NACIONAL

Eparquia Nossa Senhora do Paraíso

Novo Bispo dos Greco-Melquitas no Brasil tomará posse no domingo

Por Fernando Geronazzo
20 de setembro de 2019

Nomeado pelo Papa Francisco em 17 de junho, Dom George Khoury assumirá Eparquia Nossa Senhora do Paraíso, com sede em São Paulo

No domingo, 22, às 11h30, Dom George Khoury tomará posse como novo Bispo da Eparquia Greco-Melquita Nossa Senhora do Paraíso. Nomeado Bispo pelo Papa Francisco em 17 de junho deste ano, o Eparca recebeu a ordenação episcopal em 25 de agosto, em sua terra natal, Safita, na Síria.

A divina liturgia (missa em rito bizantino) de posse será presidida pelo Patriarca da Igreja de Antioquia dos Católicos Greco-Melquitas, Youssef Absi, na Catedral Nossa Senhora do Paraíso, em São Paulo.

A EPARQUIA

Instituída em 26 de maio de 1972, por São Paulo VI, essa Eparquia é uma circunscrição eclesiástica católica de rito oriental, equivalente a uma diocese, cujo território abrange todo o Brasil. Sua missão é acompanhar e reunir os fiéis de origem sírio- -libanesa e seus descendentes que vivem no Brasil e desejam cultivar suas raízes e identidade culturais.

Desde 23 de maio de 2018, a Eparquia tinha como Administrador Apostólico Dom Sergio de Deus Borges, então Bispo Auxiliar de São Paulo e atual Bispo de Foz do Iguaçu (PR). Ele foi nomeado pelo Papa Francisco para essa função após a transferência do Eparca anterior, Dom Joseph Gébara, para Arquieparquia de Petra e Filadélfia, na Jordânia.

QUEM É DOM GEORGE

Nascido em 1970, Dom George cursou faculdade de Letras em Al-Baath Universidade-Homs, na Síria, formando-se em 1992. Atuou como professor de Língua Inglesa nas escolas das periferias da cidade de Safita.

Em 1994, entrou no convento de São Paulo, em Safita, onde estudou Teologia até 1998. Foi ordenado Diácono em 1998 e Sacerdote, em 1999. Em 2000, foi enviado ao Brasil.

No Brasil, atuou como pároco na Catedral Nossa Senhora do Paraíso em São Paulo. Em 2003, foi transferido para a Paróquia de São Basílio e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Rio de Janeiro. Em janeiro de 2009, recebeu o título de Monsenhor.

Possui especialização em Sagradas Escrituras e pós-graduação em Docência do Ensino Religioso pela faculdade Futura, de Votuporanga (SP).

IGREJA ORIENTAL

A Igreja Católica Greco-Melquita é uma das 24 igrejas autônomas que constituem a Igreja Católica no mundo, em plena comunhão com o Romano Pontífice, o Papa.

A maior e mais conhecida delas é a ocidental, a Igreja Católica Apostólica Romana, também chamada de Igreja Latina, de rito romano. As demais têm sua origem no Oriente Médio e seguem os diversos ritos orientais (confira a lista no fim da matéria).

Todas as 24 igrejas são sui iuris, isto é, autônomas para legislar a respeito de seu rito e da sua disciplina, com exceção às matérias dogmáticas, que são universais e comuns a todas e garantem a unidade de fé, formando uma única Igreja Católica sob o pastoreio do Santo Padre que a todas preside na caridade.

Internamente, as igrejas orientais são governadas por um patriarca ou arcebispo-maior e por seu sínodo que o elege e submete seu nome à aprovação do Papa. No caso da Igreja Greco-Melquita, o atual Patriarca é Youssef I Absi, eleito em 21 de junho de 2017.

HISTÓRIA

Criada em Antioquia, a Igreja Greco-Melquita é a mais antiga Igreja enquanto instituição no mundo e é a única entre as orientais que não é uma Igreja nacional, pois seu patriarcado envolve três sés apostólicas: Antioquia, Jerusalém e Alexandria.

O nome Melquita vem de mèlek, que é a raiz siríaca para palavras como “rei”, “real” e “reino”. Isso se deve ao fato de todos aqueles que ficaram ao lado do imperador bizantino Marciano no Concílio de Calcedônia, no ano 451, defendendo a fé nas duas naturezas de Cristo, terem sido apelidados de “reais” pelos monofisistas, aqueles que não aceitaram esse dogma.

Já o termo “greco” é atribuído ao idioma oficial do Império Romano, falado pela maioria dos cristãos. Isso também influenciou o rito adotado pelos Melquitas, conhecido como bizantino, cuja Divina Liturgia foi escrita por São João Crisóstomo e São Basílio de Cesareia. Atualmente, o idioma oficial da liturgia do melquitas é o Árabe, mas também há orações em Grego e no idioma do país onde se celebra a liturgia, no caso do Brasil, o Português.

CATÓLICA

Embora tenham os mesmos ritos e origens, a Igreja Greco-Melquita é plenamente católica, enquanto que sua “igreja irmã”, a Ortodoxa Antioquina, está separada da comunhão com Roma e possui hierarquia própria.

A origem dessa história remete aos séculos IV e V, quando as cinco primeiras Igrejas apostólicas receberam o título de patriarcados, dando origem à chamada pentarquia: Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém. Na pentarquia, o Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, tinha o primado de honra entre os demais patriarcas, sendo o primus inter pares (o primeiro entre os iguais) na ordem de precedência das Igrejas.

