NACIONAL

CÂNCER DE PELE

Homens são os mais atingidos pelo câncer de pele no Brasil

Por Flavio Rogério Lopes
14 de novembro de 2019

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pele responde por 33% de todos os diagnósticos dessa doença no Brasil. 

Com a chegada do período de temperaturas altas, as pessoas ficam mais expostas à radiação ultravioleta (UV) do sol e nem sempre a proteção da pele é feita de forma adequada. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pele responde por 33% de todos os diagnósticos dessa doença no Brasil. Estima-se que, em 2018, mais de 165 mil casos de câncer de pele não melanoma foram registrados, sendo que mais de 85 mil foram em homens. 
Em dezembro, visando conscientizar a população sobre a importância da prevenção, a Sociedade Brasileira de Dermatologia promove a campanha “Dezembro Laranja”.

OS MAIS ATINGIDOS
O câncer de pele é provocado pelo crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele. Essas células se dispõem formando camadas e, de acordo com as que forem afetadas, são definidos os diferentes tipos da doença. Os classificados como não melanoma são os mais comuns e têm baixa letalidade. Seus números, porém, são muito altos. Já o melanoma é mais raro, letal e o tipo mais agressivo de câncer de pele, tendo sido registrados 6,2 mil casos em 2019, dos quais 2.920 em homens. 
“A população masculina acaba se expondo mais ao sol. Quando falamos de câncer de pele, lembramos das antigas gerações expostas durante muitos anos na infância. É a atual população, com cerca de 70 ou 80 anos, que hoje possui o maior risco. Os homens dessa geração trabalhavam mais expostos ao sol do que as mulheres, e isso faz com que o índice de câncer de pele em homens seja maior”, explicou, ao O SÃO PAULO, o médico Caio Lamunier, dermatologista responsável pelo tratamento do câncer de pele no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). 

TIPOS 
O não melanoma tem alta chance de cura, desde que seja detectado e tratado precocemente, pois é o tipo mais frequente e de menor mortalidade, mas pode deixar mutilações bastante expressivas se não for medicado adequadamente, uma vez que apresenta tumores de diferentes tipos. O melanoma pode aparecer em qualquer parte do corpo, na pele ou mucosas, na forma de manchas, pintas ou sinais, e tem alta possibilidade de disseminação para outros órgãos.
“O melanoma é o câncer de pele que mais mata, sendo responsável por 75% das mortes. Há diversos outros tipos da doença, que, juntos, correspondem a 25% da mortalidade que chamamos de câncer não melanoma. Entre eles, temos o carcinoma e outros tipos de câncer de pele variados”, reforçou Lamunier. 

ATENÇÃO DIÁRIA
O médico alerta que a grande preocupação são as queimaduras solares, que muitas vezes são adquiridas na praia, piscina ou até mesmo no dia a dia. Por isso, como prevenção, deve-se evitar um grande período de exposição ao sol. 
“Como qualquer câncer, quanto antes descoberto, maior é a chance de cura. Se o câncer for descoberto em um estado avançado, a chance de cura diminui. Por isso, sempre que aparecer uma nova lesão, que sangra ou que não cicatriza, deve-se procurar um especialista”, recomendou.

PREVENÇÃO E CUIDADOS
Qualquer pessoa pode desenvolver o câncer de pele, mas aquelas com pele mais claras são mais sensíveis ao sol. A doença é mais comum em pessoas acima de 40 anos e é considerada rara em crianças e pessoas negras, mas, apesar desse índice, a média da idade vem diminuindo com o passar dos anos, tendo em vista que pessoas jovens têm se exposto constantemente aos raios solares.
A principal recomendação para a prevenção do câncer de pele é evitar a exposição ao sol, principalmente nos horários em que os raios solares são mais intensos (entre 10h e 16h), bem como utilizar óculos de sol com proteção UV, roupas que protegem o corpo, chapéus de abas largas, sombrinhas e guarda-sol.
“O câncer de pele tem uma relação íntima com proteção solar e com atividade genética. Os principais fatores de risco são pessoas que têm um histórico familiar ou pessoal de câncer de pele e aquelas mais sensíveis a danos solares ou que se expõem sem proteção, ou têm uma pele clara. A principal medida preventiva é educacional e a proteção solar”, explicou o dermatologista Caio Lamunier.

DESCOBERTA E TRATAMENTO
O diagnóstico do câncer de pele é feito pelo dermatologista por meio de exame clínico. Em determinadas situações, é possível utilizar o exame conhecido como dermatoscopia, que consiste em usar um aparelho que permite visualizar camadas da pele não vistas a olho nu. Em casos mais específicos, é necessário fazer a biópsia.
A cirurgia oncológica é o tratamento mais indicado para tratar o câncer de pele com vistas à retirada da lesão, que, em estágios iniciais, pode ser realizada em nível ambulatorial (sem internação).
“O tratamento pode variar de acordo com o tipo de câncer de pele, da localização, da extensão e da gravidade. Normalmente, 95% do tratamento é cirúrgico, sendo o melhor, pois consegue-se retirar completamente e curar o paciente. Mas nem sempre o tratamento é cirúrgico, pois também são utilizadas quimioterapia, radioterapia ou pomadas. Os tratamentos são muito variados e individuais”, concluiu o dermatologista.

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