidade com Jesus.

Fonte: Vatican News
 

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Papa vai ao Marrocos e reforça os laços entre cristãos e muçulmanos

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10 de abril de 2019

Em uma viagem de dois dias durante o fim de semana, 30 e 31 de março, o Papa Francisco celebrou a maior missa na história do Marrocos, para 10 mil fiéis. Na ocasião, o Pontífice encontrou-se com migrantes, assinou uma declaração conjunta com o rei do País, Mohammed VI, sobre o valor religioso da cidade de Jerusalém e reforçou os laços de amizade e irmandade com a comunidade muçulmana.

 

MISSA NO GINÁSIO MOULAY ABDELLAH

Ao refletir sobre o Evangelho que narra a história do “filho pródigo”, no domingo, 31, na cidade de Rabat, o Santo Padre apontou para a frequente incapacidade de as pessoas perdoarem os irmãos, assim como falhas em garantir “que ninguém fique de fora”. No entanto, conforme a parábola, o pai é misericordioso com o filho que esteve distante, pecador, mas que resolve voltar e se reunir à família.

“São tantas as circunstâncias que podem alimentar divisão e confronto, são inegáveis as situações que podem nos levar a nos dividirmos”, pois “a experiência nos diz que o ódio, a divisão e a vingança só conseguem matar a alma dos nossos povos, envenenar a esperança de nossos filhos e levar consigo tudo o que amamos”.

 

COM OS IMIGRANTES

Os cristãos chegaram ao Marrocos pela primeira vez entre o segundo e o terceiro séculos, mas hoje restou apenas uma pequena minoria no País, que é majoritariamente muçulmano.

Logo depois de ter sido acolhido pelo rei marroquino, o Papa se reuniu com migrantes acolhidos por centros da Caritas no País. A maioria dos migrantes provém de outros países africanos, visto que o Marrocos está localizado no norte da África. Muitos partem dali na travessia do Mediterrâneo rumo à Europa.

Na ocasião, o Papa agradeceu aos missionários que ajudam os migrantes no Marrocos e ouviu testemunhos. Francisco chamou o fenômeno das migrações de “uma grande ferida” do século XXI. “Não queremos que a indiferença e o silêncio sejam a nossa palavra”, disse.

O Papa lembrou, ainda, da Conferência de Marrakesh, realizada em dezembro de 2018, na qual adotou-se um pacto global, após 18 meses de negociações, para que as migrações sejam “seguras, ordenadas e regulares”. Ele insistiu: “O que está em jogo é o rosto que queremos dar a nós mesmos, como sociedade, e o valor de cada vida [humana]”.

 

JERUSALÉM, CIDADE SANTA

Também no sábado, Francisco assinou uma declaração conjunta com o rei Mohammed VI, na qual ambos reconhecem o inigualável valor religioso da cidade de Jerusalém para as três principais religiões monoteístas: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo.

“Consideramos importante preservar a cidade santa de Jerusalém/Al Qods Acharif como patrimônio comum da humanidade e, sobretudo, para os fiéis das três religiões”, diz o texto, demonstrando o desejo de que a cidade permaneça sendo local “de encontro e símbolo de coexistência pacífica”. Por sua riqueza histórica, cultural e religiosa, Jerusalém é tida como uma cidade de “peculiar identidade”. O Papa e o rei muçulmano pedem que o acesso à cidade seja garantido a todos os fiéis das três religiões.

 

OUTROS ENCONTROS

Como de praxe, o Santo Padre se reuniu com autoridades locais, civis e religiosas, membros do clero e pessoas consagradas que atuam no Marrocos. Ele também visitou uma obra social administrada pela Congregação das Filhas da Caridade.

Aos consagrados, recordou a importância de difundir a fé cristã não só por meio do convencimento ou proselitismo, mas especialmente por meio do testemunho de vida. Entre os missionários que cumprimentou, estava o monge trapista Jean-Pierre Schumacher, o único sobrevivente do famoso massacre de Tibhirine, na Argélia, quando sete monges foram assassinados brutalmente dentro do mosteiro, durante a guerra civil, em 1996.

 

CONSTRUIR PONTES, NÃO MUROS

Durante o voo de retorno a Roma, no domingo, o Papa concedeu a tradicional coletiva de imprensa. Conforme transcrição publicada por Andrea Tornielli no site Vatican News, Francisco comentou a relação entre cristãos e muçulmanos, a questão migratória, o problema dos abusos sexuais e de poder cometidos por membros do clero, e os riscos do surgimento de novas ditaduras políticas.