Em 1054, aconteceu o famoso “Grande Cisma” entre as igrejas do Ocidente e do Oriente, resultante de um longo processo motivado por questões políticas, culturais, eclesiásticas e doutrinais. Assim, as Igrejas dos quatro patriarcados orientais que se separaram denominaram-se ortodoxas. Apesar do Cisma, muitas comunidades orientais não manifestaram total rompimento com Roma, embora o Patriarcado de Constantinopla, que passou a ter o primado de honra entre os ortodoxos, exercia uma forte influência sobre as igrejas do Oriente para manterem-se separadas do Ocidente.

Em 1724, após a morte do Patriarca de Antioquia Atanásio III Dabbas, foi eleito o Patriarca Cirilo Tanás, que era favorável à comunhão com Roma. Em oposição a essa eleição, o Patriarca de Constantinopla nomeou um patriarca com posicionamento contrário à comunhão, Silvestre, o que originou duas linhas de sucessão patriarcal: a católica e a ortodoxa. Esse movimento de união dos Melquitas com à Sé de Pedro foi bastante motivado pela presença dos missionários católicos europeus – jesuítas, franciscanos, capuchinhos e carmelitas – na região.

NO BRASIL

Os primeiros cristãos greco-melquitas imigraram para o Brasil entre os anos de 1869 e 1890, e foram genericamente chamados de “turcos”, pelo fato de seus passaportes terem sido fornecidos pelo Império Otomano. Com o crescimento dos imigrantes, a Igreja Católica Greco-Melquita começou a se preocupar com os seus fiéis na diáspora e, em 1939, enviou ao Rio de Janeiro seu o primeiro Pároco, o Arquimandrita (equivalente a Monsenhor) sírio Elias Couéter, que, durante muitos anos, foi o único sacerdote melquita no País.

Em 1946, Dom Jaime de Barros Câmara, então Arcebispo do Rio de Janeiro, erigiu a primeira paróquia Greco-Melquita do Brasil, dedicada a São Basílio. Depois de o Patriarca Maximos IV insistir junto à Santa Sé para que existisse uma disciplina eclesiástica adequada para a sua Igreja na diáspora, em 1951, o Papa Pio XII instituiu um Ordinariado para os fiéis católicos de ritoS orientais no Brasil, tendo como Ordinário Dom Jaime Câmara, que nomeou o Arquimandrita Couéter como Vigário-Geral para os Greco-Melquitas, função que exerceu até ser nomeado, em 1972, bispo e primeiro Eparca da recém- criada Eparquia Nossa Senhora do Paraíso, cuja sede foi fixada na paróquia de mesmo nome, elevada a catedral, no bairro do Paraíso. Dom George Khoury será o sexto Eparca Greco-Melquita do Brasil.  

 

Ritos que constituem a Igreja Católica 

RITO OCIDENTAL

Tradição litúrgica latina ou romana:
Rito latino da Igreja Católica Apostólica Romana (sede em Roma)

RITOS ORIENTAIS

Tradição litúrgica alexandrina:
Igreja Católica Copta (patriarcado; sede no Cairo, Egito)
Igreja Católica Etíope (metropolitanato; sede em Adis Abeba, Etiópia)
Igreja Católica Eritreia (metropolitanato; sede em Asmara, Eritreia)

Tradição litúrgica bizantina:
Igreja Greco-Católica Melquita (patriarcado; sede em Damasco, Síria)
Igreja Católica Bizantina Grega (eparquia; sede em Atenas, Grécia)
Igreja Católica Bizantina Ítalo-Albanesa (eparquia; sede na Sicília, Itália)
Igreja Greco-Católica Ucraniana (arcebispado maior; sede em Kiev, Ucrânia)
Igreja Greco-Católica Bielorrussa (também chamada Católica Bizantina Bielorussa)
Igreja Greco-Católica Russa (sede em Novosibirsk, Rússia)
Igreja Greco-Católica Búlgara (eparquia; sede em Sófia, Bulgária)
Igreja Católica Bizantina Eslovaca (metropolitanato; sede em Prešov, Eslováquia)
Igreja Greco-Católica Húngara (metropolitanato; sede em Nyíregyháza, Hungria)
Igreja Católica Bizantina da Croácia e Sérvia (eparquia; sedes em Križevci, Croácia, e Ruski Krstur, Sérvia)
Igreja Greco-Católica Romena (arcebispado maior; sede em Blaj, Romênia)
Igreja Católica Bizantina Rutena (metropolitanato; sede em Pittsburgh, Estados Unidos)
Igreja Católica Bizantina Albanesa (eparquia; sede em Fier, Albânia)
Igreja Greco-Católica Macedônica (exarcado ou exarquia; sede em Escópia, Macedônia)

Tradição litúrgica armênia:
Igreja Católica Armênia (patriarcado; sede em Beirute, Líbano)

Tradição litúrgica maronita:
Igreja Maronita (patriarcado; sede em Bkerke, Líbano)

Tradição litúrgica antioquena ou siríaca ocidental:
Igreja Católica Siríaca (patriarcado; sede em Beirute, Líbano)
Igreja Católica Siro-Malancar (arcebispado maior; sede em Trivandrum, Índia)

Tradição litúrgica caldeia ou siríaca oriental:
Igreja Católica Caldeia (patriarcado; sede em Bagdá, Iraque)
Igreja Católica Siro-Malabar (arcebispado maior; sede em Cochim, Índia)
 

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