Romaria Nacional da Juventude acontece neste final de semana em Aparecida

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26 de abril de 2019

Neste sábado, 27 de abril, o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida recebe mais uma edição da Romaria da Juventude. O evento é realizado pela Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em parceria com os Jovens de Maria, iniciativa pastoral do santuário mariano voltada para os jovens. “Maria: Paixão pela vida e pelo Senhor da vida” é o tema que animará centenas de jovens em momentos de espiritualidade, formação e confraternização.

O evento deste ano estará concentrado em um único conjunto de atividades, diferentemente de anos anteriores que foram oferecidas catequeses aos jovens em tendas. O momento de aprofundamento escolhido para esta edição recebeu o nome de “Ecos do Sínodo”, quando será possível refletir sobre o processo sinodal, bem como sobre a exortação apostólica do papa Francisco “Christus vivit” (Cristo vive).

Na programação, adoração ao Santíssimo Sacramento, consagração a Nossa Senhora, missa, procissão e um luau com o cantor Danilo Casemiro.

Será um “momento de oração, de reflexão, e queremos encontrar jovens de todo o Brasil”, afirmou em vídeo divulgado pelas mídias sociais dos Jovens Conectados o bispo auxiliar de Curitiba (PR), dom Amilton Manoel da Silva.

“Que cada jovem, cada expressão juvenil se mobilize para esta festa do encontro, da partilha, da união e da relação entre a pluralidade juvenil. A gente convida para que nenhuma expressão fique ausente, mas ali a gente possa beber da mesma fonte, a graça de Deus”, afirmou o bispo de Valença (RJ), dom Nelson Francelino.

O assessor da Comissão para a Juventude, padre Antônio Ramos do Prado, explica que a romaria é um importante momento de unidade para a juventude. “A cada ano temos uma temática ligada à Maria ou a um tema em destaque para a Igreja no momento. A romaria tem também uma identidade de formação de lideranças, catequese, testemunhos, missa, conferência, caminhada e um evento à noite com música”, conta.

Durante a Romaria Nacional, acontecerá também o #Conecta – Encontro Nacional dos Grupos de Jovens Paroquiais. Uma das atividades do Conecta 2019 será a finalização do Regimento para os Grupos de Jovens Paroquiais do Brasil, que apresentará normas e procedimentos para estas expressões juvenis seguirem nos seus projetos de evangelização. Também neste encontro, serão indicados pelos participantes dois jovens para representar os Grupos de Jovens Paroquiais na Coordenação Nacional da Pastoral Juvenil.

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Papa Francisco a jovens: "sejam construtores de pontes entre as pessoas"

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25 de abril de 2019

O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta quinta-feira (25/04), na Sala do Consistório, no Vaticano, cerca de cem jovens franceses da Diocese de Aire et Dax, que se encontram em peregrinação a Roma.

Francisco agradeceu a Deus pela iniciativa dos responsáveis da Pastoral Juvenil, que com o apoio do bispo, propuseram aos jovens viver as “Jornadas da Juventude de Landes”, uma região  do sudoeste da França.

 

Revigorar o dom da fé

Segundo o Papa, esta é uma boa ocasião oferecida aos jovens  franceses para que possa revigorar neles “o dom da fé, aqui, em Roma, junto aos Apóstolos Pedro e Paulo e todas as testemunhas, dentre as quais alguns jovens, que sofreram o martírio por terem permanecido fiéis a Jesus Cristo”.

“O contexto atual não é fácil, por causa também da questão dolorosa e complexa dos abusos perpetrados por membros da Igreja. Todavia, digo que hoje não é mais difícil do que em outras épocas da Igreja: é apenas diferente.”

“Por isso, aproveitem essa peregrinação para redescobrir que a Igreja, da qual vocês são membros, “caminha há dois mil anos, compartilhando as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens. E caminha como é, sem recorrer a nenhuma cirurgia estética”, disse Francisco citando um trecho da Exortação apostólica pós-sinodal, Christus vivit.

 

Deixem-se transformar pelo Espírito Santo

O Papa disse ainda que olhando para os jovens, reconhece a obra de Jesus que não abandona a sua Igreja, permitindo que ela, através da juventude, seu entusiasmo e talento, se renove e rejuvenesça nas várias fases de sua longa história.

Francisco chamou a atenção para a imagem da árvore emblemática dessa região francesa, o pinheiro de Landes, que ajudou a sanear áreas pantanosas. “Enraízem-se no amor de Deus”, disse o Papa aos jovens, “fazendo com que nos lugares onde vocês vivem a Igreja seja amada. Deixem-se transformar e renovar pelo Espírito Santo a fim de levar Cristo a todos os ambientes e testemunhar a alegria e a juventude do Evangelho!”

 

Exemplo de São Vicente de Paulo

Seguindo o exemplo de São Vicente de Paulo, que também era da região de Landes, “tornem visível o amor de Deus, amando com a força dos braços e o suor da fronte”.

“Nesse sentido, sejam construtores de pontes entre as pessoas, fazendo crescer a cultura do encontro e do diálogo, a fim de contribuir para o advento de uma autêntica fraternidade humana.  Com a atenção aos pequenos e pobres, vocês podem acender as estrelas nas noites de muitas pessoas que passam por provações. Manifestem com gestos e palavras que Deus é sempre novidade e nos conduz onde se encontra a humanidade mais ferida e onde os seres humanos continuam buscando uma resposta ao sentido da vida.”

“A Igreja precisa do seu ímpeto, de suas intuições, sua fé e coragem”, concluiu o Papa, confiando os jovens à proteção de Nossa Senhora de Buglose e São Vicente de Paulo.

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Projetos pastorais marcam quadriênio da Comissão para a Juventude da CNBB

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15 de março de 2019

Rota 300, o trabalho de revitalização da Pastoral Juvenil, o Sínodo para a Juventude e o projeto IDE foram as grandes marcas do trabalho da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no período de 2015 a 2019.

O projeto Rota 300, de 2015 a 2017, animou os jovens de todo o Brasil numa caminhada missionária em comunhão com as celebrações do tricentenário do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Surgiu da necessidade de dar continuidade ao projeto de revitalização da pastoral juvenil e fomentar o espírito de missão, como aconteceu no Bote Fé, que antecedeu a JMJ Rio 2013.

À época, o assessor da Comissão, padre Antônio Ramos do Prado, explicou a intenção de “dar continuidade ao projeto de revitalização e chegar em 2017 mais fortalecidos na evangelização da juventude”. Agora, em 2019, a Comissão faz o balanço do trabalho com um novo projeto de pastoral de evangelização para a juventude, que contempla mais expressões juvenis, e na expectativa para a exortação apostólica do papa Francisco após o Sínodo sobre a juventude realizado em outubro de 2018.