A frase que mais repercutiu na imprensa internacional diz respeito à fraternidade entre cristãos e muçulmanos. “Ainda há dificuldades”, reconheceu, dizendo que em todas as religiões há grupos extremistas. Porém, “quem constrói muros terminará prisioneiro dos muros que construiu. Em vez disso, aqueles que constroem pontes seguirão em frente”, declarou.

 

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‘Cristo vive’: jovens são o destaque em nova exortação apostólica de Francisco

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03 de abril de 2019

“Cristo vive: é Ele a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida. Por isso, as primeiras palavras, que quero dirigir a cada jovem cristão, são estas: Ele vive e quer-te vivo!”

Assim começa a mais recente Exortação Apostólica pós-sinodal do Papa Francisco, Christus vivit (em Português, “Cristo vive”), divulgada intencionalmente pelo Vaticano, na terça-feira, 2, quando se fez memória dos 14 anos da morte de São João Paulo II. O documento, composto por nove capítulos divididos em 299 parágrafos, é destinado “aos jovens e a todo o povo de Deus”. Sua intenção é desafiar as novas gerações a sair de si mesmas e se entregar “aos outros”, de maneira altruísta e fecunda. Além disso, também quer suscitar na juventude a descoberta da própria vocação.

O documento é fruto da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, ocorrida em outubro de 2018, que tratou da relação entre os jovens e a Igreja Católica. Sua realização foi precedida por pesquisas globais abrangentes, oportunidades para ouvir e acolher a opinião de milhares de pessoas do mundo todo, de diversas realidades e locais, entre crentes e não crentes, e, assim, esboçar um panorama dos anseios dos jovens da atualidade.

 

ANSEIOS

O Papa destaca que os jovens desejam uma Igreja que “escute mais” e que não tenha uma postura de levar uma vida inteira a “condenar o mundo”. A juventude atual também espera que a Igreja seja capaz, entre outros temas, “de dar atenção às legítimas reivindicações das mulheres, que pedem mais justiça e igualdade”. [...] “Peçamos ao Senhor que liberte a Igreja daqueles que a querem envelhecer”, acrescenta.

Francisco se dirige aos jovens em tom de confissão, a respeito de sua própria história de vida: “Quando iniciei o Francisco assinala, ainda, que no desenvolver da vida de cada jovem não está a preocupação em “ganhar mais dinheiro”, fama ou prestígio social, mas um sentido para a vida, que pode incluir “a possibilidade da consagração a Deus no sacerdócio, na vida religiosa ou em outras formas”

A vocação laical é, sobretudo, “a caridade na família, a caridade social e a caridade política: é um compromisso concreto a partir da fé para a construção de uma sociedade nova, é viver no meio do mundo e da sociedade para evangelizar as suas diversas instâncias, para fazer crescer a paz, a convivência, a justiça, os direitos humanos, a misericórdia e, assim, estender o Reino de Deus no mundo”

 

JMJ E PATORAL DA JUVENTUDE

O Pontífice também mostra a importância das Jornadas Mundiais da Juventude para o trabalho desenvolvido pela Pastoral da Juventude, insistindo que “esta seja uma pastoral sinodal, em que os próprios jovens sejam agentes por meio de duas linhas de ação: a busca do jovem de uma maneira atrativa e concreta, privilegiando a gramática do amor desinteressado e da proximidade, e não o proselitismo; e a importância de ajudar o jovem a crescer, sem doutriná-lo, mas de acompanhá-lo na sua caminhada de fé. Buscar e crescer: ajudando o jovem em diferentes ambientes a ter uma experiência de família”.

 

MARIA COMO MODELO

A Exortação destaca ainda um conjunto de personagens bíblicos que assumiram o protagonismo na sua juventude e 12 jovens santos e beatos, para mostrar que os mais novos são “o presente”, num mundo em que a realidade é cada vez mais plural.

Dentre eles, além de Jesus, merece atenção o legado deixado pela Virgem Maria. O Santo Padre apresenta Maria como “o grande modelo para uma Igreja jovem”, cujo “sim” ao anjo não foi uma aceitação passiva ou resignada, como um “provemos para ver o que acontece”. A Virgem “era determinada: compreendeu do que se tratava e disse ‘sim’, sem rodeios de palavras”, afirmou.

Nesse sentido, o Papa assegura aos jovens que a resposta de Maria “foi o ‘sim’ de quem quer comprometer-se e arriscar, de quem quer apostar tudo, sem ter outra garantia para além da certeza de saber que é portadora de uma promessa”. [...] “Uma missão difícil, mas as dificuldades não eram motivo para dizer ‘não’”.

