VATICANO

Papa Francisco

Lutar contra a tentação da autossuficiência

Por Filipe Domingues/ Especial O SÃO PAULO
13 de março de 2019

Papa Francisco apontou para uma tentação que muitos sacerdotes podem enfrentar

Vatican Media

Em seu encontro anual com os padres da Diocese de Roma (foto) – a diocese do Papa –, no dia 7, o Papa Francisco apontou para uma tentação que muitos sacerdotes podem enfrentar: a autossuficiência. “Esse voltar-se para si mesmo é algo muito feio e nos fará mal sempre”, afirmou.

Muitos podem chegar a pensar: “Que bonito eu sou! Como eu sou bom!” E isso, nas palavras de Francisco, tira o mérito de Deus. É o que o Papa chama de “pecado do espelho”

“Não somos povo de Deus por nossa iniciativa. Nós somos e seremos para sempre o fruto da ação misericordiosa do Senhor”, disse. “Somos um povo de miseráveis. Não tenhamos medo de dizer essa palavra: sou miserável”, aconselhou, recordando que sem Deus ninguém consegue realizar nada – conforme citação do Evangelho de João (15,5).

 

RECONCILIAR-SE COM DEUS

“É Ele o centro. É Ele que faz tudo, e isso exige de nós uma santa passividade, aquela que não é santa preguiça, não, mas uma santa passividade diante de Deus, diante de Jesus, sobretudo. É Ele que faz as coisas”, afirmou.

O Papa Francisco fez menção ao relato bíblico do Êxodo, que narra a aliança do povo de Israel com Deus. Com esse povo, “o Senhor opera uma paciente reconciliação, uma pedagogia sábia”, disse o Pontífice. E o povo, por impaciência ou sentindo- -se abandonado, porque Moisés demorava para descer do monte, começa a adorar outros deuses, mas vivia em crise. “Mas se vamos em frente sozinhos, sem Deus, as coisas vão mal.”

Da mesma forma, os sacerdotes devem estar atentos a não olhar só para si mesmos e adorar outros “deuses”.

Da mesma forma, os sacerdotes devem estar atentos a não olhar só para si mesmos e adorar outros “deuses”.

 

EXERCÍCIO QUARESMAL

O Santo Padre recomendou aos padres que vivam nesta Quaresma o espírito de humildade e penitência, lutando contra o pecado e pedindo a misericórdia de Deus. Ele mencionou, inclusive, os erros de membros da Igreja no problema dos abusos de menores e vulneráveis, e disse que não é possível “esconder o pecado” numa espécie de “cosmética”.

“Um pouco de água para se lavar da cosmética faz bem a todos, para ver que não somos assim tão belos, somos feios, também nas nossas coisas. Mas sem desespero, pois existe Deus, clemente e misericordioso, sempre atrás de nós. Existe a sua misericórdia que nos acompanha”, disse o Papa.
 

Papa e Cúria Romana em retiro

Todos os anos, o Papa Francisco e colaboradores da Cúria Romana – responsáveis pelos escritórios do Vaticano – saem de Roma em retiro durante o período da Quaresma. No domingo, 10, eles iniciaram os exercícios espirituais em uma casa dos padres paulinos em Ariccia. Neste ano, são guiados pelo Abade Bernardo Francesco Maria Gianni, OSB Oliv, monge beneditino de Monte Oliveto, na Itália. O tema de reflexão é “A cidade dos desejos ardentes – Para olhares e gestos pascais na vida do mundo”.

 

 

Oração pelas vocações: A coragem de arriscar

A Jornada Mundial de Oração pelas Vocações, a ser celebrada no primeiro domingo da Páscoa, 12 de maio, terá como tema deste ano “A coragem de arriscar pela promessa de Deus”. O Vaticano publicou no sábado, 9, a mensagem do Papa para a ocasião. Inspirado pelo Sínodo dos Bispos sobre os jovens, de 2018, e pela Jornada Mundial da Juventude do Panamá, realizada em janeiro, o Pontífice retomou o foco na juventude.

“Gostaria de refletir sobre como o chamado do Senhor nos torna portadores de uma promessa e, ao mesmo tempo, pedenos a coragem de arriscar com Ele e por Ele”, escreve o Papa Francisco. Ele medita sobre esses aspectos com base no relato evangélico em que Jesus chama seus discípulos no lago da Galileia (Mc 1,16-20).

Assim como chamou os irmãos pescadores enquanto trabalhavam, também hoje Deus nos chama nas situações mais cotidianas da vida. “Jesus caminha, vê aqueles pescadores e se aproxima”, lembra. “A chamada do Senhor, portanto, não é uma ingerência de Deus na nossa liberdade. Não é uma ‘gaiola’ ou um peso que é colocado nas nossas costas”, pondera.

 

ESCOLHAS DEFINITIVAS

“Ao contrário, é a iniciativa amorosa com a qual Deus vem ao nosso encontro e nos convida a entrar em um projeto grande, do qual quer nos fazer participantes, prospectando para nós o horizonte de um mar mais amplo e de uma pesca superabundante”, afirma na mensagem.

O Papa observa, ainda, que o chamado cristão que todos recebem no Batismo mostra que a vida “não é fruto do acaso, mas dom de ser filhos amados do Senhor, reunidos na grande família da Igreja”

A “coragem de arriscar” é justamente a escolha que devemos fazer após o chamado de Deus, diz o Papa. “Significa que, para acolher o chamado do Senhor, é preciso colocar-se em jogo com tudo de si mesmo e correr o risco de enfrentar um desafio inédito; é preciso deixar tudo o que nos deixaria ligados ao nosso pequeno barco, empenhando-nos em fazer uma escolha definitiva.”

 

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