Os eixos do projeto de evangelização da juventude proposto pela comissão em 2015 constavam de missão, capacitação e estrutura de acompanhamento. Três anos depois, foi apresentado o projeto IDE, que se desenvolve desde o ano passado seguindo até 2020, com cinco eixos norteadores: Missão, Formação, Estruturas de Acompanhamento (já presentes no Rota 300), acrescido de Ecologia e Políticas Públicas.

O bispo de Imperatriz (MA) e presidente da Comissão para a Juventude da CNBB, dom Vilsom Basso, avaliou o trabalho realizado no quadriênio que se encerra no próximo mês de maio:

 

“Foi um tempo lindo. Participar de uma comissão da CNBB é uma graça, é imerecido, é algo maravilhoso. Fica a nossa gratidão a Deus, à Conferência pelo amor à juventude, pelo apoio. E é uma experiência de aprendizado. Você estar no meio de pessoas que tem muito conhecimento, assessores competentes e acima de tudo o amor à Igreja. Aqui se aprende a amar a Igreja e fazer tudo para que o Reino seja anunciado. Então foram quatro anos maravilhosos e deixamos um caminho bonito a ser percorrido: o projeto IDE, o Sínodo e agora a exortação apostólica pós-sinodal”.

 

Outra frente de trabalho marcante na caminhada dos últimos anos foi o resgate do contato e a aproximação com expressões juvenis no Brasil.    “De fato, esta é a missão da comissão: acompanhar e acolher todas as expressões juvenis”, explica dom VIlsom.

“Temos as 4 PJs (Pastoral da Juventude, Pastoral da Juventude no Meio Popular, Pastoral da Juventude Rural e Pastoral da Juventude Estudantil), os movimentos, novas comunidades, congregações, grupos jovens paroquiais e todos os que forem surgindo. O papa quer uma Igreja Mãe, acolhedora, que escuta e que os jovens se sintam em casa, na casa da mãe, numa família e ali, firme na fé, numa experiência com Jesus, possa ser o que o Documento dos leigos pede: Sal da terra, luz do mundo, fermento na massa”, afirma dom Vilsom.

O bispo ainda salienta que o papa Francisco diz que “‘os jovens não são o futuro, são o agora de Deus para a Igreja e para a sociedade’”. O agora de Deus, continua, “fermentados na fé em Jesus e animados pelo Espírito para levar vida plena a toda a juventude. Muita coisa foi feita e há muita coisa para fazer, graças a Deus, porque a Juventude é esse campo imenso de missão para a Igreja”.

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O pequeno Panamá ganha as cores do mundo

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24 de janeiro de 2019

Jovens de todo o mundo que estão no Panamá para participar da JMJ aguardam ansiosos pela chegada do Papa Francisco ao país centro-americano, prevista para a tarde desta quarta-feira, 23, pelo horário local.

O clima de JMJ já contagia o país e os peregrinos de toda a parte do mundo que lá estão, muitos destes brasileiros.

NOS PASSOS DE UMA JOVEM

Ao fim da JMJ de 2016, em Cracóvia, o Papa Francisco anunciou que em 2019, o maior encontro de jovens do mundo aconteceria no Panamá. O tema escolhido pelo Pontífice foi: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”, desde então, todos foram chamados a refletir sobre os exemplos deixados por Maria e, desta forma, viver os dias de encontro com o Santo Padre.

Essa é a expectativa de Lucas Galhardo, jovem do Movimento de Schoenstatt: “Vamos aprender muito por meio dos exemplos de Maria, acredito que a jornada vai nos aproximar ainda mais de Nossa Senhora”. Ele também espera que este seja um momento de enaltecer e, aproximar os peregrinos ao Sínodo dos Jovens, fé e discernimento vocacional.

ESTAR AO LADO DO PAPA

São muitos os motivos que fazem com que, a cada Jornada, milhares de jovens tomem a decisão de se tornar peregrino e, em um País diferente, tenham uma experiência de fé, missão e encontro.

Em Jundiaí, no interior de São Paulo, vive Tiago Henrique Paneque, 22, que vê na oportunidade de estar perto do Papa Francisco a maior motivação para a ida à sua segunda JMJ: “Encontrar com os seus princípios e naquilo que ele acredita, na maneira como reconhece Jesus nas pessoas e no carinho que tem por todos, sem nenhuma distinção”, salientou o jovem da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, na Diocese de Jundiaí.

Após retornar de Cracóvia, na Polônia, ele e mais 21 jovens iniciaram com o apoio da paróquia a preparação para o desembarque no Panamá, com a realização de almoço, jantares, venda de rifas.

MUITA FÉ E ALEGRIA

“Desde a Jornada passada, o que mais me encantou foi o carisma do povo panamenho, que é muito receptivo e carinhoso, sem ao menos eles saberem que a próxima jornada seria em seu País”, contou sobre seu primeiro contato com a população que, este ano, acolhe a Jornada e que segundo ele, tem fé e devoção fortes.

As belezas naturais do Panamá estão encantando Thiago, que organiza junto com seu grupo uma visita a praia San Blas, zelada e administrada por índios nativos panamenhos.

NUNCA DEIXAR DE SONHAR

Dom momentos marcantes desde que chegou à JMJ, Tiago lembrou das palavras do Arcebispo do Panamá, que dizia: “Nunca deixaremos de ser jovens, enquanto não pararmos de sonhar”.

Para ele, esta é a motivação para quando retornar ao Brasil, continuando sua missão na Diocese que participa e, a exemplo de Maria, trasbordar seu sim a Deus. E, imitando ao povo que o acolheu, ser alegre e não fazer distinção entre as pessoas, mas oferecer a elas, somente amor.

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Panamá vira a ‘capital da juventude’

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23 de janeiro de 2019

O Papa Francisco chega ao Panamá nesta quarta-feira, 23, para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). No Twitter, ele escreveu: “Estou partindo para a Jornada Mundial da Juventude no Panamá. Peço a vocês que rezem por este evento tão lindo e importante no caminho da Igreja.”

Mesmo antes da chegada do Santo Padre, JMJ já começou. A missa de abertura, tipicamente celebrada pelo bispo local, foi presidida ontem por Dom José Domingo Ulloa Mendieta, no Campo Santa Maria la Antigua.

Em sua pregação, Dom Ulloa saudou os peregrinos e disse que eles souberam superar todos os obstáculos para se reunir no Panamá, uma “pequena igreja que hoje se converte em capital da juventude”. Nas suas palavras, “falar de jovens é falar de esperança, porque a mudança no mundo, a mudança na Igreja só virá das mãos de vocês, queridos jovens”.