“Com certeza teria complicações” – indicou Francisco –, “mas não haveriam de ser idênticas às que se verificam quando a covardia nos paralisa por não vermos, antecipadamente, tudo claro ou garantido. Maria não comprou um seguro de vida! Maria embarcou no jogo e, por isso, é forte, é uma ‘influenciadora’, é a ‘influenciadora’ de Deus! O ‘sim’ e o desejo de servir foram mais fortes do que as dúvidas e dificuldades”.

 

SER PARA OS OUTROS

O texto observa que o “ser para os outros”, na vida de cada jovem, está normalmente relacionado com duas questões básicas, a família e o trabalho, que exigem a atenção das comunidades católicas no acompanhamento das novas gerações. “Os jovens sentem fortemente o apelo do amor e sonham encontrar a pessoa adequada com quem formar uma família e construir uma vida juntos.”

“Procuras intensidade? Não a viverás acumulando objetos, gastando dinheiro, correndo, desesperado, atrás de coisas deste mundo. Chegar-te-á de uma forma muito mais bela e satisfatória se te deixares impulsionar pelo Espírito Santo.” O Papa questiona a “cultura do provisório” e espera que os jovens vivam o “amor a sério”, rejeitando o individualismo.

 

SEXUALIDADE

O Pontífice aponta o dedo ao que denomina como “colonização ideológica” relativa à sexualidade, ao Matrimônio, à vida ou à justiça social, em vários países. “Num mundo que valoriza excessivamente a sexualidade, é difícil manter uma boa relação com o próprio corpo e viver serenamente as relações afetivas”, observa.

Retomando o que foi dito no Sínodo 2018, Francisco admite que a moral sexual pode ser, muitas vezes, “causa de incompreensão e de afastamento da Igreja, visto que é percebida como um espaço de julgamento e de condenação” pelos mais novos. Ao mesmo tempo, prossegue, os jovens manifestam “um desejo explícito de se confrontarem sobre as questões relativas à diferença entre identidade masculina e feminina, à reciprocidade entre homens e mulheres e à homossexualidade”.

A Exortação convida a superar “tabus” sobre o sexo e a sexualidade, que são apresentados como “um dom de Deus”, com o propósito de “amar-se e gerar vida”.

“A Igreja precisa do vosso entusiasmo, das vossas intuições, da vossa fé. Fazeinos falta! E, quando chegardes aonde nós ainda não chegamos, tende paciência para esperar por nós”, conclui o Papa.

 

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Documento do Papa aos jovens: Deus os ama e a Igreja necessita da juventude

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02 de abril de 2019

“Cristo vive: é Ele a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida. Por isso as primeiras palavras, que quero dirigir a cada jovem cristão, são estas: Ele vive e quer-te vivo!”

Assim começa a Exortação Apostólica pós-sinodal "Christus vivit" do Papa Francisco, assinada segunda-feira, 25 de março, na Santa Casa de Loreto, e dirigida “aos jovens e a todo o povo de Deus”.

No documento, composto por nove capítulos divididos em 299 parágrafos, o Papa explica que se deixou “inspirar pela riqueza das reflexões e diálogos do Sínodo dos jovens”, celebrado no Vaticano em outubro de 2018.

 

A vida de Cristo

Francisco aborda o tema dos primeiros anos de Jesus. Para ele, estes aspectos de Sua vida não deveriam ser ignorados na pastoral juvenil, “para não criar projetos que isolem os jovens da família e do mundo”.

O Pontífice retoma um de seus ensinamentos e explica que é necessário apresentar a figura de Jesus “de modo atraente e eficaz” e diz: “Por isso é necessário que a Igreja não esteja demasiado debruçada sobre si mesma, mas procure sobretudo refletir Jesus Cristo. Isto implica reconhecer humildemente que algumas coisas concretas devem mudar”.

Na Exortação, se reconhece que há jovens que sentem a presença da Igreja “como importuna e até mesmo irritante”. Há jovens que “reclamam uma Igreja que escute mais, que não passe o tempo a condenar o mundo. Não querem ver uma Igreja calada e tímida, mas tampouco desejam que esteja sempre em guerra por dois ou três assuntos que a obcecam”.

Sobre a realidade juvenil, o Papa recorda os jovens que vivem em contextos de guerra, explorados e vítimas de sequestros, criminalidade organizada, tráfico de seres humanos, escravidão e exploração sexual, estupros. “Não podemos ser uma Igreja que não chora à vista destes dramas dos seus filhos jovens. Não devemos jamais habituar-nos a isto”, escreve.

Acenando a “desejos, feridas e buscas”, Francisco fala da sexualidade: “num mundo que destaca excessivamente a sexualidade, é difícil manter uma boa relação com o próprio corpo e viver serenamente as relações afetivas”, mas lamenta que os jovens vejam na Igreja um espaço de julgamento e condenação.

