SÃO PAULO

Missa Ceia do Senhor

‘O dom da Eucaristia é inseparável do dom da caridade’

Por Nayá Fernandes
19 de abril de 2019

Cardeal Scherer presidiu a Missa da Ceia do Senhor na Quinta-feira Santa, dia 18, na Catedral da Sé, com o rito do Lava-pés

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, presidiu a Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa na Catedral da Sé, às 19h. Concelebraram o Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo, e outros padres da Arquidiocese.

“Junto a toda Igreja e a todas as comunidades e paróquias, que nesta noite se reúnem para recordar a última ceia, também nós nos reunimos em oração para celebrar os dons, que são dons de salvação”, disse o Cardeal no início da Missa.

Fazer memorial da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus

Na homilia, o Cardeal recordou o tema da Campanha da Fraternidade deste ano "Fraternidade e Políticas Públicas" e o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27). As pessoas escolhidas para participar do rito de lava-pés, que aconteceu logo após a homilia, são representantes de movimentos, grupos e pastorais que trabalham com políticas públicas.

“O Evangelho de São João que ouvimos está no contexto da última ceia, a celebração da Páscoa judaica e do mandamento novo. Jesus deixa suas recomendações para os apóstolos e para toda a humanidade. Nós, como Igreja, transmitimos de geração em geração este testamento de Jesus”, afirmou o Cardeal.

Sobre o valor da Eucaristia para a Igreja, o Cardeal recordou São Paulo Apóstolo que, na segunda leitura da liturgia, retirada da Carta aos Coríntios, dá testemunho de que a Eucaristia, desde as primeiras comunidades cristãs, está no centro da Igreja.

“A Páscoa judaica era o memorial da libertação do Egito, a lembrança do grande evento libertador e, por isso, o povo hebreu celebra todos os anos a festa da Páscoa em memória desta libertação. Jesus dá um sentido novo à Páscoa. A Páscoa nova, do seu corpo entregue por amor à humanidade”, explicou o Cardeal.

 

`Não é um teatro’

Dom Odilo explicou também que a instituição da Eucaristia é o memorial da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, da sua doação à humanidade.

“Por meio dessa entrega, nós fomos salvos. Não é um teatro em que nós fingimos que O recebemos. Na Eucaristia, recebemos o grande dom da salvação. Antes de morrer, sabendo que chegara a hora de passar deste mundo para o Pai, Jesus deixa um testamento. O testamento do amor, do seu exemplo e do seu testemunho, da doação de si pela humanidade. Neste testamento, há os dons da Eucaristia e do sacerdócio ministerial, para que em nome Dele, continue-se a realizar aquilo que Ele fez.”

‘Sem a Eucaristia, a Igreja morre’

“O mandamento novo é fazer como Ele fez, amar como Ele amou. Novo é amar como Jesus amou e Jesus amou até o fim e com amor gratuito e misericordioso. O dom da Eucaristia é inseparável do dom da caridade. Jesus, no lava-pés, deixou o exemplo do que todos nós devemos fazer. ‘Se eu lavei os pés de vocês, também vocês devem lavar os pés uns dos outros’, disse Jesus aos apóstolos”, continuou o Arcebispo.

O Cardeal convidou a todos a ser anunciadores e convidar as pessoas a participação na Eucaristia, sobretudo aos domingos.

“A celebração da Eucaristia é um momento de anúncio, um momento da grande esperança cristã.  Enquanto celebramos na terra o memorial de Jesus Cristo, nós anunciamos o banquete celeste. Que ninguém perca a oportunidade de participar da mesa celeste”, disse o Cardeal.

“Quero convidar a todos a valorizar a Eucaristia mais e mais, sobretudo a valorizar a missa dominical. Sem a Eucaristia, a Igreja morre e se torna outra coisa, mas não mais a Igreja de Cristo. Sem a Eucaristia, a fé morre. É a Eucaristia que faz a Igreja. Renovemos o nosso propósito de participar da Eucaristia”, continuou o Arcebispo.

 

 

‘Também vós deveis lavar os pés uns dos outros’

O Evangelho segundo João narra o momento em que Jesus lava os pés dos discípulos. Tal gesto é repetido pelo presidente da celebração durante a missa da Ceia do Senhor, em que se recorda a instituição da Eucaristia e do sacerdócio.

Benedito Prezia, da Pastoral Indigenista da Arquidiocese, foi um dos convidados para participar do rito do lava-pés, junto a outras 11 pessoas que representavam cada uma, uma política pública, devido à Campanha da Fraternidade.

“Recordamos todos os indígenas que lutam pela demarcação de suas terras e também aqueles que vivem em contextos urbanos, que chamamos de índios invisíveis, pois, pelo fato de estarem fora de suas aldeias, parecem perder o direito de serem índios. Se fizermos uma comparação, podemos pensar em brasileiros que se mudam para outros países. Eles deixam de ser brasileiros?”, questionou Prezia.

Ele recordou, também, avanços em políticas públicas que beneficiaram os indígenas. “Trazemos também as conquistas, como a aldeia multiétnica que está sendo construída em Guarulhos, com um terreno que foi doado pela prefeitura e os prédios construídos pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, para os indígenas que moram na região do Real Parque”, recordou.

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