Papa Francisco: para amar a Deus, é preciso amar o irmão

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10 de janeiro de 2019

Para amar a Deus concretamente, é preciso amar os irmãos, isto é, rezar por eles, simpáticos e antipáticos, inclusive pelo inimigo. Na homilia desta manhã (10/01) na capela da Casa Santa Marta, o Papa fez um forte apelo ao amor. Quem nos dá a força para amar assim é a fé, que vence o espírito do mundo.

O espírito do mundo é mentiroso

A reflexão de Francisco se inspirou na Primeira Carta de São João apóstolo (1Jo 4,19 - 5,4) proposta pela Liturgia do dia. O apóstolo João, de fato, fala de “mundanidade”. Quando diz: “Quem foi gerado por Deus é capaz de vencer o mundo” está falando da “luta de todos dias” contra o espírito do mundo, que é “mentiroso”, é um “espírito de aparências, sem consistência”, enquanto “o Espírito de Deus é verdadeiro”.

“O espírito do mundo é o espírito da vaidade, das coisas que não têm força, que não têm fundamento e que acabarão”, destacou Francisco. Como os doces de Carnaval, os crêpes – chamados em dialeto de “mentiras” – não são consistentes, mas “cheios de ar”, isto é, do espírito do mundo.

O espírito do mundo divide sempre

O apóstolo nos oferece o caminho da concretude do espírito de Deus: dizer e fazer são a mesma coisa. “Se você tem o Espírito de Deus” – recordou o Papa –, fará coisas boas. E o apóstolo João diz uma coisa “cotidiana”: “Quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê”. “Se você não é capaz de amar algo que vê, como conseguirá amar algo que não vê? Isso é a fantasia”, destacou o Papa, exortando a amar “o que se vê, se pode tocar, que é real. E não as fantasias, que não se veem”.

Se você não é capaz de amar a Deus no concreto, não é verdade que você ama a Deus. E o espírito do mundo é um espírito de divisão e quando se infiltra na família, na comunidade, na sociedade sempre cria divisões: sempre. E as divisões crescem e vêm o ódio e a guerra … João vai além e diz: “Se alguém diz ‘Amo a Deus', mas entretanto odeia o seu irmão, é um mentiroso”, isto é, é filho do espírito do mundo, que é pura mentira, pura aparência. E isso é algo sobre o qual nos fará bem refletir: eu amo a Deus? Mas vamos fazer uma comparação e ver como você ama o seu irmão: vamos ver como você o ama.

O Papa então indicou três sinais que indicam que não amo o irmão. Antes de tudo, Francisco exortou a rezar pelo próximo, também por aquela pessoa que é antipática e sei que não me quer bem, também por aquela que me odeia, pelo inimigo, como disse Jesus. Se não rezo, “é um sinal que você não ama”:

O primeiro sinal, pergunta que todos devemos fazer: eu rezo pelas pessoas? Por todas, concretas, as que são simpáticas e antipáticas, por aquelas amigas e não são amigas. Primeiro. Segundo sinal: quando eu sinto dentro de mim sentimentos de ciúme, de inveja e quero desejar o mal ou não... é um sinal que não ama. Pare ali. Não deixar crescer esses sentimentos: são perigosos. Não deixá-los crescer. E depois o sinal mais cotidiano de que eu não amo o próximo e, portanto, não posso dizer que amo a Deus, é a fofoca. Vamos colocar no coração e na cabeça: se eu faço fofocas, não amo a Deus porque com as fofocas estou destruindo aquela pessoa. As fofocas são como balas de mel, que são saborosas, uma chama a outra e depois o estômago se consuma, com tantas balas... Porque é bom, é “doce” fofocar, parece uma coisa bela, mas destrói. E este é um sinal de que você não ama.

A necessidade da fé

Se uma pessoa deixa de fofocar na sua vida, “eu diria que é muito próxima a Deus”, porque – explicou Francisco – não fofocar “protege o próximo, protege Deus no próximo”.

E o espírito do mundo se vence com este espírito de fé: acreditar que Deus está no meu irmão, na minha irmã. A vitória que venceu o mundo é a nossa fé. Somente com tanta fé é possível percorrer esta estrada, não com pensamentos humanos de bom senso … não, não: não são necessários. Ajudam, mas não servem nesta luta. Somente a fé nos dará a força para não fofocar, para rezar por todos, inclusive pelos inimigos e de não deixar crescer os sentimentos de ciúme e de inveja. O Senhor, com este trecho da Primeira Carta de São João apóstolo, nos pede concretude no amor. Amar a Deus: mas se você não ama seu irmão, não pode amar a Deus. E se você diz amar o seu irmão, mas na verdade não o ama, o odeia, você é um mentiroso.