A Exortação se detém em seguida sobre o tema do “ambiente digital”, que criou “uma nova maneira de comunicar”, mas é também um território de solidão, manipulação, exploração e violência. “A reputação das pessoas é comprometida através de processos sumários on-line. O fenômeno diz respeito também à Igreja e seus pastores.”

 

Migração, proteção dos menores, empenho social

Outro tema tocado pelo Pontífice são os migrantes e como os jovens estão diretamente envolvidos nas migrações. O Papa os alerta para a difusão de uma mentalidade xenófoba, contrapondo-os entre si.

O Papa fala também dos abusos sobre menores e expressa gratidão “a quantos têm a coragem de denunciar o mal sofrido”.

O abuso não é o único pecado dos membros da Igreja, recorda o Papa. Mas ela não recorre a cirurgias estéticas. “Lembremo-nos, porém, que não se abandona a Mãe quando está ferida.” Com a ajuda preciosa dos jovens, este momento pode ser uma oportunidade “para uma reforma de alcance histórico para se abrir a um novo Pentecostes”.

A todos os jovens, o Papa anuncia três grandes verdades. A primeira: “Deus que é amor”. A segunda: “Cristo salva-te”. A terceira verdade é que “Ele vive!”. Nestas verdades, aparece o Pai e aparece Jesus. E onde estão o Pai e Jesus, também está o Espírito Santo, escreve Francisco, aconselhando os jovens a invocarem todos os dias o Espírito Santo: “Não perdes nada e Ele pode mudar a tua vida”.

Francisco recorda ainda que a juventude não pode ser um “tempo suspenso”, porque é “a idade das escolhas”, por isso é importante buscar «um desenvolvimento espiritual. O Papa propõe “percursos de fraternidade” e a importância de ser jovens comprometidos, que buscam o bem comum.

“O empenho social e o contato direto com os pobres continuam a ser uma oportunidade fundamental para descobrir ou aprofundar a fé e para discernir a própria vocação”. Em outras palavras, os jovens são chamados a ser “missionários corajosos”.

Não poderia faltar a referência à “relação com os idosos”. Se “os jovens se enraizarem nos sonhos dos idosos, conseguem ver o futuro”. É preciso, portanto, “arriscar juntos”.

 

Pastoral juvenil

Um inteiro capítulo é dedicado à “Pastoral dos jovens”. A pastoral juvenil precisa de adquirir outra flexibilidade, explica, sendo um espaço onde não só recebam uma formação, mas lhes permitam também compartilhar a vida.

Serve “uma pastoral juvenil popular”, “mais ampla e flexível que estimula, nos distintos lugares onde se movem concretamente os jovens, as lideranças naturais e os carismas que o Espírito Santo já semeou entre eles”.

Outro ponto fundamental é o discernimento, seja para a vida familiar, seja para a consagração a Deus.

No que diz respeito ao trabalho, o Papa recorda que “é uma necessidade, faz parte do sentido da vida nesta terra, é caminho de maturação, desenvolvimento humano e realização pessoal”.

A Exortação se conclui com “um desejo” do Papa Francisco:

“ “Queridos jovens, ficarei feliz vendo-vos correr mais rápido do que os lentos e medrosos. Correi atraídos por aquele Rosto tão amado, que adoramos na sagrada Eucaristia e reconhecemos na carne do irmão que sofre…A Igreja precisa do vosso ímpeto, das vossas intuições, da vossa fé...E quando chegardes aonde nós ainda não chegamos, tende a paciência de esperar por nós”. ”

 

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Ajuda humanitária a Moçambique, Malawi e Zimbábue

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28 de março de 2019

O Papa Francisco doou 150 mil euros (R$ 660 mil) a Moçambique, Zimbábue e Malawi, três países africanos duramente atingidos pelo ciclone Idai. Regiões foram devastadas e o número de mortos pode chegar aos milhares. Há pelo menos 1 milhão de pessoas desabrigadas, feridas ou que passam fome.

De acordo com o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, por meio do qual foi enviada a doação, a cidade de Beira, em Moçambique, foi arrasada pelo ciclone, que comprometeu redes hídricas, elétricas e sanitárias.

O Papa expressou sua dor e “confia as vítimas e famílias à misericórdia de Deus”. Diversas instituições da Igreja precisam de dinheiro para a reconstrução dos lugares, entre elas a Cáritas e a Fazenda da Esperança, que recebem doações em seus sites ou por depósitos bancários.

