INTERNACIONAL

Pelo mundo

‘Livre para amar todo mundo’

Por ACN
12 de abril de 2019

Irmã Cécire Bellancilla alimenta criança em Ruanda, País que viveu um genocídio em 1994

“Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mc 3,35).

Essas palavras de Jesus se aplicam perfeitamente às religiosas neste mundo. Afinal, elas são chamadas de madres, e são como mães para inúmeros órfãos e crianças abandonadas, para doentes e enlutados. Elas são chamadas irmãs, e são irmãs para quem sofre: deficientes, solitários e idosos. Elas consolam, cuidam, ensinam, rezam. Não questionam a vontade de Deus, mas a cumprem. Não pedem recompensa, mas a encontram nos olhos de seus protegidos, pois esses são para elas os olhos de Cristo. Elas irradiam a alegria de viver e entregam suas vidas sem esperar nada em troca. Elas são sal, luz e fermento entre as pessoas. Elas servem. Elas são Maria e Marta em todos os continentes. Ardem por Deus, como mensageiras do Seu amor. Elas são a silenciosa alegria de Deus.

Uma dessas alegrias de Deus é a Irmã Cécire Bellancilla, que vive em Ruanda, onde, há alguns anos, costumava haver grandes famílias, e os familiares costumavam cuidar uns dos outros. Hoje, essa tradição mudou. Muitos idosos vivem sozinhos agora, porque seus filhos vivem na cidade. Outros perderam seus filhos durante o genocídio de 1994. “Desde criança, eu sonhava em cuidar de pessoas idosas”, disse a Irmã Cécire. “Deus me escolheu para fazer esse trabalho”, acrescenta.

As oito irmãs trabalham em um centro de saúde, no jardim de infância, nas escolas e também visitam pessoas em suas casas. “Nosso povo sofre com as consequências da guerra. Nós perdemos muito, isso nos afeta até hoje. Há muitos órfãos, muitos idosos abandonados, muitas famílias destruídas, é por isso que temos que espalhar o amor de Deus. Se nos amássemos como Jesus, estaríamos dispostos a ajudar os pobres, os doentes e os mais necessitados. O amor é a coisa mais importante para uma pessoa ser livre e feliz”, disse a Irmã Cécire, que pertence à Congregação das Irmãs Palotinas.

“São Vicente Pallotti, nosso fundador, era um homem muito santo. Ele ajudou os simples, os pobres, os órfãos e os doentes. Muitas jovens sentem-se atraídas pelo nosso carisma. Elas querem juntarse à Congregação porque estão impressionadas com o trabalho que as Irmãs fazem na comunidade. Além disso, sentem a alegria e o amor com que as Irmãs fazem tudo”, explicou a Irmã Cécire.

“Eu poderia ter levado uma vida diferente. Eu poderia ter casado. Eu poderia ter tido filhos”, disse a Irmã Cécire. A mulher de 49 anos tem três irmãs e um irmão. Quando ela contou à sua família a decisão de aceitar o chamado do Senhor, eles não ficaram satisfeitos. Ela renunciou à sua carreira profissional para se tornar uma religiosa. Por mais difícil que tenha sido, a Irmã Cécire disse que as dificuldades fortaleciam sua vocação e sua fé. “Eu poderia ter uma família, mas isso não seria suficiente para mim. O amor em mim é maior. O amor de Deus me inunda. Eu me sinto livre para amar todo mundo. Minha família é maior que os laços de sangue. A minha família é a minha aldeia toda”, disse ela. “Quando você ama e faz tudo com amor, você não se sente cansada, porque fica feliz em em compartilhar o que recebeu”, conclui.

 

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