 

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Papa Francisco: a cultura da indiferença é o oposto do amor de Deus

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08 de janeiro de 2019

Deus “dá o primeiro passo” e ama “a humanidade que não sabe amar”, porque ele tem compaixão e misericórdia, enquanto nós mesmo sendo bons, muitas vezes não entendemos as necessidades dos outros e permanecemos indiferentes, “talvez porque o amor de Deus” não entrou em nossos corações.

Foi o que disse o Papa Francisco na homilia da missa celebrada na manhã desta terça-feira (08/01), capela da Casa Santa Marta, oferecida ao eterno descanso do arcebispo Giorgio Zur, núncio apostólico emérito na Áustria, que viveu ali naquela casa e faleceu “ontem à meia-noite”, disse o Papa. O pontífice se inspirou na liturgia de hoje, desde a exortação ao amor, da Primeira Carta de São João Apóstolo, ao Evangelho de Marcos, sobre a multiplicação dos pães.

 

Deus deu o primeiro passo e nos amou primeiro

“Amemo-nos uns aos outros, porque o amor” vem de Deus, recordou o Papa, citando as palavras de São João na Primeira Leitura. O apóstolo explica “como o amor de Deus se manifestou em nós”: “Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que tenhamos a vida através dele”.

“Este é o mistério do amor”, esclareceu Francisco, “Deus nos amou por primeiro. Ele deu o primeiro passo”. Um passo “em direção à humanidade que não sabe amar”, que “precisa do carinho de Deus para amar”, do testemunho de Deus. “Este primeiro passo que Deus fez é o seu Filho: ele o enviou para nos salvar e dar sentido à vida, para nos renovar, para nos recriar”.

 

Jesus teve compaixão da multidão

A seguir, Pontífice falou da passagem do Evangelho de Marcos sobre a multiplicação dos pães e dos peixes. “Por que Deus fez isso?”, perguntou. Por “compaixão”. A compaixão da grande multidão de pessoas que vê descendo do barco, às margens do Lago de Tiberíades, porque estavam sozinhas, sublinhou o Papa Francisco: “Eram como ovelhas que não têm pastor”.

O coração de Deus, o coração de Jesus se comove, e vê, vê aquelas pessoas, e não pode ficar indiferente. O amor é inquieto. O amor não tolera a indiferença. O amor tem compaixão. Mas compaixão significa colocar o coração em risco; significa misericórdia. Jogar o próprio coração para os outros: isso é amor. O amor é colocar o coração em risco para os outros.

 

Os discípulos: que se arranjem para encontrar comida

Depois, o Papa descreveu a cena de Jesus que ensina “muitas coisas” ao povo e os discípulos acabam ficando entediados, “porque Jesus sempre dizia as mesmas coisas”. E enquanto Jesus ensina “com amor e compaixão”, talvez comecem a “falar entre eles”. No final, eles olham para o relógio: “Mas é tarde ...”.

Francisco ainda citou o evangelista Marcos: “Mas Mestre, o lugar é deserto e agora é tarde. Mandem eles embora, de modo que, indo para os povoados vizinhos, possam comprar comida”. Praticamente dizem “para eles se virar” e que comprem o pão deles. “Mas temos certeza”, comentou o Pontífice, “de que sabiam que tinham pão para eles, e queriam proteger isso. É a indiferença”:

Aos discípulos não interessava as pessoas: interessava Jesus, porque o queriam bem. Não eram maus: eram indiferentes. Eles não sabiam o que era amar. Eles não sabiam o que era compaixão. Eles não sabiam o que era indiferença. Eles tiveram que pecar, trair o Mestre, abandonar o Mestre, para entender o cerne da compaixão e da misericórdia. E Jesus, a resposta é pungente: "Dai-lhes vós mesmos de comer". Tomem conta deles. Esta é a luta entre a compaixão de Jesus e a indiferença, a indiferença que se repete na história sempre, sempre ... Tantas pessoas que são boas, mas não compreendem as necessidades dos outros, não são capazes de compaixão. São boas pessoas, talvez porque não entrou o amor de Deus em seus corações ou não o deixaram entrar.

 

A fotografia das pessoas que desviam o olhar do sem-teto

E aqui o Papa Francisco descreve uma fotografia que está nas paredes da Esmolaria Apostólica: "um clique espontâneo que fez um bravo jovem romano que a ofereceu à Esmolaria". O fez Daniele Garofani, hoje fotógrafo do "L'Osservatore Romano", retornando de um serviço de distribuição de refeições para os sem-teto junto com o cardeal Krajewski.
É uma noite de inverno, “se percebia pela maneira de vestir das pessoas" - explica o Papa - que saíam "de um restaurante". "Pessoas bem cobertas" e satisfeitas: "haviam comido, estavam entre amigos".