 

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Papa assina carta para os jovens: ‘Cristo vive’

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28 de março de 2019

Em visita ao Santuário Mariano de Loreto, na Itália, o Papa Francisco assinou um documento dedicado especialmente aos jovens. Christus vivit, em Latim, ou “Cristo vive”, em Português, é uma exortação apostólica póssinodal na forma de uma carta aos jovens de hoje.

Embora tenha sido assinado na segunda-feira, 25, o documento só será publicado em 2 de abril. É a data do aniversário de morte de São João Paulo II, escolha proposital que, segundo o porta-voz do Vaticano, Alessandro Gisotti, demonstra o importante laço entre dois pontífices muito amados pela juventude.

 

NOS PASSOS DO SÍNODO

A exortação é o principal resultado documental da reflexão do Sínodo dos Bispos sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. A assembleia geral foi realizada em outubro de 2018, mas o debate começou ao menos um ano antes.

Esse também foi o primeiro Sínodo que incluiu uma reunião pré-sinodal, na qual 300 jovens foram a Roma e deixaram um documento que serviu de base para o Sínodo. Agora, espera-se que cada igreja particular – dioceses, paróquias, movimentos – também leve o tema da juventude ao centro dos encontros e aplique os resultados do Sínodo.

O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida já está organizando um evento pós-sinodal: uma conferência a ser realizada em junho deste ano, na Itália, reunindo jovens indicados pelos bispos de vários países, visando a concretizar as diretrizes do Sínodo.

 

NAS MÃOS DE MARIA

Francisco escolheu assinar o texto em Loreto (foto) e colocar nas mãos de Maria os jovens do mundo inteiro. No famoso santuário italiano, há uma chamada “casa de Maria”, venerada por muitos fiéis como residência da Virgem. Segundo uma tradição popular local, a casa de Maria foi levada pelos anjos da Terra Santa até a Itália.

Nesse local, disse o Papa, vê-se claramente que Maria continua a falar para todas as gerações, acompanhando cada um na busca da própria vocação. “Por isso, eu quis assinar aqui a exortação apostólica, fruto do Sínodo dedicado aos jovens”, mencionou durante a missa.

 

LEVAR O EVANGELHO A TODOS

“No evento da Anunciação, aparece a dinâmica da vocação expressa nos três momentos que marcaram o Sínodo: escuta da Palavra-projeto de Deus; discernimento; e decisão”, disse. A “casa de Maria”, continuou, também é casa das famílias e dos doentes.

“Deus, por meio de Maria, confia- -nos uma missão neste tempo: levar o Evangelho da paz e da vida aos nossos contemporâneos, frequentemente distraídos, atraídos por interesses terrenos ou imersos em um clima de aridez espiritual”, afirmou o Papa.

“Precisamos de pessoas simples, sábias, humildes e corajosas, pobres e generosas”, como Maria, “que acolham o Evangelho sem reservas na própria vida”, completou.

 

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Papa e Grande Imã fazem compromisso de fraternidade

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07 de fevereiro de 2019

Um documento assinado pelo Papa Francisco e pelo Grande Imã de Al-Azhar, Ahmed Muhammad Ahmed el-Tayeb, convida todas as pessoas de fé a se unirem na “fraternidade humana” e a trabalharem juntos pela paz e pela convivência comum.

“É um passo de grande importância no diálogo entre cristãos e muçulmanos e um poderoso sinal de paz e de esperança para o futuro da humanidade”, disse o porta-voz do Vaticano, Alessandro Gisotti. O texto é, ainda, “um apelo a responder ao mal com o bem, reforçar o diálogo inter-religioso e promover o respeito recíproco”

A declaração conjunta foi assinada durante a viagem de dois dias do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos, na segunda-feira, 4. Esta é a primeira visita de um Pontífice à Península Arábica na história. O objetivo é, sobretudo, reforçar os laços de irmandade entre as duas religiões e trilhar caminhos de paz e reconciliação. A viagem inclui a maior missa da história do país, na terça-feira, 5.

O primeiro parágrafo do documento diz que “a fé leva aquele que crê a ver no outro um irmão a apoiar e amar”. Portanto, por crer em um Deus criador de todas as coisas, aquele que crê é chamado a demonstrar a “irmandade humana”, cuidando da Criação e de toda pessoa, “especialmente as mais necessitadas e pobres”

“Pedimos a nós mesmos e aos líderes do mundo, aos artífices da política internacional e da economia mundial, que se empenhem seriamente para difundir a cultura da tolerância, da convivência e da paz”, escrevem os dois líderes religiosos. “Intervenham, o quanto antes possível, para interromper o derramamento de sangue inocente, e ponham fim às guerras, aos conflitos, à degradação ambiental e ao declínio cultural e moral que o mundo atual vive.”

