NACIONAL

Rubinho Barrichello

Instituto Barrichello utiliza o kart como elemento de transformação social

Por Flavio Rogério Lopes
31 de março de 2019

A instituição possui nove projetos voltados para o desenvolvimento humano e qualidade de vida

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Aos 9 anos, Rubens Gonçalves Barrichello chegava com seu pai para mais um dia de treinos ao Autódromo de Interlagos. Um garoto da mesma idade guardava seu kart. Naquele dia, fazia muito frio e Rubinho, como é mais conhecido, percebeu que a criança estava sem casaco. Aconselhado pelo pai, decidiu entregar sua blusa para o menino, que ficou muito feliz com o presente.

No dia seguinte, o garoto estava novamente sem o agasalho. Rubinho e seu pai o questionaram sobre o que teria acontecido e descobriram que o pai do menino havia vendido o casaco para comprar drogas. Foi nessa ocasião que Rubinho, ainda criança, perguntou-se, pela primeira vez, como poderia ajudar as pessoas necessitadas.

O garoto cresceu e se tornou Rubinho Barrichello, piloto de Fórmula 1, que teve 18 anos de atleta na categoria e alcançou a marca de 322 largadas – o piloto com maior número de corridas disputadas na história da competição. Conquistou 11 vitórias e 68 pódios na Fórmula 1 e foi campeão da Stock Car Brasil, em 2014.

 

SONHO DE INFÂNCIA

Foi a partir daquele episódio na infância que, em 2005, Rubinho decidiu fundar o Instituto Família Barrichello. A instituição atende crianças, adolescentes e idosos em seus projetos e tem Instituto Barrichello utiliza o kart como elemento de transformação social como principal objetivo combater a desigualdade e a exclusão social por meio do esporte, atuando em bairros com alta vulnerabilidade social e econômica.

“Acreditamos no poder do esporte como elemento-chave de transformação social das famílias de baixa renda. Partindo dessa crença, construímos a nossa missão justamente para promover o desenvolvimento humano por meio da educação no esporte”, disse William Oliveira, diretor-executivo do Instituto Família Barrichello ao O SÃO PAULO.

A instituição possui nove projetos voltados para o desenvolvimento humano e qualidade de vida. São beneficiadas cerca de 2 mil pessoas em 18 comunidades em São Paulo. Um dos projetos é o IBKart, que reúne crianças carentes de 5 a 14 anos, no Kartódromo da Granja Viana.

 

TRABALHO EM EQUIPE

A iniciativa automobilística visa não só a promover a parte física e motora, mas desenvolver o trabalho em equipe. Além das aulas de kart, as crianças participam de outras atividades como o skate e a oficina de rodas, em que elas fabricam os próprios brinquedos.

Nas aulas, as crianças se apoiam em uma metáfora: guiar um carro numa pista é como pilotar a própria vida. Como numa corrida, é preciso conhecer as curvas, planejar seu percurso, frear e ser firme ao volante. O diretor do Instituto recordou que as crianças aprendem a respeitar o adversário e a entender que o esporte não é individual, pois existe uma equipe por trás.

“As crianças são conduzidas a aprender que o kart e a vida não têm nada de individual, pois quando tomamos nossas decisões em ambos, elas afetam todo mundo. Guiamos o carro como guiamos a vida, mas existem a nossa família, amigos, comunidade, escola, e precisamos estar inseridos e respeitar todos nessa grande rede de interdependência”, recordou William.

 

ACOLHIDA E COMPREENÇÃO

Após 14 anos de trabalho social, os projetos do Instituto já acumularam muitas histórias marcantes. Entre elas, a de um garoto que já participa do IBKart há sete anos e é criado pela avó, pois seus pais estão detidos por envolvimento com o crime. O jovem, que não pode ter o nome divulgado, encontrou no projeto o conforto em meio às dificuldades. Hoje, com 16 anos, já acumula muitas vitórias em competições e tem até patrocinadores.

“É um motivo de muita alegria ver crianças que, apesar das adversidades e das dificuldades, encontram no projeto um espaço de carinho, amor, cuidado e aprendizagem. Elas podem ser elas mesmas, podem derramar seus sentimentos, pois elas vão ser acolhidas e compreendidas. Essas necessidades todas as crianças têm”, concluiu William Oliveira.

 

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