E lá – prossegue Francisco na descrição da foto - "havia um homem sem-teto no chão, que faz assim ..." (e imita o gesto da mão estendida para pedir esmola). O fotógrafo, acrescenta ainda o Papa, "foi capaz de tirar a fotografia no momento em que as pessoas desviam o olhar, para que os olhos não se cruzem". Isto, comentou Francisco, "é a cultura da indiferença. Isto é o que os apóstolos fizeram". "Deixe-os, que vão para o campo, no escuro, com fome. Que eles se arranjem: é problema deles". "Temos o que comer: cinco pães e dois peixes para nós".

 

O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença

"O amor de Deus sempre vai primeiro - explica o Papa - é amor de compaixão, de misericórdia". É verdade que o oposto do amor é o ódio, mas em tantas pessoas não existe um "ódio consciente":

O oposto mais cotidiano ao amor de Deus, à compaixão de Deus, é a indiferença: a indiferença. "Eu estou satisfeito, não me falta nada. Tenho tudo, assegurei esta vida, e também a eterna, porque vou à Missa todos os domingos, sou um bom cristão". "Mas, saindo do restaurante, eu olho para outra parte". Pensemos: este Deus que dá o primeiro passo, que tem compaixão, que tem misericórdia, e tantas vezes nós, o nosso comportamento é a indiferença. Rezemos ao Senhor para que cure a humanidade, começando por nós: que o meu coração seja curado dessa doença que é a cultura da indiferença.

 

Felicitação a Kiko Argüello pelo zelo apostólico

No final da celebração, Francisco envia uma cordial saudação a Kiko Argüello, iniciador do Caminho Neocatecumenal, pelo seu octogésimo aniversário, e agradece a ele" pelo zelo apostólico com que trabalha na Igreja".

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Cardeal Odilo Pedro Scherer preside missa na festa de Santo Agnelo

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21 de dezembro de 2018

Os fiéis da Paróquia Santo Agnelo comemoraram neste mês a festa do Padroeiro, que foi iniciada com novena, tendo uma das missas presidida por Dom José Roberto Fortes Palau, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga. 

Na sexta-feira, 14, no dia do Padroeiro, a missa foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano. Na homilia, o Cardeal destacou a importância dos trabalhos missionários e de ter como centro a Cruz de Cristo na perspectiva de o caminho ser árduo, mas com esperança na Ressurreição. 

Padre Renato Braga, Pároco, ressaltou que com o sínodo, a Paróquia Santo Agnelo iniciou as pastorais da Comunicação, da Catequese de adulto e da Juventude.
 

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Supremo confirma pena a ativista que interrompeu missa

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05 de janeiro de 2019

O Supremo Tribunal espanhol confirmou a condenação a seis meses de prisão do ativista que, em 2014, invadiu uma igreja e interrompeu uma missa com gritos a favor do aborto.

No dia 9 de fevereiro de 2014, o homem, junto com outras pessoas, interrompeu a celebração de uma missa na cidade de Gerona, com gritos a favor do aborto. Eles também lançaram panfletos e exibiram um cartaz no altar com o slogan “tirem osTerços de nossos ovários”.

O ativista foi condenado por delito contra o sentimento religioso. Seu recurso já havia sido rejeitado em 2017, mas ele recorreu novamente ao Supremo Tribunal. No dia 4 deste mês, a sentença foi definitivamente confirmada. Segundo os juízes, o acusado agiu “sabendo que com a sua ação poderia chegar a ofender os sentimentos religiosos”. O Tribunal também ressaltou que a liberdade de expressão não é absoluta e pode ser confrontada com outros direitos, como a liberdade religiosa. Além disso, a ação ocorreu dentro de uma igreja, “um lugar reservado especialmente para a reunião das pessoas que professam a religião católica, diante do altar, durante a celebração de uma missa dominical e em um momento em que os paroquianos estavam reunidos em oração”.

Fonte: ACI
 

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Cardeal Scherer: ‘É nosso dever visitar e estar próximos dos enfermos’

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20 de dezembro de 2018

Na segunda-feira, 17, um dos corredores do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, transformou-se em uma igreja. Pacientes, profissionais e voluntários se reuniram para a missa presidida todos os anos pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, por ocasião do Natal, no maior hospital do País de referência no atendimento a pacientes com doenças infecciosas, principalmente HIV/Aids. 