Em nota à imprensa, o porta-voz do Vaticano acrescentou: “Com palavras inequívocas, o Papa e o Grande Imã advertem que ninguém está jamais autorizado a instrumentalizar o nome de Deus para justificar a guerra, o terrorismo e qualquer outra forma de violência. Eles insistem que a vida deve sempre ser protegida”, diz Gisotti.

 

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Papa Francisco chegou ao Panamá

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24 de janeiro de 2019

A espera terminou. O Panamá está em festa com a chegada do Papa Francisco. Momento esperado pelos panamenhos e por milhares de jovens provenientes de todas as partes do mundo, reunidos para participar da Jornada Mundial da Juventude.

O sorriso é o primeiro presente do Papa Francisco ao Panamá. Depois de quase 13 horas de voo, o Papa desceu do avião acolhido pelo calor de dois mil jovens - a juventude do papa, como gostam de cantar em coro - e um vento quente que acariciou o seu rosto. O abraço do país está nas cores das bandeiras, em numa faixa que sublinha como o Panamá está pronto para receber Francisco com alegria.

O Papa Francisco chegou ao Panamá para a sua vigésima sexta viagem internacional. O avião papal pousou no aeroporto internacional de Tocumen, onde o Pontífice foi acolhido pelo Presidente da República Juan Carlos Varela, por todos os bispos do Panamá. Duas crianças, em hábitos tradicionais, ofereceram flores a Francisco. Um momento de festa sem discursos oficiais, somente os hinos oficiais do Vaticano e do Panamá.

Deixando o aeroporto, o Papa se dirigiu para a Nunciatura Apostólica do Panamá, percorrendo cerca de 28 Km. Nestes dias de permanência em terras panamenhas o Papa será hóspede da Nunciatura. Milhares de pessoas ao longo das avenidas para saudar o Santo Padre.

O primeiro compromisso de Francisco nesta quinta-feira será no palácio presidencial, por ocasião da visita de cortesia ao presidente da República, onde fará o seu primeiro discurso. Ainda o encontro com os bispos e a cerimônia oficial de abertura da Jornada Mundial da Juventude.

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Papa diz que devemos insistir na oração, Deus atende sempre

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09 de janeiro de 2019

“Podemos estar certos de que Deus responderá. Talvez tenhamos que insistir por toda a vida, mas Ele responderá.”

Dando sequência à sua série de catequeses sobre o Pai Nosso, o Papa falou na Audiência Geral desta quarta-feira sobre a oração perseverante, inspirando-se na passagem de São Lucas 11, 9-13: “Batei e vos será aberto”.

Dirigindo-se aos 7 mil peregrinos presentes na Sala Paulo VI, Francisco começa recordando  que o evangelista descreve “a figura de Cristo em uma atmosfera densa de oração. Nele estão contidos os três hinos que marcam ao longo do dia a oração da Igreja: o Benedictus, o Magnificat e o Nunc dimittis”.

“Jesus é sobretudo um orante ”

“Na catequese sobre o Pai Nosso vemos Jesus como orante. Jesus reza", enfatiza o Pontífice. Cada passo na sua vida “é como que movido pelo sopro do Espírito que o guia em todas as suas ações”. E o Papa recorda a Transfiguração, o batismo no Jordão, a intercessão por Pedro. Nas decisões mais importantes – observa -  Jesus “retira-se frequentemente para a solidão, para rezar. Até a morte do Messias está mergulhada em um clima de oração, tanto que as horas da Paixão parecem marcadas por uma calma surpreendente.”

Jesus consola as mulheres, reza pelos que o crucificam, promete o Paraíso ao bom ladrão, expira dizendo: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”:

"A oração de Jesus parece abranda as emoções mais violentas, os desejos de vingança, reconcilia o homem com seu mais amargo inimigo: a morte ”

 

Dirigir-se a Deus como Pai

É no Evangelho de Lucas – chama a atenção o Papa – que um de seus discípulos pede que o próprio Jesus os ensine a rezar (...). Também nós podemos dizer isto ao Senhor: ensina-me a rezar, para que também eu possa rezar".

E deste pedido dos discípulos – explica – “nasce um ensinamento bastante extenso, através do qual Jesus explica aos seus com que palavras e com que sentimentos devem dirigir-se a Deus”. E “a primeira parte deste ensinamento é justamente a oração ao Pai (...). O cristão dirige-se a Deus chamando-o antes de tudo de 'Pai'". Nós podemos estar em oração "somente com esta palavra, Pai, e sentir que temos um Pai, não um patrão, nem um padrinho, mas um pai".