MARIA COMO MODELO

Esta é a primeira Jornada na qual o exemplo de Maria, mãe de Jesus, foi colocado no centro de todas as reflexões. O tema é seu “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”, conforme o Evangelho de São Lucas. Dom Ulloa apontou para essa novidade, chamando Maria de “estrela da evangelização”.

“Foi proposta do Papa Francisco para vocês, como modelo de valentia e coragem. Ela, a jovem, esteve disponível para cumprir o projeto de Deus”, disse. O Arcebispo acrescentou que esta é uma JMJ das periferias existenciais e geográficas.

“Queridos jovens, este encontro de vocês com Jesus Cristo deve levá-los a um confronto consigo mesmos e com o adoutrinamento desse sistema antivalores que impera, sustentado na busca de uma falsa felicidade. Ela é tão fugaz que os leva a experimentar, desesperadamente, coisas que lhes fazem mal à mente e ao espírito. No final só alcançam um vazio espiritual”, alertou, dizendo que o único chamado perene e verdadeiro é aquele de Jesus Cristo.

ACOLHIDA CALOROSA

O bispo de Imperatriz, Dom Vilsom Basso, presidente da Comissão para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), falou ao O SÃO PAULO sobre sua expectativa para este grande encontro internacional.

“A minha primeira impressão, chegando ao Panamá, é muito bonita. A acolhida, as pessoas cantando, rezando com a gente.”, disse. “Para mim, é muito especial também porque é a primeira vez que fico hospedado em uma casa de família.”

É tradição na JMJ que famílias e jovens locais acolham participantes estrangeiros. “Vemos muita gente trabalhando, o povo do Panamá acolhendo muito bem, a cidade inteira enfeitada para acolher o Papa e os milhares de jovens que virão participar”, conta.

“Queremos viver estes dias no espírito mariano de acolhida do chamado de Deus: uma resposta alegre, corajosa, criativa e generosa, para servir a Deus, a Igreja e especialmente a juventude”, comentou Dom Vilsom, que defende uma priorização pastoral para os jovens. “[A Jornada] é a Igreja na sua pluralidade, unida ao redor de Jesus Cristo e do Papa Francisco, para levar uma mensagem de vida e de esperança a toda a juventude.”

JMJ EM NÚMEROS

Oficialmente, são mais de 100 mil inscritos até o momento, provenientes de 156 países. A expectativa é de que número total de participantes fique entre 500 e 700 mil. Além disso, participam 480 bispos, dos quais 380 farão catequeses diárias em 25 línguas, em 137 centros de encontro.

O número de voluntários chega a 20 mil panamenhos e outros 2,4 mil estrangeiros. O Brasil está em segundo lugar no número de voluntários, após a Colômbia. Também Costa Rica, México e Polônia têm muitos voluntários. Os jornalistas credenciados são 2,5 mil.

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Sentir-se em casa, mesmo a mais de 4 mil km do Brasil

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22 de janeiro de 2019

O País que em 2019 recebe a Jornada Mundial da Juventude concentrou seus esforços para que peregrinos de todo o mundo pudessem ser bem recebidos antes mesmo da abertura oficial da JMJ nesta terça-feira, 22, e, desta forma, vivam intensamente os dias do evento que termina no domingo, 27, com missa presidida pelo Papa Francisco.

DESEMBARQUE

Um grupo de peregrinos da Freguesia do Ó, da Paróquia Santa Cruz de Itaberaba, na Região Episcopal Brasilândia, chegou ao Panamá no dia 12 de janeiro e foi recebido pelos moradores de um bairro chamado Tanara, no Distrito de Chepo. Dentre eles está Diego Brigatto: “É uma comunidade muito simples, mas muito acolhedora. Todos se conhecem e muitos são familiares ou grandes amigos”, contou ao O SÃO PAULO.

Houve por parte dos meios de comunicação local uma grande divulgação. Dessa forma, todos puderam compreender a grandiosidade da jornada e por isso a população local faz de tudo para que os peregrinos se sintam, verdadeiramente, em casa.

“Sempre muito animados e acolhedores. Fazendo o máximo para nos deixar felizes e em casa. A polícia local e os responsáveis perguntam por nós a cada 20 minutos e querem saber sempre por onde estamos”, completou Diego.

CAMINHANDO POR CHEPO

Diego explicou que as casas, diferentes do que está habituado em São Paulo, não possuem portões, pois a população vive em clima de segurança. Entretanto, ele pôde perceber que o maior desafio da cidade diz respeito ao seu saneamento básico: “Eles ficam muito tristes por um país banhado por dois mares e com muita água doce ainda não ter água encanada em muitos locais”, reiterou.

Como sinal de gesto concreto, o grupo pretende dialogar com o prefeito local, sobre a importância da água e do bom uso dos recursos financeiros.

TERCEIRA JMJ

O Panamá é a terceira cidade em que Diego visita em virtude da JMJ. Ele esteve no Rio de Janeiro em 2013, e em Cracóvia, na Polônia, em 2016.

Diego afirmou que a relação dos jovens brasileiros com a JMJ mudou após os dias na cidade maravilhosa: “A Jornada no Brasil foi muito importante para os jovens brasileiros conhecerem o evento. Fez perceber que não estamos sozinhos e que a Igreja Católica é viva e ativa no mundo todo”.

Após a primeira experiência vivida no próprio País, ele que também é membro do Setor Juventude da Arquidiocese de São Paulo, decidiu unir esforços com outros jovens de sua comunidade paroquial para vivenciar mais essa oportunidade de renovação: “Participar da Jornada dá um novo gás para viver a vida em comunidade”, concluiu.

CORES LATINAS

O povo brasileiro sempre foi conhecido por sua alegria e forma diferenciada de receber a todos. A tantos quilômetros de distância, a professora de francês Lívia Miranda, 29, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida dos Ferroviários, da Região Episcopal Sé, destacou que desde que chegou ao Panamá, no dia 14, percebeu a cordialidade com que os panamenhos lidam com os peregrinos e a felicidade em receber um evento desta magnitude.

O colorido das ruas deixa tudo mais divertido segundo ela, que está no Panamá como voluntária, e desde outubro contribui com o conteúdo para o site oficial da jornada: “É a JMJ da América Latina. Somos a maioria”. Lívia também enfatizou sobre a enorme divisão entre a grande cidade e problemas sociais que pode ver em uma semana de Jornada.  

