SÃO PAULO

Comunicação oficial

Nota de Esclarecimento sobre o ato inter-religioso na Catedral da Sé

Por Vicariato da Comunicação
02 de outubro de 2019

Dom Odilo Pedro Scherer emite nota de esclarecimento sobre o ocorrido na Catedral da Sé na tarde de ontem, 30 de setembro

ESCLARECIMENTO
 
A quem interessar possa, desejo dirigir uma palavra esclarecedora a respeito da manifestação inter-religiosa realizada no dia 30 de setembro na Catedral metropolitana de São Paulo.
 
Antes de tudo, peço muita calma! Estejamos muito atentos àquilo que ouvimos e lemos e de quem recebemos mensagens. Checagem das informações e discernimento são coisas indispensáveis, para não sermos arrastados por informações de todo tipo. É necessário ver, se as fontes das informações são confiáveis. Há muita fonte poluída por aí e quem bebe de fontes envenenadas, fica envenenado também e pode até morrer...
 
A manifestação na Catedral de São Paulo partiu de uma organização inter-religiosa, que queria dar o seu apoio ao sínodo da pan-Amazônia, que o Papa Francisco vai abrir em Roma no próximo domingo, dia 06 de outubro. Estiveram presentes numerosos representantes de religiões não-cristãs mas falaram apenas representantes de oito religiões, além da minha fala e do cardeal Dom Cláudio Hummes. Não foi uma celebração ecumênica, mas um ato inter-religioso, o que é diferente. Nem estávamos vestidos para uma celebração.
 
Não falou nenhum político. O nome de nenhum político sequer foi mencionado! Tudo transcorreu na melhor serenidade e sem nenhum inconveniente. Está longe da verdade quem divulga que foi um uma “balbúrdia” e uma “profanação”. Quem fala isso mente.
 
Não houve nenhuma menção a “Lula livre”. Depois que deixei a Catedral, vi imagens nas mídias sociais, que mostravam flâmulas, penduradas como se fosse num varal num espaço lateral da catedral, e que tinham a inscrição “Lula livre”. Foi obra de alguém que instrumentalizou o momento, infelizmente. Mas nada disso fez parte da organização do ato inter-religioso, nem teve influência no ato.
 
Vi também imagens pelas mídias sociais, só depois que deixei a Catedral da Sé, sobre um início de tumulto provocado por alguns pouquíssimos jovens, na entrada da Catedral (não foi durante o ato-inter-religioso), os quais queriam se opor ao ato porque viram as flâmulas “Lula livre”. Foi algo que não interferiu na manifestação inter-religiosa em si. Pelas imagens e falas, percebi que algumas pessoas tentaram impedir que os jovens entrassem na Catedral para fazerem seu protesto. Mas ninguém “expulsou” os jovens da Catedral, menos ainda por iniciativa da própria Catedral, ou do Arcebispo. Mente quem afirma o contrário e traz para o centro da questão, de maneira equivocada ou malévola,  algo que foi apenas marginal e nem foi percebido durante a manifestação inter-religiosa.
 
Essa manifestação foi digna, respeitosa e não houve nada de ofensivo ou contrário à fé católica ou ao decoro da igreja-catedral. Nem foi um ato sincrético, nem “balbúrdia”,  nem “profanação”, nem “palhaçada”, nem foi uma manifestação “política”, como alguns estão divulgando e querem fazer crer. Quem fala isso mente.
 
Na Catedral havia a presença ou a representação de mais de 100 instituições e organizações religiosas e civis de diversas expressões, que assim manifestaram seu apoio à iniciativa do sínodo. Também havia políticos de vários partidos. Ninguém, a não ser os oito líderes religiosos, teve a palavra. As falas foram breves e respeitosas.
 
Os representantes das diversas religiões não cristãs e um representante evangélico, que tomaram a palavra, manifestaram apreço pelo Papa Francisco e pela iniciativa do sínodo, convocado por ele. E manifestaram sua confiança e os desejos de bons frutos dessa assembleia sinodal da Igreja Católica.
 
Eventuais posturas ou manifestações individuais e não programadas pelo ato inter-religioso não podem ser confundidas com o ato, em si, nem com o propósito de quem organizou o mesmo, cujo objetivo foi o de manifestar o apreço pela realização da assembleia do sínodo para a grande Amazônia.
 
Convido todos a serenarem os ânimos, a se informarem bem antes de quaisquer manifestações contundente ou ofensivas e, em vez de polarizações excludentes e de manifestações condenatórias, busquemos o diálogo com todos, no respeito pelas convicções diferentes, sem esconder as próprias. Em vez de voltarmos nossas energias uns contra os outros, demo-nos as mãos, dialoguemos e colaboremos na busca de solução para tantos problemas concretos ao nosso redor e para aquilo que é importante para o mundo, “casa comum” de todos nós, confiada aos nossos cuidados.
 
Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo
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