SÃO PAULO

Igreja em saída

Missão Belém: evangelizar em todos os lugares

Por Nayá Fernandes
14 de fevereiro de 2018

Cerca de mil pessoas estiveram na Catedral da Sé, no sábado, 3, para a celebração em que 12 Grupos de Evangelização foram enviados

Luciney Martins/O SÃO PAULO

São 30 Grupos de Evangelização formados durante quatro anos, desde os primeiros retiros que aconteciam, exclusivamente, nas casas de acolhida da Missão Belém. “As pessoas começaram a perceber que os retiros, pensados para levar o querigma ao povo da rua acolhido na Missão Belém, eram instrumentos interessantes também para elas. Foi então que esses grupos começaram a ser formados”, explicou Padre Gianpietro Carraro, um dos fundadores da Missão Belém, durante evento que aconteceu no sábado, 3, na Catedral da Sé. 

“A Missão Belém nasceu especificamente para o povo de rua de São Paulo e do Brasil, e, para esse povo, foram sendo criados instrumentos de evangelização, como o “Yeshua”, um retiro que saiu das casas de acolhida para o mundo. Hoje, a metodologia consiste em dobrar anualmente o número de pessoas nos grupos, de maneira que eles se multipliquem. Em 2017 nasceram 12 novos grupos”, disse Padre Gianpietro.

Cerca de mil pessoas participaram no sábado, a partir das 17h, de um momento de partilha e oração, seguido da missa em que membros de 12 desses grupos foram enviados em missão, após um ano de formação junto a outros evangelizadores. A missa foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, e concelebrada pelos padres da Comunidade Missão Belém. 

No primeiro ano, os novos membros são evangelizados e, no ano seguinte, passam a ser evangelizadores, sem, é claro, deixar de continuar empenhando-se na própria formação. “Eles têm um domingo por mês de formação e, a partir do quarto mês, precisam doar meia hora por dia para realizar as atividades propostas pela Escola de Formação. São cerca de 200 horas de aula que acontecem online, além de quatro fins de semana por ano, nos quais eles se reúnem para partilharem as experiências”, continou o Padre. 

No sábado, a bênção especial foi para aqueles que concluíram o ano formativo e assumiram efetivamente a evangelização em outras equipes. “Os grupos só não podem pescar dentro das igrejas. O específico deles são os prédios, praças, ruas, baladas. Há abordagens nas ruas, momentos de descontração nos parques, evangelização durante a madrugada”, salientou o Padre, ao enfatizar a missão própria dos grupos: trazer as pessoas que estão fora ou afastadas da Igreja. 

Ao todo, os Grupos de Evangelização da Missão Belém são formados por cerca de 1.400 pessoas no Brasil, mais 1.400 pessoas na Itália e um grupo que começa a se formar no Haiti.
 

DIÁRIO ESPIRITUAL

Outro instrumento de evangelização da Missão Belém é o “Diário Espiritual”, que nasceu há 12 anos, com o intuito de alcançar o povo da rua e, desde então, é escrito, mensalmente, pelo Padre Gianpietro, a partir de reflexões diárias do Evangelho e de testemunhos das pessoas que mudaram de vida dentro da Missão.  “O Diário Espiritual – nas casas de acolhida – tem uma metodologia muito simples: ler um trecho do Evangelho pela manhã, refletir sobre ele, elaborar um propósito para o dia e partilhar a experiência à noite. Como as pessoas dos Grupos de Evangelização não podem encontrar-se diariamente, surgiram os diferentes grupos no Whats App , e juntos, à medida do possível, eles leem e partilham seus propósitos virtualmente”, explicou Padre Gianpietro.

São impressos 3 mil livretos mensalmente, e estima-se que cerca de 15 mil pessoas acompanhem o Diário Espiritual pela internet e pelas redes sociais.

 

ENCONTRO COM JESUS

Durante a celebração da missa, o Cardeal avaliou positivamente a iniciativa da Missão Belém e disse sentir uma grande alegria pelos grupos dispostos a evangelizar. “Com muita alegria eu os abençoo e envio para que possam levar a Palavra de Deus a todas as pessoas que vocês encontrarem, mas, de modo muito especial, às pessoas que estão nas periferias”, disse Dom Odilo. O Arcebispo recordou que não se trata, somente, das periferias geográficas, “as beiradas da cidade”, mas sim de todas as pessoas “que estão fora, que não estão incluídas, que estão esquecidas”. 

“Trata-se de ajudar as pessoas a encontrarem Jesus, como muitos de vocês encontraram e, a partir daí, começaram uma vida nova, uma vida que tem sentido, que saiu das trevas para a luz, boa para vocês e significativa para os outros. Que fazendo este trabalho, vocês possam aprender mais e mais e que, indo ao encontro das pessoas, sintam sempre mais o desejo de aprofundar o seu próprio encontro com Jesus”, afirmou o Cardeal.
 

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