Mas neste ensinamento que Jesus dá aos seus discípulos – prossegue Francisco - é interessante insistir em algumas instruções que coroam o texto da oração. Para dar confiança à oração, Jesus explica algumas coisas: “Elas insistem nas atitudes do crente que reza”.

E ilustra isso com “a parábola do amigo inoportuno que vai perturbar toda uma família que dorme, porque de forma inesperada uma pessoa chegou de uma viagem e não tem pão para oferecer a ela. Jesus explica que se ele não se levantar para dar o pão porque é seu amigo, ao menos se levantará por causa da importunação.  "Com isto, Jesus quer ensinar a rezar, a insistir na oração".  E ilustra também com “o exemplo de um pai que tem um filho faminto: "Qual pai entre vós - pergunta Jesus - se o filho lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra em vez de peixe?".

 

A oração sempre transforma a realidade

Com estas parábolas – diz o Papa – Jesus faz entender que Deus responde sempre, que nenhuma oração fica sem ser ouvida, “que Ele é Pai e não esquece seus filhos que sofrem”:

Certamente, essas afirmações nos colocam em crise, porque muitas das nossas orações parecem não ter resultado algum. Quantas vezes pedimos e não obtemos -  todos temos experiência disto - batemos e encontramos uma porta fechada? Jesus recomenda a nós, nesses momentos, para insistir e a não nos darmos por vencidos. A oração sempre transforma a realidade, a oração sempre transforma, sempre, transforma a realidade: se não mudam as coisas à nossa volta, pelo menos muda a nós, muda o nosso coração. Jesus prometeu o dom do Espírito Santo a todo homem e mulher que reza”.

 

Perseverar na oração, Deus responde sempre

“Podemos estar certos – diz o Francisco -  de que Deus responderá. A única incerteza – ressalta - é devida aos tempos, mas não duvidamos que Ele responderá”:

“Talvez tenhamos que insistir por toda a vida, mas Ele responderá. Ele o prometeu: Ele não é como um pai que dá uma serpente em vez de um peixe. Não há nada de mais certo: o desejo de felicidade que todos nós trazemos no coração, um dia se cumprirá. Jesus diz: "Não fará Deus justiça aos seus eleitos, que clamam dia e noite a ele?" Sim, fará justiça, nos escutará.  Que dia de glória e ressurreição será!”

“ Rezar é desde agora a vitória sobre a solidão e o desespero ”

"É como ver cada fragmento da criação que fervilha no torpor de uma história que às vezes não entendemos  o por quê. Mas está em movimento, no caminho, e no final de cada estrada, da coração, de um tempo que estamos rezando, ao fim da vida, há um Pai que espera por tudo e todos com os braços bem abertos. Olhemos para este Pai”.

 

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Papa aos diplomatas: nacionalismos não prevaleçam sobre a justiça e o direito

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08 de janeiro de 2019

Realizou-se na manhã desta segunda-feira, 07, uma das audiências mais importantes no Vaticano: o Papa Francisco recebeu os membros do corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé para as felicitações de ano novo.

Como é tradição, em seu discurso o Pontífice faz uma análise da conjuntura internacional, com considerações sobre acontecimentos passados e desafios no futuro próximo.

 

Diplomacia

Esta também é a ocasião em que o Papa cita os acordos estipulados com a Santa Sé no decorrer do último ano e os países visitados recentemente e a serem visitados nos próximos meses: Panamá, Marrocos e Emirados Árabes Unidos.

“A Santa Sé não pretende imiscuir-se na vida dos Estados, mas aspira a ser uma ouvinte solícita e sensível das problemáticas que dizem respeito à humanidade, com o propósito sincero e humilde de se colocar ao serviço do bem de todo o ser humano”, afirmou Francisco, reforçando a tradição diplomática da Santa Sé.

De fato, a Santa Sé mantém relações com 183 Estados, além da União Europeia e da Soberana Militar Ordem de Malta.

“Premissa indispensável para o sucesso da diplomacia multilateral são a boa vontade e a boa-fé dos interlocutores”, declarou o Pontífice, manifestando sua preocupação com o ressurgimento de tendências nacionalistas, com a busca de soluções unilaterais e a opressão do mais fraco pelo mais forte. A globalização deve ser uma oportunidade de desenvolvimento e não desencadear novas formas de colonização.

“A paz não é jamais um bem de parte, mas abraça todo o gênero humano”, recordou o Papa, sendo o respeito pela dignidade de cada ser humano o fundamento para toda a convivência realmente pacífica.

Para Francisco, o bom político não deve ocupar espaços, mas iniciar processos.