DESDE MADRID

“A JMJ é um grande sinal de esperança para o mundo. Entendi isso quando acompanhei as notícias da JMJ de Madrid, em 2011. Quando o Brasil foi anunciado, não tive dúvidas de me inscrever como voluntária para poder ajudar na realização desse milagre dos nossos tempos”, explicou. Ela foi voluntária também em Cracóvia e em 2019 faz parte do grupo da comunicação.

Inspirada no lema da JMJ de 2019, Lívia espera que as experiências vividas ao longo de tantos dias continuem ressoando em todo jovens e comunidades para um concreto compromisso com Deus.

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Sonhos e histórias da maior edição dos Jogos escolares da Juventude

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25 de novembro de 2018

A cidade de Natal (RN) recebe, desde o dia 12, os Jogos Escolares da Juventude, principal competição estudantil do País. Essa é a primeira edição nacional do novo formato, em que atletas de 12 a 17 anos competem juntos, transformando o evento no maior já realizado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB). No total, 5.038 atletas de 26 estados e do Distrito Federal representam 2.153 escolas públicas e privadas e disputam 14 modalidades. Além disso, participam de diversas atividades culturais e educativas.

 

NÃO É SÓ ESPORTE!

Os Jogos Escolares, além de revelar muitos atletas olímpicos, também são marcados pelas histórias que acompanham os jovens. Francisco Anderson de Souza Machado, em 2015, tinha apenas 14 anos e vendia garrafas de água nas ruas de Fortaleza (CE). Com apenas três anos de treinamento, é agora um dos destaques da equipe de vôlei do colégio onde estuda. 

O atleta cearense, de 1,92m de altura, foi descoberto por um professor do Colégio Batista Santos Dumont, na comunidade do Dendê, uma das mais carentes de Fortaleza. Deixou a escola pública para estudar, com bolsa integral, no colégio e começou a treinar três vezes por semana. A situação financeira ainda é delicada e Anderson precisa da ajuda do pai de outro atleta do time para treinar e se deslocar, porém conta com o apoio incondicional da família.

A outra história é de um treinador que resolveu improvisar uma quadra de badminton em uma praça pública e classificou uma atleta para os Jogos Escolares. Há quatro anos, Rui Ribeiro Mendes, 46, natural de Guarabira (PB), foi apresentado ao badminton durante um curso de ensino a distância e decidiu criar um projeto voltado à sua iniciação. Conseguiu alguns equipamentos e instalou-se em um dos principais pontos da cidade pernambucana, a Praça da Juventude. 

Mesmo com tantas dificuldades, Rui viu o projeto atingir outro patamar, pois uma atleta do “Badminton na Praça” se classificou para a edição nacional dos Jogos. Yasmim Mirella da Silva Ferreira, 13, nunca havia saído de sua cidade até disputar a seletiva estadual. Graças ao projeto de Rui, a atleta conheceu novos lugares e compete este ano com os melhores atletas de sua modalidade.

 

MEDALHISTA NA VIDA

O jovem Lucas Gabriel Fernandes Antunes, do Colégio Santa Terezinha, de Florianópolis (SC), conquistou a medalha de prata nos 75m masculino do atletismo, na categoria de 12 a 14 anos. Ele já havia batido o recorde na competição na prova eliminatória com 8s63, mas “patinou” na largada na grande final. 

Órfão, o atleta encontrou seu irmão biológico nos treinamentos de atletismo iniciados em março na União Catarinense de Atletismo (UCA). Lucas foi adotado por uma família aos 6 anos de idade e, por isso, não se lembrava do irmão Douglas da Silva Ribeiro. Após o reencontro, seu rendimento aumentou. Ele ainda anseia conhecer suas outras duas irmãs.

 

EMBAIXADORES

A cada edição dos Jogos Escolares da Juventude, o COB convida diversos atletas do esporte nacional, incluindo campeões olímpicos e mundiais, a ser embaixadores do evento, tendo como principal missão compartilhar suas experiências e propagar o espírito olímpico. Bicampeã olímpica pela seleção brasileira feminina de vôlei, Fabiana Alvim movimentou o centro de convivência dos Jogos Escolares. 

“É um privilégio vir aqui e poder dividir um pouco da minha história. Como é a primeira vez, eu estou muito encantada com tudo o que tenho visto e sentido. É uma energia realmente diferente. É muito parecido com o que se vive em Jogos Olímpicos”, afirmou a ex-atleta.

Além de Fabiana, Natal recebeu os embaixadores Daniele Hypolito (ginástica artística), Joanna Maranhão e Ana Marcela Cunha (esportes aquáticos), Duda Vaz e Tiago Camilo (judô) e Magnólia Figueiredo (atletismo). Nesta edição, o programa foi ampliado e passou a receber também educadores.

(Com informações de Comitê Olímpico do Brasil)
 

LEIA TAMBÉM: A família e a escola unidas no processo educativo 
 

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Vídeomensagem do Papa Francisco para JMJ do Panamá 2019

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21 de novembro de 2018

Foi divulgada, nesta quarta-feira (21/11), pela Sala de Imprensa da Santa Sé, a vídeomensagem do Papa Francisco convocando os jovens para a 34ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que se realizará, no Panamá, de 22 a 27 de janeiro de 2019, sobre o tema «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38).

A mensagem de vídeo, divulgada hoje, dia em que a Igreja recorda a Apresentação de Nossa Senhora, conclui o ciclo de três mensagens marianas, dedicadas aos jovens a caminho entre a JMJ 2016 e a JMJ 2019. Para ouvir a mensagem, clique na imagem ao lado.

“Pela primeira vez, a mensagem do Papa em preparação da JMJ é  publicada em forma de vídeomensagem a fim de que possa alcançar o maior número possível de jovens e responder ao seu desejo, manifestado durante o recente Sínodo, de comunicar com a Igreja através de formas mais próximas à sua linguagem”, afirma o comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Na vídeomensagem, o Santo Padre se dirige a todos os jovens do mundo, fiéis ou não, incentivando-os a descobrir os valores característicos da juventude. Reconhece a sua disponibilidade de se colocar a serviço dos outros e os convida a colocar em prática esta atitude na perspectiva cristã: “Colocar-se a serviço do próximo não significa somente estar prontos para a ação. É preciso também dialogar com Deus, numa atitude de escuta, como fez Maria. Ela ouviu o que o Anjo dizia e depois respondeu”, ressalta o Papa.

A vídeomensagem serve como instrumento de preparação espiritual para a próxima JMJ no Panamá em 2019, e também como inspiração para a Pastoral da Juventude no mundo inteiro.

 

Segue, na íntegra, o texto da mensagem de vídeo do Papa Francisco.

