INTERNACIONAL

França

Incêndio destrói Catedral de Notre-Dame

Por Fernando Geronazzo
17 de abril de 2019

Templo francês construído em 1163 passava por restauro na parte superior onde, segundo bombeiros, iniciou-se o incêndio, na segunda-feira, 15

 

As autoridades francesas investigam as possíveis causas do incêndio de grandes proporções que destruiu a Catedral de Notre-Dame, em Paris, na França, na segunda-feira, 15.

O fogo teve início por volta das 18h50 locais (13h50 no horário de Brasília), poucos minutos depois de a igreja ser fechada para visitação. As chamas surgiram na parte superior da construção, onde eram realizados trabalhos de restauração. Cerca de uma hora após o início das chamas, a torre central do templo, de 93 metros de altura, desabou.

Até o momento, é descartada a possibilidade de que as causas sejam criminosas ou de que se trate de um atentado terrorista. Segundo a agência AFP, os bombeiros acreditam que o fogo está “potencialmente relacionado” com os trabalhos de restauração pelos quais passava o edifício medieval.

No ano passado, a Igreja Católica na França lançou um apelo urgente pela mobilização de fundos para salvar o templo, que estava começando a desmoronar.

 

REPERCUSSÃO

“A Santa Sé acolheu com choque e tristeza a notícia do terrível incêndio que devastou a Catedral de Notre-Dame, símbolo da cristandade na França e no mundo”, afirmou o Diretor Interino da Sala de Imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti.

O comunicado ressaltou, ainda, que a Santa Sé expressa solidariedade aos católicos franceses e à população de Paris. “Garantimos as nossas orações aos bombeiros e aos que estão fazendo o possível para fazer frente a essa dramática situação”, acrescenta o texto.

Via Twitter, o presidente francês, Emmanuel Macron, lamentou o ocorrido. “Meus pensamentos estão com todos os católicos franceses. Como todos os nossos compatriotas, estou triste esta noite em ver esta parte de nós queimar”, disse.

O Arcebispo de Paris, Dom Michel Aupetit, convidou à oração e pediu aos párocos da capital francesa que toquem os sinos de suas igrejas.

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, também lamentou, pela redes sociais, o incêndio. “Que tristeza imensa, ver a Catedral Notre- -Dame de Paris ser consumida pelas chamas! Um desastre e perda incalculável para a cultura e o testemunho do Cristianismo na História!”, manifestou.

 

O TEMPLO

A Catedral Metropolitana de Nossa Senhora (em francês: Cathédrale métropolitaine Notre-Dame) é o principal local de culto católico em Paris. Teve sua construção iniciada em 1163 e levou 180 anos para ser concluída.

Localizado na Île de la Cité (uma pequena ilha no centro de Paris, rodeada pelas águas do rio Sena), na praça de mesmo nome, o templo representa uma das construções góticas mais famosas do mundo. Notre-Dame recebia anualmente cerca de 13 milhões de turistas e fiéis de todas as partes do mundo.

De acordo com a lei francesa sobre a separação entre Estado e Igreja, de 1905, o edifício é de propriedade do Estado francês, como todas as outras catedrais construídas pelo Reino da França, e seu uso é atribuído à Igreja Católica.

 

RESTAUROS

Basílica menor desde 1805 e patrimônio mundial da Unesco desde 1991, a Catedral foi restaurada diversas vezes em seus mais de oito séculos de existência.

Notre-Dame passou por um processo de restauro em 1801 para celebrar um acordo entre a França e a Santa Sé e para a coroação de Napoleão Bonaparte, em 1804. Mas, em 1831, voltou a ser saqueada e teve seus vitrais quebrados.

Em 1844, a construção passou por um novo restauro, conduzida pelos arquitetos Eugène Viollet-le-Duc e Jean-Baptiste Lassuss, que morreria em 1857. A restauração, que respeitou materiais, estilos e épocas, estendeu-se durante mais de duas décadas.

O grande órgão da catedral, um dos mais famosos do gênero no mundo, foi restaurado entre 1990 e 1992. Também foi realizada uma limpeza na fachada, que durou mais de dez anos.

 

TESTEMUNHA DA HISTÓRIA

Desde sua fundação, a Catedral testemunhou os mais importantes eventos na história da França, como o nascimento de 80 reis, dois imperadores e cinco repúblicas. O templo foi saqueado e quase demolido durante a Revolução Francesa.

Na década de 1450, correu em Notre-Dame o processo de reabilitação da mártir Santa Joana d’Arc (1412-1431). No fim das duas guerras mundiais, no século XX, a Catedral acolheu as celebrações que marcaram o fim dos conflitos. Seus sinos anunciaram a liberação da França da ocupação nazista, em 25 de agosto de 1944.

(Com informações de Vatican News, UOL, G1, La Croix, AFP e EFE)

 

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