Na saudação inicial, Dom Odilo manifestou alegria por celebrar novamente no Instituto de Infectologia, rezando por toda a comunidade hospitalar, especialmente por aqueles que irão passar o Natal internados ou trabalhando e, assim, não poderão estar com seus familiares. “Sabemos que todo mundo gostaria de passar o Natal em casa, mas nem sempre é possível. Então, este momento, esta missa, quer dar justamente esta certeza: que nós estamos com vocês”, afirmou. 

O Arcebispo agradeceu aos padres e voluntários da capelania. “É um grande trabalho que, além de, naturalmente, exigir de todos o melhor de sua capacidade humana e competência profissional, também requer um grande amor, uma grande capacidade para estar junto com as pessoas. O trabalho nos hospitais requer um grande coração e, por isso, Jesus classificou o cuidado aos doentes como uma grande obra de misericórdia e de amor”, ressaltou, recordando que o próprio Cristo sempre teve seu coração voltado aos doentes. 

Hoje, 10 mil pacientes com doenças crônicas fazem acompanhamento médico no ambulatório do Emílio Ribas. Cerca de 70% dos pacientes internados têm complicações em decorrência da Aids (síndrome desenvolvida pela baixa imunidade causada pelo HIV). Também têm crescido, no entanto, os casos de vítimas de doenças como hepatite e tuberculose.
 

A CAPELANIA

A Capelania Católica do Instituto de Infectologia Emílio Ribas foi instituída em 1994 para atender os pacientes em um período em que a epidemia de Aids era alta e causava muitas mortes. “Era uma época que chegávamos a ter 18 óbitos por dia em decorrência da Aids”, destacou o Capelão, Padre João Inácio Mildner.

Desde o início, a Capelania Católica do Emílio Ribas é pessoal, isto é, ligada diretamente ao Arcebispo Metropolitano, não pertencendo a nenhuma paróquia ou região episcopal. “Por isso, Dom Odilo, assim como os arcebispos anteriores, faz questão de celebrar o Natal e a Páscoa aqui”, informou o Capelão. 

Ainda segundo o Padre João, a Capelania é parte integrante da assistência oferecida ao paciente. “Trata-se de um grupo dentro da equipe multiprofissional do hospital”, enfatizou, destacando que é muito comum médicos de diferentes especialidades, enfermeiros e assistentes sociais chamarem a Capelania para dar assistência contínua a um paciente. 

“A assistência religiosa ajuda a promover o bem-estar e a paz a pacientes e profissionais. Tranquiliza-nos saber que alguém está cuidando da alma, da interioridade dos pacientes”, salientou o médico infectologista Jamal Suleiman, que trabalha no Emílio Ribas há 35 anos. 

 

DEVER DO CRISTÃO

Em entrevista ao O SÃO PAULO, o Cardeal Scherer afirmou que faz questão de visitar os hospitais para ter um contato direto e pessoal com os doentes. “Além do conforto que podemos levar às pessoas, quer os doentes, quer os que trabalham aqui, é nosso dever, em primeiro lugar, como padres e bispos, visitar os enfermos e estar próximos deles”, disse. Além da Páscoa e do Natal, o Arcebispo costuma ir a hospitais ao longo do ano, sobretudo para visitar sacerdotes doentes e outros fiéis, sempre que solicitado pelos familiares. 

Dom Odilo recordou, ainda, que antes de ser nomeado bispo, foi capelão em um hospital para pessoas idosas por três anos: “Essa foi uma experiência marcante na minha vida sacerdotal e na minha experiência humana. Nós aprendemos a ver as pessoas idosas e doentes com um novo olhar, a partir da proximidade delas, que ficam muito fragilizadas e sentem enorme necessidade da presença religiosa, da bênção e da certeza de que Deus está com elas”. 

Padre João ressaltou que sempre que visita um hospital, Dom Odilo vai “como um pastor ao encontro do rebanho que está sofrendo”.

“Mesmo tendo uma agenda cheia de trabalhos, ele dedica inteiramente o tempo que pode passar com os doentes, médicos e conosco, para nos dar forças”, disse, reforçando que considera essencial o apoio do Cardeal. “Ao longo desses anos, pudemos passar pelas epidemias da Aids, das gripes asiática e suína e do risco do vírus ebola, sempre com o apoio e presença do Arcebispo, que nos amparava na missão”, completou o Padre. 

Após a missa, os participantes da celebração e todos os doentes internados no Instituto de Infectologia foram presenteados pelo Cardeal com um panetone. 