Queridos jovens!

Vai-se aproximando a Jornada Mundial da Juventude, que será celebrada no Panamá em janeiro do próximo ano e terá como tema a resposta da Virgem Maria à chamada de Deus: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38).

As suas palavras são um «sim» audaz e generoso; o sim de quem compreendeu o segredo da vocação: sair de si mesmo e pôr-se ao serviço dos outros. A nossa vida só encontra sentido no serviço a Deus e ao próximo.

Há muitos jovens, crentes ou não crentes, que, no final dum período de estudos, mostram desejo de ajudar os outros, fazer algo pelos que sofrem. Esta é a força dos jovens, a força de todos vós, que pode transformar o mundo; esta é a revolução que pode desbaratar os «poderes fortes» desta terra: a «revolução» do serviço.

Para colocar-se ao serviço dos outros não basta estar pronto para a ação, é preciso também entrar em diálogo com Deus, numa atitude de escuta, como fez Maria. Ela escutou o que o anjo Lhe dizia e, depois, respondeu. A partir deste relacionamento com Deus no silêncio do coração, descobrimos a nossa identidade e a vocação a que nos chama o Senhor; a vocação pode expressar-se em várias formas: no matrimônio, na vida consagrada, no sacerdócio… Mas todas elas são caminhos para seguir Jesus. O importante é descobrir aquilo que o Senhor espera de nós e ter a audácia de dizer «sim».

Maria foi uma mulher feliz, porque generosa com Deus, aberta ao plano que tinha para Ela. As propostas de Deus para nós, como a que fez a Maria, não são para satisfazer sonhos mas para acender desejos; para fazer com que a nossa vida dê fruto, faça desabrochar muitos sorrisos e alegre muitos corações. Responder afirmativamente a Deus é o primeiro passo para ser feliz e tornar felizes muitas pessoas.

Queridos jovens, tende a coragem de entrar, cada um, no próprio interior e perguntar a Deus: Que quereis de mim? Deixai que o Senhor vos fale, e vereis a vossa vida transformar-se e encher-se de alegria.

Na iminência da Jornada Mundial da Juventude no Panamá, convido-vos a preparar-vos, acompanhando e participando em todas as iniciativas que se vão realizando. Isto ajudar-vos-á a caminhar para tal meta. Que a Virgem Maria vos acompanhe nesta peregrinação e o seu exemplo vos induza a ser audazes e generosos na resposta.

Boa caminhada rumo ao Panamá! E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Até breve!

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Sínodo dos Bispos: o que diz o Documento Final

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30 de outubro de 2018

É o episódio dos discípulos de Emaús, narrado pelo evangelista Lucas, o fio condutor do Documento Final do Sínodo dos Jovens. Lido na Sala alternando vozes do relator geral, cardeal Sérgio da Rocha, e os secretários Especiais, padre Giacomo Costa e padre Rossano Sala, juntamente com Dom Bruno Forte, membro da Comissão para a Redação do texto, o documento é complementar ao Instrumentum laboris do Sínodo, do qual toma a subdivisão em três partes.

Acolhido com aplausos, o texto - disse o cardeal Sérgio Da Rocha - é "o resultado de um verdadeiro trabalho de equipe" dos Padres Sinodais, juntamente com os outros participantes no Sínodo e "em modo particular os jovens." O Documento, portanto, recolhe as 364 formas, ou emendas, apresentadas. "A maior parte delas - acrescentou o Relator geral - foi precisa e construtiva". Todos os parágrafos do texto foram aprovados com pelo menos dois terços dos votos.

 

"Caminhava com eles"

Em primeiro lugar, portanto, o Documento Final do Sínodo olha para o contexto em que vivem os jovens, destacando os pontos de força e desafios. Tudo parte de uma escuta empática que, com humildade, paciência e disponibilidade, permite de dialogar realmente com os jovens, evitando "respostas pré-concebidas e receitas prontas". Os jovens, de fato, querem ser "ouvidos, reconhecidos, acompanhados" e querem que sua voz seja "considerada interessante e útil no campo social e eclesial". A Igreja nem sempre teve essa atitude, reconhece o Sínodo: muitas vezes sacerdotes e bispos, sobrecarregados por muitos compromissos, lutam para encontrar tempo para o serviço da escuta. Daí a necessidade de preparar adequadamente também leigos, homens e mulheres, capazes de acompanhar as jovens gerações. Diante de fenômenos como a globalização e a secularização, além disso,  os jovens movem-se em direção a uma redescoberta de Deus e da espiritualidade e isso deve ser um estímulo para a Igreja, para recuperar a importância do dinamismo da fé.

 

A escola e a paróquia

Outra resposta da Igreja às questões dos jovens vem do setor educacional: as escolas, as universidades, as faculdades, os oratórios, permitem uma formação integral dos jovens, oferecendo ao mesmo tempo um testemunho evangélico de promoção humana.

Em um mundo onde tudo está conectado - família, trabalho, tecnologia, defesa do embrião e do migrante - os bispos definem como insubstituível o papel desempenhado pelas escolas e universidades onde os jovens passam muito tempo. As instituições educacionais católicas, em particular, são chamadas a enfrentar a relação entre a fé e as demandas do mundo contemporâneo, as diferentes perspectivas antropológicas, os desafios técnico-científicos, as mudanças nos costumes sociais e o compromisso com a justiça. Também a paróquia tem o seu papel: "Igreja no território", é preciso um repensar na sua vocação missionária, pois muitas vezes resulta pouco significativa e pouco dinâmica, especialmente na área da catequese.

 

Migrantes, um paradigma do nosso tempo

O documento sinodal se concentra então no tema dos migrantes, "paradigma do nosso tempo",  como um fenômeno estrutural, e não uma emergência transitória. Muitos migrantes são jovens ou menores desacompanhados, fugindo da guerra, violências, perseguição política ou religiosa, desastres naturais, pobreza e acabam se tornando vítimas de tráfico, drogas, abusos psicológicos e físicos. A preocupação da Igreja é acima de tudo em relação a eles - diz o Sínodo – na ótica de uma autêntica promoção humana que passa pela acolhida de refugiados, e seja ponto de referência para tantos jovens separados de suas famílias de origem. Mas não só: os migrantes - recorda o Documento - são também uma oportunidade de enriquecimento para as comunidades e sociedades em que chegam e que podem ser revitalizados por eles. Ressoam, portanto, os verbos sinodais "acolher, proteger, promover, integrar" indicados pelo Papa Francisco para uma cultura que supere a desconfiança e o medo. Os bispos também pedem mais empenho em garantir àqueles que não desejam migrar, o direito de permanecer em seu próprio país. A atenção do Sínodo também se dirige àquelas Igrejas ameaçadas em sua existência, pela emigração forçada e pelas perseguições sofridas pelos fiéis.

