SÃO PAULO

CORONAVÍRUS

O melhor remédio é a prevenção

Por JENNIFFER SILVA
26 de março de 2020

A reportagem do O SÃO PAULO conversou com o médico infectologista Munir Ayub, que é consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, sobre as principais ações preventivas para o novo coronavírus
 


Em 25 de fevereiro, foi registrado o primeiro caso de coronavírus no Brasil. O paciente, um morador da cidade de São Paulo, foi infectado durante uma viagem de trabalho à Itália. Diariamente, os números atualizados pelo Ministério da Saúde demonstram o crescimento acelerado da doença, que, em menos de um mês, já atingiu todos os estados e o Distrito Federal.
Sem o tratamento e vacina específicos para a COVID-19, doença provocada pelo novo coronavírus, os governos estaduais, por meio das orientações da vigilância sanitária, vêm implantando medidas que inibem a circulação da população em espaços públicos, na tentativa de diminuir a propagação do vírus. Contudo, é preciso, ainda, que cada cidadão se previna individualmente.
A reportagem do O SÃO PAULO conversou com o médico infectologista Munir Ayub, que é consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, sobre as principais ações preventivas para o novo coronavírus.

COMO EVITAR?
O infectologista reiterou que a melhor forma de se prevenir a contaminação pelo novo coronavírus é a higienização, sobretudo com a lavagem correta das mãos várias vezes ao dia (veja como lavar as mãos no box ao lado). Quando não for possível a limpeza com água e sabão, recomenda-se o uso de álcool em gel graduação 70%.

NOS OBJETOS
Estudos indicam que o novo coronavírus sobrevive por cerca de três horas em superfícies contaminadas. Por isso, é necessária a higienização com álcool nas mesas e computadores: “Um dos itens mais importantes é o celular, pois, além de mexermos constantemente, falamos nele. Por isso, é preciso sua higienização algumas vezes por dia”, disse Ayub, completando que, para a limpeza do chão, o uso de água sanitária apresenta uma eficácia satisfatória.

EM TRANSPORTES PÚBLICOS
Alguns estados anunciaram que a limpeza de ônibus, metrôs e trens no período de pandemia pela COVID-19 será intensificada. Mesmo assim, é preciso que os usuários estejam atentos e evitem levar as mãos ao rosto, aos olhos e boca antes da limpeza adequada.
Ao sair do transporte público, busque higienizar as mãos com água e sabão ou com álcool em gel fator 70% o mais rapidamente possível. 

DURANTE A QUARENTENA
Para quem estiver em casa, procure deixar as janelas abertas e os ambientes arejados e limpos. Lembre-se de higienizar todos os móveis, inclusive as maçanetas e interruptores com álcool líquido, sempre com fator 70%.
Prefira papel toalha descartável para secar as mãos. Nunca compartilhe objetos pessoais como copos e talheres. 

COM A ALIMENTAÇÃO 
Outra precaução apontada pelo médico é com relação à lavagem de frutas e legumes consumidos crus, como a maçã.
No caso dos refogados, não é necessário lavar antes, pois a alta temperatura do cozimento elimina todas as bactérias e vírus.  

ETIQUETA RESPIRATÓRIA
Ao tossir, cubra a boca e o nariz com os braços e não com as mãos. Utilize lenço descartável, jogue-o fora rapidamente e lembre-se de lavar as mãos imediatamente.
Quem apresentar sintomas gripais deve evitar contato com outras pessoas e fazer uso de máscara cirúrgica até a definição do diagnóstico. Ayub enfatizou, porém, que é preciso trocá-la de duas a três horas, pois a máscara tende a umedecer, evitando a filtragem do ar e perdendo sua eficácia. 
Além disso, deve-se lavar as mãos todas as vezes que tocar na máscara ou utilizá-la para cobrir o nariz. 

DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÃO
O site da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo oferece um guia de ações preventivas para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. 

HISTÓRICO DO VÍRUS

As doenças respiratórias relacionadas ao coronavírus são conhecidas pela população mundial desde a década de 1960. O médico Munir Ayub explicou que, anteriormente, as síndromes SARS-CoV (responsável por causar doenças respiratórias agudas graves) e MERS-CoV (que atingiu o Oriente Médio) já causaram preocupação no passado. 
O infectologista explicou que pouco ainda se sabe sobre a nova mutação deste vírus, que tem como caracterização desenvolver uma doença respiratória semelhante a uma pneumonia. “Na maioria das pessoas, ocorre um quadro gripal comum, mas, em outras situações, principalmente em idosos e pessoas com alguma outra enfermidade, tem se apresentado uma taxa de mortalidade maior”, afirmou, usando como comparação o surto mundial de gripe H1N1, ocorrido em 2009.

 

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