SÃO PAULO

MUSEU

Música no Museu! Recitais de piano aos domingos no MuBE

Por Nayá Fernandes
06 de dezembro de 2019

Com entrada gratuita e conta com uma programação intensa de exposições, cursos e apresentações musicais

São 7 mil metros quadrados, um projeto arquitetônico assinado por Paulo Mendes da Rocha e um imenso jardim de Roberto Burle Marx. Obras de Francisco Brennand, Sonia Ebling e Lygia Clarck, além da exposição inédita do artista Tony Cragg podem ser vistas no Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE), que tem entrada gratuita e conta com uma programação intensa de exposições, cursos e apresentações musicais. 
O MuBE, localizado na Rua Alemanha, 221, no Jardim Europa, impressiona pela beleza e grandiosidade, seja das obras, seja da estrutura em si. “O Museu foi criado a partir do desejo da sociedade, quando, em 1986, houve um concurso para a escolha do arquiteto que faria o projeto, no terreno concedido pela Prefeitura”, recordou Flavia Velloso, diretora do MuBE.
Em 1995, após quase dez anos, o sonho se tornaria realidade e o MuBE, um marco para a cidade de São Paulo, teria sua inauguração oficial. Reconhecido como um dos  projetos mais importantes do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, o museu recebe visitas de estudantes de Arquitetura do mundo inteiro. 

 

MÚSICA PARA TODOS!
Quem visita o MuBE aos domingos pode prestigiar recitais de piano que acontecem, ininterruptamente, durante todo o ano. “Acredito que seja a única série de recitais da América Latina que mantém uma programação como a nossa”, disse, em entrevista ao O SÃO PAULO, Luiz Guilherme Pozzi, pianista, professor universitário de Música e curador dos recitais de piano do MuBE. 
Confortável e com capacidade para 192 pessoas, o Auditório Pedro Piva recebe, todos os domingos, às 16h, o público interessado em escutar boa música e aproveitar os diferentes espaços do museu.
“É uma experiência maravilhosa, pois, além de virem aos recitais, as pessoas podem almoçar no restaurante do museu, visitar as exposições ou ainda passear pelo jardim”, sugeriu Pozzi, que ressaltou, ainda, o fato de o auditório favorecer a participação de famílias com crianças, que podem facilmente se deslocar dentro do espaço, o que nem sempre é possível numa sala de concertos ou num teatro grande, por exemplo.
Estudantes de Música não pagam ingresso para participar dos recitais e há um cuidado, por parte da curadoria, para que a programação mescle peças eruditas e populares, além de dar oportunidade para pianistas iniciantes, ganhadores de concursos ou jovens que se apresentam em festivais, como o da cidade de Campos do Jordão, no interior de São Paulo.
“Na última temporada, não repetimos uma obra sequer e tivemos pianistas com idade entre 8 e 88 anos, o que mostra a pluralidade da música clássica e como ela é acessível a todos. Além disso, nos preocupamos com a duração dos concertos, que é um pouco mais curta, para que todos sintam-se bem durante a apresentação. Aqui tocaram, em 2019, nomes como Hercules Gomes e Eudóxia de Barros”, explicou Pozzi.
A última apresentação de 2019 acontecerá no domingo, 8, com o dueto formado por Pozzi e Baldini, violinista e spalla [o primeiro de cda instrumentista dos naipes de cordas de uma orquestra]da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). 
“Em março de 2020, teremos somente pianistas mulheres e, como fizemos em edições passadas, continuaremos a lançar obras de compositores brasileiros, fazendo com que o espaço se torne, sempre mais, referência para amantes da música, na cidade de São Paulo”, afirmou o curador.
Os ingressos para os recitais custam R$ 30 (R$ 15 a meia-entrada) e podem ser adquiridos antes de cada apresentação. A programação é divulgada semestralmente pela página do Facebook: 
facebook.com/recitaisdepianomube.

SOBRE O MUBES
Silêncio, uma grande estrutura erguida em concreto aparente abaixo do nível da rua e grandes áreas expositivas são características que tornam o MuBE um ambiente único na capital paulista. O lugar conta, também, com espaço gastronômico e loja de souvenirs. 
“Temos aqui uma das melhores feiras de antiguidades da capital”, informou Telmo Porto, conselheiro do museu. A Feira de Antiguidades de Design do MuBE acontece aos domingos, das 10h às 17h, e reúne expositores com peças exclusivas e cuidadosamente selecionadas. 
Porto destacou também a programação de cursos e as visitas mediadas oferecidas pelo museu, direcionadas a crianças, estudantes e grupos da terceira idade. “É uma instituição privada de interesse público e aberta à comunidade”, afirmou.
“Com curadoria de Cauê Alves, pretendemos, em 2021, apresentar uma antologia da escultura brasileira, com obras de diferentes épocas e escolas”, explicou Flavia Velloso. “Até lá, teremos exposições temporárias de escultores brasileiros, como Amilcar de Castro, artista mineiro que foi escultor, desenhista, diagramador, cenógrafo e poeta,  e cujo centenário de nascimento comemoramos no próximo ano”, completou. 
Com entrada gratuita, até o dia 1º de março, o público pode encantar-se com a exposição “Espécies Raras”, do escultor britânico, radicado na Alemanha, Tony Cragg. Conhecido internacionalmente como um dos mais importantes escultores da atualidade, o artista se diferencia pela pesquisa e trabalho com diferentes materiais, como madeira, bronze, vidro, aço e alumínio. Suas obras estão espalhadas também pelos jardins do museu e podem ser vistas pelas pessoas que passam pelos arredores do MuBE. 
“Além de ressaltar a beleza da escultura, o MuBE pretende ajudar a sociedade a pensar sobre a ocupação dos espaços e, por isso, está sempre em movimento”, disse Flavia, à frente do museu desde 2016.

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