 

Firme compromisso contra todo tipo de abuso. Dizer a verdade e pedir perdão

Bastante ampla, também, a reflexão sobre os "diversos tipos de abuso" (de poder, econômicos, de consciência, sexuais) feitos por alguns bispos, sacerdotes, religiosos e leigos: nas vítimas – lê-se no texto – eles provocam sofrimentos que "podem ​​durar toda a vida e aos quais nenhum arrependimento pode colocar remédio".

Daí o apelo do Sínodo ao "firme compromisso com a adoção de rigorosas medidas de prevenção que impeçam o repetir-se, a partir da seleção e da formação daqueles a quem serão confiadas tarefas de responsabilidades e educativas". Por conseguinte, será necessário extirpar as formas - como a corrupção e o clericalismo – sob as quais estes tipos de abusos estão enraizados, contrastando também a falta de responsabilidade e transparência com que muitos casos foram geridos. Ao mesmo tempo, o Sínodo se diz agradecido a todos aqueles que "têm a coragem de denunciar o mal sofrido", porque ajudam a Igreja a "tomar consciência do que aconteceu e da necessidade de reagir com decisão". "A misericórdia, de fato, exige a justiça". Mas não devem porém ser esquecidos os numerosos leigos, sacerdotes, pessoas consagradas e bispos que a cada dia se dedicam, com honestidade, a serviço dos jovens, os quais podem verdadeiramente oferecer "uma ajuda preciosa" para uma "reforma de dimensão epocal" nesta área.

 

A Família "Igreja Doméstica"

Outros temas presentes no Documento dizem respeito à família, principal ponto de referência para os jovens, primeira comunidade de fé, "Igreja doméstica": o Sínodo chama a atenção, em particular, ao papel dos avós na educação religiosa e na transmissão da fé, e alerta para o enfraquecimento da figura paterna e  para aqueles adultos que assumem estilos de vida "juvenis". Além da família, para os jovens, a amizade com os colegas é muito importante, pois permite a partilha da fé e a ajuda recíproca no testemunho.

 

Promoção de justiça contra "cultura de desperdício"

O Sínodo concentra-se também em algumas formas de vulnerabilidade vividas pelos jovens em vários setores: no trabalho, onde o desemprego torna as jovens gerações pobres, minando a sua capacidade de sonhar; as perseguições até a morte; a exclusão social por motivos religiosos, étnicos ou econômicos; as deficiências. Diante dessa "cultura de descarte", a Igreja deve lançar um apelo à conversão e à solidariedade, tornando-se uma alternativa concreta às situações de dificuldade. Na frente oposta, não faltam áreas onde o comprometimento dos jovens consegue se expressar com originalidade e especificidade: por exemplo, o voluntariado, a atenção às questões ecológicas, o compromisso na política com a construção do bem comum, a promoção da justiça, pela qual os jovens pedem à Igreja "um compromisso firme e coerente".

 

Arte, música e esporte, "recursos pastorais"

Também o mundo do esporte e da música oferece aos jovens a possibilidade de expressarem-se da melhor forma: no primeiro caso, a Igreja convida a não subestimar a potencialidade educacional, formativa e inclusiva da atividade esportiva; no caso da música, por outro lado, o Sínodo fala sobre sobre seu “ser recurso pastoral" que interpela também a uma renovação litúrgica, porque os jovens têm o desejo de uma "liturgia viva", autêntica, alegre, momento de encontro com Deus e com o comunidade.

Os jovens apreciam celebrações autênticas em que a beleza dos sinais, o cuidado da pregação e o envolvimento da comunidade falem realmente de Deus": portanto, precisam ser ajudados a descobrir o valor da adoração eucarística e a compreender que" a liturgia não é puramente expressão de si mesma, mas ação de Cristo e da Igreja".

As jovens gerações, ademais, querem ser protagonistas da vida eclesial, colocando seus talentos e assumindo responsabilidades. sujeitos ativos da ação pastoral, eles são o presente da Igreja, devem ser encorajados a participar na vida eclesial, e não impedidos com autoritarismo. Em uma Igreja capaz de dialogar de uma forma menos paternalista e mais sincera, de fato, os jovens sabem ser muito ativos na evangelização de seus coetâneos, exercendo um verdadeiro apostolado, que deve ser apoiado e integrado na vida da comunidade.

 

"Seus olhos se abriram"

Deus fala à Igreja e ao mundo por meio dos jovens, que são um dos "lugares teológicos" onde o Senhor está presente. Portadora de uma santa inquietude que a torna dinâmica – lê-se na segunda parte do Documento – a juventude pode estar "mais à frente dos pastores" e isso deve ser acolhida, respeitada, acompanhada. Graças a ela, de fato, a Igreja pode se renovar, sacudindo "o peso e a lentidão". Assim, o chamado do Sínodo para o modelo de "Jesus jovem entre os jovens" e ao testemunho dos santos, entre os quais estão muitos jovens, profetas da mudança.

 

Missão e vocação

Outra "bússola segura" para a juventude é a missão, dom de si que leva a uma felicidade verdadeira e duradoura: Jesus, de fato, não tira a liberdade, mas a liberta, porque a verdadeira liberdade só é possível em relação à verdade e à caridade. Intimamente relacionado com o conceito de missão, está aquele da vocação: cada vida é vocação em relação com Deus, não é fruto do acaso ou um bem privado para gerir por conta própria - afirma o Sínodo - e cada vocação batismal é um chamado para todos para a santidade. Para isso, cada um deve viver a própria vocação específica em cada área: a profissão, a família, a vida consagrada, o ministério ordenado e o diaconato permanente, que representa um "recurso" a ser ainda desenvolvido mais plenamente.

 

O acompanhamento

Acompanhar é uma missão para a Igreja a ser realizada em um nível pessoal e de grupo: em um mundo "caracterizado por um pluralismo sempre mais evidente e por uma disponibilidade de opções cada vez mais ampla," buscar junto com os jovens um percurso voltado a fazer escolhas definitivas é um serviço necessário. Os destinatários são todos os jovens: seminaristas, sacerdotes ou religiosos em formação, noivos e recém-casados ​​envolvidos. A comunidade eclesial é um lugar de relações e contexto em que na celebração eucarística se é tocados, instruídos e curados pelo próprio Jesus. O Documento Final enfatiza a importância do Sacramento da Reconciliação na vida de fé e encoraja os pais, professores, lideranças, animadores, sacerdotes e educadores a ajudar os jovens, por meio da da Doutrina Social da Igreja, a assumir responsabilidades no âmbito profissional e sócio-político. O desafio em sociedades cada vez mais interculturais e plurirreligiosas, é indicar na relação com a diversidade uma oportunidade para a comunhão fraterna e o enriquecimento mútuo.