 

(Colaboraram: Flavio Rogério Lopes e Jenniffer Silva)
 

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Pastoral da Saúde organiza missa na Paróquia Santos Apóstolos

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17 de dezembro de 2018

A Pastoral da Saúde da Região Episcopal Brasilândia organizou missa, na quinta-feira, 6, na Paróquia Santos Apóstolos, por ocasião do encerramento do Curso de Formação Inicial para Agentes de Pastoral da Saúde. Houve também uma confraternização.
 

PASTORAL DA SAÚDE
 

A Pastoral da Saúde, é uma das Pastorais Sociais da CNBB e com organização cívico-religiosa, sem fins lucrativos, de atuação em âmbito nacional e de referência internacional. Destaca-se pelo comprometimento em defender, preservar, cuidar, promover e celebrar a vida (ou seja, saúde plena) de todo o povo de Deus, independente de quaisquer fatores de exclusão social, inclusive do credo. Com dezenas de milhares de agentes por todo território nacional, esta pastoral atua em três dimensões: solidaria, comunitária e político-institucional.

 

(Com informações de O SÃO PAULO)
 

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Leigos: testemunhas de Deus na cidade

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30 de novembro de 2018

“O Ano do Laicato acabou, porém, a nossa missão de ser cristãos leigos e leigas, de acordo com o nosso carisma e vocação, continua na Igreja e na sociedade.”

A frase foi escrita em um dos cartazes que foram feitos para convidar membros de organizações de leigos, associações de fiéis, movimentos e novas comunidades para o encerramento do Ano Nacional do Laicato, vivido desde o dia 26 de novembro de 2017 pela Igreja Católica no Brasil. A data foi escolhida por coincidir com as comemorações do Dia do Leigo, celebrada anualmente na festa litúrgica de Jesus Cristo, Rei do Universo.

O encerramento na Arquidiocese de São Paulo foi marcado pela missa presidida pelo Cardeal Scherer, no domingo, 25, às 11h, na Catedral da Sé. Na Solenidade de Cristo, Rei do Universo, o Cardeal agradeceu a todos os leigos e leigas que se dedicam à evangelização na cidade de São Paulo.

A missa foi concelebrada por outros padres e teve a participação de leigos representantes dos vários organismos e comunidades da Arquidiocese. Velas acesas e recipientes com sal foram levados durante a procissão de apresentação das ofertas da missa, para recordar que os leigos são chamados a ser “sal e luz” para o mundo, tema escolhido e refletido durante o Ano Nacional do Laicato.

Na homilia, o Cardeal afirmou que é missão de todos promover o Reino de Deus, reino de justiça, amor e paz. Ele salientou, também, que os leigos têm um papel essencial na Igreja e que, com o trabalho cotidiano dos leigos, pode-se evangelizar em todos os lugares.

“Estamos comemorando os cristãos leigos e leigas, todos discípulos de Cristo Rei, para que com a sua presença nas muitas realidades do mundo e com seus pensamentos e atitudes, sejam sal, luz do mundo, fermento no meio da massa. Que possam, mais e mais, inserir o sal e o fermento bons do Evangelho e do Reino de Deus. Queridos irmãos leigos e leigas, esta é a tarefa da Igreja e de todos os batizados que são chamados a fazer aparecer o seu testemunho do Reino de Deus no meio do mundo. Somos testemunhas de Deus na cidade, oxalá se todos nós compreendêssemos e assumíssemos o significado disso”, afirmou Dom Odilo.

No fim da celebração, Marcelo Cypriano Motta, membro da Comissão Arquidiocesana do Ano Nacional do Laicato, agradeceu em nome de todos e falou sobre o fato de o Ano Nacional do Laicato ter coincidido com o sínodo arquidiocesano. “A simultaneidade do Ano do Laicato com a tomada de consciência da sinodalidade, como dimensão constitutiva e caminho da Igreja do terceiro milênio, enriqueceu sumamente o Ano, pois pudemos sentir como nossos pastores agiram sob a Graça, demonstrando saber ouvir o que o Espírito Santo diz à Igreja, seja no nível universal, seja no nível intermédio da Conferência Episcopal que propôs o Ano do Laicato, seja, ainda, no nível particular da nossa Igreja em São Paulo, que acertou duplamente ao convocar o sínodo arquidiocesano, já que este, também, veio a coincidir tanto com o Ano do Laicato quanto com a entrada da Igreja inteira num tempo sinodal”, disse.

No sábado, 24, a Comissão promoveu atividades no Colégio Luiza de Marillac, na zona Norte de São Paulo. Uma feira com workshops para mostrar os diferentes organismos da Arquidiocese e apresentações musicais marcaram a programação que contou, ainda, com apresentação de bandas e dos ministérios de música, e adoração ao Santíssimo Sacramento.