 

A defesa dos mais fracos

O Papa manifestou sua preocupação com alguns temas e países, como por exemplo a “amada Nicarágua, cuja situação acompanho de perto com esperança”.

Ainda na América Latina, o Pontífice mencionou a Venezuela e agradeceu o acolhimento de migrantes por parte da Colômbia.

Entre as pessoas sem voz do nosso tempo, Francisco lembrou as vítimas de guerras em curso, especialmente na Síria e em alguns países africanos, como Mali, Níger e Nigéria. Iêmen e Iraque também foram citados.

No Oriente Médio, o Santo Padre falou da importância da presença dos cristãos e da tensão persistente entre israelenses e palestinos.

A dificuldade que a comunidade internacional tem tido em lidar com o fenômeno migratório também fez parte do discurso do Papa.

“ Mais uma vez desejo chamar a atenção dos governos para todos aqueles que tiveram de emigrar por causa do flagelo da pobreza, de todo o gênero de violência e perseguição, bem como das catástrofes naturais e das perturbações climáticas, pedindo que se facilitem as medidas que permitam a sua integração social nos países de acolhimento. ”

Diante da tendência da Europa e da América do Norte de fechar as fronteiras, Francisco recordou: “Todo ser humano anseia por uma vida melhor e mais feliz e não se pode resolver o desafio da migração com a lógica da violência e do descarte nem com soluções parciais”.

O Papa citou a importância da aprovação dos dois Pactos Globais sobre Refugiados e sobre a Migração segura, ordenada e regular, não obstante existam ressalvas quanto a certas terminologias adotadas.

 

Infância e juventude

Os jovens e as crianças não ficaram de fora do discurso do Papa. De modo especial, ele recordou este ano o trigésimo aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança.

Nesta circunstância, Francisco falou dos abusos contra os menores, que “constituem um dos mais vis e nefastos crimes possíveis”, cometidos também por vários membros do clero.

“A Santa Sé e toda a Igreja estão se esforçando por combater e prevenir tais delitos e o seu encobrimento, acertar a verdade dos fatos em que estão envolvidos clérigos e fazer justiça aos menores que sofreram violências sexuais, agravadas por abusos de poder e de consciência”, reiterou o Pontífice, recordando o encontro em fevereiro próximo com os Episcopados de todo o mundo.

 

Mulheres

A violência contra a mulher também foi condenada pelo Santo Padre.

“É urgente descobrir formas de relações justas e equilibradas, defendeu Francisco, sem desnaturar, porém, “o próprio ser homem ou mulher”.

A discriminação das mulheres no trabalho também deve ser combatida. E por falar em trabalho, o Pontífice falou das condições laborais que muitas vezes levam a uma forma moderna de escravidão, onde inclusive crianças são manipuladas.

 

Construtores da paz

Em meio a preocupações, há iniciativas e acordos a serem louvados, como no caso da Ucrânia, da península coreana, do Sudão do Sul, da Etiópia e da Eritreia.

À África, em especial, o Pontífice dedicou um inteiro parágrafo para ressaltar o “potencial dinamismo positivo” do continente, que nos últimos tempos tem implementado iniciativas de inclusão e desenvolvimento.

 

Repensar o nosso destino comum

Por fim, o Papa recordou um traço da diplomacia multilateral: o futuro.

Neste contexto, Francisco falou de dois temas em particular: a corrida armamentista e o meio ambiente.

“Infelizmente, pesa constatar que o mercado das armas não só não parece sofrer interrupção, mas ao contrário existe uma tendência cada vez mais difusa para se armar por parte tanto dos indivíduos como dos Estados.”

 

Amazônia

Quanto à preservação do meio ambiente, o Santo Padre recordou que “a Terra é de todos e as consequências da sua exploração recaem sobre toda a população mundial, com efeitos mais dramáticos em algumas regiões”.

Entre essas regiões, Francisco mencionou a Amazônia, que estará no centro da próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos, prevista para o mês de outubro no Vaticano.

“Apesar de tratar principalmente dos caminhos da evangelização para o povo de Deus, não deixará também de enfrentar as problemáticas ambientais em estreita relação com as consequências sociais.”

O longo e articulado discurso do Papa se concluiu com a tónica adotada em todo o pronunciamento: de que a comunidade das nações é um elemento em construção, baseada não somente na amizade e na confiança, mas também na justiça e no direito, tendo em vista a paz e o bem integral da pessoa humana.

“Para todos vós, prezados Embaixadores e ilustres Hóspedes aqui reunidos, e para os vossos países, formulo cordiais votos de que o novo ano permita reforçar os vínculos de amizade que nos ligam e trabalhar para construir a paz a que o mundo aspira.”

 

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