NACIONAL

Fevereiro Laranja

O câncer tem cura, sobretudo se diagnosticado precocemente

Por Nayá Fernandes
11 de fevereiro de 2019

Se diagnosticado precocemente, o câncer tem grandes chances de cura

Arquivo pessoal

Receber um diagnóstico de câncer é um momento difícil e, para muitas pessoas, pode ser tão dramático como se fosse um atestado de fim de vida. Mas a experiência de muitas pessoas que receberam diagnósticos de câncer e os próprios avanços da medicina provam o contrário. Se diagnosticado precocemente, o câncer tem grandes chances de cura.

Mariana Ruiz, Médica com ênfase em Medicina Nuclear e diagnóstico por imagem, trabalha no Sírio Libanês, hospital de referência em oncologia. Em entrevista à reportagem, Mariana salientou que a grande revolução nessa área, é, justamente, o diagnóstico precoce. “Fazer avaliações periódicas, de acordo com cada idade e situação do paciente, ao menos uma vez por ano, é essencial”, salientou a Médica.

Um desses avanços é a cintilografia de corpo inteiro ou pesquisa de corpo inteiro (PCI). “Trata-se de um exame de imagem no qual são utilizadas substâncias radioativas, injetadas no paciente sem nenhum dano à saúde. Essa radiação é detectada pelo equipamento”, explicou Mariana.

Quando começou a ser realizada no Brasil, ainda em 2003, a PCI era um exame raro e o Hospital Sírio Libanês foi o primeiro da América Latina a adquirir o aparelho.

 

UM CASO RARO

Cássia Regina da Silva, 38, é médica com ênfase em saúde da família e, aos 15 anos, durante um exame de rotina na dermatologista, descobriu que estava com câncer de pele, um raro melanoma maligno.

“Quando fui à dermatologista, por causa de uma escamação na unha, ela, imediatamente, e, por causa do meu biotipo, começou a me examinar e tirou uma mancha suspeita”, contou Regina, que no mesmo dia, saiu com amostra da pele para a realização de uma biópsia.

O câncer de Regina foi um caso raríssimo para pessoas da sua idade, embora ela se encaixe no perfil das pessoas com mais propensão a esse tipo de câncer, com pele, cabelos e olhos claros.

“Quando fui diagnosticada com melanoma maligno, fiquei desesperada. E acredito que eu só sobrevivi porque o câncer foi descoberto após um mês de evolução”, explicou Regina, que, após a cirurgia, não precisou fazer radioterapia ou quimioterapia, mas fez acompanhamento médico durante cinco anos, porque a metástase do melanoma pode se manifestar em outros lugares como nos ossos, nos rins e no cérebro.

“A fé também me ajudou muito a superar tudo. Foi um susto grande e, apesar de eu ter apenas 15 anos, já sabia o que era o câncer. Num primeiro momento, você relaciona câncer à morte e, só depois, começa a ver possibilidades de cura. Em plena adolescência, precisei mudar muitos hábitos”, disse a Médica.

 

JUVENTUDE, FORÇA E FÉ

 Eduardo José da Silva, 15, é estudante e nasceu em São Paulo. Em setembro de 2018 ele recebeu um diagnóstico de leucemia mieloide aguda e, no momento que soube do diagnóstico, ficou muito preocupado, mas com o tempo foi se tranquilizando.

Sobre o apoio recebido de familiares e amigos, Eduardo comentou que, sobretudo nos momentos em que precisa de internação, ter companhia o deixava mais entretido e menos tenso.

Eduardo está confiante, pois, desde o início, sabia que teria bons resultados, por ter descoberto logo o diagnóstico. “É necessário ter paciência porque no começo o sofrimento é grande, mas depois tudo se acalma”, disse o jovem, que participa da Paróquia Imaculado Coração de Maria, da Região Episcopal Brasilândia.

No dia 1º de dezembro de 2018, Eduardo foi crismado por Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo na Região Brasilândia. Na ocasião, o Bispo se ofereceu para ir à casa de Eduardo, mas, para ele, participar da missa seria um momento de renovação da fé e da esperança, como de fato foi.

“A fé é muito importante. Quando sei que há outras pessoas rezando por mim, isso faz com que eu me recupere ainda mais rápido”, afirmou Eduardo.

 

APOIO E SUPERAÇÃO

Para Rita de Fátima Ferreira de Melo, 52, que trabalha como cabeleireira e manicure, a descoberta precoce foi essencial. No fim do ano de 2016, ao fazer um exame de rotina, Rita descobriu um tumor na mama, que tinha cerca de um mês de evolução.

Rita mora em Araçariguama (SP) e ainda está fazendo acompanhamento, mas, após a cirurgia e oito meses de quimioterapia, conseguiu vencer o câncer. “Foi graças a esse cuidado que eu estou aqui hoje. Quando a médica pegou o resultado dos exames foi um choque. É como se você recebesse uma sentença de morte. Mas a minha médica me encorajou muito e disse que eu tinha 100% de chance de cura, só que teríamos que agir rápido”, contou.

Ela precisou pagar pela cirurgia, que aconteceu no dia 27 de dezembro de 2016. “Chegando ao centro cirúrgico, descobri que precisaria tirar a mama inteira, porque se tratava de um tumor muito maligno. A cirurgia ocorreu bem e eu devia aguardar a quimioterapia. Fiz oito meses de quimioterapia e passei muito mal com as reações. Após essa fase e, com a ajuda de muitas pessoas, consegui superar esse período”, afirmou Rita.

Ao ser perguntada sobre o que aprendeu com essa situação, Rita salientou que é importante que todas as pessoas, ao receberem um diagnóstico semelhante ao dela, possam acreditar que há cura e não desanimem.

 

 

FEVEREIRO LARANJA

Fevereiro é o mês de conscientização para combate à leucemia. A cor laranja foi escolhida para chamar atenção para a campanha, que alerta sobre a prevenção e, consequentemente, frisa a importância da doação de medula óssea.

A leucemia é uma doença que se inicia na medula óssea, onde o sangue é produzido.

A campanha alerta para a importância de se fazer exames de rotina e ter atenção para qualquer alteração nesses exames. Os sintomas apresentam-se de formas variadas. Os mais comuns são sangramento nas gengivas e no nariz, inchaço no pescoço, cansaço, dores nos ossos e nas articulações, febres que podem vir acompanhadas de suores noturnos, perda de peso, aparecimento de manchas roxas ou avermelhadas na pele, palpitações e sensações incômodas na região abdominal.

Outro objetivo da campanha é estimular a doação de medula óssea. Para doar é necessário estar em bom estado de saúde e ter entre 18 e 54 anos e 11 meses. A Santa Casa de São Paulo faz os cadastros de segunda a sexta-feira das 7h às 18h e aos sábados das 7h às 15h. Informações pelo telefone (11) 2176-7000.

(Com Informações da Unimed)

 

 

 

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