Sonhos e histórias da maior edição dos Jogos escolares da Juventude

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25 de novembro de 2018

A cidade de Natal (RN) recebe, desde o dia 12, os Jogos Escolares da Juventude, principal competição estudantil do País. Essa é a primeira edição nacional do novo formato, em que atletas de 12 a 17 anos competem juntos, transformando o evento no maior já realizado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB). No total, 5.038 atletas de 26 estados e do Distrito Federal representam 2.153 escolas públicas e privadas e disputam 14 modalidades. Além disso, participam de diversas atividades culturais e educativas.

 

NÃO É SÓ ESPORTE!

Os Jogos Escolares, além de revelar muitos atletas olímpicos, também são marcados pelas histórias que acompanham os jovens. Francisco Anderson de Souza Machado, em 2015, tinha apenas 14 anos e vendia garrafas de água nas ruas de Fortaleza (CE). Com apenas três anos de treinamento, é agora um dos destaques da equipe de vôlei do colégio onde estuda. 

O atleta cearense, de 1,92m de altura, foi descoberto por um professor do Colégio Batista Santos Dumont, na comunidade do Dendê, uma das mais carentes de Fortaleza. Deixou a escola pública para estudar, com bolsa integral, no colégio e começou a treinar três vezes por semana. A situação financeira ainda é delicada e Anderson precisa da ajuda do pai de outro atleta do time para treinar e se deslocar, porém conta com o apoio incondicional da família.

A outra história é de um treinador que resolveu improvisar uma quadra de badminton em uma praça pública e classificou uma atleta para os Jogos Escolares. Há quatro anos, Rui Ribeiro Mendes, 46, natural de Guarabira (PB), foi apresentado ao badminton durante um curso de ensino a distância e decidiu criar um projeto voltado à sua iniciação. Conseguiu alguns equipamentos e instalou-se em um dos principais pontos da cidade pernambucana, a Praça da Juventude. 

Mesmo com tantas dificuldades, Rui viu o projeto atingir outro patamar, pois uma atleta do “Badminton na Praça” se classificou para a edição nacional dos Jogos. Yasmim Mirella da Silva Ferreira, 13, nunca havia saído de sua cidade até disputar a seletiva estadual. Graças ao projeto de Rui, a atleta conheceu novos lugares e compete este ano com os melhores atletas de sua modalidade.

 

MEDALHISTA NA VIDA

O jovem Lucas Gabriel Fernandes Antunes, do Colégio Santa Terezinha, de Florianópolis (SC), conquistou a medalha de prata nos 75m masculino do atletismo, na categoria de 12 a 14 anos. Ele já havia batido o recorde na competição na prova eliminatória com 8s63, mas “patinou” na largada na grande final. 

Órfão, o atleta encontrou seu irmão biológico nos treinamentos de atletismo iniciados em março na União Catarinense de Atletismo (UCA). Lucas foi adotado por uma família aos 6 anos de idade e, por isso, não se lembrava do irmão Douglas da Silva Ribeiro. Após o reencontro, seu rendimento aumentou. Ele ainda anseia conhecer suas outras duas irmãs.

 

EMBAIXADORES

A cada edição dos Jogos Escolares da Juventude, o COB convida diversos atletas do esporte nacional, incluindo campeões olímpicos e mundiais, a ser embaixadores do evento, tendo como principal missão compartilhar suas experiências e propagar o espírito olímpico. Bicampeã olímpica pela seleção brasileira feminina de vôlei, Fabiana Alvim movimentou o centro de convivência dos Jogos Escolares. 

“É um privilégio vir aqui e poder dividir um pouco da minha história. Como é a primeira vez, eu estou muito encantada com tudo o que tenho visto e sentido. É uma energia realmente diferente. É muito parecido com o que se vive em Jogos Olímpicos”, afirmou a ex-atleta.

Além de Fabiana, Natal recebeu os embaixadores Daniele Hypolito (ginástica artística), Joanna Maranhão e Ana Marcela Cunha (esportes aquáticos), Duda Vaz e Tiago Camilo (judô) e Magnólia Figueiredo (atletismo). Nesta edição, o programa foi ampliado e passou a receber também educadores.

(Com informações de Comitê Olímpico do Brasil)
 

LEIA TAMBÉM: A família e a escola unidas no processo educativo 
 

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Vídeomensagem do Papa Francisco para JMJ do Panamá 2019

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21 de novembro de 2018

Foi divulgada, nesta quarta-feira (21/11), pela Sala de Imprensa da Santa Sé, a vídeomensagem do Papa Francisco convocando os jovens para a 34ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que se realizará, no Panamá, de 22 a 27 de janeiro de 2019, sobre o tema «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38).

A mensagem de vídeo, divulgada hoje, dia em que a Igreja recorda a Apresentação de Nossa Senhora, conclui o ciclo de três mensagens marianas, dedicadas aos jovens a caminho entre a JMJ 2016 e a JMJ 2019. Para ouvir a mensagem, clique na imagem ao lado.

“Pela primeira vez, a mensagem do Papa em preparação da JMJ é  publicada em forma de vídeomensagem a fim de que possa alcançar o maior número possível de jovens e responder ao seu desejo, manifestado durante o recente Sínodo, de comunicar com a Igreja através de formas mais próximas à sua linguagem”, afirma o comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Na vídeomensagem, o Santo Padre se dirige a todos os jovens do mundo, fiéis ou não, incentivando-os a descobrir os valores característicos da juventude. Reconhece a sua disponibilidade de se colocar a serviço dos outros e os convida a colocar em prática esta atitude na perspectiva cristã: “Colocar-se a serviço do próximo não significa somente estar prontos para a ação. É preciso também dialogar com Deus, numa atitude de escuta, como fez Maria. Ela ouviu o que o Anjo dizia e depois respondeu”, ressalta o Papa.

A vídeomensagem serve como instrumento de preparação espiritual para a próxima JMJ no Panamá em 2019, e também como inspiração para a Pastoral da Juventude no mundo inteiro.

 

Segue, na íntegra, o texto da mensagem de vídeo do Papa Francisco.

Queridos jovens!

Vai-se aproximando a Jornada Mundial da Juventude, que será celebrada no Panamá em janeiro do próximo ano e terá como tema a resposta da Virgem Maria à chamada de Deus: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38).

As suas palavras são um «sim» audaz e generoso; o sim de quem compreendeu o segredo da vocação: sair de si mesmo e pôr-se ao serviço dos outros. A nossa vida só encontra sentido no serviço a Deus e ao próximo.

Há muitos jovens, crentes ou não crentes, que, no final dum período de estudos, mostram desejo de ajudar os outros, fazer algo pelos que sofrem. Esta é a força dos jovens, a força de todos vós, que pode transformar o mundo; esta é a revolução que pode desbaratar os «poderes fortes» desta terra: a «revolução» do serviço.

Para colocar-se ao serviço dos outros não basta estar pronto para a ação, é preciso também entrar em diálogo com Deus, numa atitude de escuta, como fez Maria. Ela escutou o que o anjo Lhe dizia e, depois, respondeu. A partir deste relacionamento com Deus no silêncio do coração, descobrimos a nossa identidade e a vocação a que nos chama o Senhor; a vocação pode expressar-se em várias formas: no matrimônio, na vida consagrada, no sacerdócio… Mas todas elas são caminhos para seguir Jesus. O importante é descobrir aquilo que o Senhor espera de nós e ter a audácia de dizer «sim».

