INTERNACIONAL

Panamá 2019

Imprensa destaca migrantes, violência e direitos humanos na viagem ao Panamá

Por Filipe Domingues/ Especial O SÃO PAULO
31 de janeiro de 2019

Papa atende confissão de jovens em situação de cárcere em centro correcional de menores

Vatican Media

Alguns grandes temas marcaram a cobertura internacional da visita do Papa ao Panamá para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em especial as mais diversas manifestações de violência contra os jovens, mas também a defesa da vida e dos direitos humanos. Houve significativa ênfase à visita de Francisco a uma centro de reclusão de menores, à crise na Venezuela e à expectativa para o encontro de bispos convocado para fevereiro, no Vaticano, para debater o problema dos abusos na Igreja.

 

APRISIONAMENTO E RECONCILIAÇÃO

Um dos momentos considerados mais comoventes foi a visita do Papa a um cárcere de menores, na sexta-feira, 25. “Papa rejeita marginalização com visita a prisão no Panamá”, anuncia manchete da agência France Presse. O texto registra a denúncia do Papa a “muros invisíveis” que separam os “pecadores” do resto da população.

“O Pontífice argentino de 82 anos se afastou do clamor da juventude católica global reunida na Cidade do Panamá para fazer uma viagem de 40 km até a penitenciária de concreto fora da capital”, diz a reportagem. O Papa ouviu a confissão de alguns jovens presos e um deles disse: “Não há palavras para descrever a liberdade deste momento”, relata a AFP.

Também a Catholic News Agency deu destaque às confissões. “Ele disse aos reclusos que ‘vocês são um propósito maior’, e que há alegria no céu quando um pecador se arrepende”, relata Courtney Grogan

Também falando sobre a misericórdia divina, muitos jornalistas notaram a fala do Papa sobre o aborto, durante o voo de retorno a Roma. No próprio Vatican News, site do Vaticano, o diretor Andrea Tornielli comenta a fala do Papa, que condena o aborto, mas também procura dizer às pessoas envolvidas que Deus as acompanha no sofrimento.

“Para entender o drama do aborto, é preciso estar no confessionário e ajudar as mulheres a se reconciliarem com o filho não nascido”, escreve o vaticanista italiano.

 

FEVEREIRO

Também durante o voo papal, Francisco alertou os jornalistas para que “desinflem as expectativas” para o encontro de fevereiro. Ele convocou presidentes de conferências episcopais e representantes da Igreja em todo o mundo para refletir sobre o problema dos abusos sexuais e de poder praticados por membros do clero.

Conforme relatou Inés San Martin no site Crux, o Papa explicou à imprensa que a ideia partiu do Conselho de Cardeais (C9) e propõe uma espécie de “catequese” aos bispos, para que compreendam melhor o problema e saibam como agir em caso de necessidade. Também é objetivo fortalecer os protocolos da Igreja. “Durante o encontro, disse Francisco, os bispos irão ‘rezar, ouvir testemunhos e participar de liturgias penitenciais, pedindo perdão por toda a Igreja”, relata.

 

MIGRAÇÃO

Jornais e sites como o National Catholic Reporter registraram a defesa humanitária que Francisco faz dos migrantes, lembrando que a América Central é uma das regiões que mais enviam migrantes para os Estados Unidos, e muitos passando pelo México.

“O Papa Francisco lamentou a condenação insensível e irresponsável dos migrantes”, relata o vaticanista Joshua McElwee. Segundo a publicação, o Pontífice pediu que a Igreja ajude a criar “sociedades que acolham e protejam aqueles que deixam suas terras por causa da violência e da fome”

 

VENEZUELA

Entre outros problemas da América Latina, chamou atenção dos jornalistas o posicionamento do Papa Francisco para a crise na Venezuela. Embora os bispos venezuelanos não reconheçam a legitimidade do governo de Nicolás Maduro, a Santa Sé se mantém neutra para evitar que os fiéis venezuelanos sofram represálias.

“Tenho medo do derramamento de sangue. Por isso, peço que sejam grandes aqueles que possam ajudar a resolver o problema. A violência me aterroriza. E se precisarem de ajuda para entrar num acordo, peçam”, disse o Papa no voo de retorno a Roma, conforme reportagem de Paolo Rodari, no site italiano Corriere della Sera.

A Venezuela vive um dos momentos mais difíceis de sua história, com inflação incontrolável, pobreza e fome. As últimas eleições presidenciais, que deram vitória a Maduro, não foram reconhecidas internacionalmente. Na quarta-feira, 23, enquanto o Papa estava viajando para o Panamá, o presidente do Congresso venezuelano se declarou presidente interino do país e diversos países o reconheceram como chefe de Estado da Venezuela, inclusive os Estados Unidos da América e o Brasil.

 

SONHOS

Conforme a coluna de opinião de Annette Planells, no jornal panamenho La Prensa, a visita do Papa ao país lhes ajudou a recuperar a capacidade de esperar dias melhores, especialmente para os jovens. “A JMJ tirou o melhor de nós como sociedade e as mensagens do Papa Francisco foram diretas, pertinentes e oportunas”, escreve.

“Vivemos uma experiência única. Além das crenças pessoais, a visita de milhares de jovens de todo o mundo nos permitiu voltar a sonhar. Sonhar com uma sociedade mais humana, uma sociedade centrada nos indivíduos, na qual todos se ajudam a ser felizes”, diz a colunista.

 

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