SÃO PAULO

Missão Belém não é responsável por mortes em Jarinu, conclui investigação

Investigação conclui que Missão Belém não é responsável por mortes em Jarinu (SP)

Por José Ferreira Filho
12 de junho de 2019

Missão Belém não é responsável por mortes em Jarinu, conclui investigação

“Pelo que se apurou, não houve mortes por intoxicação; aliás, todas as mortes se deram por outros problemas e [foram] apontadas pelo IML [Instituto Médico Legal] como [decorrentes de] causas naturais [...]. Por todo o exposto, salvo melhor juízo, entendo que não há crime a se apurar em relação às mortes.” 

A declaração acima foi proferida pelo delegado de Polícia de Campo Limpo Paulista (SP), Elias Ribeiro Evangelista Júnior, em 29 de abril, dando por encerrado o inquérito policial instaurado em julho de 2017, no qual se acusava a Missão Belém pelas mortes ocorridas na época em uma de suas casas no interior de São Paulo, destinada ao acolhimento e recuperação de pessoas que sofrem com a dependência química e alcoólica. A Missão Belém é um movimento religioso nascido e aprovado na Arquidiocese de São Paulo, idealizado pelo Padre Gianpietro Carraro, 57, com a colaboração da Irmã Cacilda da Silva Leste, 46. Morando no Brasil há 25 anos, o Sacerdote italiano iniciou, no ano 2000, com o apoio da Religiosa, as atividades de evangelização por meio do serviço aos pobres, que culminaria com a fundação oficial da comunidade em 2005.

ENTENDA O CASO

Em 2017, num período de 30 dias, dentre as 14 pessoas que faleceram nas dependências de um dos sítios mantidos pela Comunidade Missão Belém, em Jarinu (SP), pelo menos nove delas apresentavam quadros de diarreia e vômito, acompanhados de desnutrição, desidratação ou intoxicação alimentar. Outras 19 foram internadas com esses sintomas, contudo sobreviveram. 

Uma investigação policial foi aberta, a pedido das autoridades locais, a fim de averiguar a responsabilidade da Missão Belém em relação ao ocorrido. Na ocasião, o delegado de Polícia de Jarinu, Osmani Pinheiro, fez uma visita ao Sítio Rainha da Paz, onde estavam acolhidas as pessoas retiradas das ruas em grave situação física. “Em primeiro lugar, não esperava que fosse assim. Eu fiquei impressionado... O que me impressionou mais ainda foi a forma com que eles se tratam! Um ajuda o outro! Sinceramente, o senhor [Padre Gianpietro] está de parabéns. A realidade, a verdade, aparece, Padre. Do que eu estou vendo, aqui é uma maravilha! Eu não esperava isso... Eu fiquei encantado!”, declarou o delegado na época.

IDONEIDADE

No processo policial, no qual se buscava apontar a negligência, imprudência ou imperícia por parte de integrantes da Missão Belém no cuidado de seus acolhidos, vários órgãos foram chamados a vistoriar o local e dar seu parecer. Após diligências da Prefeitura de Jarinu, do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, do Centro de Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde e do Conselho Regional de Medicina, todos atestaram a total idoneidade das atividades realizadas pela comunidade, eximindo-a de qualquer responsabilidade em virtude das mortes ocorridas, justamente porque a condição de saúde dos falecidos já estava comprometida antes de sua chegada à instituição.

DE QUEM É A CULPA?

Questionado a respeito do assunto, o Padre Gianpietro se manifestou: “Enfim, é preciso se perguntar: essas pessoas morreram e muitas outras morrem logo que são recolhidos da rua; se os órgãos públicos confirmaram que não há culpa nenhuma da Missão Belém, então quem é culpado de suas mortes? De quem é a culpa de tantos que, na rua, morrem sozinhos e abandonados? Não será dos próprios órgãos que, com tanto rigor, fiscalizaram a Missão Belém? Não são os órgãos de saúde municipais e estaduais que devem prestar socorro aos necessitados?”, indagou.

AÇÃO MISERICORDIOSA

Hoje, a Comunidade Missão Belém está presente no Brasil, na Itália e no Haiti. Sua principal atividade é oferecer acolhimento e recuperação às pessoas adictas em drogas e álcool, sobretudo aquelas abandonadas pelas famílias ou em situação de rua. Sua atuação se consolida na região central da cidade de São Paulo, mais especificamente na Cracolândia, sendo que, atualmente, em suas dependências, há cerca de 2,3 mil pessoas em processo de recuperação. Com cerca de 150 locais de acolhida, estabelecidos na Capital Paulista, Grande São Paulo e alguns municípios do interior, a Missão Belém preocupa-se com os ambientes destinados a receber os acolhidos, seja nas casas menores, sobretudo aquelas situadas na cidade de São Paulo, seja nos sítios localizados em alguns municípios próximos da Grande São Paulo, como é o caso dos Sítios São Miguel Arcanjo e Rainha da Paz, ambos em Jarinu.

Para pesquisar, digite abaixo e tecle enter.