Maria foi uma mulher feliz, porque generosa com Deus, aberta ao plano que tinha para Ela. As propostas de Deus para nós, como a que fez a Maria, não são para satisfazer sonhos mas para acender desejos; para fazer com que a nossa vida dê fruto, faça desabrochar muitos sorrisos e alegre muitos corações. Responder afirmativamente a Deus é o primeiro passo para ser feliz e tornar felizes muitas pessoas.

Queridos jovens, tende a coragem de entrar, cada um, no próprio interior e perguntar a Deus: Que quereis de mim? Deixai que o Senhor vos fale, e vereis a vossa vida transformar-se e encher-se de alegria.

Na iminência da Jornada Mundial da Juventude no Panamá, convido-vos a preparar-vos, acompanhando e participando em todas as iniciativas que se vão realizando. Isto ajudar-vos-á a caminhar para tal meta. Que a Virgem Maria vos acompanhe nesta peregrinação e o seu exemplo vos induza a ser audazes e generosos na resposta.

Boa caminhada rumo ao Panamá! E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Até breve!

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Sínodo dos Bispos: o que diz o Documento Final

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30 de outubro de 2018

É o episódio dos discípulos de Emaús, narrado pelo evangelista Lucas, o fio condutor do Documento Final do Sínodo dos Jovens. Lido na Sala alternando vozes do relator geral, cardeal Sérgio da Rocha, e os secretários Especiais, padre Giacomo Costa e padre Rossano Sala, juntamente com Dom Bruno Forte, membro da Comissão para a Redação do texto, o documento é complementar ao Instrumentum laboris do Sínodo, do qual toma a subdivisão em três partes.

Acolhido com aplausos, o texto - disse o cardeal Sérgio Da Rocha - é "o resultado de um verdadeiro trabalho de equipe" dos Padres Sinodais, juntamente com os outros participantes no Sínodo e "em modo particular os jovens." O Documento, portanto, recolhe as 364 formas, ou emendas, apresentadas. "A maior parte delas - acrescentou o Relator geral - foi precisa e construtiva". Todos os parágrafos do texto foram aprovados com pelo menos dois terços dos votos.

 

"Caminhava com eles"

Em primeiro lugar, portanto, o Documento Final do Sínodo olha para o contexto em que vivem os jovens, destacando os pontos de força e desafios. Tudo parte de uma escuta empática que, com humildade, paciência e disponibilidade, permite de dialogar realmente com os jovens, evitando "respostas pré-concebidas e receitas prontas". Os jovens, de fato, querem ser "ouvidos, reconhecidos, acompanhados" e querem que sua voz seja "considerada interessante e útil no campo social e eclesial". A Igreja nem sempre teve essa atitude, reconhece o Sínodo: muitas vezes sacerdotes e bispos, sobrecarregados por muitos compromissos, lutam para encontrar tempo para o serviço da escuta. Daí a necessidade de preparar adequadamente também leigos, homens e mulheres, capazes de acompanhar as jovens gerações. Diante de fenômenos como a globalização e a secularização, além disso,  os jovens movem-se em direção a uma redescoberta de Deus e da espiritualidade e isso deve ser um estímulo para a Igreja, para recuperar a importância do dinamismo da fé.

 

A escola e a paróquia

Outra resposta da Igreja às questões dos jovens vem do setor educacional: as escolas, as universidades, as faculdades, os oratórios, permitem uma formação integral dos jovens, oferecendo ao mesmo tempo um testemunho evangélico de promoção humana.

Em um mundo onde tudo está conectado - família, trabalho, tecnologia, defesa do embrião e do migrante - os bispos definem como insubstituível o papel desempenhado pelas escolas e universidades onde os jovens passam muito tempo. As instituições educacionais católicas, em particular, são chamadas a enfrentar a relação entre a fé e as demandas do mundo contemporâneo, as diferentes perspectivas antropológicas, os desafios técnico-científicos, as mudanças nos costumes sociais e o compromisso com a justiça. Também a paróquia tem o seu papel: "Igreja no território", é preciso um repensar na sua vocação missionária, pois muitas vezes resulta pouco significativa e pouco dinâmica, especialmente na área da catequese.

 

Migrantes, um paradigma do nosso tempo

O documento sinodal se concentra então no tema dos migrantes, "paradigma do nosso tempo",  como um fenômeno estrutural, e não uma emergência transitória. Muitos migrantes são jovens ou menores desacompanhados, fugindo da guerra, violências, perseguição política ou religiosa, desastres naturais, pobreza e acabam se tornando vítimas de tráfico, drogas, abusos psicológicos e físicos. A preocupação da Igreja é acima de tudo em relação a eles - diz o Sínodo – na ótica de uma autêntica promoção humana que passa pela acolhida de refugiados, e seja ponto de referência para tantos jovens separados de suas famílias de origem. Mas não só: os migrantes - recorda o Documento - são também uma oportunidade de enriquecimento para as comunidades e sociedades em que chegam e que podem ser revitalizados por eles. Ressoam, portanto, os verbos sinodais "acolher, proteger, promover, integrar" indicados pelo Papa Francisco para uma cultura que supere a desconfiança e o medo. Os bispos também pedem mais empenho em garantir àqueles que não desejam migrar, o direito de permanecer em seu próprio país. A atenção do Sínodo também se dirige àquelas Igrejas ameaçadas em sua existência, pela emigração forçada e pelas perseguições sofridas pelos fiéis.

 

Firme compromisso contra todo tipo de abuso. Dizer a verdade e pedir perdão

Bastante ampla, também, a reflexão sobre os "diversos tipos de abuso" (de poder, econômicos, de consciência, sexuais) feitos por alguns bispos, sacerdotes, religiosos e leigos: nas vítimas – lê-se no texto – eles provocam sofrimentos que "podem ​​durar toda a vida e aos quais nenhum arrependimento pode colocar remédio".

Daí o apelo do Sínodo ao "firme compromisso com a adoção de rigorosas medidas de prevenção que impeçam o repetir-se, a partir da seleção e da formação daqueles a quem serão confiadas tarefas de responsabilidades e educativas". Por conseguinte, será necessário extirpar as formas - como a corrupção e o clericalismo – sob as quais estes tipos de abusos estão enraizados, contrastando também a falta de responsabilidade e transparência com que muitos casos foram geridos. Ao mesmo tempo, o Sínodo se diz agradecido a todos aqueles que "têm a coragem de denunciar o mal sofrido", porque ajudam a Igreja a "tomar consciência do que aconteceu e da necessidade de reagir com decisão". "A misericórdia, de fato, exige a justiça". Mas não devem porém ser esquecidos os numerosos leigos, sacerdotes, pessoas consagradas e bispos que a cada dia se dedicam, com honestidade, a serviço dos jovens, os quais podem verdadeiramente oferecer "uma ajuda preciosa" para uma "reforma de dimensão epocal" nesta área.

