SÃO PAULO

Especial de São Paulo

O caminho percorrido até a criação da Arquidiocese de São Paulo

Por Flávio Rogério Lopes (atualizado em 27/01/2020)
27 de janeiro de 2020

A Igreja de São Paulo percorreu um longo caminho, desde a fundação da Cidade, em 25 de janeiro de 1554

A Igreja Católica em São Paulo nasceu junto com a cidade, em 1554, na chegada dos primeiros missionários jesuítas. A própria origem da cidade foi por iniciativa religiosa, com a construção de uma pequena casa pelos padres Manuel de Paiva, Manuel da Nóbrega, além de São José de Anchieta e outros missionários jesuítas, auxiliados pelos índios da aldeia de Piratininga, da qual era chefe o cacique Tibiriçá.

A data em que a cidade celebra o aniversário de fundação, 25 de janeiro, refere-se ao dia em que Manuel de Paiva celebrou a primeira missa nas terras paulistanas, no local onde hoje está o Pátio do Colégio. Um longo caminho foi percorrido até que nos tornássemos uma Arquidiocese, em 7 de junho de 1908.

 

PRINCÍPIO

Em 1500, o Brasil pertencia ao Vicariato de Tomar, da jurisdição da Ordem de Cristo. Em seguida, todo o território passou a pertencer hierarquicamente à Diocese do Funchal, na Ilha da Madeira, em Portugal, criada em 12 de junho de 1514 pelo Papa Leão X, conforme relata Padre Ney de Souza, historiador e autor do livro “Catolicismo em São Paulo: 450 Anos de presença da Igreja Católica em São Paulo”.

 

PASSANDO POR SALVADOR

Em 7 de janeiro de 1549, por meio de uma Carta Régia de Dom João III, Rei de Portugal, “São Salvador” foi escolhida como sede da Governança Geral do Brasil. Meses depois, em 29 de março, Thomé de Souza chegou à Bahia para fundar a cidade que se tornaria a primeira capital brasileira.

São Salvador da Bahia, a primeira diocese brasileira, foi criada em 25 de fevereiro de 1551, pelo Papa Júlio III, como área desmembrada da Arquidiocese do Funchal, e teve como primeiro bispo Dom Pedro Fernandes Sardinha.

 

1a DIVISÃO ECLESIÁSTICA

A divisão eclesiástica brasileira teve início em 19 de julho de 1575 com a fundação da Prelazia do Rio de Janeiro, pelo Papa Gregório XIII. A Prelazia foi elevada a Diocese pelo Papa Inocêncio XI, em 16 de novembro de 1676. Na mesma data, Salvador foi elevada a Arquidiocese.

 

UMA PRELAZIA PAULISTA?

Segundo o historiador Vasco Smith de Vasconcellos, no livro “História da Província Eclesiástica de São Paulo”, por duas vezes cogitou-se a criação da Prelazia de São Paulo. A primeira foi sugerida pelo Padre Antônio Vieira, em julho de 1694, “quando consultado sobre as dúvidas existentes entre os moradores de São Paulo e a administração dos índios”.

A segunda tentativa de elevar São Paulo a prelazia foi do capitão-general Artur Menezes, em carta dirigida ao rei de Portugal, Pedro II, em maio de 1698. Na carta, Menezes lamentava a falta de um prelado apostólico “para acudir com zelo católico os casos que ordinariamente sucedem”.

 

PEDIDO DO BISPO DO RIO DE JANEIRO

Em 1709, o Bispo do Rio de Janeiro, Dom Francisco de São Jerônimo, relatou a impossibilidade de “manter debaixo de sua jurisdição espiritual um território tão vasto, com uma população que crescia rapidamente”.

Quando a Vila de São Paulo foi elevada a cidade, em 1711, o rei Dom João V pediu informações sobre a possibilidade da criação de uma diocese.

 

COMEÇO DA DIOCESE

Somente em 22 de abril de 1745, Dom João V aceitou que, da Diocese do Rio de Janeiro, surgissem as dioceses de São Paulo e de Mariana, e as prelazias de Goiás e Cuiabá. No princípio, a Diocese de São Paulo estendia-se até o Rio Grande do Sul, incluindo também uma parte de Minas Gerais.

O primeiro Bispo de São Paulo foi Dom Bernardo Rodrigues Nogueira, entre 1745 e 1748. Apenas no começo do século XX, Dom Duarte Leopoldo e Silva, Bispo entre 1907 e 1938, solicitou à Santa Sé a elevação da Igreja em São Paulo a Arquidiocese. O pedido foi aceito pelo Papa Pio X, e Dom Duarte tornou-se o primeiro Arcebispo Metropolitano.

 

PROVÍNCIA ECLESIÁSTICA

A elevação a Arquidiocese, em 7 de junho de 1908, marcou também o início da Província Eclesiástica, cujo atual território agrupa, além da Arquidiocese de São Paulo, as dioceses de Campo Limpo, Guarulhos, Mogi das Cruzes, Osasco, Santo Amaro, Santo André, São Miguel Paulista e Santos.

A Província Eclesiástica de São Paulo também conta com três Igrejas de rito oriental: a Eparquia de Nossa Senhora do Paraíso, dos greco-melquitas, a de Nossa Senhora do Líbano, dos maronitas, e o Exarcado Apostólico para os fiéis de rito armênio que, apesar de não fazer parte da província, tem a sede no território da Arquidiocese.

O termo província eclesiástica se refere a um conjunto de dioceses que, por estarem geograficamente próximas, se unem de maneira especial para realizar ações pastorais e de evangelização em comum, que tem como sede a Arquidiocese Metropolitana. O Cardeal Odilo Pedro Scherer é o atual metropolita da província eclesiástica por ser o Arcebispo de São Paulo.

 

A ARQUIDIOCESE HOJE

A Arquidiocese de São Paulo conta atualmente com 307 paróquias distribuidas em seis regiões episcopais: Belém, Brasilândia, Ipiranga, Lapa, Santana e Sé. Além disso, possui três vicariatos ambientais: Educação e Universidade, Povo da Rua e Comunicação, além de inúmeras obras sociais, educacionais e culturais. Sua população estimada é de 7 milhões de habitantes, que correspondem a cerca de 65% da população da cidade.

Segundo dados de 2016 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 5 milhões de pessoas que habitam o território da Arquidiocese são católicas. Atualmente, conforme dados fornecidos pela Chancelaria arquidiocesana, seu clero é composto por 411 padres diocesanos e 641 padres religiosos. São cerca de 123 congregações femininas e 88 masculinas, além das 115 novas comunidades, movimentos e outras associações eclesiais.

 

FORMAÇÃO SACERDOTAL

O Seminário Arquidiocesano Imaculada Conceição, fundado em 1856, atualmente é constituído por três casas de formação: o Seminário Propedêutico Nossa Senhora da Assunção, na Vila Nova Cachoeirinha; o Seminário de Filosofia Santo Cura d’Ars, na Freguesia do Ó; e o Seminário de Teologia Bom Pastor, no Ipiranga.

Desde 2011, a Arquidiocese também conta com o Seminário Missionário Arquidiocesano Internacional Redemptoris Mater São Paulo Apóstolo, no Jaraguá, voltado especificamente para a formação de padres do clero secular preparados para serem enviados em missão.

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