INTERNACIONAL

Arábia Saudita/Canadá

Jovem mulher renuncia ao Islã e consegue asilo

Por Filipe David
21 de janeiro de 2019

Jovem saudita de 18 anos, após ‘barricada’ no quarto, consegue asilo depois de fugir de sua família

Vatican Media

Rahaf Mohammed al-Qunun é uma jovem saudita de 18 anos. Ela fugiu de sua família abusiva e obteve asilo político no Canadá. A jovem renunciou ao Islã, o que é considerado um crime que pode ser punido com a pena de morte.

Rahaf escapou da família durante uma viagem de férias ao Kuwait e embarcou num voo para a Austrália. Quando o avião aterrissou na Tailândia, um homem a recebeu e pediu seu passaporte, dizendo precisar dele para ajudá-la a obter um visto tailandês. Segundo a jovem, ele tomou seu passaporte e nunca retornou. Ela foi detida pelas autoridades tailandesas, que ameaçavam deportá-la de volta para o Kuwait.

Esperando em um quarto de hotel dentro do aeroporto, Rahaf decidiu se trancar e barrar a porta com os móveis do quarto até conseguir uma solução que não a levasse de volta para a sua família. Ela temia que pudesse ser morta por seus parentes. Rahaf obteve a atenção do mundo pelas redes sociais: “Não vou sair do meu quarto enquanto não falar com um representante do Acnur [Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados], eu quero asilo”, afirmou a jovem em um vídeo de apenas dez segundos, feito dentro do quarto e compartilhado pelas redes sociais. De acordo com um amigo de Rahaf, que deixou a Arábia Saudita para morar na Austrália, a ameaça de morte é real: a família dela é muito rígida e o “crime” de Rahaf é considerado extremamente grave.

A primeira vitória de Rahaf foi a decisão da Tailândia de não deportá-la, seguindo os tratados internacionais que dizem que “toda pessoa é livre para deixar qualquer país, incluindo o seu próprio”, direito que a Arábia Saudita não reconhece às mulheres, que só podem viajar com a permissão de um homem de sua família, geralmente o pai ou o marido.

O pedido de asilo estava sob a análise da Austrália quando o Canadá decidiu aceitar Rahaf imediatamente. Após uma longa viagem, ela foi recebida no País pela ministra das relações exteriores canadense, Chrystia Freeland.

Fontes: Le Figaro/ The Guardian/ BBC
 

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