 

A Família "Igreja Doméstica"

Outros temas presentes no Documento dizem respeito à família, principal ponto de referência para os jovens, primeira comunidade de fé, "Igreja doméstica": o Sínodo chama a atenção, em particular, ao papel dos avós na educação religiosa e na transmissão da fé, e alerta para o enfraquecimento da figura paterna e  para aqueles adultos que assumem estilos de vida "juvenis". Além da família, para os jovens, a amizade com os colegas é muito importante, pois permite a partilha da fé e a ajuda recíproca no testemunho.

 

Promoção de justiça contra "cultura de desperdício"

O Sínodo concentra-se também em algumas formas de vulnerabilidade vividas pelos jovens em vários setores: no trabalho, onde o desemprego torna as jovens gerações pobres, minando a sua capacidade de sonhar; as perseguições até a morte; a exclusão social por motivos religiosos, étnicos ou econômicos; as deficiências. Diante dessa "cultura de descarte", a Igreja deve lançar um apelo à conversão e à solidariedade, tornando-se uma alternativa concreta às situações de dificuldade. Na frente oposta, não faltam áreas onde o comprometimento dos jovens consegue se expressar com originalidade e especificidade: por exemplo, o voluntariado, a atenção às questões ecológicas, o compromisso na política com a construção do bem comum, a promoção da justiça, pela qual os jovens pedem à Igreja "um compromisso firme e coerente".

 

Arte, música e esporte, "recursos pastorais"

Também o mundo do esporte e da música oferece aos jovens a possibilidade de expressarem-se da melhor forma: no primeiro caso, a Igreja convida a não subestimar a potencialidade educacional, formativa e inclusiva da atividade esportiva; no caso da música, por outro lado, o Sínodo fala sobre sobre seu “ser recurso pastoral" que interpela também a uma renovação litúrgica, porque os jovens têm o desejo de uma "liturgia viva", autêntica, alegre, momento de encontro com Deus e com o comunidade.

Os jovens apreciam celebrações autênticas em que a beleza dos sinais, o cuidado da pregação e o envolvimento da comunidade falem realmente de Deus": portanto, precisam ser ajudados a descobrir o valor da adoração eucarística e a compreender que" a liturgia não é puramente expressão de si mesma, mas ação de Cristo e da Igreja".

As jovens gerações, ademais, querem ser protagonistas da vida eclesial, colocando seus talentos e assumindo responsabilidades. sujeitos ativos da ação pastoral, eles são o presente da Igreja, devem ser encorajados a participar na vida eclesial, e não impedidos com autoritarismo. Em uma Igreja capaz de dialogar de uma forma menos paternalista e mais sincera, de fato, os jovens sabem ser muito ativos na evangelização de seus coetâneos, exercendo um verdadeiro apostolado, que deve ser apoiado e integrado na vida da comunidade.

 

"Seus olhos se abriram"

Deus fala à Igreja e ao mundo por meio dos jovens, que são um dos "lugares teológicos" onde o Senhor está presente. Portadora de uma santa inquietude que a torna dinâmica – lê-se na segunda parte do Documento – a juventude pode estar "mais à frente dos pastores" e isso deve ser acolhida, respeitada, acompanhada. Graças a ela, de fato, a Igreja pode se renovar, sacudindo "o peso e a lentidão". Assim, o chamado do Sínodo para o modelo de "Jesus jovem entre os jovens" e ao testemunho dos santos, entre os quais estão muitos jovens, profetas da mudança.

 

Missão e vocação

Outra "bússola segura" para a juventude é a missão, dom de si que leva a uma felicidade verdadeira e duradoura: Jesus, de fato, não tira a liberdade, mas a liberta, porque a verdadeira liberdade só é possível em relação à verdade e à caridade. Intimamente relacionado com o conceito de missão, está aquele da vocação: cada vida é vocação em relação com Deus, não é fruto do acaso ou um bem privado para gerir por conta própria - afirma o Sínodo - e cada vocação batismal é um chamado para todos para a santidade. Para isso, cada um deve viver a própria vocação específica em cada área: a profissão, a família, a vida consagrada, o ministério ordenado e o diaconato permanente, que representa um "recurso" a ser ainda desenvolvido mais plenamente.

 

O acompanhamento

Acompanhar é uma missão para a Igreja a ser realizada em um nível pessoal e de grupo: em um mundo "caracterizado por um pluralismo sempre mais evidente e por uma disponibilidade de opções cada vez mais ampla," buscar junto com os jovens um percurso voltado a fazer escolhas definitivas é um serviço necessário. Os destinatários são todos os jovens: seminaristas, sacerdotes ou religiosos em formação, noivos e recém-casados ​​envolvidos. A comunidade eclesial é um lugar de relações e contexto em que na celebração eucarística se é tocados, instruídos e curados pelo próprio Jesus. O Documento Final enfatiza a importância do Sacramento da Reconciliação na vida de fé e encoraja os pais, professores, lideranças, animadores, sacerdotes e educadores a ajudar os jovens, por meio da da Doutrina Social da Igreja, a assumir responsabilidades no âmbito profissional e sócio-político. O desafio em sociedades cada vez mais interculturais e plurirreligiosas, é indicar na relação com a diversidade uma oportunidade para a comunhão fraterna e o enriquecimento mútuo.

 

Não a moralismos e falsas indulgências, sim à correção fraterna

O Sínodo, portanto, promove um acompanhamento integral centrado na oração e no trabalho interior que valorize também a contribuição da psicologia e da psicoterapia, quando abertas à transcendência. "O celibato pelo Reino" – é a recomendação - deve ser entendido como um "dom a ser reconhecido e verificado na liberdade, alegria, gratuidade e humildade", antes da escolha definitiva. Que se invista e aposte em acompanhadores de qualidade: pessoas equilibradas, de escuta, fé, oração, que tenham se deparado com as próprias fraquezas e fragilidades, e sejam por isto acolhedoras "sem moralismos e falsas indulgências", sabendo corrigir fraternalmente, longe de comportamentos possessivos e manipuladores. "Esse profundo respeito – lê-se o texto - será a melhor garantia contra os riscos de plágio e abusos de qualquer tipos".

 

A arte de discernir

"A Igreja é o ambiente para discernir e a consciência – escrevem os Padres sinodais - é o lugar onde se colhe o fruto do encontro e da comunhão com Cristo": o discernimento, por meio de "um regular confronto com um diretor espiritual", apresenta-se portanto como o sincero trabalho de consciência", "pode ser entendido somente como autêntica forma de oração” e “requer a coragem de empenhar-se na luta espiritual". Banco de prova das decisões assumidas é a vida fraterna e o serviço aos pobres. De fato, os jovens são sensíveis à dimensão da diakonia.

 

“Partiram sem demora"

Maria Madalena, primeira discípula missionária, curada das feridas, testemunha da Ressurreição é o ícone de uma Igreja jovem. Dificuldades e fragilidades dos jovens "nos ajudam a ser melhores, seus questionamentos – lê-se - nos desafiam, as críticas nos são necessárias porque muitas vezes através deles a voz do Senhor nos pede conversão e renovação". Todos os jovens, mesmo aqueles com diferentes visões de vida, nenhum excluído, estão no coração de Deus. Os Padres ressaltam o dinamismo construtivo da sinodalidade, ou seja, o caminhar juntos: o final da Assembleia e o Documento final são apenas uma etapa porque as condições concretas e as necessidades urgentes são diferentes entre países e continentes. Daí o convite às Conferências Episcopais e às Igrejas particulares para prosseguir no processo de discernimento com o objetivo de elaborar soluções pastorais específicas.

