SÃO PAULO

RECICLAGEM

Lixo: responsabilidade compartilhada para um problema em comum

Por Fernando Geronazzo
24 de novembro de 2019

São Paulo é a metrópole campeã brasileira na produção de lixo

Loga/Divulgação

Com mais de 12 milhões de habitantes, São Paulo é a metrópole campeã brasileira na produção de lixo. Diariamente, são cerca de 20 mil toneladas de resíduos (lixo residencial, de saúde, restos de feiras, podas de árvores, entulho etc.). Deste total, 12 mil são de coleta domiciliar. 

RESÍDUOS COMUNS 
A coleta do lixo nos domicílios paulistanos, bem como a destinação e tratamento dos resíduos coletados, é de responsabilidade da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb). 
O serviço de coleta domiciliar comum porta a porta está presente em 100% das vias, cobrindo os 96 distritos do município de São Paulo, sendo realizado por meio de duas concessionárias responsáveis. 
Empresas que geram 200 litros de lixo ou mais por dia devem realizar a sua própria gestão de resíduos, contratando uma empresa especializada na coleta, tratamento adequado e destinação final do material. 

ATERROS SANITÁRIOS
Após o recolhimento, os resíduos são encaminhados aos aterros sanitários para destinação e tratamento corretos. A capital dispõe de dois aterros, um na zona Leste e outro na zona Norte, além de enviar lixo para o Aterro Sanitário de Caieiras, na região metropolitana. 
Segundo a Prefeitura, essas áreas contam com garantias de proteção ao meio ambiente. Todo resíduo colocado é coberto com camadas de solo, não ficando, portanto, exposto a céu aberto. Após o esgotamento dos aterros, o espaço é totalmente coberto, e, depois que o nível de contaminação for praticamente zerado, ela poderá ser utilizada como área de lazer.

RECICLAGEM 
Grande parte do lixo levado aos aterros poderia ser reciclada. Contudo, isso acontece com apenas 7% de todos os resíduos coletados na cidade. 
De acordo com a pesquisa “Viver em São Paulo: Meio Ambiente”, divulgada em maio pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência, 61% dos paulistanos afirmam separar o lixo reciclável do não reciclável. 
A fim de conscientizar a população para separar o lixo reciclável em casa e informá-la sobre os pontos e horários de coleta, a Amlurb lançou a plataforma 
on-line “Recicla Sampa”. 

COLETA SELETIVA 
A Prefeitura de São Paulo informa que há coleta seletiva domiciliar em, atualmente, 75% das vias. A meta é que, até 2020, o atendimento atinja 100% da cidade. 
Para moradores de regiões que ainda não são contempladas com a coleta seletiva, existem 102 ecopontos e cerca de 1,5 mil lixeiras — Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), próximos a estações do Metrô, terminais de ônibus e entrada de parques.
Os resíduos recicláveis são destinados prioritariamente às 25 cooperativas de reciclagem habilitadas e depois às centrais mecanizadas de triagem. Ao todo, são coletadas cerca de 280 toneladas de recicláveis por dia, uma média de 7 mil por mês. 

ENTULHOS 
Na capital paulista, a lei proíbe a deposição de entulho – resíduo gerado pelas atividades de construção civil ou de reformas – em vias e logradouros públicos e permite que cada imóvel gerador encaminhe o máximo de 50kg de entulho por dia para ser recolhido pela Prefeitura por meio da coleta domiciliar convencional, desde que os resíduos estejam devidamente acondicionados. 
Outra opção é encaminhar o entulho aos ecopontos, para o descarte gratuito diário de até 1m³, que são aproximadamente 18 sacos de entulhos, madeiras, podas de árvores e grandes objetos. Para quantidades superiores de entulho, é necessária a contratação do serviço legalizado de transportadores que operam com caçambas. 
O descarte irregular de lixo e de entulho é considerado crime ambiental, passível de multa de R$ 18.420,79. 

(Com informações de G1 e Projeto 32xSP)

BOAS PRÁTICAS QUE FAZEM A DIFERENÇA

As pessoas, inevitavelmente, produzem lixo, mas a quantidade está diretamente relacionada ao seu modo de vida e hábitos. 
O “Guia Pedagógico do Lixo”, subsídio produzido pela Secretaria do Meio Ambiente e pela Coordenadoria de Educação Ambiental do Estado de São Paulo, apresenta informações e orientações para reduzir, reutilizar e reciclar resíduos que geralmente são jogados no lixo  

EXEMPLOS NO MUNDO
A Alemanha é a líder mundial em tecnologias e políticas de resíduos sólidos. Hoje, menos de 1% dos resíduos é enviado para aterros. Estima-se que 13% dos produtos comprados pela indústria alemã sejam feitos a partir de matérias-primas recicladas. Várias universidades oferecem formação em gestão de resíduos, além de cursos técnicos profissionalizantes. 
Em Estocolmo, na Suécia, onde 100% dos domicílios contam com coleta seletiva, as residências têm um sistema que dispõe de lixeiras conectadas a uma rede de tubos que conduzem os resíduos a uma área de coleta. Por esse sistema, os diferentes tipos de resíduos não são misturados durante a coleta e há uma economia de 30% a 40% dos gastos municipais com o serviço de coleta.
A meta traçada pela cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, é zerar, até 2020, a remessa de resíduos sólidos para os aterros sanitários. Para isso, a prefeitura local investiu na educação ambiental e na pesquisa de novas tecnologias que permitam o reaproveitamento dos materiais descartados pela população.
A cidade também implantou programas para reciclagem e compostagem de quase todo o resíduo produzido, introduzindo incentivos econômicos (quem faz mais compostagem paga menor taxa de lixo). Além disso, as sacolas de plástico foram proibidas no comércio. 


(Com informações de Agência Senado)

Reportagem Especial - O lixo em São Paulo

Jardim Fontális / Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO
Jardim Fontális / Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Reportagem Especial - O lixo em São Paulo

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