NACIONAL

EDUCAÇÃO

Meu filho vai para a escola

Por JENNIFFER SILVA
29 de janeiro de 2020

O início da etapa esco lar pode ser desafiador para uma criança e sua família, mas algumas atitudes ajudam a transformar essa nova fase em algo leve e prazeroso

O período de licença-maternidade de Juliana Paula Torrecillas terminou quando seu filho, Raphael, tinha apenas 7 meses de vida. A bancária, casada com Eduardo Torrecillas, precisou, então, es- colher um berçário que atendesse às suas necessidades. Mesmo confiante com a decisão que tomara, foi impossível evitar a angústia e as lágrimas ao levar seu bebê ainda tão pequeno à escola.

“É um sentimento de abandono por estar deixando outra pessoa cuidar do seu filho. Uma cobrança se o que estou fazendo está certo, pois ele vai ser cuidado por outra pessoa que não a mãe”, contou Juliana ao O SÃO PAULO. Seu choro continuou por mais alguns dias, mas cessou na medida em que percebia que Raphael estava sendo bem cuidado.

Juliana disse que conversar com outras mães, algumas delas colegas de trabalho, contribuiu para que a preocupação fosse minimizada. No início, ela levava e buscava o filho todos os dias e aproveitava para acompanhar o desenvolvimento de seu bebê na instituição.

Em 2020, Raphael, que hoje tem 5 anos, concluirá a etapa da educação infantil e, em 2021, irá para o primeiro ano do Ensino Fundamental. A aceitação do novo ciclo está sendo pensada em conjunto com a atual escola e Juliana afirmou perceber no filho uma ansiedade positiva com a mudança de fase.

MEDO DA ESCOLA

“O primeiro dia de aula para os pais é bastante tante angustiante devido aos medos e inseguranças relacionados à proteção e ao cuidado. Na opinião deles, na escola a criança não receberá o tratamento semelhante ao de casa. Eles tentam sempre fazer o melhor para seus filhos e muitas vezes acreditam que, naquele novo ambiente, o amor, o cuidado, a atenção e o carinho não serão os mesmos do ambiente familiar. Portanto, sentem-se culpados e com medo do que acontecerá”, salientou a Psicóloga Infantil e Psicopedagoga clínica e educacional, Mariana Bechara Ximenes.

Esse receio por parte dos pais se reflete na criança, que se sente insegura, conforme explicou Mariana. De acordo com ela, durante a fase primária da infância, é comum o sentimento de medo do abandono, também conhecido como “ansiedade de separação”. Para evitá-lo, é preciso que os pais transmitam segurança aos filhos, inclusive de forma não verbal.

É importante, ainda, escolher uma institução de ensino de confiança e estabeler com ela uma relação de diálogo: “A minha dica é pensar nos benefícios que a escola trará para essa criança, como independência, convivência com outras crianças, desenvolvimento da criatividade e imaginação, descoberta de coisas novas, entre outros. Pensar nos pontos positivos ajudará a manter a tranquilidade e passará confiança para a criança nesse difícil momento”, frisou a psicopedagoga.

O PRIMEIRO DIA PASSOU, MAS ...

Mariana explicou que é necessário firmeza por parte da família, pois, mesmo passados alguns dias, a criança ainda pode  demostrar   resistência quando vai à escola. O comum é que, dentro de duas semanas, ela já esteja habituada: “Muitos  pais acabam permitindo que a criança domine a situa ção por sentirem- se  culpados. Garanto que isso é extremamente ruim, e a adaptação da criança será muito mais demorada”, afirmou Mariana.

Para ela, é importante que a escola esteja atenta ao período de adaptação da criança, que os profissionais estejam disponíveis para sanar as dúvidas da família e que eles busquem conquistar a confiança dos novos alunos.

Outro aspecto citato pela psicopedagoga foi a importância de que as regras estabelecidas em casa sejam semelhantes às aplicadas na escola, pois, caso contrário, a criança se sentirá desorientada, apresentando birras e mau humor. Por isso, é fundamental escolher instituições com a mesma concepção de educação da família.

DIÁLOGO CONSTANTE

Thalia Santana Ferreira, casada há sete anos com Claudecir Fernandes, matriculou o filho mais velho, João Miguel, 4, somente quando a família, que é da Bahia, chegou ao estado de São Paulo. Na época, ele tinha 2 anos de idade.

Pelo fato de o menino não estar habituado a conviver com outras crianças, Thalia precisou dialogar com o filho, ensinando-o, entre outras coisas, que no ambiente da escola deve haver respeito pelos colegas e professores.

Os pais de João se revezavam para levar e buscar o filho e conversavam com os educadores sobre as atividades realizadas durante o dia. A aproximação entre escola, família e criança fez com que João fosse, aos poucos, sentindo-se confortável no ambiente.

No início de fevereiro, João começará a pré-escola. Thalia agora explica ao filho sobre as mudanças que existirão na nova escola.

Thalia e Claudecir também são pais de Henzo Gabriel, de 1 ano e 3 meses, que só irá para a creche com a mesma idade do irmão, aos 2 anos, pois o casal acredi ta que a adaptação nessa idade ocorre mais rapi- damente.

 

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