 

Sinodalidade, estilo missionário

"Sinodal" é um estilo para a missão que exorta a passar do “eu” ao “nós” e a considerar a multiplicidade de rostos, sensibilidades, origens e culturas diferentes. Neste horizonte são valorizados os carismas que o Espírito dá a todos, evitando o clericalismo que exclui muitos dos processos de decisão e a clericalização dos leigos, que freia o ímpeto missionário.

Que a autoridade – são os votos - seja vivida a partir de uma perspectiva de serviço. Sinodal seja também a abordagem ao diálogo inter-religioso e ecumênico destinado ao conhecimento recíproco e à superação de preconceitos e estereótipos, e a renovação da vida comunitária e paroquial, para que encurte as distâncias jovens-igreja e mostre a íntima conexão entre fé e experiência concreta de vida. Formalizado o pedido diversas vezes feito na Aula para instituir, em nível de Conferências Episcopais, um "Diretório de pastoral da juventude em chave vocacional”, que possa ajudar os responsáveis diocesanos e os agentes locais a qualificar a sua educação e ação com e para os jovens", contribuindo  a superar uma certa fragmentação da pastoral da Igreja. Reiterada ainda a importância da JMJ, bem como a dos centros da juventude e oratórios, que precisam no entanto ser repensados.

 

O desafio digital

Há alguns desafios urgentes que a Igreja é chamada a enfrentar. O Documento Final do Sínodo aborda a missão no ambiente digital: parte integrante da realidade cotidiana dos jovens, "praça" em que eles passam muito tempo e se encontram facilmente, um lugar irrenunciável para alcançar e envolver os jovens também nas atividades pastorais, a web apresenta luzes e sombras.

Se por um lado permite o acesso à informação, ativa a participação sociopolítica e a cidadania ativa, por outro apresenta um lado obscuro - a assim chamada dark web - em que se encontram a solidão, a manipulação, a exploração, a violência, cyberbullying, pornografia. Daí o convite do Sínodo para habitar o mundo digital, promovendo o seu potencial comunicativo em vista do anúncio cristão e a "impregnar" de Evangelho as suas culturas e dinâmicas.

Faz-se votos de que sejam criados Escritórios e organismos para a cultura e a evangelização digital que, além de “favorecer a troca e e a disseminação de boas práticas, possam gerenciar sistemas de certificação de sites católicos, para conter a disseminação de notícias falsas (fake news) sobre a Igreja", emblema de uma cultura que "perdeu o sentido da verdade", encorajando a promoção de "políticas e instrumentos para a proteção dos menores na web".

 

Corpo, sexualidade e carinho

Então, o Documento enfoca o tema do corpo, da afetividade, da sexualidade: diante de desenvolvimentos científicos que levantam questionamentos éticas, de fenômenos como a pornografia digital, o turismo sexual, a promiscuidade, exibicionismo online, o Sínodo recorda às famílias e às comunidades cristãs da importância de fazer descobrir aos jovens que a sexualidade é um dom. Muitas vezes a moral sexual da Igreja é percebida como "um espaço de juízo e condenação", enquanto os jovens buscam "uma palavra clara, humana e empática" e "expressam um explícito desejo de confronto sobre as questões relativas à diferença entre identidade masculina e feminina, à reciprocidade entre homens e mulheres, à homossexualidade".

Os bispos reconhecem a dificuldade da Igreja em transmitir no atual contexto cultural "a beleza da visão cristã da corporeidade e da sexualidade": é urgente buscar "modalidades mais adequadas, que se traduzam concretamente na elaboração de caminhos formativos renovados". "É preciso propor aos jovens uma antropologia da afetividade e da sexualidade capaz de dar o justo valor à castidade" para o crescimento da pessoa, “em todos os estados de vida". Nesse sentido, é pedido que se preste atenção à formação de agentes pastorais que sejam críveis e maduros do ponto de vista afetivo-sexual.

O Sínodo constata ademais a existência de "questões relativas ao corpo, à afetividade e à sexualidade que necessitam de uma elaboração antropológica, teológica e pastoral mais aprofundada, a ser realizada nas modalidades e níveis mais convenientes, daqueles locais aos mais universais.  Entre estes emergem aqueles relacionados à diferença e harmonia entre identidade masculina e feminina e às inclinações sexuais".

"Deus ama cada pessoa pessoas e assim faz a Igreja renovando seu compromisso contra qualquer discriminação e violência com base sexual". Da mesma forma - prossegue o Documento - o Sínodo "reafirma a determinante relevância antropológica da diferença e reciprocidade homem-mulher e considera redutivo definir a identidade das pessoas com base unicamente na sua orientação sexual".

Ao mesmo tempo, recomenda-se "favorecer" os "caminhos de acompanhamento na fé, já existentes em muitas comunidades cristãs", de "pessoas homossexuais". Nestes caminhos as pessoas são ajudadas a ler sua própria história; a aderir livremente e responsavelmente ao próprio chamado batismal; a reconhecer o desejo de pertencer e contribuir para a vida da comunidade; a discernir as melhores formas para que isso se realize. Desta forma, se ajuda a cada jovem, nenhum excluído, a integrar cada vez mais a dimensão sexual na própria personalidade, crescendo na qualidade das relações e caminhando para o dom de si".

 

Acompanhamento vocacional

Entre outros desafios apontados pelo Sínodo, encontra-se também a questão econômica: o convite dos Padres é o de investir tempo e recursos nos jovens com a proposta de oferecer a eles um período para o amadurecimento da vida cristã adulta, que "deveria prever uma separação prolongada de ambientes e relações habituais".
Além disso, enquanto se faz votos de um acompanhamento antes e depois do casamento, se encoraja a criação de equipes educativas, que incluam figuras femininas e casais cristãos, para a formação de seminaristas e consagrados, também com o objetivo de superar tendências ao clericalismo. Atenção especial é pedida à acolhida dos candidatos ao sacerdócio, que às vezes ocorre "sem um conhecimento adequado e uma releitura aprofundada da própria história": "a instabilidade relacional e afetiva, e a falta de raízes eclesiais são sinais perigosos. Negligenciando a normativa eclesial a este respeito – escrevem os Padres sinodais - constitui um comportamento irresponsável, que pode ter consequências muito graves para a comunidade cristã".

 

Chamado à santidade

"As diversidades vocacionais - conclui o Documento Final do Sínodo sobre os jovens – inserem-se no único e universal chamado à santidade. Infelizmente o mundo está indignado com os abusos de algumas pessoas da Igreja, antes que animados pela santidade de seus membros”. Por isso a Igreja é chamada a "uma mudança de perspectiva": por meio da santidade de tantos jovens dispostos a renunciar à vida em meio a perseguições para permanecerem fiéis ao Evangelho, pode renovar seu ardor espiritual e seu vigor apostólico.

 

O dom do Papa aos participantes do Sínodo

Por fim, como recordação do Sínodo dos Jovens, o Santo Padre deu a todos os participantes uma placa de bronze, com um baixo-relevo representando Jesus e o jovem discípulo amado. É uma obra do artista italiano Gino Giannetti, cunhada pela Casa da Moeda do Estado da Cidade do Vaticano, emitida em apenas 460 exemplares.

