INTERNACIONAL

Pelo Mundo

‘O coração do Papa bate pelos outros’

Por ACN
12 de março de 2019

Entrevista com Frei Hans Stapel, fundador da Fazenda da Esperança e presidente da ACN Brasil

Presidente da ACN Brasil e fundador da Fazenda da Esperança, Frei Hans Stapel conta sobre a infância e o primeiro contato que teve com o fundador da entidade, o Padre Werenfried van Straaten, e como se tornou o presidente da fundação no Brasil, além de falar sobre a indignação do Papa Francisco com o mundo secularizado, e o que se pode fazer para deixar o Papa feliz.

 

O SENHOR NASCEU NA ALEMANHA NO FIM DA 2ª GUERRA MUNDIAL, EM 1945, QUANDO O PAÍS ESTAVA TOTALMENTE DESTRUÍDO. COMO FOI A SUA INFÂNCIA?

Minha infância foi uma pobreza extrema, num país totalmente devastado. Meus pais haviam perdido tudo, nem casa tínhamos. A situação era dramática para toda a Europa, mas sobretudo na Alemanha, aonde chegavam muitos refugiados também, expulsos dos países do Leste Europeu. Foi nesta época que o Padre Werenfried se tornou uma pessoa muito conhecida. Ele fazia arrecadações na Bélgica, Holanda e em outros países para ajudar na Alemanha. Eu me lembro dele quando eu tinha uns 7 anos, vindo nas igrejas para dar um tipo de catequese e falando do trabalho realizado. E ele pedia ajuda também para nós, crianças. Ele queria uma grande rede de solidariedade.

 

O PADRE WERENFRIED TEVE, ENTÃO, MUITA INFLUÊNCIA NA SUA VOCAÇÃO?

Sem dúvida. Eu me lembro de como era pobre. Nunca tive dinheiro na minha infância, mas uma vez um tio me deu 20 centavos. Era pouco, mas era o que eu tinha e segurava aquele dinheiro como algo que era meu. Mas, ao ouvir a pregação do Padre Werenfried, começou uma luta dentro de mim: “Vou guardar, vou dar metade, vou ajudar, mas se eu der não vou ter mais”. E neste momento começou a coleta. Passavam uma cesta de banco em banco e, quando chegou na minha frente, não tive coragem de doar. Mas me senti muito mal: “Por que você não dá? Tem pessoas que precisam mais do que você!” E quando a cesta passou no banco detrás, eu me virei e coloquei os 20 centavos. Nesse momento, eu experimentei uma alegria tão profunda, tão grande, que não sei explicar. Até hoje, eu me lembro disso e do Padre Werenfried com sua indumentária branca, um missionário cheio de amor e entusiasmo. Depois, já como presidente da ACN Brasil, tive muito contato com ele. O que mais me impressionou foi a sua fé. Numa noite na casa dele, perguntei: “Padre, você promete para todo mundo que vai ajudar, mas não tem dinheiro. Como isso é possível?”. Ele disse: “Frei, quando eu respondo aos pedidos de ajuda, eu imagino cada uma daquelas pessoas nas suas necessidades e enxergo Jesus neles. Um Jesus que chora, que pede e que precisa. Não posso negar para Jesus, então, eu digo que vou ajudar. Depois, diante do tabernáculo, na Capela, peço para Cristo, que é dono de tudo: ‘Hoje eu prometi muita ajuda, mas eu não tenho. O Senhor tem que me ajudar’. E Jesus nunca me deixou sem ajuda”.

 

E COMO SE TORNOU PRESIDENTE DA ACN BRASIL?

O Padre Werenfried veio ao Brasil para abrir o escritório da ACN, em 1997. Ele queria ver a situação do País, visitou alguns bispos e precisava de alguém como tradutor. Eu já morava aqui havia 25 anos, então me convidaram. Foi quando reencontrei o Padre Werenfried depois de décadas sem qualquer contato. Contei a ele a história dos 20 centavos e aqui no Brasil surgiu uma grande amizade. Ele me pediu que assumisse o escritório e não pude negar esse pedido.

 

O SENHOR JÁ SE ENCONTROU ALGUMAS VEZES COM O PAPA FRANCISCO. COMO FORAM OS ENCONTROS?

Eu tive quatro reuniões com o Papa Francisco e conversamos muito sobre as obras de misericórdia e dos projetos realizados no Brasil, como a entrega de barcos para padres missionários na Amazônia. Eu vi uma alegria muito grande nele ao ver estes resultados e senti que o coração do Papa bate pelos outros. O Papa gostaria de ajudar todo mundo, e não se conforma que ainda haja fome, miséria e tantos refugiados no mundo, ao mesmo tempo que existe tanta riqueza acumulada por outros. Eu disse ao Santo Padre: “Como uma Fundação Pontifícia, a ACN vai fazer de tudo para ajudar quem precisa e tentar diminuir a miséria no mundo. O senhor pode contar conosco. O senhor conheceu pessoalmente o Padre Werenfried, e, assim como ele, que prometia ajuda, nós também, com alegria e muito esforço, vamos realizar essas obras. No Brasil, existem muitas pessoas generosas e de grande coração, e juntos vamos fazer o Papa Francisco feliz”.

 

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