SÃO PAULO

ESPORTE

O futebol ‘entra em campo’ para integrar os refugiados

Por Flavio Rogério Lopes
29 de junho de 2019

A inclusão dos refugiados em diferentes partes do mundo acontece por meio do esporte

“Não está em jogo apenas a causa dos migrantes; não é só deles que se trata, mas de todos nós, do presente e do futuro da família humana. Os migrantes, especialmente os mais vulneráveis, ajudam-nos a ler os ‘sinais dos tempos’. Por meio deles, o Senhor chama-nos a uma conversão, a libertar-nos dos exclusivismos, da indiferença e da cultura do descarte.”
O trecho acima é da mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Refugiado 2019, comemorado em 20 de junho, com o intuito de conscientizar sobre a situação dos refugiados em todo o mundo e celebrar a força, a coragem e a perseverança das pessoas que foram forçadas a deixar seus países por causa de guerras e perseguições. 
A inclusão dos refugiados em diferentes partes do mundo acontece por meio do esporte. No Brasil, de modo especial, é realizada anualmente a Copa dos Refugiados, com o propósito de integração e transformação social. O torneio, criado em 2014, é organizado pela ONG África do Coração, com apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

LINGUAGEM UNIVERSAL
Cada time representa o país de seus jogadores. O campeonato conta com as etapas estaduais, que serão realizadas entre os meses de julho e agosto, com jogos em Porto Alegre (RS), Brasília (DF), Recife (PE), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). A etapa nacional, decisiva, será no Rio de Janeiro, em setembro.
“O futebol é uma paixão humana, uma paixão brasileira e de qualquer país. A gente usa essa linguagem, porque não precisamos usar nossas línguas. Quando alguém entra em campo para fazer um gol em nome de sua bandeira e de sua comunidade, não é necessário falar língua alguma”, disse o sírio Abdulbaset Jarour, coordenador da Copa dos Refugiados, em entrevista ao O SÃO PAULO.
Não são apenas os homens que participam das disputas. As mulheres também competem em times de futebol mistos. Além disso, cada equipe é apadrinhada por uma mulher brasileira que dá o suporte desde o transporte até a montagem dos times. 

OUVIR O PRÓXIMO
Além do campeonato de futebol, o projeto promove oficinas para a integração de mulheres, crianças e homens refugiados, como palestras, sarau, noite cultural, e desfile de moda. 
Cada edição da Copa tem um tema para incentivar reflexões sobre o preconceito e quebrar barreiras culturais acerca da inclusão social dos refugiados no Brasil. O tema deste ano será “Reserve um minuto para ouvir uma pessoa forçada a deixar seu País”.
“Nós conseguimos, por meio desses projetos, ter fala e poder falar sobre a nossa situação. A gente provoca a sociedade para que ela nos possa ouvir. Nós estamos vendo situações, como o médico nos dar uma receita sem saber da nossa dor. Então, nós sofremos muito e precisamos ter uma fala”, reforçou Abdulbaset. 

AFRICA DO CORAÇÃO 
A ONG África do Coração (Federação das Comunidades dos Imigrantes e Refugiados no Brasil) surgiu em 2013, na Casa dos Migrantes, da Missão Paz, organização mantida pela Arquidiocese de São Paulo. Formalizada em 2016, a organização presta trabalho de assistência social e atua na promoção da integração dos refugiados e imigrantes entre si e com a sociedade brasileira. 
“Nós queremos, na verdade, unir a nossa capacidade e demonstrar nossa força e nossa capacidade para fazer vários projetos sociais ligados ao tema de refúgio e imigração, para chamar a atenção da sociedade brasileira, do setor público e privado, para que sempre esteja presente nos eventos sobre o tema”, concluiu Abdulbaset.

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