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Juventude é destaque da 40ª assembleia das igrejas do regional Sul 1

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29 de outubro de 2018

“Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” foi o tema da 40ª edição da Assembleia das Igrejas Particulares do Regional Sul 1 da CNBB, que compreende as arquidioceses e dioceses do Estado de São Paulo, ocorrida entre os dias 19 e 21. 

Realizado em Itaici, no município de Indaiatuba (SP), o evento esteve em sintonia com a 15ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a juventude, que acontece em Roma. 

Os mais de 300 participantes, entre bispos, padres coordenadores de pastoral, assessores do Setor Juventude e jovens representantes de cada diocese, contaram com as assessorias do Padre Antônio Ramos do Prado, Assessor Nacional da Comissão Episcopal para a Juventude da CNBB, do Padre Reginaldo Martins da Silva, Assessor do Setor Juventude no Regional Sul 1, e do Padre João Carlos Almeida (Joãozinho).

Padre Antônio apresentou a contribuição dos jovens para o instrumento de trabalho sinodal e as etapas de realização do Sínodo dos Bispos. Ele também falou sobre alguns dos trabalhos da Pastoral Juvenil da Igreja no Brasil, como o Projeto “Ide!”, para o triênio 2018-2020, com o objetivo de dar continuidade às iniciativas do Rota 300. “O ‘Ide!’ pretende desenvolver os eixos da missão, formação e estruturas de acompanhamento, e ainda, a ecologia e políticas públicas, favorecendo a capacitação daqueles que trabalham com os jovens e adolescentes dentro da Pastoral Juvenil, e despertar o espírito missionário do ser cristão”, esclareceu.

O “Painel das Juventudes” contou com representantes da Pastoral da Juventude (PJ), do Ministério Jovem da Renovação Carismática Católica (RCC), das Novas Comunidades, dos Jovens Conectados, do Movimento Focolares, da Milícia da Imaculada, de Grupos de Jovens e participantes da preparação do Sínodo dos Bispos sobre a juventude. 

Na última sessão da Assembleia, foi exibido um vídeo do jovem Lucas Galhardo, que participa do Sínodo, em Roma, representando os jovens brasileiros. 

“Continuemos o processo de motivação de nossa juventude, expandindo o que foi discutido e apresentado durante a Assembleia para as arquidioceses e dioceses no Estado de São Paulo”, disse o Presidente do Regional Sul 1, Dom Pedro Luiz Stringhini, na conclusão do encontro.
 

MISSÕES

Por ocasião do Dia Mundial das Missões e da Obra Pontifícia da Infância Missionária, celebrado no domingo, 21, os participantes da Assembleia das Igrejas Particulares tiveram a oportunidade de fazer um gesto concreto por meio de doações que serão revertidas para as atividades missionárias desenvolvidas pelo Regional na Diocese de Pemba, em Moçambique, na África. 

Os trabalhos da Comissão Missionária e Cooperação Intereclesial, em Pemba e na Amazônia, foram apresentados pelo Bispo referencial, Dom José Luiz Bertanha, com a presença de Dom Luiz Fernando Lisboa, Bispo de Pemba, e do Padre Everton Aparecido da Silva, Assessor do Conselho Missionário Regional (Comire).

(Com informações do Regional Sul 1 da CNBB)
 

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Brasil encerra participação nos Jogos olímpicos da Juventude com 15 medalhas

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24 de outubro de 2018

Esporte

 

Chegou ao fim, no dia 18, os Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires, na Argentina. O Time Brasil encerrou a competição com 15 medalhas (duas de ouro, quatro de prata e nove de bronze - sendo duas com equipes multinacionais).

 

AVALIAÇÃO POSITIVA

“Estamos satisfeitos com os resultados apresentados pelos atletas brasileiros em Buenos Aires. Ainda há muito trabalho a ser feito com esses jovens, mas as 15 medalhas conquistadas em nove diferentes modalidades demonstram que temos uma geração promissora para os próximos anos”, afirmou Sebástian Pereira, chefe da delegação brasileira em Buenos Aires e gerente executivo de Alto Rendimento do Comitê Olímpico do Brasil em entrevista ao site do COB.

“Além dos resultados esportivos, o mais importante foi proporcionar a primeira experiência olímpica a eles. Temos certeza que vivenciaram momentos inesquecíveis e que seguirão ainda mais motivados a continuar se dedicando ao máximo à carreira esportiva”, acrescentou Sebástian.

 

DESTAQUES

Entre os destaques da participação brasileira estão o ouro de Keno Marley e o histórico bronze de Luiz Gabriel Oliveira, neto de Servílio de Oliveira, primeiro medalhista olímpico com o Brasil nos Jogos Olímpicos de 1968; as duas medalhas individuais de Diogo Soares na ginástica artística; a inédita prata do revezamento 4x100m livre feminino de natação em competições de nível mundial; e o ouro do futsal. Na natação e no judô, todos os brasileiros foram ao pódio.

O atletismo brasileiro, nas provas de 200m masculino e feminino, voltou ao pódio depois de ficar de fora em Nanquim 2014. O taekwondo e o tênis mantiveram a tradição de medalhas em Jogos da Juventude com Sandy Macedo e Gilbert Soares, respectivamente. Destaque também para a inédita medalha do badminton, com Jaqueline Lima, que participou de uma equipe de multinacionais.

 

DESCOBRIR TALENTOS

Vários atletas que brilharam nos Jogos Olímpicos Rio 2016 passaram pelos Jogos da Juventude, como Thiago Braz, Isaquias Queiroz e Flávia Saraiva. 

“Muitos atletas apresentaram excelente desempenho em Buenos Aires, mas sabemos que ainda são bastante jovens e precisam se desenvolver. Pode ser que alguns integrem o Time Brasil em Tóquio 2020, mas o foco principal desta geração são os Jogos de Paris 2024 e Los Angeles 2028”, concluiu Sebástian. 

A terceira edição dos Jogos Olímpicos da Juventude contou com a participação de aproximadamente 4 mil atletas, de 206 países, em 36 modalidades.                                          

(Com informações do COB)
 

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Briefing sobre o Sínodo: a sabedoria dos idosos orienta as energias dos jovens

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23 de outubro de 2018

Durante o briefing na Sala de Imprensa da Santa Sé, foi recordado que não se pode separar o caminho dos jovens daquele dos idosos. Também através de metáforas ligadas ao mar e ao universo, pode-se apreender o sentido do Sínodo e o caminho da Igreja.

 

Cultura de corresponsabilidade

Joseph Sapati Moeono-Kolio jovem auditor e membro da Caritas Internationalis para a Oceania (Samoa), recordou que seu povo navegou por milhares de anos pelos mares, graças à sabedoria dos idosos, capazes de se orientarem pelas estrelas. Os idosos – afirmou o jovem -  setntavam-se no fundo das canoas e os jovens remavam seguindo suas preciosas indicações. Esta sinergia se repete na Igreja: os idosos - afirmou Joseph Sapati Moeono-Kolio - têm a sabedoria para interpretar e orientar. Mas são os jovens que têm a energia para ir às periferias.