Frei Agostinho da Grande Mãe de Deus, membro da Comunidade Voz dos Pobres e da Comissão, explicou que o evento reuniu grupos diferentes e que deve se repetir nos próximos anos.

 

 

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Papa Francisco: sábio pensar no fim, será um encontro de misericórdia com Deus

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27 de novembro de 2018

"Como será o meu fim? Como eu gostaria que o Senhor me encontrasse quando me chamar?" É sábio pensar no fim", “nos ajuda a seguir em frente”,  a fazer um exame de consciência sobre que coisas eu deveria corrigir e quais “levar em frente porque são boas".

O Papa Francisco dedicou sua homilia matutina na Casa Santa Marta, ao fim do mundo e da própria vida, porque "nesta última semana do ano litúrgico, a Igreja nos faz refletir sobre isso, e “é uma graça", comenta Papa, "porque não gostamos de pensar no fim", "adiamos esta reflexão sempre para amanhã”.

Na primeira leitura, tirada do livro do Apocalipse, São João fala do fim do mundo "com a figura da colheita", com Cristo e um Anjo armado com uma foice. Quando chegar nossa hora, prossegue Francisco, deveremos "mostrar a qualidade do nosso trigo, a qualidade da nossa vida". E acrescenta: "Talvez alguém entre vocês diga: 'Padre, não seja tão sombrio, que estas coisas não nos agradam ...', mas é a verdade":

“É a colheita, onde cada um de nós se encontrará com o Senhor. Será um encontro e cada um de nós dirá ao Senhor: "Esta é a minha vida. Este é meu trigo. Esta é minha qualidade de vida. Errei? "- todos deveremos dizer isso, porque todos erramos - "Fiz coisas boas" - todos fazemos coisas boas; e um pouco mostrar ao Senhor o trigo”.

O que eu diria, pergunta-se ainda o Pontífice, "se hoje o Senhor me chamasse? 'Ah, nem percebi, eu estava distraído ...'. Nós não sabemos nem o dia nem a hora. 'Mas padre, não fale assim que eu sou jovem' - 'Mas olha quantos jovens partem, quantos jovens são chamados ...'. Ninguém tem a própria vida assegurada ".

Em vez disso, é certo que todos nós teremos um fim. Quando? Somente Deus o sabe:

“Nos fará bem nesta semana pensar no fim. Se o Senhor me chamasse hoje, o que eu faria? O que eu diria? Que trigo eu mostraria a ele? o pensamento do fim nos ajuda a seguir em frente; não é um pensamento estático: é um pensamento que avança  porque é levado em frente pela virtude, pela esperança. Sim, haverá um fim, mas esse fim será um encontro: um encontro com o Senhor. É verdade, será uma prestação de contas daquilo que fiz, mas também será um encontro de misericórdia, de alegria, de felicidade. Pensar no fim, no final da criação, no fim da própria vida é sabedoria; os sábios fazem isso”.

Assim, conclui o Papa Francisco, a Igreja convida-nos esta semana a nos perguntarmos "como será o meu fim? Como eu gostaria que o Senhor me encontrasse quando ele me chamar? Devo fazer  "um exame de consciência" e avaliar "que coisas eu deveria corrigir, porque não estão bem? Que coisas devo apoiar e levar em frente porque são boas? Cada um de nós tem tantas coisas boas!". E neste pensamento não estamos sozinhos: "há o Espírito Santo que nos ajuda":  

“Esta semana peçamos ao Espírito Santo a sabedoria do tempo, a sabedoria do fim, a sabedoria da ressurreição, a sabedoria do encontro eterno com Jesus; que nos faça entender essa sabedoria que existe na nossa fé. Será um dia de alegria o encontro com Jesus. Rezemos para que o Senhor nos prepare. E cada um de nós, esta semana, termine a semana pensando no final: "Eu acabarei. Eu não permanecerei eternamente. Como gostaria de acabar?”

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Em missa na Sé, Arquidiocese recorda Dia da Consciência Negra

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26 de novembro de 2018

Uma missa celebrada na Catedral da Sé, na terça-feira, 20, marcou a comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra na Arquidiocese de São Paulo. A celebração foi presidida por Dom Eduardo Vieira dos Santos, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Sé, e concelebrada pelo Padre José Enes de Jesus, Secretário Nacional da Pastoral Afro-Brasileira, e pelo Padre Luiz Fernando de Oliveira, Coordenador Arquidiocesano da mesma pastoral. 