 

Não a moralismos e falsas indulgências, sim à correção fraterna

O Sínodo, portanto, promove um acompanhamento integral centrado na oração e no trabalho interior que valorize também a contribuição da psicologia e da psicoterapia, quando abertas à transcendência. "O celibato pelo Reino" – é a recomendação - deve ser entendido como um "dom a ser reconhecido e verificado na liberdade, alegria, gratuidade e humildade", antes da escolha definitiva. Que se invista e aposte em acompanhadores de qualidade: pessoas equilibradas, de escuta, fé, oração, que tenham se deparado com as próprias fraquezas e fragilidades, e sejam por isto acolhedoras "sem moralismos e falsas indulgências", sabendo corrigir fraternalmente, longe de comportamentos possessivos e manipuladores. "Esse profundo respeito – lê-se o texto - será a melhor garantia contra os riscos de plágio e abusos de qualquer tipos".

 

A arte de discernir

"A Igreja é o ambiente para discernir e a consciência – escrevem os Padres sinodais - é o lugar onde se colhe o fruto do encontro e da comunhão com Cristo": o discernimento, por meio de "um regular confronto com um diretor espiritual", apresenta-se portanto como o sincero trabalho de consciência", "pode ser entendido somente como autêntica forma de oração” e “requer a coragem de empenhar-se na luta espiritual". Banco de prova das decisões assumidas é a vida fraterna e o serviço aos pobres. De fato, os jovens são sensíveis à dimensão da diakonia.

 

“Partiram sem demora"

Maria Madalena, primeira discípula missionária, curada das feridas, testemunha da Ressurreição é o ícone de uma Igreja jovem. Dificuldades e fragilidades dos jovens "nos ajudam a ser melhores, seus questionamentos – lê-se - nos desafiam, as críticas nos são necessárias porque muitas vezes através deles a voz do Senhor nos pede conversão e renovação". Todos os jovens, mesmo aqueles com diferentes visões de vida, nenhum excluído, estão no coração de Deus. Os Padres ressaltam o dinamismo construtivo da sinodalidade, ou seja, o caminhar juntos: o final da Assembleia e o Documento final são apenas uma etapa porque as condições concretas e as necessidades urgentes são diferentes entre países e continentes. Daí o convite às Conferências Episcopais e às Igrejas particulares para prosseguir no processo de discernimento com o objetivo de elaborar soluções pastorais específicas.

 

Sinodalidade, estilo missionário

"Sinodal" é um estilo para a missão que exorta a passar do “eu” ao “nós” e a considerar a multiplicidade de rostos, sensibilidades, origens e culturas diferentes. Neste horizonte são valorizados os carismas que o Espírito dá a todos, evitando o clericalismo que exclui muitos dos processos de decisão e a clericalização dos leigos, que freia o ímpeto missionário.

Que a autoridade – são os votos - seja vivida a partir de uma perspectiva de serviço. Sinodal seja também a abordagem ao diálogo inter-religioso e ecumênico destinado ao conhecimento recíproco e à superação de preconceitos e estereótipos, e a renovação da vida comunitária e paroquial, para que encurte as distâncias jovens-igreja e mostre a íntima conexão entre fé e experiência concreta de vida. Formalizado o pedido diversas vezes feito na Aula para instituir, em nível de Conferências Episcopais, um "Diretório de pastoral da juventude em chave vocacional”, que possa ajudar os responsáveis diocesanos e os agentes locais a qualificar a sua educação e ação com e para os jovens", contribuindo  a superar uma certa fragmentação da pastoral da Igreja. Reiterada ainda a importância da JMJ, bem como a dos centros da juventude e oratórios, que precisam no entanto ser repensados.

 

O desafio digital

Há alguns desafios urgentes que a Igreja é chamada a enfrentar. O Documento Final do Sínodo aborda a missão no ambiente digital: parte integrante da realidade cotidiana dos jovens, "praça" em que eles passam muito tempo e se encontram facilmente, um lugar irrenunciável para alcançar e envolver os jovens também nas atividades pastorais, a web apresenta luzes e sombras.

Se por um lado permite o acesso à informação, ativa a participação sociopolítica e a cidadania ativa, por outro apresenta um lado obscuro - a assim chamada dark web - em que se encontram a solidão, a manipulação, a exploração, a violência, cyberbullying, pornografia. Daí o convite do Sínodo para habitar o mundo digital, promovendo o seu potencial comunicativo em vista do anúncio cristão e a "impregnar" de Evangelho as suas culturas e dinâmicas.

Faz-se votos de que sejam criados Escritórios e organismos para a cultura e a evangelização digital que, além de “favorecer a troca e e a disseminação de boas práticas, possam gerenciar sistemas de certificação de sites católicos, para conter a disseminação de notícias falsas (fake news) sobre a Igreja", emblema de uma cultura que "perdeu o sentido da verdade", encorajando a promoção de "políticas e instrumentos para a proteção dos menores na web".

 

Corpo, sexualidade e carinho

Então, o Documento enfoca o tema do corpo, da afetividade, da sexualidade: diante de desenvolvimentos científicos que levantam questionamentos éticas, de fenômenos como a pornografia digital, o turismo sexual, a promiscuidade, exibicionismo online, o Sínodo recorda às famílias e às comunidades cristãs da importância de fazer descobrir aos jovens que a sexualidade é um dom. Muitas vezes a moral sexual da Igreja é percebida como "um espaço de juízo e condenação", enquanto os jovens buscam "uma palavra clara, humana e empática" e "expressam um explícito desejo de confronto sobre as questões relativas à diferença entre identidade masculina e feminina, à reciprocidade entre homens e mulheres, à homossexualidade".

Os bispos reconhecem a dificuldade da Igreja em transmitir no atual contexto cultural "a beleza da visão cristã da corporeidade e da sexualidade": é urgente buscar "modalidades mais adequadas, que se traduzam concretamente na elaboração de caminhos formativos renovados". "É preciso propor aos jovens uma antropologia da afetividade e da sexualidade capaz de dar o justo valor à castidade" para o crescimento da pessoa, “em todos os estados de vida". Nesse sentido, é pedido que se preste atenção à formação de agentes pastorais que sejam críveis e maduros do ponto de vista afetivo-sexual.