 

Um caminho em convivência

Para Dom Bienvenu Manamika Bafouakouahou, bispo de Dolisie (República do Congo), o Sínodo é "uma espécie de lançamento em órbita". Os bispos, disse ele, são como satélites que enviam sinais aos jovens da terra. O Sínodo tem sido um caminho no convívio. O Papa Francisco, explicou o prelado, com sua presença, "nos encorajou a trazer o que estava borbulhando em nossos corações". E os jovens, acrescentou Dom Bafouakouahou, "nos rejuvenescem através de seus pronunciamentos".

 

Sonhos e visões

Padre Antonio Spadaro, diretor da revista "La Civiltà Cattolica", destacou que os sonhos dos idosos abrem aos jovens  as portas do futuro: "Para Papa - afirmou - entrou na alma um versículo do Profeta Joel e percebeu que se os idosos não sonham, os jovens não podem ver o futuro". O Sínodo "é um modo de ser e de agir da Igreja". A participação do povo de Deus na vida da Igreja, explicou ele, é um elemento essencial.

 

A sabedoria do tempo

O sacerdote jesuíta também recordou que, à tarde, o Papa Francisco encontra os jovens e idosos de diferentes países no Salão Nobre do Augustinianum, em Roma. A ocasião é a apresentação do livro "Francisco. A sabedoria do tempo. Em diálogo com o Papa Francisco sobre as grandes questões da vida".

O livro, organizado pelo diretor da Civiltà Cattolica, contém 250 entrevistas realizadas em mais de trinta países. Os anciãos relatam suas experiências aos jovens. O livro, disse o padre Spadaro, nasceu de uma intuição do Papa: como observado por Francisco no prefácio, "precisamos de avós sonhadores  e memoriosos".

 

Que a Igreja seja uma comunidade acolhedora

O cardeal Luis Antonio G. Tagle, arcebispo de Manila, declarou então que "a Igreja deve ser sempre acolhedora". Uma comunidade "que considera sempre a humanidade de todos e está sempre presente ao lado de todos".

"O olhar humano da Igreja para as pessoas, independentemente de sua orientação sexual - acrescentou ele - estava muito presente nas discussões".

Este Sínodo, acrescentou, foi uma escola. "Os jovens - também sublinhou o arcebispo de Manila - ensinaram muito". "Devemos partir dos jovens e de suas experiências concretas, depois se vai à pesquisa".

 

Ouvir as vozes das mulheres

Respondendo a uma pergunta sobre o quanto a voz das mulheres era ouvida pelos padres sinodais, o cardeal Tagle disse: "Em meu Círculo Menor,  percebemos que a força da sabedoria que vem das mulheres deve ser ouvida." "Houve propostas muito concretas que se referiam também à necessidade de ter mais em conta as figuras das mulheres presentes nas Sagradas Escrituras, para usá-las como figuras interpretativas das experiências dos jovens e lançar uma nova luz sobre elas."

 

Uma fonte de inspiração

O cardeal Charles Maung Bo, arcivescovo Yangon (Myanmar), disse que o Sínodo "tem sido uma fonte de inspiração" que impele os pastores da Igreja a se perguntarem: o que devo fazer pelos jovens de hoje? Concentrando-se nos jovens, disse o cardeal Bo, toda a Igreja "evolui no caminho certo". "Espero - sublinhou o purpurado - que cada diocese siga as recomendações do Papa; espero uma infinidade de frutos do Sínodo".

 

Apresentado o esboço do documento final

Por fim, o Prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, recordou que hoje foi entregue aos Padres Sinodais o projeto do documento final. O texto também foi brevemente ilustrado na Sala do Sínodo.

Amanhã de manhã e à tarde, anunciou por fim Ruffini, os Padres Sinodais poderão propor acréscimos ou modificações. O documento será então entregue ao Papa

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Apresentado projeto do documento final Sínodo dos Bispos

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23 de outubro de 2018

Um longo e caloroso aplauso, marcado pela aclamações dos jovens, saudou a apresentação esta manhã na Sala do Sínodo do Documento Final, um trabalho cansativo, entusiasmante, atento a uma verdadeira corrida contra o tempo: assim pode ser resumida a atividade realizada até tarde de segunda-feira pela Comissão para a Redação.

Foi um exemplo bem sucedido de sinodalidade, cuja demonstração é o entendimento perfeito nascido entre um jesuíta e um salesiano, comentaram brincando os dois secretários especiais – os padres Giacomo Costa e Rossano Sala, com referência aos dois instituto religiosos de proveniência.

 

Instrumentum Laboris, texto base de referência

O projeto do documento final – explicou na Sala do Sínodo o Relator Geral cardeal Sérgio da Rocha, foi elaborado a partir do Instrumentum Laboris, texto base de referência. Todavia, enquanto este último é fruto dos dois anos de escuta do mundo juvenil, o Documento Final é fruto do discernimento realizado pelos Padres no decorrer do Sínodo.

Trata-se, portanto, de documentos diferentes e complementares, que juntos dão “uma visão da complexidade das questões levantadas e dos dinamismos em ato no caminho para enfrentá-los: são lidos juntos – prosseguiu o purpurado – porque entre eles há uma referência contínua e intrínseca”.

Fontes do Documento Final são, além do Instrumentum Laboris, também os pronunciamentos, os relatórios e as emendas surgidas dos trabalhos do Sínodo.

 

O caminho com os discípulos de Emaús

A estrutura fundamental do Instrumentum Laboris é conservada na subdivisão nas três partes "reconhecer, interpretar, selecionar", todavia o documento reflete a estrutura da passagem dos discípulos de Emaús: "Caminhava com eles", "seus olhos se abriram", e por fim, "partiram sem demora".

Os temas do Instrumentum Laboris portanto, encontram-se no Documento Final, mas aparecem mais aqueles que foram mais debatidos ao longo destas três semanas.

O texto, subdividido em 173 parágrafos – recordou o cardeal Sérgio da Rocha - é "o resultado de um trabalho de equipe, os autores são os padres sinodais, os participantes do Sínodo e, em particular, os jovens. O Projeto, ainda reservado, foi entregue aos Padres Sinodais que agora terão tempo para lê-lo, podendo apresentar propostas de acréscimos e emendas.

O primeiro e principal destinatário do Documento Final - recordou o Relator Geral - é o Papa. Com a aprovação do Pontífice, de fato, "ele será disponibilizado a toda a Igreja, às Igrejas particulares, aos jovens e a todos aqueles que estão comprometidos com os jovens na pastoral da juventude e vocacional."

 

Povo de Deus, ponto de partida e chegada

O ponto de partida e o ponto de chegada é o povo de Deus "na variedade de situações socioculturais e eclesiais" que os trabalhos fizeram emergir. O caminho sinodal de fato – acrescentou o cardeal Sérgio da Rocha - ainda não terminou, porque prevê uma fase de implementação.

"Será importante que as Igrejas particulares e as Conferências Episcopais possam assumir de maneira criativa e fiel a dinâmica do Documento, a fim de adaptar ao seu contexto o que surgiu durante os trabalhos". O processo do Sínodo, portanto, não termina com "receitas pastorais a serem assumidas (seria o oposto do discernimento)" e, se a linguagem do texto elaborado não é propriamente jovem, recorda-se que foi decidido preparar uma Carta dirigida a todos os jovens por parte dos Padres Sinodais.

 

A Igreja vive uma oportunidade de conversão

Na meditação durante a oração que abriu a Congregação esta manhã, um Padre Sinodal, refletindo sobre os tempos difíceis vividos pela Igreja, convidou os presentes a viver o Sínodo como um kairos, como uma ocasião para conversão.