Participaram representantes da Pastoral Afro-Brasileira, pastorais sociais e de movimentos de valorização da cultura negra e de combate à discriminação racial. Também foram recordados os 30 anos da realização da Campanha da Fraternidade de 1988, cujo tema foi “A Fraternidade e o Negro”, em comemoração do centenário da abolição da escravatura no Brasil. 

Na homilia, Dom Eduardo destacou que o Brasil viveu mais de 300 anos de escravidão, e passados mais de um século do seu fim, ainda há sinais de discriminação e exclusão dos afrodescendentes no País. “Terminado esse tempo horrível, o povo negro, na sua caminhada, ainda se vê à margem desta sociedade e, por isso, lutamos por dignidade, vida em plenitude para todos”, afirmou. 

ecordando que os negros representam 54% da população do Brasil, o Bispo ressaltou que muitos deles vivem “na pobreza, no desemprego, sofrimento, violência e falta de oportunidades”. 

“Somos interpelados a construir uma sociedade justa e fraterna da qual fala a Palavra de Deus, a partir da nossa fé e nossa cultura. Celebrar o Dia da Consciência Negra é conclamar a Igreja e a sociedade para abrir os olhos e o coração para que diminuam as injustiças, o preconceito, a discriminação, a pobreza e a violência”, concluiu. 

 

DATA HISTÓRICA

O Dia da Consciência Negra recorda a morte do líder quilombola Zumbi dos Palmares, em 20 de novembro de 1695, por sua luta pela liberdade dos escravos. Embora a data seja recordada pelos movimentos negros desde a década de 1970, foi instituída oficialmente em 2003, ao entrar no calendário escolar, sendo estabelecida como feriado em algumas cidades a partir de leis municipais, como é o caso do município de São Paulo. 

Antes da missa da terça-feira, um grupo de agentes da Pastoral Afro se reuniu diante da estátua em homenagem a Zumbi dos Palmares na Praça Antônio Prado (Rua XV de Novembro), no centro, e seguiu em caminhada até a Catedral da Sé. Inaugurada em 2016, a estátua produzida em bronze, com 2m de altura, é de autoria do artista José Maria dos Santos, vencedor de um concurso cultural realizado pela Prefeitura de São Paulo. 

 

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‘Não poderemos superar nossas pobrezas se não voltarmos o coração para Deus’

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23 de novembro de 2018

No domingo, 18, data em que a Igreja comemorou o 2º Dia Mundial dos Pobres, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, presidiu missa na Casa Guadalupe, no Belezinho, uma das casas da Missão Belém para a acolhida de pessoas em situação de rua. 

Participaram da celebração cerca de cem pessoas, que haviam sido acolhidas pela comunidade naquele mesmo dia, além de mais 150 voluntários, a maioria deles ex-moradores de rua que hoje colaboram nas casas de acolhida. Também participou da Eucaristia o Cônsul Geral da Itália em São Paulo, Filippo La Rosa, em visita à casa, acompanhado da esposa e filhas.

A missa foi concelebrada pelo Padre Gianpietro Carraro, Fundador da Missão Belém, e pelos Padres Gilson Frank dos Reis e Paulo Gomes da Silva, membros da comunidade.

 

OUVIR O CLAMOR

Com o tema “Este pobre clama e o Senhor o escuta”, o Dia Mundial dos Pobres foi convocado pelo Papa Francisco ao término do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, em 2016, com o objetivo de chamar a atenção da Igreja e da sociedade para olhar com mais solicitude para os pobres de todo o mundo.

“São tantos os pobres. A grande pobreza está espalhada por toda a cidade, nas ruas, no centro, nos cortiços, nas moradias improvisadas, na grande periferia, nas comunidades e habitações muito pobres, onde falta muita coisa para haver uma vida digna”, afirmou o Cardeal, durante a homilia, lembrando, ainda, que a pobreza não atinge pessoas em particular, mas alcança até povos inteiros. “Hoje mesmo, o Papa Francisco recordou que precisamos estar atentos ao ‘grito dos pobres’”, acrescentou. 

O Arcebispo destacou também que, além da ajuda individual que é devida aos pobres, é necessário que se estabeleçam melhores condições de convivência e de justiça social para “superação da pobreza da qual muitos não conseguem sair devido a situações estruturais das políticas econômicas mundiais”, e que, “por isso, é necessário que também levantemos a voz e digamos ‘olhemos para os pobres’, para que eles possam sair da situação em que se encontram”, afirmou. 

Dirigindo-se às pessoas acolhidas, o Cardeal Scherer motivou-as a permanecer firmes, a fim de superar as situações de sofrimento e restaurar a vida. “A Missão Belém está propondo a vocês um caminho de restauração da vida, da dignidade”. 

