SÃO PAULO

Cultura

Jovens da Paróquia Nossa Senhora do Brasil encenam “O auto da Compadecida” no Tuca

Por Nayá Fernandes
01 de março de 2019

O Tuca, Teatro da PUC-SP ficou lotado para a apresentação que começou às 21h

Luciney Martins/O SÃO PAULO

A Companhia Mirante de Teatro, junto ao Grupo de Jovens Divino Coração de Jesus, da Paróquia Nossa Senhora do Brasil apresentaram na terça-feira, 26, uma adaptação da peça “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, com direção de Thiago Domingues, ator e membro da Comunidade Católica CVXAVIER.

 

“A Companhia Mirante é um universo que promove arte, cultura e fé, desde o centro às periferias, sejam elas sociais ou humanas.” A definição é de Arthur Baldin, formado em Teatro e Artes do Corpo pela PUC-SP e um dos atores da Companhia.

 

O Tuca, Teatro da PUC-SP ficou lotado para a apresentação que começou às 21h e envolveu o público com um roteiro já conhecido por muitos, mas sempre cheio de surpresas e capaz de emocionar. Além disso, assistir “O auto da compadecida” é uma oportunidade de refletir sobre a vida e a coerência de vida cristã.

 

Com patrocínio e apoio da Paróquia Nossa Senhora do Brasil e incentivo do Vicariato para a Educação e a Universidade, da Arquidiocese de São Paulo, o Grupo destinará toda a renda do espetáculo para a Comunidade Missão Belém, que mantém várias casas para acolher pessoas em situação de rua no Brasil e em outros países como Itália e Haiti.

 

Diversidade

“Eu nunca vi uma peça de teatro reunir tantas pessoas diferentes. Acredito que isso faz parte da missão do teatro e tenho muito orgulho em participar da Mirante, porque ela é uma companhia aberta a todos” disse Arthur, que interpreta o Major Antonio Moraes no espetáculo. “Aprendi muito com essa experiência”, continou.

A história dos atores, sejam eles profissionais ou não, se mistura à história de jovens que, pela primeira vez, interpretaram uma obra teatral ou, pela primeira vez tiveram oportunidade de apresentarem-se com uma plateia tão numerosa num teatro prestigioso como o Tuca.

A experiência do grupo mostra, porém, que quando fé e arte se encontram, o resultado tanto para quem está no palco, quanto para quem participa na plateia é um momento de alegria, diversão e, ao mesmo tempo, de confronto da própria vida diante de Deus e de seus ensinamentos.

Bay Marthyn é ator e interpretou Severino de Aracaju no Auto. Ele é professor de teatro e há muito tempo não interpretava. Foi convidado para substituir uma atriz e para ele foi uma alegria voltar aos palcos. “Foi um processo muito lindo e sei que esta experiência não foi somente profissional, mas sobretudo espiritual”, disse

 

Grande família

Para María Elena Infante Malachias, que interpretou a cangaceira durante o Auto, esposa  de Célio Malachias, que interpretou Jesus Cristo e  Andrés Infante Malachias, que fez o papel de sacristão, o teatro foi o lugar em que seu filho se encontrou, depois de uma série de dificuldades de adaptação e bullying na escola por diferentes motivos.

“Foi uma alegria e uma emoção participarmos juntos em todos os momentos da realização desse teatro, sobretudo dos ensaios. Participar da apresentação foi algo muito importante para meu filho e ele está muito feliz”, contou María Helena.

 

Profissionalismo

Gustavo Henrique Costa, 27, é escritor e dramaturgo e interpretou o padeiro. O auto da compadecida” foi a peça que o despertou para o teatro há cerca de quatro anos. “Estar no elenco me fez brilhar os olhos e para mim, a pessoa do Ariano Suassuna é muito importante, por tudo o que ele representa para o País. Foi muito bom participar desse projeto”, afirmou.

Para Bia Sobreira, 17, que interpretou João Grilo no Auto, não é atriz profissional, mas já estudou teatro amador durante quase 5 anos, participar da peça foi um momento muito importante porque ela sonha em ser atriz profissional. “Os ensaios foram árduos, sobretudo nas semanas que antecederam a apresentação. Mas todas as pessoas são muito comprometidas e, desde a primeira apresentação, na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, percebemos quantos frutos bons poderiam nascer dessa iniciativa.”

Aos 31 anos, Rafael de Brito Moraes, membro do elenco, disse que foi a primeira vez que estreou num teatro tão importante. Formado em engenharia civil, ele começou a participar de grupos de teatro na Paróquia em que participava em 2009 e desde então o teatro passou a fazer parte da sua vida. No Auto, fez o papel do demônio. “Aconteceram muitos contratempos, como perda de atores no meio do processo e outras dificuldades, mas o resultado que tivemos na apresentação do Tuca foi sensacional”, disse.

 

Fé e arte

Foi a primeira vez que Maria Aparecida Malachias assistiu a uma peça no Tuca e também a primeira vez que ela viu “O auto da compadecida”. Mãe de Célio Malachias, Maria Aparecida se emocionou ao ver o filho interpretar Jesus Cristo e disse que não imaginava que um dia veria o filho num projeto tão importante.

Antes de entrarem no Palco os atores receberam a bênção e rezaram junto ao Padre Alessandro Enrico de Borbón, Vigário da Paróquia Nossa Senhora do Brasil. Ao palco eles entraram cantando, sinal da alegria de quem escolheu a arte, sem deixar de lado a fé.

 

(Colaborou Arthur Baldin)

O auto da Compadecida

Luciney Martins/O SÃO PAULO
Luciney Martins/O SÃO PAULO

O auto da Compadecida

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