Os jovens, de fato,  querem uma Igreja transparente e pobre e as palavras do Crucifixo de São Damião a São Francisco de Assis, "Vai e reconstrói a minha Igreja",  são hoje um estímulo para todos. Uma árvore plantada ao longo de um riacho - foi meditação inspirada na liturgia de hoje - não tem medo quando o calor vem. Mesmo em uma época de seca, o fruto da árvore não será menor se suas raízes estão plantadas ao longo do rio de água viva que é Jesus. Que neste tempo de kairos, sofrimento e graça – foram os votos - a Igreja prossiga corajosa, cheio de esperança e empatia. Opção preferencial pelos jovens quer dizer dedicação em termos de tempo, pessoas e recursos financeiros nas paróquias e nas dioceses de todo o mundo.

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Sínodo dos Bispos: testemunho dos jovens santos e mártires de nosso tempo

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17 de outubro de 2018

Realizou-se na tarde de terça-feira (17/10), a 13ª Congregação Geral do Sínodo dos Bispos para os Jovens, prosseguindo o debate iniciado na manhã do mesmo dia, sobre a terceira parte do Instrumentum Laboris: Escolher, caminhos de conversão pastoral e missionária.

A santidade não é somente um ideal e são vários os testemunhos de jovens oferecidos em nossos dias. Os Padres sinodais que se pronunciaram na 13ª Congregação Geral ofereceram exemplos comoventes sobre pessoas que vivem em áreas do mundo onde os cristãos são minoria, muitas vezes perseguida.

Foi recordado também o Oriente Médio onde várias pessoas morrem por causa da fé em Jesus Cristo, depois os dálits, na Índia, últimos da sociedade, pessoas sem direitos que mantendo a fé e a dignidade de filhos de Deus, suas únicas riquezas, vão ao encontro do martírio.

Testemunho cristão suscita novas conversões

Do exemplo desses santos dos nossos dias, surgem novas conversões. Todo jovem, observa o Sínodo, deseja a santidade. É exigente, precisa de testemunhas autênticas, pontos de referência aos quais se inspirar, deseja encontrar pastores que vivam o espírito das Bem-aventuranças, que rezam, meditam e não sejam simples trabalhadores ou funcionários de uma instituição. Os bispos exortam a Igreja à transparência e a dizer com alegria que o celibato e a castidade são opções possíveis com a graça de Deus.

Igreja no mundo, não do mundo

No mundo, sem ser do mundo. A Igreja deve ser menos discursiva e mais acolhedora, dedicando aos jovens tempo e recursos. Verdade e misericórdia, sublinham fortemente os Padres sinodais, são indissolúveis e têm como centro Jesus Cristo. Nesse sentido, é importante a figura de um bom diretor espiritual que mesmo condenando o pecado, acompanhe com amor: “Deus nos aceita como somos, mas não nos deixa como somos”. Ele nos transforma em homens e mulheres novos. Incisivo o paralelo da Igreja como âncora que não deixa naufragar.

Igreja não renuncie a falar da cruz

Os bispos denunciam a cultura atual materialista e hedonista que procura tirar Deus do coração do ser humano, propondo falsos ídolos como o dinheiro, dependências (vício de jogo, pornografia, etc) e prazeres efêmeros, rejeitando ideais e valores cristãos como a família. São desafios diante dos quais a Igreja não pode deixar de indicar a força de Cristo ressuscitado e o anúncio do kerigma. A cruz não espanta os jovens. Pelo contrário, eles desejam um anúncio do Evangelho claro e não vazio. O chamado de Jesus crucificado deve ressoar forte, não fraco ou anêmico. Para ter uma Igreja revigorada, o Sínodo encoraja os jovens a rezar o Terço e a receber os Sacramentos da Confissão e da Eucaristia.

Drama do desemprego e da imigração

A atenção da assembleia sinodal voltou-se também para o drama do desemprego. Que a Igreja seja uma família que ajude aqueles que não têm trabalho. Um exemplo virtuoso é o apoio eclesial a projetos de microcrédito, na convicção de que o trabalho ajuda a dar sentido à vida e proporciona um futuro sereno da sociedade.

Os pastores devem pedir às instituições para dar mais atenção às novas gerações, sobertudo a quem é obrigado a imigrar, abandonando sua famíla e raízes. É uma obrigação tornar os jovens protagonisas do desenvolvimento humano integral da sociedade. Em várias partes do mundo eles mostram ter responsabilidade pelos desfavorecidos e pelo ambiente.

Igreja não renuncie à educação cristã

O Sínodo pede à Igreja para não renunciar ao direito de educar os jovens nas escolas e universidades: lugares de abertura, diálogo, formação das consciências e reforço dos valores morais. Recomenda-se salvar as escolas já existentes antes de criar outras. Dizer não ao proselitismo, mas os programas das escolas católicas devem ser reforçados, pois, “não se acende uma lâmpada para colocá-la sob um alqueire”, afirmam os Padres sinodais. Além disso, pede-se para não se esquecer das famílias pobres e desfavorecidas que por motivos econômicos não podem oferecer aos filhos uma boa instrução.

Testemunhos dos auditores

Enfim, tomaram a palavra na Congregação alguns auditores que partilharam com a assembleia sua experiência de conversão amadurecida dentro dos novos movimentos eclesiais. Outros evidenciaram a necessidade de dar mais responsabilidade aos leigos, às mulheres e famílias. Dentre as propostas que emergiram, a ideia de incentivar formas de residência comunitária, formadas por jovens engajados em regras de vida comuns e que se dedicam a iniciativas de evangelização. Foi feito um apelo a renovar o modelo de formação nos seminários numa chave menos teórica de conteúdo e mais experiencial, próxima à realidade juvenil.

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Sínodo dos Bispos: "evangelizar a rede digital tornando-a mais humana"

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17 de outubro de 2018

A Igreja acompanhe os jovens no habitar a rede digital: embora não seja isenta de aspectos críticos, ela não é uma ameaça, mas um novo caminho de evangelização a ser percorrido com liberdade, prudência e responsabilidade, afirmaram os padres sinodais na manhã desta quarta-feira (17/10) em que o verbo “escolher” – terceira parte do Instrumentum Laboris – esteve no centro da décima quarta Congregação Geral do Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens. Em andamento no Vaticano desde o dia 3 de outubro, o encontro sinodal prosseguirá até o próximo dia 28 deste mês.

Era digital: ser o Apóstolo Paulo do Terceiro Milênio

Somos chamados a tornar-nos “o Apóstolo Paulo do Terceiro Milênio”, afirmam, lançando a proposta de um “Setor especial para a pastoral e a missão digital”, com a finalidade de evangelizar, mas também de indicar aqueles sitos internet que defendem posições não fiéis ao ensino oficial e ao magistério. Nesse sentido, poderá ser útil a criação de aplicativos, jogos e instrumentos interativos que ajudem a conhecer o Evangelho e a Igreja.

Os bispos expressam também preocupação com aqueles jovens que transcorrem tempo demais no tablet, e smartphone, tornando-se dependentes e condenando-se à solidão de um mundo irreal onde as amizades são apenas virtuais.