“Não poderemos superar nossas pobrezas se não voltarmos o coração para Deus... A grande riqueza que Deus tem para nos dar não é deste mundo, é a vida eterna, a participação na sua vida”, acrescentou o Arcebispo que, recordando São João Paulo II, destacou: “Se nós damos muitas coisas aos pobres, mas ainda não lhes damos Deus, nem os ajudamos a encontrá-Lo, ainda demos muito pouco a eles”. 

 

UMA NOVA FAMÍLIA

A Casa Guadalupe é uma das quatro casas da Missão Belém na cidade, onde é feita a primeira acolhida das pessoas em situação de rua. “Os irmãos chegam aqui, vindos da rua, muitos deles da região da Cracolândia, no centro da Capital. Lá, os acolhidos ficam de três a seis dias até serem encaminhados a um dos sítios da comunidade no interior. Por semana, passam por essas casas 150 pessoas em média”, explicou o Padre Gianpietro. 

O caminho de acolhida e restauração feito nas casas da Missão Belém afeta não apenas a vida da pessoa que é acolhida, como também a de sua família. Nas casas da comunidade, é possível recuperar a dignidade e até construir uma nova família, como foi o caso de Leônidas Alves Junior, 44, e Adimeia Gomes Alves, 45, que deram o testemunho de sua história ao fim da missa. 

Leônidas chegou à Missão Belém em 2009. Ele conheceu as drogas aos 15 anos, quando morava com os pais em Campinas (SP). Expulso de casa pelo pai, foi para Santos, no litoral paulista. Lá, sua dependência química se agravou. Anos depois, em São Paulo, conheceu o crack e foi parar nas ruas. Após cinco dias internado por causa da droga, foi encaminhado à Missão Belém. “Eu fui acolhido com um abraço, me ofereceram banho, roupa limpa, alimento e uma cama para dormir. Ali, Deus estava me dando a oportunidade de recomeçar a minha vida, de ter uma vida nova”.

Nesse período, Leônidas recebeu a preparação para os sacramentos da Iniciação Cristã, sendo batizado, crismado, além de receber a primeira Comunhão. Foi quando ele conheceu Adimeia, que se envolvera com o crack havia 10 anos, e chegou a perder a guarda de suas quatro filhas, na época. Quando estava grávida da quinta filha, foi parar nas ruas, tendo sido acolhida pela Missão Belém em uma casa destinada a mães e gestantes. “Lá eu conheci o Leônidas, iniciamos um caminho de namoro e nos casamos. Da nossa união, nasceram dois filhos, Lucas e Maria”, contou Adimeia, que hoje cuida da Casa das Mães, onde foi acolhida.

Esses dois filhos se somaram às cinco meninas que Adimeia já tinha. No entanto, essa história não parou por aí: o casal também acolheu outras sete crianças abandonadas, formando, assim, uma grande família. “Aqui eu consegui, aos poucos, reconstruir aquilo que a droga havia destruído. Sempre desejei ter uma família e hoje Deus me concedeu uma família e a oportunidade de sermos família para essas crianças”, afirmou Leônidas. 

 

MULTIPLICADORES DA CARIDADE

Atualmente, a Missão Belém tem 180 casas-famílias, onde vivem cerca de 15 pessoas em cada uma delas, que são acompanhadas por um ex-morador de rua que se torna o “pai” ou “mãe” do grupo. Há, ainda, 45 casas que acolhem cerca de 600 enfermos que foram tirados das ruas.

“Gostaria de agradecer, em nome dos pobres, a todas as organizações da Igreja e da sociedade que se voltam para os pobres. Essas organizações precisam de apoio para que, por meio delas, também possamos ajudar. Elas são multiplicadoras da prática da caridade. Que todos possam se unir, de uma forma ou de outra, a essas organizações que fazem tanto pelos pobres em nome da Igreja, da fé, de Jesus Cristo”, manifestou o Cardeal. 

Dom Odilo também transmitiu palavras e gratidão às muitas pessoas que passaram pelo caminho de restauração na Missão Belém e hoje estão ajudando a restaurar outros irmãos. “Que bonito! Quem recebeu, agora, passa a ajudar. Assim nós podemos superar muitas situações de sofrimento e de pobreza”, afirmou. 

Por fim, o Cardeal reforçou às pessoas que apoiem o trabalho realizado pelas organizações que atuam com os pobres. “São agregadoras de caridade, de solidariedade. Assim, muitos podem ajudar a fazer o trabalho bonito de voluntariado em todos os níveis. Há muito espaço para muitas pessoas trabalharem”, concluiu.

 

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