O Sínodo constata ademais a existência de "questões relativas ao corpo, à afetividade e à sexualidade que necessitam de uma elaboração antropológica, teológica e pastoral mais aprofundada, a ser realizada nas modalidades e níveis mais convenientes, daqueles locais aos mais universais.  Entre estes emergem aqueles relacionados à diferença e harmonia entre identidade masculina e feminina e às inclinações sexuais".

"Deus ama cada pessoa pessoas e assim faz a Igreja renovando seu compromisso contra qualquer discriminação e violência com base sexual". Da mesma forma - prossegue o Documento - o Sínodo "reafirma a determinante relevância antropológica da diferença e reciprocidade homem-mulher e considera redutivo definir a identidade das pessoas com base unicamente na sua orientação sexual".

Ao mesmo tempo, recomenda-se "favorecer" os "caminhos de acompanhamento na fé, já existentes em muitas comunidades cristãs", de "pessoas homossexuais". Nestes caminhos as pessoas são ajudadas a ler sua própria história; a aderir livremente e responsavelmente ao próprio chamado batismal; a reconhecer o desejo de pertencer e contribuir para a vida da comunidade; a discernir as melhores formas para que isso se realize. Desta forma, se ajuda a cada jovem, nenhum excluído, a integrar cada vez mais a dimensão sexual na própria personalidade, crescendo na qualidade das relações e caminhando para o dom de si".

 

Acompanhamento vocacional

Entre outros desafios apontados pelo Sínodo, encontra-se também a questão econômica: o convite dos Padres é o de investir tempo e recursos nos jovens com a proposta de oferecer a eles um período para o amadurecimento da vida cristã adulta, que "deveria prever uma separação prolongada de ambientes e relações habituais".
Além disso, enquanto se faz votos de um acompanhamento antes e depois do casamento, se encoraja a criação de equipes educativas, que incluam figuras femininas e casais cristãos, para a formação de seminaristas e consagrados, também com o objetivo de superar tendências ao clericalismo. Atenção especial é pedida à acolhida dos candidatos ao sacerdócio, que às vezes ocorre "sem um conhecimento adequado e uma releitura aprofundada da própria história": "a instabilidade relacional e afetiva, e a falta de raízes eclesiais são sinais perigosos. Negligenciando a normativa eclesial a este respeito – escrevem os Padres sinodais - constitui um comportamento irresponsável, que pode ter consequências muito graves para a comunidade cristã".

 

Chamado à santidade

"As diversidades vocacionais - conclui o Documento Final do Sínodo sobre os jovens – inserem-se no único e universal chamado à santidade. Infelizmente o mundo está indignado com os abusos de algumas pessoas da Igreja, antes que animados pela santidade de seus membros”. Por isso a Igreja é chamada a "uma mudança de perspectiva": por meio da santidade de tantos jovens dispostos a renunciar à vida em meio a perseguições para permanecerem fiéis ao Evangelho, pode renovar seu ardor espiritual e seu vigor apostólico.

 

O dom do Papa aos participantes do Sínodo

Por fim, como recordação do Sínodo dos Jovens, o Santo Padre deu a todos os participantes uma placa de bronze, com um baixo-relevo representando Jesus e o jovem discípulo amado. É uma obra do artista italiano Gino Giannetti, cunhada pela Casa da Moeda do Estado da Cidade do Vaticano, emitida em apenas 460 exemplares.

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Juventude é destaque da 40ª assembleia das igrejas do regional Sul 1

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29 de outubro de 2018

“Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” foi o tema da 40ª edição da Assembleia das Igrejas Particulares do Regional Sul 1 da CNBB, que compreende as arquidioceses e dioceses do Estado de São Paulo, ocorrida entre os dias 19 e 21. 

Realizado em Itaici, no município de Indaiatuba (SP), o evento esteve em sintonia com a 15ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a juventude, que acontece em Roma. 

Os mais de 300 participantes, entre bispos, padres coordenadores de pastoral, assessores do Setor Juventude e jovens representantes de cada diocese, contaram com as assessorias do Padre Antônio Ramos do Prado, Assessor Nacional da Comissão Episcopal para a Juventude da CNBB, do Padre Reginaldo Martins da Silva, Assessor do Setor Juventude no Regional Sul 1, e do Padre João Carlos Almeida (Joãozinho).

Padre Antônio apresentou a contribuição dos jovens para o instrumento de trabalho sinodal e as etapas de realização do Sínodo dos Bispos. Ele também falou sobre alguns dos trabalhos da Pastoral Juvenil da Igreja no Brasil, como o Projeto “Ide!”, para o triênio 2018-2020, com o objetivo de dar continuidade às iniciativas do Rota 300. “O ‘Ide!’ pretende desenvolver os eixos da missão, formação e estruturas de acompanhamento, e ainda, a ecologia e políticas públicas, favorecendo a capacitação daqueles que trabalham com os jovens e adolescentes dentro da Pastoral Juvenil, e despertar o espírito missionário do ser cristão”, esclareceu.

O “Painel das Juventudes” contou com representantes da Pastoral da Juventude (PJ), do Ministério Jovem da Renovação Carismática Católica (RCC), das Novas Comunidades, dos Jovens Conectados, do Movimento Focolares, da Milícia da Imaculada, de Grupos de Jovens e participantes da preparação do Sínodo dos Bispos sobre a juventude. 

Na última sessão da Assembleia, foi exibido um vídeo do jovem Lucas Galhardo, que participa do Sínodo, em Roma, representando os jovens brasileiros. 

“Continuemos o processo de motivação de nossa juventude, expandindo o que foi discutido e apresentado durante a Assembleia para as arquidioceses e dioceses no Estado de São Paulo”, disse o Presidente do Regional Sul 1, Dom Pedro Luiz Stringhini, na conclusão do encontro.
 

MISSÕES

Por ocasião do Dia Mundial das Missões e da Obra Pontifícia da Infância Missionária, celebrado no domingo, 21, os participantes da Assembleia das Igrejas Particulares tiveram a oportunidade de fazer um gesto concreto por meio de doações que serão revertidas para as atividades missionárias desenvolvidas pelo Regional na Diocese de Pemba, em Moçambique, na África. 

Os trabalhos da Comissão Missionária e Cooperação Intereclesial, em Pemba e na Amazônia, foram apresentados pelo Bispo referencial, Dom José Luiz Bertanha, com a presença de Dom Luiz Fernando Lisboa, Bispo de Pemba, e do Padre Everton Aparecido da Silva, Assessor do Conselho Missionário Regional (Comire).

(Com informações do Regional Sul 1 da CNBB)
 

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