A Igreja quer favorecer o encontro concreto entre pessoas mediante peregrinações e grandes eventos como as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) criadas por São João Paulo II. O olhar se volta desde já para a JMJ Panamá 2019.

Mais formação para a cidadania ativa e para a política

Foi dado amplo espaço na Sala do Sínodo ao tema da formação: Igreja e sociedade precisam dos jovens, mas sem improvisações. Segundo os padres sinodais, levar adiante um projeto educacional significa evitar que o laxismo ético, o individualismo e o relativismo enfraqueçam o entusiasmo das novas gerações.

É preciso uma pedagogia para a cidadania ativa e para a política: é necessário propor a Doutrina social da Igreja, um estilo de vida sóbrio, uma ecologia humana integral e contrastar a corrupção galopante. Para esse fim é importante, num mundo sempre mais multicultural, a colaboração entre as religiões.

Família, ambiente educacional mais importante

Não existe um ambiente educacional mais importante do que a família, academia de escuta e diálogo recíproco entre gerações, de aprendizagem das primeiras regras da convivência social.

A Sala do Sínodo faz votos de que a autoridade dos pais seja tutelada e seja promovida uma pedagogia familiar que encoraje mais as virtudes do que as emoções e estimule a disposição à dedicação e ao sacrifício.

A família hoje é ameaçada pelas colonizações ideológicas que condicionam as ajudas econômicas aos países menos desenvolvidos à introdução de políticas contrárias à vida e ao matrimônio entre homem e mulher, denuncia o Sínodo. A Igreja é chamada a fazer-se família de muitos jovens órfãos ou que vivem em contextos familiares desfavoráveis, acrescentam os bispos.

Jovens buscam respostas claras e concretas

Os participantes dos trabalhos da assembleia constatam que muitos jovens se distanciam da Igreja porque inconsistentes nas convicções de fé. Daí, a exigência de uma catequese que considere as interpelações de sentido e a sede de amor como objetivos aos quais responder.

Com efeito, os jovens querem indicações claras, não confusas, sem desvios da linguagem de Cristo ou em conformidade com as tendências modernas das mídias.

A formação para o matrimônio representa muitas vezes uma ocasião de reaproximação à comunidade eclesial, mas é preciso intervir antes. A resposta é uma pastoral vocacional mais eficaz e finalizada a um envolvimento dos jovens nos processos de decisão e na evangelização de seus coetâneos, sugere o Sínodo.

A amizade é lugar privilegiado para a transmissão da fé no cotidiano. Deve-se levar em consideração na catequese que a teoria precisa ser harmonizada com a vida concreta: uma evangelização que não alcança o coração é como uma verniz que fica somente na superfície. Também nos seminários a formação deve ser conjugada numa dimensão mais humana.

Igreja é ponto de referência para os jovens migrantes

Foi dado espaço também para o tema da imigração: “o encontro entre culturas encoraja a buscar o melhor do outro e a corrigir algum defeito nosso, afirmam os participantes na Sala do Sínodo.

Os sacerdotes são pontos de referência essenciais para muitos jovens refugiados. Se a Igreja for atenta às carências dos necessitados e abrir o coração a Deus e a todos os jovens, independentemente de sua história de vida, permanecerá sempre jovem.

A palavra chave permanece sendo “testemunho”, porque uma testemunha de Cristo tem poder atrativo mais do que mil palavras. De fato, os jovens pedem autenticidade e quando a encontram no exemplo de vida de mártires e santos, no sorriso límpido dos consagrados, na dedicação de um sacerdote, na alegria e na fadiga de ser família, então se interrogam, se colocam em caminho e decidem assumir as rédeas da própria vida.

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Adolescentes da Basílica do Carmo cantam com Roger Waters

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11 de outubro de 2018

Os shows de Roger Waters em São Paulo, nos dias 10 e 11 de outubro, tiveram a participação especial de 12 adolescentes Centro de Convivência da Criança e do Adolescente da Basílica Nossa Senhora do Carmo, em Bela Vista. Eles foram convidados pela produção do evento para comporem o coro de crianças da parte 2 da música "Another Brick In The Wall”.

Após o contato inicial com a obra social, feito por e-mail, houve a seleção dos jovens na instituição. A diretora do Centro, Jaqueline Paixão, conta como foram as etapas:

“O processo seletivo foi realizado logo após termos recebido o convite da produtora T4F. Nos pediram que selecionássemos 12 adolescentes, com idades de 12 anos a 14 anos. A escolha foi realizada a partir da participação de ensaios e aulas práticas de dança realizadas pelo professor Renan Marangoni, tendo como critérios o interesse, empenho e desempenho para com a ação proposta. Após a seleção dos 12, eles começaram os ensaios da coreografia com o Renan e preparação vocal e aulas de Inglês com o professor voluntário Alexandre Aragão. A produtora Carol Rheinheimer acompanhou os ensaios via vídeos e nos últimos dias, pessoalmente Os ensaios duraram dois meses.”

Participaram do grupo que se apresentou no Allianz Parque: Andresa Kelly da Silva Santana, 12 anos; Bianca dos Santos Pereira, 12 anos; Kaique Vieira de Lima, 13 anos; Gabriela Lima Dias, 14 anos; João Pedro Baião Leal; 14 anos; Júlia Katheleen, 13 anos; Maria Beatriz dias Pontes, 13 anos; Maria Eduarda de Almeida Paz, 12 anos; Polyana Oliveira da Silva, 14 anos; Pedro Henrique Feliciano da Silva Lima, 14 anos; Ruan Pablo Araújo Teixeira, 13 anos; Rakel Ágata de Oliveira Gonçalves, 14 anos; e Yasmin Vitória Saraiva De Matos, 14 anos.

“A participação dos nossos adolescentes em show de rock dessa proporção trouxe a eles uma experiência fantástica em relação a ampliação do repertório cultural. Do ponto de vista social, vejo também a oportunidade como ímpar na vida deles, pois segundo os seus familiares eles não teriam condições de ir ao um show como esse”, afirmou Jaqueline.

Este é o sentimento que mais os adolescentes expressam ao serem indagados sobre o que representou essa experiência para eles.

Kaique Vieira se disse impactado com tamanha alegria que viveu durante a preparação e, especialmente, no dia da apresentação. Ele participou do show na quarta-feira, dia 10. “Participar desse show do Roger Waters foi uma surpresa muito grande. Estou muito feliz, meu coração está acelerado”.

Bianca dos Santos complementou: “Estamos muito felizes porque não é todo mundo que tem uma oportunidade como essa. Eu só tenho a agradecer ao Roger e ao CCA Nossa Senhora do Carmo”.

A participação de adolescentes de obras sociais ou escolas locais nos shows é uma iniciativa de Roger que se repete há três turnês. No Brasil a experiência acontecerá também nas demais apresentações do artista: em Brasília (dia 13, no estádio Mané Garrincha), em Salvador (dia 17, na arena Fonte Nova), em Belo Horizonte (dia 21, no Mineirão), no Rio de Janeiro (dia 24, no Maracanã), em Curitiba (no dia 27, no Estádio Couto Pereira) e em Porto Alegre (dia 30, no estádio Beira-Rio). Também em Belo Horizonte e no Rio os adolescentes escolhidos participam de obras sociais mantidas pela Província Carmelitana de Santo Elias, da Ordem do Carmo.

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